O Branqueamento do Trabalho

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1 O Branqueamento do Trabalho Ramatis Jacino, professor da rede pública estadual de São Paulo, mestre e doutor em História Econômica pela USP e Presidente do INSPIR

2 1) O porque da escravidão? Faz parte da lógica do mercantilismo, as grandes navegações e o colonialismo, com portugueses, espanhóis e holandeses à frente. Invasão de outras terras, invasão do Brasil, massacre dos índios e seqüestro de africanos ( de 5 a 8 milhões)

3 2) Caráter das escravidão como conseqüência do colonialismo. Divisão internacional do trabalho e acumulação primitiva do capital. Escravidão e capitalismo, na sua origem, tanto quanto o mercantilismo, são complementares

4 3) TODA riqueza acumulada no Brasil, apropriada por Portugal, que por sua vez foi apropriada pela Inglaterra, é resultado do assalto ás terras indígenas e do trabalho forçado de negros

5 4) A escravidão, num determinado momento, se exauriu como modelo e, dialeticamente, no seu interior foram sendo geradas as contradições que iriam promover sua superação:

6 a) Luta dos escravos b) Interesse do Império britânico c) Lógica do capitalismo, compra do trabalho e não do indivíduo

7 7) O branqueamento do Brasil se deu com o fim da escravidão e com a tentativa de acabar, sumir com o ex-escravo e seus descendentes, expulsando-os do trabalho. Entretanto a intelectualidade até bem próximo dos dias de hoje credita ao negro a responsabilidade por sua marginalização.

8 O homem formado dentro desse sistema social (a escravidão) está totalmente desaparelhado para responder aos estímulos econômicos. Quase não possuindo hábitos de vida familiar, a idéia de acumulação de riqueza lhe é praticamente estranha. Demais, seu rudimentar desenvolvimento mental, limita extremamente suas necessidades. Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável, a elevação de seu salário acima de suas necessidades o que estão delimitadas pelo nível de subsistência de um escravo determina de imediato uma forte preferência pelo ócio. Celso Furtado. Formação Econômica do Brasil. 12ª. edição. São Paulo: Cia das Letras, p. 167

9 8) Imigrantismo Lei de 07/11/1831 Primeira proibição do tráfico Lei 581 de 04/09/1850 Euzébio de Queiroz

10 Lei de Terras (Rio Branco) 18/09/1850 na sua exposição de motivos: Dispõe sobre as terras devolutas no Império, e acerca das que são possuídas por título de sesmaria sem preenchimento das condições legais, bem como por simples título de posse mansa e pacífica: e determina que, medidas e demarcadas as primeiras, sejam elas cedidas a título oneroso, assim para empresas particulares, como para o estabelecimento de colônias de nacionais e de estrangeiros, autorizando o Governo a promover a colonização estrangeira na forma que se declara. Abre crédito suplementar ao orçamento de 200:000$000 (duzentos contos de reis) para importação de colonos.

11 Lei 2040 Rio Branco 28/09/1871 (Ventre Livre) Lei (Saraiva/Cotegipe) 28/09/1886 (Sexagenário) Decreto Imperial de 13 de maio de 1888 (Lei Áurea) Conseqüências da Lei Áurea...os negros morriam de fome á beira das estradas, não tinham onde morar, ninguém queira saber deles, eram perseguidos Stanley stein, Grandeza e Decadência do Café, Brasiliense, 1961p. 313, citando Coelho Neto, romancista morador de Vassouras, no período da Lei Áurea.

12 Código de Postura 06/10/1886 Proíbe aos cativos o exercício das profissões de Cocheiros, vendedores de água, caixeiros. Além disso cria sérias dificuldades para exercerem profissões como herbalistas, curandeiros, barbeiros, parteiras. Art 79 e 94 vedavam criação de porcos e aves, agricultura e pecuária de subsistência. Art. 210 proibia conceder matrícula para cativos para cocheiros de carros de aluguel ou vendedor de água, o 168 proibia a contratação de caixeiros ou administradores de casas de negócios, o 28 autoriza a Câmara a conceder data de terras aos homens bons, o 20 proíbe a construção de curtiços fora dos padrões. O título XX normatiza a profissão de criada como de condição livre e o art. 226 exigia prova desta liberdade.

13 Leis favoreciam os imigrantes: Segundo Tschudi: Os católicos receberam do governo 400 braças de terras, 160 réis diários para cada pessoa adulta e metade deste valor para cada criança, pelo período de um ano e meio. Bois, cavalos e ovelhas seriam fornecidos pelo governo, devendo o valor desse gado ser restituído em 4 anos. Tinham isenção de impostos por oito anos e o governo pagaria, ainda, os honorários de médicos e padres durante um ano e meio. Em 1860, as colônias de Santo Amaro e Itapecerica somavam 500 indivíduos. Joahann Jakob Von Tschudi. Viagem às Províncias de Rio de Janeiro e São Paulo. cit. p.128.

14 NEGOCIAÇÃO COLETIVA DO TEMA NÃO DISCRIMINAÇÃO RACIAL

15 Pesquisa DIEESE - Negro e Mercado de Trabalho 2010 comparativo entre salários entre homens e mulheres, negros e brancos Regiões Homem Não Homen Mulher Mulher Não Metropolitanas Negro Negro Negra Negra Total das regiões 100,0 62,1 48,8 77,6 Belo Horizonte 100,0 65,1 49,8 76,4 Distrito Federal 100,0 61,5 48,7 78,0 Porto Alegre 100,0 68,2 56,0 83,8 Fortaleza 100,0 70,9 55,1 77,8 Recife 100,0 71,5 57,6 84,1 Salvador 100,0 52,3 43,9 85,6 São Paulo 100,0 59,8 47,4 76,2

16 Itens Número de cláusulas 28 clausulas 21 cláusulas 24 cláusulas 18 cláusulas Número de estados BA, RS, MG, SP, SC, PR, RJ, Nacional BA, RS, MG, SP, SC, RJ, Nacional BA, RS, MG, SP, SC, Nacional BA, RS, MG, SP, SC, RJ, PR, DF, AM Nacional, Número de ramos Comerciários, Construção Civil e Mobiliário, Metalúrgicos, Químicos, Urbanitários, Comunicação, Rurais, Saúde, Processamento de Dados, Transportes Comerciários, Construção Civil e Mobiliário, Metalúrgicos, Químicos, Urbanitários, Comunicação, Rurais, Saúde, Processamento de Dados, Transportes Comerciários, Construção Civil e Mobiliário, Metalúrgicos, Químicos, Urbanitários, Saúde, Processamento de Dados, Transportes Comerciários, Construção Civil, Urbanitários, Jornalistas, Metalúrgicos, Químicos, Processamento de Dados, Transportes Setor Privado 19 cláusulas 12 cláusulas 16 cláusulas 13 cláusulas Setor Público 9 cláusulas 9 cláusulas 12 cláusulas 5 cláusulas

17 TABELA 5 Rendimento Médio Real (1) dos Ocupados (2) no Trabalho Principal, por Raça/Cor e Sexo, segundo Setores de Atividade Econômica, Regiões Metropolitanas (1), , em reais (R$) de janeiro de 2012.

18 Setor de Atividade Total Negros Não-Negros Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens 2009 Total (4) Indústria Comércio Serviços Construção Civil Serviços Domésticos (5) (5) (5) (5) 2010 Total (4) Indústria Comércio Serviços Construção Civil Serviços Domésticos (5) (5) (5) (5)

19 Fonte: Convênio Dieese-Seade. PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego.

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