VIDAS SECAS GRACILIANOS RAMOS
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- Derek di Castro da Rocha
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1 VIDAS SECAS GRACILIANOS RAMOS
2 GRACILIANO RAMOS Segundo Antônio Cândido, não podemos dizer o que é ficção e o que é memória na obra de Graciliano. São duas coisas intrínsecas. Viveu parte da infância se deslocando por ambientes castigados pela seca. A relação entre os homens se dá com base na violência. O que explica parte das indignações expressas em sua obra.
3 ELE (GRACILIANO) NÃO PODE TER PIEDADE DE SI MESMO... A única criatura com a qual simpatiza Graciliano é, na verdade, a Baleia.
4 Modernismo: a geração de 30 Estado Novo e a ditadura Vargas Comunismo se fortalecendo enquanto posicionamento político no Brasil. Fora das capitais, nas regiões mais afastadas, a miséria é um problema comum. Os autores da segunda fase modernista irão se dedicar à denúncia dos problemas sociais do Brasil, como a pobreza, a fome e o analfabetismo. NEORREALISMO
5 A TEMÁTICA SECA MISÉRIA OS RETIRANTES CÁRCERE AIE (Aparelhos Ideológicos do Estado) Aparelho repressivo.
6 A ESTRUTURA DO ROMANCE A obra se divide em 13 capítulos autônomos. Podendo até ser lida de maneira livre. A linguagem utilizada pelo narrador passa pela imagem do sertão: seca. Frases curtas, diretas. Uso de coordenação, lembrando as rachaduras no solo seco. A economia da linguagem também passa pela ideia de seca. Narrador onisciente
7 Início da obra: NA PLANÍCIE avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala...
8 UM CICLO MUDANÇA Fabiano Cadeia Sinhá Vitória O menino mais velho Inverno Festa Baleia Contas O soldado amarelo O mundo coberto de penas FUGA
9 Da narrativa... O uso do discurso indireto livre se faz presente, de modo que o narrador entre no pensamento das personagens: Estirou as pernas, encostou as carnes doídas ao muro. Se lhe tivessem dado tempo, ele teria explicado tudo direito. Mas pegado de surpresa, embatucara. Quem não ficaria azuretado com semelhante despropósito?
10 AS PERSONAGENS
11 O PAPAGAIO Morre ainda no início da obra, pela sobrevivência da família. Um papagaio que não falava. Uma obviedade, diante de uma família de poucas palavras. Ele acabava por imitar os latidos da Baleia.
12 FABIANO O principal questionamento é se é homem ou bicho. Tem um sentimento de inferioridade, pois não domina a linguagem, tem pouco conhecimento. Sonha falar como seu tomás da bolandeira.
13 Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome, comendo raízes. Caíra no fim do pátio, debaixo de um juazeiro, depois tomara conta da casa deserta. Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos - e a lembrança dos sofrimentos passados esmorecera. Pisou com firmeza no chão gretado, puxou a faca de ponta, esgaravatou as unhas sujas. Tirou do aió um pedaço de fumo, picou-o, fez um cigarro com palha de milho, acendeu-o ao binga, pôs-se a fumar regalado. - Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindoo falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra. Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: - Você é um bicho, Fabiano. Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.
14 SINHÁ VITÓRIA Sonha em ter uma cama de couro, como a do seu Tomás da Bolandeira. inteligência primitiva
15 MENINO MAIS VELHO Sempre fazendo questionamentos sobre os sentidos das palavras, como em inferno, que representa o ambiente em que ele vive. Mais próximo à mãe.
16 MENINO MAIS NOVO Sonha em ser vaqueiro igual ao pai, seu herói. Imita-o montando em uma cabra.
17 BALEIA Humanização do animal. Sonha com um campo cheio de preás, em sua morte. Fiel à família, morre por uma necessidade.
18 Do enredo: CADEIA INVERNO: o fim da seca (chuva). FESTA: sonho vivo de Sinhá Vitória e a desesperança de Fabiano. "Fabiano roncava de papo para cima... Sonhava agoniado... Fabiano se agitava. soprando. Muitos soldados amarelos tinham aparecido, pisavam-lhe os pés com enormes retinas e ameaçavam-no com facões terríveis." BALEIA: a família perde um pertencente. Ela era como uma pessoa da família: brincavam juntos os três, para bem dizer não se diferenciavam..." CONTAS: Vitória percebe a diferença nas contas O SOLDADO AMARELO: homem do governo x sertanejo
19 O MULUNGU do bebedouro cobria-se de arribacoes. Mau sinal, provavelmente o sertao ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas arvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor nao havia comida, seguiam viagem para o sul. O casal agoniado sonhava desgracas. O sol chupava os pocos, e aquelas excomungadas levavam o resto da agua, queriam matar o gado. Sinha Vitoria falou assim, mas Fabiano resmungou, franziu a testa, achando a frase extravagante. Aves matarem bois e cabras, que lembranca! Olhou a mulher, desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando. Foi sentar-se no banco do copiar, examinou o ceu limpo, cheio de claridades de mau agouro, que a sombra das arribacoes cortava. Um bicho de penas matar o gado! Provavelmente Sinha Vitoria nao estava regulando. Fabiano estirou o beico e enrugou mais a testa suada: impossivel compreender a intencao da mulher. Nao atinava. Um bicho tao pequeno! Achou a coisa obscura e desistiu de aprofunda-la. Entrou em casa, trouxe o aio, preparou um cigarro, bateu com o fuzil na pedra, chupou uma tragada longa. Espiou os quatro cantos, ficou alguns minutos voltado para o norte, cocando o queixo. - Chi! Que fim de mundo! Nao permaneceria ali muito tempo. No silencio comprido so se ouvia um rumor de asas. Como era que Sinha Vitoria tinha dito? A frase dela tornou ao espirito de Fabiano e logo a significacao apareceu. As arribacoes bebiam a agua. Bem. O gado curtia sede e morria. Muito bem. As arribacoes matavam o gado. Estava certo. Matutando, a gente via que era assim, mas Sinha Vitoria largava tiradas embaracosas. Agora Fabiano percebia o que ela queria dizer. Esqueceu a infelicidade proxima, riu-se encantado com a esperteza de Sinha Vitoria. Uma pessoa como aquela valia ouro. Tinha ideias, sim senhor, tinha muita coisa no miolo. Nas situacoes dificeis encontrava saida...
20 A GEOGRAFIA DA MISÉRIA OS RETIRANTES NO BRASIL MORTE E VIDA SEVERINA A HORA DA ESTRELA
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