Que Bancos no Futuro?
|
|
|
- Branca Flor Luísa Ferrão Oliveira
- 9 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 Que Bancos no Futuro? Carlos da Silva Costa Governador Lisboa, 3 de outubro 2016 XXVI ENCONTRO DE LISBOA entre os Banco Centrais dos Países de Língua Portuguesa
2 As instituições bancárias enfrentam atualmente uma crise existencial O impacto da crise económica e financeira no balanço dos bancos O impacto da revolução digital na oferta de serviços financeiros; e na procura e preferências da sociedade por esses serviços. Continuarão a existir bancos no futuro? Que tipo de bancos teremos? Continuarão a ter um papel significativo nos sistemas financeiros? 2
3 O que aconteceu nos últimos anos? 1 No contexto da crise: Alguns bancos desapareceram; Outros necessitaram de apoio de fundos públicos; As taxas de incumprimento do crédito a empresas e a particulares aumentaram significativamente; O crédito registou uma significativa contração; As taxas de juro caíram para níveis próximos de zero e negativos; Deterioração da reputação Baixa rendibilidade Reforço da regulação 2 Paralelamente: transformação digital da economia e da sociedade 3
4 1 No contexto da crise: Deterioração da reputação A credibilidade e a reputação das instituições bancárias foram seriamente afetadas no contexto da crise financeira Confiança nos vários setores de atividade Restaurar a confiança e reputação dos bancos é essencial para garantir a sustentabilidade do negócio. A sociedade está hoje muito atenta à adoção de princípios éticos e comportamentos responsáveis pelos bancos. 4 Fonte: Edelman Trust Barometer 2015
5 1 No contexto da crise: Baixa Rendibilidade A baixa rendibilidade dos bancos está associada a dois fatores: i) receitas mais baixas do que no passado; ii) rigidez dos custos à descida 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0-2,0-4,0-6,0 Rentabilidade dos capitais próprios dos bancos Em percentagem Reino Unido Área do Euro ,0 75,0 70,0 65,0 60,0 55,0 50,0 Cost to income ratio do sistema bancário Em percentagem Área do Euro Reino Unido Fonte: BCE
6 1 No contexto da crise: Baixa Rendibilidade Fatores externos: Aumento do crédito em incumprimento Taxas de juro em níveis próximos de zero ou negativas Reforço significativo da regulamentação Fatores internos: Intensa concorrência Estrutura de custos desajustada face ao volume de negócios/rigidez dos custos à descida Reconhecimento de um nível elevado de imparidades Elevados custos de financiamento no mercado por grosso A sustentabilidade da função de intermediação financeira depende criticamente da capacidade dos bancos reforçarem os níveis de rendibilidade de forma sustentada: É necessários gerar capital interno Atrair investimento novo Que permita a reestruturação e o investimento em inovação. 6
7 1 No contexto da crise: Reforço da Regulação Situação do setor bancário no início da crise: Baixo nível de capitais próprios Elevado endividamento Baixas reservas de liquidez Modelos de governance inadequados Ausência de um quadro estruturado para fazer face a situações de recuperação/resolução Reforço significativo da regulação a nível internacional Capital: aumento da quantidade e qualidade dos fundos próprios exigidos; Alavancagem: introdução de um rácio de alavancagem em complemento à medida de capital regulamentar ponderado pelo risco; Liquidez: introdução do rácio de cobertura de liquidez para fazer face a tensões de curto prazo; introdução do rácio de financiamento estável líquido que visa reduzir o desfasamento estrutural de prazos no balanço para assegurar resistência a choques a médio prazo; Regimes de Resolução; Na Europa acresce uma profunda reforma institucional com a criação da União Bancária 7
8 2 Paralelamente: Transformação digital da economia e da sociedade Tecnologia digital adoção muito rápida e generalizada Comunicações móveis Redes socias Grande volume de informação Computação na Cloud Alterações do lado da oferta Novos concorrentes fintechs (fornecem serviços em determinados segmentos da cadeia de valor; não têm custos associados às redes de agências nem custos regulatórios): sistemas de pagamentos, crowdfunding; peer-to-peer lending Introdução de novas tecnologia 8
9 Isto significa que os atuais modelos de negócio e a estrutura do setor não são sustentáveis no futuro O modelo de negócios e a estrutura do sistema bancário atual irão mudar radicalmente Os desafios que se colocam aos bancos e as consequentes transformações necessárias têm dimensão global 9
10 Que setor bancário no futuro? Não existe uma estratégia ótima única A estratégica ótima depende do ponto de partida de cada banco e da respetiva envolvente operacional Estratégia passiva Ausência de visão estratégica; Incapacidade de levar a cabo o investimento e as alterações organizacionais que o novo enquadramento exige; Bancos evoluem para meros fornecedores de infraestruturas; aceitam depósitos e fornecem um conjunto limitado de produtos de crédito Combinações destes cenários Aquisição/tomada de participação fintechs Desenvolvimento de capacidades internas Estratégia pró-ativa Visão de futuro; Reformulação modelo de negócio; Capacidade financeira e organizacional para se transformarem; Bancos muito competitivos que concorrem diretamente com as fintech Alterações profundas da cultura e do talento das organizações Alterações tecnológicas 10
11 Quais os desafios que se colocam aos bancos no imediato para se reposicionarem face aos desafios futuros? O peso dos ativos não produtivos nos balanços, as alterações regulamentares e a deterioração da reputação continuam a absorver significativos recursos financeiros e de gestão dos bancos estes recursos são essenciais para pôr em prática estratégias de reposicionamento face aos desafios futuros. Para ultrapassar esta situação é necessários que os bancos atuem em paralelo: 1 Melhorar a rendibilidade Gestão ativa dos ativos não produtivos (NPL) Implementação de uma estrutura de custos adequada à capacidade de gerar receita 2 Adaptar-se às novas exigências regulatórias e assegurar a sua observância 3 4 Mudar a cultura e o comportamento das organizações e demonstrar segurança, integridade, fiabilidade e qualidade dos serviços fornecidos para recuperar a confiança dos stakeholders Investir em inovação Operacional e ao nível da prestação de serviços aos clientes 11
12 Impacto no setor bancário das economias em desenvolvimento? As perspetivas de crescimento robusto do PIB e de aumento do rendimento per capita nas economias em desenvolvimento aponta para um crescimento robusto da procura de serviços financeiros e para o reforço dos lucros dos bancos nestes mercados. Neste contexto os bancos das economias desenvolvidas continuarão a transferir recursos para as economias em desenvolvimento: recursos financeiros, talento e conhecimento especializado. Na maioria dos aspetos o sistema bancário das economias em desenvolvimento segue os progressos do resto do mundo. No entanto em algumas áreas lidera os desenvolvimentos a nível mundial: por exemplo, na prestação de serviços bancários por redes móveis. 12 Fatores críticos para a expansão do sistema bancário nas economias emergentes com solidez e confiança: Alinhamento dos regimes de regulação e de supervisão pelas melhores práticas internacionais; Reforço dos mecanismos de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo; Regimes de falências; Funcionamento ágil e efetivo dos tribunais
13 Agentes com capacidade de financiamento Infraestruturas do mercado de capitais Agentes com necessidades de financiamento Os bancos vão continuar a ter um importante papel no financiamento da economia Proteção dos bancos aos clientes é superior à dos outros intermediários financeiros Setor Financeiro Não bancário Fundos de pensões Seguradoras Fundos de investimento Acordos de Contraparte Derivados Titularização Empresas de Crédito Linhas de crédito Aquisição instrumentos de dívida Seguros Bancos Absorvem riscos Liquidez Crédito Mercado 13 Supervisão Níveis mínimos de capital Lender of last resort
14 Carlos da Silva Costa Governador
O sistema Financeiro Europeu e Português novos ou velhos riscos? João Costa Pinto Maio 2016
O sistema Financeiro Europeu e Português novos ou velhos riscos? João Costa Pinto Maio 2016 1 I. OS MERCADOS FINANCEIROS DA ZONA EURO Estrutura dos mercados Impacto da crise financeira sub-prime Lançamento
Sistema Bancário Português: desenvolvimentos recentes. 3.º trimestre 2018
Sistema Bancário Português: desenvolvimentos recentes 3.º trimestre 2018 Lisboa, 2019 www.bportugal.pt Redigido com informação disponível até 19 de dezembro de 2018. Refira-se, adicionalmente, que os indicadores
Plano Estratégico CGD 2020
Apresentação Plano Estratégico CGD 2020 10 de março de 2017 GIR Gabinete de Investor Relations Agenda I. Sumário Executivo II. Enquadramento e desafios do setor III. Plano Estratégico CGD 2020 Apresentação
Estes e outros indicadores da Demonstração de Resultados podem observar-se no 1º dos mapas que se seguem.
Estimados Clientes Constituindo um imperativo legal de publicação, no site do Banco, sublinha-se que as contas de fecho do 1º semestre de 2017 mostram que, pela primeira vez nos últimos anos, o Banco apurou
Declaração de Apetência pelo Risco
Declaração de Apetência pelo Risco Versão de divulgação 2017 1. Introdução à Declaração de Apetência pelo Risco do Grupo CGD ( RAS ) A Declaração de Apetência pelo Risco codifica formalmente a apetência
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GABINETE DO MINISTRO DE ESTADO E DAS FINANÇAS
20º Encontro de Lisboa com as Delegações dos Bancos Centrais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e de Timor Leste à Assembleia Anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial 04
Progresso PARP Perspectivas
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DIRECÇÃO NACIONAL DE ESTUDOS E ANÁLISE DE POLÍTICAS Progresso PARP 2011-2014 Perspectivas 2013-2017 Apresentação ao Seminário Conjunto:
Poupança e Investimento
Poupança e Investimento Fernando Alexandre Ordem dos Economistas, Lisboa 19 de abril 2017 Poupança e Financiamento da Economia Portuguesa 1. A importância da poupança 2. Desequilíbrios e estagnação: uma
Poupança e financiamento da economia portuguesa
Poupança e financiamento da economia portuguesa Fernando Alexandre (U Minho), Luís Aguiar-Conraria (U Minho), Miguel Portela (U Minho) e Pedro Bação (U Coimbra) Associação Portuguesa de Seguradores 21
BPI regista lucro consolidado de 529,1 milhões; Atividade em Portugal gera lucro de 324,4 milhões, dos quais 164,2 milhões recorrentes (+20% yoy)
RESULTADOS CONSOLIDADOS DO BANCO BPI NOS PRIMEIROS NOVE MESES DE 2018 Porto, 23 de outubro de 2018 BPI regista lucro consolidado de 529,1 milhões; Atividade em Portugal gera lucro de 324,4 milhões, dos
DESEMPENHO E DESAFIOS DO SISTEMA BANCÁRIO
III FORUM BANCA DIÁRIO ECONÓMICO DESEMPENHO E DESAFIOS DO SISTEMA BANCÁRIO VÍTOR CONSTÂNCIO Lisboa 13 DE DEZEMBRO 2004 ÍNDICE DESEMPENHO E DESAFIOS DO SISTEMA BANCÁRIO I. EVOLUÇÃO E RESPOSTA A CHOQUES
ORÇAMENTO DO ESTADO PARA Discurso de abertura
ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2019 Discurso de abertura Senhor Vice Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Senhoras e Senhores Membros do Governo, Colegas Deputadas e Deputados, A discussão do Orçamento
Parte IV: Transformações Econômicas nos Anos Recentes Capítulo 19: Economia Mundial após a Segunda Grande Guerra
Parte IV: Transformações Econômicas nos Anos Recentes Capítulo 19: Economia Mundial após a Segunda Grande Guerra Parte IV Capítulo 19 Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. 2 Globalização Período recente se
FERRAMENTAS DE ANALISE FINANCEIRA & COMO ESTRUTURAR UM PLANO DE NEGÓCIOS
MODULO V e VI FERRAMENTAS DE ANALISE FINANCEIRA & COMO ESTRUTURAR UM PLANO DE NEGÓCIOS CURSO INTENSIVO EM EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO EMPRESARIAL António Gaspar / [email protected] Rui Ferreira /
3. Teoria carteira e os modelos de avaliação de ativos financeiros: CAPM e APT. 5. Avaliação de ativos contingentes: avaliação de opções reais.
MESTRADO EM FINANÇAS EMPRESARIAIS (2018/2019) PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES FUNDAMENTOS DAS FINANÇAS 1. Introdução: as finanças e o papel do gestor financeiro. 2. O valor do dinheiro no tempo. 3.
EMF - Cap. 6 - ANÁLISE ECONÓMICA da ESTRUTURA FINANCEIRA e BANCOS
Cap.6 ANÁLISE ECONÓMICA DA ANALISE ECONOMICA DA ESTRUTURA FINANCEIRA Evidências sobre a estrutura financeira (M., c.8; C. c.11) 1. Acções não são a principal forma de financiamento das empresas 2. Acções
Orientações. relativas à lista mínima de indicadores qualitativos e quantitativos do plano de recuperação EBA/GL/2015/
EBA/GL/2015/02 23.07.2015 Orientações relativas à lista mínima de indicadores qualitativos e quantitativos do plano de recuperação 1 Índice 1. Orientações da EBA relativas à lista mínima de indicadores
Funding and Capital Plan
Funding and Capital Plan 2017-2019 15 de Março de 2017 Índice 1. Introdução... 3 2. Sumário Executivo... 4 3. Estratégia e Perspetivas de Evolução Futura....5 4. Atividade... 7 5. Eficiência Operacional...
Publicado no Diário da República, I Série, nº 102, de 22 de Junho AVISO N.º 08/2016 ASSUNTO: RISCO DE TAXA DE JURO NA CARTEIRA BANCÁRIA
Publicado no Diário da República, I Série, nº 102, de 22 de Junho AVISO N.º 08/2016 ASSUNTO: RISCO DE TAXA DE JURO NA CARTEIRA BANCÁRIA Considerando a importância do acompanhamento do risco de taxa de
BANCO MOÇAMBICANO DE APOIO AOS INVESTIMENTOS, S.A. RELATÓRIO E CONTAS INTERCALAR DE Relatório e Contas Intercalar de 2017
Relatório e Contas Intercalar de 2017 30 de Junho de 2017 Principais Indicadores Indicadores 30 de Junho de 2017 30 de Junho de 2016 Financeiros (Balanço) Activo Total 1.508.989 1.891.672 Créditos à Clientes(Liquido)
