SISTEMÁTICA DE ANGIOSPERMAS

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1 VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA SISTEMÁTICA DE ANGIOSPERMAS Rio de Janeiro / 2007 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

2 UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO Todos os direitos reservados à Universidade Castelo Branco - UCB Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma ou por quaisquer meios - eletrônico, mecânico, fotocópia ou gravação, sem autorização da Universidade Castelo Branco - UCB. U n3p Universidade Castelo Branco. Sistemática de Angiospermas. Rio de Janeiro: UCB, p. ISBN Ensino a Distância. I. Título. CDD Universidade Castelo Branco - UCB Avenida Santa Cruz, Rio de Janeiro - RJ Tel. (21) Fax (21)

3 Responsáveis Pela Produção do Material Instrucional Coordenadora de Educação a Distância Prof.ª Ziléa Baptista Nespoli Coordenador do Curso de Graduação Maurício Magalhães Ciências Biológicas Conteudista Sonia Sousa Pantoja Supervisor do Centro Editorial CEDI Supervisor do Centro Editorial CEDI Joselmo Botelho

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5 Apresentação Prezado(a) Aluno(a): É com grande satisfação que o(a) recebemos como integrante do corpo discente de nossos cursos de graduação, na certeza de estarmos contribuindo para sua formação acadêmica e, conseqüentemente, propiciando oportunidade para melhoria de seu desempenho profissional. Nossos funcionários e nosso corpo docente esperam retribuir a sua escolha, reafirmando o compromisso desta Instituição com a qualidade, por meio de uma estrutura aberta e criativa, centrada nos princípios de melhoria contínua. Esperamos que este instrucional seja-lhe de grande ajuda e contribua para ampliar o horizonte do seu conhecimento teórico e para o aperfeiçoamento da sua prática pedagógica. Seja bem-vindo(a)! Paulo Alcantara Gomes Reitor

6 Orientações para o Auto-Estudo O presente instrucional está dividido em três unidades programáticas, cada uma com objetivos definidos e conteúdos selecionados criteriosamente pelos Professores Conteudistas para que os referidos objetivos sejam atingidos com êxito. Os conteúdos programáticos das unidades são apresentados sob a forma de leituras, tarefas e atividades complementares. As Unidades 1 e 2 correspondem aos conteúdos que serão avaliados em A1. Na A2 poderão ser objeto de avaliação os conteúdos das três unidades. Havendo a necessidade de uma avaliação extra (A3 ou A4), esta obrigatoriamente será composta por todos os conteúdos das Unidades Programáticas. A carga horária do material instrucional para o auto-estudo que você está recebendo agora, juntamente com os horários destinados aos encontros com o Professor Orientador da disciplina, equivale a 60 horas-aula, que você administrará de acordo com a sua disponibilidade, respeitando-se, naturalmente, as datas dos encontros presenciais programados pelo Professor Orientador e as datas das avaliações do seu curso. Bons Estudos!

7 Dicas para o Auto-Estudo 1 - Você terá total autonomia para escolher a melhor hora para estudar. Porém, seja disciplinado. Procure reservar sempre os mesmos horários para o estudo. 2 - Organize seu ambiente de estudo. Reserve todo o material necessário. Evite interrupções. 3 - Não deixe para estudar na última hora. 4 - Não acumule dúvidas. Anote-as e entre em contato com seu monitor. 5 - Não pule etapas. 6 - Faça todas as tarefas propostas. 7 - Não falte aos encontros presenciais. Eles são importantes para o melhor aproveitamento da disciplina. 8 - Não relegue a um segundo plano as atividades complementares e a auto-avaliação. 9 - Não hesite em começar de novo.

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9 SUMÁRIO Quadro-síntese do conteúdo programático...11 Contextualização da disciplina...12 UNIDADE I DIVISÃO MAGNOLIOPHYTA Origem das Magnoliophyta Monocotiledôneas ou Liliopsida...14 UNIDADE II CLASSE MAGNOLIOPSIDA Subclasse Hammamelidae Subclasse Caryophyllidae Subclasse Dillenidae Subclasse Rosidae Subclasse Asteridae...22 UNIDADE III CLASSE LILIOPSIDA Subclasse Commelinidae Subclasse Zingiberidae Subclasse Liliidae...28 Glossário...31 Gabarito...32 Referências bibliográficas...34

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11 Quadro-síntese do conteúdo programático 11 UNIDADES DO PROGRAMA OBJETIVOS I - DIVISÃO MAGNOLIOPHYTA Origem das Magnoliophyta Monocotiledôneas ou Liliopsida II - CLASSE MAGNOLIOPSIDA Subclasse Hammamelidae Subclasse Caryophyllidae Subclasse Dillenidae Subclasse Rosidae Subclasse Asteridae III - CLASSE LILIOPSIDA Subclasse Commelinidae Subclasse Zingiberidae Subclasse Liliidae Informar a posição sistemática deste grupo, caracteres gerais, classificação e reprodução, bem como sua importância. Detalhar as características, como a posição sistemática das Ordens e principais famílias. Mostrar a importância deste grupo, além da posição sistemática, caracteres gerais, classificação, reprodução, estudo das principais famílias e Ordens.

12 12 Contextualização da Disciplina Em Sistemática, iniciaremos os estudos dos diversos grupos taxonômicos nos quais é organizada e classificada a maioria das plantas que observamos diariamente. Neste instrucional, estudaremos o sistema dos vegetais com flores, dos vegetais com características mais primitivas, seguindo a escala evolutiva nas subclasses até o mais evoluído. A Sistemática Vegetal é uma parte da botânica que agrupa plantas dentro de um sistema, como o nome mesmo diz, considerando as morfologias interna e externa, as relações genéticas, afinidades e até seu comportamento na natureza, seus antepassados, ecologia e distribuição. A sistemática vegetal compreende a identificação, a nomenclatura e a classificação. Identificação ou determinação é a escolha de um taxon (família, gênero ou espécie) idêntico ou semelhante a um já existente, usando para isso literatura especializada ou comparações. Nomenclatura é o uso correto dos nomes das plantas. E a classificação é a organização das plantas nos taxons, ou seja, uma espécie pertence a um determinado gênero, que é membro de uma família, e assim por diante, isto é, quando se tenta localizar uma planta ainda não descrita dentro de um sistema de classificação. Existiram, ao longo da história, vários sistemas de classificação botânica. Estudaremos as angiospermas no sistema de Cronquist, mais didático e atualmente aceito. Introduzir o conhecimento sobre as angiospermas será o objetivo de nossos estudos. Os vegetais têm uma história evolutiva. Os vegetais que conhecemos hoje são o resultado de milhares de séculos de evolução. As primeiras plantas que surgiram eram completamente diferentes das existentes hoje, muitos vegetais surgiram e outros tantos foram extintos. Os vegetais mais avançados são derivados dos mais primitivos. Podemos afirmar isso baseados nos registros fósseis, e este será o objeto de estudo da unidade II deste instrucional.

13 UNIDADE I 13 DIVISÃO MAGNOLIOPHYTA Neste capítulo, trataremos de algumas teorias sobre a origem das angiospermas, porém, este assunto deverá ser tratado com mais profundidade em outra disciplina. A estimativa mais recente da idade da Terra está entre e de anos. A dos fósseis mais antigos que conhecemos, mediante datação por métodos radiométricos, tem aproximadamente anos. O registro fóssil de plantas (e animais) não foi observado até a Era Paleozóica, quando se tem o primeiro registro fóssil de algas e fungos (e invertebrados), no limite entre o Pré-Câmbrico e Câmbrico. As plantas terrestres foram registradas no Silúrico superior e Devônico inferior Origem das Magnoliophyta Os primeiros vegetais com flores tornaram-se o maior e mais diversificado grupo do reino vegetal. Chamamos este grupo de angiospermas ou Magnoliophyta. As angiospermas, que no sistema de Cronquist são chamadas de Magnoliophyta, caracterizam-se pelo enorme poder de adaptação às diversas condições ambientais, variam de ervas a árvores, de terrestres a aquáticas, podem ser epífitas, parasitas, ou apresentar outras adaptações, como nas plantas insetívoras. Porém, uma característica marcante das angiospermas é a dupla fecundação 1, que nós já tratamos no instrucional de Botânica II. Em relação à origem das angiospermas, existem diversas teorias que serão abordadas posteriormente. Mas o que demonstra uma origem comum a todas as angiospermas são características morfológicas semelhantes como a presença de estames, estigmas, endosperma triplóide da dupla fecundação e outros já estudados em organografia. Uma das teorias quanto a sua origem é de Takhtajan (1969) e diz que os ancestrais das angiospermas são gimnospermas mais primitivas que as atuais, pois as contemporâneas têm nível evolucionário mais alto do que algumas angiospermas primitivas. Ele tentou explicar geneticamente a origem das angiospermas e concluiu que o grupo de transição das gimnospermas para as angiospermas deve ter ocorrido em pequenas populações que evoluíram aceleradamente com enorme poder de adaptação. Takhtajan considera a flor das angiospermas uma mutação genética do estróbilo das gimnospermas ancestrais. Muitas outras teorias surgiram, entre elas a teoria foliar, originada de apêndices foliares modificados, e da evolução do estame, para explicar a natureza da flor nas angiospermas. Outras teorias têm sido apresentadas para explicar a origem da flor nas angiospermas, mas o problema continuará a ser debatido até ser resolvido satisfatoriamente. A teoria mais aceita sobre primitividade é a teoria laminar do androceu e diz que as flores mais primitivas têm numerosos órgãos em espiral sobre o receptáculo floral. Analisando as famílias de plantas, vamos observar que algumas famílias apresentam mais características primitivas do que outras. As características são consideradas primitivas quando forem mais semelhantes às do ancestral e mais evoluídas quando forem derivadas deste. Muitas vezes há uma redução de estruturas, como você poderá observar. Veja algumas características consideradas por Bessey como de maior primitividade ou evoluídas, lembrando que a evolução pode ser regressão ou progressão de caracteres. PRIMITIVIDADE Estames numerosos Flores solitárias Disposição espiralada Flores andróginas Plantas monóicas Árvores ou arbustos Folhas simples Estames livres Plantas petalíferas Dicotiledôneas EVOLUÇÃO 2 Poucos estames Inflorescências Disposição cíclica Flores unissexuais Plantas dióicas Ervas Folhas compostas Estames conatos ou um só estame Apétalas Monocotiledôneas Fato é que a origem das angiospermas é desconhecida. Muitas teorias foram apresentadas, mas nenhuma reúne um conjunto de opiniões favoráveis. Plantas semelhantes surgiram no Jurássico da Era Mesozóica, fósseis foram encontrados sob a forma de folhas, grãos de pólen e pedaços de madeira. Podemos afirmar, contudo, que no Cretácio ocorreu sua rápida expansão, pois, ao final desse período, elas eram o grupo dominante do planeta. Ao mesmo tempo, o grupo das gimnospermas entrou em decadência. Os filogenistas sugerem que as angiospermas tenham se originado das Pteridospermas. Mas, atualmente, a 1 Tema abordado no instrucional de Organografia, reveja-o. 2 O termo primitivo se refere às características semelhantes às das plantas ancestrais (primitivas) e evoluído, aos caracteres derivados.

14 14 idéia mais aceita é a de Takhtajan, ou seja, a origem vem de um ancestral gimnospérmico. Na opinião de Cronquist, a exploração de insetos e outros animais como agentes de polinização, além do desenvolvimento de um sistema de condução mais complexo e eficiente, com xilema e floema, é a característica mais importante, pois levou as angiospermas a dominarem o planeta e superarem as gimnospermas. A taxonomia moderna das angiospermas está baseada principalmente nos estudos de flora na Europa, mas o conhecimento sobre as regiões tropicais, com flora mais rica e diversificada, poderá modificar o conceito atual. Resta aos modernos taxonomistas estudarem as angiospermas viventes e construir um sistema de classificação. Baseadas nas informações científicas existentes, as idéias de Takhtajan e de Cronquist são as que ainda prevalecem. Meta Atual Atualmente, a meta de estudiosos, botânicos e zoólogos é estabelecer as inter-relações naturais entre os táxons, chamadas de relações filogenéticas. A filogenética trata da origem dos organismos atuais, isto é, os táxons derivam de organismos previamente existentes. Baseando-se nisto, podemos afirmar que a evolução é a chave da filogenia. Um dos problemas de maior controvérsia da filogenética é se os principais grupos de plantas evoluíram de um só grupo ancestral (monofilético) ou se evoluíram separadamente a partir de plantas ancestrais distintas (polifilético) Monocotiledôneas ou Liliopsida É universalmente aceito que as monocotiledôneas derivam de dicotiledôneas primitivas. Segundo Cronquist, as monocotiledôneas tiveram sua origem nas ervas das dicotiledôneas, que não têm um câmbio ativo, flores com um perianto não muito especializado e gineceu dialicarpelar. O autor sugere que as pré-monocotiledôneas fossem mais ou menos semelhantes às da ordem Nymphaeales atuais, que preenchem todas as características citadas, além de serem aquáticas, desprovidas de vasos e mostram uma tendência para a fusão dos dois cotiledoneos em um único. Exercícios de Fixação 1. Caracterize a origem das Magnoliophyta. 2. Dentre os caracteres que se seguem, sublinhe apenas os que são tidos por Bessey como evoluídos. Os caracteres são: poucos estames, flores solitárias, flores unissexuais, árvores, folhas compostas, dicotiledôneas e monocotiledôneas. 3. Explique a teoria laminar. Atividade Complementar Vá ao campo, escolha duas plantas e observe suas características. Baseando-se no quadro de Bessey estudado neste capítulo, estabeleça o que seriam características evoluídas e primitivas.

15 UNIDADE II 15 CLASSE MAGNOLIOPSIDA Deste capítulo em diante, trataremos de cada subclasse das angiospermas (magnoliophyta) e da classe das dicotiledôneas (Magnoliopsida) subdivididas nas ordens que as compõem e as famílias correspondentes. Teremos, então, descrições com termos técnicos e nomes científicos. Caso tenha dúvidas nos termos científicos, deverá rever o instrucional de Organografia ou livros de organografia (indicados na bibliografia). A primeira subclasse, Magnoliidae, se caracteriza por apresentar as mais primitivas características do grupo. Pois, segundo a teoria laminar, as flores mais primitivas são as que apresentam, geralmente, numerosos órgãos em espiral sobre receptáculo alongado e esta característica é encontrada quase com exclusividade nas Magnoliales e Ranunculales, sendo então as mais primitivas deste grupo. Esta subclasse está formada pelas ordens Magnoliales, Piperales, Aristolochiales, Nymphaeales, Papaverales e Rhanunculales. Estudaremos agora as ordens sublinhadas acima. Em cada ordem citaremos as famílias e faremos uma breve descrição das mais representativas em nosso país, que estarão sublinhadas para destacá-las no texto. Ordem Magnoliales Esta ordem apresenta, aproximadamente, 19 famílias e espécies. As famílias desta ordem são: Winteraceae, Magnoliaceae, Annonaceae, Monimiaceae, Cannelaceae, Myristicaceae, Hernandiaceae e Lauraceae. Elas evoluíram independentemente, apresentando muitas características primitivas associadas a outras derivadas. As características primitivas são os estames numerosos, eixo floral alongado, ovário dialicarpelar e polinização cantarófila 3. Família Magnoliacae D.C. Mundo: são doze gêneros e cerca de 210 espécies, distribuídas na Ásia, América do Norte, Antilhas, América Central e América do Sul. No Brasil, apenas o gênero Talauma é nativo no sul; cultivado, temos: Magnolia, Michelia, conhecida vulgarmente como magnólia-amarela, e Liriodendron (árvore-da-tulipa dos norte-americanos). Pequena descrição: árvores possuem folhas alternas, estipuladas. As flores têm receptáculo alongado, onde numerosos estames laminares se inserem, lóculos da antera lineares e paralelos. Ovário com carpelos livres entre si. O fruto é apocárpico. Família Annonaceae Juss. Mundo: há 122 gêneros e espécies de distribuição tropical. Brasil: 29 gêneros e 260 espécies, aproximadamente. Mais freqüentes: Annona, chamada de cabeça-denego ou pinha, é nativa. A outra espécie de Annona é cultivada e chamada de ata, fruta-de-conde, graviola e condessa. A Xylopia e Rollinia, conhecido como araticum, também são representantes dessa família. Pequena descrição: são arbustivas com folhas aromáticas. Flores andróginas (raramente unissexuadas), cálice com três sépalas (2-4), corola com seis pétalas (3-4), receptáculo alongado, numerosos estames, lóculos alongados, rimosos ou com locelos transversais (raro estames laminares), poucos a muitos carpelos livres. Fruto apocárpico. Família Monnimiaceae Lindl. Mundo: cerca de 32 gêneros e 350 espécies, na maioria tropicais. Brasil: Apresenta cerca de seis gêneros com 84 espécies. Mais freqüentes: Mollinedia e Siparuna. Pequena descrição: podem ser ervas ou arbustos, com folhas opostas, odoríferas. Flores unissexuais, dióicas ou monóicas, estames numerosos sésseis ou quase; ovário apocárpico, numerosos carpelos, perigônio crasso. Fruto apocárpico, drupáceo. Sementes com endosperma carnoso.

16 16 Família Lauraceae Lindl. Mundo: cerca de 47 gêneros e espécies de distribuição tropical e subtropical. Brasil: cerca de 19 gêneros e 390 espécies. Mais freqüentes: Ocotea, Nectandra chamada popularmente de canela, louro e batalha, Phoebe ou imbuia, Persea (abacateiro, cultivado), Cinnamomum (canela, cânfora, cultivados) e Laurus (louro, cultivado). Pequena Descrição: são árvores ou arbustos, (exceto a treapdeira Cassytha), folhas alternas (raro subopostas). Flores andróginas ou unissexuais, monoclamídea, cálice esverdeado, amarelado ou avermelhado; de três a nove estames com estaminódios ou não, disposição em três a quatro verticilos, filetes biglandulosos, anteras bi ou tetralocelares. Ovário livre, unicarpelar, estilete simples. Fruto baga, geralmente com cálice persistente, semente com embrião bem desenvolvido. Famílias: Chloranthaceae, Saururaceae e Piperaceae. No Brasil, existem apenas Piperaceae e Chloranthaceae. As Piperales, como as Magnoliales, têm células oleíferas, e todas as características divergentes das Magnoliales representam avanços evolutivos. Esta ordem apresenta flores reduzidas e sem perianto, a maioria é herbácea e tropical. Família Piperaceae Bail. Mundo: de dez a doze gêneros e 1400 espécies, em regiões tropicais. Brasil: há cerca de cinco gêneros e 460 espécies. Mais freqüentes: Piper, conhecido com os nomes de jaborandi e pimenta-do-reino (cultivados), e o gênero Peperomia. Pequena descrição: ervas ou plantas lenhosas, folhas alternas, estipuladas. As flores podem ser sésseis ou não, em espigas densas, opositifólias, aclamídeas; são andróginas ou unissexuais, com dois a seis estames, livres, anteras uni ou bitecas, rimosas; ovário súpero, de um a cinco carpelos. Fruto indeiscente. Ordem Piperales Subclasse Hammamelidae Uma das menores subclasses, com cerca de nove ordens, 23 famílias e espécies. As ordens são Trochodendrales, Hammamelidales, Eucomiales, Urticales, Leiteniales, Jugladales, Myricales, Fagales e Casuarinales. Apenas a ordem Urticales tem representante indígena. Geralmente, são árvores ou arbustos (raramente são ervas). Suas flores são monoclamídeas ou nuas, o androceu freqüentemente é isostêmone ou oligostêmone (polistêmone), com ovário súpero. As plantas deste grupo geralmente são anemófilas por redução floral, mas algumas podem ser entomófilas, como ficus, polinizado por vespas (formando galhas) que depositam seus óvulos nas flores femininas braquiestilas, onde tem também flores femininas longistilas e masculinas na mesma inflorescência ou masculinas e femininas brevestilas em uma e femininas longistilas em outra. Ordem Urticales Famílias: Ulmaceae, Barbeyaceae, Moraceae, Cannabaceae e Urticaceae. Seus representantes têm flores monoclamídeas. O androceu é isostêmone ou oligostêmone. O gineceu tem ovário súpero, unilocular, dois carpelos e um único óvulo. O fruto é uma drupa, aquênio ou cápsula.

17 Família Moraceae Lindl. Mundo: são cerca de 75 gêneros e espécies tropicais (raramente em regiões temperadas). Brasil: cerca de 28 gêneros e 340 espécies. Mais freqüentes: Ficus (figueira e mata-pau), Brosimum, Dorstenia e Cecropia (embaúba e imbaúba) são nativos. Entre os cultivados estão: Morus (amoreira, as folhas servem de alimento para a lagarta do bichoda-seda), Artocarpus (jaqueira e fruta-pão), Cannabis (cânhamo, as inflorescências secas são o haxixe, marijuana ou maconha). Pequena descrição: podem ser árvores, arbustos, ervas ou trepadeiras, geralmente lactescentes. As folhas são alternas (raramente são opostas), simples, estipuladas. As flores são unissexuadas, monóicas ou dióicas, monoclamídeas ou nuas. As flores masculinas podem possuir ou não rudimento de ovário, ovário súpero, bicarpelar e unilocular. Fruto composto, com aquênios ou drupas. Família Urticaceae Endl. Mundo: são 49 gêneros e espécies nas regiões tropicais e temperadas. Brasil: cerca de 10 gêneros e 38 espécies. Mais freqüentes: Pílea (brilhantina), Urtica e Urera (urtigas), Boehmeria. Pequena descrição: podem ser ervas, arbustos ou subarbustos. As folhas são alternas ou opostas, geralmente estipuladas, com ou sem pêlos urticantes. As flores são unissexuais, monoclamídeas, tetrâmeras ou pentâmeras, com filetes dobrados no botão floral, flores femininas com ou sem cálice, ovário súpero, bicarpelar, unilocular. Fruto aquênio ou drupa Subclasse Caryophyllidae Essa subclasse possui quatro ordens com 14 famílias e espécies, aproximadamente, e ocorre nas regiões temperadas, tropicais e subtropicais. As ordens são: Caryophyllales, Batales, Polygonales e Plumbaginalles. A característica principal é o pólen trinucleado. As flores monoclamídeas parecem ser as mais primitivas com cinco sépalas, já as flores diclamídeas, com pétalas e sépalas distintas, parecem ter se desenvolvido por diversos caminhos nos grupos da subclasse. Ordem Caryophyllales Também chamada de Centrospermae, possui famílias Phytolacaceae, Nyctaginaceae, Achatocarpaceae, Chenopodiaceae, Amaranthaceae, Portulacaceae, Basellaceae, Molluginaceae, Aizoaceae, Caryophyllaceae e Cactaceae. Destas famílias, a mais primitiva é a Phytolacaceae pelos motivos já estudados na unidade anterior. Família Nyctaginaceae Lindl. Mundo: cerca de 30 gêneros e 300 espécies tropicais. Brasil: cerca de 10 gêneros e 70 espécies. Mais freqüentes: Bougainvillea (primavera, trêsmarias, Bugainvíle), Mirabilis (maravilha), Boerhavia (erva-tostão, com fins medicinais ou como refrigerante, no Ceará é chamado de pega-pinto) e Neea (usada para chás). Pequena descrição: árvores, arbustos, lianas ou ervas. Possui folhas opostas (raramente são alternas) sem estípulas. Flores andróginas ou unissexuais, com ou sem rudimento abortado, monoclamídeas, ovário súpero, unilocular, uniovulado e estigma discóide ou penicelado. Família Portulacaceae Juss. Mundo: esta família possui cerca de 19 gêneros e 500 espécies africanas e americanas. Brasil: são dois gêneros com cerca de 33 espécies. Mais freqüentes: Portulaca (onze-horas, beldroega) e Talinum (pulguinha). Pequena descrição: ervas anuais (raros perenes). Folhas carnosas, opostas ou verticiladas. As flores são andróginas, perigônio corolínico, com quatro a cinco sépalas, cercado por invólucro caliciforme com duas brácteas, de quatro a vários estames, com três a cinco estiletes.

18 Subclasse Dillenidae Esta subclasse possui doze ordens, 69 famílias e cerca de espécies distribuídas por todo o mundo, principalmente nos trópicos e subtrópicos. Acredita-se que tenha se originado das Magnoliales. Nesta subclasse, há predominância de plantas lenhosas, arbóreas ou arbustivas, com folhas simples, alternas ou opostas. As folhas compostas são encontradas em espécies das famílias Caryocaraceae, Quiinaceae, Bombacaceae, Capparaceae e Moringaceae. A corola calcarada nas Violales representa uma grande evolução do perianto. A inflorescência é, em geral, panícula ou racemo. O cálice geralmente é persistente, os estames são numerosos (raramente de cinco a dez). O ovário é súpero (raramente é ínfero). Há frutos e sementes de vários tipos. As ordens com representatividade no Brasil são: Dilleniales, Theales, Malvales, Sarraceniales, Lecytidales, Violales, Capparales, Salicales, Ebenales, Primulales e Ericales. Ordem Theales Esta ordem apresenta 13 famílias, das quais oito ocorrem no Brasil, com cerca de 46 gêneros indígenas e 386 espécies. As famílias brasileiras são: Actinidaceae, Theaceae, Ochnaceae, Marcgraviaceae, Quiinaceae, Elatinaceae, Gutttiferae e Caryocaraceae. Família Guttiferae Juss. (Clusiaceae) Família Caryocaraceae Szysz. Mundo: são apenas dois gêneros e 25 espécies distribuídas na América tropical. Brasil: são dois gêneros e entre dez e quinze espécies. Mais freqüentes: Caryocar (piquí e piquiá, usados para licor) e Anthodiscus. Pequena descrição: podem ser árvores trifolioladas. As folhas são alternas ou opostas. Flores andróginas, diclamídeas, com anteras biloculares, ovário súpero, com ou sem disco, uniovulado. Ordem Malvales Esta ordem apresenta seis famílias distribuídas pelas regiões tropicais, subtropicais e temperadas. No Brasil, encontramos as seguintes famílias: Elaeocarpaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae e Malvaceae. Família Malvaceae Adans. Mundo: existem entre quarenta e cinqüenta gêneros e espécies distribuídas nas regiões tropicais e temperadas do planeta. Brasil: possui 21 gêneros com cerca de 183 espécies. Mais freqüentes: Kielmeyera (pau-santo), Caraipa e Clusia (flores brancas, litorâneas). Cultivada: Mammea (frutos comestíveis). Pequena descrição: árvores, arbustos ou ervas, raramente são epífitas, latescentes ou não. As folhas podem ser alternas, opostas ou verticiladas, sem estípulas. Flores diclamídeas, dialipétalas; androceu com muitos estames; ovário súpero, gamocarpelar, muitos óvulos. O fruto, em geral, é seco. Mundo: há 88 gêneros e espécies distribuídas nas regiões tropicais, subtropicais e temperadas do globo. Brasil: são 31 gêneros e 200 espécies, aproximadamente. Mais freqüentes: Sida, Pavonia, Gaya, Hibiscus. Cultivados: Hibiscus, Malvaviscus (malvavisco), Malva (malva-de-cheiro). Comestíveis: Hibiscus (quiabo, rosélia e vinagreira). Pequena descrição: podem ser ervas, subarbustos, arbustos, raramente são árvores. As folhas são alternas, estipuladas. Flores andróginas, raramente unissexuadas, diclamídeas; estames numerosos, pólen com exina espinhosa e ovário súpero. Família Bombacaceae k. Schum. Mundo: trinta e um gêneros e 225 espécies distribuídas nas regiões tropicais do globo.

19 Brasil: há 18 gêneros e 100 espécies aproximadamente. Mais freqüentes: Pseudobombax, Chorisia (paineira), Ceiba e Ochroma (balsa da Amazônia). Cultivadas: Adansonia (Baobá). Pequena descrição: árvores. As folhas podem ser alternas ou opostas, estipuladas. Flores andróginas, diclamídeas; estames com antera reniforme ou linear, uniteca; pólen com exina lisa; ovário súpero. Ordem Violales Apresenta 28 famílias e espécies, aproximadamente. No Brasil, há 13 famílias com 79 gêneros e cerca de 707 espécies. As famílias brasileiras são: Passifloraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae, Violaceae, Flacourtiaceae, Achatocarpaceae, Perisdicaceae, Bixaceae, Cochlospermaceae, Cistaceae, Turneraceae e Loasaceae. Família Passifloraceae Meissn. Mundo: são 23 gêneros e 600 espécies, entre americanas e africanas. Brasil: há quatro gêneros e cerca de 83 espécies. Mais freqüentes: Passiflora (maracujá e flor-dapaixão). Pequena descrição: plantas escandentes, com gavinhas. Folhas alternas, com nectários peciolares ou nos bordos das lâminas. Flores andróginas ou unissexuais, diclamídeas, pentâmeras, androceu com cinco estames em andróforo, anteras rimosas; ovário súpero. Família Caricaceae Mundo: com quatro gêneros e 45 espécies aproximadamente; estão em regiões tropicais e subtropicais. Brasil: há dois gêneros e oito espécies. Mais freqüentes: Carica (mamoeiro) e Jacaratia (mamão-bravo e jacatiá, no sul do Brasil). Pequena descrição: podem ser ervas ou arbustos, latescentes. Possuem folhas alternas, sem estípulas. As flores são unissexuais por aborto, diclamídeas, pentâmeras, com cálice curto, gamopétalas e androceu com 10(5) estames. Família Cucurbitaceae Juss. Mundo: com 126 gêneros e cerca de 1280 espécies, em áreas tropicais e subtropicais. Brasil: há 30 gêneros e 200 espécies. Mais freqüentes: Momordica (melão-de-são-caetano). Dentre os cultivados, estão: Cucurbita (abóbora), Citrullus (melancia), Cucumis (pepino e melão) e Sechium (chuchu). Pequena descrição: são ervas ou subarbustos, com ou sem gavinhas. As folhas são alternas, com estípulas. Flores unissexuais, diclamídeas, pentâmeras, gamopétalas, androceu com cinco estames, às vezes, são unidos pelas anteras e filetes, em alguns casos, as tecas são retorcidas. Ovário ínfero, tricarpelar, unilocular, com muitos óvulos. Família Violaceae Juss. (negrito) Mundo: são 20 gêneros e cerca de 800 espécies, em regiões tropicais e temperadas. Brasil: há 10 gêneros e cerca de 69 espécies. Mais freqüentes: Anchietea (cipó-suma). Dentre os cultivados, temos: Viola (Violeta, amor-perfeito). Pequena descrição: variam de árvores a ervas, com folhas simples, alternas. Flores andróginas, diclamídeas, pentâmeras. Com ovário súpero. Fruto cápsula trivalvar Subclasse Rosidae Esta subclasse apresenta 16 ordens, 108 famílias e cerca de espécies no mundo. No Brasil, há 58 famílias indígenas, além de quatro introduzidas. Há predominância de plantas lenhosas. Pode-se dizer que uma característica bem marcante deste grupo é a presença de um disco nectarífero no receptáculo, já que ele está presente sob várias formas. Dentre todas, as Rosales são consideradas com maior número de características primitivas e são indicadas como derivadas das Magnoliidae. As ordens desta subclasse são: Rosales, Podostemales, Haloragales, Myrtales, Proteales, Cornales, Santalales, Rafflesiales, Celastrales, Euphorbiales, Rhamnales, Sapindales, Geraniales, Linales, Polygalales e Umbelales. Ordem Rosales Esta ordem apresenta 17 famílias. No Brasil, há apenas sete, são as famílias Cunoniaceae, Pittospo-

20 20 raceae, Crassulaceae, Saxifragaceae, Rosaceae, Chysobalanaceae e Leguminosae. Dessas famílias, a mais primitiva é a Rosaceae. Família Rosaceae A.L. Jussieu Mundo: são 124 gêneros e cerca de espécies distribuídas pela Europa, América do Norte e Ásia. Brasil: há três gêneros e cerca de 10 espécies, especialmente no sul e sudeste. Há mais de uma espécie subespontânea. Mais freqüentes: Prunus, Rubus e Quillaja. Dentre os cultivados, estão: Malus (maçã), Pirus (pêra), Cydonia (marmelo), Eryobotrya (nêspera ou ameixaamarela), espécies de Prunus (cereja, pêssego, ameixado-japão), Fragaria (morango), Rubus (framboesa) e Rosa (rosa). Alguns são usados na fabricação de móveis finos e cachimbos. Pequena descrição: variam de árvores a ervas. Possuem folhas simples ou compostas, alternas, estipuladas. As flores isoladas podem ser andróginas ou unissexuais; a característica mais marcante talvez seja a presença de um receptáculo com eixo plano ou côncavo, onde nos bordos se inserem as sépalas, pétalas e estames. Possuem estames numerosos; os carpelos são geralmente livres. Ordem Fabales Mundo: há 650 gêneros e cerca de espécies. Brasil: são 178 gêneros e cerca de 1550 espécies. Espontâneas mais freqüentes: Mimosaceae Mimosa (sensitiva, bracatinga, jurema e sabiá), Calliandra (esponjinha), Inga (ingá), Pithecellobium (olho-decachorro), Parkia e Piptadenia (angico). Caesalpiniaceae Cassia (fedegoso, cigarreira e chuva-de-ouro), Caesalpinia (pau-brasil, pau-ferro e falso-flamboyant), Bauhinia (unha-de-vaca), Copaifera (copaíba), Hymenaea (jutaí e jatobá). Fabaceae Crotalaria, Erythrina, Andira, Sophora, Dalbergia, Indigofera, Desmodium, Clitoria e Mucuna. Dentre as cultivadas, estão: Mimosoideae Acacia (acácia-negra e acácia-mimosa). Caesalpinioideae Delonix (flamboyant), Tamarindus (tamarindo África). Faboideae Phaseolus (feijão), Pisum (ervilhas), Lens (lentilhas), Vicia (fava), Cicer (grão-de-bico), Lupinus (tremoços), Glycine (soja), Canavalia (feijão-de-porco) e Arachis (amendoim). Pequena descrição: a ordem apresenta três famílias: Mimosaceae (fl. actinom.), Caesalpinaceae e Fabaceae. Varia de ervas a árvores. Possui folhas variadas. Algumas são plantas armadas. Inflorescência racemosa; cálice gamossépalo (raro dialissépala), corola dialipétala (Mimosaceae gamopetalia). Androceu com 10 estames. Gineceu unicarpelar. Fruto característico é o legume. Observe o quadro abaixo com as principais diferenças entre as subfamílias: CARACTERES Simetria Prefloração Pétalas Ordem Myrtales FAMÍLIAS Mimosaceae Actinomorfa Valvar Geralmente gamopétala Caesalpinaceae Zigomorfa Carenal cinco distintas Fabaceae Zigomorfa Vexilar duas inferiores unidas na base Esta ordem apresenta treze famílias. No Brasil, há apenas sete. As famílias são Lythraceae, Tymelaeaceae, Dialypetalanthaceae, Myrtaceae, Onagraceae, Melastomataceae e Combretaceae. Dessas, as mais representativas são Melastomataceae e Myrtaceae. A presença de folhas simples opostas, flores perígenas ou epígenas e ausência de endosperma na maioria das espécies são as características principais. Família Myrtaceae R.Br. Mundo: são 100 gêneros e espécies distribuídos na América tropical e Austrália (raramente em clima temperado). Brasil: há 21 gêneros e cerca de 820 espécies. Mais freqüentes: Psidium (goiabeira), Myrciaria (jabuticabeira) e Eugenia (cabeludinha e pitanga). Dentre as espécies cultivadas, estão: Eucalyptus e Jambosa (jambo). Pequena descrição: são plantas lenhosas com canais oleíferos (pontos translúcidos) nas folhas, flores e frutos. As brasileiras, caracteristicamente, possuem o tronco de casca lisa, separando, todo ano, o ritidoma. Possuem folhas simples e opostas, com flores andróginas, actinomorfas, diclamídeas, dialipétalas. Androceu com estames numerosos. Ovário ínfero. Família Melastomataceae Juss.

21 Mundo: de 150 a 200 gêneros. e espécies, em regiões tropicais e subtropicais. Brasil: são 63 gêneros e cerca de 480 espécies. Mais freqüentes: Miconia, Tibouchina (quaresmeira), Leandra e Salpinga. Pequena descrição: são espécies ornamentais. Variam de árvores a ervas. Folhas opostas sem estípulas; nervura das folhas (3-9), curvinérvias (Mouriria peninérvia) com nervuras secundárias transversais. Inflorescências cimosas ou racemosas; flores diclamídeas, dialipétalas, hermafroditas, estames diplostêmones (geralmente) 8-16, anteras poricidas, falciformes. Gineceu com ovário livre, mediano ou ínfero, de dois a quinze carpelos, com dois ou mais lóculos. Fruto cápsula ou baga. Há subfamílias: Melastomoideae, Astronioideae e Memecyloideae. A sistemática do grupo é difícil pelo grande número de gêneros mal delimitados. Ordem Euphorbiales Esta ordem apresenta cinco famílias. No Brasil, apenas uma é indígena: Euphorbiaceae. Família Euphorbiaceae R.Br. Mundo: são 290 gêneros espécies tropicais e subtropicais. Brasil: há 72 gêneros e cerca de 1100 espécies, em todo o país. Mais freqüentes: Croton (sangue-de-dragão), Ricinus (mamona) africana, Manihot (mandioca), Joannesia (anda-açu ou purga-de-cavalo provocam violentas desinterias), Jathropha (pinhão-do-paraguai também provoca desinteria), Hura (assacu ) Amazonas. Cultivadas ornamentais: Euphorbia (coroa-de-cristo), Poinsettia (flor-depapagaio), Acalypha e Phyllanthus (quebra-pedra). Pequena descrição: variam de árvores a ervas; folhas alternas e estipuladas. As flores são unissexuadas. Inflorescências características: ciátio e variável. Ordem Sapindales Esta ordem apresenta 17 famílias. No Brasil, há apenas oito indígenas. Família Sapindaceae Juss. Mundo: há entre 140 a 150 gêneros e 2000 espécies tropicais e subtropicais, raramente são encontradas em temperaturas temperadas. Brasil: vinte e dois gêneros e cerca de 380 espécies. Mais freqüentes: Sapindus (saboneteira), Paullinia e Serjania (algumas podem envenenar até o mel produzido por abelhas, outras eram usadas pelos índios para envenenar flechas), Cupania (semente com arilo), Talisia (pitomba do norte e nordeste) e Paullinia (guaraná natural da Amazônia). Pequena descrição: podem ser árvores, arbustos ou lianas com gavinhas. Folhas alternas, compostas; flores unissexuais com rudimentos do órgão abortado. Família Meliaceae Juss. Mundo: 51 gêneros e 1400 espécies pantropicais. Brasil: são seis gêneros e cerca de 58 espécies. Mais freqüentes: Cedrela (cedro), Trichilia e Guarea (canjeranas). Entre as cultivadas, estão: Carapa (andiroba), Swietenia (mogno), Melia (Cinamomo, da Ásia), Swietenia (ébano ou maógani, Antilhas e América Central) e Khaya (ébano). Pequena descrição: são árvores com folhas compostas, flores andróginas ou unissexuais, em inflorescência panicular, diclamídias, dialissépala e dialipétalas, diplostêmones, geralmente possuem filetes alargados formando tubo, anteras fixas. Ovário súpero. Fruto é, em geral, seco. Sementes com arilo ou aladas. Ordem Polygalales Esta ordem apresenta sete famílias. No Brasil, há apenas quatro: as Malpighiaceae, Vochysiaceae, Polygalaceae e Krameriaceae. Família Malpighiaceae Juss. Mundo: são 63 gêneros e 800 espécies pantropicais. Brasil: há 32 gêneros e cerca de 300 espécies. 21

22 22 Mais freqüentes: Byrsonima (murici), Camarea, Stigmaphyllum, Tetrapteris e Malpighia (cerejeira-do-pará). Cultivada: Malpighia (cereja-dasantilhas). Pequena descrição: podem ser lianas ou arbustos (raramente são árvores). Folhas opostas com pêlos malpiguiáceos, frequentemente com glândulas. As flores podem ter glândulas ou não, pétalas unguículas. Androceu com 10 estames. Gineceu tricarpelar. Ovário súpero, trilocular, uniovulado. Fruto cápsula, raro alado. Família Polygalaceae R. Br. Mundo: são 12 gêneros e 800 espécies tropicais e temperadas. Brasil: há sete gêneros e cerca de 240 espécies. Mais freqüentes: Polygala (erva dos campos, matas e dunas de praias), Securidaca e Bredemeyera (trepadeiras), Monnina (com frutos alados característicos). Pequena descrição: variam de ervas a árvores ou lianas. Folhas alternas, opostas, simples. As flores, em geral, são pequenas e roxas, zigomorfas, hermafroditas, diclamídeas, com cinco sépalas e três pétalas; de oito a dez estames com filetes soldados formando um tubo petalóide envolvendo o ovário, anteras em geral poricidas. Possuem ovário súpero ou mediano, bicarpelar, bilocular, uniovulado. Fruto seco capsular. Ordem Umbelales Esta ordem apresenta duas famílias: Araliaceae e Apiaceae (antiga Umbeliferae). Família Aapiaceae Juss. Mundo: 400 gêneros e 3000 espécies, principalmente de regiões temperadas. Brasil: são 11 gêneros e cerca de 98 espécies, no sul e sudeste. Mais freqüentes: Hydrocotyle, Apium e Eryngium. Dentre as cultivadas, estão: Daucus (cenoura), Pimpinella (erva-doce) e Coriandrum (coentro). Pequena descrição: ervas anuais ou bianuais. Folhas profundamente partidas (exceto Centella e Hydrocotyle, que são inteiras), alternas (rosuladas ou opostas), com larga bainha envolvendo o caule. Flores pequenas em inflorescência do tipo umbela ou panícula de capítulos, andróginas, diclamídeas, dialipétalas, geralmente protândricas (só amadurece o gineceu após a queda dos estames). Possuem cinco estames alternipétalos; ovário ínfero, bicarpelar, bilocular, uniovulado. Fruto seco. Presença de canais oleíferos Subclasse Asteridae Esta subclasse tem nove ordens com 43 famílias e espécies, aproximadamente, ocorrendo em todas as regiões. Com as ordens: Gentianales, Polemoniales, Lamiales, Plantaginales, Scrophulariales, Campanulales, Rubiales, Dipsacales e Asterales (Compositae). A característica principal é a gamopetalia, o número reduzido de estames (de dois a cinco) e ovário geralmente bicarpelar. Ordem Gentianales Esta ordem possui quatro famílias: Loganiaceae, Gentianaceae, Apocynaceae e Asclepiadaceae (hoje com Apocynaceae). Família Apocynaceae Juss. Mundo: 300 gêneros e 2000 espécies tropicais e subtropicais (raramente são temperadas). Brasil: 376 espécies em 41 gêneros. Mais freqüentes: Aspidosperma (pau-pereira nordeste, peroba), Hancornia (mangaba nordeste e norte), Plumelia (jasmim-manga), Allamanda (trepadeira), Lochnera (vinca cultivada). Muitas são venenosas, outras, como Rauwolfia, são medicinais. Pequena descrição: variam de árvores até trepadeiras, geralmente são laticíferas; folhas simples, com

23 glândulas na base do limbo ou do pecíolo, em geral. Prefloração geralmente imbricada. Androceu com quatro a cinco estames sésseis ou filetes curtos anteras acuminadas. Ovário súpero ou semi-ínfero, bilocular ou unilocular, disco nectarífero presente. Ordem Polemoniales Esta ordem possui nove famílias. Família Solanaceae Wettstein Nesta família há 90 gênereos e entre e espécies, todas cosmopolitas; as mais comuns são: Solanum (juá, jurubeba, batata, berinjela e jiló), Nicotiana (fumo), Lycopersicum (tomate), Capsicum (pimentão e malagueta). Muitas são extremamente venenosas, como a beladona (Atropa), pois seu veneno extrai atropina. Família Convolvulaceae Juss. Família de 51 gêneros e espécies encontradas nas regiões tropicais e temperadas. As espécies mais comuns são a Ipomoea (bom-dia e batata-doce), Calonyction (boa-noite) e a Cuscuta (cipó-chumbo parasita). Possuem plantas volúveis. Ordem Lamiales Esta ordem possui seis famílias. A principal é Labiatae Juss. Família Labiatae Juss. Família com 150 gêneros e espécies, com ampla dispersão. Ex.: Salvia (sangue-de-adão) e Leonotis (cordão-de-frade). Cultivadas: Hyptis (cravo), Mentha (hortelã-pimenta), Origanum (orégano e manjericão) e Melissa (erva-cidreira). Esta família é composta, geralmente, por ervas. A corola é tubulosa e pode ser lábio superior ou inferior. Ordem Scrophulariales Ordem com 10 famílias. Representamos este grupo com a seguinte família: Família Bignoniaceae Juss. A família Bignoniaceae possui 120 gênereos e 650 espécies tropicais. As mais comuns são: Tabebuia (ipê) e Jacaranda (jacarandá). Cultivada: Spathodea com flores vermelhas, originária da África. As plantas são lenhosas, geralmente lianas com folhas opostas (raramente são alternas). Prefloração imbricada. As sementes podem ser com ou sem alas. Ordem Rubiales A ordem Rubiales possui uma única família: a Rubiaceae. Família Rubiaceae Juss. Esta família possui de 400 a 500 gêneros e de a espécies com ampla distribuição. Ex.: Borreria, Richardia, Manethia, Bathysa, Warscewiczia (papagaio), Psychotria (venenosa, erva-de-rato), Genipa (jenipapo) e Calycophyllum (pau-mulato). Cultivada: Coffea (África café). Variam de árvores a ervas. Folhas opostas com estípulas interpeciolares. As flores são geralmente andróginas, androceu com quatro a cinco estames. Ovário ínfero. 23

24 24 Ordem Asterales A ordem Asterales possui apenas a família Asteraceae. Família Asteraceae Giseke (Compositae) Família com gêneros e espécies. Ampla distribuição. Vivem do nível do mar até a montanha. Ex. Vernonia (assa-peixe), Eupatorium, Mikania (guaco), Solidago e Bidens (picão). Cultivadas: Cichorium (chicórea), Lactuca (alface) e Cynara (alcachofra). A inflorescência típica é o capítulo. Androceu com cinco estames epipétalos e anteras concrescidas. Exercícios de Fixação 1. Informe a característica principal das famílias que se seguem: Piperaceae e Melastomataceae. 2. Esquematize uma passifloraceae denominando suas partes: a) Flor b) Androceu c) Gineceu 3. A subclasse Magnoliidae é a mais primitiva no sistema de Cronquist. Justifique esta afirmação. 4. Esquematize uma Moraceae. 5. Complete o quadro segundo a classificação de Cronquist. Reino: Vegetabilis Divisão: Magnoliophyta (angiospermae) Classe: Subclasse: Hammamelidae Ordem: Gênero: Família: Espécie: Urtica dióica L. Nome vulgar: urtiga 6. Após coletar e analisar uma Portulacaceae classifique-a quanto: Sexo: Número de verticilos protetores: Porte: 7. Transcreva o texto abaixo de forma que um leigo em botânica possa entender. Ervas, heliófilas, com folhas alternas, crassas, sésseis. Flores diclamídeas, trímeras, androceu, diplostêmones, gamostêmones, ovário súpero, estigma bífido. Fruto baga. R: Ervas,..., com folhas...,...,... Flores...,..., androceu...,..., ovário..., estigma bífido. Fruto Esquematize uma Bombacaceae, denominando suas partes. a) Flor b) Androceu c) Gineceu

25 9. Complete o quadro segundo a classificação de Cronquist: Reino: Vegetabilis Divisão: Magnoliophyta (angiospermae) Classe: Subclasse: Dillenidae Família: Ordem: Gênero: Espécie: Hibiscus rosa-sinensis L. Nome vulgar: papoula Informe o nome vulgar de um exemplar da família Caricaceae. 11. Cite uma característica importante da família Passifloraceae e nome vulgar. 12. O baobá pertence a uma família muito representativa. Qual é o nome desta família? 13. A família Euphorbiaceae está representada pelos gêneros Euphorbia, como a coroa-de-cristo, Ricinus, como a mamona, entre outros. A família apresenta-se bem característica. Informe como reconhecê-la. 14. Pesquise nomes vulgares para as Malpighiaceae. 15. Informe a importância da família Meliaceae para o homem. 16. Informe a principal característica da família Asteraceae. 17. Colete e esquematize uma Bignoniaceae, denominando suas partes. a) Flor b) Androceu c) Gineceu 18. Descreva a família Rubiaceae e exemplifique. 19. O ipê e o jacarandá são representantes importantes de uma família muito característica. Informe seu nome. 20. Informe nomes vulgares da família Asteraceae, cujos representantes são muito populares em chás e na alimentação. Atividade Complementar Vá ao campo e colete um exemplar de cada subclasse. Desenhe e compare com os livros indicados, identificando suas partes.

26 26 UNIDADE III CLASSE LILIOPSIDA As monocotiledôneas, ou Liliopsidas, são angiospermas que, entre outras características, desenvolvem no embrião da semente apenas uma folha cotiledonar, de origem terminal. As folhas em geral têm nervuras paralelas e bainha; já a flor, geralmente, é trímera. No sistema de Cronquist, a classe Liliopsida compreende cinco subclasses, 18 ordens e 61 famílias, com um total de aproximadamente espécies. As subclasses são Alismatidae, Arecidae, Commelinidae, Zingiberidae e Liliidae. Cada subclasse tende a explorar um nicho ecológico diferente ou um grupamento de nichos, mas com muita superposição. Não trataremos aqui a subclasse Alismatidae, por não terem grandes representantes. As Arecidae são geralmente arborescentes ou apresentam flores agrupadas em espádice. Suas folhas são grandes e pecioladas. Ordem Arecales Possui a família Arecaceae. Família Arecaceae (Palmae) Mundo: são 236 gêneros e 3400 espécies tropicais. Mais freqüentes: Cocos (coqueiro) e Euterpe (palmito); cultivado: Phoenix (tamareira). Ordem Arales Nesta ordem, está a família Araceae. Família Araceae Mundo: são 100 gêneros e 1800 espécies. Mais freqüentes: Anthurium, Philodendron e Scindapsus (jibóia), Dieffenbachia (comigo-ninguém-pode) e Alocasia (inhame). Pequena descrição: podem ser terrestres ou epífitas (aquáticas). As folhas são alternas. Inflorescência em espádice. Apresentam flores unissexuais nuas, ou seja, sem verticilo de proteção. Pequena descrição: podem ser arbustivos e arbóreos. Caule estipe. As folhas são palmadas ou penadas. Flores trímeras em duas séries, unissexuais (hermafroditas), com seis estames, ovário súpero na feminina, trilocular uniovulado (um só lóculo é fértil em Cocos). Fruto seco ou carnoso, indeiscente Subclasse Commelinidae Esta subclasse mostra uma redução floral com polinização anemófila, ou seja, pelo vento. Ordem Cyperales Possui a família Poaceae, conhecida como gramineae. Família Poaceae Gramineae Mundo: possui cerca de 700 gêneros e 8000 espécies. Esta é uma das maiores famílias de angiorpermas e de maior importância econômica.

27 Mais freqüentes: Avena sativa L. (aveia), Bambusa arundinaceae Retz. (bambu), Digitaria sanguinalis (L.) Scop. (capim-pé-de-galinha) e Cymbopogon nardus (L.) Rendle (citronela). Cultivados: Zea (milho), Triticum (trigo) e Orysa (arroz). 27 Pequena descrição: são plantas herbáceas, anuais ou perenes, em geral rizomatosas com colmo oco ou cheio. Folhas com nervação paralela, bainha larga e aberta, com lígula na base do limbo, uma só folha por nó. A inflorescência básica é a espiguilha (ou espículas com uma a cinqüenta flores); flores hermafroditas (há raros casos que não são), protegidas, em geral, por duas glumelas, lema (inferior) e pálea (superior), perianto é ausente ou representado em geral por duas ou três lodículas. Possui três estames (1, 6, 9), anteras dorsifixas. Ovário súpero, unilocular, uniovulado, dois (1, 3) estigmas plumosos. O fruto é tipicamente cariopse (há exceções); às vezes, é aquênio. Família Cyperaceae Mundo: cerca de 70 gêneros e espécies. Mais freqüentes: Cyperus retundus L. (tiririca), Cyperus esculentus L. (junça) e Cyperus papyrus L. (papiro). Não tem importância econômica. Pequena descrição: são herbáceos e perenes, em geral rizomatosas, com caule sólido de secção triangular. As folhas possuem nervação paralela, bainha bem desenvolvida, fechada, sem lígula. A unidade floral é a espiguilha (duas glumas, entre uma e duas glumelas). O perianto é ausente ou rudimentar, representado por pêlos, cerdas ou escamas. Estames podem ser de um a seis (maioria 3), anteras basifixas. Ovário supero, tricarpelar, unilocular, uniovulado, de dois a três estigmas plumosos. Fruto aquênio. Observe as principais diferenças entre as famílias no quadro abaixo: Características Secção do caule Bainha Lígula FAMÍLIAS Poaceae circular aberta presente Cyperaceae triangular fechada ausênte Subclasse Zingiberidae Apresentam folhas amplas e venosas de flores epíginas. Ordem Bromeliales A família Bromeliaceae pertence a esta ordem. Família Bromeliaceae Mundo: são 46 gêneros e 1700 espécies, principalmente americanas tropicais. Mais freqüentes: Bromelia fastuosa Lindl. (gravatá), Tillandsia usneoides L. (barba-de-velho) e Ananas (abacaxi). Pequena descrição: são herbáceas e, em geral, acaules. Folhas imbricadas na base e em rosetas, com margens espinhosas. A maioria é epífita. Flores hermafroditas, trímeras, androceu com seis estames, ovário trilocular, súpero ou ínfero, com muitos óvulos. Fruto baciforme ou capsular; semente frequentemente alada. Ordem Zingiberales Família Musaceae Mundo: seis gêneros e 150 espécies, especialmente tropicais. Em Musa, 80 espécies. Mais freqüentes: Heliconia brasiliensis Hook. (bananeirinha-do-mato), Musa nana Lour. (bananananica), Musa paradisiaca L. var. sapientum (L.) (banana-prata) e Strelitzia reginae Banks (bananeirarainha). Pequena descrição: são herbáceas de grande porte, rizoma na maioria. As folhas são em espiral, inteiras, peninérveas, pecioladas ou embainhadas. A inflorescência é em espiga, panícula ou cimeiras reduzidas

28 28 a dicásios, em geral envolvidas por bráctea colorida, espatáceas. As flores podem ser hermafroditas ou unissexuais, zigomorfas, diclamídeas, trímeras, com seis tépalas, livres ou concrescentes. Androceu com cinco estames e, em geral, um estaminódio; ovário ínfero, trilocular com muitos óvulos. Fruto partenocárpico em Musa. Pequena descrição: são herbáceas aromáticas. As folhas possuem lígula entre limbo e bainha ou entre limbo e pecíolo. Inflorescência em espiga, panícula, racimo, ou flores solitárias. As flores são hermafroditas, zigomorfas, trímeras, perianto tubular. Androceu com um estame fértil, antera grande, quatro estaminódios petalóides. Ovário ínfero, trilocular, estilete longo abrigado no sulco do filete que continua entre as tecas da antera. Fruto cápsula ou baga, sementes com arilo. Família Zingiberaceae Mundo: são 49 gêneros e cerca de 1500 espécies. Mais freqüentes: Renealmia, Amomum, Hedychium coronarium Koenig (lírio-do-brejo), Zingiber officinale Koenig. (gengibre cultivada) Subclasse Liliidae Este grupo tem polinização entomófila e apresenta tubérculos e bulbos em maior proporção que as demais. O maior grupo das Liliidae seguiu em direção à epiginia e no desenvolvimento de mecanismos polinizadores altamente complexos, como nas Orquidáceas. séries, livres ou concrescidas na base. Seis estames, ovário súpero ou semi-ínfero, trilocular e com óvulos numerosos. O fruto é cápsula. Ordem Liliales Família Liliaceae Mundo: são 220 gêneros e espécies. Ampla distribuição mundial. Mais freqüentes: Asparagus, Allium sativum L. (alho), A. porrum L. (alho-porró), A. cepa L. (cebola) e Lilium candidum L. (lírio-branco). Pequena descrição: herbáceas, bulbosas ou rizomatosas. As folhas são alternas ou rosuladas, sésseis, raro pecioladas, às vezes, suculentas. Inflorescências em racimos, umbela ou monocásio. As flores são hermafroditas, com raras exceções, vistosas, trímeras em duas Ordem Orchidales Família Orchidaceae Mundo: são 700 gêneros e espécies.

29 Mais freqüentes: Laelia (orquídea). Pequena descrição: são herbáceas, perenes, terrestres, rupículas ou epífitas, raro trepadeiras. As folhas geralmente são alternas, suculentas. Inflorescências em panículas, racimos ou espigas, ou isoladas. Flores zigomorfas, trímeras, com três externos, dois internos e o terceiro diferente (labelo). Androceu com um ou dois estames férteis, anteras com duas tecas e pólen em massa (polínios); ovário ínfero, tricarpelar. 29 Exercícios de Fixação 1. Euterpe sp, conhecido vulgarmente como palmito, é muito explorado economicamente, desaparecendo das nossas matas. Ele é originário de qual família? 2. Anthurium, Philodendron, Scindapsus (jibóia), Dieffenbachia (comigo-ninguém-pode) e Alocasia (inhame) são plantas que representam a família Araceae. Informe a sua principal característica. 3. Diferencie Cyperaceae de Poaceae. 4. Cite nomes vulgares para a família Bromeliaceae. 5 Complete o quadro segundo a classificação de Cronquist. Reino: Vegetabilis Divisão: Magnoliophyta (angiospermae) Classe: Subclasse: Zingiberidae Ordem: Gênero: Zingiber L. Família: Nome vulgar: colônia 6. Há fruto partenocárpico em Musa. Explique que é fruto partenocárpico. 7. Informe a principal característica de Zingiberaceae. 8. Asparagus, Allium sativum L. (alho), A. porrum L. (alho-porró), A. cepa L. (cebola) e Lilium candidum L. (lírio-branco) representam uma família muito utilizada em culinária. De qual família estamos falando? 9. A seguir, leia a descrição de uma das mais belas famílias de monocotiledôneas: inflorescências em panículas, racimos ou espigas, ou isoladas. Flores zigomorfas, trímeras, três externos, dois internos e o terceiro diferente (labelo). Androceu com um ou dois estames férteis, anteras com duas tecas, pólen em massa (polínios), ovário ínfero, tricarpelar. Informe que família está caracterizada. Atividade Complementar Vá ao campo e colete flores de palmeira. Com o auxílio de uma lupa, faça uma pequena descrição deste espécime e compare com uma dicotiledônea para estabelecer as diferenças.

30 30 Se você: 1) concluiu o estudo deste guia; 2) participou dos encontros; 3) fez contato com seu tutor; 4) realizou as atividades previstas; Então, você está preparado para as avaliações. Parabéns!

31 Glossário Todas as palavras utilizadas neste instrucional são técnicas, já trabalhadas no instrucional de Organografia. Em caso de dúvida, os livros abaixo deverão ser consultados: 31 FONT-QUER. P. Dicionário de Botánica. Barcelona: Labor S.A., Instrucional de Organografia. Rio de Janeiro: UCB. VIDAL, Waldomiro Nunes & VIDAL, Maria Rosária. Taxonomia Vegetal. 3. ed. Viçosa: Univ. Fed. de Viçosa, Obs.: As imagens utilizadas neste instrucional são da Google.

32 32 Gabarito Unidade I 1. Se caracterizam pelo enorme poder de adaptação às diversas condições ambientais, variam de ervas a árvores, de terrestres a aquáticas, podem ser epífitas, parasitas, ou apresentar outras adaptações como nas plantas insetívoras. Porém, uma característica marcante das angiospermas é a dupla fecundação. 2. Poucos estames; flores unissexuais; flores compostas e monocotiledôneas. 3. As flores mais primitivas têm numerosos órgãos em espiral sobre o receptáculo floral. Unidade II 1. Piperaceae inflorescência em espiga e Melastomataceae folhas curvinérveas. 2. Esquema baseado no livro de Barroso vol Apresenta mais características primitivas, como numerosas peças em espiral inseridas em receptáculo alongado. 4. Esquema baseado no livro Barroso vol Classe: Magnoliopsida Subclasse: Hammamelidae Ordem: Urticales Gênero: Urtica Família: Urticaceae Espécie: Urtica dióica L. Nome vulgar: urtiga 6. Andróginas, diclamídeas erva. 7. Ao sol um folha por nó, alternando-se suculentas sem pecíolo com dois verticilos protetores três sépalas ou pétalas com o dobro de estames unidos acima das peças carnoso e sem caroço. 8. Esquema. 9. Classe Magnoliopsida, ordem Malvales, família Malvaceae, gênero Hibiscus. 10. Mamoeiro. 11. Presença de glândulas. 12. Bombacaceae. 13. Inflorescência em ciátio. 14. Cereja-das-antilhas, acerola, muruci etc. 15. São árvores com ampla aplicação madeireira, como cedro e mogno. 16. Inflorescência em capítulo. 17. Esquema.

33 18. Variam de árvores a ervas, possuem folhas opostas com estípulas interpeciolares, flores andróginas e ovário ínfero. Ex.: café e jenipapo Bignoniaceae. 20. Picão, chicórea e guaco. Unidade III 1. Arecaceae. 2. Inflorescência em espádice e flores unissexuais nuas. 3. Características Secção do caule Bainha Lígula FAMÍLIAS Poaceae circular aberta presente Cyperaceae triangular fechada ausênte 4. Gravatá, abacaxi etc. 5. Classe Liliopsida ordem Zingiberales família Zingiberaceae. 6. Desenvolvimento do fruto sem que tenha havido a fecundação na flor. 7. O estilete passa por entre as rtecas da antera, no único estame funcional da flor. 8. Liliaceae. 9. Orchidaceae.

34 34 Referências Bibliográficas ANDREATA, R. H. P. & TRAVASSOS, O. P. Chaves para determinar as famílias de: Pteridophyta, Gymnospermae e Angiospermae. Edição revisada e aumentada. Rio de Janeiro: USU, BARROSO, Graciela Maciel. Sistemática das Angiospermas do Brasil. vols. 1, 2 e 3. São Paulo/Viçosa: EDUSP/U.F, FONT-QUER. P. Dicionario de Botánica. Barcelona: Labor S.A.,1977. JOLY, A.B. Botânica - Introdução à taxonomia vegetal. 10. ed. São Paulo. USP/ Editora Nacional, JUDD, Walter et alli. Plant Systematics, a phylogenetic approach. USA: Sinauer Associates Inc., VIDAL, Waldomiro Nunes & VIDAL, Maria Rosária. Taxonomia vegetal. 3. ed. Viçosa: Ed. Universidade Federal de Viçosa, 1992.

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