TÍTULO DO PROJETO: DESISTÊNCIA EDUCACIONAL ZERO (DEZ)
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- Juliana Figueiredo Caiado
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1 TÍTULO DO PROJETO: DESISTÊNCIA EDUCACIONAL ZERO (DEZ) 1
2 1 - APRESENTAÇÃO: O Ministério Público é instituição permanente e essencial à função jurisdicional, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, com a missão de zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos constitucionalmente assegurados, promovendo as medidas necessárias a sua garantia. Assim, considerando que o direito a educação é condição essencial ao desenvolvimento do ser humano, ao seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, a Promotoria de Justiça da Comarca de Ferreira Gomes vem apresentar proposta de trabalho que objetiva dar efetividade às garantias contempladas pela Constituição Federal, Estatuto da Criança e Adolescente e lei de Diretrizes e Bases da Educação, no que se refere ao direito à inclusão escolar e uma educação de qualidade, como requisito fundamental para o desenvolvimento integral da população infanto-juvenil. O projeto prevê a criação de uma rede de interinstitucional de serviços, que funcionará de forma articulada e sistêmica, envolvendo diversas instituições, na qual cada uma das partes responde por tarefas claramente determinadas, visando garantir o regresso, a permanência e o sucesso escolar do aluno da rede pública de ensino de Porto Grande. 2 JUSTIFICATIVA: A evasão escolar é um problema que ocorre rotineiramente no contexto educacional brasileiro sendo, algumas vezes, percebido com naturalidade e assimilado passivamente pelo sistema de ensino. O governo Federal tem implementado com sucesso, programas para inserção escolar de crianças e adolescentes, apresentando estatísticas que indicam um alto percentual de matrículas do total de crianças em idade escolar. Entretanto, sem retirar o mérito e a importância dessas ações de inclusão, podemos afirmar que apenas a garantia de acesso a escola não é suficiente. É necessário, agora, investir em procedimentos que garantam a permanência, aprendizagem e rendimento escolar satisfatório dos jovens brasileiros. Para a socióloga Mary Castro, coordenadora de um estudo feito pela UNESCO e divulgado neste ano estamos cometendo um genocídio da esperança dos jovens ao não cuidar da escola. A batalha agora é pela qualidade de ensino!. São muitas e devastadoras as conseqüências da evasão escolar. Ela se constitui num fator determinante para a manutenção do chamado ciclo da pobreza, que ocorre quando uma grande parcela da população de jovens não consegue completar níveis mínimos da escolaridade formal exigida para ingressar no mercado de trabalho, onde cresce as exigências de uma sólida escolarização básica e uma aprimorada qualificação profissional. Assim, restam-lhe poucas oportunidades de emprego e estas com baixos salários. A maioria ingressa no mercado informal, ficando a mercê das oportunidades eventuais para realizar pequenos serviços que não exigem qualificação e por isso também são mal remunerados, sem carteira assinada, sem previdência social. Tudo isto resulta na existência de famílias inteiras em condições econômicas absolutamente adversas, que tendem a repetir e ampliar o ciclo de miséria e pobreza, através de seus filhos. Outro indicador dos reflexos da baixa escolaridade pode ser observado nas penitenciárias e centros de internação para adolescentes. Vários estudos indicam que um percentual significativo dos internos são 2
3 semi-alfabetizados ou estão fora do sistema de ensino, não tendo chegado a concluir o ensino fundamental. Assim, o combate a evasão escolar e ao baixo rendimento, se constituem em estratégias importantes para a diminuição da desigualdade social, uma vez que a escolaridade é um dos fatores que proporciona ascensão social e ao mesmo tempo, é um instrumento de combate a violência e a prática infracional. Para isso é necessário que a escola pública garanta não apenas o acesso mas também a permanência do aluno e a qualidade do ensino, de forma que o aluno possa competir em condições de igualdade, por uma vaga nas universidades e no mercado de trabalho. Mas a evasão escolar não é um fenômeno que ocorre de um dia para o outro. Ela é o ápice de um processo que inicia com ausências reiteradas, baixo rendimento, repetência e evasões temporárias, fechando um ciclo perverso de causas e conseqüências mútuas que culminam com a evasão definitiva. Seus motivos são tanto intrínsecos quanto extrínsecos à escola. Os primeiros estão relacionados ao funcionamento do próprio sistema escolar e temas importantes da pedagogia como currículo, disciplinas, metodologia. Os extrínsecos são aqueles resultantes de uma realidade social que promove desigualdades e se traduzem em violação dos mais elementares direitos e precárias condições de vida a que estão submetidas de famílias inteiras e que tem influência direta no aproveitamento escolar de suas crianças e adolescentes. Por isso a resolução da problemática da evasão escolar exige a mobilização em duas frentes: no próprio sistema de ensino, a quem cabe oferecer uma educação de qualidade que seja atraente e não excludente, direcionada não apenas ao ensino das disciplinas curriculares mas de todo o conteúdo necessário a construção da cidadania; e externamente, através de parcerias com outros órgãos públicos, responsáveis pela execução de políticas nas áreas de assistência, saúde, habitação, profissionalização e trabalho, além do envolvimento da sociedade civil. A primeira vista, o trabalho proposto pode parecer utópico, demasiado abrangente e ousado demais para ser viável. É evidente que apresenta um certo grau de complexidade, característica própria de intervenção em sistema de redes, onde o resultado final depende da atuação de cada uma das partes e da sua sintonia com as demais. Acreditamos, porém, que é um projeto importante e necessário, que pode ser executado com sucesso, se os parceiros locais unirem esforços, competências e, sobretudo, uma atitude comprometida com o futuro de nossos jovens. Este projeto foi inspirado em modelo implantado por Ministérios Públicos de todo o Brasil, em especial o MP de Santa Catarina e Rio Grande do Norte. 3 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A legislação brasileira oferece abundante previsão legal para respaldar a criação de mecanismos de combate à evasão escolar no sistema de ensino, quais sejam: - Constituição Federal art.208, & 3º: Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes chamada e zelar junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência a escola ; 3
4 - Constituição do Amapá art. 280, I: Direito de acesso e permanência na escola a qualquer pessoa, vedadas distinções baseadas na origem, raça, sexo, idade, religião, preferência política ou classe social. - Constituição do Amapá art.283, XVIII,...3º: Compete ao Poder Público, recensear os educando do ensino fundamental, fazer-lhes chamada anual e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência a escola. - Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA Lei Federal nº 8.069/90 a) Art. 54 : É dever do Estado assegurar a criança e ao adolescente: I Ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria; & 3º: Compete ao Poder Público recensear os educandos do ensino fundamental, fazer-lhe a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. b) art. 56: Os dirigentes de estabelecimento de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I maus tratos envolvendo alunos; II reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III elevados níveis de repetência. c) Das infrações administrativas: Art. 245 Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção a saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente. - Lei de diretrizes e Bases da Educação/LDB Lei nº 9.394/96 Título III Do direito à educação e do dever de educar Art. 5º, & 1º: Compete aos Estados e Municípios, em regime de colaboração e com a assistência da União: I Recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental e os jovens adultos que a ele não tiveram acesso; II Fazer-lhes a chamada pública; III Zelar junto aos pais ou responsáveis pela freqüência a escola 4 PÚBLICO ALVO Crianças e adolescentes, de 07 a 18 anos, matriculados nas escolas da zona urbana do município de Porto Grande (Estadual José Ribamar Teixeira, Escola Municipal Acre e Escola Municipal Maria Cristina) que apresentam um número determinado de faltas injustificadas e/ou aqueles com baixo rendimento escolar. 5 OBJETIVOS: Geral: Combater a evasão escolar, reduzir os níveis de distorção idade/série e contribuir para a melhoria do rendimento escolar dos alunos. 4
5 Específicos: - Implantar e fazer operar uma rede articulada de serviços, envolvendo vários órgãos governamentais e não governamentais, na qual cada instituição ou organização responde por tarefas claramente determinadas, visando garantir o regresso, a permanência e o sucesso do aluno na escola; - Evitar a consolidação do processo de evasão, através da intervenção imediata quando forem identificadas faltas injustificadas e baixo rendimento escolar; - Promover a adesão e o compromisso dos diversos parceiros institucionais, objetivando consolidar um grupo de trabalho sólido e permanente na defesa e promoção da educação como direito; - Sensibilizar a comunidade, crianças e adolescentes e seus pais ou responsáveis para a importância da educação formal e a necessidade de combater o problema da evasão, baixo rendimento e exclusão escolar de crianças e adolescentes; - Desenvolver nas famílias o senso de responsabilidade em relação a educação das crianças e adolescentes que se encontram sob sua guarda; - Capacitar diretores, técnicos e professores para desempenhar suas atribuições no projeto; - Elaborar diagnóstico da evasão escolar das escolas urbanas locais; - Criar banco de dados e socializar estas informações com instituições e organizações locais, comunidade em geral e Conselhos de Direito da Criança e do Adolescente e de Educação, visando subsidiar a elaboração de políticas públicas nas respectivas áreas. 6 META: O projeto se propõe a reduzir 75% da evasão e repetência escolar, no período de três anos (25% ao ano). 7 PARCEIROS: 7.1 Ministério Público do Estado do Amapá; 7.2 Poder Judiciário do Estado do Amapá; Secretaria de Estado de Educação; 7.4 Secretaria Municipal de Educação; 7.5 Secretarias Municipais de Ação Social; 7.6 Conselho Tutelar; 7.7 Voluntários. 8 - ATRIBUIÇÃO DAS INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES PARCEIRAS: 8.1 Ministério Público: Articulação com parceiros; Condução do processo de discussão e planejamento das ações junto à comunidade e entidades parceiras; Realização de convênios, termo de compromisso e cooperação e demais instrumentos necessários para a implantação do projeto no município; Coordenação do projeto; 5
6 Atendimento dos casos individuais encaminhados pelo projeto, realizando todos os procedimentos decorrentes de suas atribuições legais, no sentido de obter o retorno do aluno evadido à escola. 8.2 Do Tribunal de Justiça: Dar prioridade aos processos decorrentes dos procedimentos encaminhados pela Promotoria da Infância e Juventude, originados pelo Projeto Desistência Educacional Zero ; Responsabilização dos pais ou responsáveis comprovadamente omissos; Aplicação de medida de proteção Das Secretarias de Educação estadual e municipal: Participar do processo de discussão e planejamento das ações, juntamente com os demais parceiros e assinar acordo de cooperação para implantação do projeto; Fornecer dados informativos que permitam processar o diagnóstico da evasão escolar e nível de aproveitamento escolar dos alunos da rede estadual e municipal de ensino; Instituir por portaria ou outro instrumento legal apropriado, para o âmbito das escolas de ensino fundamental, situadas no município de Porto Grande, a participação destas no projeto Desistência Educacional Zero. Fazer constar o instrumento Ficha de Comunicação de Aluno Ausente ou com baixo rendimento (FICAR) e instruções sobre sua execução, nos projetos político-pedagógicos de todas as unidades escolares locais; Reproduzir a Ficha de Comunicação de Aluno Ausente ou com Baixo Rendimento (FICAR) e distribuir nas unidades escolares; Criar estratégias para oferecer aulas de reforço ao aluno com rendimento abaixo do percentual mínimo exigido para aprovação; Indicar um professor ou membro da equipe técnica para coordenar as ações no âmbito da escola, interagindo e articulando com a coordenação geral. 8.4 Das Unidades Escolares Realizar os procedimentos iniciais para identificação do aluno evadido, infreqüente ou com rendimento insuficiente; Mobilizar todos os recursos escolares para o retorno do aluno; Preencher corretamente a Ficha de Comunicação de Aluno Ausente ou com Baixo Rendimento (FICAR) Encaminhar à Equipe técnica do CRAS, caso não obtenha sucesso. Providenciar espaço para reforço escolar. 8.5 Do Conselho Tutelar Participar do processo de discussão, planejamento e avaliação, juntamente com os demais parceiros e assinar acordo de cooperação para participação no Projeto; Mobilizar ações diversas para obter o retorno do aluno a escola, realizando os procedimentos decorrentes de suas atribuições legais. 6
7 8.6 Da Secretaria Municipal de Ação Social Participar do processo de discussão, planejamento e avaliação juntamente com os demais parceiros. Assinar termo de convênio de cooperação, participando da rede interinstitucional através do Centro de Referência de Assistência social - CRAS; 8.7 Voluntários Participar do processo de discussão, planejamento e avaliação. Preencher cadastro de voluntário; Executar as atividades de sua competência. 9 COORDENAÇÃO DO PROJETO: A coordenação do projeto, de maneira geral, será compartilhada, já que cada parceiro fará uma coordenação no âmbito de sua instituição. Contudo, considerando que o projeto prevê que o promotor de Justiça da comarca, diante das atribuições que lhe conferem a Constituição da República (art. 129, II) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 201, VIII e 211), convoque instituições e organizações locais, propondo-lhes assinatura de um termo de compromisso e cooperação para implantar o sistema em forma de parceria e, dada a responsabilidade prática de concentrar lugar específico a responsabilidade pelo desenvolvimento do Projeto, propomos que a coordenação geral do programa seja realizado pelo Promotoria de Justiça da Comarca de Porto Grande OPERACIONALIZAÇÃO: 10.1 Articulação interinstitucional: A articulação entre as instituições locais se constitui num processo fundamental para a execução do projeto uma vez que as ações serão desenvolvidas em rede, isto é, através de um sistema de conexão entre diferentes organizações, concretizando-se dinamicamente, na prática, no momento da prestação dos serviços. Assim, a articulação constitui-se num processo que deve ser construído conjuntamente com todos os parceiros, através de reuniões para planejamento, discussões e avaliação das ações Divulgação do projeto, mobilização e sensibilização da comunidade escolar e população local para o problema da evasão escolar e importância da implantação do projeto. O sucesso do projeto está diretamente relacionado ao grau de sensibilidade, empenho, compromisso e competência dos diversos segmentos envolvidos, no sentido de identificar o problema e promover todas as ações necessárias para alcançar o sucesso escolar dos alunos da rede pública de ensino. Para alcançar o envolvimento dos parceiros e da comunidade em geral, o projeto prevê a execução das seguintes atividades: Reuniões com a comunidade escolar local; Capacitação dos agentes que participarão da rede direta de atendimento (diretores, professores, técnicos, Conselheiros Tutelares); 7
8 Apresentação do projeto a comunidade local; Elaboração e distribuição de cartilhas e panfletos; Divulgação de matéria em jornais e rádios locais Capacitação de recursos humanos: A capacitação dos diversos atores sociais envolvidos no trabalho constitui condição essencial para que o projeto alcance os objetivos a que se propõe. As ações serão destinadas a equipe técnico-pedagógica e docente das escolas, conselheiros tutelares, equipe técnica do CRAS, além de voluntários inseridos no projeto Instrumental operacional: Ficha de Comunicação de Aluno Ausente ou com Baixo Rendimento - FICAR A ficha de Comunicação de Aluno Ausente ou com Baixo Rendimento se constitui no instrumental unificado que possibilitará o controle e a sistematização das ações. Será utilizado pelas diversas entidades parceiras, obedecendo a um fluxo pré-determinado e nela constarão todos os procedimentos efetuados em cada âmbito da execução ( vide modelo anexo) Fluxo de Procedimentos: A cada instituição integrante da rede operacional do projeto caberá a execução de procedimentos específicos, obedecendo a um fluxo pré-determinado, conforme abaixo discriminado: A - Escola: No sistema de operacionalização, a atuação da escola é fundamental, pois além da família, as instituições educacionais também são responsáveis pelo desenvolvimento da criança e do adolescente. A atuação do professor é fundamental para o êxito do projeto, pois ele é o agente que diagnostica a ausência do aluno na sala de aula ou o seu baixo rendimento, sendo o primeiro a realizar intervenção na situação, além de preencher a FICAR e acionar a direção da escola e equipe pedagógica para as providências necessárias ao retorno do aluno a escola. - Professor: a) Constata a ausência reiterada do aluno no período de cinco dias letivos consecutivos ou sete alternados no período do mês; b) Constata a existência de alunos com notas escolares abaixo do percentual mínimo em pelo ao menos duas disciplinas. c) Solicita que a secretaria o preenchimento dos campos 1 e 2 da FICAR; d) Preenche os campos 3 a 7 e encaminha a direção da escola; e) Examina a situação, juntamente com a direção e equipe técnica, elabora diagnóstico e executa um plano de intervenção. Direção: a) A direção da escola, juntamente com o professor e o serviço de assessoria pedagógica busca localizar a família e realiza todos os procedimentos necessários para o retorno do aluno: diálogo 8
9 com os pais e com a criança, diagnóstico da situação escolar, avaliação da aprendizagem, utilização de quaisquer outros mecanismos próprios da área pedagógica, adequados a situação; b) Obtendo êxito, ou seja, o retorno do aluno a escola, preenche o campo 8, arquiva a ficha e promove a atividade de reintegração e acompanhamento pedagógico do aluno; c) Esgotados todos os recursos escolares sem que se tenha obtido êxito, o diretor também preenche o campo 8, resumindo os procedimentos adotados na tentativa do retorno do aluno e encaminha a equipe técnica do Centro de Referência de Assistência Social CRAS; d) Caso o aluno não se encontre evadido mas apenas com baixo rendimento, a unidade escolar realiza todos os procedimentos necessários para identificar as causas da situação. A seguir, elabora e executa um plano de intervenção utilizando recursos pedagógicos adequados. Esgotados todos os recursos escolares sem que se tenha obtido êxito, o diretor preenche o campo 8, informando os procedimentos adotados e encaminha para a equipe do CRAS. B Equipe técnica do Centro de Referência de Assistência Social - CRAS a) De posse da FICAR, a equipe técnica promove o atendimento da criança/adolescente e da família, elabora o diagnóstico da situação, planeja e executa a intervenção técnica; b) Durante o atendimento, a equipe técnica pode solicitar apoio do Conselho Tutelar ou Ministério Público, caso seja identificada a necessidade da intervenção destes órgãos, sem que isto caracterize a transferência do caso. É importante, também, que a equipe mantenha intercâmbio constante com a escola, para trocar informações e avaliar, conjuntamente, os progressos ou as dificuldades do aluno; c) Não obtendo êxito, a equipe técnica do CRAS, preenche a FICAR, elabora relatório com informações adicionais (se necessário) e encaminha ao Conselho Tutelar. g) Obtendo êxito, preenche a ficha e devolve a escola, guardando cópia em seus arquivos. C Conselho Tutelar a) De posse da informação sobre o aluno evadido ou infreqüente, o Conselho Tutelar realiza o atendimento da criança/adolescente e seus pais ou responsável, conscientizando-os da importância da educação escolar de seus filhos, além de alertá-los que a vaga comprometida tem utilidade pública e como tal, deve ser valorizada pela família, pelo estudante e pela comunidade. b) Procede a aplicação das medidas adequadas ao caso: medidas de proteção pertinentes a criança ou adolescente (art.102-eca) ou medidas aos pais ou responsável(art.129 ECA), requisitando na sua execução a quem de direito, serviços públicos necessários, nos termos do art ECA c) Obtendo sucesso, preenche a FICAR e devolve a escola, guardando copia em seus arquivos; e) Não obtendo sucesso, preenche a ficha, elabora relatório sintético e encaminha ao Ministério Público/Promotoria da Infância e Juventude. D Ministério Público a) De posse da informação, o Promotor de Justiça busca o retorno do aluno a escola, notificando e ouvindo os responsáveis e o aluno sobre os motivos da evasão ou baixo rendimento; b) Obtendo êxito, efetua os registros na ficha, devolve a escola e guardando cópia em seus arquivos. 9
10 c) Confirma o retorno do aluno e expede ofício aos pais ou responsáveis, parabenizando-os pelo retorno de seu filho a escola ou pela melhoria do aproveitamento escolar; d) Se houver dolo dos pais, promove a responsabilidade na forma do art. 249 do ECA e art. 246 do código penal; e) Se a evasão é decorrente de problemas no sistema de ensino, propõe termo de ajustamento ou promove medidas judiciais ou extra-judiciais cabíveis; f) Registra eventual ajuizamento ou encerramento do caso e devolve a ficha a escola guardando cópia em seus arquivos. E Poder Judiciário: a) Dá prioridade as audiências coletivas ou individuais nos processo e procedimentos originados pelo Projeto Desistência Educacional Zero ; b) Responsabiliza os comprovadamente omissos; c) Determina o retorno do aluno a escola como medida de proteção. 11 Procedimentos para processamento dos dados coletados (estatística). a) Obtendo sucesso, ou seja, o retorno do aluno a escola ou a melhoria do seu rendimento escolar, qualquer dos órgãos parceiros deve preencher a ficha com as informações solicitadas e devolvêla a escola. b) Se mesmo após a mobilização de toda a rede institucional, o resultado não for satisfatório, a ficha dever ser devidamente preenchida com todas as informações sobre a intervenção efetuada e devolvida a escola; c) Mensalmente, a coordenação recolherá cópias das fichas para: - Analise e tratamento estatístico das informações, consolidando os dados em forma de relatório. - Envio de relatórios mensais aos demais parceiros;. - Elaboração de relatório anual de desempenho do projeto e envio dos resultados para da rede de atendimento a criança e ao adolescente como forma de subsidiar a elaboração das políticas públicas na área da Infância e Juventude e educação; Observação: Enquanto não for finalizada a tramitação da Ficha, o aluno terá matrícula garantida na escola; 12 APOIO FINANCEIRO: Inicialmente, as despesas do projeto serão diluídas nos orçamentos de cada um dos parceiros. Contudo, é desejável buscar recursos financeiros através de acordo com outras instituições ou organizações. 13 MONITORAMENTO: O monitoramento das ações consiste no acompanhamento e avaliação mensal do trabalho, de forma a solucionar problemas operacionais e propor alterações no projeto. A atividade será realizada através de dois instrumentos complementares: a produção de relatórios mensais, contendo dados quantitativos e 10
11 qualitativos e a realização de reuniões com os parceiros, para análise do relatório e discussão dos problemas, limites, possibilidades, alternativas de solução ou necessidade de promover mudanças e adaptações. As unidades escolares comportam um grande número de agentes (professores, equipe técnica, diretores) que serão apoiados e orientados nos procedimentos operacionais de rotina e representados nas reuniões de avaliação, por um profissional indicado pela direção da escola. Para aperfeiçoar o monitoramento, a coordenação realizará visitas às escolas, em sistema de rodízio, ouvindo os professores, técnicos e diretores e realizando reuniões com pais ou responsáveis. 14 AVALIAÇÃO: O projeto sofrerá quatro avaliações que coincidirão com o final do bimestre letivo. Nessas atividades, serão observados os seguintes indicadores: Percentual de alunos evadidos que retornaram a escola; Percentual de diminuição de faltas, consecutivas ou alternadas; Melhoria no rendimento escolar; Nº de medidas de proteção aplicadas pelo Conselho Tutelar; Nº de medidas judiciais e extra judiciais-aplicadas; Percentual de atividades planejadas e executadas pelos parceiros, de forma articulada; Nº de matrículas suplementares. 11
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