FLORESTA,,., NACI.ONAL DO TAPAJOS
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- Cláudia de Santarém Marreiro
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1 INVENTARIO DIAGNÓSTICO DA REGENERAÇAo NATURAL DA VEGETAÇAO EM AREA DA FLORESTA,,., NACI.ONAL DO TAPAJOS EMBRAPA CENTRO DE PESQUISA AGROPECUARIA DO TR6PICO ÚMtDO Belém, Para
2 MINISTRO DA AGRICULTURA Ângelo Amaury Stabile Diretoria Executiva da EMBRAPA Eiiseu Roberto de Andrade Alves - Presidente ágide Gorgatti Netto - Diretor José Prazeres Ramalho de Castro - Diretor Raymundo Fonsêca Souza - Diretor Chefia do CPATU Cristo Nazaré Barbosa do Nascimento - Chefe VirgíIio Ferreira Libonati - Chefe Adjunto Técnico José Furlan Júnior - Chefe Adjunto de Apoio
3 BOLETIM DE PESQUISA N 2 JANEIRO, 1980 I NVENTÁRIO DIAGNÓSTICO DA REGENERACAO NATURAL DA VEGETAÇÃO EM ÁREA DA FLORESTA NACIONAL DO TAPAJÓS João Olegário Pereira de Carvalho Eng." Florestal, Pesquisador do CPATU EMBRAPA CENTRO DE PESQUISA AGROPECUARIA DO TR6PlCO ÚMIDO Belém, Para
4 Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico i5rnido Trav. Dr. En6as Pinheiro s/n Caixa Postal, Belérn, PA Carvalho, João Olegário Pereira de Inventário diagnóstico da regeneração natural da vegetaçzo em área da Floresta Nacional do Tapajús. Belém, Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido, p. ilust. (EMBRAPA.CPATU. Boletim de Pesquisa, Floresta - Manejo.2. Silvicultura - Manejo. I. Titulo. 11. Serie. CDD CDU [811.S]
5 2. MATERIAL E MÉTOQOS Caracterização da Area Experimental Amostragem Espécies inventariadas Classes de Tamanho da Regeneração Natural., 2.5. Procedimentos de Campo Cálculos...m RESULTADOS E DISCUSSÃO CONCLUSÕES FONTES CONSULTADAS ANEXOS...
6 INVENTARIO DIAGNÓSTICO DA REGENERACAO NATURAL DA VEGETACAO EM AREA DA FLORESTA NACIONAL DO TAPAJÓS ' RESURIO : Examina a regeneração natural em uma área de 35 ].ia, submetida a explotações seletivas, na Floresta Nacional do Tapajiis. Visa contribuir para o estudo de sistemas de amostragcns de regeneração natural aplicáveis ao manejo sustentado da floresta amaz5nica. Foi utilizado o método malaio para amcistragem linear da regeneração natural, com adaptações para as condições do local. Foram considerados indivíduos desde c estágio de plâritula até o diâmetro de 15 crn 6 altura do peito. Sendo constatadas 23 famílias, 61 gêneros e cerca de 80 espécies florestais de valor comercial, efetivo ou potencial. O povoamento apresentou um estoque de 899'0 e fator de estabelecimento igual a 72%. Foram as seguintes as porcentagens de sub-amostras estocadas com plantas de distintas classes de tamanho: 1B = 15?o1 IA = 2696, E = 70%, U, = 55%, U, = 95% e R = 90%. O Indice de competição, relativo a presenqa de cipós, palmeiras e resíduos ienhosos, foi de 34%. Com base na djscussão dos resultados conclui-se que o modelo de 1/4 de corrente foi adequado às dimensões da regeneracão natural: a ocorrência da regeneração natural de espécies valiosas apresentouse elevada, podendo ser aproveitada na formacão de povoamento de elevado valor comercial; havendo necessidade, no momento, de eliminar a competição e, no futuro, de efetuar desbastes seletivos, para obter-se maior valor do povoamento adulto. O conhecimento dos padrões de regeneracão natural das florestas é essencial ao seu aproveitamento racional. Os dados obtidos permitem indicar, quando necessario, quais ( I ] - Este trabalho recebeu apoio financeira do POLAMAZONIA, através do convênio EMBRAPAJIBDF.
7 os tratamentos silviculturais adequados h obtenqão de uni povoamento de elevado valor comercial. Entretanto, os estudos sobre este assunto são raros na Amazônia, devido as características da atividade madeireira regional. Pitt (1969) foi o pioneiro quanto à realizacão de levan. tamentos de regeneracão para a aplicacão ao maneja de pevoamentos florestais, na Amazônia. Utilizando o método malaio, efetuou levantamentos em localidades do Pará e do Amapá. No entanto, esses levantamentos não envolverain áreas localizadas na Floresta Nacional do Tapajós, considerada uma das mais representativas amostras da cobertura florestal densa da Amazônia Brasileira. O presente trabalho investiga as características de regcneraqão natural em área da Floresta Nacional do Tapajós, pela aplicacão do método malaio de amostragem linear, tendo em vista a utilização econômica e racional da floresta tropica t densa amazônica. 0s obje3ivos específicos deste levantamento são : obter inforxnações sobre a distribuiçáo, desenvolvimento e composição da regeneracão natural de espécies valiosas; obter inforrna~fies sobre a intensidade de competicão por elementos não desejáveis; verificar a necessidade de tratamentos culturais na área estudada, em funcão dos resultados de campa. 2. MATERIAL E METODOS 2.1. Caracterizacão da Area Experimental A área experimental, de 35 ha, est6 localizada na Floresta Nacional do Tapajós, a altura do krn 67 da Rodovia Santa* rém-cuiab5. Segundo o sistema proposto por Dubois I1976). a tipologia vegetal local é classificada como mata alta sem babaçu. Heinsdijk â; Bastos (1963) e SUDAM (1973) afirmaram que a região onde está situada a área experimental foi objeto de
8 exploração seletiva. Houve a extracão de madeiras valiosas, como pau rosa [Aniba duckei. Kostermans), cedro vermel ho (Cedrela sdorata, L], macaranduba [Manilkara huberi, Standley) e, provavelmente. freijó (Cordia goeldiana, Hub]. O inventário foi realizado, em maio-junho de 1975, apresentando-se a floresta como uma consorciacão de arvores rla mata original e regeneracão natural de diversas idades, em grande parte induzida pelas explorações extrativistas. O clima da região e Ami, pelo sistema de Koppen, Segundo dados de Belterra, distante 35 krn da área experimental, a precipitação média anua! está em torno de mm, com uma estação de menor pluviosidade de um a cinco meses. A temperatura média anual é de 25,0 C. A altitude é de 175m. O relevo da área experimental é plano. Segundo o mapa exploratório contido em Brasil [1976], o solo é Latossolo Amarelo Distróf ico textura muito argilosa. Utilizou-se o modelo de amostragem linear da regeneracão natural apresentado por Sarnard , revisado por Wyatt-Smith [I 9601, adaptado 5s condicões amazônicas por FAO (19711 e Dubois (1978). A área de 35 ha foi dividida em 34 parcetas quadradas e uma retangular de i ha. Em cada parcela de 1 ha foi sorteada uma amostra, representada por uma faixa de 5 m x 100 m, sempre no sentido leste-oeste. Cada amostra fui subdividida em 20 sub-amostras de 5 m x 5 rn, configurandose, assim, a amostragem em quadrados de 1/4 de corrente [uma corrente corresponde a 66 pés ou 20,11 m. Adota-se, na Amazônia, o valor de 20 m) Espécies!aiventariadas Em cada parcela foram consideradas somente as espécies desejáveis, entendendo-se por desejável a especie que
9 possibilite o aproveitamento comercial de sua madeira, de modo efetivo ou potencial. A correspondência entre nomes vulgares e científicos das espécies locais desejáveis é apresentada no Anexo 1. Para sua elaboracão foram consideradas as informações citadas em Heinsdijk & Bastos (19631, Loureiro 8 Silva [1968), Pitt [1969), Pauia [I9771 e. principalmente, a identificação feita pela equipe do Laboratorio de Botânica do CPATU/EMBRAPA. As espécies encontradas foram colocadas em dois grupos, A e B, de acordo com o valor comercia! ou potencial e crescimento. Para o agrupamento das espécies adotou-se a proposição indicada em FAO [1971), elaborada para as condicões de Curuá-Una e adaptada às condiqões de vegeta~ão da área inventariada. A composicão dos grupos é mostrada nas Tabelas 2 e 2. O Grupo A compreende as espécies de crescimento mais rápido, e o Grupo B as de crescimento mais lento. As espécies estão listadas et-i-i ordem decrescente de valor comercial ou potencial, dentro de cada grupo. TABELA I - Relação Convencional de Espécies do Grupo A. Símbolo Nome vernacutar Nome científico R0.I0 CAS QU A AN TA MA PI TB TP BO ACH MEL MU SE TV Pau rosa Freijó Castanheira do Paiá Quaruba Andiroba Tatajuba Marupá piquiá Tachi branco Tachi preto folha graúda Munguba grande Achichá Melancieira Muijba Seringueira Tachi vermelho Aniba duckei, Kostermans Cordia bicslor, A. DC. Bertholletia exeelsa, Ducke Vochysia maxirna, Warm Carapa guianensis, Aubl. Bagassa guianensis, Aubl. Sirnaruba amara, Aubl. Caryocar villosum, (Aubi.1 pers Tachigalia sp Iachigalía niyrmecophylla, Ducke Bornbaw globosum, Ducke Sterculia pilosa, Ducke Alexa grandiilora, Ducke Bellutia sp Heifea spp Sclerolobiurn crysaphyllum, P. et Endl.
10 TABELA 7 - ~continuaçáo) Símbolo Nome vernacular Nome cientifico uv UP URA TUC BOL T AP RUC L AC EN EN UT Ucuúba vermelha Ucuúba peluda Ucuiibarana Faveira arara tucupi Faveira bolota iatapiririca Urucu da mata Lacre Envira preta Envira surucucu Ilcuhba da terra firme Virola sp Virola sp iryanthera sp Parkia multijuga, Benth Parkia sp Tapirira guianensis, Aubl. Bixã arborea, Hub. Vismia sp Guatteria sp Duguefia sp Virola melinonii, (Ben) A. C. Srnith TABELA 2 - Relação Convencional de Espécies do Grupo 6. SirnboIo Nome vernacular Nome científico MU I M AC SUC MAÇ ROS GUA JAR ITA ITA J AT ANA QUR GLI AGA AM Muicaratiara, Aroeira Macacaú ba Sucupira Louro Maçaranduba Faveira da rosca Guariúba Jarana Italiba Itaúba abacate Jutai-açu.4nani Guarubarana Glícia Araracanga Angelim Astronium gracile, EngI. Platymiscium sp Diplotropis purpurea var. brasiliensis Aniba sp; Nectandra sp; Aiouea siip; Ocotea spp Manilkara huberi. Standley Enterolobium schomburgkii, Benth. Clarisia racemosa, Ruiz & Pav. Holspyxidium jarana, (Huber] Ducke Mezilaurus itauba, (Meiss) Mez. Mezilaurus lindaviana, Et. Mez. Hyrnenaea cf. courbaril. L Symphonia sp Erãsma uncinatum, Warm G tycidendron arnazonicum, Ducke Aspidosperma sg Hymenolobium fjavum, Kleinh
11 TABELA 2 - (continuacão) Símbolo Nome vernacular Nome científico AR CU C0 GOM S AP TI N TIN TEN J UT CUI CUI SUCU SCU ADO AMA ARA UCH TAU MOR Angelirn rajado Cumaru Copaiba, copaibarana Gombeisa Castanheira sapucaia Muiratinga folha peluda Muiratinga Tento Jutaí mirim Cuiarana Cuiarana Breii sucuruba Sucuúba Amapá doce Amapa amargoso Abiurana Uchi liso Tauari Matamatg Pithecelobium racemosum, Ducke Dipteryx odorata, Aubl Copaifera spp Swartzia stipulifera, Harms Lecythis usitata var paraensis Helycostilis pendunculata, Ben Maquira sclerophylla (Ducke] C.Ç. Rerg Ormosla sp Hymenaea parvifolia, Huber 'Terminalia argentea, Martet Zucc. Terminalia cf. obovata [Poir) Stend Trattinickia sp Hymatanthus sp Br~simum parinarioides, Ducke Brosimiim giiianense, Aubl. Huber Touteria sp; Micropholis sp; Myrtiluma sp; Nemaluma sp; Syzygiopsis spp Endopleura uchi, (Huber) Ducke Couratari oblongifolia, Ducke Eschweilera spp 2.4. Classes de Tamanho da Regeneracão Natural Em cada sub-amostra foram consideradas todas as plantas das espécies desejáveis, até 15 crn de diâmetro a altura do peito (DAP). As plantas foram distribuídas em diversas classes de tamanho, conforme é obssrvado na Tabela 3.
12 TABELA 3 - Classes de Tamanho de plantas utilizadas no Inventário de Regeneracão da área estudada na Floresta Nacional do Tapajás. Símbolo da Tamanho da planta Denominação da classe classe H < 30 crn Recruta R 30 crn < H < 150 crn Muda não estabelecida 150 cm < H < 300 cm Muda não estabelecida u* H > 300 cm e DAP < 5 i:m Muda estabelecida E 5 crn < DAP < 10 crn Vara IA 10cm c DAP < 15cm Vara 1B "4 H altura da planta DAP - diâmetro a 1,30 m de aitura 2.5. Procedimentos de Campo - Após o sorteio da faixa-amostra em cada parcela, as operacões de campo desenvolveram-se como é descrito a seguir. A equipe foi constituída por um engenheiro, um mateiro e um operário rural. O período de execução foi registrado, tendo em vista o cálculo do rendimento diário médio. Abertura da Linha de Acesso e Piquetagem : Para cada amostra sorteada foi feita uma picada de 100 m no sentido leste-oeste, cortando-se no percurso so- mente as plantas arbustivas e arbóreas indesejáveis, assim como cipbs e trepadeiras. A picada foi demarcada por uma linha de piquetes disi-anciadcs de 5 m. - Del imitacão das Sub-amostras : Após a piquetagem das linhas de acesso, as sub-arnostras de 5 m x 5 rn foram delimitadas, sempre ao lado norte da linha, utilizando-se varas de 5 rn.
13 - Mensuracão da Regeneracão Natural : As plantas das espécies desejáveis das classes R a 1B faram medidas em cada sub-amostra. As anotações foram eietuadas de acordo com o sistema malaio modificado, como é mostrado no Anexo 2. - Escolha da Muda Líder do Grupo A: A muda líder foi selecionada entre as plantas do Grupo A existentes em cada sub-amostra, quanto à classe de tamanho, características de forma, posição na lista convencional e probabilidade de emergir. - Escolha de Muda de Substituição do Grupo A: Foi escolhida a muda de classjficacão imediatamente irrferior à muda líder. - Escolha da Muda Líder do Grupo B : Utilizando a lista de espécies do Grupo B, procedeu-se como na escolha da Iíder do Grupo A. - Escolha da Muda de Substituicão do Grupo 5: Metodologia igual a do Grupo A, utilizando a lista do Grupo B. - Enumeração da População Irrestrita: Foram anotadas todas as demais mudas existentes no quadrado, além das líderes e substitutas. - Outras Observações : Foram registradas as ocorrências de cipós, palmeiras e resíduos lenhosos Cálculos Com os dados obtidos no levantamento de campo, pro. cedeu-se ao cálculo do índice de estoque (IE) e do fator de estabelecimento [FE) do povoamento, de acordo com as fórmulas recomendadas em FAO [1971). Para estes cálculos foram consideradas, inclusive, as classes de Ui a IA.
14 O índice de competicão [IC] de cada amostra foi calculado pela relação entre o número de sub-amostras com presenca de cipós e/ou palmeiras ejou árvores caídas, e o numero total de sub-amostras. A freqüência de cada espécie foi determinada atraves da relação porceniual entre o número de sub-amostras em que a espécie ocorre e o número total de sub-amostras. No calculo das frequências de espkcies foram consideradas as classes de R a i B. Os trabalhos de campo foram efetuados em 22 dias úteis, portanto com média diária de 1,6 amostras. 3. RESULTADOS E DISCUSSÁO A Tabela 4 apresenta os valores de IE e FE para a área experimental. A determinação das medias e seus valores associados foi obtida a partir de 35 dados, correspondentes as amostras. TABELA 4 - Valores de IE e FE para a Area Experimental. Grupos de espécies IE % - ni 1 SK FE '/o ---- I C. FE/I E% - rn - sm cv = média -. desvio padrão da média = coeficiente de variação
15 Foram determinados os seguintes valores de IC, para a área experimental : 6 = 33,4%. sm = 32 e cv = 57,4%. A freqüência das espécies é mostrada na Tabela 5. TABELA 5 - Frequência das Espécies na Area Inventariada. Nome \.fernacular Porcentagem Envira preta, E. surucucu Louros Ucuúba da terra firme Abiuranas Tauari Andiroba Matamatás Freijó Muiratingas Fau rosa Melancieira Seringueira Tachi vermelho Guariúba Patapiririca Copaíba, copaibarana Urucu da mata Jarana Aroeira Jutai-açu Sucupira Itaúba Araracanga Amapá amargos0 Tachi branco Tachi preto folha graúda Ucuúba peluda Ucuúba vermelha Maçaranduba Quarubarana Anani Gombeira Ucuubarana Uchi liso
16 TABELA 5 - (continuaçáol Nome vernacular Porcentagem Breu sucuruba Munguba grande Quaruba Sento Amapá doce AngeIim rajado Castanheira do Pará Faveira arara tucupi Glicia Achichá Angelirn Macacaúba Castanheira sapucaia Cumaru Faveira bolota Lacre Mârupá Faveira da rosca hhúba Cuiaranas Piquiá Sucuúba Tatajuba O conceito de estoque refere-se a concentração de árvores de espécies valiosas com dimensões de corte no final da rotacão. Nos levantamentos em quadrados de 1/4 de corrente, uma sub-amostra é considerada estocada quando contém pelo menos uma muda da classe E ou super' ~or, OU número equiva tente de mudas de classes inferiores, indicado em FAO (1971). O IE de 40% para o Grupo A, conjugado com um valor de 50% para o conjunto A + B, é considerado satisfatório em FAO (1 971 ). Consequentemente, os valores médios encon-
17 trados, cerca de 64% no Grupo A e 89% para o conjunto A + B são elevados, principalmente ao se considerar não ter havido qualquer indução da recgeneraç80. Tradicionalmente a amostragem em quadrados de 1/4 de corrente é efetuada em povoamentos que foram explorados há 3-5 anos. tendo sido executadas, imediatamente após a exptoracão, acões de manejo para beneficiar a regeneracão natural. Os valores dos coeficientes de variacão do 1E levam a pressupor uma distribuição do estoque sem diferenças significativas entre as amostras e, portanto, satisfatória, uma vez que os valores das médias são altos. Os valores de I para o Grupo A estão abaixo de 40% em três amostras, e para o conjunto A +. B estão sempre acima de 60%. Segundo FAO I1971 1, o fator de estabelecimento [FE] é uma medida do desenvolvimento em altura da regeneração natural; quanto mais o FE se apl-oxima do valor correspondente ao IE, maior a altura média da muda líder de cada subamostra. Os valores da relação FE/IE apresentados na Tabela 4 indicam que quantidades correspondentes de sub-amostras estocadas contêm plantas com um tamanho equivalente as classes E ou IA. Realmente, as porcentagens de sub-amostras estocadas, por classe de tamanho, associadas aos valores encontrados de FE são as seguintes : IB = 15%, IA = 26%, E -= 70%, Ut = 95% e R = 90%. Estes números evidenciam que a amostragem em quadrados de l/4 de corrente foi apropriada às dimensões da regeneracão local. Segundo FAO [197'1), quando ocorre aita porcentagem de.plantas da classe IB, deve ser empregado o sistema de amostragem em quadrados de 1/2 de corrente indicado para regeneracão mais desenvolvida. FAO [I9711 recomenda efetuar o corte de cipós em todc! a área, quando for constatada a presença dos mesmos, em nível crítico, em mais de 20% das sub-amostras. A porcentagem encontrada de 34% de sub-amostras com elementos indesejáveis, constituídos por cipós, palmeiras e árvores caí-
18 das, é coiisiderada elevada, indicando a necessidade de eliminar a cornpetiqão. A frequência das espécies, apresentada na Tabela 5, revela a ampla ocorrência de espécies atualmente valiosas, comc ar~d iroba {Carapa guianensis, Aubll, jarans íholopyxidium jarana. [Huber] Ducke), jutai-acu Wymenaea cf. courbaril, L], dentre outras. Podem-se observar, também com elevada frequêncía, espécies de baixo valor atual, como as enviras [Anonaceae], a ucvúba da terra firme (Virola melinonii, IBftn) A.C. Smith), as abiuranas (Sapofaceae) e os tauaris (C'ouraiaii sp]. Supondo-se improvável a a1 teração do valor relativo das espécies no futuro, os dados obticios indicam a necessidade de um desbaste seletivo visando melhorar a constituicão f loristica do povoamento. Supõe-se que as extt-acões seletivas tenham contribuido para o empsbreciments da composiçã~, devido 5 intensa retirada de matrizes das espécies mais valiosas e a ausência de manejo pós-exploratória das clareiras de regenera- cáo. Entretanto, as particularidades de cada especie po- dem levar a resuitados não esperados, como e o caso do pau rosa (Aniba duckei, Kosterrnans). Embora não haja matrizes na área experimental ou em um raio de pelo menos 15 km, sua freqeiência é de 21%, como mostra a Tabela 5. O apodrecjmento da maioria dos tocos de árvores extraídas impede sua identificação e impossibilita que sejam feitas considerações similares para outras espécies. Com base na discussão dos resultados, podem ser consideradas as seguintes conciusões : - O modelo de amostragem em quadrados de 114 de corrente é adequado 5s dimensões da regeneracão natural; - A ocorrência de espkcies florestais desejáveis é elevada, tanto das cornercializáveis como daquelas que apresentam valor potencial;
19 - Há necessidade de intervenção humana, favoreceii do a regeneração natural das espécies mais valiosas, para aumentar o valor comercial do povoamento. AGRADECIMENTOS O autor agradece as facilidades concedidas pelo Projeto de Desenvofvirnento e Pesquisa Florestal - PRODEPEF/ IBDF para a coleta de dados na Floresta Nacional do Tapajós, assim como a valiosa cotaboração prestada pelo Sr. João Carlos Pinto Cavalcante, que exercia as funqões de técnico agrícola no PRQDEPEF. CARVALHO, J. O. P. de. Inventário diagnóst-ica da regeneracão natural da vegetaçãa em área da Floresta Nacional do Tapajós. Be- Iém, Centro de Pesquisa Agropecuaria do Trópico Úmido, p. (EMBRAPA. CPATU. Boletim de Pesquisa, 2). ABSTRACT : This work deals with the natural regeneration on a 35 ha area, subrnitted to partia1 exploitations, in the Tapaj6s National Forest. It aims at contributing to the study of natural regeneration sampling systems applicabie to the suszained management of the amazonian forest. The maiayan method for linear çampling of natural regeneration was utilized with adaptations for the local conditions. individuals of valuable specres were considered from the seedling stage to the 15cm diameter, at DBH. Twenty-three families, 58 genera and about 80 valuable commercial species of effective or potentiat vaiue were found. The stand presented a stocking index of 89% and an establishment stocking factor equal to 72%. The percentages of stoclted sub-samples with distinct size classes plants were the following: li3 = 15%, IA = 26%, E = 70 /o, U, = 55%, U, = 95% and R = 90%. The mmpetition index, related to the presence of palms, lianas and wood residues, was 34%. The following conclusions can be drawn from discussion : the 1/4 chain square çampling model was adecuate to the natural regeneration dimensjons; the natural regeneration of valuabie species was high, and can be used in the formation of high value commercial stand; and elirnination of competition has to be accomplished at moment, and seiective thinnjngs undertaken in the future to obtain a greater value from the stand.
20 5. FONTES CONSULTADAS Linear Regeneration Sarnpling. The Malay. For. Kua- BARNARD, R. C. Ia Lumpur, i3 (3): , Jul, BRASl L. DEPARTAMENTO I\IACIONAL DA PRODUÇAO MINERAL/PRO- JETO RADAM - BRASIL. Foiha SA-21-Santarém; geologia, geomorfoiogia, pedologia, vegetaçáo e uso potencial da terra. Rio de Janeiro, p. (Levantamento de Recursos Naturais, 101. I)U&OiS, J. L. C. Os tipos de inventários empregados no Manejo de Florestas Tropicais por Sistemas Naturais ou Semi-Naturais. Belém, s. ed., 1978, 25p.. Prelirninary forest management guidelines far the Mationa1 Forest af the Tapajós. Belém, PRODEPEF, p. FkO. Silvicultural Research in the Amaron. Rome, p. (FO: SF/BRA 4. Technical Report, 31. HEINSDIJK, D. & BASTOS, A. M. Inventários florestais na Amazônia. B. Setor Invent. Flor. Rio de Janeiro, 163 ; 1-10, LOUREIRO, A.A. & SILVA, M. F. Belém, SUDAM, 1968, 2v. Catalogo das Madeiras da Amazônia. PAULA, J.E. Anatomia de Madeiras da Amazônia com vistas a polpa de papel. Acta Amaz., Manaus, 7 (2): , jun PITT, J. Relatório ao Governo do Brasil sobre aplicaçóes de métodos siiviculturais a algumas florestas da Amazônia. Bel ém, SUDAM, 1969, 245p. SU DAM. Levantamentos florestais realizados pela missão FAO na Amazônia ( Belém, Divisão de Documentação, 2973, v.1. WYATT-SMITH, J. Diagnostic Linear Sampling af Regeneration. The Malay. For., Kuala Lumpur, 23 [3): , Jul., E. ANEXOS ANEXO 1 - Correspondência Entre Nomes Científicos e Comuns das Espécies Desejáveis Encontradas. Anacardiaceae Astronium gracile, Engl. Tapirira guianensiç, Aubl. Anonaceae Duguetla sp Guatteria sp Apocynaceae Aspidosperma sp Hymatanthus sp Aroei ra, Muiracatiara Tatapiririca Envira Envira Araracanga Sucuuba
21 ANEXO 1 [continuaçãol Bixãceae Bixa arborea. Hub Bom bacaceae Bombax globosum, Ducke Serraginaceae Cordia bicolor, A. DC. Burseraceae Trattinickia sp Caryocaraceae Garyocar villosurn, (Aubl.) Pers. Combretaceae Tearninalia argentea, Martet Zucc Terminalia cf abovata [Poir] Stend. Euphorbiaceae Glyeidendron amazonicum, Ducke Hevea spp Guttiferae Syrnphonia sp Vismia sp Humiriaceae Enclopleura uchi, (Hinber) Ducke Urricu da mata Munguba Frei jó branco Breu sucuruba Piyuiá Cuiarana Cuiarana Glicia Seringueira Anani Lacre Uchi liso Lauraceae Aiouea rnocambensis, Coe-Teixei ra Aiouea saligna, Meiss Aniba duckeí, Kostermans Aniba taubertiana, Mez. Licaria aritu, Ducke bicaria canella, (Meiss) Kostermans Mezilaurus itauba, [Meiss] Mez. Menilaurus lindaviana, Et. Mez. Meçtandra mirada, Sandwith Ocotea baturitensis, Valttimo Ocotea caudata. (Meiss) Mez. Ocotea csstata, (Nees] Mez. Ocotea costulata, (Nees) Mez. I.ouro Louro Pau rosa Louro touro Louro Itaúba Itaúba abacate Louro Louro Louro Louro Louro
22 ANEXO 1 (continuação) Berthalletia excelsa, Ducke Couratari oblongifolia, Ducke Eschweilera spp Hol~pyxidium jarana, (Hub) Ducke Lecythis usitata var. paraensls Leguminosae Alexa ~;randiflora, Ducke Copaifera sp Copaifera sp Leguminosae Diplotropis purpurea var. brasiliensis Dipteryx odorata, Aubl, Enterolobium schomburgkii, Benth. Hymenaea cf. caurbaril, L. Hyrnenaea parviflors, Huber Hymenolobium excelsum, Duc ke OrmosEa sp Parkia multijuga, Benth Parkia nitida, Miq. Parkia sp Pithecelobium racemosum, Oucke Platymisciurn sp ~~ero~obiurn crysopb yilrim, P. et. EdJ. Swartzia stipulifera, Harrns Tachigalia sp Tachigalia myrmecophylla, Ducke Meliadeae Campa guianensis, Au bl. Melastomataceae Moraceae Bagassa guianensis, Au bl. Brosimum guianensis, Aubl. Hu ber Brosimum parinarioides, Ducke Clarisia racemosa, Ruiz et Pav. Halicostylis pedunculata, Ben Maquira sclerophylla [Ducke) C. C. Berg Castanheira do Par6 Tauari Matarnata Jarana Castanheira sapucaia Melancieira Copaíba Copai barana Sucupira Cumaru Faveira da rosca Jutai-açu Jutai-mirim Angelim Tento Favei ra arara tucupi Faveira arara tucupi Faveira bolota Angelim rajado Macacaúba Jacbi vermej hr, Gombeira Tachi branco Tachi preto folha gilacda Andiroba Muúba ataj juba Amapá amargos0 Amapá doce Guariuba Muiratinga folha peluda Muiratinga
23 ANEXO 1 (continuacão] Myristicaceae Iryanthera sp Virola sp Virola melinonii {Ben) A.C. Srnith Virola sp Ucuubarana Ucuuba peluda Ucuuba da terra firme Ucuuba vermelha Sapotaceae Manilkara huberi, Stand iey MicrophoIis sp Myrtiluma eugemeifolia, [Pierre) Nemaluma sp Pouteria guianensis, Aubl Syzygiopsis oblancealata, Pires Syzygiopsis oppoçitifolia, Ducke Syzygiopsis pachycarpa, Pires Simarubaceae Simaruba amara, Aubl. Sterculiaceae Ste~.culia pilosa, Ducke Vochysiaceae Erisrna uncinatum, Warm Vochysia maxima, Ducke Baill Macaranduba Rosadi nha Abiurana Abiurana Abiurana Abiurana Abiurana Abiurana Achichá Quarubarana Quaruba ANEXO 2 - Folha de Registro para AnotaçGes em Campo. Na parte superior de cada folha de registro foi indicado o tipo de ãmostragem, número da amostra, croquis de localizacão da amostra no compartimento, nome do técnico inventariante, nome de quem identificou as mudas e data da reaiização da operacão. Colunas de cada folha de registro Coluna 1 - N."- número do quadrado (sub-amostras] Coluna 2 - GAI. - símbolo da muda líder do Grupo A, seguido do simbolo de sua classe de tamanho. Coluna 3 - GAS - simbolo da muda de substituição do Grupo A, seguido do símbolo de sua classe de tamanho. Coluna 4 - GBL - símboio da muda líder do Grupo B, seguido do simbolo de sua classe de tamanho.
24 ANEXO 2 - Çcon-tinuaeo] Coluna 5 - GBS - simbolo da muda de substituição do Gru po 6, seguido do simbolo da sua dassa de tamanho. Coluna 6 - CPK - símbolos relacionados com a competição imediata (cipbs-c, palmeiras-p, residuos IP n hosos-kl. Coluna 7 - AI - população irrestrita - quantidade de desejhveis de 1B ate R do Grupo A, seguido da quantidade de desejáveis do Grupo B. LS 1/4 : N." C, EngP : OLEGARIO CARVALHO Mateiro : Erly Pedroso O OOrn Data : N." GAL GAS GBL GBS CPK AI 02 RO-Ul AM-R CPK U, - EN/2 U, U RA-E ARA-E C U, - EN/2 R - UT/2 R - M0/3 14 AN-Ul LO-Ul C R - TAU/3 R - L0/3 R - ARA/2
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