Tema A - Inventário e imparidades
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- Helena Marques Valverde
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1 Formação Eventual Tema A - Inventário e imparidades EVE0213A José Pedro Farinha Tema B - Regras de emissão e comunicação de guias de transporte e faturação Paula Franco Jorge Carrapiço Revisto por Técnicos da Autoridade Tributária e Aduaneira EVE0213B Junho 2013
2 EVE0213A Inventário e imparidades Tema A Índice Nota Prévia 11 Acrónimos 13 Enquadramento 15 Imparidade de Ativos NCRF 12 e outras 25 VALOR DE USO (EXEMPLO) 27 NCRF 18 - Imparidades em Inventários 31 NCRF 12 e a NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis 33 NCRF 12 e a NCRF 6 Ativos Intangíveis 37 NCRF 27 Imparidades em Instrumentos Financeiros 41 NCRF 12 e a NCRF11 Propriedades de Investimento 47 NCRF 12 e a NCRF 8 Ativos não Correntes Detidos para Venda e Unidades Operacionais Descontinuadas 53 NCRF 12 e a NCRF 14 Concentrações de Atividades Empresariais 55 NCRF 12 e a NCRF 25 Impostos sobre o rendimento 59 Campo 718 e 762 Imparidades 61 Campo 722 Créditos Incobráveis 63 Campo 719 e 763 Depreciações e outras Desvalorizações 65 Conclusão 69 Bibliografia 71 Sites 73 2
3 EVE0213A Inventário e imparidades Tema B Índice 1. Introdução Alterações no Regime dos Bens em Circulação Introdução Emissão dos documentos de transporte Processamento dos documentos de transporte Impressão dos documentos de transporte Elementos obrigatórios dos documentos de transporte Anulação dos documentos de transporte emitidos e comunicados Documento de transporte global Alterações no decurso do transporte ou não aceitação dos bens pelo adquirente ou destinatário Situações específicas A comunicação à AT dos elementos dos documentos de transporte Obrigação e dispensa Formas de comunicação Comunicação por transmissão eletrónica de dados Comunicação dos documentos por Webservice Comunicação dos documentos de transporte por SAF-T- (PT) Registo direto no Portal das Finanças (E-Fatura) Comunicação por via telefónica Código de identificação Situação de inoperacionalidade Infração Criação de subutilizadores no Portal das Finanças Tipografia autorizadas Obrigações das tipografias Utilização de DT impressos em papel tipográfico Perguntas e respostas frequentes (FAQ s) Questões de emissão e processamento do DT Questões sobre infrações Questões sobre comunicação à AT Questões sobre tipografias autorizadas 130 3
4 EVE0213A Inventário e imparidades 5.5. Questões excecionais ou especiais Decreto-Lei 147/ Regime dos Bens em Circulação Artigos e comentários Artigo 1.º Artigo 2.º Artigo 3.º Artigo 4.º Artigo 5.º Artigo 6.º Artigo 7.º Artigo 8.º Artigo 9.º Artigo 10.º Artigo 11.º Artigo 12.º Artigo 13.º Artigo 14.º Artigo 15.º Artigo 16.º Artigo 17.º Artigo 18.º Artigo 19.º Faturação Novas regras Introdução Alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2012 de 24 de agosto Faturação eletrónica Obrigatoriedade de emissão de faturas Faturas SimplificadaS Outras alterações introduzidas pelo Decreto-Lei 197/ Processamento das faturas Faturas-recibos emitidas no Portal das Finanças ( Comunicação das faturas Perguntas e respostas frequentes (FAQ s) sobre faturação ANEXOS Minutas para acompanhar os bens excluídos das obrigações de documento de transporte nos termos do art. 3.º Documento comprovativo do transporte de bens pertencentes ao ativo imobilizado Documento comprovativo do transporte de bens pertencentes a um particular Documento comprovativo do transporte de bens provenientes dos produtores agrícolas, apícolas silvícolas ou de pecuária, transportados pelo próprio 238 4
5 EVE0213A Inventário e imparidades Documento comprovativo do transporte de bens provenientes dos produtores agrícolas, apícolas silvícolas ou de pecuária, transportados por conta do produtor Minutas de um documento de entregas efetiva Minutas de um documento de folha de obras ou de consumos Portaria N.º 162/2013 de 23 de Abril Ofício-Circulado N.º ,SIVA, DE BIBLIOGRAFIA 247 5
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7 Formação Eventual Tema A - Inventário e imparidades EVE0213A José Pedro Farinha Junho 2013
8 EVE0213A Inventário e imparidades FICHA TÉCNICA Título: Inventário e imparidades Autores: José Pedro Farinha Capa e paginação: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OTOC Impresso por Jorge Fernandes Artes Gráficas em maio de 2013 Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, 2013 Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não o indicado, sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, entidade que detém os direitos de autor. 8
9 EVE0213A Inventário e imparidades Tema A Índice Nota Prévia 9 Acrónimos 11 Enquadramento 13 Imparidade de Ativos NCRF 12 e outras 23 VALOR DE USO (EXEMPLO) 25 NCRF 18 - Imparidades em Inventários 29 NCRF 12 e a NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis 31 NCRF 12 e a NCRF 6 Ativos Intangíveis 35 NCRF 27 Imparidades em Instrumentos Financeiros 39 NCRF 12 e a NCRF11 Propriedades de Investimento 45 NCRF 12 e a NCRF 8 Ativos não Correntes Detidos para Venda e Unidades Operacionais Descontinuadas 51 NCRF 12 e a NCRF 14 Concentrações de Atividades Empresariais 53 NCRF 12 e a NCRF 25 Impostos sobre o rendimento 57 Campo 718 e 762 Imparidades 59 Campo 722 Créditos Incobráveis 61 Campo 719 e 763 Depreciações e outras Desvalorizações 63 Conclusão 67 Bibliografia 69 Sites 71 9
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11 EVE0213A Inventário e imparidades Nota Prévia Ao tomar a iniciativa de mandar elaborar o presente manual, bem como o material de apoio ao desenvolvimento de um conjunto alargado de ações de formação, a direção da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, pretende com certeza, contribuir para a consolidação e difusão das Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro relacionadas com os Inventários e Imparidades na perspetiva de um mais amplo conhecimento de todos os seus profissionais. O manual que se apresenta tem por finalidade dotar os responsáveis/gestores das empresas em geral e os técnicos oficiais de contas em particular com instrumentos/ferramentas que os atualizem perante o normativo e a moderna gestão empresarial. Para isso, o presente trabalho procura compilar e contribuir com métodos e técnicas, bem como fornecer pistas para a abordagem dos casos práticos do quotidiano. Tais instrumentos permitem capacitar gestores e técnicos oficiais de contas para atingir alguns objetivos essenciais, tais como: Identificar o melhor tratamento para os Inventários. Identificar o melhor tratamento para os testes de Imparidades. Relacionar a NCRF 12 - Imparidades com as outras normas do SNC relacionadas com Ativos. Identificar em que condições se devem realizar testes de imparidade e quais as consequências dos mesmos nos ativos da empresa e nos seus resultados contabilístico e fiscais. Este trabalho tem como objetivo, auxiliar os utentes da Informação Financeira, em especial os seus preparadores. Para se dar por cumprido este objetivo, considerou-se pertinente fazer uma abordagem prática a alguns problemas que poderão ser comuns a várias entidades, de forma a encontrar soluções nas NCRF e, assim abrir o apetite para a leitura das mesmas de forma a conseguirmos resolver os nossos problemas sustentadamente. 11
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13 EVE0213A Inventário e imparidades Acrónimos ASB Accounting Standards Board CNC Comissão de Normalização Contabilística OTOC Ordem dos Técnicos Oficias de Contas IASB Internacional Accounting Standrads Board IFRS - International Financial Reporting Standards NCRF Normas de Contabilidade e Relato Financeiro POC Plano Oficial de Contabilidade SNC Sistema de Normalização Contabilística 13
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15 EVE0213A Inventário e imparidades Enquadramento As demonstrações financeiras retratam os efeitos financeiros das transações e de outros acontecimentos ao agrupá-los em grandes classes de acordo com as suas características económicas. Estas grandes classes são constituídas pelos elementos das demonstrações financeiras. Os elementos diretamente relacionados com a mensuração da posição financeira no balanço são os ativos, os passivos e os capitais próprios. Os elementos diretamente relacionados com a mensuração do desempenho na demonstração dos resultados são os rendimentos e os gastos. A demonstração de alterações na posição financeira reflete geralmente elementos da demonstração dos resultados e as alterações de elementos do balanço; por isso a Estrutura Conceptual não identifica nenhuns elementos que sejam exclusivos daquela demonstração. A apresentação destes elementos no balanço e na demonstração dos resultados envolve um processo de subclassificação. Os ativos e passivos podem ser classificados pela sua natureza ou função nas atividades da entidade a fim de mostrar a informação da maneira mais útil aos utentes para fins de tomada de decisões económicas. Elementos relacionados com a mensuração da posição financeira: Ativos Passivos Capital Próprio Estes elementos são definidos como segue: Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de acontecimentos passados e do qual se espera que fluam para a entidade benefícios económicos futuros; Passivo é uma obrigação presente da entidade proveniente de acontecimentos passados, da liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de recursos da entidade incorporando benefícios económicos; Capital próprio é o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzir todos os seus passivos. As definições de ativo e de passivo identificam as suas características essenciais mas não tentam especificar os critérios que necessitam de ser satisfeitos antes de serem reconhecidos no balanço. Particularmente, a expectativa de que benefícios económicos futuros fluirão para ou de uma entidade tem de ser suficientemente certa para ir de encontro ao critério da probabilidade do parágrafo 81 da Estrutura Conceptual antes de um ativo ou passivo ser reconhecido. Ao avaliar se um item satisfaz a definição de ativo, passivo ou capital próprio, é preciso dar atenção à sua subjacente substância e realidade económica e não meramente à sua forma legal. Por conseguinte, por exemplo, no caso das locações financeiras, a substância e realidade económica são as de que o locatário adquire os benefícios económicos do uso do ativo locado para a maior parte da sua vida útil em troca de registar uma obrigação de pagar por esse direito uma quantia aproximada ao respetivo justo valor do ativo e respetivo encargo financeiro. Daqui que, a loca- 15
16 EVE0213A Inventário e imparidades ção financeira dê origem a itens que satisfazem a definição de ativo e passivo e são reconhecidos como tais no balanço do locatário. Os benefícios económicos futuros incorporados num ativo são o potencial de contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa e equivalentes de caixa para a entidade. O potencial pode ser um potencial produtivo que faça parte das atividades operacionais da entidade. Pode também tomar a forma de convertibilidade em caixa ou equivalentes de caixa ou a capacidade de reduzir os exfluxos de caixa, tais como quando um processo alternativo de fabricação baixe os custos de produção. Uma entidade emprega geralmente os seus ativos para produzir bens ou serviços capazes de satisfazer os desejos ou as necessidades de clientes; pelo facto de estes bens e serviços poderem satisfazer esses desejos ou necessidades, os clientes estão preparados para pagá-los, contribuindo assim para o fluxo de caixa da entidade. O próprio dinheiro presta um serviço à entidade por causa da sua predominância sobre os outros recursos. Os benefícios económicos futuros incorporados num ativo podem fluir para a entidade de diferentes maneiras. Por exemplo, um ativo pode ser: (a) usado isoladamente ou em combinação com outros ativos na produção de bens ou serviços para serem vendidos pela entidade; (b) trocado por outros ativos; (c) usado para liquidar um passivo; ou (d) distribuído aos proprietários da entidade. Muitos ativos, por exemplo, ativos fixos tangíveis, têm uma forma física. Porém, a forma física não é essencial à existência de um ativo; daqui que as patentes e os direitos de autor, por exemplo, sejam ativos se se espera que deles fluam benefícios económicos futuros para a entidade e se eles forem controlados pela entidade. Muitos ativos, por exemplo, as dívidas a receber e propriedades, estão associados a direitos legais, incluindo o direito de propriedade. Ao determinar a existência de um ativo, o direito de propriedade não é essencial; por conseguinte, por exemplo, a propriedade detida sob locação é um ativo se a entidade controlar os benefícios que espera que fluam da propriedade. Se bem que a capacidade de uma entidade de controlar benefícios seja geralmente a consequência de direitos legais, um item pode no entanto satisfazer a definição de ativo mesmo quando não haja controlo legal. Por exemplo, o «know-how obtido das atividades de desenvolvimento pode satisfazer a definição de ativo quando, ao conservar secreto esse know-how, uma entidade controle os benefícios que espera que dele fluam. Os ativos de uma entidade resultam de transações passadas ou de outros acontecimentos passados. As entidades normalmente obtêm ativos pela sua compra ou produção, mas outras transações ou acontecimentos podem gerar ativos; incluem-se como exemplos a propriedade recebida do Governo por uma entidade como parte de um programa para encorajar o crescimento económico numa área e a descoberta de depósitos minerais. As transações ou acontecimentos que se espera que venham a ocorrer no futuro não dão por si próprios origem a ativos; daqui que, por exemplo, uma intenção de comprar inventários não satisfaz à definição de ativos. Há uma íntima associação entre dispêndios em que se incorrem e ativos que se geram mas ambos não coincidem necessariamente. Daqui que, quando uma entidade incorre em dispêndios, isto possa proporcionar prova de que benefícios económicos futuros foram procurados mas não é prova concludente de que um item que satisfaça a definição de ativo tenha sido obtido. Semelhantemente a ausência de um dispêndio relacionado não evita que um item satisfaça a definição de ativo e por conseguinte se torne um candidato ao reconhecimento no balanço; por exemplo, 16
17 EVE0213A Inventário e imparidades itens que tenham sido doados à entidade podem satisfazer a definição de ativo. Uma característica essencial de um passivo é a de que a entidade tenha uma obrigação presente. Uma obrigação é um dever ou responsabilidade para agir ou executar de certa maneira. As obrigações podem ser legalmente impostas como consequência de um contrato vinculativo ou de requisito estatutário. Este é geralmente o caso, por exemplo, de quantias a pagar por bens e serviços recebidos. As obrigações também surgem, porém, das práticas normais dos negócios, costumes e de um desejo de manter boas relações negociais ou de agir de maneira equilibrada. Se, por exemplo, uma entidade decidir como questão de política retificar deficiências nos seus produtos mesmo quando estas se tornem evidentes após o período de garantia ter expirado, são passivos as quantias que se espera que sejam gastas respeitantes a bens já vendidos. Deve distinguir-se entre uma obrigação presente e um compromisso futuro. Por exemplo, uma decisão do órgão de gestão de uma entidade para adquirir ativos no futuro não dá, por si própria, origem a uma obrigação presente. Normalmente uma obrigação surge somente quando o ativo é entregue ou a entidade entra num acordo irrevogável para adquirir o ativo. No último caso, a natureza irrevogável do acordo significa que as consequências económicas da falha de honrar o compromisso, por exemplo, por causa da existência de uma penalidade substancial, deixa a entidade com pouca ou nenhuma margem para evitar o exfluxo de recursos para uma outra parte. A liquidação de uma obrigação presente envolve geralmente que a entidade ceda recursos, incorporando benefícios económicos, a fim de satisfazer a reivindicação da outra parte. Os passivos resultam de operações passadas ou de outros acontecimentos passados. Assim, por exemplo, a aquisição de bens e o uso de serviços dão origem a dívidas comerciais a pagar (a menos que pagos adiantadamente ou no ato da entrega) e o recebimento de um empréstimo bancário resulta numa obrigação de pagar o empréstimo. Uma entidade pode também reconhecer como passivos os descontos futuros baseados nas compras anuais feitas por clientes; neste caso, a venda de bens no passado é a operação que dá origem ao passivo. Alguns passivos só podem ser mensurados usando um grau substancial de estimativa, designando-se estes passivos como provisões. Quando uma provisão envolva uma obrigação presente e satisfaça a definição de passivo, ela é reconhecida como um passivo mesmo que a respetiva quantia tenha de ser estimada. Como exemplos indicam-se as provisões para pagamentos a serem feitos relativamente a garantias existentes e provisões para cobrir as obrigações de pensões de reforma. Embora o capital próprio seja definido como um resíduo, ele pode ser sub-classificado no balanço. Por exemplo, numa sociedade, os fundos contribuídos pelos acionistas, os resultados transitados, as reservas que representem apropriações de resultados transitados e as reservas que representem ajustamentos de manutenção do capital podem ser mostradas separadamente. Tais classificações podem ser relevantes para as necessidades de tomada de decisões dos utentes das demonstrações financeiras quando indiquem restrições legais ou outras sobre a capacidade da entidade distribuir ou, de outra maneira, aplicar o seu capital próprio. Podem também refletir o facto de detentores de capital numa entidade terem direitos diferentes em relação ao recebimento de dividendos ou ao reembolso de capital próprio contribuído. A criação de reservas é algumas vezes exigida pelos estatutos ou por outra legislação a fim de dar à entidade e aos seus credores uma medida adicional de proteção dos efeitos de perdas. Podem ser estabelecidas outras reservas se a legislação fiscal nacional conceder isenções de, ou redução em, passivos fiscais quando sejam feitas transferências para tais reservas. A existência e dimensão destas reservas legais, estatutárias e fiscais é informação que pode ser relevante para as necessidades de tomada de decisão dos utentes. A quantia pela qual o capital próprio é mostrado no balanço está dependente da mensuração dos ativos e dos passivos. Normalmente, a quantia agregada do capital próprio somente por coinci- 17
18 EVE0213A Inventário e imparidades dência corresponde ao valor de mercado agregado das ações da entidade ou à soma que poderia ser obtida pela alienação quer dos ativos líquidos numa base fragmentária quer da entidade como um todo segundo o pressuposto da continuidade. O lucro é frequentemente usado como uma medida de desempenho ou como a base para outras mensurações, tais como o retorno do investimento ou os resultados por ação. Os elementos diretamente relacionados com a mensuração do lucro são: Rendimentos Gastos. Os elementos de rendimentos e de gastos são definidos como se segue: Rendimentos são aumentos nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de influxos ou aumentos de ativos ou diminuições de passivos que resultem em aumentos no capital próprio, que não sejam os relacionados com as contribuições dos participantes no capital próprio; Gastos são diminuições nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos de ativos ou na incorrência de passivos que resultem em diminuições do capital próprio, que não sejam as relacionadas com distribuições aos participantes no capital próprio. As definições de rendimentos e de gastos identificam as suas características essenciais mas não tentam especificar os critérios que necessitarão de ser satisfeitos antes de serem reconhecidos na demonstração dos resultados. Os critérios para o reconhecimento de rendimentos e de gastos são tratados nos parágrafos 80 a 96 da Estrutura Conceptual. Os rendimentos e os gastos são apresentados na demonstração dos resultados de formas diversificadas, a fim de proporcionar informação que seja relevante para a tomada de decisões económicas. Esta diversificação é feita na base de que a origem de um item é relevante na avaliação da capacidade da entidade gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro. A definição de rendimentos engloba quer réditos quer ganhos. Os réditos provêm do decurso das atividades correntes (ou ordinárias) de uma entidade sendo referidos por uma variedade de nomes diferentes incluindo vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e rendas. Os ganhos representam outros itens que satisfaçam a definição de rendimentos e podem, ou não, provir do decurso das atividades correntes (ou ordinárias) de uma entidade. Os ganhos representam aumentos em benefícios económicos e como tal não são de natureza diferente do rédito. Os ganhos, incluem, por exemplo, os que provêm da alienação de ativos não correntes. A definição de rendimentos também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que provenham da revalorização de títulos negociáveis e os que resultem de aumentos na quantia escriturada de ativos a longo prazo. Quando os ganhos sejam reconhecidos na demonstração dos resultados, eles são geralmente apresentados em separado porque o seu conhecimento é útil para o propósito de tomar decisões económicas. Vários ativos podem ser recebidos ou aumentados através dos rendimentos; exemplos incluem o dinheiro, dívidas a receber e bens e serviços recebidos por troca de bens e serviços fornecidos. Os rendimentos podem também resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, uma entidade pode fornecer bens e serviços a um mutuante em liquidação de uma obrigação para reembolsar um empréstimo por liquidar. A definição de gastos engloba perdas assim como aqueles gastos que resultem do decurso das atividades correntes (ou ordinárias) da entidade. Os gastos que resultem do decurso das atividades ordinárias da entidade incluem, por exemplo, o custo das vendas, os salários e as depreciações. 18
19 EVE0213A Inventário e imparidades Tomam geralmente a forma de um exfluxo ou deperecimento de ativos tais como dinheiro e seus equivalentes, existências e ativos fixos tangíveis. As perdas representam outros itens que satisfaçam a definição de gastos e podem, ou não, surgir no decurso das atividades ordinárias da entidade. As perdas representam diminuições em benefícios económicos e como tal não são na sua natureza diferentes de outros gastos. Daqui que não sejam vistas como um elemento separado nesta Estrutura Conceptual. As perdas incluem, por exemplo, as que resultam de desastres como os incêndios e as inundações bem como as que provêm da alienação de ativos não correntes. A definição de gastos também inclui perdas não realizadas como, por exemplo, as provenientes dos efeitos do aumento da taxa de câmbio de uma moeda estrangeira respeitante a empréstimos obtidos de uma entidade nessa moeda. Quando as perdas forem reconhecidas na demonstração dos resultados, elas são geralmente mostradas separadamente porque o conhecimento das mesmas é útil para finalidades de tomar decisões económicas. Um item que satisfaça a definição de uma classe (Ativo, Passivo, Capital Próprio, Rendimento ou Gasto) deve ser reconhecido se: for provável que qualquer benefício económico futuro associado com o item flua para ou da entidade, e o item tiver um custo ou um valor que possa ser mensurado com fiabilidade. Em muitos casos, o custo ou o valor precisam de ser estimados; o uso de estimativas razoáveis é uma parte essencial da preparação das demonstrações financeiras e não destrói a sua fiabilidade. Quando, porém, uma estimativa razoável não possa ser feita o item não é reconhecido no balanço ou na demonstração dos resultados. Mensuração é o processo de determinar as quantias monetárias pelas quais os elementos das demonstrações financeiras devam ser reconhecidos e inscritos no balanço e na demonstração dos resultados. Para isso há que selecionar a base particular de mensuração mais adequada: Custo histórico. Os ativos são registados pela quantia de caixa, ou equivalentes de caixa paga ou pelo justo valor da retribuição dada para os adquirir no momento da sua aquisição. Os passivos são registados pela quantia dos proventos recebidos em troca da obrigação, ou em algumas circunstâncias (por exemplo, impostos sobre o rendimento), pelas quantias de caixa, ou de equivalentes de caixa, que se espera que venham a ser pagas para satisfazer o passivo no decurso normal dos negócios. Custo corrente. Os ativos são registados pela quantia de caixa ou de equivalentes de caixa que teria de ser paga se o mesmo ou um ativo equivalente fosse correntemente adquirido. Os passivos são registados pela quantia não descontada de caixa, ou de equivalentes de caixa, que seria necessária para liquidar correntemente a obrigação. Valor realizável (de liquidação). Os ativos são registados pela quantia de caixa, ou equivalentes de caixa, que possa ser correntemente obtida ao vender o ativo numa alienação ordenada. Os passivos são escriturados pelos seus valores de liquidação; isto é, as quantias não descontadas de caixa ou equivalentes de caixa que se espera que sejam pagas para satisfazer os passivos no decurso normal dos negócios. Valor presente. Os ativos são escriturados pelo valor presente descontado dos futuros influxos líquidos de caixa que se espera que o item gere no decurso normal dos negócios. Os passivos são escriturados pelo valor presente descontado dos futuros exfluxos líquidos de caixa que se espera que sejam necessários para liquidar os passivos no decurso normal dos negócios. Justo valor. Quantia pela qual um ativo poderia ser trocado ou um passivo liquidado, 19
20 EVE0213A Inventário e imparidades entre partes conhecedoras e dispostas a isso, numa transação em que não exista relacionamento entre elas. A base de mensuração geralmente adotada pelas entidades ao preparar as suas demonstrações financeiras é o custo histórico. Este é geralmente combinado com outras bases de mensuração. Por exemplo, os inventários são geralmente escriturados pelo mais baixo do custo ou do valor realizável líquido, os títulos negociáveis podem ser escriturados pelo seu valor de mercado e os passivos por pensões de reforma são escriturados pelo seu valor presente. Na resolução dos nossos casos do dia-a-dia, devemos procurar seguir os quatro pilares do normativo, tal como definidos na Estrutura Conceptual: I. Reconhecimento, o quê e quando contabilizamos algo; II. Mensuração, porque valores contabilizamos e apresentamos algo; III. Apresentação, como e onde aparecem os itens nas demonstrações financeiras; IV. Divulgação, informação narrativa sobre os itens das demonstrações financeiras. De facto o objetivo principal da contabilidade é proporcionar informação útil para que os seus utentes possam tomar decisões económicas a partir dela, assim é preciso apresentar as demonstrações financeiras que resumem os itens que foram reconhecidos e mensurados de acordo com as várias normas, mas é fundamental que essa informação seja entendida por quem a lê, para isso há que dar especial importância à divulgação, que consiste em apresentar informação narrativa sobre as demonstrações financeiras apresentadas, contribuindo assim para uma melhor compreensão da mesma ou enriquecendo-a com mais detalhe e fundamentos. Todas as normas, sem exceção, têm pelo menos um capítulo sobre divulgação, que nos indica as obrigações mínimas de divulgação para as matérias abordadas na respetiva norma. Os preparadores da informação devem ainda enriquecer o anexo (peça das demonstrações financeiras que se dedica à divulgação, ou seja, informação narrativa) com informação sobre a forma como foram preparadas, produzidas e apresentadas as demonstrações financeiras e com outra informação que se mostre relevante para uma melhor compreensão da posição financeira e dos resultados. 20
21 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 18 Inventários O objetivo desta Norma Contabilística e de Relato Financeiro é o de prescrever o tratamento para os Inventários. Esta Norma exige que os mesmos sejam reconhecidos como um ativo até que sejam reconhecidos os réditos associados, momento em que os inventários são escriturados como um gasto. Esta Norma deve ser utilizada como guia para a determinação do custo e no seu subsequente reconhecimento como gasto, incluindo qualquer ajustamento para o valor realizável líquido, bem como nas fórmulas de custeio usadas para atribuir custos aos inventários. Inventários (existências) são ativos: detidos para venda no decurso ordinário da atividade empresarial; no processo de produção para tal venda; ou na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de produção ou na prestação de serviços. Segundo o 9 da NCRF 18, Os inventários devem ser mensurados pelo custo ou valor realizável líquido, dos dois o mais baixo. Entende-se por valor realizável líquido, o preço de venda estimado no decurso ordinário da atividade empresarial menos os custos estimados de acabamento e os custos estimados necessários para efetuar a venda. Note-se que o conceito de valor realizável líquido é diferente do conceito de justo valor, na medida em que o valor realizável líquido refere-se à quantia líquida que uma entidade espera realizar com a venda do inventário no decurso ordinário da atividade empresarial e o justo valor reflete a quantia pela qual o mesmo inventário poderia ser trocado entre compradores e vendedores conhecedores e dispostos a isso. O primeiro é um valor específico de uma entidade, ao passo que o segundo já não é. Assim, o valor realizável líquido dos inventários pode não ser equivalente ao justo valor menos os custos de vender. O custo dos inventários deve incluir todos os custos de compra, custos de conversão e outros custos incorridos para colocar os inventários no seu local e na sua condição atuais. Entendem-se por custo de compra, o preço de compra, direitos de importação e outros impostos não recuperáveis e custos de transporte, manuseamento e outros custos diretamente atribuíveis à aquisição de bens acabados, de materiais e de serviços. A estes valores serão deduzidos os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes. Os custos de conversão de inventários incluem os custos diretamente relacionados com as unidades de produção, tais como mão-de-obra direta. Também incluem uma imputação sistemática de gastos gerais de produção fixos e variáveis que sejam incorridos ao converter matérias em bens acabados. Os Custos Fixos são aqueles que se mantém constantes num determinado período de tempo, independentemente da atividade desenvolvida ou do nível de utilização da capacidade instalada. Os Custos Variáveis são aqueles que variam com o nível de atividade e são totalmente imputados aos custos de conversão, já a imputação de gastos gerais de produção fixos aos custos de conversão é baseada na capacidade normal das instalações de produção. 21
22 EVE0213A Inventário e imparidades Assim, aplicamos o sistema de custeio racional na imputação dos custos fixos aos custos de conversão, de facto este método de imputação tem por objetivo eliminar, ou melhor isolar, os efeitos de uma variação de atividade sobre os custos, quer dos centros de custos quer dos produtos. Pois, os Custos Fixos industriais são imputados à produção numa base proporcional em função da relação entre a produção real e a que se considera normal: CF * Produção real Produção normal Os Custos Fixos industriais não incorporados à produção são custos do período: CF * 100% - Produção real Produção normal Assim, determina-se qual a parte dos custos fixos que serão considerados como custo do produto, i.e., incorporável nos produtos saídos da fábrica; e qual a parte dos custos fixos que será considerada como custo do período, i.e., suportada no período para a obtenção dos proveitos e que não respeitam ao processo de fabrico. Outros custos somente são incluídos nos custos dos inventários até ao ponto em que sejam incorridos para os colocar no seu local e na sua condição atuais. Por exemplo, pode ser apropriado incluir no custo dos inventários gastos gerais que não sejam industriais ou os custos de conceção de produtos para clientes específicos. No entanto, a norma identifica alguns custos que são excluídos do custo dos inventários: quantias anormais de materiais desperdiçados, de mão-de-obra ou de outros custos de produção; custos de armazenamento, a menos que esses custos sejam necessários ao processo de produção antes de uma nova fase de produção; gastos gerais administrativos que não contribuam para colocar os inventários no seu local e na sua condição atuais; e custos de vender. Quando os inventários forem vendidos, a quantia escriturada desses inventários deve ser reconhecida como um gasto do período em que o respetivo rédito seja reconhecido, existem várias fórmulas de custeio para o efeito: Sempre que possível são atribuídos custos específicos a elementos específicos. A identificação específica do custo significa que são atribuídos custos específicos a elementos identificados de inventário. Este é o tratamento apropriado para os itens que sejam segregados para um projeto específico, independentemente de eles terem sido comprados ou produzidos. Porém, quando haja grandes quantidades de itens de inventário que sejam geralmente intermutáveis, a identificação específica de custos não é apropriada. Em tais circunstâncias, o método de seleção dos itens que permanecem nos inventários poderia ser usado para obter efeitos predeterminados nos resultados. O custo dos inventários, que não sejam atribuídos custos específicos, deve ser atribuído 22
23 EVE0213A Inventário e imparidades pelo uso da fórmula primeira entrada, primeira saída (FIFO) ou da fórmula do custeio médio ponderado. Uma entidade deve usar a mesma fórmula de custeio para todos os inventários que tenham uma natureza e um uso semelhantes para a entidade. Para os inventários que tenham outra natureza ou uso, poderão justificar-se diferentes fórmulas de custeio. A fórmula FIFO pressupõe que os itens de inventário que foram comprados ou produzidos primeiro sejam vendidos em primeiro lugar e consequentemente os itens que permanecerem em inventário no fim do período sejam os itens mais recentemente comprados ou produzidos. Pela fórmula do custo médio ponderado, o custo de cada item é determinado a partir da média ponderada do custo de itens semelhantes no começo de um período e do custo de itens semelhantes comprados ou produzidos durante o período. A quantia de qualquer ajustamento dos inventários para o valor realizável líquido e todas as perdas de inventários devem ser reconhecidas como um gasto do período em que o ajustamento ou perda ocorra. A quantia de qualquer reversão do ajustamento de inventários, proveniente de um aumento no valor realizável líquido, deve ser reconhecida como uma redução na quantia de inventários reconhecida como um gasto no período em que a reversão ocorra. Exemplo: A empresa Brilha no Escuro, Lda dedica-se à fabricação de holofotes LED de 70W, tendo apresentado, no mês de Março de 2013, os seguintes elementos: - Produção do mês: unidades - Produção média prevista para os próximos 5 anos: unid./ano - Matérias-primas incorporadas: 19,25 /unidade - Custos de conversão (variáveis): 6,5 /unidade - Custos de conversão (fixos): Qual o custo a imputar ao produto? Qual o custo a reconhecer como gasto do período? Resolução: O custo a imputar ao produto e o custo a reconhecer como gasto do período serão os seguintes: Produção normal mensal = unidades Unidade de Imputação dos custos fixos = / = 16 Custo a imputar ao produto: = 19,25 x ,5 x (1200 x 16)= Custo unitário: = / = 41,75 Custo Período: = (1200 x 16) =
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25 EVE0213A Inventário e imparidades Imparidade de Ativos NCRF 12 e outras O grande desafio que se coloca é como garantir que uma entidade não tem os seus ativos escriturados por um valor superior à sua quantia recuperável. Um ativo é escriturado por mais do que a sua quantia recuperável se a sua quantia escriturada exceder a quantia a ser recuperada através do uso ou venda do ativo. Se este for o caso, o ativo é descrito como estando com imparidade e a(s) Norma(s) exige(m) que a entidade reconheça uma perda por imparidade. Por outro lado é necessário especificar as circunstâncias em que uma entidade deve reverter uma perda por imparidade. A cada data de relato, uma entidade deve avaliar em se existe qualquer indicação de que um ativo possa estar com imparidade. Se existir qualquer indicação, interna ou externa, a entidade deve estimar a quantia recuperável do mesmo. Independentemente de existir ou não qualquer indicação de imparidade, uma entidade deve também: Testar anualmente a imparidade dos ativos intangíveis com uma vida útil indefinida comparando a sua quantia escriturada com a sua quantia recuperável. Testar anualmente a imparidade do goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais. Existem diversas fontes de informação que nos permitem obter suspeitas de que os ativos possam estar em imparidade, essas fontes de informação dividem-se em dois grandes grupos, fontes externas e fontes internas de informação: Fontes externas de informação Durante o período, o valor de mercado de um ativo diminuiu significativamente mais do que seria esperado como resultado da passagem do tempo ou do uso normal. Ocorreram, durante o período, ou irão ocorrer no futuro próximo, alterações significativas com um efeito adverso na entidade, relativas ao ambiente tecnológico, de mercado, económico ou legal em que a entidade opera ou no mercado ao qual o ativo está dedicado. As taxas de juro de mercado ou outras taxas de mercado de retorno de investimentos aumentaram durante o período, e esses aumentos provavelmente afetarão a taxa de desconto usada no cálculo do valor de uso de um ativo e diminuirão materialmente a quantia recuperável do ativo. A quantia escriturada dos ativos líquidos da entidade é superior à sua capitalização de mercado. Fontes internas de informação Está disponível evidência de obsolescência ou dano físico de um ativo. Alterações significativas com um efeito adverso na entidade ocorreram durante o período, ou espera-se que ocorram num futuro próximo, até ao ponto em que, ou 25
26 EVE0213A Inventário e imparidades na forma em que, um ativo seja usado ou se espera que seja usado. Estas alterações incluem um ativo que se tornou ocioso, planos para descontinuar ou reestruturar a unidade operacional a que o ativo pertence, planos para alienar um ativo antes da data anteriormente esperada, e a reavaliação da vida útil de um ativo como finita em vez de indefinida. Existe evidência nos relatórios internos que indica que o desempenho económico de um ativo é, ou será, pior do que o esperado. Estas fontes de informação, sempre que nos indicarem que um ativo possa estar em imparidade, devem provocar a realização dos testes de imparidade, que poderão demonstrar que o ativo não esteja em imparidade, no entanto os mesmos poderão sugerir uma revisão das vidas úteis, dos valores residuais e dos métodos de depreciação dos mesmos. A quantia recuperável de um ativo será sempre o valor mais alto entre o preço de venda líquido (justo valor de um ativo menos os custos de vender) e o seu valor de uso: Justo valor menos custos de vender, ou preço de venda liquido A melhor evidência do justo valor menos os custos de vender de um ativo é um preço num acordo de venda vinculativo numa transação entre partes sem qualquer relacionamento entre elas, ajustado para custos incrementais que seriam diretamente atribuíveis à alienação do ativo. Se não houver qualquer acordo de venda vinculativo mas um ativo for negociado num mercado ativo, o justo valor menos os custos de vender é o preço de mercado do ativo menos os custos com a alienação. O preço de mercado apropriado é geralmente o preço corrente de oferta de compra. Quando os preços de oferta de compra não estiverem disponíveis, o preço da transação mais recente pode proporcionar uma base a partir da qual se estime o justo valor menos os custos de vender, desde que não tenha havido uma alteração significativa nas circunstâncias económicas entre a data da transação e a data em que a estimativa seja feita. Se não houver acordo de venda vinculativo ou mercado ativo para um ativo, o justo valor menos os custos de vender é baseado na melhor informação disponível para refletir a quantia que uma entidade poderá obter, à data do balanço, da alienação do ativo numa transação entre partes conhecedoras e dispostas a isso sem qualquer relacionamento entre elas, após dedução dos custos com a alienação. Ao determinar esta quantia, uma entidade considera o desfecho de transações recentes de ativos semelhantes feitas no mesmo sector. O justo valor menos os custos de vender não reflete uma venda forçada, a não ser que a gerência seja compelida a vender imediatamente. Os seguintes elementos devem ser refletidos no cálculo do valor de uso de um ativo: Uma estimativa dos fluxos de caixa futuros que a entidade espera obter do ativo; Expectativas acerca das possíveis variações na quantia ou na tempestividade desses fluxos de caixa futuros; O valor temporal do dinheiro, representado pela taxa corrente de juro sem risco de mercado; O preço de suportar a incerteza inerente ao ativo; e Outros fatores, tais como a falta de liquidez, que os participantes do mercado refletissem no apreçamento dos fluxos de caixa futuros que a entidade espera obter do ativo. 26
27 EVE0213A Inventário e imparidades VALOR DE USO (EXEMPLO) Do equipamento A, espera-se que gere Cash flows de por ano, durante quatro anos (do momento atual, 0, até, ao ano 3), sendo alienado nessa altura por A taxa de desconto é de 5%. Valor_Uso = (1+0,05) 1 (1+0,05) 2 (1+0,05) 3 Valor_Uso = A taxa de desconto deve ser a taxa antes de impostos que reflita as avaliações correntes de mercado sobre o valor temporal do dinheiro e os riscos específicos para o ativo em relação aos quais as estimativas de fluxos de caixa futuros não tenham sido ajustadas. Uma taxa que reflita as avaliações correntes de mercado do valor temporal do dinheiro e dos riscos específicos para o ativo é o retorno que os investidores exigiriam se fossem eles a escolher um investimento que gerasse fluxos de caixa de quantias, tempestividade e perfil de risco equivalentes às que a entidade espera obter do ativo. Esta taxa é estimada a partir da taxa implícita nas transações correntes de mercado para ativos semelhantes ou a partir do custo médio ponderado do capital de uma entidade cotada em bolsa que tenha um único ativo (ou uma carteira de ativos) semelhante em termos de potencial de serviço e de riscos para o ativo em causa. Contudo, a(s) taxa(s) de desconto usada(s) para mensurar o valor de uso de um ativo não deve(m) refletir os riscos em relação aos quais as estimativas de fluxos de caixa futuros tenham sido ajustadas. De outro modo, o efeito de alguns pressupostos será tido em consideração duas vezes. Quando uma taxa de um ativo específico não estiver diretamente disponível no mercado, uma entidade usa substitutos para estimar a taxa de desconto. Para mais informação da taxa de desconto, devem ser consultados os ( 15 a 21) da NI2 - Uso de técnicas de valor presente para mensurar o valor de uso. Sempre que a quantia recuperável de um ativo for menor do que a sua quantia escriturada, a quantia escriturada do ativo deve ser reduzida para a sua quantia recuperável. Esta redução é uma perda por imparidade que deve ser reconhecida nos resultados, a não ser que o ativo seja escriturado pela quantia revalorizada de uma outra Norma, caso em que a perda por imparidade seria tratada como decréscimo de revalorização de acordo com essa outra Norma. Sempre que não for possível estimar a quantia recuperável de um ativo individual, uma entidade deve determinar a quantia recuperável da unidade geradora de caixa à qual o mesmo pertence. Entende-se por Unidade geradora de caixa, o mais pequeno grupo identificável de ativos que seja gerador de influxos de caixa e que seja em larga medida independente dos influxos de caixa de outros ativos ou grupo de ativos. Exemplo: Uma entidade mineira possui uma linha férrea privada para suportar as suas atividades mineiras. A linha férrea privada só pode ser vendida pelo valor da sucata e não gera influxos de caixa que sejam em larga medida independentes dos influxos de caixa de outros ativos da mina. Não é possível estimar a quantia recuperável da linha férrea privada porque o seu valor de uso não pode ser determinado e é provavelmente diferente do valor de sucata. Por isso, a entidade estima a quantia recuperável da unidade geradora de caixa à qual a linha férrea privada pertence, isto é, à mina como um todo. Uma perda por imparidade numa unidade geradora de caixa deve ser imputada para reduzir a quantia escriturada dos ativos da unidade pela ordem que se segue: 27
28 EVE0213A Inventário e imparidades Primeiro, para reduzir a quantia escriturada de qualquer goodwill imputado à unidade geradora de caixa; e Depois, aos outros ativos da unidade, numa base pro rata relativamente à quantia escriturada de cada ativo da unidade. Estas reduções nas quantias escrituradas devem ser tratadas como perdas por imparidade nos ativos individuais. No entanto, ao imputar uma perda por imparidade individualmente, uma entidade não deve reduzir a quantia escriturada de um ativo abaixo do mais alto de entre: o seu justo valor menos os custos de vender (caso seja determinável); o seu valor de uso (caso seja determinável); e zero. A quantia da perda por imparidade que de outra forma teria sido imputada ao ativo deve ser imputada numa base pro rata aos outros ativos da unidade. Não é reconhecida qualquer perda por imparidade do ativo se a unidade geradora de caixa relacionada não estiver com imparidade. Isto aplica-se mesmo se o justo valor menos os custos de vender do ativo for inferior à sua quantia escriturada. Sempre que tenham sido reconhecidas perdas por imparidade em ativos, uma entidade deve avaliar à data de cada relato se existe qualquer indicação de que uma perda por imparidade reconhecida em períodos anteriores relativamente a um ativo, que não o goodwill, possa já não existir ou possa ter diminuído. Se tal indicação existir, uma entidade deve estimar a quantia recuperável desse ativo. Uma perda por imparidade de um ativo, que não o goodwill, reconhecida em períodos anteriores deve ser revertida se, e apenas se, houver uma alteração nas estimativas usadas para determinar a quantia recuperável do ativo desde que a última perda por imparidade foi reconhecida. Quando assim é, a quantia escriturada do ativo deve ser aumentada até à sua quantia recuperável. Este aumento é uma reversão de uma perda por imparidade. Uma reversão de uma perda por imparidade não deve exceder a quantia escriturada que teria sido determinada (líquida de amortização ou depreciação) se nenhuma perda por imparidade tivesse sido reconhecida no ativo em anos anteriores. Uma reversão de uma perda por imparidade deve ser reconhecida imediatamente nos resultados, a não ser que o ativo esteja escriturado pela quantia revalorizada segundo uma outra Norma, qualquer reversão de uma perda por imparidade de um ativo revalorizado deve ser tratada como um acréscimo de revalorização de acordo com essa outra Norma. Após ser reconhecida uma reversão de uma perda por imparidade, o débito da depreciação do ativo deve ser ajustado em períodos futuros para imputar a quantia escriturada revista, numa base sistemática durante a sua vida útil remanescente. Exemplo: A empresa Bolos Deliciosos, Lda tem uma unidade geradora de caixa com o seguinte valor contabilístico em , após o registo das depreciações do período: Equipamento de transporte: euros; Equipamento básico: euros; Equipamento administrativo: euros; 28
29 EVE0213A Inventário e imparidades Trespasse (goodwill) euros; A vida útil remanescente de cada um destes elementos era de 10 anos. Sabendo que a quantia recuperável desta unidade geradora de caixa no final do ano 2012 era de euros e que o justo valor deduzido dos custos de venda do equipamento administrativo era de euros, identifique o procedimento contabilístico a adotar nesta data. Descrição Equipamento Transporte Equipamento Básico Equipamento Administrativo Trespasse (Goodwill) Total V. Contabilístico Perda no Goodwill ( ) ( ) Perda nos outros ativos V. Contabilístico ( ) ( ) ( ) ( )
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31 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 18 - Imparidades em Inventários O custo dos inventários pode não ser recuperável se esses inventários estiverem danificados, se se tornarem total ou parcialmente obsoletos ou se os seus preços de venda tiverem diminuído. O custo dos inventários pode também não ser recuperável se os custos estimados de acabamento ou os custos estimados a serem incorridos para realizar a venda tiverem aumentado. Assim, sempre que a quantia recuperável de um inventário for inferior à quantia escriturada do mesmo, há que reduzir o custo dos mesmos (write down) para o valor realizável líquido, o que é consistente com o ponto de vista de que os ativos não devem ser escriturados por quantias superiores àquelas que previsivelmente resultariam da sua venda ou uso (conceito de imparidade). Os inventários são geralmente reduzidos para o seu valor realizável líquido item a item, embora, em alguns casos, possa ser apropriado agrupar unidades semelhantes ou relacionadas. Pode ser o caso dos itens de inventário relacionados com a mesma linha de produtos que tenham finalidades ou usos finais semelhantes, que sejam produzidos e comercializados na mesma área geográfica e não possam ser avaliados separadamente de outros itens dessa linha de produtos. Não é apropriado reduzir inventários com base numa classificação de inventários como, por exemplo, bens acabados, ou em todos os inventários de um determinado sector ou segmento geográfico. Em cada período subsequente é feita uma nova avaliação do valor realizável líquido. Quando as circunstâncias que anteriormente resultavam em ajustamento ao valor dos inventários deixarem de existir ou quando houver uma clara evidência de um aumento no valor realizável líquido devido à alteração nas circunstâncias económicas, a quantia do ajustamento é revertida (limitada à quantia do ajustamento original) de modo a que a nova quantia escriturada seja o valor mais baixo do custo e do valor realizável líquido revisto. Isto ocorre, por exemplo, quando um item de inventários que é escriturado pelo valor realizável líquido, porque o seu preço de venda desceu, está ainda detido num período posterior e o seu preço de venda aumentou. Relembrando, valor realizável líquido é o preço de venda estimado no decurso ordinário da atividade empresarial menos os custos estimados de acabamento e os custos estimados necessários para efetuar a venda. As estimativas do valor realizável líquido são baseadas nas provas mais fiáveis disponíveis no momento em que sejam feitas as estimativas quanto à quantia que se espera que os inventários venham a realizar. Estas estimativas tomam em consideração as variações nos preços ou custos diretamente relacionados com acontecimentos que ocorram após o fim do período, na medida em que tais acontecimentos confirmem condições existentes no fim do período. Como podemos confirmar no 6 da NCRF 24 Acontecimentos após a data do balanço: 6. Exemplos de acontecimentos ocorridos após a data do balanço que dão lugar a ajustamentos e que exigem que uma entidade ajuste as quantias reconhecidas nas suas demonstrações financeiras, ou que reconheça itens que não foram anteriormente reconhecidos, são: (a) ( ) (b) a receção de informação após a data do balanço que indique que um ativo estava em imparidade à data do balanço, ou que a quantia da perda por imparidade anteriormente reconhecida para 31
32 EVE0213A Inventário e imparidades esse ativo necessita de ser ajustada, tal como ocorre, designadamente, nas seguintes situações: (i) ( ) (ii) a venda de inventários após a data do balanço pode dar evidência acerca do valor realizável líquido à data do balanço Exemplo: A empresa Camionetas Fortes, SA, fabrica carroçarias de ferro. No ano de 2012 comprou, 100 ton de ferro por 200 euros cada para utilizar na fabricação das carroçarias tipo A, sendo normal obter uma margem de lucro de 20% sobre o custo total de produção. No final do ano, encontravam-se em armazém 20 ton de ferro. Os custos previstos com a sua conversão, durante o 1º semestre de 2013, eram de euros. O consumo unitário da matéria-prima é de 1 ton. Com o agravar da crise no sector, o custo de reposição estimado das suas matérias-primas sofreu uma redução para 190 euros. A empresa esperava vender o produto por 500 euros cada quando terminasse a produção. Qual o procedimento contabilístico a adotar em ? A empresa espera vender as carroçarias por 500 euros cada Custo estimado do produto: 20 * = Rédito estimado: 20 * 500 = Há que reconhecer um ajustamento de euros. 652 Perdas p/ imparidade Em inventários a 339 Perdas por imparidade acumuladas Em Maio de 2013: A empresa conseguiu vender todas as carroçarias por 650 euros cada Os custos com a conversão corresponderam aos estimados. Rédito real: 20 * 650 = Custo do produto: 20 * = Qual o procedimento contabilístico a adotar em ? 2111 Clientes gerais a 712 Vendas produtos acabados Reconhecimento do rédito 339 Perdas por imparidade acumuladas a 7622 reversões - Perdas p/ imparidade Em inventários Reversão da perda por imparidade 731 Variação produtos acabados a 34 Produtos acabados Desreconhecimento do inventário 32
33 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 12 e a NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis Os Ativos Fixos Tangíveis são itens detidos para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, para arrendamento a outros, ou para fins administrativos e que se espera que sejam usados durante mais do que um período. O custo de um item de ativo fixo tangível deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se for provável que futuros benefícios económicos associados ao item fluam para a entidade e o seu o custo possa ser mensurado fiavelmente. A NCRF 7 não prescreve a unidade de medida para reconhecimento, i.e. aquilo que constitui um item do ativo fixo tangível. Assim, é necessário exercer juízos de valor ao aplicar os critérios de reconhecimento às circunstâncias específicas de uma entidade. Pode ser apropriado agregar itens individualmente insignificantes, tais como moldes, ferramentas e bases, e aplicar os critérios ao valor agregado. Uma entidade avalia segundo este princípio de reconhecimento todos os seus ativos fixos tangíveis e custos de equipamento no momento em que eles sejam incorridos. Estes custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir um item do ativo fixo tangível e os custos incorridos posteriormente para adicionar a, substituir parte de, ou dar assistência ao mesmo. Podem ser considerados no Ativo por uma só quantidade e quantia fixa, os itens imobilizados que, no seu conjunto, satisfaçam simultaneamente as seguintes condições: Sejam renovados frequentemente; Representem, bem a bem, uma quantia imaterial para a entidade; Tenham uma vida útil não superior a três anos. Os itens do ativo fixo tangível podem ser adquiridos por razões de segurança ou ambientais. A aquisição de tal ativo fixo tangível, embora não aumentando diretamente futuros benefícios económicos de qualquer item particular existente de ativo fixo tangível, pode ser necessário para que a entidade obtenha futuros benefícios económicos dos seus outros ativos. Esses itens do ativo fixo tangível qualificam-se para o reconhecimento como ativos porque permitem a uma entidade obter futuros benefícios económicos dos ativos relacionados para além dos que teria obtido se não tivesse adquirido esses itens. Por exemplo, uma indústria química pode instalar novos processos químicos de manuseamento a fim de se conformar com exigências ambientais para a produção e armazenamento de químicos perigosos. Os melhoramentos nas instalações relacionados são reconhecidos como um ativo porque, sem eles, a entidade não está em condições de fabricar e vender tais produtos químicos. Contudo, a quantia escriturada resultante desse ativo e ativos relacionados é revista para imparidade de acordo com a NCRF 12 - Imparidade de Ativos. Um item do ativo fixo tangível que seja classificado para reconhecimento como um ativo deve ser mensurado pelo seu custo. O custo de um item do ativo fixo tangível compreende: o seu preço de compra, incluindo os direitos de importação e os impostos de compra não reembolsáveis, após dedução dos descontos e abatimentos; 33
34 EVE0213A Inventário e imparidades quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo na localização e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida; a estimativa inicial dos custos de desmantelamento e remoção do item e de restauração do local no qual este está localizado, em cuja obrigação uma entidade incorre seja quando o item é adquirido seja como consequência de ter usado o item durante um determinado período para finalidades diferentes da produção de inventários durante esse período. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são: custos de benefícios dos empregados (ver subsidiariamente a NCRF 28 - Benefícios dos Empregados) decorrentes diretamente da construção ou aquisição de um item do ativo fixo tangível; custos de preparação do local; custos iniciais de entrega e de manuseamento; custos de instalação e montagem; custos de testar se o ativo funciona corretamente, após dedução dos proventos líquidos da venda de qualquer item produzido enquanto se coloca o ativo nessa localização e condição (tais como amostras produzidas quando se testa o equipamento); e honorários. Uma entidade aplica a NCRF 18 - Inventários aos custos das obrigações de desmantelamento, remoção e restauração do local em que um item está localizado que sejam incorridos durante um determinado período como consequência de ter usado o item para produzir inventários durante esse período. As obrigações por custos contabilizados de acordo com a NCRF 18 ou com a presente Norma são reconhecidas e mensuradas de acordo com a NCRF 21 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Exemplos de custos que não são custos de um item do ativo fixo tangível são: custos de abertura de novas instalações; custos de introdução de um novo produto ou serviço (incluindo custos de publicidade ou atividades promocionais); custos de condução do negócio numa nova localização ou com uma nova classe de clientes (incluindo custos de formação de pessoal); e custos de administração e outros custos gerais. O reconhecimento dos custos na quantia escriturada de um item do ativo fixo tangível cessa quando o item está na localização e condição necessárias para que seja capaz de funcionar da forma pretendida. Assim sendo, os custos incorridos na utilização ou reinstalação de um item não são incluídos na quantia escriturada desse item. Por exemplo, os custos seguintes não são incluídos na quantia escriturada de um item do ativo fixo tangível: custos incorridos enquanto um item capaz de funcionar da forma pretendida ainda não tenha sido colocado em uso ou esteja a ser usado a uma capacidade inferior à sua capacidade total; perdas operacionais iniciais, tais como as incorridas enquanto cresce a exigência da produção do item; e custos de relocalização ou reorganização de uma parte ou de todas as operações de uma entidade. 34
35 EVE0213A Inventário e imparidades Algumas operações ocorrem em ligação com a construção ou desenvolvimento de um item do ativo fixo tangível, mas não são necessárias para colocar o item na localização e condição necessárias para que este seja capaz de funcionar da forma pretendida. Estas operações incidentais podem ocorrer antes ou durante as atividades de construção ou desenvolvimento. Por exemplo, podem ser obtidos rendimentos através do uso de um local de construção como um parque de estacionamento até a construção ter início. Dado que não são necessárias operações inerentes para colocar um item na localização e condição necessárias para que este seja capaz de funcionar da forma pretendida, o rendimento e os gastos relacionados das operações inerentes são reconhecidos nos resultados e incluídos nas suas respetivas classificações de rendimento ou de gasto. O custo de um ativo construído pela própria entidade determina-se usando os mesmos princípios quanto a um ativo adquirido. Se uma entidade produzir ativos idênticos para venda no decurso normal das operações empresariais, o custo do ativo é geralmente o mesmo que o custo de construir um ativo para venda (ver NCRF 18 - Inventários). Por isso, quaisquer lucros internos são eliminados para chegar a tais custos. De forma semelhante, o custo de quantias anormais de materiais, de mão-de-obra ou de outros recursos desperdiçados incorridos na autoconstrução de um ativo não é incluído no custo do ativo. A NCRF 10 Custos de Empréstimos Obtidos estabelece critérios para o reconhecimento do juro como componente da quantia escriturada de um item do ativo fixo tangível construído pela própria entidade. Depois de reconhecido um item como ativo fixo tangível, o mesmo deverá ser depreciado ao longo da sua vida útil: Apura-se a quantia depreciável, que é o custo de um ativo, ou outra quantia substituta do custo, menos o seu valor residual. Entende-se por valor residual, a quantia estimada que uma entidade obteria correntemente pela alienação de um ativo, após dedução dos custos de alienação estimados, se o ativo já tivesse a idade e as condições esperadas no final da sua vida útil. Estima-se a vida útil do Item, ou seja, o período durante o qual uma entidade espera que um ativo esteja disponível para uso; ou em alternativa o número de unidades de produção ou similares que uma entidade espera obter do ativo. A quantia depreciável e respetiva vida útil deverá ser estimada em relação a cada parte de um item do ativo fixo tangível com um custo que seja significativo em relação ao custo total do item. O gasto de depreciação em cada período deve ser reconhecido nos resultados a menos que seja incluído na quantia escriturada de um outro ativo. O método de depreciação usado deve refletir o modelo pelo qual se espera que os futuros benefícios económicos do ativo sejam consumidos pela entidade, devendo o mesmo ser aplicado consistentemente a um ativo de período para período. Após o reconhecimento inicial, uma entidade deve ainda escolher entre o modelo de custo e o modelo de revalorização como política contabilística e deve aplicar essa política a uma classe inteira de ativos fixos tangíveis. Quando a opção segue o modelo do custo, significa que após o reconhecimento como um ativo, um item do ativo fixo tangível deve ser escriturado pelo seu custo menos qualquer depreciação acumulada e quaisquer perdas por imparidade acumuladas. Quando a opção segue o modelo de revalorização, significa que após o reconhecimento como um ativo, um item do ativo fixo tangível, cujo justo valor possa ser mensurado fiavelmente, deve ser escriturado por uma quantia revalorizada, que é o seu justo valor à data da revalorização menos qualquer depreciação acumulada subsequente e perdas por imparidade acumuladas subsequentes. As revalorizações devem ser feitas com suficiente regularidade para assegurar que a quantia escriturada não difere materialmente daquela que seria determinada pelo uso do justo valor à data do balanço. 35
36 EVE0213A Inventário e imparidades Para determinar se um item do ativo fixo tangível está ou não em imparidade, uma entidade aplica a NCRF 12 Imparidade de Ativos. Essa Norma explica como uma entidade revê a quantia escriturada dos seus ativos, como determina a quantia recuperável do mesmo e quando reconhece ou reverte o reconhecimento de uma perda por imparidade. Exemplo: Em finais de 2011, a Transporta Tudo, S.A. procedeu à revalorização de um equipamento de transporte especial, tendo o mesmo sofrido um acréscimo de valor de euros. No entanto, durante o ano de 2012, fruto de má utilização, o referido equipamento passou a ter um desempenho bastante inferior àquele que era esperado. Este equipamento apresentava, após o reconhecimento da depreciação do exercício, uma quantia escriturada de M e tinha à data uma vida útil estimada de mais 3 anos. Dada a especificidade do ativo em causa, não é possível determinar com fiabilidade o respetivo preço de venda. A empresa estimou que os fluxos de caixa esperados para este equipamento seriam os seguintes: Considerando que: Ano Fluxo de caixa esperado M a taxa que reflete o valor temporal do dinheiro e os riscos específicos para o ativo em relação aos quais as estimativas de fluxos de caixa futuros não foram ajustadas são avaliados em 5%, Qual o valor da depreciação a reconhecer como gasto em 2013? Valor escriturado do Ativo em Quantia recuperável: VAL = 10000/(1,05)^ /(1,05)^ /(1,05)^1 = ,96 VAL(5%;15000;12500;10000) = ,96 Perda por imparidade = ,96 = ,04 Depreciação nos próximos três anos: 34261,96 : 3 = ,65 36
37 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 12 e a NCRF 6 Ativos Intangíveis Por vezes, é difícil avaliar se um ativo intangível gerado internamente se qualifica para reconhecimento, pois torna-se difícil: Identificar se e quando existe um ativo identificável que gere benefícios económicos futuros esperados; e Determinar fiavelmente o custo do ativo. Em alguns casos, o custo de gerar internamente um ativo intangível não pode ser distinguido do custo de manter ou aumentar o goodwill da entidade gerado internamente ou do decorrer operacional do dia-a-dia. Por isso, além de se conformar com os requisitos gerais do reconhecimento e mensuração inicial de um ativo intangível, uma entidade aplica os requisitos e orientação dos parágrafos 51 a 66 da NCRF 6 a todos os ativos intangíveis gerados internamente: Para avaliar se um ativo intangível gerado internamente satisfaz os critérios de reconhecimento, uma entidade classifica a formação do ativo em: uma fase de pesquisa; e uma fase de desenvolvimento. Se bem que os termos pesquisa e desenvolvimento estejam definidos, os termos fase de pesquisa e fase de desenvolvimento têm um sentido mais amplo para a finalidade desta Norma. Se uma entidade não puder distinguir a fase de pesquisa da fase de desenvolvimento num projeto interno para criar um ativo intangível, a entidade trata o dispêndio nesse projeto como se fosse incorrido somente na fase da pesquisa. Nenhum ativo intangível proveniente de pesquisa (ou da fase de pesquisa de um projeto interno) deve ser reconhecido. O dispêndio com pesquisa (ou da fase de pesquisa de um projeto interno) deve ser reconhecido como um gasto quando for incorrido. Na fase de pesquisa de um projeto interno, uma entidade não pode demonstrar que existe um ativo intangível que irá gerar benefícios económicos futuros prováveis. Por isso, este dispêndio é reconhecido como um gasto quando for incorrido. Exemplos de atividades de pesquisa são: Atividades visando a obtenção de novos conhecimentos; A procura de, avaliação e seleção final de, aplicações das descobertas de pesquisa ou de outros conhecimentos; A procura de alternativas para materiais, aparelhos, produtos, processos, sistemas ou serviços; e A formulação, conceção, avaliação e seleção final de possíveis alternativas de materiais, aparelhos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou melhorados. Um ativo intangível proveniente de desenvolvimento (ou da fase de desenvolvimento de um pro- 37
38 EVE0213A Inventário e imparidades jeto interno) deve ser reconhecido se, e apenas se, uma entidade puder demonstrar: A viabilidade técnica de concluir o ativo intangível a fim de que o mesmo esteja disponível para uso ou venda. A sua intenção de concluir o ativo intangível e usá-lo ou vendê-lo. A sua capacidade de usar ou vender o ativo intangível. A forma como o ativo intangível gerará prováveis benefícios económicos futuros. Entre outras coisas, a entidade pode demonstrar a existência de um mercado para a produção do ativo intangível ou para o próprio ativo intangível ou, se for para ser usado internamente, a utilidade do ativo intangível. A disponibilidade de adequados recursos técnicos, financeiros e outros para concluir o desenvolvimento e usar ou vender o ativo intangível. A sua capacidade para mensurar fiavelmente o dispêndio atribuível ao ativo intangível durante a sua fase de desenvolvimento. Na fase de desenvolvimento de um projeto interno, uma entidade pode, nalguns casos, identificar um ativo intangível e demonstrar que o ativo gerará prováveis benefícios económicos futuros. Tal acontece porque a fase de desenvolvimento de um projeto é mais avançada do que a fase de pesquisa. Exemplos das atividades de desenvolvimento são: A conceção, construção e teste de protótipos e modelos de pré-produção ou de pré-uso; A conceção de ferramentas, utensílios, moldes e suportes envolvendo nova tecnologia; A conceção, construção e operação de uma fábrica piloto que não seja de uma escala económica exequível para produção comercial; e A conceção, construção e teste de uma alternativa escolhida para materiais, aparelhos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou melhorados. Para demonstrar como um ativo intangível gerará benefícios económicos futuros prováveis, uma entidade avalia os futuros benefícios económicos a serem recebidos do ativo usando os princípios da NCRF 12 - Imparidade de Ativos. Se o ativo gerar benefícios económicos apenas em combinação com outros ativos, a entidade aplica o conceito de unidades geradoras de caixa tal como definido na NCRF 12. A disponibilidade de recursos para concluir, usar e obter os benefícios de um ativo intangível pode ser demonstrada, por exemplo, por um plano empresarial que mostre os recursos técnicos, financeiros e outros necessários e a capacidade da entidade para assegurar esses recursos. Em alguns casos, uma entidade demonstra a disponibilidade de financiamento externo pela obtenção de uma indicação do mutuante da sua vontade de financiar o plano. Os sistemas de custeio de uma entidade podem muitas vezes mensurar com fiabilidade o custo de gerar internamente um ativo intangível, tais como os ordenados e outros dispêndios incorridos para assegurar copyrights ou licenças ou para desenvolver software de computadores. As marcas, cabeçalhos, títulos de publicações, listas de clientes e itens substancialmente semelhantes gerados internamente não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis. Dispêndios com marcas, cabeçalhos, títulos de publicações, listas de clientes e itens semelhantes em substância gerados internamente não podem ser distinguidos do custo de desenvolver a empresa no seu todo. Por isso, tais itens não são reconhecidos como ativos intangíveis. O custo de um ativo intangível gerado internamente para a finalidade é a soma dos dispêndios incorridos desde a data em que o ativo intangível primeiramente satisfaz os critérios de reconhe- 38
39 EVE0213A Inventário e imparidades cimento. O parágrafo 70 da NCRF 6 proíbe a reposição de dispêndio anteriormente reconhecido como um gasto. O custo de um ativo intangível gerado internamente compreende todos os custos diretamente atribuíveis necessários para criar, produzir e preparar o ativo para ser capaz de funcionar da forma pretendida. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são: Os custos dos materiais e serviços usados ou consumidos ao gerar o ativo intangível; Os custos dos benefícios dos empregados associados à formação do ativo intangível; As taxas de registo de um direito legal; e A amortização de patentes e licenças que sejam usadas para gerar o ativo intangível. A NCRF 10 - Custos de Empréstimos Obtidos especifica os critérios para o reconhecimento do juro como um elemento do custo de um ativo intangível gerado internamente. Não são, porém, componentes do custo de um ativo intangível gerado internamente: Os dispêndios com vendas, gastos administrativos e outros gastos gerais a menos que estes dispêndios possam ser diretamente atribuídos à preparação do ativo para uso; Ineficiências identificadas e perdas operacionais iniciais incorridas antes de o ativo atingir o desempenho planeado; e Dispêndios com a formação do pessoal para utilizar o ativo. Após o reconhecimento como ativo intangível, o mesmo deve ser amortizado pela sua vida útil de acordo com o método de amortização escolhido, o método usado é selecionado na base do modelo de consumo esperado dos futuros benefícios económicos incorporados no ativo e é aplicado consistentemente de período a período, geralmente é adotado o método da linha reta. Um ativo intangível com uma vida útil indefinida não deve ser amortizado. No entanto, segundo a NCRF 12 Imparidade de Ativos, é exigido a uma entidade que teste anualmente a imparidade de um ativo intangível com uma vida útil indefinida comparando a sua quantia recuperável com a sua quantia escriturada, ou sempre que haja uma indicação de que o ativo intangível possa estar em imparidade. Para determinar se um ativo intangível está em imparidade, uma entidade aplica a NCRF 12 - Imparidade de Ativos. Esta Norma explica quando e como uma entidade revê a quantia escriturada dos seus ativos, como determina a quantia recuperável de um ativo e quando reconhece ou reverte uma perda por imparidade. Exemplo: A empresa Brilha no Escuro, Lda iniciou um processo de pesquisa e desenvolvimento no início de 2012, para a produção de um novo protótipo de holofote inovador na iluminação desportiva: No primeiro semestre, durante a fase da pesquisa, foram suportados custos com o pessoal e materiais diversos no valor de euros. No segundo semestre, concluída a fase da pesquisa, foram suportados custos com o pessoal e outros materiais no valor de euros. A empresa tem diversos financiamentos gerais com uma taxa de juro média de 7,4 %. 39
40 EVE0213A Inventário e imparidades É expectativa da empresa, que a produção e comercialização destes holofotes ocorra por tempo indeterminado, e que liberte cash flows futuros na ordem dos euros anuais. No final de 2012, uma fábrica de LED chinesa, fez uma proposta de compra deste protótipo por euros. Qual o valor a reconhecer no ativo intangível? É obrigatório teste de imparidade? Qual a quantia recuperável? O Ativo pode ser reavaliado? Qual o valor a reconhecer no ativo intangível? Fase da pesquisa é considerada como um gasto, a fase do desenvolvimento, pode ser considerado como ativo, assim como os gastos com juro que sejam capitalizáveis: Juros capitalizáveis = x 7,4% x (6/12) = Valor o AI = = AI Projetos de desenvolvimento a 742 TPE Ativos Intangíveis Capitalização dos custos do protótipo 442 AI Projetos de desenvolvimento a 691 Juros suportados Capitalização dos juros do protótipo É obrigatório teste de imparidade? Qual a quantia recuperável? Para todos os Ativos Intangíveis de vida indefinida, é obrigatório realizar teste de imparidade numa base anual. O Valor recuperável é o mais alto do preço de venda líquido ou do valor de uso. O valor de venda líquido é superior ao valor escriturado: > Não há qualquer perda de imparidade a reconhecer. O Ativo pode ser reavaliado? Para a finalidade de revalorizações segundo esta Norma, o justo valor deve ser determinado com referência a um mercado ativo. Mercado ativo: é um mercado no qual se verifiquem as condições: Os itens negociados no mercado são homogéneos; Podem ser encontrados em qualquer momento compradores e vendedores dispostos a comprar e vender; e Os preços estão disponíveis ao público. Este bem não pode ser revalorizado, embora exista um preço indicativo de uma transação, não se pode afirmar que exista um mercado ativo. 40
41 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 27 Imparidades em Instrumentos Financeiros Segundo a NCRF 27, Ativo financeiro é qualquer ativo que seja: Dinheiro; Um instrumento de capital próprio de uma outra entidade; Um direito contratual de: Receber dinheiro ou outro ativo financeiro de outra entidade; ou Trocar ativos financeiros ou passivos financeiros com outra entidade em condições que sejam potencialmente favoráveis para a entidade; ou Um contrato que seja ou possa ser liquidado em instrumentos de capital próprio da própria entidade e que seja: Um não derivado para o qual a entidade esteja, ou possa estar, obrigada a receber um número variável dos instrumentos de capital próprio da própria entidade; ou Um derivado que seja ou possa ser liquidado de forma diferente da troca de uma quantia fixa em dinheiro ou outro ativo financeiro por um número fixo de instrumentos de capital próprio da própria entidade. Para esta finalidade, os instrumentos de capital próprio da própria entidade não incluem instrumentos que sejam eles próprios contratos para futuro recebimento ou entrega dos instrumentos de capital próprio da própria entidade. Segundo a NCRF 27, os ativos financeiros podem ser mensurados pelo custo ou pelo custo amortizado, embora este último se mostre mais complexo, pelo que se poderia revelar, numa ótica custo benefício, como dispensável; ou ao justo valor com as alterações de justo valor a serem reconhecidas na demonstração de resultados. Uma entidade deve mensurar os seguintes instrumentos financeiros ao custo ou ao custo amortizado menos perda por imparidade: Instrumentos que satisfaçam as condições definidas no parágrafo 13 (tais como clientes, fornecedores, contas a receber, contas a pagar ou empréstimos bancários) e que a entidade designe, no momento do seu reconhecimento inicial, para ser mensurado ao custo amortizado (utilizando o método da taxa de juro efetiva) menos qualquer perda por imparidade; Contratos para conceder ou contrair empréstimos que: Não possam ser liquidados em base líquida, Quando executados, se espera que reúnam as condições para reconhecimento ao custo ou ao custo amortizado menos perdas por imparidade, e A entidade designe, no momento do reconhecimento inicial, para serem mensurados ao custo menos perdas por imparidade; 41
42 EVE0213A Inventário e imparidades Instrumentos de capital próprio que não sejam negociados publicamente e cujo justo valor não possa ser obtido de forma fiável, bem como contratos ligados a tais instrumentos que, se executados, resultem na entrega de tais instrumentos, os quais devem ser mensurados ao custo menos perdas por imparidade. Um instrumento financeiro pode ser designado para ser mensurado ao custo amortizado se satisfizer todas as seguintes condições: seja à vista ou tenha uma maturidade definida; os retornos para o seu detentor sejam (i) de montante fixo, (ii) de taxa de juro fixa durante a vida do instrumento ou de taxa variável que seja um indexante típico de mercado para operações de financiamento (como por exemplo a Euribor) ou que inclua um spread sobre esse mesmo indexante; não contenha nenhuma cláusula contratual que possa resultar para o seu detentor em perda do valor nominal e do juro acumulado (excluindo-se os casos típicos de risco de crédito). Exemplos de instrumentos que são mensurados ao custo ou ao custo amortizado: Clientes e outras contas a receber ou pagar, bem como empréstimos bancários; Investimentos em obrigações não convertíveis; Um derivado (contrato ou direito a adquirir numa data futura) sobre instrumentos de capital próprio cujo justo valor não possa ser mensurado fiavelmente; Contas a receber ou a pagar em moeda estrangeira, uma vez que satisfaçam tipicamente as condições previstas no parágrafo 13. Porém, qualquer alteração no montante a pagar ou a receber devido a alterações cambiais é reconhecida na demonstração de resultados, exceto se a taxa de câmbio estiver garantida, podendo utilizar-se a referida taxa de câmbio; Empréstimos a subsidiárias ou associadas que sejam exigíveis, uma vez que satisfaçam as condições previstas no parágrafo 13; Um instrumento de dívida que seja imediatamente exigível se o emitente incumprir o pagamento de juro ou de amortização de dívida (tais cláusulas não violam as condições definidas no parágrafo 13). Uma entidade deve mensurar ao justo valor todos os instrumentos financeiros que não sejam mensurados ao custo ou ao custo amortizado. Exemplos de instrumentos financeiros que sejam mensurados ao justo valor através de resultados: Investimentos em instrumentos de capital próprio com cotações divulgadas publicamente, uma vez que o parágrafo 12(c) define a mensuração ao custo apenas para os restantes casos; Derivados que não sejam sobre instrumentos de capital próprio que satisfaçam o parágrafo 12(c) ou que fixem uma taxa de câmbio de uma conta a receber ou a pagar conforme referido no parágrafo 14(d); Instrumentos de dívida perpétua ou obrigações convertíveis; Ativos financeiros ou passivos financeiros classificados como detidos para negociação. Um ativo financeiro ou um passivo financeiro é classificado como detido para negociação se for: 42
43 EVE0213A Inventário e imparidades Adquirido ou incorrido principalmente para a finalidade de venda ou de recompra num prazo muito próximo; Parte de uma carteira de instrumentos financeiros identificados que sejam geridos em conjunto e para os quais exista evidência de terem recentemente proporcionado lucros reais. Uma entidade não deve alterar a sua política de mensuração subsequente de um ativo ou passivo financeiro enquanto tal instrumento for detido, seja para passar a usar o modelo do justo valor, seja para deixar de usar esse método. Para que um instrumento financeiro seja mensurado pelo custo amortizado um entidade deve designá-lo para tal no momento do seu reconhecimento inicial e deve recorrer ao método da taxa de juro efetiva. Um instrumento financeiro pode ser designado para ser mensurado ao custo amortizado se satisfizer todas as seguintes condições: Seja à vista ou tenha uma maturidade definida; Os retornos para o seu detentor sejam (i) de montante fixo, (ii) de taxa de juro fixa durante a vida do instrumento ou de taxa variável que seja um indexante típico de mercado para operações de financiamento (como por exemplo a Euribor) ou que inclua um spread sobre esse mesmo indexante; Não contenha nenhuma cláusula contratual que possa resultar para o seu detentor em perda do valor nominal e do juro acumulado (excluindo-se os casos típicos de risco de crédito). Exemplos de instrumentos que são mensurados ao custo ou ao custo amortizado: Clientes e outras contas a receber ou pagar, bem como empréstimos bancários, uma vez que satisfazem tipicamente as condições previstas no parágrafo 13 da NCRF 27; Investimentos em obrigações não convertíveis; Um derivado (contrato ou direito a adquirir numa data futura) sobre instrumentos de capital próprio cujo justo valor não possa ser mensurado fiavelmente; Contas a receber ou a pagar em moeda estrangeira, uma vez que satisfaçam tipicamente as condições previstas no parágrafo 13 da NCRF 27. Porém, qualquer alteração no montante a pagar ou a receber devido a alterações cambiais é reconhecida na demonstração de resultados, exceto se a taxa de câmbio estiver garantida, podendo utilizar-se a referida taxa de câmbio; Empréstimos a subsidiárias ou associadas que sejam exigíveis, uma vez que satisfaçam as condições previstas no parágrafo 13 da NCRF 27; Um instrumento de dívida que seja imediatamente exigível se o emitente incumprir o pagamento de juro ou de amortização de dívida. A taxa negociada de um instrumento (taxa nominal) poderá diferir da taxa de mercado (taxa real) à data da sua contratação. Quando tal se verifica, o valor presente, determinado com base na taxa de mercado, do pagamento do capital e juros é diferente do valor contratado. Pelo que, a entidade deverá recorrer ao Método do juro efetivo. O Método do juro efetivo deverá ser utilizado na contabilização do desconto ou do prémio subjacente ao instrumento financeiro e consiste em calcular o custo amortizado de um ativo financeiro ou de um passivo financeiro (ou grupo de ativos financeiros ou de passivos financeiros) e de imputar o rendimento dos juros ou o gasto dos juros durante o período relevante. 43
44 EVE0213A Inventário e imparidades A taxa de juro efetiva é a taxa que desconta exatamente os pagamentos ou recebimentos de caixa futuros estimados durante a vida esperada do instrumento financeiro ou, quando apropriado, um período mais curto na quantia escriturada líquida do ativo financeiro ou do passivo financeiro. De acordo com o método do juro efetivo, o desconto ou o prémio será amortizado durante a vida do passivo, de forma a produzir uma taxa de juro constante quando aplicada à quantia em divida no início do período. Assim, a quantia a reconhecer em gastos com juros resulta da aplicação da taxa de juro de mercado ao valor da divida apresentado no balanço, sendo que a diferença entre este montante e o juro pago consiste na amortização do desconto ou do prémio. Sempre que as taxas de contratação e de mercado são idênticas, não há lugar a desconto nem a prémio, pelo que o instrumento é reconhecido pelo seu valor nominal. Qualquer alteração posterior nas taxas de mercado é irrelevante na determinação de desconto ou prémio. À data de cada período de relato financeiro, uma entidade deve avaliar a imparidade de todos os ativos financeiros que não sejam mensurados ao justo valor através de resultados. Se existir uma evidência objetiva de imparidade, a entidade deve reconhecer uma perda por imparidade na demonstração de resultados. Existem evidências objetivas de que um ativo financeiro está em imparidade: Significativa dificuldade financeira do emitente ou devedor; Quebra contratual, tal como não pagamento ou incumprimento no pagamento do juro ou amortização da dívida; O credor, por razões económicas ou legais relacionados com a dificuldade financeira do devedor, oferece ao devedor concessões que o credor de outro modo não consideraria; Torne-se provável que o devedor irá entrar em falência ou qualquer outra reorganização financeira; O desaparecimento de um mercado ativo para o ativo financeiro devido a dificuldades financeiras do devedor; Informação observável indicando que existe uma diminuição na mensuração da estimativa dos fluxos de caixa futuros de um grupo de ativos financeiros desde o seu reconhecimento inicial, embora a diminuição não possa ser ainda identificada para um dado ativo financeiros individual do grupo, tal como sejam condições económicas nacionais, locais ou sectoriais adversas. Exemplo: A empresa Camionetas Fortes, SA apresentava no seu balancete a Dezembro de 2012, alguns saldo de clientes que mereceram a nossa análise: Clientes em mora há 182 dias, ; Clientes com processo judicial, de ; Autarquias em mora há 275 dias, de ; Clientes não identificados e sem movimento há dois anos, Em 2012, que procedimentos adotar em relação a estes saldos, sabendo que todas as vendas têm um prazo de vencimento de 30 dias? 44
45 EVE0213A Inventário e imparidades Em junho de 2013, que procedimentos adotar em relação a estes saldos, sabendo que as autarquias pagaram e os outros clientes não? Dezembro de 2012: 217 Clientes de cobrança duvidosa a 2111 Clientes gerais Reclassificação para Cobrança duvidosa 6511 Perdas por Imparidade Clientes a 219 Perdas por Imparidade Acumuladas Perda por imparidade 683 Dívidas Incobráveis a 2111 Clientes gerais Desreconhecimento de Clientes Incobráveis Junho de 2013: 2111 Clientes gerais a 217 Clientes de cobrança duvidosa Reclassificação de Cobrança duvidosa 219 Perdas por Imparidade Acumuladas a Reversões Perdas por Imparidade Clientes Reversão da Perda de Imparidade 45
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47 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 12 e a NCRF11 Propriedades de Investimento Entende-se por Propriedade de investimento toda a propriedade imobiliária (terreno ou um edifício ou parte de um edifício ou ambos) detida (pelo dono ou pelo locatário numa locação financeira) para obter rendas ou para valorização do capital ou para ambas as finalidades, e não para: Uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades administrativas; ou Venda no curso ordinário do negócio. As propriedades de investimento são detidas para obter rendas ou para valorização do capital ou para ambas as finalidades. Por isso, uma propriedade de investimento gera fluxos de caixa altamente independentes dos outros ativos detidos por uma entidade. Isto distingue as propriedades de investimento de propriedades ocupadas pelos donos. A produção ou fornecimento de bens ou serviços (ou o uso de propriedades para finalidades administrativas) gera fluxos de caixa que são atribuíveis não apenas às propriedades, mas também a outros ativos usados no processo de produção ou de fornecimento. A NCRF 7 - Ativos Fixos Tangíveis aplica-se a propriedades ocupadas pelos donos. Exemplos de propriedades de investimento: Terrenos detidos para valorização do capital a longo prazo e não para venda a curto prazo no curso ordinário de negócios; Terrenos detidos para uso futuro ainda não determinado (se uma entidade não tiver determinado que usará o terreno como propriedade ocupada pelo dono ou para venda a curto prazo no curso ordinário do negócio, o terreno é considerado como detido para valorização do capital); Um edifício que seja propriedade da entidade (ou detido pela entidade numa locação financeira) e que seja locado segundo uma ou mais locações operacionais; Um edifício que esteja desocupado mas detido para ser locado segundo uma ou mais locações operacionais. Exemplos de itens que não são propriedades de investimento: Propriedades destinadas à venda no curso ordinário do negócio ou em vias de construção ou desenvolvimento para tal venda (ver NCRF 18 - Inventários), por exemplo, propriedade adquirida exclusivamente com vista a alienação subsequente no futuro próximo ou para desenvolvimento e revenda; Propriedade que esteja a ser construída ou desenvolvida por conta de terceiros (ver NCRF 19 - Contratos de Construção); Propriedade ocupada pelo dono (ver NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis), incluindo (entre outras coisas) propriedade detida para futuro uso como propriedade ocupada pelo dono, propriedade detida para futuro desenvolvimento e uso subsequente como propriedade 47
48 EVE0213A Inventário e imparidades ocupada pelo dono, propriedade ocupada por empregados (paguem ou não os empregados rendas a taxas de mercado) e propriedade ocupada pelo dono aguardando alienação; Propriedade que esteja a ser construída ou desenvolvida para futuro uso como propriedade de investimento. A NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis aplica-se a tal propriedade até que a construção ou o desenvolvimento esteja concluído, momento em que a propriedade se torna propriedade de investimento e em que se aplica esta Norma. Porém, esta Norma aplica-se a propriedades de investimento existentes que estejam a ser desenvolvidas de novo para futuro uso continuado como propriedade de investimento; Algumas propriedades compreendem uma parte que é detida para obter rendas ou para valorização de capital e uma outra parte que é detida para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades administrativas. Se estas partes puderem ser vendidas separadamente (ou locadas separadamente segundo uma locação financeira), uma entidade contabilizará as partes separadamente. Se as partes não puderem ser vendidas separadamente, a propriedade só é uma propriedade de investimento se uma parte não significativa for detida para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades administrativas. Em alguns casos, uma entidade proporciona serviços de apoio aos ocupantes de uma propriedade que ela detenha. Uma entidade trata tal propriedade como propriedade de investimento se os serviços forem insignificantes em relação ao acordo como um todo. Exemplo: Quando o dono de um edifício de escritórios proporciona serviços de segurança e de manutenção aos locatários que ocupam o edifício. A propriedade de investimento deve ser reconhecida como um ativo quando, e apenas quando: For provável que os futuros benefícios económicos que estejam associados à propriedade de investimento fluirão para a entidade; e O custo da propriedade de investimento possa ser mensurado fiavelmente. Uma entidade avalia segundo este princípio de reconhecimento todos os seus custos da propriedade de investimento no momento em que eles sejam incorridos. Estes custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir uma propriedade de investimento e custos incorridos subsequentemente para adicionar a, substituir partes de, ou prestar manutenção a uma propriedade. Segundo o princípio de reconhecimento do parágrafo 16, uma entidade não reconhece na quantia escriturada de uma propriedade de investimento os custos da manutenção diária à propriedade. Pelo contrário, estes custos são reconhecidos nos resultados quando incorridos. Os custos da manutenção diária são basicamente os custos da mão-de-obra e dos consumíveis, e podem incluir o custo de peças sobresselentes menores. A finalidade destes dispêndios é muitas vezes descrita como sendo para reparações e manutenção da propriedade. Partes de propriedades de investimento podem ter sido adquiridas por substituição. Por exemplo, as paredes interiores podem ser substituições das paredes originais. Segundo o princípio do reconhecimento, uma entidade reconhece na quantia escriturada de uma propriedade de investimento o custo da parte de substituição de uma propriedade de investimento existente no momento em que o custo seja incorrido se os critérios de reconhecimento forem cumpridos. A quantia escriturada das partes que sejam substituídas é desreconhecida. Uma propriedade de investimento deve ser mensurada inicialmente pelo seu custo. Os custos de transação devem ser incluídos na mensuração inicial. O custo de uma propriedade de investimento comprada compreende o seu preço de compra e qualquer dispêndio diretamente atribuível. Os dispêndios diretamente atribuíveis incluem, por exemplo, as remunerações profissionais por serviços legais, impostos de transferência de propriedade e outros custos de transação. 48
49 EVE0213A Inventário e imparidades O custo de uma propriedade de investimento de construção própria é o seu custo à data em que a construção ou desenvolvimento fique concluído. Até essa data, a entidade segue a NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis. Nessa data, a propriedade torna-se propriedade de investimento e aplica-se a Norma 11. O custo de uma propriedade de investimento não é aumentado por: Custos de arranque (a menos que sejam necessários para trazer a propriedade à condição necessária para que seja capaz de funcionar da forma pretendida); Perdas operacionais incorridas antes de a propriedade de investimento ter atingido o nível de ocupação previsto; ou Quantidades anormais de material, mão-de-obra ou outros recursos consumidos incorridos na construção ou desenvolvimento da propriedade. Se o pagamento de uma propriedade de investimento for diferido, o seu custo é o equivalente ao preço a dinheiro. A diferença entre esta quantia e os pagamentos totais é reconhecida como gasto de juros durante o período de crédito. O custo inicial do interesse de propriedade detido numa locação e classificado como uma propriedade de investimento deve estar de acordo com o prescrito para uma locação financeira no parágrafo 20 da NCRF 9 - Locações, i.e. o ativo deve ser reconhecido pelo menor do justo valor da propriedade e do valor presente dos pagamentos mínimos da locação. Uma quantia equivalente deve ser reconhecida como passivo de acordo com o mesmo parágrafo. Uma entidade deve escolher como sua política contabilística ou o modelo do justo valor ou o modelo do custo mencionado e deve aplicar essa política a todas as suas propriedades de investimento. A NCRF 4 - Políticas Contabilísticas, Alterações nas Estimativas Contabilísticas e Erros afirma que uma alteração voluntária na política contabilística deve ser feita apenas se a alteração resultar numa apresentação mais apropriada de transações, de outros acontecimentos ou de condições nas demonstrações financeiras da entidade. É altamente improvável que uma alteração do modelo do justo valor para o modelo do custo resulte numa apresentação mais apropriada. Esta Norma exige que todas as entidades determinem o justo valor de propriedades de investimento, para a finalidade de mensuração (se a entidade usar o modelo do justo valor) ou de divulgação (se usar o modelo do custo). Incentiva-se uma entidade, mas não se lhe exige, que determine o justo valor das propriedades de investimento na base de uma valorização por um avaliador independente que tenha uma qualificação profissional relevante e reconhecida e que tenha experiência recente na localização e na categoria da propriedade de investimento que esteja a ser valorizada. Uma entidade pode: Escolher ou o modelo do justo valor ou o modelo do custo para todas as propriedades de investimento que suportem passivos que pagam um retorno diretamente associado ao justo valor de, ou aos retornos de, ativos especificados incluindo essa propriedade de investimento; e Escolher ou o modelo do justo valor ou o modelo do custo para todas as outras propriedades de investimento, independentemente da escolha feita. Após o reconhecimento inicial, uma entidade que escolha o modelo do justo valor deve mensurar todas as suas propriedades de investimento pelo justo valor. Um ganho ou uma perda proveniente de uma alteração no justo valor de propriedades de investimento deve ser reconhecido nos resultados do período em que ocorra. 49
50 EVE0213A Inventário e imparidades O justo valor da propriedade de investimento é o preço pelo qual a propriedade poderia ser trocada entre partes conhecedoras e dispostas a isso numa transação em que não exista relacionamento entre as mesmas. O justo valor exclui especificamente um preço estimado inflacionado ou deflacionado por condições ou circunstâncias especiais tais como financiamento atípico, acordos de venda e relocação, considerações especiais ou concessões dadas por alguém associado à venda. Uma entidade determina o justo valor sem qualquer dedução para custos de transação em que possa incorrer por venda ou outra alienação. O justo valor da propriedade de investimento deve refletir as condições de mercado à data do balanço. As transferências para, ou de, propriedades de investimento devem ser feitas quando, e apenas quando, houver uma alteração de uso, evidenciada pelo seguinte: Começo de ocupação pelo dono, para uma transferência de propriedade de investimento para propriedade ocupada pelo dono; Começo de desenvolvimento com vista à venda, para uma transferência de propriedade de investimento para inventários; Fim de ocupação pelo dono, para uma transferência de propriedade ocupada pelo dono para propriedade de investimento; Começo de uma locação operacional para uma outra entidade, para uma transferência de inventários para propriedade de investimento; ou Fim de construção ou desenvolvimento, para uma transferência de propriedade em construção ou desenvolvimento (coberto pela NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis) para propriedade de investimento. Se uma propriedade ocupada pelo dono se tornar uma propriedade de investimento que seja escriturada pelo justo valor, uma entidade deve aplicar a NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis até à data da alteração de uso. A entidade deve tratar qualquer diferença nessa data entre a quantia escriturada de propriedade de acordo com a NCRF 7 o seu justo valor da mesma forma que trata uma revalorização de acordo com a NCRF 7. Até à data em que uma propriedade ocupada pelo dono se torne uma propriedade de investimento escriturada pelo justo valor, uma entidade deprecia a propriedade e reconhece quaisquer perdas por imparidade que tenham ocorrido. A entidade trata qualquer diferença nessa data entre a quantia escriturada da propriedade de acordo com a NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis e o seu justo valor da mesma forma que uma revalorização de acordo com a NCRF 7. Por outras palavras: qualquer diminuição resultante na quantia escriturada da propriedade é reconhecida nos resultados. Porém, até ao ponto em que uma quantia seja incluída no excedente de revalorização dessa propriedade, a diminuição é debitada contra esse excedente de revalorização; qualquer aumento resultante na quantia escriturada é tratado como se segue: até ao ponto em que o aumento reverta uma anterior perda por imparidade dessa propriedade, o aumento é reconhecido nos resultados. A quantia reconhecida nos resultados não pode exceder a quantia necessária para repor a quantia escriturada para a quantia escriturada que teria sido determinada (líquida de depreciação) caso nenhuma perda por imparidade tivesse sido reconhecida; qualquer parte remanescente do aumento é creditada diretamente no capital próprio no excedente de revalorização. Na alienação subsequente da propriedade de investimento, o excedente de revalorização incluído no capital próprio pode ser transferido para resul- 50
51 EVE0213A Inventário e imparidades tados transitados. A transferência do excedente de revalorização para resultados transitados não é feita através dos resultados. Para uma transferência de inventários para propriedades de investimento que sejam escrituradas pelo justo valor, qualquer diferença entre o justo valor da propriedade nessa data e a sua quantia escriturada anterior deve ser reconhecida nos resultados. O tratamento de transferências de inventários para propriedades de investimento que serão escrituradas pelo justo valor é consistente com o tratamento de vendas de inventários. Quando uma entidade concluir a construção ou o desenvolvimento de uma propriedade de investimento de construção própria que será escriturada pelo justo valor, qualquer diferença entre o justo valor da propriedade nessa data e a sua quantia escriturada anterior deve ser reconhecida nos resultados. Após o reconhecimento inicial, uma entidade que escolha o modelo do justo valor deve mensurar todas as suas propriedades de investimento pelo justo valor, exceto nos casos em que for impraticável a determinação do justo valor com fiabilidade, o que só ocorrerá em caso excecionais, pois existe uma presunção refutável de que uma entidade pode fiavelmente determinar o justo valor de uma propriedade de investimento numa base continuada. Um ganho ou uma perda proveniente de uma alteração no justo valor de propriedades de investimento deve ser reconhecido nos resultados do período em que ocorra. Após o reconhecimento inicial, uma entidade que escolha o modelo do custo deve mensurar todas as suas propriedades de investimento de acordo com os requisitos da NCRF 7 Ativos Fixos Tangíveis para esse modelo exceto aquelas que satisfaçam os critérios de classificação como detidas para venda de acordo com a NCRF 8 - Ativos Não Correntes Detidos para Venda e Unidades Operacionais Descontinuadas. As propriedades de investimento que satisfaçam os critérios de classificação como detidas para venda (ou que estejam incluídas num grupo para alienação que esteja classificado como detido para venda) devem ser mensuradas de acordo com a NCRF 8. As imparidades da propriedade de investimento são reconhecidas de acordo com a NCRF 12 Imparidade de Ativos, ou seja, resulta da comparação entre o valor recuperável e o valor escriturado. Exemplo: A empresa Arrenda Escritórios, SA possui um edifício de escritórios que se encontra disponível para arrendar a diversas entidades, adquirido em por euros, tendo-lhe sido atribuída uma vida útil de 20 anos. Em o justo valor do edifício era de euros. Em , com o agravar da crise económica no mercado imobiliário, o justo valor do edifício passou a ser de euros. Sabendo que a sociedade optou pelo modelo do custo na mensuração das suas propriedades de investimento, quais os procedimentos contabilísticos a adotar em e ? Dezembro de 2012: 641 Gastos de depreciação e de amortização - PI a 428 PI - Depreciações acumuladas Depreciação do exercício ( x 75% : 20) 51
52 EVE0213A Inventário e imparidades 654 Perdas por Imparidade PI a 429 PI - Perdas por imparidade acumuladas Reconhecimento da perda por imparidade ( ) Junho de 2013: 641 Gastos de depreciação e de amortização - PI a 428 PI - Depreciações acumuladas Depreciação do exercício [(( ) : 19) : 2] 654 Perdas por Imparidade PI a 429 PI - Perdas por imparidade acumuladas Reforço da perda por imparidade [( ) ] 52
53 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 12 e a NCRF 8 Ativos não Correntes Detidos para Venda e Unidades Operacionais Descontinuadas Uma entidade deve classificar um ativo não corrente como detido para venda se a sua quantia escriturada é recuperada principalmente através de uma transação de venda em lugar de o ser pelo uso continuado. Para que assim seja, o ativo deve estar disponível para venda imediata na sua condição presente, sujeito apenas aos termos que sejam habituais e costumeiros para a venda de tais ativos e a sua venda seja altamente provável. A venda é altamente provável se: A hierarquia de gestão apropriada deve estar empenhada num plano para vender o ativo. Ter sido iniciado um programa para localizar um comprador. O ativo ser amplamente publicitado para venda a um preço que seja razoável em relação ao seu justo valor corrente. Esperar-se que a venda se qualifique para reconhecimento como venda concluída dentro de um ano a partir da data da classificação. As ações necessárias para concluir o plano devem indicar a improbabilidade de alterações significativas no mesmo ou de o mesmo ser retirado. Uma entidade deve mensurar um ativo não corrente classificado como detido para venda pelo menor valor entre a sua quantia escriturada e o justo valor menos os custos de vender. Uma entidade deve reconhecer uma perda por imparidade relativamente a qualquer redução inicial ou posterior do ativo para o justo valor menos os custos de vender. Uma entidade deve reconhecer um ganho ou qualquer aumento posterior no justo valor menos os custos de vender de um ativo, mas não para além da perda por imparidade cumulativa que tenha sido reconhecida seja de acordo com esta Norma seja anteriormente de acordo com a NCRF 12 - Imparidade de Ativos. Uma entidade deve reconhecer um ganho para qualquer aumento posterior no justo valor menos os custos de vender de um grupo para alienação até ao ponto que não vá além da perda por imparidade cumulativa que tenha sido reconhecida, seja de acordo com esta Norma ou anteriormente de acordo com a NCRF 12 Imparidade de Ativos, relativamente aos ativos não correntes que estejam dentro do âmbito dos requisitos de mensuração desta última Norma; A perda por imparidade (ou qualquer ganho posterior) reconhecida para um grupo para alienação deve reduzir (ou aumentar) a quantia escriturada dos ativos não correntes do grupo que estejam dentro do âmbito dos requisitos de mensuração da Norma 12 - Imparidade de Ativos. Um ganho ou perda que não tenha sido anteriormente reconhecido à data da venda de um ativo não corrente deve ser reconhecido à data do desconhecimento. 53
54 EVE0213A Inventário e imparidades Assim, podemos concluir que a entidade deve reconhecer uma perda de imparidade resultante da diferença entre o valor contabilístico e o justo valor menos os custos necessários para venda; - RECONHECIMENTO; ou então a entidade deve reconhecer um ganho pelo aumento do justo valor menos custos necessários para venda (até ao limite da perda de imparidade acumulada) - REVERSÃO Uma entidade não deve depreciar (ou amortizar) um ativo não corrente enquanto estiver classificado como detido para venda ou enquanto fizer parte de um grupo para alienação classificado como detido para venda. Os juros e outros gastos atribuíveis aos passivos de um grupo para alienação classificado como detido para venda devem continuar a ser reconhecidos. Exemplo: A empresa Acima das Suas Posses, SA adquiriu um edifício para a sua sede, em 2010, por euros e uma vida útil de 50 anos. A empresa iniciou, nesse ano, a amortização do mesmo através do método das quotas constantes. Em 2012 (antes de proceder à amortização do exercício), decidiu colocá-lo à venda numa agência imobiliária, por euros. Os custos esperados com a venda ascendem a euros. Apurar os valores que devem constar no Balanço e na Demonstração de Resultados em Ano de aquisição 2010 Custo de Aquisição Depreciação acumulada ( x 75% / 50 * 2 ) Valor contabilístico líquido Justo valor custos de venda ( ) Imparidade ( ) BALANÇO Ativos Fixos Tangíveis Ativos não Correntes Disponíveis para Venda DEM. RESULTADOS Gastos/reversões de depreciação Imparidade de investimentos
55 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 12 e a NCRF 14 Concentrações de Atividades Empresariais A NCRF 14 estabelece que todas as concentrações de atividades empresariais devem ser contabilizadas pela aplicação do método de compra. Por isso, a adquirente reconhece os ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida pelos seus justos valores à data de aquisição, e reconhece também o goodwill, que é posteriormente testado quanto à imparidade, não sendo assim amortizado. A adquirente deve mensurar o custo de uma concentração de atividades empresariais como o conjunto: Dos justos valores, à data da troca, dos ativos cedidos, dos passivos incorridos ou assumidos, incluindo aqueles que não tenham sido anteriormente reconhecidos pela adquirida, e dos instrumentos de capital próprio emitidos pela adquirente, em troca do controlo sobre a adquirida; mais Quaisquer custos diretamente atribuíveis à concentração de atividades empresariais. Os ativos cedidos e os passivos incorridos ou assumidos pela adquirente em troca do controlo da adquirida devem ser mensurados pelos justos valores à data da troca. Portanto, quando a liquidação de todo ou qualquer parte do custo de uma concentração de atividades empresariais for diferido, o justo valor desse componente diferido deve ser determinado ao descontar as quantias a pagar do seu valor presente à data da troca, tendo em conta qualquer prémio ou desconto que provavelmente será incorrido na liquidação. A adquirente deve reconhecer separadamente os ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida à data de aquisição apenas se satisfizerem os seguintes critérios nessa data: No caso de um ativo que não seja um ativo intangível, se for provável que qualquer benefício económico futuro associado flua para a adquirente, e o seu justo valor possa ser mensurado com fiabilidade; No caso de um passivo que não seja um passivo contingente, se for provável que um exfluxo de recursos incorporando benefícios económicos seja necessário para liquidar a obrigação, e o seu justo valor possa ser mensurado com fiabilidade; No caso de um ativo intangível ou de um passivo contingente, se o seu justo valor puder ser mensurado com fiabilidade. Nesta conformidade, qualquer interesse minoritário na adquirida é expresso na proporção da minoria no justo valor líquido desses item. A adquirente reconhece separadamente um ativo intangível da adquirida à data da aquisição apenas se esse ativo satisfizer a definição de ativo intangível da NCRF 6 Ativos Intangíveis e se o seu justo valor puder ser mensurado com fiabilidade. Isto significa que a adquirente reconhece como um ativo separadamente do goodwill um projeto de pesquisa e desenvolvimento em curso da adquirida caso o projeto corresponda à definição de ativo intangível e o seu justo valor possa ser fiavelmente mensurado. A NCRF 6 proporciona orientação para determinar se o justo valor de um ativo intangível adquirido numa concentração de atividades empresariais pode ser mensurado com fiabilidade. 55
56 EVE0213A Inventário e imparidades A adquirente reconhece separadamente um passivo contingente da adquirida como parte da imputação do custo de uma concentração de atividades empresariais apenas se o seu justo valor puder ser mensurado com fiabilidade. Se o seu justo valor não puder ser mensurado com fiabilidade há um efeito resultante da quantia reconhecida como goodwill e a adquirente deve divulgar a informação acerca do passivo contingente exigida pela NCRF 21 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. O goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais representa um pagamento feito pela adquirente em antecipação de benefícios económicos futuros de ativos que não sejam capazes de ser individualmente identificados e separadamente reconhecidos. Assim, a adquirente deve, à data da aquisição: Reconhecer o goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais como um ativo; e Inicialmente mensurar esse goodwill pelo seu custo, que é o excesso do custo da concentração de atividades empresariais acima do interesse da adquirente no justo valor líquido dos ativos e passivos contingentes identificáveis e reconhecidos. Após o reconhecimento inicial, a adquirente deve mensurar o goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais pelo custo menos qualquer perda por imparidade acumulada. O goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais não deve ser amortizado. Em vez disso, a adquirente deve testá-lo quanto a imparidade anualmente, ou com mais frequência se os acontecimentos ou alterações nas circunstâncias indicarem que pode estar com imparidade, de acordo com a NCRF 12 Imparidade de Ativos. Se o goodwill aparecer como negativo, ou seja, se o interesse da adquirente no justo valor líquido dos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis reconhecidos exceder o custo da concentração de atividades empresariais, a adquirente deve: Reavaliar a identificação e a mensuração dos ativos, passivos e passivos contingentes identificáveis da adquirida e a mensuração do custo da concentração; e Reconhecer imediatamente nos resultados qualquer excesso remanescente após a reavaliação. Exemplo: A sociedade A. Joaquim, S.A., que possui as suas ações cotadas em mercado organizado, adquiriu em 2 de janeiro de 2012, 80% das ações da sociedade M. Joaquina, S.A. por Meuros (milhares de euros). Na data da aquisição, o capital próprio da sociedade M. Joaquina, S.A. é de Meuros, sendo Meuros de capital social e 750 Meuros de reservas. Analisados todos os ativos e passivos da sociedade M. Joaquina, S.A. e apurados os correspondentes justos valores concluiu-se que estes não divergiam das quantias que se encontravam inscritas na contabilidade, exceto quanto ao edifício localizado na Baixa de Lisboa, dado que este edifício tinha um valor escriturado de Meuros e o justo valor que lhe foi atribuído foi de Meuros. Em 31 de dezembro de 2012 obteve-se, com o auxílio de um perito um valor de avaliação para a M. Joaquina, SA de Meuros, mantendo-se o valor do imóvel. Quais os procedimentos contabilísticos a adotar na data da aquisição e em ? 56
57 EVE0213A Inventário e imparidades Cálculo do goodwill: Valor de aquisição da Participação Financeira ,00 80% dos c próprios da adquirida ( X 80%) ,00 Diferença entre valor de aquisição e 80% dos capitais ,00 (1) Valor escriturado do imóvel ,00 Justo valor do imóvel ,00 Diferença entre valor escriturado e justo valor ,00 80% da diferença (reconhecer separadamente) ,00 (2) Goodwill (1) - (2) ,00 Na data de aquisição reconhecer um goodwill de Meuros. Dezembro de 2012: Avaliação da sociedade da M. Joaquina, SA ,00 80% da avaliação da M. Joaquina, SA ( X 80%) ,00 Total do ativo relacionado com a M. Joaquina, SA ,00 Imparidade a reconhecer no goodwill ( 52 NCRF 12) ,00 57
58 EVE0213A Inventário e imparidades 58
59 EVE0213A Inventário e imparidades NCRF 12 e a NCRF 25 Impostos sobre o rendimento Considerando a importância que a fiscalidade assume na apresentação de contas em Portugal, sendo a Administração Fiscal um dos principais utilizadores de toda a informação financeira, importa desde logo ter em atenção que por existirem inúmeras divergências entre o resultado contabilístico e o resultado fiscal, são vários os procedimentos que deverão ser tomados por forma a fazer-se corretamente a contabilização dos impostos sobre o rendimento. Importa ainda realçar que a contabilidade deve ser preparada de modo a obter-se a respetiva realidade económica da entidade, ou seja a contabilidade deve estar preparada em primeiro para se determinar o resultado económico-financeiro da empresa, sendo o valor do imposto sobre os lucros do período (a pagar e diferido) apenas mais uma das suas componentes. Posto isto, podemos afirmar que a contabilidade e a fiscalidade têm diferentes conceitos de lucro. Enquanto a contabilidade tem como objetivo demonstrar a performance da entidade, de forma a poder prever a sua capacidade para gerar resultados no futuro; e dar-nos a conhecer qual a sua posição financeira e quais as alterações à mesma, para que se consiga prever qual a sua capacidade em gerar caixa e honrar os seus compromissos. A Fiscalidade tem como objetivo apurar o lucro fiscal de forma a poder cobrar as receitas de imposto sobre o rendimento. Essas diferenças podem ser permanentes ou temporárias, que são diferenças entre a quantia escriturada de um ativo ou de um passivo no balanço e a sua base de tributação. As diferenças temporárias podem ser: diferenças temporárias tributáveis, que são diferenças temporárias de que resultam quantias tributáveis na determinação do lucro tributável (perda fiscal) de períodos futuros quando a quantia escriturada do ativo ou do passivo seja recuperada ou liquidada; ou diferenças temporárias dedutíveis, que são diferenças temporárias de que resultam quantias que são dedutíveis na determinação do lucro tributável (perda fiscal) de períodos futuros quando a quantia escriturada do ativo ou do passivo seja recuperada ou liquidada. Uma diferença temporária pode surgir no reconhecimento inicial de um ativo ou passivo, por exemplo, se parte ou todo o custo de um ativo não for dedutível para finalidades de impostos. Um ativo por impostos diferidos deve ser reconhecido para todas as diferenças temporárias dedutíveis até ao ponto em que seja provável que exista um lucro tributável relativamente ao qual a diferença temporária dedutível possa ser usada Um passivo por impostos diferidos deve ser reconhecido para todas as diferenças temporárias tributáveis, Os ativos e passivos por impostos diferidos devem ser mensurados pelas taxas fiscais que se espera que sejam de aplicar no período quando seja realizado o ativo ou seja liquidado o passivo, com base nas taxas fiscais (e leis fiscais) que estejam aprovadas à data do balanço. A norma exige que se contabilize as consequências fiscais dos eventos económicos de forma idêntica aos próprios eventos. 59
60 EVE0213A Inventário e imparidades O efeito fiscal de eventos reconhecidos nos resultados é reconhecido nos resultados. Eventos reconhecidos diretamente no capital próprio (tal como sucede com a revalorização) apresentam o efeito fiscal também no capital próprio. Não obstante o acima referido, por se tratar da Declaração (Modelo 22) a partir da qual a Administração Fiscal arrecada uma parte substancial do Orçamento da Receita, desde sempre o seu preenchimento tem merecido uma grande preocupação por parte dos preparadores da informação. A declaração Modelo 22 apresenta cada vez mais um maior numero de divergência entre a forma de se determinar o resultado contabilístico e o resultado fiscal, na medida em que o lucro tributável das pessoas coletivas é constituído pela soma algébrica do resultado líquido do período e das variações patrimoniais positivas e negativas verificadas no mesmo período e não refletidas naquele resultado, determinados com base na contabilidade e eventualmente corrigidos nos termos do CIRC, assumindo por isso um particular destaque a análise das diversas rubricas do quadros 07 e 10 do Modelo 22, que vamos efetuar no que diz respeito aos temas aqui analisados. 60
61 EVE0213A Inventário e imparidades Campo 718 e 762 Imparidades Ajustamentos e imparidades em inventários e créditos a receber (art.º 28.º e 35.º, n.º 1 a 3) Exemplo A acrescer: Ajustamentos em inventários para além dos limites legais e perdas por imparidade em créditos não fiscalmente dedutíveis ou para além dos limites legais A deduzir: Reversão de ajustamentos em inventários tributados e de perdas por imparidade tributadas. Artigo 28.º - Ajustamentos em inventários 1 - São dedutíveis no apuramento do lucro tributável os ajustamentos em inventários reconhecidos no período de tributação até ao limite da diferença entre o custo de aquisição ou de produção dos inventários e o respetivo valor realizável líquido referido à data do balanço, quando este for inferior àquele. 2 - Para efeitos do disposto no número anterior, entende-se por valor realizável líquido o preço de venda estimado no decurso normal da atividade do sujeito passivo nos termos do n.º 4 do artigo 26.º, deduzido dos custos necessários de acabamento e venda. 3 - A reversão, parcial ou total, dos ajustamentos previstos no n.º 1 concorre para a formação do lucro tributável. 4 - Para os sujeitos passivos que exerçam a atividade editorial, o montante anual acumulado do ajustamento corresponde à perda de valor dos fundos editoriais constituídos por obras e elementos complementares, desde que tenham decorrido dois anos após a data da respetiva publicação, que para este efeito se considera coincidente com a data do depósito legal de cada edição. 5 - A desvalorização dos fundos editoriais deve ser avaliada com base nos elementos constantes dos registos que evidenciem o movimento das obras incluídas nos fundos. Artigo 35.º Perdas por imparidade fiscalmente dedutíveis 1 - Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes perdas por imparidade contabilizadas no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores: a) As relacionadas com créditos resultantes da atividade normal que, no fim do período de tributação, possam ser considerados de cobrança duvidosa e sejam evidenciados como tal na contabilidade; 61
62 EVE0213A Inventário e imparidades b) As relativas a recibos por cobrar reconhecidas pelas empresas de seguros; c) As que consistam em desvalorizações excecionais verificadas em ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos biológicos não consumíveis e propriedades de investimento. 2 - Podem também ser deduzidas para efeitos fiscais as perdas por imparidade e outras correções de valor contabilizadas no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores, quando constituídas obrigatoriamente, por força de normas emanadas pelo Banco de Portugal, de carácter genérico e abstrato, pelas entidades sujeitas à sua supervisão e pelas sucursais em Portugal de instituições de crédito e outras instituições financeiras com sede em outro Estado membro da União Europeia, destinadas à cobertura de risco específico de crédito e de risco-país e para menos-valias de títulos e de outras aplicações. 3 - As perdas por imparidade e outras correções de valor referidas nos números anteriores que não devam subsistir, por deixarem de se verificar as condições objetivas que as determinaram, consideram-se componentes positivas do lucro tributável do respetivo período de tributação. Artigo 36.º Perdas por imparidade em créditos 1 - Para efeitos da constituição da provisão prevista na alínea a) do n.º 1 do artigo anterior, são créditos de cobrança duvidosa aqueles em que o risco de incobrabilidade se considere devidamente justificado, o que se verifica nos seguintes casos: a) O devedor tenha pendente processo especial de recuperação de empresa e proteção de credores ou processo de execução, falência ou insolvência; b) Os créditos tenham sido reclamados judicialmente; c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a data do respetivo vencimento e existam provas de terem sido efetuadas diligências para o seu recebimento. 2 - O montante anual acumulado da provisão para cobertura dos créditos referidos na alínea c) do número anterior não poderá ser superior às seguintes percentagens dos créditos em mora: a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses; b) 50% para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18 meses; c) 75% para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24 meses; d) 100% para créditos em mora há mais de 24 meses. 3 - Não são considerados de cobrança duvidosa: a) Os créditos sobre o Estado, Regiões Autónomas e autarquias locais ou aqueles em que estas entidades tenham prestado aval; b) Os créditos cobertos por seguro, com exceção da importância correspondente à percentagem de descoberto obrigatório, ou por qualquer espécie de garantia real; c) Os créditos sobre pessoas singulares ou coletivas que detenham mais de 10% do capital da empresa ou sobre membros dos seus órgãos sociais, salvo nos casos previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1; d) Os créditos sobre empresas participadas em mais de 10% do capital, salvo nos casos previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1. 62
63 EVE0213A Inventário e imparidades Campo 722 Créditos Incobráveis Créditos incobráveis não aceites como gastos (art.º 41.º) Exemplo Os créditos incobráveis que não resultem de processos de insolvência e de recuperação de empresas, de processo de execução ou de procedimento extrajudicial de conciliação para viabilização de empresas em situação de insolvência ou em situação económica difícil mediado pelo IAPMEI. Artigo 41.º - Créditos incobráveis Os créditos incobráveis podem ser diretamente considerados gastos ou perdas do período de tributação na medida em que tal resulte de processo de insolvência e de recuperação de empresas, de processo de execução ou de procedimento extrajudicial de conciliação para viabilização de empresas em situação de insolvência ou em situação económica difícil mediado pelo IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento, quando relativamente aos mesmos não tenha sido admitida perda por imparidade ou, sendo-o, esta se mostre insuficiente. 63
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65 EVE0213A Inventário e imparidades Campo 719 e 763 Depreciações e outras Desvalorizações Depreciações e outras desvalorizações em ativos depreciáveis (art.º 34.º, n.º 1, art.º 35.º n.º 4 e art.º 38.º) Exemplo A acrescer: Depreciações e amortizações, perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis e desvalorizações excecionais, não aceites como gastos A deduzir: Depreciações e amortizações tributadas em períodos de tributação anteriores (art.º 20.º do D.R. 25/2009, de 14/9) e dedução da quota-parte das perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis não aceites fiscalmente como desvalorizações excecionais Artigo 34.º - Gastos não dedutíveis para efeitos fiscais 1 - Não são aceites como gastos: a) As depreciações e amortizações de elementos do ativo não sujeitos a deperecimento; b) As depreciações de imóveis na parte correspondente ao valor dos terrenos ou na não sujeita a deperecimento; c) As depreciações e amortizações que excedam os limites estabelecidos nos artigos anteriores; d) As depreciações e amortizações praticadas para além do período máximo de vida útil, ressalvando-se os casos especiais devidamente justificados e aceites pela Direcção-Geral dos Impostos; e) As depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, incluindo os veículos elétricos, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação excedente ao montante a definir por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças, bem como dos barcos de recreio e aviões de turismo e todos os gastos com estes relacionados, desde que tais bens não estejam afetos à exploração do serviço público de transportes ou não se destinem a ser alugados no exercício da atividade normal do sujeito passivo. Artigo 35.º - Perdas por imparidade fiscalmente dedutíveis 4 - As perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis que não sejam aceites fiscalmente como desvalorizações excecionais são consideradas como gastos, em partes iguais, durante o período de vida útil restante desse ativo ou, sem prejuízo do disposto nos artigos 38.º e 46.º, até ao período de tributação anterior àquele em que se verificar o abate físico, o desmantelamento, o abandono, a inutilização ou a transmissão do mesmo. 65
66 EVE0213A Inventário e imparidades Artigo 38.º - Desvalorizações excecionais 1 - Podem ser aceites como perdas por imparidade as desvalorizações excecionais referidas na alínea c) do n.º 1 do artigo 35.º provenientes de causas anormais devidamente comprovadas, designadamente, desastres, fenómenos naturais, inovações técnicas excecionalmente rápidas ou alterações significativas, com efeito adverso, no contexto legal. 2 - Para efeitos do disposto no número anterior, o sujeito passivo deve obter a aceitação da Direcção-Geral dos Impostos, mediante exposição devidamente fundamentada, a apresentar até ao fim do primeiro mês do período de tributação seguinte ao da ocorrência dos factos que determinaram as desvalorizações excecionais, acompanhada de documentação comprovativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente órgão de gestão que confirme aqueles factos, de justificação do respetivo montante, bem como da indicação do destino a dar aos ativos, quando o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização destes não ocorram no mesmo período de tributação. 3 - Quando os factos que determinaram as desvalorizações excecionais dos ativos e o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização ocorram no mesmo período de tributação, o valor líquido fiscal dos ativos, corrigido de eventuais valores recuperáveis pode ser aceite como gasto do período, desde que: a) Seja comprovado o abate físico, desmantelamento, abandono ou inutilização dos bens, através do respetivo auto, assinado por duas testemunhas, e identificados e comprovados os factos que originaram as desvalorizações excecionais; b) O auto seja acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa, contendo, relativamente a cada ativo, a descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como o valor líquido contabilístico e o valor líquido fiscal; c) Seja comunicado ao serviço de finanças da área do local onde aqueles bens se encontrem, com a antecedência mínima de 15 dias, o local, a data e a hora do abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização e o total do valor líquido fiscal dos mesmos. 4 - O disposto nas alíneas a) a c) do número anterior deve igualmente observar-se nas situações previstas no n.º 2, no período de tributação em que venha a efetuar-se o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização dos ativos. 5 - A aceitação referida no n.º 2 é da competência do diretor de finanças da área da sede, direção efetiva ou estabelecimento estável do sujeito passivo ou do diretor dos Serviços de Inspeção Tributária, tratando-se de empresas incluídas no âmbito das suas atribuições. 6 - A documentação a que se refere o n.º 3 deve integrar o processo de documentação fiscal, nos termos do artigo 130.º Exemplo: A empresa Camionetas Fortes, SA: A empresa espera vender as carroçarias por 500 euros cada Custo estimado do produto: 20 * = Rédito estimado: 20 * 500 = Há que reconhecer um ajustamento de euros. 66
67 EVE0213A Inventário e imparidades 652 Perdas p/ imparidade Em inventários a 339 Perdas por imparidade acumuladas Não conseguimos demonstrar de uma forma idónea o preço de venda, logo não vamos considerar a imparidade para efeitos fiscais, assim: 2741 Ativos por impostos diferidos 530 a 8122 Imposto diferido 530 Ativo por imposto diferido Exemplo: A Transporta Tudo, S.A.: Perda por imparidade = ,96 = ,04 Depreciação nos próximos três anos: 34261,96 : 3 = ,65 Por não ser enquadrável nas desvalorizações excecionais relevantes para efeitos fiscais, temos: 2741 Ativos por impostos diferidos 2.845, 58 a 8122 Imposto diferido 2.845, 58 Ativo por imposto diferido (2012) Depreciação em 2013: Contabilística: ,96 : 3 = ,65 Fiscal: ,00 : 3 = , Imposto diferido 948, 53 a 2741 Ativos por impostos diferidos 948, 53 Reversão ativo por imposto diferido (2013) Atenuando-se assim a diferença entre o resultado contabilístico e o resultado fiscal, eliminando-se ao fim dos três anos da vida útil do bem. 67
68 EVE0213A Inventário e imparidades Exemplo: A empresa Camionetas Fortes, SA: Imparidade Fiscal Clientes em mora há 182 dias, ; (25%) T Clientes com processo judicial, de ; (100%) T Autarquias em mora há 275 dias, de ; (0%) 0,00 T Clientes não identificados, (0%) 0,00 P Diferença temporária ,00 Diferença permanente , Ativos por impostos diferidos ,50 a 8122 Imposto diferido ,50 AID ( x 26,5%) Exemplo: A sociedade A. Joaquim, S.A. Cálculo do goodwill: Diferença entre valor de aquisição e 80% dos capitais ,00 (1) 80% da diferença (reconhecer separadamente) ,00 (2) Goodwill (1) - (2) ,00 Os resultam de uma revalorização de um edifício, pelo que não são base fiscal, assim há que reconhecer um passivo por impostos diferidos. 441 Goodwill , 00 a 2742 Passivos por impostos diferidos , 00 Passivo por imposto diferido ( x 26,5%) Na data de aquisição reconhecer um goodwill de Meuros. Dezembro de 2012: Avaliação da sociedade da M. Joaquina, SA ,00 80% da avaliação da M. Joaquina, SA ( X 80%) ,00 Total do ativo relacionado com a M. Joaquina, SA ,00 Imparidade a reconhecer no goodwill ( 52 NCRF 12) ,00 Diferença permanente, não há lugar ao reconhecimento de impostos diferidos. Uma perda por imparidade reconhecida para o goodwill não deve ser revertida num período posterior. ( 64 NCRF 12) 68
69 EVE0213A Inventário e imparidades Conclusão Concretizada a nossa proposta de leitura, resta sublinhar que o conhecimento destas normas visa capacitar os técnicos oficiais de contas para uma aplicação prática das mesmas, contribuindo assim para uma melhor utilidade da informação. Tendo em vista favorecer a interligação da teoria com a prática, o manual foi apresentado numa perspetiva técnico-metodológica que compatibiliza uma abordagem conceptual com o estudo de alguns casos práticos. Em suma, o presente manual pretende que os técnicos oficiais de contas se sensibilizem com estas normas e consolidem no terreno estas temáticas que foram reforçadas com o novo Sistema de Normalização Contabilística. O futuro é inevitável e devemos moldar-nos para melhor o enfrentarmos, assim terminamos na esperança de poder ter dado um contributo para a formação de técnicos oficiais de contas bem preparados e que aqui consigam encontrar um incentivo para continuar numa profissão cada vez mais exigente, mas cada vez, também, mais entusiasmante quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista pessoal. 69
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71 EVE0213A Inventário e imparidades Bibliografia ALMEIDA, Maria do Céu, ALBUQUERQUE, Fábio de, A adoção pela primeira vez do novo normativo (SNC), Chaves Ferreira Edições, 2009~ ALMEIDA, Rui, e out, SNC Explicado, ATF-Edições técnicas, 2009 ANTÃO, Avelino Azevedo, Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades, Revista da OTOC, Janeiro 2010 CASCAIS, Domingos, FARINHA, José Pedro, SNC e as PME - Casos Práticos, Texto-Leya, 2010 CASCAIS, Domingos, FARINHA, José Pedro, O Encerramento e a Prestação de contas em SNC, Texto-Leya, 2011 CIPRIANO, João Amaro Santos, SNC Adoção pela primeira vez das NCRF, sebenta de apoio à formação à distância, CTOC, 2009 CRAVO, Domingos, GRENHA, Carlos, BAPTISTA, Luís, PONTES, Sérgio, SNC Comentado, Texto-Leya, 2009 CRAVO, Domingos, GRENHA, Carlos, BAPTISTA, Luís, PONTES, Sérgio. Anotações ao Sistema de Normalização Contabilística OTOC, 2010 EPSTEIN, Barry Jay, JERMAKOWICZ, Eva, Wiley IFRS 2008: interpretation and application of international financial reporting standards, Hoboken (N. J.): Wiley, FARINHA, José Pedro, SNC oportunidades e desafios na mudança: estaremos preparados?, Revista da OTOC, Outubro 2009 FARINHA, José Pedro, A Contabilidade e a crise: qual a relação?, Revista da OTOC, Abril 2010 FRANCO, Paula, POC vs SNC explicado OTOC, 2010 FRANCO, Paula, ROQUE Pedro, O novo sistema de normalização contabilística, Revista da OTOC, Janeiro 2010 IASB, Accounting Standards for Small and Medium-Sized Entities, Revised - 1 October 2004, disponível em IASB, Conceptual Framework, Joint IASB/FASB meeting, Norwalk, October 2004, disponível em IASB, Preliminary views on Accounting Standars for Small and Medium-sized Entities, June 2004, disponível em IASB, IASB/NSS Meeting: Conceptual Framework Draft Project Plan, 20 April 2005, London, disponível em JOHNSON, L. Todd, The Project to Revisit the Conceptual Framework, The FASB Report, December 28, 2004 KIESO, Donald E., WEYGANDT Jerry J., WARFIELD, Terry D., Intermediate Accounting, Tenth edition, Wiley & sons, 2001 OROC, IASB, Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRSs) OROC, Manual do Revisor Oficial de Contas (CD - versão 39) PIRES DA SILVA, Eusébio, e out, Contabilidade Financeira - casos práticos, Rei dos livros, 2010 POC (Plano Oficial de Contabilidade), 23.ª edição, Porto Editora, 2005 RODRIGUES, João, Sistema de Normalização Contabilística Explicado, Porto Editora, 2009 TUA PEREDA, Jorge, El Soporte Teórico de la Norma Contable, VII Encuentro AECA, Palma de Mallorca,
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73 EVE0213A Inventário e imparidades SITES Accounting Standards Board - Com. de Normalização Contabilística Financial Accounting Standrads Board - Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas 73
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75 Formação Eventual Tema B - Regras de emissão e comunicação de guias de transporte e faturação Paula Franco Jorge Carrapiço Revisto por Técnicos da Autoridade Tributária e Aduaneira EVE0213B Junho 2013
76 FICHA TÉCNICA Título: Regras de emissão e comunicação de guias de transporte e faturação Autores: Paula Franco e Jorge Carrapiço Capa e paginação: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OTOC Impresso por Jorge Fernandes Artes Gráficas em maio de 2013 Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, 2013 Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não o indicado, sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, entidade que detém os direitos de autor. 76
77 Índice 1. Introdução Alterações no Regime dos Bens em Circulação Introdução Emissão dos documentos de transporte Processamento dos documentos de transporte Impressão dos documentos de transporte Elementos obrigatórios dos documentos de transporte Anulação dos documentos de transporte emitidos e comunicados Documento de transporte global Alterações no decurso do transporte ou não aceitação dos bens pelo adquirente ou destinatário Situações específicas A comunicação à AT dos elementos dos documentos de transporte Obrigação e dispensa Formas de comunicação Comunicação por transmissão eletrónica de dados Comunicação dos documentos por Webservice Comunicação dos documentos de transporte por SAF-T- (PT) Registo direto no Portal das Finanças (E-Fatura) Comunicação por via telefónica Código de identificação Situação de inoperacionalidade Infração Criação de subutilizadores no Portal das Finanças Tipografia autorizadas Obrigações das tipografias Utilização de DT impressos em papel tipográfico Perguntas e respostas frequentes (FAQ s) Questões de emissão e processamento do DT Questões sobre infrações Questões sobre comunicação à AT Questões sobre tipografias autorizadas
78 5.5. Questões excecionais ou especiais Decreto-Lei 147/ Regime dos Bens em Circulação Artigos e comentários Artigo 1.º Artigo 2.º Artigo 3.º Artigo 4.º Artigo 5.º Artigo 6.º Artigo 7.º Artigo 8.º Artigo 9.º Artigo 10.º Artigo 11.º Artigo 12.º Artigo 13.º Artigo 14.º Artigo 15.º Artigo 16.º Artigo 17.º Artigo 18.º Artigo 19.º Faturação Novas regras Introdução Alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2012 de 24 de agosto Faturação eletrónica Obrigatoriedade de emissão de faturas Faturas SimplificadaS Outras alterações introduzidas pelo Decreto-Lei 197/ Processamento das faturas Faturas-recibos emitidas no Portal das Finanças ( Comunicação das faturas Perguntas e respostas frequentes (FAQ s) sobre faturação ANEXOS Minutas para acompanhar os bens excluídos das obrigações de documento de transporte nos termos do art. 3.º Documento comprovativo do transporte de bens pertencentes ao ativo imobilizado Documento comprovativo do transporte de bens pertencentes a um particular Documento comprovativo do transporte de bens provenientes dos produtores agrícolas, apícolas silvícolas ou de pecuária, transportados pelo próprio
79 Documento comprovativo do transporte de bens provenientes dos produtores agrícolas, apícolas silvícolas ou de pecuária, transportados por conta do produtor Minutas de um documento de entregas efetiva Minutas de um documento de folha de obras ou de consumos Portaria N.º 162/2013 de 23 de Abril Ofício-Circulado N.º ,SIVA, DE BIBLIOGRAFIA
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81 Nota Prévia Este documento foi preparado para servir de apoio à ação de formação eventual promovida pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, sob o tema Regras de emissão e comunicação de guias de transporte e faturação. Não é permitida a reprodução para quaisquer outras finalidades devendo quaisquer eventuais citações indicar a fonte. 81
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83 Siglas e Abreviaturas RBC Regime dos Bens em circulação objeto de transações entre sujeitos passivos de IVA DT Documento de transporte AT Autoridade Tributária e Aduaneira CIVA Código do IVA RITI Regime do IVA das Transações Intracomunitárias RGIT Regime das Infrações Tributárias CIRC Código do IRC CIRS Código do IRS CIEC Código dos Impostos Especiais de Consumo NIF Numero de Identificação Fiscal OC Ofício-Circulado M22 Declaração de Rendimentos Modelo 22 M3 - Declaração de Rendimentos Modelo 3 SP Sujeito Passivo PC Pessoas coletivas AFT Ativos fixos tangíveis P.E. por exemplo 83
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85 1. Introdução O ano 2013 tem sido fértil em alterações fiscais que levam a mudanças de procedimentos com o objetivo de combater a fraude e a evasão fiscal. Duas das grandes mudanças estão relacionadas com obrigações de faturações e com o Regime dos Bens em Circulação. 85
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87 2. Alterações no Regime dos Bens em Circulação 2.1 Introdução As alterações ao regime dos bens em circulação tiveram origem no Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto que procedeu a alterações do regime de bens em circulação objeto de transações entre sujeitos passivos de IVA, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 147/2003, de 11 de julho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 238/2006, de 20 de dezembro, e pela Lei n.º 3-B/2010, de 28 de abril, no sentido de se estabelecerem regras que assegurem a integridade dos documentos de transporte e que garantam à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) um controlo mais eficaz destes documentos, obstando à sua posterior viciação ou ocultação. Estas alterações entram em vigor em 1 de julho de Lembramos que todos os bens em circulação, em território nacional, seja qual for a sua natureza ou espécie, que sejam objeto de operações realizadas por sujeitos passivos de imposto sobre o valor acrescentado devem ser acompanhados de documentos de transporte processados nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 147/2003, de 11 de julho. Com vista a clarificar as obrigações dos sujeitos passivos, foi elaborado este manual que tem como objetivo dar a conhecer as novas regras aplicáveis aos bens em circulação e rever toda a legislação que já se aplicava relacionada com esta temática. A estrutura deste documento inicia por fazer referência às principais alterações e problemas que se levantam com as novas exigências. De seguida, elencam-se uma série de FAQ s de resposta simples para irem de encontro às dúvidas dos Técnicos Oficiais de Contas, contribuintes e de todos os operadores que de uma forma geral possam necessitar de clarificações sobre esta matéria. Por último, procede-se à transcrição de todos os artigos do Regime dos Bens em Circulação (RBC) com comentários sobre a sua aplicação. 87
88 2.2. Emissão dos documentos de transporte Quem emite o documento de transporte (DT)? A obrigação é do sujeito passivo de IVA detentor/remetente dos bens. O transportador deve sempre exigir o original e duplicado do DT (ou Código de identificação) ao remetente dos bens. No caso do transportador se vir na contingência de elaborar/processar um DT, pode fazê-lo desde que em nome e por conta do remetente/detentor, existindo uma funcionalidade no Portal das Finanças (subutilizador) para estas entidades poderem efetuar a comunicação à AT desses documentos elaborados em nome e por conta do remetente. Refira-se que o transporte por conta de outrem em viaturas mercadorias (ligeiras ou pesadas) acima de 2500 kg, só pode ser efetuado por entidades licenciadas para o exercício da atividade de transporte de mercadorias atribuído pelo IMTT (Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, I.P.). 88
89 2.3. Processamento dos documentos de transporte Os documentos de transporte podem ser processados pelas seguintes vias: 1 - Por via eletrónica, desde que garantida a autenticidade e integridade do conteúdo dos documentos (p.e. através de aposição de assinatura eletrónica avançada ou emissão pelo sistema EDI); 2 - Por programa de computador certificado pela AT, de acordo com os requisitos técnicos previstos na Portaria 363/2010, com alterações da Portaria 22-A/2012 e Portaria 160/2013; 3 - Por programa de computador produzido internamente pela empresa ou pelo grupo, de cujos direitos de autor seja detentor; 4 - Através do Portal das Finanças (é criada uma nova funcionalidade); 5 - Manualmente em papel, utilizando-se impressos de tipografia autorizada. Nos termos da Portaria 363/2010, com as alterações introduzidas pela Portaria 22-A/2012 e Portaria 160/2013, de 23 de abril, fica clarificado que os sujeitos passivos que utilizem ou sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados ficam também abrangidos pela obrigatoriedade de dispor de programas certificados para emissão dos DT. Por regra, os documentos de transporte devem ser processados em três exemplares, sendo o original e duplicado que acompanham os bens, o primeiro para o adquirente ou destinatário e o segundo para as autoridades de fiscalização. O triplicado fica para arquivo do remetente. Esses documentos de transporte podem ser processados em uma ou mais séries, convenientemente referenciadas, com numeração progressiva, contínua e aposta no ato de emissão. No que respeita às alterações aos documentos de transporte, antes de iniciado o transporte, esses documentos podem ser anulados, ou os seus elementos alterados, nomeadamente data e hora de início do transporte, quantidades e bens a transportar, locais de descarga, etc.. Após se ter ultrapassado a hora/minuto do início do transporte, já não é possível proceder a essa anulação ou alteração, no entanto se a alteração respeitar à data ou hora do transporte poder-se-á em alternativa, proceder à emissão de um DT adicional em papel tipográfico fazendo referência ao documento alterado. As alterações de local de destino nos documentos de transporte, ocorridas durante o transporte, ou a não-aceitação dos bens pelo adquirente, obrigam à emissão de um novo documento de trans- 89
90 porte adicional em papel pré-impresso ou por qualquer outra via prevista de 1 a 4 (documento de transporte adicional subsidiário ao DT inicial), identificando a alteração e o documento alterado (anteriormente estas alterações eram anotadas no próprio documento de transporte). Este documento de transporte adicional deve conter todos os elementos obrigatórios de um documento de transporte nos termos do n.º 2 do art. 4.º do RBC, identificando a alteração e o documento alterado. Estas alterações são também comunicadas obrigatoriamente à AT no prazo de 5 dias úteis se o documento adicional for processado em papel tipográfico e antes do novo transporte se o documento adicional for emitido pelas vias previstas de 1 a 4. Diferenças entre as obrigações dos sujeitos passivos que dispõem ou tenham que dispor de programas informáticos certificados e daqueles que não dispõem, no que respeita ao documento de transporte inicial: - Os sujeitos passivos que utilizem, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados devem proceder à emissão dos documentos de transporte pelas vias 1, 2 ou 4. - Os sujeitos passivos que utilizem programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas informáticos de faturação certificados) podem proceder à emissão de DT pelas vias 1, 3, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que não utilizem nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente), podem proceder à emissão de DT pelas vias 4 ou 5. Diferenças entre as obrigações dos sujeitos passivos que dispõem ou tenham que dispor de programas informáticos certificados e daqueles que não dispõem, no que respeita ao documento de transporte adicional (previstos no n.º 8 do art. 4.º do RBC): - Os sujeitos passivos que utilizem, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados devem proceder à emissão dos documentos de transporte adicionais pelas vias 1, 2, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que utilizem programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas informáticos de faturação certificados) podem proceder à emissão de DT pelas vias 1, 3, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que não utilizem nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente), devem proceder à emissão de DT pelas vias 4 ou 5. Para além da obrigação de emissão do DT os sujeitos passivos têm ainda a obrigação de comunicar esses documentos à AT. Embora esta matéria seja aprofundada no ponto 3 refira-se apenas de forma resumida as respetivas obrigações: Regra geral, a comunicação dos elementos dos documentos de transporte deve ser efetuada por transmissão eletrónica de dados (via webservice, envio de SAFT), para os documentos emitidos 90
91 por meios informáticos (por via eletrónica ou através de programas informáticos de faturação certificados ou programas produzidos internamente). Os documentos de transporte emitidos através do Portal das Finanças são comunicados automaticamente (em simultâneo) pelo próprio portal para a AT. Os documentos de transporte emitidos manualmente em papel tipográfico são comunicados inicialmente pelo serviço telefónico (apenas elementos essenciais: Hora, data, últimos 4 dígitos do numero do DT e NIF do adquirente) e posteriormente com inserção no Portal das Finanças (até ao 5º dia útil) dos restantes elementos obrigatórios. Resumindo podem existir as seguintes vias de emissão: 1 - Por via eletrónica 2 - Por programa de computador certificado pela AT 3 - Por programa de computador produzido internamente 4 - Através do Portal das Finanças 5 - Manualmente em papel tipográfico Existe ainda uma situação excecional, para o transporte dos bens provenientes de produtores agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária resultante da sua própria produção quando o transporte não seja feito pelo produtor ou por sua conta. Esta exceção consiste na emissão e comunicação prévia pelo adquirente dos bens de um documento próprio com a respetiva identificação do adquirente (nome, morada e NIF) e com pelo menos o NIF de cada produtor e a data do início do transporte. De seguida o adquirente emite um DT em papel tipográfico à medida que os bens forem objeto de carga identificando o NIF do produtor, designação comercial dos bens e as quantidades, bem como o local, o dia e a hora da carga, devendo os documentos acompanhar o transporte dos bens. Neste DT emitido em papel tipográfico o remetente e o adquirente são o mesmo, isto é, um DT de A para A. No entanto deve mencionar o NIF do produtor como elemento adicional. A comunicação deste DT em papel tipográfico deve ser feita até ao 5.º dia útil seguinte ao do início do transporte através de inserção no Portal das Finanças, fazendo menção ao documento próprio comunicado previamente. 91
92 2.4. Impressão dos documentos de transporte Por regra, os documentos de transporte devem ser sempre impressos em papel (3 exemplares), em que o original e o duplicado acompanham os bens transportados. A exceção é quando existe a comunicação do DT por transmissão eletrónica de dados, substituindo-se a impressão do DT pelo código de Identificação (com exceção do DT global). Se, por exigências comerciais, for necessário o processamento de mais de três exemplares dos DT é permitido à tipografia autorizada executá-los, com a condição de imprimir nos exemplares que excedam aquele número uma barra com a seguinte indicação: «Cópia de documento não válida para os fins previstos no Regime dos Bens em Circulação.» 92
93 2.5. Elementos obrigatórios dos documentos de transporte - Nome, firma ou denominação social, domicílio ou sede e número de identificação fiscal do remetente; - Nome, firma ou denominação social, domicílio ou sede do destinatário ou adquirente; - Número de identificação fiscal do destinatário ou adquirente, quando este seja sujeito passivo de IVA; - Designação comercial dos bens, com indicação das quantidades. - Locais de carga e descarga, referidos como tais, e a data e hora em que se inicia o transporte (se diferentes dos elementos do DT, exceto a hora do início do transporte). Deixa de ser obrigatória a menção Processado por computador, passando a existir a inclusão da assinatura (cifra) informática prevista no artigo 7º da Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e Portaria 160/2013, quando o DT for processado por programa informático de faturação certificado. 93
94 2.6. Anulação dos documentos de transporte emitidos e comunicados O DT inicialmente emitido e comunicado pode ser anulado através de comunicação desta anulação desde que efetuada até à hora /minuto que foi comunicado como início do transporte. Após se ter ultrapassado a hora/minuto do início do transporte, já não é possível proceder a essa anulação ou alteração, no entanto se a alteração respeitar à data ou hora do transporte poder-se-á em alternativa, proceder à emissão de um DT adicional em papel tipográfico fazendo referência ao documento alterado. Esse documento de transporte de alteração dos dados, emitido em papel tipográfico, é comunica- do até ao 5º dia útil seguinte ao transporte, por inserção de dados no Portal das Finanças. 94
95 2.7. Documento de transporte global Os documentos de transporte globais são documentos em que os destinatários dos bens não são conhecidos à altura de saída dos bens e corresponde na prática a uma listagem de todos os bens transportados que se encontram naquelas circunstâncias. Este conceito de destinatários não conhecidos à altura de saída dos bens deve incluir as situações de desconhecimento das quantidades de bens a entregar ou a consumir em prestações de serviços ou de desconhecimento dos locais de descarga. Regra geral, o documento de transporte global dá origem à emissão de documentos acessórios que complementam o DT global. Estes documentos podem ser faturas, documentos de entregas efetivas, DT ou folhas de obras ou consumos. Nos bens que não são entregues nem consumidos e que se mantém na posse do remetente não existe qualquer procedimento adicional a efetuar. Os documentos de transporte globais podem ser processados por qualquer das vias referidas no ponto 2.3 e nas condições aí mencionadas. Quaisquer que sejam as vias utilizadas para o processamento, os documentos de transporte globais devem ser sempre impressos em papel (3 exemplares) e o original e duplicado devem acompanhar os bens, ainda que exista o código de identificação. No momento das entregas efetivas de bens, deve ser emitido um documento definitivo por cada entrega, com referência expressa ao documento de transporte global. Este documento definitivo pode ser uma fatura. O documento das entregas efetivas deve ser processado em duplicado, servindo este para justificar a saída dos bens, emitido sem qualquer formalismo nos termos do RBC. No caso de saída de bens a incorporar em serviços prestados pelo remetente dos mesmos, esses consumos de bens devem ser registados em documento próprio, nomeadamente folha de obra ou qualquer outro documento equivalente. Estes documentos das entregas efetivas e as folhas de obra (ou os documentos de consumo de bens) podem ser emitidos em papel sem qualquer formalismo (não necessita de ser um DT pré- -impresso tipograficamente ou por sistema informático). 95
96 Estes documentos das entregas efetivas e as folhas de obra (ou os documento de consumo de bens) devem ser comunicados por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao das entregas efetivas ou do consumo dos bens evidenciados na folha de obra, com base no documento de transporte global. Na inserção é necessário chamar o DT global e inserir os seguintes dados: - Sujeito passivo; - Local; - Data; - Quantidade - Tipo de bem; - Número, ainda que não exista sequência. Ou seja, na inserção de dados no Portal das Finanças o sistema vai buscar o documento de transporte global inicial para justificar as entregas efetivas ou o consumo dos bens em prestações de serviços. Se o documento das entregas efetivas for uma fatura emitida através de sistemas informáticos, essa fatura também deve ser comunicada como documento adicional do transporte global, por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte, independentemente de também ser comunicada até ao dia 25 do mês seguinte. Esta comunicação pode ser inserção direta ou por envio de ficheiro no Portal das Finanças. Nestes casos não pode existir comunicação prévia dos dados destes DT (documentos de entregas efetivas e folhas de obra) por serviço telefónico ou por transmissão eletrónica de dados. 96
97 2.8. Alterações no decurso do transporte ou não aceitação dos bens pelo adquirente ou destinatário As alterações de local de destino nos documentos de transporte, ocorridas durante o transporte, e a não-aceitação dos bens pelo adquirente, obrigam à emissão de um novo documento de transporte adicional. Esse documento de transporte adicional, enquanto DT subsidiário do DT inicial, é emitido em papel e deve referenciar sempre o DT inicial. Não obstante a sua emissão em papel, este não necessita de ser previamente comunicado à AT através do serviço telefónico, devendo, no entanto, o emitente inserir, no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte ao da emissão do DT adicional, os elementos do DT. Tratando-se de DT adicionais emitidos por alteração do local de destino ou por não aceitação dos bens pelo adquirente, eles podem também ser emitidos: 1 Pelas vias 1,2 e 4 se os sujeitos passivos utilizam, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados; 2 Pelas vias 1,3 ou 4 se os sujeitos passivos utilizam programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas informáticos de faturação certificados); 3 Pela via 4 se os sujeitos passivos não utilizam nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente). A utilização das vias de emissão expostas no parágrafo anterior, com a consequente comunicação prévia e atribuição do código de identificação, dispensa a impressão do DT e a necessidade de, até ao 5.º dia útil seguinte ao da emissão do DT adicional, proceder à inserção no Portal das Finanças dos elementos dos DT. Nestas situações, é frequente as alterações ocorrerem rem em transportes efetuados por transportadores. No caso do transportador se vir na contingência de elaborar/processar um DT adicional, pode fazê-lo, por exemplo em papel tipográfico, desde que em nome e por conta do remetente/ detentor, existindo uma funcionalidade no Portal das Finanças (subutilizador) para estas entidades poderem efetuar a comunicação à AT desses documentos elaborados em nome e por conta do remetente. De qualquer forma, a obrigação de proceder à comunicação destes DT adicionais elaborados pelos transportadores em nome e por conta do remetente/detentor, é sempre deste último. 97
98 2.9. Situações específicas Bens destinados a não sujeitos passivos Quando exista a obrigação de emissão de documento de transporte para destinatários ou adquirentes não sujeitos passivos (particulares), não é obrigatório incluir o NIF desse destinatário ou adquirente, sendo obrigatória a colocação de uma menção expressa no Documento de transporte de tal situação (por exemplo consumidor final, particular ou não sujeito passivo ). A comunicação dos DT s, nestes casos, está dispensada, incluindo documentos de entregas efetivas e folhas de obra de DT globais. Documento de transporte para vendedores ambulantes, de feiras e mercados Os vendedores ambulantes, de feiras e mercados que efetuem venda a retalho e estejam enquadrados no regime especial de isenção de IVA (artº 53º do CIVA) ou no regime dos pequenos retalhistas (artº 60 do CIVA) podem utilizar como DT as faturas de aquisição dos bens. Documento de transporte dos bens provenientes de produtores agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária resultante da sua própria produção quando o transporte não seja feito pelo produtor ou por sua conta. Para este tipo de transporte, foi criada uma exceção às regras do RBC, que consiste na emissão e comunicação prévia pelo adquirente dos bens de um documento próprio com os dados do adquirente (nome, morada e NIF) e com pelo menos o NIF de cada produtor e a data do início do transporte. De seguida, o adquirente emite um DT em papel tipográfico à medida que os bens forem objeto de carga, identificando o NIF do produtor, designação comercial dos bens e as quantidades, bem como o local, o dia e a hora da carga, devendo os documentos acompanhar o transporte dos bens. Neste DT emitido em papel tipográfico, o remetente e o adquirente são o mesmo, isto é, um DT de A para A. No entanto deve mencionar o NIF do produtor como elemento adicional. A comunicação deste DT em papel tipográfico deve ser feita pelo adquirente desses bens, até ao 5.º dia útil seguinte ao do início do transporte, através de inserção no Portal das Finanças, fazendo menção ao documento próprio comunicado previamente. 98
99 3. A comunicação à AT dos elementos dos documentos de transporte 3.1. Obrigação e dispensa A obrigação de comunicação dos DT's é sempre dos sujeitos passivos remetentes dos bens. Não obstante o referido, os sujeitos passivos remetentes podem sempre habilitar terceiros a fazê- -lo em seu nome e por sua conta, em funcionalidade disponibilizada no Portal das Finanças (ver ponto 3.11). Os sujeitos passivos com um volume de negócios superior a euros, no período anterior, são obrigados a proceder à comunicação dos elementos dos documentos de transporte à AT. Os sujeitos passivos com um volume de negócios inferior ou igual a euros, no período anterior, estão dispensados de proceder à comunicação dos elementos dos documentos de transporte à AT, mas podem optar por efetuar essa comunicação. O volume de negócios deve ser reportado ao período de tributação anterior, sendo determinado de acordo com as regras dos impostos sobre o rendimento (IRS/IRC). O volume de negócios é dado pelo valor de vendas e dos serviços prestados, com apuramento nos termos do nº 3 do artigo 18º do CIRC. Os documentos de transporte cujo destinatário seja um consumidor final estão dispensados de comunicação à AT. Entende-se por consumidor final não sujeitos passivos de IVA, isto é, particulares. Esta dispensa também se aplica aos documentos de entregas efetivas e folhas de obras cujos consumidores finais sejam particulares. Nos casos em que a fatura serve também de documento de transporte e é emitida por sistemas informáticos (Fatura eletrónica, processado por programa de faturação certificado, processado por programa próprio), fica dispensada a comunicação dos elementos do documento de transporte, devendo a circulação dos bens ser acompanhada da respetiva fatura emitida. 99
100 3.2. Formas de comunicação A comunicação à AT dos elementos do documento de transporte é efetuada por transmissão eletrónica de dados (Webservice, envio de ficheiro SAFT-PT e registo direto no Portal das Finanças), nos termos da Portaria n.º 161/2013 de 23 de abril. Os sujeitos passivos que emitam os DT diretamente no Portal das Finanças (em nova funcionalidade) efetuam a comunicação desses DT de forma automática, com atribuição imediata do código de identificação. Para as entidades que emitam documentos de transporte manualmente em papel através de impressos de tipografias autorizadas, essa comunicação à AT é efetuada através de serviço telefónico a disponibilizar para o efeito (com introdução dos elementos essenciais do documento de transporte), havendo que proceder posteriormente (até ao 5º dia útil seguinte) à inserção dos restantes elementos do DT no Portal das Finanças. A comunicação à AT dos elementos dos documentos de transporte pode ser dividida em duas fases: ü A comunicação da emissão do próprio DT e ü A comunicação dos dados do DT Inserção Se a emissão do documento de transporte (DT) for efetuada pela via eletrónica ou informática (vias 1 a 4), a comunicação dos dados do DT inclui todos os elementos obrigatórios pelo que as duas fases ocorrem em simultâneo. Se a emissão do DT for efetuada pela via papel (via 5), a comunicação dos dados do DT inclui, numa primeira fase, a comunicação telefónica dos elementos essenciais do DT emitido N.º da guia (4 últimos dígitos), data e hora de início do transporte e NIF do adquirente, se obrigatório. Esta comunicação é feita por telefone e antes do início do transporte. Numa segunda fase, são comunicados os restantes elementos obrigatórios do DT bens transportados, quantidades e designações comerciais, locais de carga e descarga, devendo completar-se o n.º da guia de transporte comunicada por via telefónica. Esta comunicação é feita por inserção destes dados através do Portal das Finanças até ao 5º dia útil seguinte ao transporte. 100
101 A inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte, dos elementos dos documentos de transporte emitidos em papel (tenha ou não existido comunicação por via telefónica para os casos em que é obrigatório) pode também ser efetuada por via eletrónica (Webservice, envio de ficheiro SAFT-PT e registo direto no Portal das Finanças). Nos DT s adicionais emitidos em papel não há necessidade de comunicar previamente a emissão do DT, havendo apenas de inserir todos os elementos obrigatórios do DT até ao 5º dia útil seguinte através do Portal das Finanças ou em alternativa por via eletrónica. No caso dos documentos de transporte adicionais referentes às alterações dos locais de destino ou de não aceitação dos bens, que sejam emitidos por sistemas informáticos e que sejam comunicados por via eletrónica, esta comunicação pode ser prévia obtendo-se o respetivo código de identificação. Também neste caso, quando o transportador se veja na contingência de ter que processar um DT em nome e por conta do remetente, podendo fazê-lo em papel tipográfico, a comunicação é sem- pre feita pelo remetente até ao 5º dia útil seguinte através de inserção de dados no Portal das Finanças ou por via eletrónica. Em alternativa, pode ser o transportador a efetuar essa comunicação em nome e por conta do remetente através da funcionalidade subutilizador disponível no Portal das Finanças. Nos DT s adicionais emitidos em papel tipográficos após se ter ultrapassado a hora/minuto do início do transporte, com o objetivo de alterar essa hora/minuto do início, a comunicação também se efetua por inserção de dados até ao 5º dia útil seguinte ao transporte no Portal das Finanças. Por último, refira-se outra forma de comunicação que se aplica ao transporte dos bens provenientes de produtores agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária resultante da sua própria produção quando o transporte não seja feito pelo produtor ou por sua conta. Neste caso a emissão e comunicação prévia é efetuada pelo adquirente dos bens num documento próprio com a identificação do adquirente (nome, morada e NIF) e com pelo menos o NIF de cada produtor e a data do início do transporte. Posteriormente, o adquirente emite um DT em papel tipográfico à medida que os bens forem objeto de carga identificando o NIF do produtor, designação comercial dos bens e as quantidades, bem 101
102 como o local, o dia e a hora da carga, devendo os documentos acompanhar o transporte dos bens. Neste DT emitido em papel tipográfico o remetente e o adquirente são o mesmo, isto é, um DT de A para A. No entanto, deve mencionar o NIF do produtor como elemento adicional. A comunicação deste DT em papel tipográfico deve ser feita até ao 5.º dia útil seguinte ao do início do transporte através de inserção dos dados no Portal das Finanças, fazendo menção ao documento próprio comunicado previamente. Quando não se cumprirem com estas obrigações de comunicação, os documentos de transporte consideram-se como não emitidos, ficando sujeitos às penalidades previstas no Regime. 102
103 3.3. Comunicação por transmissão eletrónica de dados Os sujeitos passivos de IVA têm que comunicar os documentos de transporte emitidos à AT, por uma das seguintes vias: - Por transmissão eletrónica em tempo real, integrada em programa informático, utilizando o Webservice disponibilizado pela AT no Portal das Finanças; - Através do envio do ficheiro SAF-T (PT), exportado pelo programa informático certificado e recorrendo a aplicação de envio de dados disponibilizada no E-Fatura no Portal das Finanças; - Através da emissão/comunicação direta no Portal das Finanças do documento de transporte utilizando as funcionalidades previstas para esta comunicação. 103
104 3.4. Comunicação dos documentos por Webservice Para efetuar a comunicação por Webservice, tal como disposto no Decreto-Lei n.º 198/2012 de 24 de agosto, os programas informáticos tem que estar adaptados de forma a: - Respeitar o modelo de dados tal como previsto no Decreto-Lei n.º 198/2012 de 24 de agosto e definido em formato WSDL publicado no E-Fatura no Portal das Finanças, na página dedicada aos produtores de software, ou em alternativa através do endereço: - Utilizar os protocolos de comunicação definidos para a transmissão de dados utilizando este serviço, designadamente o protocolo SOAP; - Implementar os mecanismos de segurança na transmissão de dados que visam garantir a confidencialidade dos dados tal como disposto no Artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 198/2012 de 24 de agosto, designadamente: a) Comunicação de dados através de canal HTTPS, com utilização de certificado SSL que identifica o produtor de software e que foi previamente assinado pela AT; b) Encriptação da senha do utilizador do sujeito passivo no Portal das Finanças recorrendo a chave pública (RS) do sistema de autenticação utilizado pelo Portal das Finanças na identificação dos seus utilizadores; c) Demais mecanismos, definidos em detalhe neste documento para garantir a segurança da transmissão dos dados para a AT. 104
105 3.5 Comunicação dos documentos de transporte por SAF-T- (PT) Para comunicar os dados dos documentos de transporte por ficheiro SAF-T (PT), cada sujeito passivo (remetente) tem de proceder em dois passos: 1. Extração do ficheiro SAF-T (PT); 2. Envio do ficheiro no Portal das Finanças, site E-Fatura. O sujeito passivo (remetente) extrai do seu sistema informático o ficheiro SAF-T (PT) para o efeito de comunicação à AT dos documentos de transporte. O ficheiro XML para este efeito deve conter as seguintes tabelas do SAF-T (PT) e os respetivos elementos definidos na estrutura de dados disponível no seguinte endereço: Cabeçalho (Header); Tabela de clientes (Customer); Tabela de fornecedores (Supplier); Documentos de movimentação de mercadorias (MovementOfGoods) adiante também designados por documentos de transporte. Para efeitos de otimização de envio do ficheiro, este deve conter apenas: - Os documentos de transporte que ainda não tenham sido enviados - sem código de identificação do documento atribuído pela AT; - Os documentos de transporte com data de início de transporte entre a data início e data fim de período de ficheiro (Ano, Mês, Dia); - Os clientes e fornecedores que tenham referência nos documentos de movimentos de mercadorias (deixando de fora os que não movimentaram mercadorias naquele período); O envio de movimentos por ficheiro pode ser efetuado no dia ou dias imediatamente anteriores ao transporte, dependendo o número de dias do processo organizativo de cada sujeito passivo. Assim, se vamos fazer os movimentos na sexta-feira de manhã, podemos comunicar os movimentos na quinta ao final do dia. 105
106 Apesar desta recomendação, são processados todos os ficheiros e até contendo movimentos no próprio dia. Na posse do ficheiro extraído, o sujeito passivo (remetente) acede ao Portal das Finanças e ao site E-Fatura: - Escolhe a opção de Comunicação por Ficheiro - Enviar disponível na área dos remetentes; - Ao escolher esta opção é-lhe disponibilizado um formulário para indicação do ficheiro a comunicar (caminho-da-diretoria-onde-está-guardado e nome.xml); note-se que a extensão do ficheiro é obrigatoriamente.xml. - Após escolha do ficheiro este é automaticamente validado, apresentando mensagens de erro no caso de o ficheiro não estar em condições de ser submetido; - Após a correta validação do ficheiro é apresentado um resumo estatístico do seu conteúdo e disponibilizada a opção de envio para a AT - Submeter; - Como resultado do processamento do ficheiro, seja total ou parcialmente integrado, é gerado um ficheiro de resposta contendo: Um código de identificação de documento gerado pela AT para cada documento integrado com sucesso; Uma mensagem de rejeição de integração indicado o motivo da rejeição. - Quando receber este ficheiro o sujeito passivo deve importar os códigos de identificação de documentos gerados pela AT para a sua aplicação de gestão de documentos de transporte, de onde originalmente extraiu o ficheiro enviado, regra geral, este procedimento pode ser feito automaticamente pelos sistemas informático das entidades. - Ao submeter é necessário introduzir as credenciais (Utilizador e Senha) do Portal das Finanças referentes ao sujeito passivo (remetente) responsável pelo envio do ficheiro de documentos de transporte; - Após a completa transmissão do ficheiro para a AT é mostrada uma mensagem de confirmação do envio. Posteriormente, o ficheiro é processado pela AT e, se o conteúdo desse ficheiro for válido, são processados todos os elementos dos documentos de transporte, que são integrados na base de dados de documentos de transporte para os efeitos determinados na lei. Como resposta recebe um ficheiro onde constam os códigos de identificação AT atribuídos a cada documento válido e com mensagens de não validação para os que não foram aceites, indicando o motivo de rejeição. Para seguimento do tratamento do ficheiro comunicado, o remetente tem disponível uma opção de consulta aos ficheiros SAF-T (PT) por ele submetidos à AT. Sempre que comunique um ficheiro, o remetente deve posteriormente aceder a essa consulta e verificar se o ficheiro foi processado com sucesso. 106
107 As situações de processamento previstas são: - Pendente - quando ainda espera processamento; - Integrado com sucesso - quando o ficheiro foi totalmente processado e registado na base de dados da AT; - Integrado parcialmente - quando só parte da informação foi processada, por exemplo a que difere da enviada anteriormente por este ou outro meio. - Rejeitado - quando se detetou um problema a nível de conteúdo que impediu o respetivo processamento. 107
108 3.6. Registo direto no Portal das Finanças (E-Fatura) De acordo com o Decreto-Lei n.º 198/2012, está prevista a disponibilização de funcionalidades para a emissão direta de documentos de transporte no Portal das Finanças, onde os sujeitos passivos devem introduzir todos os elementos obrigatórios para emissão do documento e de onde no final podem obter o código de identificação atribuído pela AT. Existe uma funcionalidade de recolha de dados para o registo das informações dos documentos de transporte que foram parcialmente comunicados por via telefónica e para os quais exista a obrigatoriedade de comunicar a totalidade dos dados até ao 5.º dia útil seguinte ao transporte. Este registo direto no Portal das Finanças pode servir também para a comunicação de dados dos DT adicionais. 108
109 3.7. Comunicação por via telefónica A comunicação através de serviço telefónico disponibilizado para o efeito deve ser efetuada nos casos de emissão dos documentos de transporte manualmente em papel impresso em tipografias autorizadas, ou, nos casos de inoperacionalidade do sistema informático da comunicação, desde que devidamente comprovado pelo respetivo operador. O acesso ao serviço telefónico deve ser feito com a utilização de uma senha específica criada para o efeito. Esta comunicação através de serviço telefónico é realizada com a indicação dos elementos essenciais do documento emitido (com referência ao próprio documento), havendo que proceder à inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte, dos restantes elementos desse transporte. Os elementos essenciais a comunicar pelo serviço telefónico são: número do DT (4 últimos dígitos), data e hora do início do transporte e NIF do adquirente quando aplicável. Com a comunicação do DT pelo serviço telefónico é disponibilizado um código de comunicação telefónica, que tem como objetivo comprovar a realização dessa comunicação perante as autoridades fiscalizadoras na estrada. Este código da comunicação telefónica não substitui a obrigação do DT em papel acompanhar o transporte dos bens. O código atribuído telefonicamente é posteriormente utilizado para proceder à inserção no portal das finanças dos restantes elementos ainda não comunicados no prazo de 5 dias úteis. Na inserção dos restantes elementos é necessário utilizar o código anteriormente atribuído por telefone e inserir os seguintes dados: - Sujeito passivo; - Local; - Data; - Quantidade - Tipo de bem; - Número sequencial Ou seja, na inserção de dados no Portal das Finanças o sistema vai buscar os elementos essenciais indicados telefonicamente através do código e completa a informação dos dados do transporte. 109
110 3.8. Código de identificação A comunicação à AT dos elementos do documento de transporte por transmissão eletrónica de dados permite a obtenção de um código de identificação para esse documento, que substitui os exemplares impressos que acompanham os bens, nomeadamente para efeitos de controlo da inspeção tributária ou de outros agentes de fiscalização e para utilização do transportador durante o transporte. Este código de identificação pode ser transportado, junto com os bens, em envelope fechado (tal como os documentos de transporte impressos), quando o transporte for efetuado em transportes públicos coletivos ou empresa concessionária do serviço de transporte. A exceção à utilização do código de identificação é para os documentos de transporte não comunicados, tais como quando a fatura processada informaticamente é, em simultâneo, utilizada como DT, caso em que deve acompanhar os bens, ou quando esses documentos de transporte sejam emitidos em papel tipográfico com comunicação telefónica, em que o próprio DT acompanha os bens (em duplicado). Também no caso de DT globais o código de identificação não dispensa o acompanhamento do DT impresso em papel. 110
111 3.9. Situação de inoperacionalidade Podem ser consideradas inoperacionalidade as seguintes situações: 1) A impossibilidade de proceder à emissão do DT através de programa de computador ou via eletrónica, por inoperacionalidade do sistema informático do sujeito passivo ou por impossibilidade de acesso ao sistema 1. 2) Inoperacionalidade do sistema informático da comunicação, desde que devidamente comprovado pelo respetivo operador (PT, Vodafone, Zon, Optimus, TMN, etc..) 3) Inoperacionalidade do sistema da AT (Portal das Finanças ou serviço de telefone inativo ou em manutenção) Nestes casos de inoperacionalidade o sujeito passivo pode alternativamente proceder da seguinte forma: 1.º Caso Inoperacionalidade do sistema informático do sujeito passivo ou impossibilidade de acesso ao sistema à Esta inoperacionalidade pode ser ultrapassada com a emissão de um DT em papel tipográfico e comunicação pelo serviço de telefone com inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte 2. 2.º Caso - Inoperacionalidade do sistema informático da comunicação, desde que devidamente comprovado pelo respetivo operador (PT, Vodafone, Zon, Optimus, TMN, etc..) à O DT é emitido nos termos normais previstos (vias 1 a 4) sempre com impressão em papel para acompanhamento dos bens e a comunicação é efetuada pelo serviço de telefone com inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte. 3.º Caso - Inoperacionalidade do sistema da AT (Portal das Finanças ou serviço de telefone inativo ou em manutenção) à O DT é emitido nos termos normais previstos (vias 1 a 4), sempre com impressão em papel para acompanhamento dos bens e a comunicação é efetuada por inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte. 1 O 1.º caso de inoperacionalidade não consta da legislação e não está sancionado pela AT, no entanto avançamos com esta possibilidade na esperança que exista bom senso para a resolução de muitos casos que sem esta opção se tornam impraticáveis. Recordamos que no caso dos programas informáticos de facturação certificados a respectiva portaria prevê a possibilidade de emissão de facturas em papel tipográfico nos casos de inoperacionalidade mencionados no 1.º caso. 2 Ver nota de rodapé 1 111
112 3.10.Infração Quando não se cumprirem com estas obrigações de emissão e comunicação, os documentos de transporte consideram-se como não emitidos, ficando sujeitos às penalidades previstas no Regime. Sempre que aplicável, considera-se falta de exibição do documento de transporte a não apresentação imediata do código de identificação do DT. 112
113 3.11. Criação de subutilizadores no Portal das Finanças Como foi referenciado no ponto 2 e mais especificamente no ponto 3, uma das novas obrigações dos contribuintes prende-se com a comunicação dos DT no Portal das Finanças. Esta funcionalidade obriga à identificação do sujeito passivo e da respetiva senha de acesso ao portal, para que se possa aceder à área da comunicação. Esta senha deve ser de acesso restrito aos responsáveis das entidades, pelo que, não deve ser facultada aos colaboradores que tenham a obrigação de proceder a essas comunicações. Para este efeito é possível criar subutilizadores no Portal das Finanças com acessos restritos quer a nível de comunicações quer de consulta. Como criar um subutilizador: 1.º Passo - Entrar no Portal das Finanças 2.º Passo Introduzir o NIF e a senha de acesso da empresa ou de Empresário em nome individual 3.º Passo Entrar em empresa ou cidadão e ir para serviços \ outros serviços 4.º Passo Nos outros serviços ir para gestão de utilizadores 5.º Passo Selecionar a opção criar um novo utilizador 6.º Passo Introduzir os dados do novo utilizador a autorizar: Nome; criar senha de acesso para o novo utilizador. Selecionar a funcionalidade a autorizar. (para a emissão e comunicação de documentos de transporte selecionar a funcionalidade: WDT Comunicação de dados de documentos de transporte ) 113
114 4. Tipografia autorizadas Obrigações das tipografias O pedido de autorização para o exercício da atividade de tipografia para a emissão de documentos de transporte e/ou faturas deve ser efetuado através do Portal das Finanças, por sistema a ser disponibilizado para o efeito. O registo dos fornecimentos dos impressos tipográficos dos documentos de transporte e/ou faturas passa a ser efetuado através de suporte informático (anteriormente seria num livro próprio), devendo conter os elementos identificativos dos adquirentes e as gamas de numeração dos impressos. Estas requisições de documentos de transporte ou faturas passam a ser comunicadas pela tipografia à AT através do Portal das Finanças, por sistema a ser disponibilizado para o efeito, antes da impressão dos referidos documentos (anteriormente a comunicação era efetuada na Direção de Finanças da área da sede do adquirente), com indicação dos elementos referidos no parágrafo anterior. Estas requisições e registos devem ser mantidos durante o prazo de 4 anos, por ordem cronológica. Deixa de ser possível substituir esta comunicação das requisições com o envio dos duplicados ou fotocópias das requisições ou fotocópias do livro de registo para a Direção de Finanças. Quando os adquirentes de impressos tipográficos (faturas e DT) não se encontrem registados na AT para o exercício de uma atividade comercial, industrial ou agrícola, a AT emite, em tempo real, no Portal das Finanças, um alerta seguido de notificação, advertindo a tipografia de que não pode proceder à impressão dos documentos, sob pena de ser cancelada a autorização de impressão. 114
115 Utilização de DT impressos em papel tipográfico Os documentos de transporte impressos em tipografias autorizadas que forem adquiridos até 30 de junho de 2013 podem utilizar-se até final de Os novos impressos apenas podem ser utilizados se cumpridas as novas regras das tipografias. Quando a tipografia que efetua a impressão tipográfica dos documentos de transporte em papel não se encontrar devidamente autorizada pela AT, e estes sejam utilizados pelos sujeitos passivos, os documentos de transporte consideram-se como não emitidos, ficando sujeitos às penalidades previstas no Regime. 115
116 5. Perguntas e respostas frequentes (FAQ s) 5.1. Questões de emissão e processamento do DT 1. Quem deve processar o documento de transporte? Os documentos de transporte são processados pelos sujeitos passivos de IVA detentores dos bens antes do início da circulação nos termos do n.º 2 do artigo 2.º do presente diploma. Isto é, o remetente ou detentor dos bens. 2. O que pode ser considerado como documento de transporte? A fatura, guia de remessa, nota de devolução, guia de transporte ou documentos equivalentes à guia de transporte. Já não podem servir como documentos de transportes as notas de vendas a dinheiro porque foi revogada a possibilidade de emitir documentos equivalentes a faturas. Na estrutura de dados do SAFT-PT, estão previstos como outros documentos de transporte apenas a guia de movimentação de ativos próprios e as guias de consignação. 3. O que é a guia de transporte e quais as diferenças entre esta e uma guia de remessa ou outros documentos equivalentes? A guia de transporte é um documento de transporte previsto no art. 4.º do RBC. Este documento só é considerado documento de transporte se tiver os elementos exigidos no art 4.º do RBC. Quanto às diferenças entre os outros documentos de transporte tais como, guias de remessa ou documentos equivalentes, não existem diferenças no que respeita ao seu conteúdo podendo os nomes derivar de acordo com os usos comerciais. No entanto, chamamos a atenção que de acordo com o Decreto-Lei n.º 257/2007 de 16 de julho que estabelece o regime jurídico da atividade de transporte rodoviário de mercadorias existe um 116
117 documento também designado como «Guia de transporte» que é um documento descritivo dos elementos essenciais da operação de transporte e que estabelece as condições de realização do contrato entre o transportador e o expedidor e que não deve ser confundido com a guia de transporte para efeitos fiscais prevista no RBC. Estes documentos emitidos nos termos do Regime Jurídico da Atividade de Transporte Rodoviário de Mercadorias não têm que cumprir os formalismos de emissão e comunicação previstos no RBC, tendo apenas que cumprir o exigido no normativo específico (Decreto-lei n.º 257/2007). 4. O documento de transporte pode ser elaborado pelo transportador? Sim, desde que o documento de transporte seja efetuado em nome e por conta do remetente. 5. Quando é que a fatura pode ser utilizada como documento de transporte? E os documentos equivalentes à fatura? A fatura pode ser utilizada como documento de transporte em qualquer momento, ainda que a entidade normalmente utilize outro tipo de documentos de transporte (como guias de remessa). Neste caso, a fatura deve conter os elementos obrigatórios para os documentos de transporte, tais como locais de carga e descarga e hora de início do transporte, devendo ser impressa em triplicado (sendo o duplicado destinado às autoridades de fiscalização). Já não podem servir como documentos de transportes as vendas a dinheiro porque foi revogada a possibilidade de emitir documentos equivalentes a faturas, pelo que, também não podem ser utilizados como documentos de transporte. 6. Quando se deve emitir um documento de transporte? Apenas quando exista uma venda de bens com transporte? Não. Existe obrigatoriedade do processamento do documento de transporte ainda que não exista uma transmissão de bens, bastando apenas que estes se encontrem fora dos locais de produção, fabrico, exposição, armazéns, etc.. 117
118 Seja por motivos de vendas, doações, devoluções, afetações a uso próprio da empresa, incorporação em prestações de serviços, remessa à consignação ou simples transferências entre armazéns da empresa. 7. Não sendo exigível um DT nos termos do RBC, como justificar os bens transportados? Deve existir um qualquer meio de prova da proveniência e destino dos bens e da natureza e quantidade dos bens. (ver minutas ponto 9) 8. As faturas elaboradas pelo adquirente autofaturação - podem ser consideradas como documentos de transporte? Sim, desde que cumpram os requisitos exigidos pelo Regime dos Bens em Circulação, sejam emitidas até ao início do transporte e acompanhem os bens transportados. Quando emitidas por sistemas informáticos ficam dispensadas de comunicação à AT como documento de transporte (a autofaturação tem que ser comunicada à AT como fatura). 9. Tem que ser emitido um documento de transporte para as transferências de bens entre armazéns da mesma empresa? Sim. O documento de transporte deve ser emitido nos termos do RBC, em que o remetente e o destinatário são o mesmo. O DT pode ser emitido apenas em duplicado, pois o remetente e destinatário são a mesma entidade. Lembramos que a impressão do documento pode ser dispensada se existir comunicação por transmissão eletrónica de dadas com obtenção do respetivo código de identificação. 10. Tem que ser emitido um documento de transporte para as entregas de bens de simples operações de transformação, beneficiação, etc. (vulgo trabalho a feitio )? Sim. O documento de transporte deve ser emitido e comunicado nos termos do RBC, pelo remetente para o destinatário. Neste caso específico de trabalho a feitio, o remetente é o proprietário/detentor e o destinatário é o prestador de serviços (de A para B). 118
119 Quando os serviços estejam prontos e os bens sejam devolvidos ao dono da obra (ou entregues ao cliente final), o remetente dos bens é o prestador de serviços devendo para o efeito emitir e comunicar outro DT, com indicação expressa de que se trata de bens referentes a trabalhos de transformação, beneficiação, etc. (de B para A ou para o cliente final). 11. Qual o documento de transporte a utilizar pelos vendedores ambulantes e vendedores em feiras e mercados? O documento de transporte pode ser substituído pela fatura de aquisição de bens, quando estes se destinem a venda de retalho, e esses vendedores estejam enquadrados no regime especial de isenção (art. 53.º do CIVA) ou no regime dos pequenos retalhistas (art. 60.º do CIVA). Neste caso não se aplica a obrigatoriedade de emitir e comunicar os documentos das entregas efetivas. Se os vendedores estiverem enquadrados no regime normal de IVA devem emitir documentos de transporte globais e respetivos documentos adicionais das entregas efetivas. 12. As transações intracomunitárias estão abrangidas pela obrigação da emissão do documento de transporte do RBC? Não. No entanto dever-se-á atender a que caso o transporte intracomunitário seja acompanhado com os CMR (ou fatura intracomunitária, etc..) emitidos com os destinatários finais localizados em território nacional, ainda que o transporte seja efetuado até um armazém e expedidos desse armazém para os clientes finais noutra viatura ou noutro dia, o CMR continua a servir para acompanhar os bens continuando a não ser necessária a emissão de um DT nos termos do RBC. Outra situação diferente pode ser a emissão do CMR com o destinatário do armazém logístico e posteriormente a expedição de bens para os clientes finais. Neste caso, existindo rutura de carga, no transporte posterior os bens já tem que ter um DT nos termos do RBC. 13. Os transportes de bens que se destinam à exportação estão abrangidos pela obrigação da emissão do documento de transporte do RBC? Não, desde que os bens sejam sujeitos a um destino aduaneiro (regimes de transito e exportação). Se os bens a exportar não estiverem sujeitos a tal regime, o transporte desses bens no território nacional deve ser acompanhado de DT. 119
120 14. Que tipo de documento deve acompanhar os bens importados em Portugal entre a estância aduaneira de desalfandegamento e o local do primeiro destino? É o documento probatório do desalfandegamento dos bens. 15. Que tipo de documento deve acompanhar os bens expedidos para Portugal de um outro Estado-membro? Pode ser o documento do regime do transporte internacional, por exemplo o CMR. (Ver Ofício- -Circulado nº 30009/1999 em anexo). 16. Qual a data e hora do início do transporte a colocar no documento de transporte? Se não existir outra data expressamente mencionada, é a data do processamento do documento de transporte. Se for colocada uma data específica para o início do transporte, deve ser esta a data de início do referido transporte, podendo o documento ser processado em data anterior. A hora também deve ser colocada e comunicada no DT antes do início do transporte, pelo que é importante saber a hora a que se pretende iniciar o transporte. Embora a data e hora sejam elementos essenciais, o DT pode ser anulado ou alterado até à hora/ minuto antes do início do transporte. Após se ter ultrapassado a hora/minuto do início do transporte, já não é possível proceder a essa anulação ou alteração, no entanto se a alteração respeitar à data ou hora do transporte poder-se-á em alternativa, proceder à emissão de um DT adicional em papel tipográfico fazendo referência ao documento alterado. 17. Existe algum limite temporal entre a data de início e o final do transporte? Não existe qualquer limite. Por exemplo, no carregamento de bens em viaturas no início da semana para distribuição aos clientes durante a semana. Pode utilizar-se um único documento global (se destinatários não conhecidos) para os transportes efetuados durante a semana. 18. Quando, pela natureza dos bens os respetivos volumes não puderem ser transportados na mesma viatura, que DT há que processar? Deve ser processado um documento de transporte por cada viatura, ainda que as mesmas circulem em fila na estrada. 120
121 Quando exista o transbordo entre uma viatura pesada e viaturas ligeiras com menores volumes de carga, existindo uma separação de mercadorias entre essas viaturas dos bens transportados para o mesmo destino e incluídos no mesmo DT, deve ser emitido um novo DT para cada viatura, ainda que não exista rutura de carga. 19. Como se processa o DT quando o adquirente for um não sujeito passivo de IVA? Regra geral, quando o transporte se refere a um destinatário ou adquirente não sujeito passivo, está excluída a obrigação de emitir e comunicar um DT, desde que se tratem de bens provenientes de retalhistas e tenham sido previamente adquiridos. No entanto, esta exclusão não se aplica a materiais de construção, artigos de mobiliário, máquinas elétricas, máquinas ou aparelhos recetores, gravadores ou reprodutores de imagem ou de som, quando transportados em veículos de mercadorias. Neste caso, o DT deve ser emitido, contendo o nome e domicilio do adquirente, não sendo obrigatório o NIF. O documento de transporte deve incluir uma menção referindo que o adquirente é um não sujeito passivo. Os DT emitidos a consumidores finais (não sujeitos passivos/particulares) estão dispensados de comunicação à AT. 20. O que fazer quando não existam condições para determinar com exatidão as quantidades dos bens transportados antes do início do transporte? Ou quando existam diferenças entre as quantidades no início e fim do transporte? Não existem soluções objetivas para qualquer destas situações. Por exemplo, no caso de quebras ou evaporação dos bens transportados, deve competir ao sujeito passivo a adoção de medidas para evitar tais situações, para assegurar iguais quantidades no início e final do transporte ou então comprovar que essas alterações são normais de acordo com as características do bem transportado. 21. E quanto à comunicação dos elementos do DT nas situações da questão anterior? Resposta idêntica à anterior. 22. Os DT devem conter a menção Processado por computador? Já não é necessária tal menção, pois foi revogada do RBC. 121
122 No entanto, se o DT for processado através de um programa de faturação certificado deve conter a assinatura (cifra) informática nos termos do artigo 7º da Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e da Portaria nº 160/ O que se entende por designação usual dos bens? E qual o seu objetivo? A obrigação de indicar a designação usual dos bens transportados tem como objetivo o controlo dos bens. De qualquer forma, a AT tem entendido que a colocação de um código ou identificação similar que possibilite a correta e inequívoca identificação dos bens possa substituir essa designação usual. Não são contudo admitidas designações genéricas de bens ou expressões como diversos. 24. E em relação às quantidades? A mera colocação do número de caixas e volumes não pode substituir as unidades e outras medidas utilizadas na comercialização habitual dos próprios bens. Por exemplo, no transporte de garrafas de bebidas, para além da referência às caixas, há que referir a capacidade de cada garrafa e o número de garrafas. 25. Existe obrigação de colocação da matrícula da viatura no DT do RBC? No RBC, e para efeitos fiscais, não existe qualquer obrigação de colocação da matrícula da viatura no documento de transporte embora possa ser colocada facultativamente. 26. A numeração dos documentos de transporte continua a ser restringida a 11 dígitos? Não, conforme alteração do nº 2 do artigo 5º do RBC. 122
123 5.2. Questões sobre infrações 27. Quais as sanções a aplicar no caso de falta de emissão de DT adicional (em papel ou por outra via), por parte do transportador, da alteração do local de destino ou a não-aceitação imediata e total dos bens pelo adquirente? De acordo com o n.º 3 do art. 14.º do RBC, é unicamente imputada ao transportador a infração resultante da alteração do destino final dos bens ou a não aceitação imediata e total dos bens, ocorrida durante o transporte, sem que tal facto seja por ele anotado (agora emissão de documento transporte adicional ainda que em nome e por conta do remetente). Tal situação faz imputar ao transportador coima prevista nos nº 1 e 2 do artigo 119º do RGIT ( 93,75 a 5.625,00 ou o dobro para PC). Não há apreensão dos bens ou viaturas. 28. Quais as sanções a aplicar no caso de falta de indicação do local de carga e descarga e/ou data e hora do início do transporte? Quando o DT não possua uma menção expressa a locais de carga e descarga e data de início do transporte presumem-se como tais os constantes do DT. Qualquer falta neste sentido constitui uma infração para o remetente dos bens nos termos dos nº 1 e 2 do artigo 119º do RGIT ( 93,75 a 5625,00 ou o dobro para PC). Não há apreensão dos bens e viatura. 29. Quais as sanções a aplicar no caso de falta de indicação do NIF do destinatário ou adquirente dos bens (SP de IVA)? Salvo quando esses destinatários ou adquirentes sejam desconhecidos, deve proceder-se à sua identificação, nomeadamente com indicação do NIF. Qualquer falta neste sentido constitui uma infração para o remetente dos bens nos termos dos nº 1 e 2 do artigo 119º do RGIT ( 93,75 a 5625,00 ou o dobro para PC). Não há apreensão dos bens e viatura. 123
124 30. Quais as sanções a aplicar no caso de falta de referência ao documento global no DT/faturas das entregas efetivas ou folhas de obra? Deve ser sempre feita referência ao documento global no DT/faturas nas entregas efetivas ou folhas de obra. Esta falta constitui uma infração para o remetente dos bens nos termos dos n.ºs 1 e 2 do artigo 119º do RGIT ( 93,75 a 5625,00 ou o dobro para PC). Não há apreensão dos bens e viatura. 31. Quando o transportador estiver em posse do Código de identificação e não possuir o DT impresso em papel, como podem as entidades fiscalizadoras averbar no original a recolha do duplicado? De acordo com novas regras, já não é necessário a recolha do duplicado e averbamento no original pois o documento já está comunicado às entidades fiscais. Esta realidade só é suscetível de ser verificada quando o DT for emitido em papel. 124
125 5.3. Questões sobre comunicação à AT 32. Como são emitidas e comunicadas à AT as entregas efetivas de bens ou consumos em serviços prestados, de bens incluídos em DT globais? E as alterações aos locais de destino ou não aceitação de bens pelo adquirente? As alterações de local de destino nos documentos de transporte, ocorridas durante o transporte ou a não-aceitação dos bens pelo adquirente, obrigam à emissão de um novo documento de transporte adicional. Esse documento de transporte adicional, enquanto DT subsidiário do DT inicial, é emitido em papel e deve referenciar sempre o DT inicial. Não obstante a sua emissão em papel, esta não necessita de ser previamente comunicado à AT através do serviço telefónico, devendo, no entanto, o emitente inserir no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte ao da emissão do DT adicional, os elementos do DT adicional. Tratando-se de DT emitidos por alteração do local de destino ou por não aceitação dos bens pelo adquirente, eles também podem ser emitidos: 1 Pelas vias 1,2 e 4 se os sujeitos passivos utilizam, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados. 2 Pelas vias 1,3 ou 4 se os sujeitos passivos utilizam programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas certificados nos termos da Portaria 363/2010, com redação da Portaria 22-A/2012). 3 Pela via 4 se os sujeitos passivos não utilizam nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente). A utilização das vias de emissão expostas no parágrafo anterior, com a consequente atribuição do código de identificação, dispensa a impressão do DT e a necessidade de, até ao 5.º dia útil seguinte ao da emissão do DT adicional inserir no Portal das Finanças, os dados do DT adicional. No que respeita à entrega efetiva dos bens quando o destinatário seja desconhecido ou exista incorporação de bens em prestações de serviços, não obstante a emissão destes documentos (DT, faturas, notas de entrega, folhas de obra, etc.) poderem ser feitos por vias electrónica ou informática, eles devem ser sempre impressos em papel para em ação de controlo, poder fazer-se a conferência dos dados dos DT global, dos documentos parciais já emitidos e dos bens ainda em circulação. 125
126 A inserção dos dados destes documentos no Portal das Finanças tem de ser efetuada até ao 5.º dia útil seguinte ao da sua emissão, podendo esta ser efetuada através de ficheiro informático. Na inserção é necessário chamar o Documento de Transporte global e inserir os seguintes dados: - Sujeito passivo; - Local; - Data; - Quantidade; - Tipo de bem; - Nº ainda que não exista sequencia. 33. E quando não exista acesso a meio telefónico, no decurso desses transportes adicionais, como se efetua a comunicação? Os documentos adicionais não têm que ser comunicados por via telefone. Pelo que este problema já não se coloca, face às alterações da Lei do Orçamento do Estado para 2013, que estabelecem que a comunicação à AT dessas situações apenas seja efetuada por inserção no Portal das Finanças até ao 5º dia útil seguinte ao transporte. 34. Quando se deve efetuar a comunicação dos elementos do DT à AT? A comunicação, regra geral, deve ser sempre efetuada antes do início do transporte. No entanto existem algumas particularidades, pelo que podemos dividir a resposta em: DT inicial (DT normais e globais) a comunicação é sempre efetuada antes do início do transporte por transmissão eletrónica de dados (Webservice, ficheiro SAFT ou Portal das Finanças) com obtenção do código de identificação ou por serviço telefónico quando for o DT for emitido em papel tipográfico ou em caso de inoperacionalidade. Nos DT adicionais, que se aplicam às alterações de locais de descarga e da não-aceitação dos bens, a comunicação é efetuada apenas por inserção dos dados destes documentos no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte ao da sua emissão, quando emitida em papel tipográfico. Se estes documentos forem emitidos por via informática a comunicação pode ser feita antes do início do transporte por transmissão eletrónica de dados (Webservice, ficheiro SAFT ou Portal das Finanças) com obtenção do código de identificação. 126
127 Nos documentos das entregas efetivas de bens ou consumos em serviços, estes devem ser comunicados por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao da emissão do DT, podendo esta ser efetuada através de ficheiro informático. 35. Quando for um transportador (diferente do remetente dos bens) ou adquirente a efetuar o transporte dos bens, quem deve efetuar a comunicação dos elementos do DT à AT antes do início do transporte? A obrigação cabe a quem emitir o documento de transporte, ou seja, o sujeito passivo transmitente dos bens ou a entidade adquirente que tome posse dos bens antes do início do transporte. O transportador apenas pode elaborar/processar o DT e efetuar a comunicação em nome e por conta do remetente, podendo utilizar a funcionalidade de subutilizador prevista no Portal das Finanças. Refira-se que o transporte por conta de outrem em viaturas mercadorias (ligeiras ou pesadas) acima de 2500 kg, só pode ser efetuado por entidades licenciadas para o exercício da atividade de transporte de mercadorias atribuído pelo IMTT (Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, I.P.). 36. Os documentos de transporte emitidos informaticamente devem cumprir com a Portaria da faturação, isto é serem emitidos por programas informáticos certificados pela AT? Sim. De acordo com a alteração da Portaria nº 160/2013, de 23 de abril passa a estar claro que os sujeitos passivos devem atender às obrigações da Portaria nº 363/2010, com alterações introduzidas pela Portaria nº 22 A/2012, de 24 de janeiro, na emissão dos DT. Os documentos de transporte emitidos informaticamente em programas informáticos de faturação certificados devem conter a assinatura prevista nos termos do artigo 6.º da referida Portaria. Face a esta alteração e às obrigações de comunicação existem outras limitações que vão condicionar as opções de emissão dos DT, em resumo: - Os sujeitos passivos que utilizem, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados devem proceder à emissão dos documentos de transporte pelas vias 1, 2 ou 4. - Os sujeitos passivos que utilizem programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas de faturação certificados) devem proceder à emissão de DT pelas vias 1, 3, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que não utilizem nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente), devem proceder à emissão de DT pelas vias 4 ou
128 37. Todos os elementos obrigatórios das faturas devem ser inseridos através do programa de computador. Quando o DT não for a fatura podem-se inserir elementos manualmente (por exemplo a hora)? Não, todos os elementos devem ser inseridos através do programa informático incluindo a hora para que os mesmos possam ser comunicados. Se o DT for uma fatura emitida por meios informáticos, para além dos elementos obrigatórios previstos no nº 5 do artigo 36º do CIVA, os restantes elementos obrigatórios previstos no RBC poderão ser introduzidos manualmente (nomeadamente a hora), atendendo que não existe qualquer comunicação do DT. 38. Qual o procedimento para verificar se o remetente excede ou não os euros de volume de negócios? E como se comprova tal situação na estrada perante uma fiscalização? Não existe qualquer procedimento específico previsto para isso. No entanto, de acordo com o art. 13.º do RBC, as ações de fiscalização do cumprimento dos requisitos desse RBC são da competência da Autoridade Tributária e aduaneira (AT) e da unidade com as atribuições tributárias, fiscais e aduaneiras da Guarda Nacional Republicada (GNR). Estas entidades devem consultar a base de dados da AT para verificação do cumprimento das obrigações deste RBC, nomeadamente a realização da comunicação ou respetiva dispensa. Refira-se que os agentes de fiscalização têm um acesso próprio no Portal E-fatura. 39. Quando a comunicação dos elementos do DT for efetuada por telefone, como se comprova a realização dessa comunicação (nomeadamente no decurso do transporte) se não existe um código de identificação? Na comunicação por telefone também vai ser atribuído um código, no entanto, este código não permite a dispensa de impressão do DT que acompanha os bens. 40. Se não for possível proceder à emissão do DT através de programa de computador ou via eletrónica, por inoperacionalidade do sistema informático do sujeito passivo ou por impossibilidade de acesso ao sistema, poder-se-á emitir o DT em papel tipográfico? Este tipo de inoperacionalidade não consta da legislação e não está sancionado pela AT, no entanto admitimos que na contingência de um sujeito passivo não ter outra possibilidade é melhor recorrer à emissão de DT em papel com comunicação telefónica e inserção no portal até ao 5.º dia útil seguinte dos restantes dados do que nada fazer. Neste caso sugere-se que utilize uma série distinta para o efeito. 128
129 41. Se não for possível proceder à comunicação dos elementos do DT, por inoperacionalidade do sistema de comunicações da AT, o que fazer? A comunicação dos elementos desse DT pode ser efetuada via serviço telefónico, desde que o operador de comunicações confirme tal inoperacionalidade, com inserção no Portal das Finanças até ao 5º dia útil seguinte. 42. Que elementos do DT são comunicados através do serviço telefónico? Apenas os elementos essenciais do próprio documento (Nº DT últimos 4 dígitos; data e hora de início; NIF do adquirente se obrigatório). Os restantes elementos do DT (por exemplo: bens e quantidades, locais de carga e descarga) são comunicados através da inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte. 43. Quando efetuar a comunicação dos elementos do DT por transmissão eletrónica de dados, terei que imprimir em papel o DT? Neste caso não é necessário. O código de identificação substitui o DT impresso em papel, mesmo para efeitos de fiscalização no decurso do transporte, exceto no documento de transporte global. 44. Se a fatura for utilizada como DT e acompanhar os bens, terei que efetuar a comunicação à AT? Neste caso fica dispensado de efetuar a comunicação do DT desde que a fatura seja emitida por via eletrónica, através de programa de computador certificado ou gerado internamente (se a fatura for emitida manualmente permanece a obrigação de comunicar o DT). 45. É possível emitir diferentes séries de DT? Sim, efetuando-se a distinção através de prefixo ou sufixo na numeração do DT. 46. O transportador tem que efetuar o processamento do DT (e comunicação à AT)? O transportador apenas pode processar o DT e efetuar a comunicação em nome e por conta do remetente dos bens, nomeadamente quando se trate de DT adicionais por alteração ao local de destino ou não aceitação dos bens pelo adquirente/destinatário, podendo utilizar a funcionalidade de subutilizador prevista no Portal das Finanças. No entanto, tal situação é apenas opcional, cabendo a obrigação de emissão e comunicação, em primeiro lugar, ao remetente dos bens. Recorde-se que o transporte por conta de outrem em viaturas mercadorias (ligeiras ou pesadas) acima de 2500 kg, só pode ser efetuado por entidades licenciadas para o exercício da atividade de transporte de mercadorias atribuído pelo IMTT (Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, I.P.). 129
130 5.4. Questões sobre tipografias autorizadas 47. Qual a sanção a aplicar em casos de impressão tipográfica dos DT em tipografias não autorizadas? A coima prevista varia entre 750 e euros, para os adquirentes e emitentes desses documentos e para quem os forneça (dobro para Pessoas Coletivas). 48. Como proceder à requisição dos impressos tipográficos dos DT? A requisição deve ser efetuada por escrito (sem qualquer formalismo próprio) mas deve conter, pelo menos, os seguintes elementos: nome ou denominação social, número de identificação fiscal, concelho e distrito da sede ou domicílio da tipografia e dos adquirentes, documentos fornecidos, respetiva quantidade e numeração atribuída. 49. Quem é responsável pela comunicação à AT das requisições de DT em papel tipográfico? É a tipografia, previamente à respetiva impressão, através de inserção da referida requisição no Portal das Finanças, com os elementos identificativos dos adquirentes e as gamas de numeração dos impressos. 130
131 5.5. Questões excecionais ou especiais 50. Quando uma empresa transporta bens do seu ativo fixo tangível tem que emitir um DT? Por exemplo quando transporta um portátil na sua viatura? Não, porque está excluída da obrigação de DT nos termos do art. 3.º do RBC. No entanto, poderá ter que comprovar a sua utilização, neste caso sugere-se que utilize uma das minutas do ponto Um agricultor quando transporta bens que acabou de colher na sua exploração para o seu armazém tem que emitir um DT? E se o agricultor for entregar os bens por si produzido à cooperativa ou a um armazenista? Não, porque está excluída da obrigação de DT nos termos do art. 3.º do RBC, quando o transporte for efetuado por si ou por sua conta. No entanto, poderá ter que comprovar a sua utilização, neste caso sugere-se que utilize uma das minutas do ponto Um produtor de leite que entrega e vende o leite a uma cooperativa sendo a cooperativa a efetuar a recolha e transporte diário do leite, como deve proceder nos termos do RBC? Para este tipo de transporte, foi criada uma exceção às regras do RBC, que consiste na emissão e comunicação prévia pelo adquirente dos bens de um documento próprio com os dados do adquirente (nome, morada e NIF) e com pelo menos o NIF de cada produtor e a data do início do transporte. Posteriormente, o adquirente emite um DT em papel tipográfico à medida que os bens forem objeto de carga, identificando o NIF do produtor, designação comercial dos bens e as quantidades, bem como o local, o dia e a hora da carga, devendo os documentos acompanhar o transporte dos bens. Neste DT emitido em papel tipográfico, o remetente e o adquirente são o mesmo, isto é, um DT de A para A. No entanto deve mencionar o NIF do produtor como elemento adicional. 131
132 A comunicação deste DT em papel tipográfico deve ser feita pelo adquirente desses bens, até ao 5.º dia útil seguinte ao do início do transporte, através de inserção no Portal das Finanças, fazendo menção ao documento próprio comunicado previamente. 53. Um agricultor quando transporta fatores de produção para a sua exploração por exemplo adubos e fertilizantes tem que emitir um DT? Sim, está obrigado a emitir e a comunicar o DT. Neste caso deve ser emitido um DT global nos termos do n.º 6 do art. 4.º do RBC, seguido do documento das entregas efetivas. Sem prejuízo de poder estar dispensado da comunicação se não tiver obtido no ano anterior um volume de negócios igual ou inferior a , E se o agricultor não utiliza a totalidade das sacas de adubos que transportou para a exploração? Essa situação é aferida por diferença entre o DT global e os documentos de consumo de bens (folhas de obra). 55. A devolução de bens com guia ou nota de devolução emitida pelo adquirente dos bens serve de guia de transporte e dispensa a comunicação prevista no RBC à semelhança do que acontece com a fatura? Sim, serve como documento de transporte nos termos do RBC. No entanto não dispensa a comunicação à AT devendo o sujeito passivo comunicar numa das vias de 1 a 5 consoante o seu enquadramento. 56. A fatura simplificada pode ser utilizada como Documento de transporte à semelhança do que acontece com a fatura? Não, porque o RBC apenas permite que a utilização de uma fatura emitida com os elementos previstos no n.º 5 do art. 36.º do CIVA. 57. A fatura/recibo pode servir de documento de transporte? Sim, a fatura/recibo contém todos os elementos exigidos no n.º 5 do art. 36.º do CIVA e pode servir de DT desde que contenha os restantes elementos exigidos no art. 4.º do RBC. 132
133 58. As notas de crédito e notas de débito podem servir de documento de transporte? Estes documentos têm como objetivo a retificação de faturas inicialmente emitidas nos termos do CIVA. Quando o adquirente de bens pretenda efetuar uma devolução de bens adquiridos ao fornecedor deve emitir uma nota/guia de devolução para acompanhar os bens devolvidos. Essa nota/guia de devolução pode ser emitida como um DT nos termos do RBC, desde que cumpra os requisitos previstos nesse regime. 59. Na distribuição de pão porta a porta, quando o padeiro sai do seu estabelecimento e não conhece os destinatários, à medida que vai distribuindo o pão como deve proceder? O padeiro deve emitir um documento de transporte global processado por qualquer das vias referidas no ponto 2.3 e nas condições aí mencionadas. Quaisquer que sejam as vias utilizadas para o processamento, os documentos de transporte globais devem ser sempre impressos em papel (3 exemplares) e acompanhar os bens (apenas o original e duplicado), ainda que exista o código de identificação. No momento das entregas efetivas de bens, deve ser emitido um documento definitivo por cada entrega, com referência expressa ao documento de transporte global. Este documento definitivo pode ser uma fatura. Os documentos das entregas efetivas devem ser processados em duplicado, servindo este para justificar a saída dos bens, emitido sem qualquer formalismo nos termos do RBC. Estes documentos das entregas efetivas são comunicados por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao das entregas efetivas. 60. Na distribuição de pão por padarias a sujeitos passivos, encomendadas ou adquiridas antecipadamente, sendo conhecido o destinatário como deve proceder nos termos do RBC? Neste caso, como os destinatários são conhecidos, devem ser emitidos e comunicados DT para cada uma das encomendas ou vendas. 61. E se na distribuição dos pães ao destinatário, um adquirente que encomendou 20 pães só quer ficar com 10, como proceder? A não aceitação dos bens pelo adquirente obrigam à emissão de um novo documento de transporte adicional. A não-aceitação dos bens pelo destinatário pode ser total ou parcial. 133
134 Esse documento de transporte adicional (DT subsidiário) deve incluir a identificação da alteração e o documento alterado (anteriormente estas alterações eram anotadas no próprio documento de transporte). Por regra, estes elementos são comunicados por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao da emissão do DT adicional, quando for emitido manualmente em papel tipográfico (via 5). Estas alterações não são comunicadas à AT através do serviço telefónico, ainda que se trate de um documento emitido em papel. Caso sejam emitidos pelas vias 1 a 4, as alterações são comunicadas de imediato por transmissão eletrónica de dados (via eletrónica, envio de ficheiro SAFT ou através do Portal das Finanças), antes da alteração do transporte, e pode-se utilizar o código para acompanhar os bens. 62. Na distribuição de gás porta a porta para particulares ou para sujeitos passivos, como é que se deve proceder? Regra geral, o gás está previamente encomendado pelo destinatário, pelo que devem ser emitidos e comunicados DT para cada uma das encomendas ou vendas. No entanto, se o distribuidor transportar garrafas de gás sem destinatário, antes do início do transporte, deve emitir um documento de transporte global processado por qualquer das vias referidas no ponto 2.3 e nas condições aí mencionadas. Quaisquer que sejam as vias utilizadas para o processamento, os documentos de transporte globais devem ser sempre impressos em papel (3 exemplares) e acompanhar os bens (apenas o original e duplicado), ainda que exista o código de identificação. À medida das entregas efetivas de bens, deve ser emitido um documento definitivo por cada entrega, com referência expressa ao documento de transporte global. Este documento definitivo pode ser uma fatura. O documento das entregas efetivas deve ser processado em duplicado, servindo este para justificar a saída dos bens, emitido sem qualquer formalismo nos termos do RBC. Estes documentos das entregas efetivas são comunicados por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao das entregas efetivas. Na inserção é necessário chamar o Documento de Transporte global e inserir os seguintes dados: - Sujeito passivo; - Local; - Data; - Quantidade; 134
135 - Tipo de bem; - Número, ainda que não exista sequencia. Se as distribuições das garrafas de gás forem para particulares, desde que previamente adquiridas, ficam excluídas da obrigação de ser acompanhadas por documento de transporte emitido nos termos do RBC nos termos do art. 3.º. Por último, é normal este tipo de distribuidor trazer dos clientes as garrafas de gás vazias por troca das entregues. Estas garrafas vazias são consideradas embalagens retornáveis (vasilhame), não vendáveis e enquadram-se nas exclusões previstas no art. 3.º logo estão excluídas da obrigação de DT. 63. Uma empresa de reparação de eletrodomésticos quando vão buscar os equipamentos a empresas suas clientes, por exemplo máquinas de lavar roupa do imobilizado, tem que emitir DT? Não, atendendo a que os bens transportados são bens pertencentes ao activo imobilizado e estão excluídos da obrigação de DT nos termos do art. 3.º do RBC. No entanto, poderá ter que comprovar a sua utilização, neste caso sugere-se que utilize uma das minutas do ponto 9 mencionando expressamente que se trata de bens para reparação. 64. Uma empresa de reparação de electrodomésticos quando vai buscar os equipamentos a empresas suas clientes, por exemplo máquinas de fotocópias para venda, tem que emitir DT? Sim. O documento de transporte deve ser emitido e comunicado nos termos do RBC, pelo remetente para o destinatário. Neste caso específico de reparação, o remetente é o proprietário/detentor e o destinatário é o prestador de serviços (de A para B). Quando a reparação esteja concluída e os bens sejam devolvidos ao proprietário ou cliente final (por exemplo no caso de reparação em garantia), o remetente dos bens é o prestador de serviços devendo para o efeito emitir e comunicar outro DT, com indicação expressa de que se trata de bens para reparação (de B para A ou para o cliente final). 65. Uma empresa de reparação de eletrodomésticos quando vai buscar equipamentos para reparar a particulares seus clientes, por exemplo máquinas de lavar loiça, tem que emitir DT? Não, atendendo a que os bens transportados para reparação são propriedade de um particular não sujeito passivo e consequentemente fora do âmbito do RBC nos termos do art. 1.º. 135
136 66. Sou fornecedor de um exportador nacional e coloco os bens no armazém de exportação ou no porto de embarque (ou noutro local previsto no art. 6.º do Decreto-lei 198/90), nesse transporte posso aplicar a exclusão de RBC? Sim, porque esses bens são expedidos diretamente para um destino aduaneiro de exportação, desde que cumpridos todos os requisitos do artigo 6º do DL 198/ Como deve proceder um fornecedor de tabaco, que tem máquinas de distribuição automática em vários estabelecimentos comerciais, quando vai proceder ao abastecimento dessas máquinas? O fornecedor de tabaco, quando sai do seu armazém com várias caixas, não sabe as quantidades a abastecer em cada máquina, devendo emitir um documento de transporte global processado por qualquer das vias referidas no ponto 2.3 e nas condições aí mencionadas. Quaisquer que sejam as vias utilizadas para o processamento, os documentos de transporte globais devem ser sempre impressos em papel (3 exemplares) e acompanhar os bens (original e duplicado), ainda que exista o código de identificação. No momento das entregas efetivas de bens, deve ser emitido um documento definitivo por cada entrega, com referência expressa ao documento de transporte global. Este documento definitivo pode ser uma fatura. O documento das entregas efetivas deve ser processado em duplicado, servindo este para justificar a saída dos bens, emitido sem qualquer formalismo nos termos do RBC. Estes documentos das entregas efetivas são comunicados por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao das entregas efetivas. 68. Na distribuição de pão por padarias a consumidores finais, encomendadas ou adquiridas antecipadamente, sendo conhecido o destinatário como deve proceder nos termos do RBC? O transporte de pão efetuado por retalhistas para distribuição ao domicílio de consumidores finais, desde que previamente adquiridos, fica excluído da obrigação de ser acompanhado por documento de transporte emitido nos termos do RBC. Mas, o transporte de pão da fábrica efetuada pelo produtor para os retalhistas deve ser acompanhado por um documento de transporte. 69. Quais as obrigações duma IPSS que distribui refeições ao domicílio aos seus utentes, em relação ao transporte dessas refeições? Neste caso como os destinatários, as quantidades e os locais de descarga são conhecidos devem ser emitidos DT para cada uma das refeições transportadas. Como esses destinatários são particulares, a IPSS está dispensada de comunicar esses DT à AT. 136
137 70. Quais as obrigações duma IPSS que efetua serviços de limpeza ao domicílio dos seus utentes, em relação ao transporte dos produtos para a realização dessa prestação de serviços? A IPSS quando sai do seu local de carga com vários produtos de limpeza não sabe as quantidades a consumir em cada domicílio, devendo emitir um documento de transporte global processado por qualquer das vias referidas no ponto 2.3 e nas condições aí mencionadas. Quaisquer que sejam as vias utilizadas para o processamento, os documentos de transporte globais devem ser sempre impressos em papel (3 exemplares) e acompanhar os bens (apenas o original e duplicado), ainda que exista o código de identificação. No momento do consumo dos produtos de limpeza, deve ser emitido uma folha de obra por cada serviço, com referência expressa ao documento de transporte global. A folha de obra deve ser emitida sem qualquer formalismo nos termos do RBC. Como esses destinatários são particulares, a IPSS está dispensada de inserir no portal das finanças os elementos adicionais das folhas de consumos no prazo de 5 dias úteis. 71. As guias da DGV (Direção Geral Veterinária), que acompanham os animais do produtor (ao entreposto, ao matadouro ou entre explorações), são o suficiente como meio de prova ou deve implementar-se outro procedimento? Se o transporte é efetuado pelo produtor ou por sua conta encontra-se excluído da obrigação de emissão de DT nos termos do RBC. Neste caso como é importante comprovar a natureza, proveniência e destino dos bens, o documento da DGV pode servir como meio de prova. 72. O transporte de uma caixa de ferramentas ou similar para prestação de serviços a clientes, ainda que não esteja contabilizada como activo fixo tangível, está excluído do RBC? Sim, o conceito geral da abrangência do RBC exclui desde logo no art. 1.º conjugado com o 2.º os bens que não se destinem a ser transmitidos. Logo a caixa de ferramentas e as ferramentas que se encontram dentro da caixa, ainda que não esteja identificada nas fichas de imobilizado da empresa, não deixam de estar excluídas da obrigação de dispor de DT nos termos do art. 3.º do RBC. 73. Um agricultor que transporta os seus produtos hortícolas para feiras e opta por emitir guia de transporte, apesar de dispensado, tem de comunicar o DT? Sim, se embora excluído, opta por emitir DT tem que obrigatoriamente comunicar. 137
138 74. A remoção de poda de árvore, é considerado resíduo sólido urbano, ou seja está dispensado de DT? Nos termos do Decreto-Lei nº 178/2006, de 5/09, «Resíduo urbano» está definido como o resíduo proveniente de habitações bem como outro resíduo que, pela sua natureza ou composição, seja semelhante ao resíduo proveniente de habitações (alínea d) do artigo 3º). Assim, os resíduos de árvores não são considerados como resíduos sólidos urbanos, pelo que se tais resíduos forem transportados por sujeitos passivos de IVA ou por conta de outros sujeitos passivos, estão obrigados à emissão e comunicação de DT nos termos do RBC. No caso da remoção da poda resultar da esfera de um particular não se aplica a obrigatoriedade de ter um DT por se encontrar fora do âmbito do RBC, nos termos do art. 1. Esta situação também é aplicável aos entulhos da construção civil. 75. No transporte de árvores para plantação na via pública, por uma transportadora, quem emite a DT, a Câmara Municipal? Se a transportadora estiver a efetuar transportes de bens por conta da câmara municipal, no âmbito dos respectivos poderes de autoridade, como esta última não é um sujeito passivo de IVA, o transporte não tem que ser acompanhado por um DT nos termos do RBC. Por outro lado, essas árvores são consideradas como ativos imobilizados no âmbito da câmara municipal, pelo que não obstante a câmara não ser um sujeito passivo, se fosse, o transporte também estava excluído do âmbito do RBC, devendo nesse caso ser acompanhado de declaração comprovativa. (ver minutas) 76. Uma Empresa de viveiros que exerce uma atividade agrícola, está dispensada de DT para acompanhar bens em circulação entre armazéns? Sim, desde que se trate de trate do transporte de bens produzidos pela própria exploração agrícola, efetuado por si ou por sua conta. 77. Quando uma empresa que presta serviço para as Estradas de Portugal de reparação das Guardas danificadas nas estradas, e que transporta material para a reparação sem saber o que vai efectivamente utilizar, como deve proceder? Neste caso, deverá emitir um DT global (pelas vias eletrónica, programa informático, portal das finanças ou em papel tipográfico), impresso em papel, e emitir folhas de obra por cada consumo na reparação. 138
139 78. Que documento deverá acompanhar o transporte destas guardas da estrada quando estejam danificadas e sejam transportadas para reparar, com destino à entidade Estradas de Portugal? Essas guardas são consideradas como ativos imobilizados no âmbito da entidade Estradas de Portugal, pelo que esse transporte está excluído do âmbito do RBC, devendo ser acompanhado de declaração a comprovar tal situação (ver minutas). 79. Na circulação de combustíveis adquiridos nos postos de abastecimentos mas transportados em bidons e/ou pequenas cisternas, como proceder nos termos do RBC e quem emite o DT? Se for emitida uma fatura pelo transmitente dos bens no momento da colocação à disposição dos bens ao adquirente, que contenha os elementos obrigatórios dos documentos de transporte (local de carga, data e hora de inicio do transporte e local de descarga) e desde que seja emitida em 3 vias, essa fatura serve como DT e se for emitida através de sistemas informáticos, está dispensada da comunicação como DT. Se não for emitida uma fatura pelo transmitente dos bens no momento da colocação à disposição dos bens ao adquirente, esses bens deverão ser acompanhados por um DT emitido nos termos do RBC. Esse DT é emitido pelo transmitente se os bens forem colocados à disposição dos adquirentes apenas no local de descarga, independentemente do transporte ser efetuado pelo transmitente, adquirente ou um terceiro por conta do primeiro. Esse DT é emitido pelo adquirente se a colocação à disposição dos bens for efetuada no local de carga pertencente ao transmitente, independentemente do transporte ser efetuado pelo transmitente, adquirente ou um terceiro por conta do primeiro. 80. O transporte de arroz depositado num armazém que não é do comprador, nem do vendedor e que vai circular durante a madrugada, quem emite o DT e por que via? O DT é emitido pelo sujeito passivo detentor dos bens, antes do início do transporte. Neste caso, deve ser o remetente a emitir o DT, ou seja, o proprietário dos bens. O DT pode ser emitido no dia ou dias anteriores, devendo ser indicada a hora de início do transporte. 81. Na venda de um equipamento pela empresa A a uma locadora que o transporta diretamente para o destinatário (cliente da locadora), como proceder e quem emite o DT? O DT é emitido pelo sujeito passivo detentor dos bens, antes do início do transporte. Neste caso, deverá ser o remetente/empresa A a emitir o DT, ou seja, o proprietário/vendedor dos bens. 139
140 82. Um agricultor que lava, desinfeta e embala legumes, tem atividade agrícola ou industrial? O transporte desses produtos agrícolas pelo agricultor ou por um terceiro por sua conta está excluído do RBC? O agricultor, ainda que efetue alguma operação, que não seja de transformação, aos produtos agrícolas, como lavagem, desinfeção e embalamento, continua a transportar produtos agrícolas da sua própria produção, pelo que esse transporte está excluído do âmbito do RBC, desde que efetuado por si ou por um terceiro por sua conta. 83. O transporte de contentores do porto de Sines para outro local, de modo a transportarem mármore para um navio, deve ser acompanhado por um DT? Ou o contentor pode ser considerado como paletes ou taras? É considerado como uma tara/embalagem, ficando dispensado de emissão de DT se for retornável e não objeto de transmissão, nos termos do art. 3.º do RBC. 84. Na recolha de cortiça de madrugada, como comunicar e quem comunica? O DT é emitido pelo sujeito passivo detentor dos bens, antes do início do transporte. Neste caso, o remetente dos bens que a emite o DT será o adquirente dos bens, desde que os mesmos lhe pertençam, e este os transporte. O DT poderá ser emitido no dia ou dias anteriores, devendo ser indicada a hora de início do transporte e comunicado antecipadamente. 85. Uma empresa que sai com DT global, e vai vendendo e comunicando. Regressa no fim do dia e reforça carga. Emite novo documento global ou emite documento do reforço? A comunicação das entregas efetivas de bens ou consumos em prestações de serviços, referentes a bens incluídos em DT global, apenas serão comunicadas até ao 5º dia útil a essas entregas e consumos por inserção no Portal E-Fatura. Com o regresso ao local de carga e reabastecimento da viatura, deverá ser emitido novo DT global com as respetivas quantidades e bens a transportar. 86. Os contribuintes que faturem menos de ,00, não têm obrigatoriedade de comunicação dos DT? Correto. Não existe obrigatoriedade de comunicação dos DT. 140
141 87. Os prestadores de serviços que transportem materiais para incluir nos diversos serviços a prestar durante o dia e que faturem menos de , o que têm de fazer? Terão que emitir DT global (pelas vias previstas no RBC), impresso em papel. Pelos consumos de material na realização das prestações de serviços deverão emitir uma folha de obra ou equivalente, emitida em papel. Está dispensado de comunicação destes documentos porque não faturam mais de Na devolução de bens a terceiros por CTT, que documento deve acompanhar os bens? Tratando-se de uma encomenda postal, considerada como um bem que possa ser objeto de transmissão de bens nos termos do CIVA, esse transporte deverá ser acompanhado por um DT nos termos do RBC. Os CTT, enquanto transportador, deverá exigir o DT ou código de identificação ao remetente dos bens. Se se tratar de correspondência postal está excluída do âmbito do RBC, por não se tratar de um bem que possa ser objeto de transmissão de bens nos termos do CIVA. 89. Os empresários enquadrados no regime de isenção ou no regime dos pequenos retalhistas, basta terem a fatura de compra dos bens para acompanhar bens em circulação? Não. Terão que emitir DT. Apenas os vendedores ambulantes, de feiras e de mercados, que transportem bens para venda a retalho, e que estejam enquadrados no regime especial de isenção (artigo 53º do CIVA) ou no regime especial dos pequenos retalhistas (artigo 60º do CIVA), poderão acompanhar esses bens com as respetivas faturas de aquisição. 90. Quando se compram bens inferiores a 100 e for emitida uma fatura simplificada, esta pode servir de DT? Não. A fatura simplificada emitida nos termos do nº 2 do artigo 40º do CIVA, não cumpre os requisitos para ser considerado como um DT nos termos do RBC, por não ter a identificação do adquirente e respetiva sede social ou domicílio (bem como os restantes elementos obrigatórios do RBC). 91. Numa transacção intracomunitária em que o local de descarga é em Portugal (para trabalho a feitio), o cliente é intracomunitário e o produto após a prestação de serviços segue para a Alemanha. Situação excluída do âmbito do RBC, por se tratar de uma operação assimilada a transmissão intracomunitária de bens. 141
142 6. Decreto-Lei 147/ Regime dos Bens em Circulação Artigos e comentários O Regime dos Bens em Circulação estava anteriormente previsto no Decreto-Lei n.º 45/89, de 11 de fevereiro, que teve como objetivo introduzir normas que visassem o combate à fraude e a evasão fiscal. Este diploma ficou, entretanto, desatualizado face à evolução da economia e aos novos procedimentos dos operadores, o que levou à sua revogação e substituição pelo Decreto-Lei 147/2003 de 11 de julho, diploma este que se mantém em vigor. O Decreto-Lei n.º 147/2003, de 11 de julho é o normativo que atualmente contem as normas de controlo e exigências a nível dos documentos de transporte. Este normativo foi alterado recentemente com o Decreto-Lei nº 198/2012, de 24 de agosto e com a Lei de OE para No entanto na sua maioria os conceitos e princípios mantêm-se. Assim, entendemos como oportuno olhar para cada um dos artigos e face ao atual normativo tecer alguns comentários para orientação dos utilizadores. Atentos à natureza especial do Regime dos Bens em Circulação, para a devida interpretação, devem-se considerar os conceitos base do Código do IVA. 142
143 6.1. Artigo 1.º Artigo 1.º Âmbito de aplicação Todos os bens em circulação, em território nacional, seja qual for a sua natureza ou espécie, que sejam objeto de operações realizadas por sujeitos passivos de imposto sobre o valor acrescentado devem ser acompanhados de documentos de transporte processados nos termos do presente diploma. Comentários: Este artigo é um dos mais importantes deste normativo porque define o exato alcance e abrangência do RBC. Refere este artigo 1.º que o regime é aplicável à circulação de todos os bens desde que sejam relativos a operações efetuadas por sujeitos passivos de IVA 3. Como Bens devem considerar-se os que puderem ser objeto de transmissão nos termos do artigo 3.º do CIVA. Para efeitos do RBC, devem considerar-se apenas os bens móveis corpóreos que puderem ser objeto de transmissão de bens, não apenas no sentido jurídico de transferência do direito de propriedade, mas também no sentido de meras transferências económicas, ainda que não sejam transmissões de bens. Como Bens em Circulação devem considerar-se todos os que se encontrem fora dos locais de produção, fabrico, transformação, exposição, dos estabelecimentos de venda por grosso e a retalho ou de armazém de retém. 3 São sujeitos passivos de IVA de acordo com a alínea a) do n.º 1 do art. 2.º, as pessoas singulares ou colectivas que, de um modo independente e com carácter de habitualidade, exerçam atividades de produção, comércio ou prestação de serviços, incluindo as atividades extractivas, agrícolas e as das profissões livres, e, bem assim, as que, do mesmo modo independente, pratiquem uma só operação tributável, desde que essa operação seja conexa com o exercício das referidas atividades, onde quer que este ocorra, ou quando, independentemente dessa conexão, tal operação preencha os pressupostos de incidência real do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS) ou do imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas (IRC); 143
144 Essa circulação de bens pode suceder por motivo de transmissão onerosa (venda), incluindo a troca, de transmissão gratuita, de devolução, de afetação a uso próprio, de entrega à experiência ou para fins de demonstração, ou de incorporação em prestações de serviços, de remessa à consignação ou de simples transferência (entre armazéns do próprio sujeito passivo). Consideram-se ainda bens em circulação os bens encontrados em veículos nos atos de descarga ou transbordo mesmo quando tenham lugar no interior dos estabelecimentos comerciais, lojas, armazéns ou recintos fechados que não sejam casa de habitação, bem como os bens expostos para venda em feiras e mercados. Os bens transportados por particulares não caem neste âmbito, pelo que, se transportados pelos próprios ou por sua conta não tem que ser acompanhados por DT. Como documento de transporte considera-se a fatura, guia de remessa, nota de devolução, guia de transporte ou documentos equivalentes à guia de transporte. (ver mais comentários no artigo 4.º) Como sujeitos passivos devem ser consideradas todas as pessoas singulares e coletivas abrangidas pelo artigo 2º do CIVA, que estejam enquadradas no regime normal, no regime especial de isenção ou no regime dos pequenos retalhistas ou efetuem exclusivamente operações isentas sem direito à dedução (SP isentos), isto é contribuintes coletados/registados para efeitos de IVA. O conceito de sujeito passivo está relacionado com o exercício de uma atividade económica, ou seja, com a realização de transmissões de bens e prestações de serviços, estando estes obrigados a emitir DT quando efetuem circulação de bens no âmbito do exercício dessas atividades, sem prejuízo das respetivas exclusões previstas no art. 3 deste diploma (ver comentários no art. 3.º) e dos particulares aos quais não se aplicam estas regras. No que respeita aos particulares, uma vez que não se aplicam as regras do RBC, os bens em circulação remetidos por não sujeitos passivos (p.e. particulares), ainda que expedidos por um transportador, não estão sujeitos às obrigações do RBC, nomeadamente de emissão de documento de transporte e da respetiva comunicação. Para estas situações há que emitir um documento (sem qualquer formalismo) com indicação da natureza, proveniência e destino dos bens. No âmbito deste conceito de sujeito passivo enquadram-se apenas os referidos na alínea a) do n.º 1 do art. 2.º do CIVA, e não as restantes alíneas pelo que não se enquadram aqui os restantes sujeitos passivos devedores de imposto em Portugal, por exemplo por aplicação das regras de inversão. Como território nacional deve entender-se o território português tal como definido pela Constituição da República Portuguesa, incluindo o continente e as regiões autónomas. Os transportes internacionais com o início ou destino em território nacional ficam fora do âmbito do RBC, podendo-se aplicar o regime jurídico do transporte internacional (com documentos como a declaração de expedição (CMR), a carta de porte (Airwaybil - AWB) ou o conhecimento de embarque (Bill of landing -B/L), sem prejuízo do referido no artigo 3º deste regime. Atendendo a estes conceitos, como regra geral, apenas os bens em circulação, em território nacional, seja qual for a sua natureza ou destino, que sejam objeto de operações realizadas entre sujeitos passivos de IVA, devem ser acompanhados por um documento de transporte fiscal processado nos 144
145 termos deste regime, sem prejuízo de poderem ser acompanhados por outros documentos processados nos termos de outros regimes jurídicos. 145
146 6.2. Artigo 2.º Artigo 2.º Definições 1 - Para efeitos do disposto no presente diploma considera-se: a) «Bens» os que puderem ser objeto de transmissão nos termos do artigo 3.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado; b) «Documento de transporte» a fatura, guia de remessa, nota de devolução, guia de transporte ou documentos equivalentes; c)«valor normal» o preço de aquisição ou de custo devidamente comprovado pelo sujeito passivo ou, na falta deste o valor normal determinado nos termos do n.º 4 do artigo 16.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado; d) «Remetente» a pessoa singular ou coletiva ou entidade fiscalmente equiparada que colocou os bens em circulação à disposição do transportador para efetivação do respetivo transporte ou operações de carga, bem como o transportador quando os bens em circulação lhe pertençam; e) «Transportador» a pessoa singular ou coletiva ou entidade fiscalmente equiparada que, recebendo do remetente ou de anterior transportador os bens em circulação, realiza ou se propõe realizar o seu transporte até ao local de destino ou de transbordo ou, em caso de dúvida, a pessoa em nome de quem o veículo transportador se encontra registado, salvo se o mesmo for objeto de um contrato de locação financeira, considerando-se aqui o respetivo locatário; f)«transportador público regular coletivo» a pessoa singular ou coletiva ou entidade fiscalmente equiparada que exerce a atividade de exploração de transportes coletivos e que se encontra obrigada ao cumprimento de horários e itinerários nas zonas geográficas que se lhes estão concessionadas; g) «Destinatário ou adquirente» a pessoa singular ou coletiva ou entidade fiscalmente equiparada a quem os bens em circulação são postos à disposição; h)«local de início de transporte ou de carga» o local onde o remetente tenha entregue ou posto à disposição do transportador os bens em circulação, presumindo-se como tal o constante no documento de transporte, se outro não for indicado; i) «Local de destino ou descarga» o local onde os bens em circulação forem entregues ao destinatário, 146
147 presumindo-se como tal o constante no documento de transporte, se outro não for indicado; j) «Primeiro local de chegada» o local onde se verificar a primeira rutura de carga. 2 - Para efeitos do disposto no presente diploma: a) Consideram-se «bens em circulação» todos os que se encontrem fora dos locais de produção, fabrico, transformação, exposição, dos estabelecimentos de venda por grosso e a retalho ou de armazém de retém, por motivo de transmissão onerosa, incluindo a troca, de transmissão gratuita, de devolução, de afetação a uso próprio, de entrega à experiência ou para fins de demonstração, ou de incorporação em prestações de serviços, de remessa à consignação ou de simples transferência, efetuadas pelos sujeitos passivos referidos no artigo 2.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado; b) Consideram-se ainda bens em circulação os bens encontrados em veículos nos atos de descarga ou transbordo mesmo quando tenham lugar no interior dos estabelecimentos comerciais, lojas, armazéns ou recintos fechados que não sejam casa de habitação, bem como os bens expostos para venda em feiras e mercados a que se referem os Decretos-Leis n.ºs 252/86, de 25 de agosto, e 259/95, de 30 de setembro. Comentários: O conceito de valor normal dos bens apenas é relevante para efeitos de abonação (n.º 3 do art.16.º) no auto de apreensão dos bens, não influenciando o processamento do documento de transporte, uma vez que o valor não tem que constar no DT. O remetente dos bens, regra geral, é o proprietário dos bens que procede à colocação dos bens em circulação, por meios próprios ou por conta dele. Os locais de início e destino do transporte devem ser indicados no documento de transporte, presumindo-se como tal os constantes no documento de transporte, se outros não forem indicados. A rutura de carga implica o final de um transporte e o início de um novo transporte, pelo que há que proceder à emissão de um novo documento de transporte no seguimento dessa rutura de carga. Por outro lado, o mero transbordo dos bens entre meios de transporte não implica necessariamente qualquer rutura de carga, podendo manter-se a utilização do mesmo documento de transporte. Por exemplo, num transporte de bens entre o Funchal e Bragança, com transporte em viatura até ao porto marítimo, em barco entre o porto do Funchal e o porto de Leixões e em viatura entre o porto de Leixões e Bragança, não existindo qualquer rutura de carga, deve manter-se o mesmo documento de transporte emitido nos termos do RBC a acompanhar os bens do início ao final do transporte, sem prejuízo da obrigação da emissão de outros documentos que acompanhem os bens. A mera transferência de bens entre armazéns situados em locais distintos, pertencentes ao mesmo sujeito passivo, implica que esses bens sejam acompanhados por um documento de transporte processado nos termos do RBC, ou seja, incluir todos os elementos obrigatórios previstos no refe- 147
148 rido regime. Neste caso, não existindo transmissão de bens, a fatura não pode servir como documento de transporte. O envio de bens por um sujeito passivo a um prestador de serviços para realização de reparações, transformações ou acabamentos, deve ser acompanhado por um documento de transporte processado nos termos do RBC, ainda que tal operação seja considerada como uma prestação de serviços para efeitos de IVA. Os bens expostos para venda em feiras e mercados devem ser acompanhados de um documento de transporte, eventualmente DT global quando não sejam conhecidos os destinatários. A exceção a esta regra é para os vendedores ambulantes, de feiras e mercados enquadrados no regime especial de isenção de IVA (art. 53.º) ou no regime especial dos pequenos retalhistas (art. 60.º) que podem acompanhar os respetivos bens com a respetiva fatura de aquisição. 148
149 6.3. Artigo 3.º Artigo 3.º Exclusões 1 - Excluem-se do âmbito do presente diploma: a) Os bens manifestamente para uso pessoal ou doméstico do próprio; b)os bens provenientes de retalhistas, sempre que tais bens se destinem a consumidores finais que previamente os tenham adquirido, com exceção dos materiais de construção, artigos de mobiliário, máquinas elétricas, máquinas ou aparelhos recetores, gravadores ou reprodutores de imagem ou de som, quando transportados em veículos de mercadorias; c)os bens pertencentes ao ativo imobilizado; d) Os bens provenientes de produtores agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária resultantes da sua própria produção, transportados pelo próprio ou por sua conta; e)os bens dos mostruários entregues aos pracistas e viajantes, as amostras destinadas a ofertas de pequeno valor e o material de propaganda, em conformidade com os usos comerciais e que, inequivocamente, não se destinem a venda; f)os filmes e material publicitário destinados à exibição e exposição nas salas de espetáculos cinematográficos, quando para o efeito tenham sido enviados pelas empresas distribuidoras, devendo estas fazer constar de forma apropriada nas embalagens o respetivo conteúdo e a sua identificação fiscal; g)os veículos automóveis, tal como se encontram definidos no Código da Estrada, com matrícula definitiva; h)as taras e embalagens retornáveis; i)os resíduos sólidos urbanos provenientes das recolhas efetuadas pelas entidades competentes ou por empresas a prestarem o mesmo serviço. 2 - Encontram-se ainda excluídos do âmbito do presente diploma: a)os produtos sujeitos a impostos especiais de consumo, tal como são definidos no artigo 4.º do Código 149
150 dos Impostos Especiais de Consumo, publicado em anexo ao Decreto-Lei n.º 566/99, de 22 de dezembro, quando circularem em regime suspensivo nos termos desse mesmo Código; b)os bens respeitantes a transações intracomunitárias a que se refere o Decreto-Lei n.º 290/92, de 28 de dezembro; c)os bens respeitantes a transações com países ou territórios terceiros quando em circulação em território nacional sempre que sujeitos a um destino aduaneiro, designadamente os regimes de trânsito e de exportação, nos termos do Regulamento (CEE) n.º 2913/92, do Conselho, de 12 de outubro; d)os bens que circulem por motivo de mudança de instalações do sujeito passivo, desde que o facto e a data da sua realização sejam comunicados às direções de finanças dos distritos do itinerário, com pelo menos oito dias úteis de antecedência, devendo neste caso o transportador fazer-se acompanhar de cópia dessas comunicações. 3 - Relativamente aos bens referidos nos números anteriores, não sujeitos à obrigatoriedade de documento de transporte nos termos do presente diploma, sempre que existam dúvidas sobre a legalidade da sua circulação, pode exigir-se prova da sua proveniência e destino. 4 - A prova referida no número anterior pode ser feita mediante a apresentação de qualquer documento comprovativo da natureza e quantidade dos bens, sua proveniência e destino. Comentários: Este artigo refere as exclusões, para casos muito particulares, da obrigatoriedade dos bens em circulação serem acompanhados por DT. No entanto, e embora existam estas exclusões, refere também este artigo que relativamente aos bens não sujeitos à obrigatoriedade de documento de transporte, sempre que existam dúvidas sobre a legalidade da sua circulação, pode exigir-se prova da sua proveniência e destino. A prova pode ser feita mediante a apresentação de qualquer documento comprovativo da natureza e quantidade dos bens, sua proveniência e destino. (ver ponto 9 deste manual minutas) Vejamos então alguns aspetos particulares sobre as exclusões: - O transporte de bens manifestamente para uso pessoal ou doméstico do próprio, mesmo que provenham de sujeitos passivos de IVA, não têm que ser acompanhados por um documento de transporte. Todavia, para se fazer prova da natureza, proveniência e destino desses bens é conveniente que os mesmos sejam acompanhados de um documento a atestar o respetivo uso pessoal. 150
151 - O transporte de bens adquiridos por particulares a retalhistas pode não implicar que estes sejam acompanhados por um documento de transporte, sem prejuízo dos bens excecionados na alínea b) do nº 1 do artigo 3º do CIVA transportados em viaturas de mercadorias (ligeiras ou pesadas). Mas, ainda assim, tendo existido uma transmissão de bens, o retalhista é obrigado a emitir uma fatura ou fatura simplificada, nos termos do artigo 36º ou nº 1 do artigo 40º ambos do CIVA, que pode atestar a natureza, proveniência e o destino desses bens, ainda que não sejam um documento de transporte emitido nos termos do RBC. No caso dos bens adquiridos a retalhistas, quando se tratem dos bens excecionados à exclusão mas que sejam transportados por outro tipo de veículos (de passageiros), este transporte também fica dispensado do acompanhamento por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. Por exemplo, o transporte de pão efetuado por retalhistas para distribuição ao domicílio de consumidores finais, desde que previamente adquiridos, fica excluído da obrigação de ser acompanhado por documento de transporte emitido nos termos do RBC. Mas o transporte de pão da fábrica efetuada pelo produtor para os retalhistas deve ser acompanhado por um documento de transporte. - O transporte de bens do ativo fixo tangível (imobilizado) efetuado por sujeitos passivos, ou por terceiros por conta deles, não carecem de ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. Para comprovar a natureza, proveniência e destino desses bens, pode utilizar-se um documento sem qualquer formalismo a atestar esses factos, eventualmente com uma cópia da respetiva ficha de imobilizado (emitida nos termos do artigo 51º do CIVA) ou uma declaração conforme minutas no ponto 9 do manual. Esta exclusão apenas deve ser aplicada por transporte de bens do AFT efetuada entre locais do próprio sujeito passivo. Quando se trate de transporte desses bens do AFT que decorram da sua compra, venda ou abate, os mesmos devem ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. - Também o transporte de bens por motivo de mudança de instalações do sujeito passivo de IVA fica dispensado da emissão de um documento de transporte, desde que o facto e a data da sua realização sejam comunicados às Direções de Finanças dos distritos do itinerário, com pelo menos oito dias úteis de antecedência. Neste caso, o transportador deve fazer-se acompanhar de cópia dessas comunicações. Esta dispensa é aplicada necessariamente a todos os bens do património do sujeito passivo que vai efetuar a mudança de instalações, para além dos bens do AFT (imobilizado) que já tem uma dispensa própria. O transporte de bens por motivo de mudança de instalações efetuadas por particulares, ainda que sejam contratados transportadores, fica também excluído da obrigação de emissão de documento de transporte nos termos do RBC, por estes não serem sujeitos passivos de IVA. Neste caso, é conveniente que exista um documento sem qualquer formalismo a atestar a natureza, proveniência e destino desses bens (ver minutas ponto 9). 151
152 - O transporte de bens agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária só fica excluído de ser acompanhado por um documento de transporte, quando provenham da própria produção do produtor agrícola, ainda que o transporte seja efetuado por terceiros por conta desse produtor. Assim, quando se trate do transporte de bens agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária, adquiridos aos produtores agrícolas, efetuado pelo sujeito passivo adquirente desses bens, esse transporte deve ser acompanhado de um documento de transporte emitido nos termos do RBC. Por exemplo, o corte e respetiva aquisição de madeira no terreno florestal do produtor silvícola, efetuada por uma empresa madeireira, de produção de papel, ou outra similar, implica a emissão de um documento de transporte por essa empresa adquirente para acompanhar esses bens, no respetivo transporte, do local de corte até às suas instalações. Esta obrigatoriedade existe porque a madeira já não está a ser transportada pelo produtor silvícola, ou por um terceiro por sua conta, mas pelo sujeito passivo adquirente, agora proprietário dos bens. No entanto, nesta situação pode atender-se ao referido no n.º 6 do art. 3.º da Portaria n.º 161/2013, de 23 de abril que prevê uma forma alternativa de tratamento do documento de transporte dos bens provenientes de produtores agrícolas, apícolas, silvícolas ou de pecuária resultante da sua própria produção quando o transporte não seja feito pelo produtor ou por sua conta. Para este tipo de transporte, foi criada uma exceção às regras que consiste na emissão e comunicação prévia pelo adquirente dos bens de um documento próprio com pelo menos o NIF de cada produtor e a data do início do transporte. De seguida o adquirente emite um DT em papel tipográfico à medida que os bens forem objeto de carga identificando o NIF do produtor, designação comercial dos bens e as quantidades, bem como o local, o dia e a hora da carga, devendo os documentos acompanhar o transporte dos bens. Neste DT emitido em papel tipográfico, o remetente e o adquirente são o mesmo, isto é, um DT de A para A. No entanto, deve-se mencionar o NIF do produtor como elemento adicional. A comunicação deste DT em papel tipográfico deve ser feita até ao 5.º dia útil seguinte ao do início do transporte através de inserção no Portal das Finanças, fazendo menção ao documento próprio comunicado previamente. Por outro lado, a exclusão prevista na alínea d) do n.º 1 do art. 3.º do RBC também não se aplica aos fatores de produção transportados pelos produtores agrícolas, pelo que esses transportes devem ser acompanhados de um documento de transporte emitido nos termos do RBC. Por exemplo, se um produtor agrícola transporta adubos do seu armazém para a exploração já tem que emitir o respetivo DT para acompanhar a circulação dos bens. - O transporte de bens dos mostruários pelos vendedores no decurso da sua atividade de visita aos clientes ou de locais de venda, de bens de amostra e para ofertas de pequeno valor e o material de propaganda, não destinados a venda, ficam excluídos da obrigação de emissão de documento de transporte. 152
153 Neste caso, é conveniente que esses bens sejam acompanhados por um documento sem qualquer formalismo que ateste a referida natureza, a sua proveniência e destino. Os bens de mostruários podem ser unidades de bens em formato comercializável, mas de apenas uma única unidade, que serve para apresentar os bens aos potenciais clientes. As amostras devem ser bens de formato, tamanho e quantidades não comercializáveis, ou bens como livros, discos e outras publicações de editores nas situações previstas na Portaria nº 497/2008. Os bens para oferta de pequeno valor podem ser bens em formato e quantidades comercializáveis mas não podem exceder os limites previstos no nº 7 do artigo 3º do CIVA, ou seja, o valor da oferta não pode exceder 50 euros, nem o total anual das ofertas pode exceder 5 por mil do volume de negócios do ano anterior. Se o valor da oferta exceder o limite os bens já tem que ter um DT. Estes conceitos estão detalhados na Portaria nº 497/2008, de 7 de julho. Os materiais de propaganda podem ser bens publicitários, ainda que não sejam do inventário da própria empresa (não se destinam a venda), que servem para divulgar a marca do sujeito passivo. - Os filmes e respetivo material publicitário destinados à exibição e exposição nas salas de cinema não têm que ser acompanhados por DT, quando forem expedidos pelas empresas distribuidoras. Mas, quando se trate da expedição desse material pelos sujeitos passivos que procederam à exibição desses filmes de volta para a distribuidora, esses bens já devem ser acompanhados por um DT emitido nos termos do RBC. - Os transportes de veículos automóveis, tal como definidos no Código da Estrada, com matrícula definitiva estão dispensados de serem acompanhados de DT emitido nos termos do RBC. Os transportes de veículos automóveis sem matrícula definitiva devem ser acompanhados de DT emitido nos termos do RBC. Outros veículos não automóveis devem ser também transportados com o acompanhamento de um documento de transporte. No caso de reboque de viaturas, quando estes estão a transportar, por exemplo, viaturas acidentadas, também ficam enquadrados nas exclusões aplicadas ao transporte de veículos automóveis com matrícula definitiva. - O transporte de taras e embalagens retornáveis está dispensado da emissão de um documento de transporte nos termos do RBC. Como taras e embalagens devem ser entendidos os objetos destinados a conter ou acondicionar os bens transportados, que podem ter uma utilização continuada (paletes, grades, caixas, garrafas de gás etc.). As taras e embalagens retornáveis são aqueles bens em que existe acordo com os clientes para a respetiva devolução. Esse acordo deve ser indicado na própria fatura, com indicação separada nessa fatura das embalagens em que se acorda previamente a sua devolução e que não são vendidas, conforme previsto nos termos da alínea b) do nº 5 do artigo 36º do CIVA. 153
154 As taras e embalagens que fazem parte constituinte do próprio bem transportado, isto é, que não possam ser separáveis, que não possam ser reutilizáveis, ou sejam vendidas, devem ser transportadas com o acompanhamento de um documento de transporte, se tal for aplicável. - O transporte de resíduos sólidos pode estar obrigado a ser acompanhado por um documento de transporte, quando se trate de resíduos sólidos industriais, hospitalares, ou outros não urbanos, ou ainda, quando se trate de resíduos sólidos urbanos transportados por entidades que não aquelas competentes (empresas municipais) ou por empresa que não estejam a prestar o serviço de recolha desses resíduos (serviços concessionados). Entende-se por resíduos urbanos, aqueles provenientes de resíduos domésticos ou semelhantes, incluindo de empresas de serviços ou de estabelecimentos comerciais. - O transporte de produtos sujeitos a IEC, nomeadamente álcool etílico, bebidas alcoólicas, produtos petrolíferos e energéticos e tabaco manufaturado, está dispensado de ser acompanhado por um documento de transporte emitido nos termos do RBC, desde que esses bens estejam a circular em regime suspensivo de acordo com o CIEC. Esta dispensa decorre desses bens já estarem incluídos num documento de acompanhamento (DA), para efeitos de controlo aduaneiro. Quando esses bens circulem em território nacional, em situações de consumo, não abrangidos pelo regime suspensivo, devem ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. - Os transportes de bens objeto de aquisições ou transmissões intracomunitárias, tal como definidas no RITI, estão dispensados de ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. Consideram-se aquisições intracomunitárias os bens expedidos de um Estado-Membro da UE com destino a um adquirente no território nacional, que seja sujeito passivo de IVA e esteja enquadrado no regime de aquisições intracomunitárias. Como transmissões intracomunitárias devem ser consideradas as expedições de bens do território nacional com destino a sujeitos passivos sedeados noutro Estado-Membro, que estejam registados no regime de aquisições intracomunitárias. Os transportes relacionados com aquisições intracomunitárias ficam dispensados de ser acompanhados por um documento de transporte até ao primeiro lugar de chegada dos bens, ou seja, até que exista a rutura de carga (p.e. armazém logístico). Os transportes posteriores a essa rutura de carga, no território nacional, devem ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. Estes transportes de bens relacionados com aquisições e transmissões intracomunitárias de bens podem ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do regime jurídico do transporte internacional, nomeadamente a declaração de expedição (CMR), a carta de porte ( Airwaybil - AWB) ou o conhecimento de embarque ( Bill of landing - B/L), consoante o mesmo seja rodoviário, aéreo ou marítimo, respetivamente (Ofício-Circulado nº 30009/1999). 154
155 - Os transportes de bens relacionados com exportações ou importações em trânsito para ou de um destino aduaneiro ficam dispensados de ser acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. No caso do transporte de bens do armazém situado em território nacional para exportação, também ficam excluídos da obrigação de dispor de DT, no entanto nos termos do art. 29.º do CIVA, a prova de que os bens se destinam a exportação faz-se através de documento alfandegário apropriado ou, não existindo a obrigação legal de intervenção dos serviços alfandegários, de declaração emitida pelo adquirente dos bens ou utilizador dos serviços indicando o destino que lhe vai ser dado. Não existindo a possibilidade de comprovar o sujeito passivo pode sempre acompanhar os bens com um DT cumprindo os formalismos de emissão e de comunicação. No caso do transporte de bens da alfândega para um local no território nacional, que estejam abrangidos por um regime de trânsito aduaneiro, estes bens podem ser acompanhados pelo documento de despacho alfandegário. Se os bens a exportar ou importados não estiverem sujeitos ao regime de exportação ou de trânsito devem ser sempre acompanhados por um documento de transporte emitido nos termos do RBC. 155
156 6.4. Artigo 4.º Artigo 4.º Documentos de transporte 1 - As faturas devem conter obrigatoriamente os elementos referidos no n.º 5 do artigo 36.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado. 2 - Sem prejuízo do disposto no n.º 6 do presente artigo, as guias de remessa ou documentos equivalentes devem conter, pelo menos, os seguintes elementos: a) Nome, firma ou denominação social, domicílio ou sede e número de identificação fiscal do remetente; b) Nome, firma ou denominação social, domicílio ou sede do destinatário ou adquirente; c) Número de identificação fiscal do destinatário ou adquirente, quando este seja sujeito passivo, nos termos do artigo 2.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado; d) Designação comercial dos bens, com indicação das quantidades. 3 - Os documentos de transporte referidos nos números anteriores cujo conteúdo não seja processado por computador devem conter, em impressão tipográfica, a referência à autorização ministerial relativa à tipografia que os imprimiu, a respetiva numeração atribuída e ainda os elementos identificativos da tipografia, nomeadamente a designação social, sede e número de identificação fiscal. 4 - As faturas, guias de remessa ou documentos equivalentes devem ainda indicar os locais de carga e descarga, referidos como tais, e a data e hora em que se inicia o transporte. 5 - Na falta de menção expressa dos locais de carga e descarga e da data do início do transporte, presumir-se-ão como tais os constantes do documento de transporte. 156
157 6 - Os documentos de transporte, quando o destinatário não seja conhecido na altura da saída dos bens dos locais referidos no n.º 2 do artigo 2.º, são processados globalmente, nos termos referidos nos artigos 5.º e 8.º, e impressos em papel, devendo proceder-se do seguinte modo à medida que forem feitos os fornecimentos: a) No caso de entrega efetiva dos bens, devem ser processados em duplicado, utilizando-se o duplicado para justificar a saída dos bens; b) No caso de saída de bens a incorporar em serviços prestados pelo remetente dos mesmos, deve a mesma ser registada em documento próprio, nomeadamente folha de obra ou qualquer outro documento equivalente. 7 - Nas situações referidas nas alíneas a) e b) do número anterior, deve sempre fazer-se referência ao respetivo documento global. 8 - As alterações ao local de destino, ocorridas durante o transporte, ou a não aceitação imediata e total dos bens transportados, obrigam à emissão de documento de transporte adicional em papel, identificando a alteração e o documento alterado. 9 - No caso em que o destinatário ou adquirente não seja sujeito passivo, far-se-á menção do facto no documento de transporte Em relação aos bens transportados por vendedores ambulantes e vendedores em feiras e mercados, destinados a venda a retalho, abrangidos pelo regime especial de isenção ou regime especial dos pequenos retalhistas a que se referem os artigos 53.º e 60.º do Código do IVA, respetivamente, o documento de transporte pode ser substituído pelas faturas de aquisição processadas nos termos e de harmonia com o artigo 36.º do mesmo Código Os documentos referidos nas alíneas a) e b) do n.º 6 e as alterações referidas no n.º 8 são comunicados, por inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte ao do transporte. Comentários: Este artigo refere especificamente os requisitos dos documentos que podem ser utilizados como DT. De acordo com a alínea b) do n.º 1 do art. 2.º do RBC consideram-se documentos de transporte (DT): ü ü ü ü ü A fatura; Guia de remessa; Nota de devolução; Guia de transporte ou; Documentos equivalentes. 157
158 Vejamos, então, o que devem conter os DT em termos genéricos, quais as especificidades no caso de não ser conhecido o destino dos bens ou as situações particulares em que existam alterações durante o transporte. A fatura pode servir de DT. Quando a fatura seja utilizada como documento de transporte, para além dos elementos previstos no nº 5 do artigo 36º do CIVA, deve ainda conter dados sobre o transporte, nomeadamente a indicação expressa dos locais de carga e descarga, referidos como tais, quando distintos dos indicados nos dados do remetente e destinatário, e a data e hora em que se inicia o transporte. Isto é, devem conter obrigatoriamente os seguintes elementos: Os referidos no n.º 5 do artigo 36.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado: Data e numeração sequencial; Os nomes, firmas ou denominações sociais e a sede ou domicílio do fornecedor de bens ou prestador de serviços e do destinatário ou adquirente, bem como os correspondentes números de identificação fiscal dos sujeitos passivos de imposto; A quantidade e denominação usual dos bens transmitidos ou dos serviços prestados, com especificação dos elementos necessários à determinação da taxa aplicável; as embalagens não efetivamente transacionadas devem ser objeto de indicação separada e com menção expressa de que foi acordada a sua devolução; O preço, líquido de imposto, e os outros elementos incluídos no valor tributável; As taxas aplicáveis e o montante de imposto devido; O motivo justificativo da não aplicação do imposto, se for caso disso; A data em que os bens foram colocados à disposição do adquirente, em que os serviços foram realizados ou em que foram efetuados pagamentos anteriores à realização das operações, se essa data não coincidir com a da emissão da fatura. Para além destes elementos deve ainda conter nos termos do RBC: Locais de carga e descarga, Data e hora em que se inicia o transporte. Nota: Na falta de menção expressa dos locais de carga e descarga e da data do início do transporte, 158
159 presumir-se-ão como tais os constantes do documento de transporte. Para além disso, a fatura utilizada como documento de transporte deve ser processada em 3 exemplares, devendo o original e duplicado acompanhar os bens e o triplicado ficar para o remetente dos bens. Se a fatura utilizada como documento de transporte for processada através de meios informáticos, o remetente fica dispensado de proceder à comunicação à AT dos elementos do documento de transporte. As faturas emitidas pelos adquirentes dos bens (autofaturação) podem ser utilizadas como DT nos termos do RBC, desde que cumpridos os referidos requisitos desse regime. Quanto aos outros documentos de transporte tais como as guias de transporte, guias de remessa ou documentos equivalentes devem conter, pelo menos, os seguintes elementos: Nome, firma ou denominação social, domicílio ou sede e número de identificação fiscal do remetente; Nome, firma ou denominação social, domicílio ou sede do destinatário ou adquirente; Número de identificação fiscal do destinatário ou adquirente, quando este seja sujeito passivo de IVA; Designação comercial dos bens, com indicação das quantidades. Locais de carga e descarga, Data e hora em que se inicia o transporte. Nota: Na falta de menção expressa dos locais de carga e descarga e da data do início do transporte, presumir-se-ão como tais os constantes do documento de transporte. A data e hora do início do transporte são colocadas no documento de transporte, na emissão desse documento, e, necessariamente antes de comunicar e realizar o transporte. Não existe qualquer limite temporal entre a data de início e o final do transporte. Sobre este requisito refira-se ainda os DT apenas podem ser anulados ou alterados antes da hora/ minuto do início do transporte. Após se ter ultrapassado a hora/minuto do início do transporte, já não é possível proceder a essa anulação ou alteração, devendo em alternativa, proceder à emissão de um DT adicional em papel tipográfico fazendo referência ao documento alterado. 159
160 As alterações de local de destino nos documentos de transporte, ocorridas durante o transporte, ou a não-aceitação dos bens pelo adquirente, obrigam à emissão de um novo documento de transporte adicional em papel pré-impresso ou por qualquer outra via previstas de 1 a 4 (documento de transporte adicional subsidiário ao DT inicial), identificando a alteração e o documento alterado (anteriormente estas alterações eram anotadas no próprio documento de transporte). Este documento de transporte adicional deve conter todos os elementos obrigatórios dos documentos de transporte nos termos do n.º 2 do art. 4.º do RBC, identificando a alteração e o documento alterado. Estas alterações são também comunicadas obrigatoriamente à AT no prazo de 5 dias úteis se o documento adicional for em papel tipográfico e antes do novo transporte se o documento adicional for pelas vias prevista de 1 a 4. Quando pela natureza dos bens os respetivos volumes não poderem ser transportados na mesma viatura, há que processar um documento de transporte por cada viatura, ainda que as mesmas circulem em fila na estrada. O mero transbordo de bens entre viaturas, não existindo rutura de carga, não implica a emissão de um novo DT. No entanto, quando esse transbordo implicar a repartição dos bens por viaturas mais pequenas, existindo alteração de quantidades transportadas por viatura, deve implicar a emissão de um novo DT. Em relação às quantidades, quando não existam condições para determinar com exatidão as quantidades dos bens transportados antes do início do transporte, ou quando existam diferenças entre as quantidades no início e fim do transporte, não existe uma qualquer solução clara e objetiva para este tipo de situação, devendo o sujeito passivo adotar medidas que evitem tais situações. Não podem ser indicadas apenas quantidades como volumes ou caixas; deve especificar-se as unidades ou outras medidas correspondentes (p.e. no transporte de bebidas, há que indicar X grades com Y garrafas de Z decilitros). A designação comercial dos bens transportados deve ser entendida como a designação usual desses bens, que tem como objetivo o controlo desses bens. De qualquer forma, a AT tem entendido que a colocação de um código ou identificação similar que possibilite a correta e inequívoca identificação dos bens possa substituir essa designação usual (Desp. De 29/05/85, Proc. 30, E.N. 1137/85). Não são contudo admitidas designações genéricas de bens ou expressões como diversos. A inclusão do NIF do adquirente ou destinatário apenas é obrigatória quando este for um sujeito passivo de IVA. Se esse adquirente ou destinatário for um particular, o DT não tem que incluir o respetivo NIF, havendo que colocar uma menção expressão de que se trata de um não sujeito passivo, quando exista obrigação de emissão do DT. 160
161 Refira-se ainda que, quando o destinatário for um consumidor final/particular, não sujeito passivo, mesmo que os bens tenham que ter um DT (os que não estão nas exclusões do art. 3.º, por exemplo eletrodomésticos que tenham sido previamente adquiridos e que sejam transportados em viaturas de mercadorias) ficam dispensados da comunicação à AT por aplicação do n.º 2 do art. 2.º da Portaria n.º 161/2013, de 23 de abril. A matrícula da viatura que transporta os bens não é um elemento obrigatório a constar no DT emitido nos termos do RBC, mas pode ser colocada facultativamente por exemplo para controlo interno da empresa ou dos motoristas. Refira-se a possibilidade de utilizar o mesmo DT ainda que exista transbordo dos bens entre meios de transporte. Os documentos de transporte também já não necessitam de conter a expressão Processado por computador. Se forem emitidos por programas informáticos de faturação certificados devem ser conter a assinatura eletrónica prevista no artigo 6º da Portaria nº 363/2010, com as alterações introduzidas pela Portaria 22-A/2012 e pela Portaria 160/2013 de 23 de abril. Se forem emitidos manualmente em impressos tipográficos, devem conter a referência à autorização ministerial relativa à tipografia que os imprimiu, a respetiva numeração atribuída e ainda os elementos identificativos da tipografia, nomeadamente a designação social, sede e número de identificação fiscal. Os bens em circulação devem ser acompanhados com o original e duplicado do DT (incluindo fatura), ou do Código de identificação quando se efetue a comunicação por transmissão eletrónica de dados (Webservice, envio do ficheiro SAFT-PT ou comunicação no Portal das Finanças), sem prejuízos das obrigações do documento de transporte global. A circulação de bens com fotocópias ou fax do documento de transporte não é permitida em caso algum, pois este artigo determina que os documentos de transporte que acompanham os bens são o original e duplicado. O documento de transporte pode ser emitido pelo adquirente dos bens, agora proprietário dos bens, quando este proceda à recolha dos bens no local do próprio transmitente, passando esse adquirente a ser o detentor dos bens nesse momento. Por exemplo, recolha de leite nos produtores e aquisição de madeira cortada no pinhal ou compras nas grandes superfícies. A numeração dos DT passa a poder conter mais de 11 dígitos. Os DT emitidos nos termos do RBC, que não sejam faturas, não têm que conter o preço dos bens transportados, as respetivas taxas de IVA aplicáveis ou motivos de não aplicação de IVA. Verificar ponto 2.7 sobre a emissão de documentos de transporte globais e documentos acessórios pelas entregas efetivas e folhas de obra de consumos. Verificar ponto 2.8 sobre a emissão de documentos de transporte adicionais quando se verifiquem alterações de local de destino nos documentos de transporte, ocorridas durante o transporte, ou a não aceitação dos bens pelo adquirente. 161
162 Nos documentos de transporte globais, é desnecessário a colocação do local de descarga por o mesmo não ser conhecido no momento da emissão desse DT. Os bens transportados por vendedores ambulantes e vendedores em feiras e mercados destinados a venda a retalho devem ser acompanhados por um DT emitido nos termos do RBC, exceto se esses bens forem destinados a venda a retalho, e esses sujeitos passivos estejam enquadrados no regime especial de isenção de IVA (artigo 53º do CIVA) ou no regime dos pequenos retalhistas (artigo 60º do CIVA) e se façam acompanhar pelas faturas de compras. Quanto às diferenças entre os outros documentos de transporte tais como guias de transporte, guias de remessa ou documentos equivalente, não existem diferenças no que respeita ao seu conteúdo podendo os nomes derivar de acordo com os usos comerciais. No entanto, chamamos a atenção que de acordo com o Decreto-Lei n.º 257/2007 de 16 de julho que estabelece o regime jurídico da atividade de transporte rodoviário de mercadorias existe um documento também designado como «Guia de transporte» que é um documento descritivo dos elementos essenciais da operação de transporte e que estabelece as condições de realização do contrato entre o transportador e o expedidor e que não deve ser confundido com a guia de transporte para efeitos fiscais prevista no RBC. Estes documentos emitidos nos termos do Regime Jurídico da Atividade de Transporte Rodoviário de Mercadorias não têm que cumprir os formalismos de emissão e comunicação prevista no RBC, tendo apenas que cumprir o exigido no normativo específico (Decreto-lei n.º 257/2007). Os documentos tais como guias para circulação de gado, guias de recolha, guias de materiais perigosos, etc. não podem ser documentos de transporte porque não cumprem as vias de emissão nem os requisitos do RBC. 162
163 6.5. Artigo 5.º Artigo 5.º Processamento dos documentos de transporte 1 - Os documentos referidos na alínea b) do n.º 1 do artigo 2.º devem ser emitidos por uma das seguintes vias: a) Por via eletrónica, devendo estar garantida a autenticidade da sua origem e a integridade do seu conteúdo, de acordo com o disposto no Código do IVA; b) Através de programa informático que tenha sido objeto de prévia certificação pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), nos termos da Portaria n.º 363/2010, de 23 de junho, alterada pela Portaria n.º 22-A/2012, de 24 de janeiro; c)através de software produzido internamente pela empresa ou por empresa integrada no mesmo grupo económico, de cujos respetivos direitos de autor seja detentor; d) Diretamente no Portal das Finanças; e) Em papel, utilizando-se impressos numerados seguida e tipograficamente. 2 - Os documentos emitidos nos termos das alíneas b) a e) do número anterior devem ser processados em três exemplares, com uma ou mais séries, convenientemente referenciadas. 3 - A numeração dos documentos emitidos nos termos do n.º 1 deve ser progressiva, contínua e aposta no ato de emissão. 4 - Quando, por exigência de ordem prática, não seja bastante a utilização de um único documento dos referidos na alínea b) do n.º 1 do artigo 2.º, deve utilizar-se o documento com o número seguinte, nele se referindo que é a continuação do anterior. 163
164 5 - Os sujeitos passivos são obrigados a comunicar à AT os elementos dos documentos processados nos termos referidos no n.º 1, antes do início do transporte. 6 - A comunicação prevista no número anterior é efetuada da seguinte forma: a) Por transmissão eletrónica de dados para a AT, nos casos previstos nas alíneas a) a d) do n.º 1; b) Através de serviço telefónico disponibilizado para o efeito, com indicação dos elementos essenciais do documento emitido, com inserção no Portal das Finanças, até ao 5.º dia útil seguinte, nos casos da alínea e) do n.º 1 ou, nos casos de inoperacionalidade do sistema informático da comunicação, desde que devidamente comprovado pelo respetivo operador. 7 - Nas situações previstas na alínea a) do número anterior, a AT atribui um código de identificação ao documento. 8 - Nos casos referidos no número anterior, sempre que o transportador disponha de código fornecido pela AT, fica dispensado de se fazer acompanhar de documento de transporte. 9 - A AT disponibiliza no Portal das Finanças o sistema de emissão referido na alínea d) do n.º 1 e o modelo de dados para os efeitos previstos na alínea a) do n.º A comunicação prevista nos n.ºs 5 e 6 não é obrigatória para os sujeitos passivos que, no período de tributação anterior, para efeitos dos impostos sobre o rendimento, tenham um volume de negócios inferior ou igual a Nos casos em que a fatura serve também de documento de transporte e seja emitida pelos sistemas informáticos previstos nas alíneas a) a d) do n.º 1 fica dispensada a comunicação prevista no n.º 6, devendo a circulação dos bens ser acompanhada da respetiva fatura emitida. Comentário: Este artigo contém as principais alterações que entram em vigor em 1 de julho de 2013 e que tantas preocupações têm trazido aos operadores económicos sobre a sua praticabilidade nalguns casos. 164
165 Vejamos então o que resulta deste artigo, em particular, as novas obrigações dos sujeitos passivos relacionadas com a obrigatoriedade de comunicação dos DT à AT. Conforme decorre do n.º 6 deste art. 5.º, os sujeitos passivos são obrigados a comunicar à AT os elementos dos documentos processados pelas vias definidas no ponto 2.3, antes do início do transporte. Os documentos de transporte podem ser processados pelas seguintes vias: 1 - Por via eletrónica, desde que garantida a autenticidade e integridade do conteúdo dos documentos (p.e. através de aposição de assinatura eletrónica avançada ou emissão pelo sistema EDI); 2 - Por programa de computador certificado pela AT, de acordo com os requisitos técnicos previstos na Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril; 3 - Por programa de computador produzido internamente pela empresa ou pelo grupo, de cujos direitos de autor seja detentor; 4 - Através do Portal das Finanças (é criada uma nova funcionalidade); 5 - Manualmente em papel, utilizando-se impressos de tipografia autorizada. Nos termos da Portaria 363/2010, com as alterações introduzidas pelas Portaria 22-A/2012 e Portaria 160/2013, de 23 de abril, fica clarificado que os sujeitos passivos que utilizem ou sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados ficam também abrangidos pela obrigatoriedade de dispor de programas certificados para emissão dos DT. Por regra, os documentos de transporte devem ser processados em três exemplares, sendo o original e duplicado que acompanham os bens, o primeiro para o adquirente ou destinatário e o segundo para as autoridades de fiscalização. O triplicado fica para arquivo do remetente. Esses documentos de transporte podem ser processados em uma ou mais séries, convenientemente referenciadas, com numeração progressiva, contínua e aposta no ato de emissão. No que respeita às alterações aos documentos de transporte, antes de iniciado o transporte, esses documentos podem ser anulados, ou os seus elementos alterados, nomeadamente a data e hora de início do transporte, quantidades e bens a transportar, locais de descarga, etc.. Após se ter ultrapassado a hora/minuto do início do transporte, já não é possível proceder a essa anulação ou alteração, devendo em alternativa, proceder à emissão de um DT adicional em papel tipográfico fazendo referência ao documento alterado. As alterações de local de destino nos documentos de transporte, ocorridas durante o transporte, ou a não-aceitação dos bens pelo adquirente, obrigam à emissão de um novo documento de transporte adicional em papel pré-impresso ou por qualquer outra via previstas de 1 a 4 (documento de transporte adicional subsidiário ao DT inicial), identificando a alteração e o documento alterado 165
166 (anteriormente estas alterações eram anotadas no próprio documento de transporte). Este documento de transporte adicional deve conter todos os elementos obrigatórios dos documentos de transporte nos termos do n.º 2 do art. 4.º do RBC, identificando a alteração e o documento alterado. Estas alterações são também comunicadas obrigatoriamente à AT no prazo de 5 dias úteis se o documento adicional for processado em papel tipográfico e antes do novo transporte se o documento adicional for pelas vias prevista de 1 a 4. Diferenças entre as obrigações dos sujeitos passivos que dispõem ou tenham que dispor de programas informáticos certificados e daqueles que não dispõem, no que respeita ao documento de transporte inicial: - Os sujeitos passivos que utilizem, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados devem proceder à emissão dos documentos de transporte pelas vias 1, 2 ou 4. - Os sujeitos passivos que utilizem programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas certificados nos termos da Portaria 363/2010, com as alterações introduzidas pelas Portaria 22-A/2012 e pela Portaria 160/2013, de 23 de abril) podem proceder à emissão de DT pelas vias 1, 3, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que não utilizem nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente), podem proceder à emissão de DT pelas vias 4 ou 5. Diferenças entre as obrigações dos sujeitos passivos que dispõem ou tenham que dispor de programas informáticos certificados e daqueles que não dispõem, no que respeita ao documento de transporte adicional (previstos na alínea a) e b) do n.º 6 e n.º 8 do art. 4.º do RBC): - Os sujeitos passivos que utilizem, ou sejam obrigados a utilizar, programas informáticos de faturação certificados devem proceder à emissão dos documentos de transporte adicionais pelas vias 1, 2, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que utilizem programas informáticos produzidos internamente (dispensados de utilizar programas certificados nos termos da Portaria 363/2010, com as alterações introduzidas pela Portaria 22-A/2012 e pela Portaria 160/2013, de 23 de abril) podem proceder à emissão de DT pelas vias 1, 3, 4 ou 5. - Os sujeitos passivos que não utilizem nem sejam obrigados a utilizar programas informáticos de faturação certificados (nem produzidos internamente), devem proceder à emissão de DT pelas vias 4 ou 5. Para além da obrigação de emissão do DT, os sujeitos passivos têm ainda a obrigação de comunicar. Regra geral, a comunicação dos elementos dos documentos de transporte deve ser efetuada por transmissão eletrónica de dados (via webservice, envio de SAFT), para os documentos emitidos por meios informáticos (por via eletrónica ou através de programas informáticos certificados ou produzidos internamente). 166
167 Os documentos de transporte emitidos através do Portal das Finanças são comunicados automaticamente (em simultâneo) pelo próprio portal para a AT. Os documentos de transporte emitidos manualmente em papel tipográfico são comunicados inicialmente pelo serviço telefónico (apenas elementos essenciais: Hora, data, últimos 4 dígitos do numero do DT e NIF do adquirente) e posteriormente com inserção no Portal das Finanças (até ao 5º dia útil) dos restantes elementos obrigatórios. Este artigo refere também a problemática da inoperacionalidade, e sobre esta matéria refira-se o seguinte: Podem ser consideradas inoperacionalidade as seguintes situações: 1) A impossibilidade de proceder à emissão do DT através de programa de computador ou via eletrónica, por inoperacionalidade do sistema informático do sujeito passivo ou por impossibilidade de acesso ao sistema 4. 2) Inoperacionalidade do sistema informático da comunicação, desde que devidamente comprovado pelo respetivo operador (PT, Vodafone, Zon, Optimus, TMN, etc..) 3) Inoperacionalidade do sistema da AT (Portal das Finanças ou serviço de telefone inativo ou em manutenção) Nestes casos de inoperacionalidade o sujeito passivo pode alternativamente proceder da seguinte forma: 1.º Caso Inoperacionalidade do sistema informático do sujeito passivo ou impossibilidade de acesso ao sistema à Esta inoperacionalidade pode ser ultrapassada com a emissão de um DT em papel tipográfico e comunicação pelo serviço de telefone com inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte. 2.º Caso - Inoperacionalidade do sistema informático da comunicação, desde que devidamente comprovado pelo respetivo operador (PT, Vodafone, Zon, Optimus, TMN, etc..) à O DT é emitido nos termos normais previstos sempre com impressão em papel para acompanhamento dos bens e a comunicação é efetuada pelo serviço de telefone com inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte. 3.º Caso - Inoperacionalidade do sistema da AT (Portal das Finanças ou serviço de telefone inativo ou em manutenção) à O DT é emitido nos termos normais previstos, sempre com impressão em papel para acompanhamento dos bens e a comunicação é efetuada por inserção no Portal das Finanças até ao 5.º dia útil seguinte. Deixou de estar prevista a limitação da numeração do DT a 11 dígitos. 4 O 1.º caso de inoperacionalidade não consta da legislação e não está sancionado pela AT, no entanto avançamos com esta possibilidade na esperança que exista bom senso para a resolução de muitos casos que sem esta opção se tornam impraticáveis. Recordamos que no caso dos programas informáticos de facturação certificados a respectiva portaria prevê a possibilidade de emissão de facturas em papel tipográfico nos casos de inoperacionalidade mencionados no 1.º caso. 167
168 A numeração dos DT deve ser progressiva, contínua e aposta no ato de emissão. Todavia, quando se estiver a utilizar DT impressos tipográficos, com a numeração pré-impressa, e for necessário utilizar mais folhas para o processamento do DT por limitação de espaço, pode utilizar-se o DT com numeração seguinte para o mesmo transporte, efetuando-se a referência que é a continuação do anterior. 168
169 6.6. Artigo 6.º Artigo 6.º Circuito e validade dos documentos de transporte 1 - Os documentos de transporte são processados pelos sujeitos passivos referidos na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º do Código do IVA e pelos detentores dos bens e antes do início da circulação nos termos do n.º 2 do artigo 2.º do presente diploma. 2 - Ainda que processados nos termos do número anterior, para efeitos do presente diploma consideram- -se não exibidos os documentos de transporte emitidos por sujeito passivo que se encontre em qualquer das seguintes situações: a) Que não esteja registado; b) Que tenha cessado atividade nos termos dos artigos 33.º ou 34.º do Código do IVA; c) Que esteja em falta relativamente ao cumprimento das obrigações constantes do artigo 41.º do Código do IVA, durante três períodos consecutivos. 3 - O disposto no número anterior aplica-se apenas aos casos em que simultaneamente se verifiquem a qualidade de remetente e transportador. 4 - Consideram-se ainda não exibidos os documentos de transporte na posse de um sujeito passivo que, sendo simultaneamente transportador e destinatário, se encontre em qualquer das situações referidas no n.º 2 do presente artigo. 5 - Os exemplares dos documentos de transporte referidos no n.º 2 do artigo anterior são destinados: a) Um, que acompanha os bens, ao destinatário ou adquirente dos mesmos; 169
170 b) Outro, que igualmente acompanha os bens, à inspeção tributária, sendo recolhido nos atos de fiscalização durante a circulação dos bens pelas entidades referidas no artigo 13.º, e junto do destinatário pelos serviços da AT; c) O terceiro, ao remetente dos bens. 6 - Sem prejuízo do disposto no artigo 52.º do Código do IVA, devem ser mantidos em arquivo, até ao final do 2.º ano seguinte ao da emissão, os exemplares dos documentos de transporte destinados ao remetente e ao destinatário, bem como os destinados à inspeção tributária que não tenham sido recolhidos pelos serviços competentes. 7 - No caso referido na alínea a) a d) do n.º 1 do artigo anterior, consideram-se exibidos os documentos comunicados à AT, desde que apresentado o código atribuído de acordo com o n.º 7 do mesmo artigo. 8 - Sempre que exigidos os documentos de transporte ou de aquisição relativos aos bens encontrados nos locais referidos na alínea a) do n.º 2 do artigo 2.º, cujo transporte ou circulação tenha estado sujeita à disciplina do presente diploma, e o sujeito passivo ou detentor dos bens alegue que o documento exigido não está disponível no local, por este ser diferente da sua sede ou domicílio fiscal ou do local de centralização da escrita, notificar-se-á aquele para no prazo de cinco dias úteis proceder à sua apresentação, sob pena da aplicação da respetiva penalidade. 9 - Relativamente aos bens sujeitos a fácil deterioração, o documento exigido no número anterior deve ser exibido de imediato Se ultrapassado o prazo estabelecido na parte final do n.º 6 do presente artigo considera-se exibido o documento exigido nos termos do n.º 8 se os bens em causa se encontrarem devidamente registados no inventário final referente ao último exercício económico. Comentários: Este artigo refere quem processa os documentos de transporte e o circuito e validade dos DT. Os documentos de transporte são processados pelas pessoas singulares ou coletivas que, de um modo independente e com caráter de habitualidade, exerçam atividades de produção, comércio ou prestação de serviços que sejam detentores dos bens antes do início da circulação. Este sujeito passivo detentor dos bens é, em regra, o proprietário desses mesmos bens podendo habilitar um terceiro, em seu nome e por sua conta, a processar o DT. 170
171 Em situações excecionais, por exemplo no caso do trabalho a feitio ou na reparação de bens do inventário em que o prestador do serviço é que está a transportar os bens ele é, naquele momento, o detentor sendo dele a responsabilidade de processar/emitir e comunicar o DT. Este artigo refere ainda que se consideram não exibidos os documentos de transporte emitidos por sujeito passivo que se encontre em qualquer das seguintes situações: a) Que não esteja registado; b) Que tenha cessado atividade; c) Que esteja em falta relativamente ao cumprimento das obrigações constantes do artigo 41.º do Código do IVA, do envio da declaração periódica do IVA por transmissão eletrónica no Portal das Finanças, durante três períodos consecutivos. Esta situação aplica-se apenas aos casos em que no transporte de bens se verifiquem, simultaneamente, a qualidade de remetente e transportador, isto é, aplica-se ao remetente quando este transporta os bens. Consideram-se ainda não exibidos os documentos de transporte na posse de um sujeito passivo que, sendo simultaneamente transportador e destinatário, se encontre em qualquer das situações referidas, isto é, aplica-se ao destinatário quando este transporta os bens. Quando exista a devolução de bens pelo adquirente inicial, se este for um sujeito passivo de IVA, como é o detentor dos bens no momento da devolução, é este adquirente a ter a obrigação de processar/emitir o documento de transporte (e respetiva comunicação à AT). Esta situação de devolução dos bens não deve ser confundida com a não-aceitação dos bens pelo adquirente ou destinatário. No caso da não-aceitação dos bens, a emissão do DT adicional deve ser efetuada pelo remetente, pois é este o detentor dos bens (ou eventualmente o transportador em nome e por conta do remetente). Quando exista a armazenagem e expedição de bens por um operador logístico, contratado pelo sujeito passivo proprietário dos bens, a obrigação de processamento e emissão do DT (e respetiva comunicação) das expedições de bens para os clientes do sujeito passivo continua a ser do remetente pois é este o detentor dos bens. No entanto, o operador logístico pode elaborar esses DT em nome e por conta do remetente. Quando seja um transportador, contratado pelo sujeito passivo para efetuar o transporte de bens, e existam alterações ao local de destino no decurso do transporte ou a não-aceitação dos bens pelo adquirente ou destinatário, o processamento e emissão do novo DT adicional é obrigação do remetente pois é este o detentor dos bens. O transportador pode elaborar esses DT em nome e por conta do remetente. 171
172 O DT pode considerar-se como exibido às autoridades fiscalizadoras, quando for apresentado o código de Identificação atribuído no momento da comunicação à AT dos elementos desse DT, processado por programas ou sistemas informáticos, por via eletrónica ou no Portal das Finanças, neste caso os bens não precisam de ser acompanhados com o DT impresso podendo apenas ser acompanhados pelo Código atribuído pela AT (com exceção do DT global). No caso de processamento do DT manualmente em papel tipográfico, com comunicação efetuado pelo serviço telefónico, o DT apenas se considera exibido se estiver impresso em papel e acompanhar o transporte dos bens. O código atribuído pelo serviço telefónico não dispensa que o DT em papel acompanhe os bens transportados. Reforça-se o já referido que se consideram como não exibidos os DT, ainda que processados nos termos do RBC, quando o sujeito passivo remetente, que esteja a efetuar ele próprio o transporte, não tenha iniciado atividade, esteja cessado em IVA ou tenha em falta a apresentação das declarações periódicas de IVA dos 3 últimos período de imposto (mensais ou trimestrais). Consideram-se ainda como não exibidos os DT, ainda que processados nos termos do RBC, ainda que o sujeito passivo adquirente os tenha na sua posse e tenha efetuado o transporte, e se encontre nas situações referidas no parágrafo anterior. 172
173 6.7. Artigo 7.º Artigo 7.º Transportador 1 - Os transportadores de bens, seja qual for o seu destino e os meios utilizados para o seu transporte, devem exigir sempre aos remetentes dos mesmos o original e o duplicado do documento referido no artigo 1.º ou, sendo caso disso, o código referido no n.º 7 do artigo 5.º 2 - Tratando-se de bens importados em Portugal que circulem entre a estância aduaneira de desalfandegamento e o local do primeiro destino, o transportador deve fazer-se acompanhar, em substituição do documento referido no número anterior, de documento probatório do desalfandegamento dos mesmos. 3 - Quando o transporte dos bens em circulação for efetuado por transportador público regular coletivo de passageiros ou mercadorias ou por empresas concessionárias a prestarem o mesmo serviço, o documento de transporte ou código referido no n.º 7 do artigo 5.º pode acompanhar os respetivos bens em envelope fechado, sendo permitida a abertura às autoridades referidas no artigo 13.º 4 - A disciplina prevista neste artigo não se aplica ao transportador público de passageiros quando os bens em circulação pertencerem aos respetivos passageiros. Comentários: Como transportador deve ser entendida a pessoa singular ou coletiva ou entidade fiscalmente equiparada que, recebendo do remetente ou de anterior transportador os bens em circulação, realiza ou se propõe realizar o seu transporte até ao local de destino ou de transbordo ou, em caso de dúvida, a pessoa em nome de quem o veículo transportador se encontra registado, salvo se o mesmo for objeto de um contrato de locação financeira, considerando-se aqui o respetivo locatário. 173
174 Os transportadores devem exigir aos remetentes dos bens o original e duplicado do documento de transporte, ou o Código de Identificação atribuído na comunicação por transmissão eletrónica de dados nos casos em que se aplica. Esta obrigação esta relacionada com as infrações pela falta de exibição do DT, sendo aplicadas ao remetente e ao transportador, e unicamente ao transportador (e não ao remetente), quando este seja o responsável pelo processamento do DT (situações de não aceitação dos bens pelo destinatário ou de alteração do destino dos bens no decurso do transporte) ainda que efetuada em nome e por conta do remetente. A não exibição imediata do DT pelo transportador implica, para além das respetivas coimas, a apreensão da viatura e bens transportados. Quando exista transporte de bens importados entre o local de desalfandegamento e o local do primeiro destino, esse transporte está excluído das obrigações de processamento e comunicação do DT, devendo ser utilizado para acompanhados dos bens o respetivo documento comprovativo do desalfandegamento. Após este transporte para o primeiro local de destino, incluindo um armazém de um operador logístico, os transportes subsequentes de bens, já em consumo, para os clientes finais devem ser acompanhados por um DT emitido nos termos do RBC. Nestes casos, a obrigação do processamento (e comunicação) do documento de transporte continua a ser do remetente/detentor dos bens. Os transportadores de bens, seja qual for o seu destino e os meios utilizados para o seu transporte, devem exigir sempre aos remetentes dos mesmos o original e o duplicado do documento de transporte ou, sendo caso disso, o código de identificação ao documento atribuído pela Autoridade Tributária e Aduaneira. Quando o transporte dos bens em circulação for efetuado por transportador público regular coletivo de passageiros ou mercadorias ou por empresas concessionárias a prestarem o mesmo serviço, o documento de transporte ou código de identificação ao documento atribuído pela Autoridade Tributária e Aduaneira pode acompanhar os respetivos bens em envelope fechado, sendo permitida a abertura às autoridades de fiscalização do cumprimento das normas previstas no regime do bens em circulação, à AT e à unidade com as atribuições tributárias, fiscais e aduaneiras da Guarda Nacional Republicana. A disciplina prevista neste ponto não se aplica ao transportador público de passageiros quando os bens em circulação pertencerem aos respetivos passageiros. 174
175 6.8. Artigo 8.º Artigo 8.º Impressão dos documentos de transporte 1 - A impressão tipográfica dos documentos de transporte referidos na alínea e) do n.º 1 do artigo 5.º só pode ser efetuada em tipografias devidamente autorizadas pelo Ministro das Finanças, devendo obedecer a um sistema de numeração unívoca. 2 - (Revogado.) 3 - (Revogado.) 4 - Nos casos em que, por exigências comerciais, for necessário o processamento de mais de três exemplares dos documentos referidos, é permitido à tipografia autorizada executá-los, com a condição de imprimir nos exemplares que excedam aquele número uma barra com a seguinte indicação: «Cópia de documento não válida para os fins previstos no Regime dos Bens em Circulação». 5 - A autorização referida no n.º 1 é concedida, mediante a apresentação do respetivo pedido, às pessoas singulares ou coletivas ou entidades fiscalmente equiparadas que exerçam a atividade de tipografia ou que a iniciem, na condição de que: a) Não tenham sofrido condenação nos termos dos artigos 87.º a 91.º, 103.º a 107.º, 113.º, 114.º, 116.º a 118.º, 120.º, 122.º e 123.º do Regime Geral das Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho, nem nos termos das normas correspondentes do Regime Jurídico das Infrações Fiscais não Aduaneiras, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 20-A/90, de 15 de janeiro; b) Não estejam em falta relativamente ao cumprimento das obrigações constantes do n.º 1 do artigo 26.º e dos n.ºs 1 e 2 do artigo 40.º do Código do IVA, do n.º 1 do artigo 57.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares ou do n.º 1 do artigo 96.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas; 175
176 c) Não se encontrem em estado de falência; d)não tenham sido condenadas por crimes previstos nos artigos 256.º, 258.º, 259.º, 262.º, 265.º, 268.º e 269.º do Código Penal. 6 - O pedido de autorização referido no número anterior deve ser entregue por via eletrónica, no Portal das Finanças, contendo a identificação, as atividades exercidas e o local do estabelecimento da tipografia, devendo ser acompanhado dos seguintes elementos: a)certificado do registo criminal do proprietário da empresa, ou, tratando-se de sociedade, de cada um dos sócios gerentes ou administradores em exercício; b) Certificado, processado pela entidade judicial respetiva, para efeitos da alínea c) do número anterior. Comentário: Os documentos de transporte processados manualmente em papel apenas podem ser emitidos em impressos de tipografias autorizadas pelo Ministro das Finanças, devendo ser aposta uma numeração unívoca. Deixou de ser obrigatória a inclusão da expressão processado por computador nos DT emitidos através de programas ou sistemas informáticos. Os DT processados através de programas informáticos de faturação certificados pela AT devem conter a assinatura informática prevista no artigo 6º da Portaria nº 363/2010, com as alterações introduzidas pela Portaria 22-A/2012 e pela Portaria 160/2013, de 23 de abril. Como norma transitória, os sujeitos passivos podem utilizar, até 31 de dezembro de 2013, os documentos de transporte impressos em tipografias autorizadas ao abrigo do regime em vigor até 1 de julho de 2013, sem prejuízo do cumprimento da obrigação de comunicação dos mesmos (art. 201.º da lei n.º 66-B/2012, de 31 de dezembro OE para 2013 e art. 9.º da Portaria 161/2013, de 23 de abril). 176
177 6.9. Artigo 9.º Artigo 9.º Subcontratação 1 - É permitido às tipografias autorizadas encarregar outras tipografias, desde que também autorizadas, da impressão dos documentos que lhes forem requisitados, desde que façam acompanhar os seus pedidos da fotocópia das requisições recebidas. 2 - Tanto a tipografia que efetuou a impressão como a que a solicitou devem efetuar os registos e a comunicação referidos no artigo 10.º Comentários: No caso de subcontratação da impressão dos documentos de transporte, a tipografia que efetuou essa impressão e a tipografia que a subcontratou devem proceder aos registos e comunicação das requisições e fornecimentos dessas impressões. 177
178 6.10. Artigo 10.º Artigo 10.º Aquisição de documentos de transporte 1 - A aquisição dos impressos referidos no n.º 1 do artigo 8.º é efetuada mediante requisição escrita do adquirente utilizador, a qual contém os elementos necessários ao registo a que se refere o n.º 2 do presente artigo. 2 - O fornecimento dos impressos é registado previamente pela tipografia autorizada, em suporte informático, devendo conter os elementos necessários à comunicação referida no n.º (Revogado.) 4 - As requisições e os registos informáticos referidos nos números anteriores devem ser mantidos em arquivo, por ordem cronológica, pelo prazo de quatro anos. 5 - Por cada requisição dos sujeitos passivos, as tipografias comunicam à AT por via eletrónica, no Portal das Finanças, previamente à impressão nos respetivos documentos, os elementos identificativos dos adquirentes e as gamas de numeração dos impressos referidos no n.º 1 do artigo 8.º 6 - A comunicação referida no número anterior deve conter o nome ou denominação social, número de identificação fiscal, concelho e distrito da sede ou domicílio da tipografia e dos adquirentes, documentos fornecidos, respetiva quantidade e numeração atribuída. 7 - (Revogado.) 178
179 8 - Nos casos em que os adquirentes não se encontrem registados na AT para o exercício de uma atividade comercial, industrial ou agrícola, a AT emite, em tempo real, no Portal das Finanças, um alerta seguido de notificação, advertindo a tipografia de que não pode proceder à impressão dos documentos, sob pena de ser cancelada a autorização de impressão. Comentários: As tipografias deixam de poder efetuar o registo dos fornecimentos dos impressos de documentos de transporte em livro próprio, esse registo passa a ser efetuado em suporte informático, contendo os elementos da respetiva requisição comunicada à AT. Também deixou de ser possível a remessa de duplicados ou fotocópias das requisições ou fotocópias das folhas do livro para a AT, para cumprimento do registo e comunicação das requisições à AT. Verificar o ponto 4 sobre as obrigações das tipografias autorizadas. A AT passa a efetuar um alerta seguido de notificação em tempo real, no Portal das Finanças, quando os adquirentes de impressos tipográficos não se encontrem registados para exercício de atividade, advertindo a tipografia de que não pode proceder à impressão dos documentos de transporte, sob pena de ser cancelada a autorização de impressão. As requisições de DT às tipografias não carecem de qualquer formalismo, devendo apenas conter os seguintes elementos: número e data da requisição, nome ou designação social do requisitante, sede ou domicílio fiscal, NIF, quantidade e tipo de documentos requisitados (faturas, guias de remessa, etc.). 179
180 6.11. Artigo 11.º Artigo 11.º Revogação da autorização de impressão de documentos de transporte O Ministro das Finanças, por proposta do diretor-geral da AT, pode determinar a revogação da autorização concedida nos termos do artigo 8.º em todos os casos em que se deixe de verificar qualquer das condições referidas no seu n.º 4, sejam detetadas irregularidades relativamente às disposições do presente diploma ou se verifiquem outros factos que ponham em causa a idoneidade da empresa autorizada. Comentários: As revogações de autorização do exercício de atividade e de impressão dos documentos de transporte das tipografias podem ser consultadas na II série do Diário da República. 180
181 6.12. Artigo 12.º Artigo 12.º (Revogado.) Comentário: Este artigo foi revogado, face à alteração da lógica do processamento dos documentos de transporte, tal como previsto no artigo 5º do RBC. 181
182 6.13. Artigo 13.º Artigo 13.º Entidades fiscalizadoras 1 - Sem prejuízo das competências atribuídas por lei a outras entidades, a fiscalização do cumprimento das normas previstas no presente diploma compete à AT e à unidade com as atribuições tributárias, fiscais e aduaneiras da Guarda Nacional Republicana, cabendo também a esta última, conjuntamente com as restantes autoridades, designadamente a Polícia de Segurança Pública, prestar toda a colaboração que lhes for solicitada para o efeito. 2 - Para assegurar a eficácia das ações de fiscalização, as entidades fiscalizadoras podem proceder à abertura das embalagens, malas ou outros contentores de mercadorias. 3 - Relativamente à abertura de embalagens ou contentores acondicionantes de produtos que, pelas suas características de fácil deterioração ou perigo, não devam ser manuseados ou expostos ao meio ambiente, devem ser tomadas as seguintes providências: a) As embalagens ou contentores de tais produtos devem ser sempre rotulados ou acompanhados de uma declaração sobre a natureza do produto; b) As entidades fiscalizadoras, em tais casos, não devem abrir as referidas embalagens, sem prejuízo de, em caso de dúvida quanto aos bens transportados, serem tomadas as medidas adequadas para que se verifique, em condições aconselháveis, se os bens em circulação condizem com os documentos de transporte que os acompanham. 4 - Os funcionários a quem incumbe a fiscalização prevista no n.º 1 consultam os elementos constantes da base de dados dos bens em circulação disponibilizada pela AT, mediante acesso individual e certificado, e sempre que se verifiquem quaisquer infrações às normas do presente diploma devem levantar o respetivo auto de notícia, com a ressalva do disposto no número seguinte. 182
183 5 - Sempre que as outras autoridades atuem em conjunto com a AT, cabe aos funcionários desta autoridade levantar os autos de notícia a que haja lugar. 6 - Sempre que a infração for detetada no decurso de operações em que colaborem duas ou mais autoridades, a parte do produto das coimas que se mostrem devidas destinadas ao autuante é repartida, em partes iguais, pelos serviços envolvidos. 7 - Sempre que aplicável, as entidades referidas neste artigo devem averbar no original do documento de transporte o facto de ter sido recolhido o respetivo duplicado. Comentários: As ações de fiscalização do cumprimento dos requisitos do RBC cabem à Autoridade Tributária e aduaneira (AT) e à Unidade com as atribuições tributárias, fiscais e aduaneiras da Guarda Nacional Republicada (GNR). A Polícia de Segurança Pública (PSP) apenas pode intervir para prestar o apoio solicitado pelas entidades fiscalizadoras. Estas entidades devem consultar a base de dados da AT para verificação do cumprimento das obrigações deste RBC, nomeadamente a realização da comunicação ou respetiva dispensa. 183
184 6.14. Artigo 14.º Infrações Artigo 14.º Infrações detetáveis no decurso da circulação de bens 1 - A falta de emissão ou de imediata exibição do documento de transporte ou dos documentos referidos no artigo 1.º e no n.º 2 do artigo 7.º e ainda as situações previstas nos n.ºs 2 e 4 do artigo 6.º farão incorrer os infratores nas penalidades previstas no artigo 117.º do Regime Geral das Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho, aplicáveis quer ao remetente dos bens quer ao transportador que não seja transportador público regular de passageiros ou mercadorias ou empresas concessionárias a prestar o mesmo serviço. 2 - As omissões ou inexatidões praticadas nos documentos de transporte referidos no artigo 1.º e no n.º 2 do artigo 7.º que não sejam a falta de indicação do número de identificação fiscal do destinatário ou adquirente dos bens ou de qualquer das menções referidas nos n.ºs 4 e 8 do artigo 4.º e no n.º 3 do artigo 8.º ou ainda o não cumprimento do disposto no n.º 7 do artigo 4.º farão incorrer os infratores nas penalidades referidas no artigo 117.º do Regime Geral das Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho, aplicáveis quer ao remetente dos bens quer ao transportador que não seja transportador público regular de passageiros ou mercadorias ou empresas concessionárias a prestar o mesmo serviço. 3 - Será unicamente imputada ao transportador a infração resultante da alteração do destino final dos bens, ocorrida durante o transporte, sem que tal facto seja por ele anotado. 4 - Quando os bens em circulação, transportados num único veículo, provierem de mais de um remetente, a cada remetente será imputada a infração resultante dos bens por ele remetidos. 5 - Sempre que o transportador dos bens em circulação em situação irregular não identifique o seu remetente, ser-lhe-á imputada a respetiva infração. 184
185 6 - Consideram-se não emitidos os documentos de transporte sempre que não tenham sido observadas as normas de emissão ou de comunicação constantes dos artigos 5.º e 8.º 7 - Somente são aplicáveis as sanções referidas no presente artigo quando as infrações forem verificadas durante a circulação dos bens. 8 - É sempre competente para a aplicação de coimas por infrações ao presente diploma o chefe do serviço de finanças da área onde foram detetadas. 9 - Sempre que aplicável, considera-se falta de exibição do documento de transporte a não apresentação imediata do código previsto no n.º 7 do artigo 5.º Comentários: As infrações pela falta de emissão e imediata exibição do DT, no decurso da circulação dos bens, são aplicadas ao remetente e ao transportador, e unicamente ao transportador (e não ao remetente), quando este seja o responsável pelo processamento do DT (situações de não aceitação dos bens pelo destinatário ou de alteração do destino dos bens no decurso do transporte), ou quando não indique o remetente dos bens. É considerado como não emissão do DT quando não se tenha efetuado a comunicação à AT dos elementos desse documento, quando tal seja exigido. É ainda considerado como não emissão do DT quando estes não tenham sido processados nos termos do artigo 5º ou 8º do RBC (por meios eletrónicos, informáticos ou em papel). É considerada falta de exibição imediata do DT, a não apresentação imediata do Código de Identificação pela comunicação à AT do DT através de transmissão eletrónica de dados. A não exibição imediata do DT pelo transportador implica, para além das respetivas coimas, a apreensão da viatura e bens transportados. Esta falta de emissão ou de imediata exibição é aplicada ao DT emitido nos termos do RBC e do documento comprovativo do desalfandegamento no caso de bens importados, e nas situações em que o remetente ou destinatário, que tenham efetuado transporte, não exerçam atividade em IVA, tenha cessado em IVA ou não tenham entregue as DP de IVA dos últimos 3 meses. Estas infrações determinam a aplicação de coima no valor entre 150 euros a 3750 euros para pessoas singulares, e 300 euros a euros para pessoas coletivas. 185
186 Se a infração for regularizada nos 15 dias seguintes à apreensão ou notificação, as coimas podem ser reduzidas para metade, não se aplicando as reduções previstas no artigo 29º do RGIT. A falta de menção no DT de que o destinatário ou adquirente não é sujeito passivo determina uma infração com coima para o remetente e transportador, em termos similares ao referido acima. Esta falta de menção no DT de que o destinatário ou adquirente não é sujeito passivo implica, para além das respetivas coimas, a apreensão da viatura e bens transportados. As omissões ou inexatidões praticadas nos DT relacionadas com a: Falta de indicação do NIF do adquirente ou destinatário; Falta de indicação dos locais de carga e descarga, data e hora do início do transporte; Falta de menção ao DT global, nos documentos de transporte acessórios e folhas de obra; Falta de emissão do DT adicional das alterações ao local de destino e não aceitação dos bens pelo destinatário ou adquirente, Implicam a aplicação das coimas previstas no nº 1 e 2 do artigo 119º do RGIT, aplicadas exclusivamente ao remetente, ou exclusivamente ao transportador para a última situação. Coimas entre 93,75 euros e euros para pessoas singulares e 187,50 euros a euros para pessoas coletivas. Neste caso, podem aplicar-se as reduções de coimas previstas no artigo 29º do RGIT conforme remissão do artigo 19º do RBC. Estas situações não constituem infrações nos termos do artigo 14º do RBC, pelo que não são deter- minadas coimas nos termos deste artigo, nem existe apreensão de viaturas e bens. 186
187 6.15. Artigo 15.º Da apreensão Artigo 15.º Apreensão provisória 1 - Quando, em relação aos bens encontrados em circulação nos termos dos artigos 1.º e 3.º, o seu detentor ou transportador declare que os mesmos não são provenientes de um sujeito passivo de IVA ou face à sua natureza, espécie e quantidade, se possa concluir que os mesmos não integram nenhuma das situações de exclusão previstas e em todos os casos em que haja fundadas suspeitas da prática de infração tributária, pode exigir-se prova da sua proveniência ou destino, a qual deve ser imediatamente feita, sob pena de se proceder à imediata apreensão provisória dos mesmos e do veículo transportador, nos termos do artigo 16.º 2 - Do auto devem obrigatoriamente constar os fundamentos que levaram à apreensão provisória, designadamente os requisitos exigidos no número anterior. 3 - Se a prova exigida no n.º 1 não for feita de imediato ou não for efetuada dentro de cinco dias úteis, a apreensão provisória converter-se-á em definitiva, passando a observar-se o disposto no artigo 17.º 4 - O disposto no presente artigo aplica-se, com as devidas adaptações, às situações previstas nos n.ºs 2 e 4 do artigo 6.º Comentários: Os meios de prova de que os bens transportados não são de sujeitos passivos de IVA, ou de que estão excluídos da aplicação do RBC pelas situações referidas no artigo 3º, podem ser vários. Em anexo seguem alguns exemplos de minutas no ponto 9 do manual. Se não for efetuada prova dessas situações ou existirem fundadas suspeitas de prática de infração tributária, as autoridades procedem à apreensão provisória da viatura e bens. Essa apreensão provisória é tornada definitiva quando não se apresentando de imediato o documento comprovativo das referidas situações, ou se o mesmo não for apresentado nos 5 dias úteis seguintes. 187
188 6.16. Artigo 16.º Artigo 16.º Apreensão dos bens em circulação e do veículo transportador 1 - Independentemente das sanções aplicáveis, as infrações referidas nos n.ºs 1 e 2 do artigo 14.º relativas aos bens em circulação implicam a apreensão destes, bem como dos veículos que os transportarem, sempre que estes veículos não estejam afetos aos transportes públicos regulares de passageiros ou mercadorias ou afetos a empresas concessionárias a prestarem o mesmo serviço por conta daqueles. 2 - No caso de os bens apreendidos nos termos do número anterior estarem sujeitos a fácil deterioração, observa-se o preceituado no artigo 886.º-C do Código de Processo Civil, bem como as disposições do Código de Procedimento e de Processo Tributário aplicáveis. 3 - Da apreensão dos bens e dos veículos será lavrado auto em duplicado ou, no caso do n.º 6 do presente artigo, em triplicado, sendo os mesmos entregues a um fiel depositário, de abonação correspondente ao valor normal dos bens apreendidos expressamente referido nos autos, salvo se puderem ser removidos, sem inconveniente, para qualquer depósito público. 4 - O original do auto de apreensão será entregue no serviço de finanças da área onde foi detetada a infração. 5 - O duplicado do auto de apreensão será entregue ao fiel depositário mediante recibo. 6 - Quando o fiel depositário não for o condutor do veículo ou o transportador, será entregue a este último, ou na sua ausência ao primeiro, um exemplar do auto de apreensão. 188
189 7 - Nos casos de apreensão em que o remetente não seja o transportador dos bens, proceder-se-á, no prazo de três dias úteis, à notificação do remetente para efeitos do disposto no n.º 1 do artigo 17.º Comentários: Para além das coimas, as infrações previstas no nº 1 e 2 do artigo 14º do RBC, relativas a bens em circulação, implicam a apreensão da viatura e dos bens. Não existe a apreensão da viatura e bens para as omissões ou inexatidões praticadas nos DT relacionadas com a: Falta de indicação do NIF do adquirente ou destinatário; Falta de indicação dos locais de carga e descarga, data e hora do início do transporte; Falta de menção ao DT global, nos documentos de transporte acessórios e folhas de obra; Falta de emissão do DT adicional das alterações ao local de destino e não aceitação dos bens pelo destinatário ou adquirente, 189
190 6.17. Artigo 17.º Artigo 17.º Regularização das apreensões 1 - Nos 15 dias seguintes à apreensão ou à notificação referida no n.º 7 do artigo anterior, podem os infratores regularizar a situação encontrada em falta, mediante exibição ou emissão dos documentos em falta nos termos do presente diploma, bem como dos documentos referidos no n.º 2 do artigo 7.º, ou dos documentos comprovativos da regularização das situações previstas nos n.ºs 2 e 4 do artigo 6.º e do pagamento das coimas aplicáveis, com redução a metade, no serviço de finanças a que se refere o n.º 4 do mesmo artigo. 2 - As despesas originadas pela apreensão são da responsabilidade do infrator, sendo cobradas conjuntamente com a coima. 3 - Decorrido o prazo referido no n.º 1 sem que se encontre regularizada a situação, e sem prejuízo do disposto nos n.ºs 5 e 6 deste artigo, são levantados os autos de notícia relativos às infrações verificadas. 4 - Para efeitos do número anterior, o serviço de finanças comunica o facto ao apreensor, que, após o levantamento do auto respetivo, lho remete. 5 - Nos casos em que o chefe do serviço de finanças competente constate que a apreensão foi feita sem preencher os requisitos previstos no presente diploma ou de que foi feita a prova referida no n.º 1 do artigo 15.º, não deverá ser levantado auto de notícia, arquivando-se o auto de apreensão, depois de ouvido o apreensor sempre que tal se mostre conveniente. 6 - Nos casos de haver manifesta impossibilidade em fazer a prova referida no n.º 1 do artigo 15.º, pode o chefe do serviço de finanças proceder de conformidade com o disposto no número anterior após proceder às diligências que se mostrarem necessárias. 190
191 7 - As decisões proferidas nos termos dos n.ºs 5 e 6 do presente artigo podem ser alteradas, no prazo de 30 dias, por despacho do diretor de finanças do distrito, a quem o respetivo processo será remetido. 8 - O despacho proferido nos termos do número anterior pode determinar o prosseguimento do processo, unicamente para pagamento das coimas que se mostrem devidas, considerando-se sempre definitiva a libertação dos bens e meios de transporte. 9 - Nos casos referidos no número anterior são os infratores notificados do despacho do diretor de finanças, podendo utilizar a faculdade prevista no n.º 1 do presente artigo, contando-se o prazo aí referido a partir da data da notificação As decisões a que se referem os n.ºs 5 e 7 serão sempre comunicadas ao apreensor Da decisão de apreensão cabe recurso para o tribunal tributário de 1.ª instância. Comentários: As reduções de coimas determinadas nos termos do RBC são determinadas em metade pela aplicação do nº 1 deste artigo, não sendo aplicável as reduções previstas no artigo 29º do RGIT. 191
192 6.18. Artigo 18.º Artigo 18.º Decisão quanto à apreensão 1 - À decisão sobre os bens em circulação e veículos de transporte apreendidos ou ao produto da sua venda é aplicável o disposto do n.º 4 do artigo 73.º do Regime Geral das Infrações Tributárias com as necessárias adaptações. 2 - O levantamento da apreensão do veículo e dos bens respetivos só se verificará quando: a) Forem pagas as coimas aplicadas e as despesas originadas pela apreensão e, bem assim, exibidos o comprovativo de emissão ou, sendo caso disso, o original e o duplicado ou, no caso de extravio, segunda via ou fotocópia do documento de transporte ou dos documentos mencionados no n.º 2 do artigo 7.º, ou se encontrem regularizadas as situações previstas nos n.ºs 2 e 4 do artigo 6.º; b)for prestada caução, por meio de depósito em dinheiro ou de fiança bancária, que garanta o montante das coimas e dos encargos referidos na alínea a); c)se verificar o trânsito em julgado da decisão que qualifica a infração ou apreensão insubsistente. 3 - Nos casos de apreensão em que o remetente não seja transportador dos bens, o levantamento da apreensão, quer dos bens quer do veículo, será efetuado nos termos do número anterior, relativamente a cada um deles, independentemente da regularização efetuada pelo outro infrator. Comentários: Nos casos de apreensão da viatura e bens, quando o remetente não é o transportador, o levantamento da viatura ou dos bens pode ser efetuado relativamente a cada um deles, independentemente da regularização da infração pelo outro interveniente. O processo contra o outro infrator, que ainda não tenha regularização a situação, continua a decorrer nos termos previstos. 192
193 6.19. Artigo 19.º Artigo 19.º Legislação subsidiária Ao presente regime complementar é aplicável subsidiariamente o Regime Geral das Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho. Comentário: O artigo 19.º refere que se aplica subsidiariamente o RGIT. Isto é, o RGIT é aplicável à determinação da coima nas omissões ou inexatidões nos DT no que se refere às situações excecionadas no nº 2 do artigo 14º do RBC, caso em que se aplicam as coimas previstas no artigo 119º do RGIT, por remissão deste artigo 19º do RBC. 193
194 7. Faturação Novas regras 7.1. Introdução A 24 de agosto de 2012 foram publicados os Decretos-Lei n.º 197/2012 e 198/2012 que introduzem alterações em sede de IVA no que respeita à faturação. Estas alterações produziram efeitos, na sua maioria, em 1 de janeiro de Decreto-Lei n.º 197/ 2012 de 24 de agosto O Decreto-Lei n.º 197/2012 transpõe para a ordem jurídica interna o artigo 4.º da Diretiva n.º 2008/8/CE, do Conselho, de 12 de fevereiro, e a Diretiva n.º 2010/45/UE, do Conselho, de 13 de julho, que alteraram a Diretiva n.º 2006/112/CE, do Conselho, de 28 de novembro, relativa ao sistema comum do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), respetivamente, no que respeita ao lugar das prestações de serviços e às regras em matéria de faturação. 194
195 7.2. Alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2012 de 24 de agosto Transposição da Diretiva n.º 2010/45/UE A transposição da Diretiva n.º 2010/45/UE, do Conselho, de 13 de julho, implica diversas alterações ao Código do IVA, bem como, alguns ajustamentos noutros diplomas do sistema fiscal português. De entre as diversas alterações, destacam-se: - A introdução de alterações em matéria de exigibilidade do imposto; - A simplificação dos requisitos para a utilização de faturação eletrónica por parte dos operadores económicos; - A uniformização no plano da União Europeia das menções referentes aos regimes de tributação aplicáveis a constar das faturas, a fixação uniforme de um prazo máximo para emissão da fatura no caso de serviços intracomunitários cujo imposto seja devido no Estado membro do adquirente; - A introdução de faturas simplificadas. Adicionalmente, ao clarificar-se que a emissão de fatura é obrigatória para todas as transmissões de bens e prestações de serviços (e respetivos adiantamentos), independentemente da qualidade do adquirente dos bens ou destinatário dos serviços e ainda que estes não a solicitem, qualquer que seja o setor de atividade em causa, e se explicitar que nas faturas emitidas por meios informáticos todo o seu conteúdo deve ser processado por essa via, são ainda adotadas medidas que visam combater a economia informal, a fraude e a evasão fiscais. Evidencia-se ainda que os sujeitos passivos não podem emitir e entregar documentos de natureza diferente da fatura para titular a transmissão de bens ou prestação de serviços ou adiantamentos relacionados com essas operações aos respetivos adquirentes ou destinatários, sob pena de aplicação das penalidades legalmente previstas. No entanto, de modo a assegurar que não são aumentados os encargos administrativos para os sujeitos passivos, permite-se que sejam emitidas faturas simplificadas nas transmissões de bens efetuada por retalhistas ou vendedores ambulantes a particulares quando o valor da fatura seja inferior ou igual a 1000, bem como em quaisquer outras transmissões de bens e prestações de serviços de montante não superior a 100, neste caso quer os adquirentes sejam sujeitos passivos ou particulares. Vejamos então em pormenor cada uma destas alterações. 195
196 Faturação eletrónica Este diploma também introduz alterações relativamente à simplificação dos requisitos para a utilização de faturação eletrónica por parte dos operadores económicos. Estas alterações entraram em vigor em 1 de outubro de Em relação a esta matérias refere o art. 36.º do IVA que as faturas podem, sob reserva de aceitação pelo destinatário, ser emitidas por via eletrónica desde que seja garantida a autenticidade da sua origem, a integridade do seu conteúdo e a sua legibilidade através de quaisquer controlos de gestão que criem uma pista de auditoria fiável, considerando-se cumpridas essas exigências se adotada, nomeadamente, uma assinatura eletrónica avançada, um sistema de intercâmbio eletrónico de dados. As principais alterações a este nível prendem-se com exigências comunitárias. 196
197 Obrigatoriedade de emissão de faturas Com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 197/2012, de 24 de agosto, são derrogadas todas as referências a «fatura ou documento equivalente» constantes da legislação em vigor, devendo entender-se como sendo feitas apenas à «fatura». Os artigos 29.º e 36.º do CIVA passam a ter a seguinte redação: Redação em vigor até 31 de dezembro de 2012 Alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2012 e que entram em vigor em 1 de janeiro de
198 Artigo 29.º 1 - Para além da obrigação do pagamento do imposto, os sujeitos passivos referidos na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º são obrigados, sem prejuízo do previsto em disposições especiais, a: a) b) Emitir uma fatura ou documento equivalente por cada transmissão de bens ou prestação de serviços, tal como vêm definidas nos artigos 3.º e 4.º do presente diploma, bem como pelos pagamentos que lhes sejam efetuados antes da data da transmissão de bens ou da prestação de serviços; c) d) e) f).. g) h) i) Deve ainda ser emitida fatura ou documento equivalente quando o valor tributável de uma operação ou o imposto correspondente sejam alterados por qualquer motivo, incluindo inexatidão Artigo 29.º [...] 1 Para além da obrigação do pagamento do imposto, os sujeitos passivos referidos na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º devem, sem prejuízo do previsto em disposições especiais: a) b) Emitir obrigatoriamente uma fatura por cada transmissão de bens ou prestação de serviços, tal como vêm definidas nos artigos 3.º e 4.º, independentemente da qualidade do adquirente dos bens ou destinatário dos serviços, ainda que estes não a solicitem, bem como pelos pagamentos que lhes sejam efetuados antes da data da transmissão de bens ou da prestação de serviços; c) d) e) f). g)... h) i) Quando o valor tributável de uma operação ou o imposto correspondente sejam alterados por qualquer motivo, incluindo inexatidão, deve ser emitido documento retificativo de fatura Consideram-se documentos equivalentes a faturas os documentos e, no caso da faturação eletrónica, as mensagens que, contendo os requisitos exigidos para as faturas, visem alterar a fatura inicial e para ela façam remissão Para cumprimento do disposto na alínea b) do n.º 1, as faturas ou documentos equivalentes podem ser elaborados pelo próprio adquirente dos bens ou serviços ou por um terceiro, em nome e por conta do sujeito passivo (Revogado.) 14 Para cumprimento do disposto na alínea b) do n.º 1, as faturas podem ser elaboradas pelo próprio adquirente dos bens ou serviços ou por um terceiro, em nome e por conta do sujeito passivo Não é permitida aos sujeitos passivos a emissão e entrega de documentos de natureza diferente da fatura para titular a transmissão de bens ou prestação de serviços aos respetivos adquirentes ou destinatários, sob pena de aplicação das penalidades legalmente previstas. 198
199 Artigo 36.º Artigo 36.º Prazo de emissão, formalidades das faturas e documentos equivalentes 1 - A fatura ou documento equivalente referidos no artigo 29.º devem ser emitidos o mais tardar no 5.º dia útil seguinte ao do momento em que o imposto é devido nos termos do artigo 7.º Todavia, em caso de pagamentos relativos a uma transmissão de bens ou prestação de serviços ainda não efetuada, a data da emissão do documento comprovativo coincidirá sempre com a da perceção de tal montante As faturas ou documentos equivalentes são substituídos por guias ou notas de devolução, quando se trate de devoluções de mercadorias anteriormente transacionadas entre as mesmas pessoas, devendo a sua emissão processar-se o mais tardar no 5.º dia útil seguinte à data da devolução As faturas ou documentos equivalentes devem ser datados, numerados sequencialmente e conter os seguintes elementos: a) Os nomes, firmas ou denominações sociais e a sede ou domicílio do fornecedor de bens ou prestador de serviços e do destinatário ou adquirente, bem como os correspondentes números de identificação fiscal dos sujeitos passivos de imposto; b) A quantidade e denominação usual dos bens transmitidos ou dos serviços prestados, com especificação dos elementos necessários à determinação da taxa aplicável; as embalagens não efetivamente transacionadas devem ser objeto de indicação separada e com menção expressa de que foi acordada a sua devolução; c) O preço, líquido de imposto, e os outros elementos incluídos no valor tributável; d) As taxas aplicáveis e o montante de imposto devido; e) O motivo justificativo da não aplicação do imposto, se for caso disso; f) A data em que os bens foram colocados à disposição do adquirente, em que os serviços foram realizados ou em que foram efetuados pagamentos anteriores à realização das operações, se essa data não coincidir com a da emissão da fatura. No caso de a operação ou operações às quais se reporta a fatura compreenderem bens ou serviços sujeitos a taxas diferentes de imposto, os elementos mencionados nas alíneas b), c) e d) devem ser indicados separadamente, segundo a taxa aplicável. 6 - As guias ou notas de devolução devem conter, além da data, os elementos a que se referem as alíneas a) e b) do número anterior, bem como a referência à fatura a que respeitam. 7 - Os documentos emitidos pelas operações assimiladas a transmissões de bens pelas alíneas f) e g) do n.º 3 do artigo 3.º e a prestações de serviços pelas alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 4.º devem mencionar apenas a data, natureza da operação, valor tributável, taxa de imposto aplicável e montante do mesmo. 8 - Pode o Ministro das Finanças, relativamente a sujeitos passivos que transmitam bens ou prestem serviços que, pela sua natureza, impeçam o cumprimento do prazo previsto no n.º 1, determinar prazos mais dilatados de faturação. 9 - No caso de sujeitos passivos que não disponham de sede, estabelecimento estável ou domicílio no território nacional, que tenham nomeado representante nos termos do artigo 30.º, as faturas ou documentos equivalentes emitidos, além dos elementos previstos no n.º 5, devem conter ainda o nome ou denominação social e a sede, estabelecimento estável ou domicílio do representante, bem como o respetivo número de identificação fiscal. Prazo de emissão e formalidades das faturas 1 A fatura referida na alínea b) do n.º 1 do artigo 29.º deve ser emitida: a) O mais tardar no 5.º dia útil seguinte ao do momento em que o imposto é devido nos termos do artigo 7.º; b) O mais tardar no 15.º dia do mês seguinte àquele em que o imposto é devido nos termos do artigo 7.º, no caso das prestações intracomunitárias de serviços que sejam tributáveis no território de outro Estado membro em resultado da aplicação do disposto na alínea a) do n.º 6 do artigo 6.º; c) Na data do recebimento, no caso de pagamentos relativos a uma transmissão de bens ou prestação de serviços ainda não efetuada, bem como no caso em que o pagamento coincide com o momento em que o imposto é devido nos termos do artigo 7.º 2. 3 As faturas são substituídas por guias ou notas de devolução, quando se trate de devoluções de mercadorias anteriormente transacionadas entre as mesmas pessoas, devendo a sua emissão processar -se o mais tardar no 5.º dia útil seguinte à data da devolução As faturas devem ser datadas, numeradas sequencialmente e conter os seguintes elementos: a). b) c). d). e).. f). 6 As guias ou notas de devolução e outros documentos retificativos de faturas devem conter, além da data e numeração sequencial, os elementos a que se refere a alínea a) do número anterior, bem como a referência à fatura a que respeitam e as menções desta que são objeto de alterações No caso de sujeitos passivos que não disponham de sede, estabelecimento estável ou domicílio em território nacional, que tenham nomeado representante nos termos do artigo 30.º, as faturas emitidas, além dos elementos previstos no n.º 5, devem conter ainda o nome ou denominação social e a sede, estabelecimento estável ou domicílio do representante, bem como o respetivo número de identificação fiscal. 10 As faturas podem, sob reserva de aceitação pelo destinatário, ser emitidas por via eletrónica desde que seja garantida a autenticidade da sua origem, a integridade do seu conteúdo e a sua legibilidade através de quaisquer controlos de gestão que criem uma pista de auditoria fiável, considerando -se cumpridas essas exigências se adotada nomeadamente, uma assinatura eletrónica avançada ou um sistema de intercâmbio eletrónico de dados. 11 A elaboração de faturas por parte do adquirente dos bens ou dos serviços fica sujeita às seguintes condições: a) 199
200 10 - As faturas podem, sob reserva de aceitação pelo destinatário, ser emitidas por via eletrónica desde que seja garantida a autenticidade da sua origem, a integridade do seu conteúdo e a sua legibilidade através de quaisquer controlos de gestão que criem uma pista de auditoria fiável, considerando-se cumpridas essas exigências se adotada, nomeadamente, uma assinatura eletrónica avançada ou um sistema de intercâmbio eletrónico de dados A elaboração de faturas ou documentos equivalentes por parte do adquirente dos bens ou dos serviços fica sujeita às seguintes condições: a) A existência de um acordo prévio, na forma escrita, entre o sujeito passivo transmitente dos bens ou prestador dos serviços e o adquirente ou destinatário dos mesmos; b) O adquirente provar que o transmitiste dos bens ou prestador dos serviços tomou conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo Sem prejuízo do disposto no número anterior, a elaboração de faturas ou documentos equivalentes pelos próprios adquirentes dos bens ou dos serviços ou por terceiros que não disponham de sede, estabelecimento estável ou domicílio em qualquer Estado membro é sujeita a autorização prévia da Direção-Geral dos Impostos, a qual pode fixar condições específicas para a sua efetivação Nas situações previstas nas alíneas i), j) e l) do n.º 1 do artigo 2.º, as faturas ou documentos equivalentes emitidos pelos transmitentes dos bens ou prestadores dos serviços devem conter a expressão 'IVA devido pelo adquirente'. b).. c) Conter a menção autofaturação. 12 Sem prejuízo do disposto no número anterior, a elaboração de faturas pelos próprios adquirentes dos bens ou dos serviços ou por terceiros que não disponham de sede, estabelecimento estável ou domicílio em qualquer Estado membro está sujeita a autorização prévia da Autoridade Tributária e Aduaneira, que pode fixar condições específicas para a sua efetivação. 13 Nas situações previstas nas alíneas i), j) e l) do n.º 1 do artigo 2.º, bem como nas demais situações em que o destinatário ou adquirente for o devedor do imposto, as faturas emitidas pelo transmitente dos bens ou prestador dos serviços devem conter a expressão IVA autoliquidação. 14 Nas faturas processadas através de sistemas informáticos, todas as menções obrigatórias, incluindo o nome, a firma ou a denominação social e o número de ser inseridas pelo respetivo programa ou equipamento informático de faturação. 15 A indicação na fatura da identificação e do domicílio do adquirente ou destinatário que não seja sujeito passivo não é obrigatória nas faturas de valor inferior a 1000, salvo quando o adquirente ou destinatário solicite que a fatura contenha esses elementos. 16 A indicação na fatura do número de identificação fiscal do adquirente ou destinatário não sujeito passivo é sempre obrigatória quando este o solicite. A emissão de fatura passa a ser obrigatória para todas as transmissões de bens e prestações de serviços sujeita a IVA, independentemente da qualidade do adquirente Isto é, deixa de ser possível a emissão de documentos equivalentes (notas de débito, vendas a dinheiro, notas de lançamento etc..) para titular transmissões de bens ou prestações de serviço sujeitas a IVA. Nos adiantamentos, conforme se encontra definido no art. 8.º do CIVA, a exigibilidade do imposto dá-se no momento do recebimento desse pagamento, pelo montante recebido ainda que anterior à emissão da fatura. Neste caso, de acordo com a alínea b) do n.º 1 do art. 29.º do CIVA também deve ser emitida uma fatura pelos pagamentos que lhes sejam efetuados antes da data da transmissão de bens ou da prestação de serviços. O Oficio-Circulado n.º 30141/2013, de 04/01/2013, por sua vez clarifica que podem ser emitidas faturas-recibo, quando a operação seja liquidada a pronto pagamento. Quando a fatura sofra alterações, posteriormente à sua emissão e registo, continua a estar prevista a possibilidade de emissão de documento retificativo da fatura, neste caso devem ser guias ou notas de devolução ou outros documentos retificativos de faturas tais como notas de crédito, notas de débito 5. 5 A nota de débito apenas continua a ser possível de utilizar como documento rectificativo de factura emitida anteriormente. Nos outros casos em que era vulgarmente utilizada, tais como para titular a transmissão de bens do activo fixo tangível ou débito de encargos, deixa de poder ser utilizada a nota de débito e passa apenas a ser possível a utilização de documento denominado fatura. 200
201 Neste caso, o documento retificativo para além de ser numerado sequencialmente deve conter os seguintes elementos: - Data da operação; - Os nomes, firmas ou denominações sociais e a sede ou domicílio do fornecedor de bens ou prestador de serviços e do destinatário ou adquirente, bem como os correspondentes números de identificação fiscal dos sujeitos passivos de imposto; Identificação, morada e NIF do fornecedor ou prestador de serviços e do adquirente ou adquirente; - Referência à(s) fatura(s) que está(ão) a ser objeto de correção - Referência às menções que estão a ser objeto de alteração Quando, em resultado da concessão de descontos do tipo rappel em que não seja viável a referência às faturas a que o documento de retificação se refere, podem os sujeitos passivos identificar o período temporal a que se refere, sem prejuízo da indicação do valor tributável e do correspondente imposto, caso este seja objeto de regularização (oficio-circulado n.º 30141/2013 de 04 de janeiro de 2013). Passa a estar previsto no n.º 14 do art. 36º do CIVA, de forma clara, que na emissão de faturas através de sistemas informáticos, todas os elementos obrigatórios (nome, morada, NIF, etc. quer do adquirente quer do emitente). Isto significa que deixa de ser possível colocar dados manualmente em faturas emitidas por computador. As faturas podem continuar a ser efetuadas em papel impresso em tipografias autorizadas e com preenchimento manual, conforme definido no regime dos bens em Circulação e no Artº 5º DL 198/90, quando o sujeito passivo não utilize ou não seja obrigado a utilizar programas informáticos de faturação certificados e quando exista alguma de situação de inoperacionalidade desses programas de faturação. Assim: As alterações do art. 36.º do CIVA contemplam também algumas alterações de nomenclatura a mencionar em determinadas operações. Estas alterações têm a ver essencialmente com a harmonização a nível da faturação na União Europeia. - As faturas emitidas pelo adquirente passam a ter que conter a menção: Autofaturação (alínea c) do n.º 11 do art. 36.º do CIVA). - Nas operações em que se aplique a regra da inversão do sujeito passivo (prestações de serviços de construção civil, transmissões de bens e prestações de serviços do anexo E, prestações de serviços de emissão de CO2, e outros regimes em que exista essa inversão, a emissão da fatura passa a conter a menção: IVA autoliquidação (anteriormente utilizava-se a expressão IVA devido pelo adquirente ). A indicação na fatura da identificação e do domicílio do adquirente ou destinatário que não seja sujeito passivo não é obrigatória nas faturas de valor inferior a 1000, salvo quando o adquirente ou destinatário solicite que a fatura contenha esses elementos. No entanto, 201
202 sempre que o adquirente ou destinatário seja um não sujeito passivo pode sempre solicitar a identificação do seu NIF. Outras considerações relevantes a que se deve atender em conjunto ao CIVA e a outros normativos legais tais como o CIRS e CIRC: De acordo com o n.º 3 do artigo 29.º do Código do IVA, estão dispensados de emitir fatura os sujeitos passivos que pratiquem exclusivamente operações isentas de imposto, que não conferem direito à dedução, exceto quando essas operações deem direito a dedução nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 20.º do CIVA. 6 Destaca-se, destas, a obrigação de emissão de fatura pela realização de prestações de serviços financeiros e de seguros, quando o destinatário esteja estabelecido ou domiciliado fora da Comunidade Europeia ou quando as mesmas estejam diretamente ligadas a bens que se destinam a países terceiros (conjugação do n.º 3 do artigo 29.º com a subalínea V) da alínea b) do n.º 1 do artigo 20.º, ambos do CIVA). Em qualquer caso, não existe obrigação de emissão de fatura pela realização de prestações de serviços financeiros e de seguros isentas, quando o destinatário esteja estabelecido ou domiciliado na Comunidade Europeia e seja um sujeito passivo de IVA. Mantém-se, também, a dispensa da obrigação de emissão de fatura para os sujeitos passivos abrangidos pelo regime especial de isenção previsto no artigo 53.º do CIVA, sem prejuízo de, caso procedam à sua emissão, a mesma dever obedecer ao disposto no artigo 36.º. No entanto, o enquadramento desta dispensa deve ser conjugada com outros códigos tais como o CIRS e do CIRC, logo no que se refere aos sujeitos passivo que aufiram rendimentos da categoria B, o artigo 115.º do Código do IRS estipula que são obrigados: A passar recibo, em modelo oficial, de todas as importâncias recebidas dos seus clientes, pelas prestações de serviços referidas na alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º, os rendimento profissionais auferidos no exercício, por conta própria, de qualquer atividade de prestação de serviços, incluindo as de caráter científico, artístico ou técnico, qualquer que seja a sua natu- 6 Alínea b), n.º 1 do artigo 20.º do Código do IVA: Só pode deduzir-se o imposto que tenha incidido sobre bens ou serviços adquiridos, importados ou utilizados pelo sujeito passivo para a realização das operações de transmissões de bens e prestações de serviços que consistam em: I) Exportações e operações isentas nos termos do artigo 14.º do CIVA; II) Operações efectuadas no estrangeiro que seriam tributáveis se fossem efectuadas no território nacional; III) Prestações de serviços cujo valor esteja incluído na base tributável de bens importados, nos termos da alínea b) do n.º 2 do artigo 17.º do CIVA; IV) Transmissões de bens e prestações de serviços abrangidas pelas alíneas b), c), d) e e) do n.º 1 e pelos n.ºs 8 e 10 do artigo 15.º do CIVA; V) Operações isentas nos termos dos n.ºs 27) e 28) do artigo 9.º do CIVA, quando o destinatário esteja estabelecido ou domiciliado fora da Comunidade Europeia ou que estejam directamente ligadas a bens, que se destinam a ser exportados para países não pertencentes à mesma Comunidade; VI) Operações isentas nos termos do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de Dezembro. 202
203 reza ainda que a título de provisão, adiantamento ou reembolso de despesas, bem como dos rendimentos indicados na alínea c) do n.º 1 7 do mesmo artigo; ou, A emitir fatura nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 29.ºdo Código do IVA por cada transmissão de bens, prestação de serviços ou outras operações efetuadas e a emitir documento de quitação de todas as importâncias recebidas. O n.º 4 do art. 115.º refere ainda que as pessoas que paguem rendimentos da categoria B são obrigadas a exigir os respetivos recibos ou faturas. Por outro lado, o artigo132.º do Código do IRC determina a aplicação, no âmbito do IRC, do disposto no n.º 4 do artigo 115.º do Código do IRS, estipulando que as pessoas que paguem rendimentos sujeitos a IRC são obrigadas a exigir os respetivos recibos ou faturas. Assim, um empresário em nome individual enquadrado na categoria B de IRS, mesmo que exerça exclusivamente operações isentas de IVA sem direito à dedução, fica obrigado a emitir uma fatura por cada transmissão de bens, prestação de serviços ou outras operações efetuadas, conforme previsto no artigo 115.º do Código do IRS. Se um sujeito passivo, que pratique exclusivamente operações isentas de IVA sem direito à dedução prevista no artigo 9.º do Código do IVA (ou artigo 53º), estiver obrigado a emitir faturas devido à obrigação prevista no artigo 115.º do Código do IRS ou de qualquer outra legislação, ou optar por emitir faturas, deve faze-lo nos temos do artigo 36.º do Código do IVA, indicando a menção da isenção do artigo 9.º aplicável ou a isenção do art. 53.º também do CIVA. Por outro lado, a dispensa de emissão de fatura prevista no n.º 3 do art. 29.º do CIVA apenas se aplica a sujeitos exclusivamente isentos, pelo que, um sujeito passivo que exerça operações isentas de IVA sem direito à dedução e operações tributáveis com direito à dedução, é obrigado a emitir uma fatura para cada transmissão de bens, prestação de serviços ou adiantamento por conta dessas operações, como previsto na alínea b) do n.º 1 do artigo 29.º do Código do IVA, incluindo para as operações isentas de IVA. Os subsídios ou subvenções do Estado não são consideradas como operações sujeitas a IVA (transmissões de bens ou prestações de serviços), não existindo qualquer obrigação de emissão de fatura pela atribuição dessas importâncias. Faturação global Quando o julgue conveniente, o sujeito passivo pode recorrer ao processamento de faturas globais, respeitantes a cada mês ou a períodos inferiores, desde que por cada transação seja emitida guia ou nota de remessa e do conjunto dos dois documentos resultem os elementos referidos no n.º 5 do artigo 36.º do CIVA. Auto-faturação O n.º 14 do artigo 29.º do Código do IVA prevê que as faturas podem ser elaboradas pelo próprio 7 Os rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector industrial, comercial ou científico, quando auferidos pelo seu titular originário. 203
204 adquirente dos bens ou serviços ou por um terceiro, em nome e por conta do sujeito passivo. Estas faturas, regra geral, só podem ser elaboradas pelo adquirente dos bens ou destinatários dos serviços ou por um terceiro em nome e por conta do sujeito passivo, desde que o sujeito passivo vendedor ou prestador de serviços desenvolva uma atividade e se encontre registado na Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) para o exercício de uma atividade comercial, industrial, agrícola ou de prestação de serviços. A autofaturação também se pode utilizar nos atos isolados, sendo que neste caso o prestador de serviço não tem que estar coletado. A elaboração de faturas por parte do adquirente dos bens ou dos serviços fica sujeita às seguintes condições: A existência de um acordo prévio, na forma escrita, entre o sujeito passivo transmitente dos bens ou prestador dos serviços e o adquirente ou destinatário dos mesmos. O acordo prévio, formalizado por escrito, pode conter as cláusulas que os intervenientes entenderem, desde que salvaguardados os interesses da AT pelo cumprimento das condições elencadas no n.º 11 do artigo 36.º do Código do IVA. O adquirente deve provar que o transmitente dos bens ou prestador dos serviços tomou conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo. O adquirente deve possuir prova de que o fornecedor dos bens ou prestador de serviços tomou conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo. O meio de prova deve ser efetuado através de qualquer meio de comunicação escrito emitido pelo fornecedor. A fatura deve conter a menção autofaturação. Exige-se que o adquirente possa provar de uma forma expressa que o fornecedor tomou conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo. Assim, a referida prova, além de justificar que o fornecedor dos bens ou dos serviços tomou conhecimento da emissão da fatura devendo consequentemente proceder à entrega do imposto devido nos cofres do Estado nos prazos estipulados no Código do IVA faculta ao adquirente o exercício do direito à dedução. Por sua vez o n.º 5 do artigo 19.º do Código do IVA determina que no caso de faturas emitidas pelos próprios adquirentes dos bens ou serviços, o exercício do direito à dedução fica condicionado à verificação das condições previstas no n.º 11 do artigo 36.. A elaboração de faturas pelos próprios adquirentes dos bens ou dos serviços ou por terceiros que não disponham de sede, estabelecimento estável ou domicílio em qualquer Estado membro está sujeita a autorização prévia da Autoridade Tributária e Aduaneira, que pode fixar condições específicas para a sua efetivação. 204
205 Faturas Simplificadas Foi introduzido, no art. 40.º do CIVA, um novo conceito de faturação simplificada que substitui o anterior conceito de talão de venda e de dispensa de faturação. A faturação simplificada substitui a emissão de fatura prevista no art. 29.º com os requisitos previstos no art. 36.º do CIVA. As faturas simplificadas apenas podem ser emitidas para operações realizadas a particulares não sujeitos passivos, relativos a vendas de bens efetuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes, quando o valor da fatura não for superior a 1000 ou relativamente a outras transmissões de bens e prestações de serviços mesmo a sujeitos passivos de imposto em que o montante da fatura não seja superior a 100. Artigo 40.º Artigo 40.º Dispensa da obrigação de faturação e obrigatoriedade de emissão de talões de vendas 1 - É dispensada a obrigação de faturação nas operações a seguir mencionadas sempre que o cliente seja um particular que não destine os bens ou serviços adquiridos ao exercício de uma atividade comercial, industrial ou profissional e a transação seja efetuada a dinheiro: a) Transmissões de bens efetuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes; Faturas simplificadas 1 A obrigatoriedade de emissão de fatura prevista na alínea b) do n.º 1 do artigo 29.º pode ser cumprida através da emissão de uma fatura simplificada em transmissões de bens e prestações de serviços cujo imposto seja devido em território nacional, nas seguintes situações: a) Transmissões de bens efetuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes a não sujeitos passivos, quando o valor da fatura não for superior a 1000; b) Transmissões de bens feitas através de aparelhos de distribuição automática; c) Prestações de serviços em que seja habitual a emissão de talão, bilhete de ingresso ou de transporte, senha ou outro documento impresso e ao portador comprovativo do pagamento; d) Outras prestações de serviços cujo valor seja inferior a (euro) 10. b) Outras transmissões de bens e prestações de serviços em que o montante da fatura não seja superior a As faturas referidas no número anterior devem ser datadas, numeradas sequencialmente e conter os seguintes elementos: a) Nome ou denominação social e número de identificação fiscal do fornecedor dos bens ou prestador dos serviços; 2 - Não obstante o disposto no número anterior, os retalhistas e os prestadores de serviços são obrigados a emitir talão de venda previamente numerado, nos termos do artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 198/90, de 19 de junho, ou através de máquinas registadoras, terminais eletrónicos ou balanças eletrónicas com registo obrigatório das operações no rolo interno da fita da máquina, por cada transmissão de bens ou prestação de serviços. 3 - Os talões de venda devem ser datados, numerados sequencialmente e conter os seguintes elementos: a) Denominação social e número de identificação fiscal do fornecedor de bens ou prestador de serviços; b) Denominação usual dos bens transmitidos ou dos serviços prestados; c) O preço líquido de imposto, as taxas aplicáveis e o montante de imposto devido, ou o preço com a inclusão do imposto e a taxa ou taxas aplicáveis. b) Quantidade e denominação usual dos bens transmitidos ou dos serviços prestados; c) O preço líquido de imposto, as taxas aplicáveis e o montante de imposto devido, ou o preço com a inclusão do imposto e a taxa ou taxas aplicáveis; d) Número de identificação fiscal do adquirente ou destinatário, quando for sujeito passivo. 3 As faturas referidas nos números anteriores devem ainda conter o número de identificação fiscal do adquirente ou destinatário que não seja sujeito passivo quando este o solicite. 4 As faturas referidas nos números anteriores podem ser processadas nos termos previstos no artigo 5.º do Decreto -Lei n.º 198/90, de 19 de junho, ou ainda por outros meios eletrónicos, nomeadamente máquinas registadoras, terminais eletrónicos ou balanças eletrónicas, com registo obrigatório das operações no rolo interno da fita da máquina ou em registo interno por cada transmissão de bens ou prestação de serviços, sendo -lhes aplicável, em qualquer caso, quanto às matérias não especificamente reguladas neste artigo, as restantes disposições que regem a emissão de faturas. 205
206 4 - Os retalhistas e prestadores de serviços abrangidos pela dispensa de faturação prevista no n.º 1 estão sempre obrigados a emitir fatura quando transmitam bens ou serviços a sujeitos passivos do imposto, bem como a adquirentes não sujeitos passivos que exijam a respetiva emissão. 5 - A dispensa de faturação de que trata o n.º 1 pode ainda ser declarada aplicável pelo Ministro das Finanças a outras categorias de sujeitos passivos que forneçam ao público serviços caracterizados pela sua uniformidade, frequência e valor limitado, sempre que a exigência da obrigação da faturação e obrigações conexas se revele particularmente onerosa. O Ministro das Finanças pode ainda, nos casos em que julgue conveniente, e para os fins previstos nesta lei, equiparar certos documentos de uso comercial habitual a faturas. 6 - O Ministro das Finanças pode, nos casos em que o disposto no n.º 1 favoreça a evasão fiscal, restringir a dispensa de faturação aí prevista ou exigir a emissão de documento adequado à comprovação da operação efetuada. 5 Sem prejuízo da obrigação de registo das transmissões de bens e das prestações de serviços efetuadas, a obrigação referida na alínea b) do n.º 1 do artigo 29.º pode ser cumprida mediante a emissão de documentos ou do registo das operações, respetivamente, nas seguintes operações: a) Prestações de serviços de transporte, de estacionamento, portagens e entradas em espetáculos, quando seja emitido um bilhete de transporte, ingresso ou outro documento ao portador comprovativo do pagamento; b) Transmissões de bens efetuadas através de aparelhos de distribuição automática que não permitam a emissão de fatura. 6 A faculdade referida no número anterior pode ser declarada aplicável pelo Ministro das Finanças a outras categorias de sujeitos passivos que forneçam a consumidores finais serviços caracterizados pela sua uniformidade, frequência e valor limitado. 7 O Ministro das Finanças pode, nos casos em que julgue conveniente, e para os fins previstos neste Código, equiparar certos documentos de uso comercial a faturas. Face às alterações introduzidas, existe de facto um novo conceito de faturação simplificada que difere bastante do anterior talão de venda. Assim, de acordo com esta nova redação, são obrigatórios na faturação simplificada, para além da numeração sequencial, os seguintes elementos: - Data da operação - Nome ou denominação social e número de identificação fiscal do fornecedor dos bens ou prestador dos serviços; - Quantidade e denominação usual dos bens transmitidos ou dos serviços prestados; - O preço líquido de imposto, as taxas aplicáveis e o montante de imposto devido, ou o preço com a inclusão do imposto e a taxa ou taxas aplicáveis; - Número de identificação fiscal do adquirente ou destinatário, quando for sujeito passivo (principal alteração face aos talões de venda). Quando o adquirente ou destinatário for um particular não sujeito passivo, a fatura simplificada pode conter o seu NIF quando este o solicite. A grande diferença entre os elementos obrigatórios numa fatura e na fatura simplificada prende-se de facto com a simplificação dos elementos a constarem nos documentos tais como: - Os dados do adquirente, resumem-se ao NIF, não sendo obrigatório o nome e domicílio do adquirente. - Em relação aos dados do fornecedor apenas são necessário o nome ou denominação social e o NIF, não sendo necessário a sede ou domicílio. - Na designação dos bens ou serviços a transmitir também existe simplificação nos dados a apresentar. - O imposto pode ser incluído no preço final. 206
207 As faturas simplificadas permitem o direito à dedução nos termos do art. 19.º do CIVA, quando emitidas a sujeito passivos de imposto desde que respeitados os elementos exigidos nomeadamente o NIF do adquirente. As faturas simplificadas podem ser processadas por computador, em papel impresso em tipografias autorizadas (art. 5.º do Decreto -Lei n.º 198/90, de 19 de junho), ou ainda por outros meios eletrónicos, nomeadamente máquinas registadoras, terminais eletrónicos ou balanças eletrónicas, com registo obrigatório das operações no rolo interno da fita da máquina ou em registo interno por cada transmissão de bens ou prestação de serviços. No entanto, haverá que atender às obrigações da utilização de programa informático de faturação certificado nos termos da Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e da Portaria nº 160/2013, de 23 de abril. O art. 40.º refere ainda exceções de emissão de faturas simplificada nos casos de prestações de serviços de transporte, de estacionamento, portagens e entradas em espetáculos, quando seja emitido um bilhete de transporte, ingresso ou outro documento ao portador comprovativo do pagamento; Também a transmissões de bens efetuadas através de aparelhos de distribuição automática que não permitam a emissão de fatura ficam abrangidas pela dispensa. 207
208 Outras alterações introduzidas pelo Decreto-Lei 197/2012 O decreto-lei n.º 197/2012 também introduz algumas alterações a nível das menções que devem constar nas faturas relativamente a regime especiais. Assim para além das já mencionadas refiram-se as seguintes: ü ü As faturas emitidas no âmbito do regime especial das agências de viagem passam a conter a menção: Regime da margem de lucro Agências de viagens. As faturas emitidas no âmbito do regime especial dos bens em segunda mão, objetos de arte, de coleção e antiguidades e do regime especial da margem passam a referir as seguintes menções: Regime da margem de lucro Bens em segunda mão ; Regime da margem de lucro Objetos de arte ; Regime da margem de lucro Objetos de coleção e antiguidades. ü ü ü As faturas emitidas no âmbito do regime especial das empreitadas e subempreitadas de obras públicas passam a referir a menção: Exigibilidade de caixa. As faturas emitidas no âmbito do regime especial das entregas de bens às cooperativas agrícolas passam a referir a menção: Exigibilidade de caixa. As faturas no âmbito do regime especial dos serviços de transporte rodoviário nacional de mercadorias passam a referir a menção: Exigibilidade de caixa. 208
209 Processamento das faturas O artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 198/90, de 19 de junho, define que as faturas devem ser processadas através de sistemas informáticos ou ser pré-impressas em tipografias autorizadas, de acordo com as regras previstas no n.º 1 do artigo 8.º e nos artigos 9.º a 11.º do regime de bens em circulação objeto de transações entre sujeitos passivos do IVA, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 147/2003, de 11 de julho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 238/2006, de 20 de dezembro, pela Lei n.º 3-B/2010, de 28 de abril, e pelo Decreto-Lei n.º 198/2012. Os sujeitos passivos do IVA, que processem faturas ou outros documentos fiscalmente relevantes através de sistemas informáticos, devem assegurar a respetiva integridade operacional, a integridade da informação arquivada eletronicamente e a disponibilidade da documentação técnica relevante. A integridade operacional do sistema deve, no mínimo, garantir: a) A fiabilidade dos processos de recolha, tratamento e emissão de informação, através de: i) Controlo do acesso às funções do sistema mediante adequada gestão de autorizações; ii) Existência de funções de controlo de integridade, exatidão e fiabilidade da informação criada, recebida, processada ou emitida; iii) Existência de funções de controlo para deteção de alterações diretas ou anónimas à informação gerida ou utilizada no sistema; iv) Preservação de toda a informação necessária à reconstituição e verificação da correção do processamento de operações fiscalmente relevantes, total ou parcialmente suportadas pelo sistema. b) A inexistência de funções ou programas, de qualquer proveniência, instalados no local ou remotamente com acesso ao sistema, que permitam alterar diretamente a informação, fora dos procedimentos de controlo documentados para o sistema, sem gerar qualquer evidência rastreável agregada à informação original. 209
210 4 - Em relação aos documentos processados através de sistemas informáticos, consideram-se condições de garantia da integridade da informação arquivada eletronicamente para efeitos fiscais, as seguintes: a) O armazenamento seguro da informação durante o período legalmente estabelecido, através de: i) Preservação da informação em condições de acessibilidade e legibilidade que permitam a sua utilização sem restrições, a todo o tempo; ii) Existência de controlo de integridade da informação arquivada, impedindo a respetiva alteração, destruição ou inutilização; iii) Abrangência da informação arquivada que seja necessária à completa e exaustiva reconstituição e verificação da fundamentação de todas as operações fiscalmente relevantes. b) A acessibilidade e legibilidade pela administração tributária da informação arquivada, através da disponibilidade de: i) Funções ou programas para acesso controlado à informação arquivada, independentemente dos sistemas informáticos e respetivas versões em uso no momento do arquivo; ii) Funções ou programas permitindo a exportação de cópias exatas da informação arquivada para suportes ou equipamentos correntes no mercado; iii) Documentação, apresentada sob forma legível, que permita a interpretação da informação arquivada. 5 - Os sujeitos passivos do IVA devem garantir a disponibilidade, acessibilidade e legibilidade pela administração tributária de documentação técnica relevante para a aferição da integridade operacional dos sistemas informáticos que utilizam, documentando concretamente: a) As funcionalidades asseguradas e respetiva articulação; b) Os ciclos operativos de exploração do sistema; c) As funcionalidades de controlo disponíveis e a auditabilidade das mesmas; d) Os mecanismos, físicos ou lógicos, utilizados na preservação da integridade e exatidão da informação e dos processos; 210
211 e) O modelo de dados e dicionário permitindo identificar o conteúdo das estruturas de dados e respetivo ciclo de vida. 6 - Nos casos em que, ao longo do período legalmente previsto de conservação da informação, tenham sido usados diferentes sistemas ou diferentes versões do mesmo sistema, a documentação prevista no número anterior, deve estar disponível, para cada sistema ou versão, nas mesmas condições de acessibilidade e legibilidade. Apesar destas possibilidades de processamento das faturas, haverá que atender às obrigações da utilização de programa informático de faturação certificado nos termos da Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e da Portaria nº 160/2013, de 23 de abril. 211
212 Faturas-recibos emitidas no Portal das Finanças ( A Portaria n.º 426-B/2012, de 28 de dezembro, cuja entrada em vigor ocorreu em 1 de janeiro de 2013, aprova os modelos de faturas-recibo, para efeitos do disposto no artigo 115.º do Código do IRS, procedendo à revogação da Portaria n.º 879-A/2010, de 29 de novembro. O novo Sistema de Emissão disponibilizado no Portal das Finanças é um sistema que serve para emitir as faturas-recibo dos titulares de rendimentos da categoria B do IRS pelas importâncias recebidas dos seus clientes referentes às prestações de serviços auferidos por conta própria, de qualquer atividade de prestação de serviços, incluindo as de caráter científico, artístico ou técnico, qualquer que seja a sua natureza (alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º do Código do IRS), ainda que a título de provisão, adiantamento ou reembolso de despesas, bem como dos rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico, quando auferidos pelo seu titular originário (alínea c) do n.º 1 do artigo 3.º do Código do IRS). Este sistema é disponibilizado ao adquirente dos serviços e cumpre com a obrigação de comunicação dos elementos das faturas à Autoridade Tributária e Aduaneira, prevista no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto. A Portaria n.º 426-B/2012 aprova os seguintes modelos das faturas-recibo para efeitos do disposto no artigo 115.º do Código do IRS: a) Modelo de fatura-recibo emitido; b) Modelo de fatura-recibo emitido para ato isolado; c) Modelo de fatura-recibo sem preenchimento. O preenchimento e a emissão das faturas-recibo aprovadas pela citada Portaria efetuam-se obrigatoriamente no Portal das Finanças na Internet, no endereço eletrónico 212
213 A partir de 1 de janeiro de 2013 deixa de ser possível a emissão do vulgarmente designado recibo verde. Para a emissão da fatura-recibo, devem ser seguidos os procedimentos referidos no Portal das Finanças, mediante autenticação com o respetivo número de identificação fiscal e senha de acesso. Os titulares de rendimentos da categoria B enquadrados no regime especial de isenção previsto no artigo 53.º do Código do IVA, podem optar por: a) Emitir fatura-recibo por via eletrónica, ficando sujeitos, a partir desse momento, às regras gerais da emissão por esta via; b) Utilizar fatura-recibo em suporte de papel sem preenchimento, adquirida nos serviços de finanças ao preço unitário de (euro) 0,10. A fatura-recibo é emitida em duplicado, destinando-se o original ao cliente, e o duplicado ao arquivo do titular do rendimento. As faturas-recibo emitidas ficam disponíveis no mesmo endereço para consulta, mediante autenticação individual, pelos emitentes ou pelos adquirentes dos serviços prestados, durante o período de dez anos, ficando as faturas-recibo emitidas nos dois últimos anos disponibilizadas para consulta imediata e as restantes são disponibilizadas a pedido, a efetuar obrigatoriamente no Portal das Finanças. Deve ser assinalado da fatura-recibo o regime de IVA aplicável ao serviço e a taxa de retenção na fonte de IRS e a dispensa ou sujeição parcial a retenção, caso aplicável. Anulação de faturas-recibo A anulação das faturas-recibo depende de pedido do sujeito passivo emitente, a submeter obrigatoriamente no Portal das Finanças. Sendo anulado a fatura-recibo, perdem-se os efeitos de documento comprovativo da obtenção de rendimentos e de suporte de gastos, procedendo a Autoridade Tributária e Aduaneira ao envio de comunicação informativa ao adquirente do serviço prestado. A comunicação da anulação da fatura-recibo é enviada por via eletrónica simples aos contribuintes que possuam caixa postal eletrónica ou aos contribuintes que tenham autorizado o envio de no Portal das Finanças, sendo enviada em carta simples nos restantes casos. Situações excecionais Em situações excecionais, nomeadamente em caso de impossibilidade de emissão por via eletrónica, os sujeitos passivos podem imprimir no Portal das Finanças a fatura-recibo sem preenchimento, que é numerada sequencialmente. 213
214 Neste caso a fatura-recibo deve ser preenchida no sistema informático pelos titulares de rendimentos, por ordem cronológica e sequência numérica, até ao 5.º dia útil seguinte ao do momento em que o imposto é devido. Modelo de fatura-recibo sem preenchimento 214
215 Modelo de fatura-recibo emitido 215
216 Modelo de fatura-recibo emitido para ato isolado 216
217 7.3. Comunicação das faturas Alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 198/2012 de 24 de agosto que entroncam com a faturação. Este diploma visa concretizar a autorização legislativa concedida ao Governo pelo artigo 172.º da Lei de Orçamento de Estado para 2012, instituindo um regime que regule, nomeadamente, a transmissão eletrónica dos elementos das faturas e outros documentos com relevância fiscal, para reforçar o combate à informalidade e à evasão fiscal e para auxiliar os contribuintes a evitar o incumprimento das suas obrigações fiscais. Em face da importância de concretização da presente medida e como forma de apoiar os contribuintes, é disponibilizada, gratuitamente, uma aplicação informática destinada a extrair dos ficheiros SAF -T (PT) das empresas os elementos relevantes das faturas a serem enviadas à AT, bem como os meios necessários para permitir a submissão direta dos dados das faturas através do Portal das Finanças. Este diploma procede também à alteração do regime de bens em circulação objeto de transações entre sujeitos passivos de IVA, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 147/2003, de 11 de julho, alterado pelo Decreto -Lei n.º 238/2006, de 20 de dezembro, e pela Lei n.º 3 -B/2010, de 28 de abril, no sentido de se estabelecerem regras que assegurem a integridade dos documentos de transporte e que garantem à AT um controlo mais eficaz destes documentos, obstando à sua posterior viciação ou ocultação. Novo procedimento para comunicação obrigatória dos elementos das faturas O Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto, estabelece a obrigação de comunicação à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), por transmissão eletrónica de dados, dos elementos das faturas emitidas por pessoas, singulares ou coletivas, que possuam sede, estabelecimento estável ou domicílio fiscal em território português e aqui pratiquem operações sujeitas a Imposto sobre o Valor Acrescentado, ainda que dele isento, a partir de 1 de janeiro de A definição da forma de comunicação dos elementos das faturas encontra-se prevista no artigo 3º do Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto, que estipula que as pessoas, singulares ou coletivas, que tenham sede, estabelecimento estável ou domicílio fiscal em território português e aqui pratiquem operações sujeitas a IVA, são obrigadas a comunicar à Autoridade Tributária a Aduaneira (AT), até ao dia 25 do mês seguinte ao da emissão da fatura, por transmissão eletrónica de dados, os elementos das faturas emitidas nos termos do Código do IVA, por uma das seguintes vias: 217
218 a) Por transmissão eletrónica de dados em tempo real (webservice), integrada em programa de faturação eletrónica; b) Por transmissão eletrónica de dados, mediante remessa de ficheiro normalizado estruturado com base no ficheiro SAF-T (PT), criado pela Portaria n.º 321-A/2007, de 26 de março, alterada pela Portaria n.º 1192/2009, de 8 de outubro, Portaria nº 382/2012, de 23 de novembro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril, contendo os elementos das faturas; c) Por inserção direta no Portal das Finanças; d) Por outra via eletrónica, nos termos da Portaria n.º 426-A/2012, de 28 de dezembro. Não é possível alterar a via de comunicação dos elementos das faturas no decurso do ano civil, atendendo que uma vez definido pelo sujeito passivo o sistema de comunicação dos elementos das faturas por serie ou programa, este deve ser mantido para o mesmo ano civil e para o mesmo sistema de faturação. A obrigação de comunicação é extensível a todas as operações sujeitas a IVA, em que tenha existido a emissão de faturas, faturas-recibo, faturas simplificadas, notas de débito e notas de crédito, onde também se incluem as operações isentas (artigo 9.º e artigo 53.º do Código do IVA). Os sujeitos passivos enquadrados no regime especial de isenção previsto no artigo 53.º do Código do IVA também ficam obrigados a efetuar a comunicação da sua faturação à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). Os sujeitos passivos que sejam obrigados a produzir o ficheiro SAF-T (PT) 8, criado pela Portaria n.º 321-A/2007, de 26 de março, alterada pela Portaria n.º 1192/2009, de 8 de outubro, Portaria nº 382/2012, de 23 de novembro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril, devem optar pela comunicação dos elementos das faturas por uma das modalidades seguintes modalidades: 8 Com a publicação da Portaria n.º 22-A/2012, de 24 de Janeiro, o governo reforçou a legislação de combate à fraude e evasão fiscal, alargando progressivamente o universo de contribuintes que obrigatoriamente devem utilizar programas informáticos de faturação certificados como meio de emissão de faturas ou documentos equivalentes e talões de venda. De acordo com o artigo 2.º da Portaria n.º 363/2010, de 23 de Junho, com a redação dada pela Portaria n.º 22-A/2012, de 24 de Janeiro, todos os sujeitos passivos de IRS e IRC, passam a estar abrigados a utilizar, exclusivamente, um programa de faturação certificados, com as seguintes exceções: - utilizem sofware produzido internamente ou por empresa integrada no mesmo grupo económico, do qual sejam detentores dos respetivos direitos de autor; - Tenham tido, no período de tributação anterior, um volume de negócios inferior a , sendo que este limite é de até ao final do ano de 2012; - Tenham emitido, no período de tributação anterior, um número de faturas, documentos equivalentes ou talões de venda inferior a unidades; - Efetuem transmissões de bens através de aparelhos de distribuição automática ou prestações de serviços em que seja habitual a emissão de talão, bilhete de ingresso ou de transporte, senha ou outro documento pré-impresso e ao portador comprovativo do pagamento. Basta que uma destas condições se verifique para que o sujeito passivo esteja dispensado. Após 1 de Abril de 2012, deixa de ser possível o uso de máquina registadora ou a faturação manual emitida em documentos impressos por tipografias autorizadas, passando a sistema universal de faturação, a utilização de programa certificado. Esta obrigatoriedade de utilização de programa certificado vigora a partir de 1 de abril de 2012 para sujeitos passivos com volume de negócios superior a e a partir de 1 de janeiro de 2013, para os sujeitos passivos com volume de negócios superior a
219 a) Por transmissão eletrónica de dados em tempo real (webservice), integrada em programa de faturação eletrónica, ou; b) Por transmissão eletrónica de dados, mediante remessa de ficheiro normalizado estruturado com base no ficheiro SAF-T (PT), contendo os elementos das faturas. A AT disponibiliza, no Portal das Finanças, o modelo de dados para os efeitos da comunicação dos elementos das faturas, devendo dele constar os seguintes elementos relativamente a cada fatura: a) Número de identificação fiscal do emitente; b) Número da fatura; c) Data de emissão; d) Tipo de documento, nos termos referidos na Portaria n.º 321-A/2007, de 26 de março, alterada pela Portaria n.º 1192/2009, de 8 de outubro, Portaria nº 382/2012, de 23 de novembro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril, que regula o ficheiro normalizado, designado SAF-T (PT); e) Número de identificação fiscal do adquirente que seja sujeito passivo de IVA, quando tenha sido inserido no ato de emissão; f) Número de identificação fiscal do adquirente que não seja sujeito passivo de IVA, quando este solicite a sua inserção no ato de emissão; g) Valor tributável da prestação de serviços ou da transmissão de bens; h) Taxas aplicáveis; i) O motivo justificativo da não aplicação do imposto, se aplicável; j) Montante de IVA liquidado. Os dados pessoais comunicados relativos a faturas em que os adquirentes sejam pessoas singulares devem ser mantidos até ao final do quarto ano seguinte àquele a que respeitem, sendo obrigatoriamente destruídos no prazo de seis meses após o decurso deste prazo. Os dados pessoais comunicados à AT estão abrangidos pelo dever de confidencialidade previsto no artigo 64.º da Lei Geral Tributária, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 398/98, de 17 de dezembro, e apenas podem ser utilizados para as finalidades previstas no presente diploma. 219
220 A AT deve adotar as medidas de segurança necessárias relativamente aos dados pessoais comunicados para impedir a respetiva consulta ou utilização indevida por qualquer pessoa ou forma não autorizada e para garantir que o acesso aos dados pessoais está limitado às pessoas autorizadas no âmbito das suas atribuições legais. Portaria n.º 426-A/2012, de 28 de dezembro A Portaria n.º 426-A/2012, de 28 de dezembro, aprova o modelo oficial de declaração para a comunicação dos elementos das faturas, por transmissão eletrónica de dados, prevista na alínea d) do n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto. A Portaria n.º 426-A/2012, de 28 de dezembro, aplica-se aos sujeitos passivos que, cumulativamente: a) Não sejam obrigados a possuir o ficheiro SAF -T (PT) da faturação, criado pela Portaria n.º 321 -A/2007, de 26 de março, alterada pela Portaria n.º 1192/2009, de 8 de outubro e pela Portaria n.º382/2012, de 23 de novembro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril; b) Não utilizem, nem sejam obrigados a possuir programa informático de faturação, previsto na Portaria n.º 363/2010, de 23 de junho, alterada pela Portaria n.º 22 -A/2012, de 24 de janeiro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril; e c) Não optem pela utilização de qualquer dos meios de comunicação de transmissão eletrónica de dados em tempo real, transmissão eletrónica de dados, mediante remessa de ficheiro normalizado estruturado com base no ficheiro SAF-T (PT) ou por inserção direta no Portal das Finanças. A AT disponibiliza no Portal das Finanças na Internet ( o modelo oficial de declaração para a comunicação dos elementos das faturas, por transmissão eletrónica de dados, considerando-se cumprida a obrigação de comunicação dos elementos com a submissão válida no Portal da Finanças. Os sujeitos passivos devem efetuar o registo, caso ainda não disponham de senha de acesso, através do Portal das Finanças, no endereço e efetuar o envio dos elementos de acordo com os procedimentos indicados no Portal das Finanças. Os sujeitos passivos devem preencher, no modelo disponibilizado no Portal das Finanças, o quadro referente à Informação Global, relativamente a todas as faturas emitidas durante o período a que respeita a declaração, indicando: a) O seu número de identificação fiscal (NIF); b) O mês e o ano de faturação; c) O valor global das faturas. Os sujeitos passivos devem preencher o quadro referente à Informação Parcial, identificando os elementos respeitantes às faturas emitidas, até ao dia 25 do mês seguinte. 220
221 Transitoriamente, conforme estipulado no artigo 7.º da Portaria n.º 426-A/2012, de 28 de dezembro, no decurso do ano de 2013, os sujeitos passivos que podem comunicar os elementos das faturas por modelo oficial estão apenas obrigados ao preenchimento, no campo referente à Informação Parcial, dos elementos respeitantes à primeira e última fatura, de cada série, emitidas no período a que se refere a declaração, bem como dos elementos das faturas que contenham o NIF do adquirente. Também transitoriamente, no decurso do ano de 2013, os sujeitos passivos que pratiquem operações isentas ao abrigo do artigo 9.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA), os sujeitos passivos enquadrados no regime especial de isenção, previsto no artigo 53.º do CIVA, bem como os sujeitos passivos enquadrados no regime previsto no artigo 60º do CIVA, que não tenham emitido mais de 10 faturas, com o NIF do adquirente, no mês a que respeita a declaração, podem entregar, presencialmente ou através de remessa por correio registado, o modelo oficial da declaração em papel, devidamente preenchido, em qualquer Serviço de Finanças ou outra entidade com quem a AT celebre protocolo para o efeito, sendo possível alterar a via de comunicação no decurso do ano civil. Esta declaração é recolhida para o sistema informático da AT. 221
222 8. Perguntas e respostas frequentes (FAQ s) sobre faturação 1. Quando se podem emitir faturas simplificadas? As faturas simplificadas previstas no artigo 40º do CIVA apenas podem ser emitidas quando o imposto for devido em território nacional nas seguintes situações: - Transmissões de bens efetuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes a não sujeitos passivos, quando o valor da fatura não for superior a euros; - Outras transmissões de bens e prestações de serviços em que o montante da fatura não seja superior a 100 euros. Quando a operação não se enquadrar em qualquer destas duas situações, o vendedor ou prestador de serviços deve emitir uma fatura nos termos do artigo 36º do CIVA. 2. Em que circunstâncias não se permite a emissão de faturas simplificadas? A fatura simplificada não contempla a possibilidade de indicação do nome e morada do destinatário dos bens ou serviços, do motivo justificativo da não aplicação do imposto nem da data em que os bens foram colocados à disposição do adquirente, ou os serviços foram realizados, quando essa data não coincide com a da respetiva emissão. As faturas, que titulem operações relativamente às quais se verifiquem estas circunstâncias, devem ser emitidas nos termos do artigo 36.º do CIVA. Assim, quando a operação for isenta de IVA nos termos do artigo 9º, 14º, 15º ou artigo 53º do CIVA, ou estiver enquadrada num regime especial (incluindo o regime dos pequenos retalhistas), o sujeito passivo deve emitir uma fatura nos termos do artigo 36º, não podendo emitir uma fatura simplificada (ponto 9.2 do Ofício-Circulado nº 30136/2012). 3. Qual a diferença entre as faturas e as faturas simplificadas? A principal diferença entre as faturas e as faturas simplificadas está relacionada com os elementos obrigatórios a colocar nesses documentos. 222
223 Para além das restantes obrigações da legislação complementar, como regra geral, as faturas emitidas devem conter todos os elementos previstos no nº 5 do artigo 36º do CIVA, nomeadamente a identificação do adquirente (nome e morada) e o NIF quando este for um sujeito passivo de IVA. No entanto, quando se tratar de transmissões de bens ou prestações de serviços a não sujeitos passivos (p.e. particulares) e o total da fatura (IVA excluído) não exceder euros (mil euros), essa fatura (com elementos do artigo 36º do CIVA) pode ser emitida sem qualquer identificação, domicílio ou NIF do adquirente não sujeito passivo, exceto no caso desse adquirente solicitar a inclusão desses elementos. Se a transmissão de bens a um não sujeito passivo for igual ou superior a euros, a fatura (artigo 36º do CIVA) deve conter obrigatoriamente o nome e domicilio desse adquirente, sendo que o NIF nunca é obrigatório, exceto se esse adquirente o solicitar. Na emissão de faturas simplificadas (para as duas situações referidas no artigo 40º do CIVA), não é necessário colocar o nome ou domicílio do adquirente e o NIF apenas é obrigatório quando o adquirente for um sujeito passivo de IVA e se identifique como tal, ou quando o adquirente for um não sujeito passivo e solicite a inclusão do NIF. Ver tabelas I e II: Tabela I - Emissão de faturação a adquirentes sujeitos passivos de IVA Operações Transmissões de bens ou Presta - ções de serviços superiores a 100 Transmissões de bens ou Prestações de serviços inferiores ou igual a 100 Transmitente de bens /Prestador de Serviços Qualquer Qualquer Documento de faturação emitido Fatura Fatura ou fatura simplificada Elementos do adquirente obrigatórios Nome (designação social); domícilio (sede); NIF Fatura: Nome (designação social), domícilio (sede), NIF; Fatura simplifi - cada: N IF Meio utilizado na emissão de fatura/ fatura simplificada (*) Programa informático certificado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipo - grafia autorizada Fatura: Programa informático certificado; Programa informático não certi - ficado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada; Fatura simplificada: Idem ou Máquinas registadoras, terminais eletrónicos, balanças eletrónicas 223
224 Tabela II - Emissão de faturação a adquirentes não sujeitos passivos (p.e. particulares) Operações Transmissões de bens ou Presta ções de serviços iguais ou superiores a Transmissões de bens ou Presta ções de serviços superiores a 100 e inferiores a Transmissões de bens ou Presta ções de serviços inferiores ou iguais a 100 Transmitente de bens /Prestador de Serviços Qualquer (exceto Retalhistas ou vendedores ambulantes de bens) Qualquer (exceto Retalhistas ou vendedores ambulantes de bens) Qualquer (exceto Retalhistas ou vendedores ambulantes de bens) Documento de faturação emitido Fatura Fatura Fatura ou fatura simplific ada Elementos do adquirente obrigatórios Nome e domicílio (o NIF apenas será obrigatório quando o adquirente o solicite) Nenhum (exceto se o adquirente solicitar a indicação do seu nome, domícilio e NIF) Fatura: Nenhum (exceto se o adquirente solicitar a indicação do seu nome, domícilio e NIF); Fatura simplificada: Nenhum (o NIF deverá ser indicado quando o adquirente o solicitar) Meio utilizado na emissão de fatura/fatura simplificada (*) Programa informático certi - ficado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada Programa informático certi - ficado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada Fatura:Programa informático certificado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada; Fatura simplificada: Idem ou Máquinas registadoras, terminais eletrónicos, balanças eletrónic as Transmissões de bens i nferiores a Retalhistas ou vendedores ambulantes Fatura ou fatura simplific ada Fatura: Nenhum (ex - ceto se o adquirente solicitar a indicação do seu nome, domícilio e NIF); Fatura simplificada: Nenhum (o NIF deverá ser indicado quando o adquirente o solicitar) Fatura: Programa informático certificado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada; Fatura simplificada: Idem ou Máquinas regista - doras, terminais eletrónicos, balanças eletrónic as Transmissões de bens i guais a Retalhistas ou vendedores ambulantes Fatura ou fatura simplific ada Fatura: Nome e domicílio (o NIF apenas será obrigatório quando o adquirente o solicite); Fatura simplificada: Nenhum (o NIF deverá ser indicado quando o adquirente o solicitar) Fatura: Programa informático certificado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada; Fatura simplificada: Idem ou Máquinas registado ras, ter - minais eletrónicos, balanças eletrónicas Transmissões de bens s uperiores a Retalhistas ou vendedores ambulantes Fatura Nome e domicílio (o NIF apenas será obrigatório quando o adquirente o solicite) Programa informático certi - ficado; Programa informático não certificado; fatura manual em impresso de tipografia autorizada *) Apenas poderão ser emitidos documentos de faturação através de programas informáticos não certificados, manualmente em impressos de tipografias autorizadas ou máquinas registadoras, terminais electrónicos ou balanças eletrónicas (equipamentos não certificados) quando o sujeito passivo estiver dispensado das obrigações da Portaria nº 363/2010, com redação da Portaria nº 22- A/2012, nas situações previstas no nº 2 do artigo 2º dessa Portaria. 224
225 4. Para determinação dos citados montantes, o valor da fatura deve ser considerado com ou sem inclusão do correspondente imposto (IVA)? Sem a inclusão do IVA (Ofício-circulado 30141/2013) 5. E existe mais alguma diferença entre as faturas e as faturas simplificadas? Sim. Na emissão de faturas deve indicar-se a data em que os bens foram colocados à disposição do adquirente, em que os serviços foram realizados ou em que foram efetuados pagamentos anteriores à realização das operações, se essa data não coincidir com a da emissão da fatura. A indicação desta data não está prevista na emissão de faturas simplificadas, pelo que, não podem ser emitidas faturas simplificadas quando a data da fatura simplificada não coincidir com a data de colocação dos bens à disposição do adquirente, com a data da realização dos serviços ou com a existência de adiantamentos relativos a operações tributáveis. 6. Qual a diferença entre os talões de venda e as faturas simplificadas? A principal diferença entre os talões de venda e as faturas simplificadas está relacionada com a alteração do próprio conceito do artigo 40º do CIVA. Até 2012 (inclusive), os talões de venda emitidos nos termos do artigo 40º do CIVA poderiam ser utilizados apenas para operações indicadas nesse artigo realizadas em dinheiro a pessoas particulares. Nos talões de venda, nunca haveria que colocar qualquer elemento de identificação (nome, domicílio e NIF) do adquirente. A partir de 1 de janeiro de 2013, as faturas simplificadas podem ser utilizadas ainda que a operação não seja realizada em dinheiro, e pode ser emitida a sujeitos passivos de imposto quando a transmissão de bens ou prestação de serviços não seja superior a 100 euros. Dessa forma, na fatura simplificada, o meio de faturação deve possibilitar a inclusão do NIF do adquirente, quando este for sujeito passivo e se identifique como tal ou for um não sujeito passivo e solicite essa inclusão do NIF. 7. Pode um adquirente, sujeito passivo de IVA, ter direito à dedução do imposto suportado através de uma fatura simplificada? Sim. Se a fatura simplificada for emitida a um sujeito passivo de IVA, com a respetiva inclusão do NIF, esta fatura simplificada é considerada emitida na sua forma legal, podendo esse adquirente ter direito à dedução do IVA suportado, desde que cumpridos os restantes requisitos e formalismos do direito à dedução (artigo 19º e seguintes do CIVA). 225
226 8. Nas transmissões de bens ou prestações de serviços a particulares (não sujeitos passivos), que elementos devem constar das faturas? E das Faturas simplificadas? Na emissão de faturas (artigo 36º do CIVA) a particulares, como regra, deve ser colocada a identificação (nome) e domicílio do adquirente particular. No entanto, quando se tratar de uma transmissão de bens ou prestações de serviços a particulares de valor inferior a euros, existe a dispensa de colocação da identificação (nome) e domicílio na fatura (artigo 36º), exceto se o adquirente solicitar essa inclusão. O NIF apenas deve ser colocado nas faturas (artigo 36º) emitidas a particulares quando este o solicitar. Na emissão de faturas simplificadas (artigo 40º) a particulares, está dispensada a indicação da identificação (nome), domicílio e NIF do adquirente. O NIF é obrigatoriamente incluído na fatura simplificada, quando o adquirente particular solicitar essa inclusão. Ver tabela II da questão Nas transmissões de bens ou prestações de serviços a sujeitos passivos, que elementos devem constar das faturas? E das Faturas simplificadas? Na emissão de faturas (artigo 36º do CIVA) a sujeitos passivos, para além dos restantes elementos, deve ser colocada a identificação (nome, designação social), sede ou domicílio e NIF do adquirente. Na emissão de faturas simplificadas (artigo 40º do CIVA) a sujeitos passivos, para além dos restantes elementos, deve ser colocado o NIF do adquirente, estando dispensada a colocação do nome e domicílio. Ver tabela I da questão Podem continuar a ser utilizadas máquinas registadoras para a emissão de faturas simplificadas? Desde que o sujeito passivo esteja dispensado de emitir a sua faturação através de programas informáticos certificados pela AT (nos termos do nº 2 do artigo 2º da Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e Portaria nº 160/2013), pode emitir faturas simplificadas através de máquinas registadoras, terminais eletrónicos e balanças eletrónicas. No entanto, esses equipamentos devem permitir a introdução do NIF do adquirente nessas faturas simplificadas através de uma funcionalidade técnica dos próprios equipamentos, quando o adquirente for um sujeito passivo ou quando for uma operação com um não sujeito passivo e este solicitar a inclusão desse NIF. Essa funcionalidade de inclusão do NIF deve existir ainda que este não seja incluído na fatura simplificada (FAQ 25 Agentes económicos do Portal E-Fatura). 226
227 Não podem ser utilizadas máquinas registadoras, terminais eletrónicos e balanças eletrónicas para a emissão de faturas nos termos do artigo 36º do CIVA. 11. Quais os equipamentos que devem ser considerados como máquinas registadoras, terminais eletrónicos ou balanças eletrónicas para efeitos do CIVA? As máquinas registadoras, terminais eletrónicos ou balanças eletrónicas devem ser equipamentos que registem obrigatoriamente as operações no rolo interno da fita da máquina ou em registo interno por cada operação (transmissão de bens ou prestação de serviços). 12. Qual a diferença entre máquinas registadoras e equipamentos de faturação com programas informáticos de faturação (conhecidos como Equipamentos POS )? As máquinas registadoras são equipamentos eletromecânicos que permitem um registo num rolo interno desse equipamento, mas que não tem capacidade de armazenagem dos dados de faturação em base de dados (em discos duros). As máquinas registadoras não têm capacidade de gerar o ficheiro SAFT-PT da faturação. Os equipamentos POS operam, geralmente, sob um programa informático num PC, em que as operações ficam registadas numa base de dados de faturação. Esse programa de computador deve cumprir as obrigações da Portaria de faturação (Portaria nº 363/2010, com alterações pela Portaria nº 22-A/2012 e Portaria nº 160/2013) e ter a capacidade de produzir o ficheiro SAFT-PT a partir da respetiva base de dados de faturação (nos termos da Portaria nº 321-A/2007, Portaria nº 1192/2009, Portaria n.º382/2012, de 23 de novembro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril). 13. Quando a máquina registadora não permitir tecnicamente a colocação do NIF do adquirente, este equipamento tem que ser substituído? Sim. 14. Podem continuar a ser emitidas faturas ou faturas simplificadas manualmente através de impressos de tipografias autorizadas? Desde que o sujeito passivo esteja dispensado de emitir a sua faturação através de programas informáticos certificados pela AT, pode emitir faturas ou faturas simplificadas manualmente em impressos de tipografias autorizadas. 227
228 15. Passa a ser obrigatória a emissão de faturas (ou faturas simplificadas) através de programas informáticos certificados? Apenas é obrigatória a emissão de faturas ou faturas simplificadas através de programas informáticos certificados pela AT, quando os sujeitos passivos não estejam dispensados dessa obrigação nos termos do artigo 2º da Portaria nº 363/2010, com alterações da Portaria nº 22-A/2012 e Portaria nº 160/ E, como se efetua a comunicação dos elementos das faturas à AT? Os sujeitos passivos devem comunicar à AT, até ao dia 25 do mês seguinte ao da emissão fatura, os elementos das faturas emitidas para todas as operações sujeitas a IVA. Essa comunicação deve ser efetuada através de transmissão eletrónica de dados, pelas seguintes vias: - Por transmissão on-line (tempo real) (webservice), efetuado através de um programa de faturação eletrónica; - Através de uma aplicação informática que extrai os elementos das faturas do ficheiro SAFT-PT; neste momento, pode ser efetuado o envio do ficheiro SAFT-PT global no Portal E-Fatura; Para os sujeitos passivos que não estejam obrigados a produzir o ficheiro SAFT-PT dos sistemas informáticos de faturação, pelas seguintes vias: - Por inserção direta no Portal das Finanças, através do Portal E-fatura; - Por outra via eletrónica nos termos da Portaria nº 426-A/2012, de 28 de dezembro. Uma vez definido pelo sujeito passivo o sistema de comunicação dos elementos das faturas, este deve ser mantido para o mesmo ano civil, no mesmo sistema de faturação. Esta obrigação de comunicação aplicar-se também para os elementos das faturas simplificadas, para as notas de débito e notas de crédito (nº 2 do artigo 1º do DL 198/2012). De referir que esta obrigação de comunicação é aplicada a todas operações sujeitas a IVA, em que tenha existido a emissão de faturas ou faturas simplificadas, nomeadamente operações isentas (artigo 9º e artigo 53º do CIVA). Desta forma, os sujeitos passivos enquadrados no regime especial de isenção do artigo 53º do CIVA ficam também obrigados a efetuar a comunicação da sua faturação à AT. 17. Quais os sujeitos passivos obrigados a produzir o ficheiro SAFT-PT? Os sujeitos passivos de IRC, que exerçam a título principal atividade comercial, industrial ou agrícola (nº 8 do artigo 123º do CIRC), e os sujeitos passivos da categoria B de IRS que estejam abrangidos pelo regime de tributação com base na contabilidade (nº 2 artigo 117º do CIRS), que utilizem sistemas informáticos de contabilidade, ficam obrigados a possuir sistemas com capacidade de gerar o ficheiro SAFT-PT previsto na Portaria nº 321-A/2007, 26/03 e Portaria nº 1192/2009, de 08/10 Portaria n.º382/2012, de 23 de novembro e Portaria nº 160/2013, de 23 de abril. 228
229 Nos termos das referidas Portarias, o ficheiro SAFT-PT pode ser constituído por 2 ficheiros distintos, para a contabilidade e para a faturação, com as respetivas tabelas de dados, quando não exista um sistema integrado de contabilidade e faturação. Se for aplicável esta separação entre o ficheiro SAFT da contabilidade e da faturação, ou seja, se o sujeito passivo não possuir sistemas integrados de contabilidade e de faturação, em princípio, este apenas fica obrigado a possuir a capacidade gerar esses ficheiros quando utilizar sistemas informáticos, nomeadamente de faturação. Assim, se o sujeito passivo utilizar sistemas informáticos de contabilidade, esse sistema deve gerar o referido ficheiro SAFT de contabilidade, cumprindo as obrigações fiscais do CIRC e CIRS. Por outro lado, se esse sujeito passivo estiver dispensado de emitir a sua faturação através de programas informáticos certificados, emitindo a sua faturação manualmente através de impressos tipográficos (artº 5º do DL 198/90), não fica obrigado a produzir o ficheiro SAFT da faturação. (ver ponto 1 do documento ESCLARECIMENTOS ACERCA DA PORTARIA N.º 321-A/2007, DE 26 DE MARÇO emitido pela AT; e FAQ s 34 e 52 do SAFT-PT da AT). 18. Os sujeitos passivos, que produzam o ficheiro SAFT-PT da contabilidade, mas dispensados de produzir ficheiro SAFT-PT de faturação nos termos referidos na questão anterior, ficam obrigados a efetuar a comunicação dos elementos das faturas emitidas através do envio do ficheiro SAFT? Não, pois algumas das tabelas do ficheiro SAFT-PT obrigatórias para a comunicação dos elementos de faturação (ver ponto 2.a) do documento: Comunicação das Faturas à AT para cumprimento do disposto no Decreto-Lei n.º 198/2012 de 24 de agosto ) não estão previstas no SAFT da contabilidade. Dessa forma, e por incapacidade técnica, apesar da obrigação do nº 3 do artigo 3º do DL 198/2012, o sujeito passivo deve efetuar a comunicação dos elementos das faturas através de inserção direta no Portal E-Fatura ou através da declaração de comunicação dos elementos das faturas da Portaria nº 426-A/2012. Aliás, o artigo 2º da Portaria nº 426-A/2012 vem especificar que só podem utilizar esta forma de comunicação os sujeitos passivos que não sejam obrigados a possuir o SAFT da faturação. Numa interpretação a contrario, os sujeitos passivos obrigados a possuir o SAFT da faturação, criado por programas informáticos de faturação, não podem utilizar esta forma de comunicação. 19. O que significa o desaparecimento da expressão documentos equivalentes do CIVA e legislação complementar? O Decreto-Lei nº 197/2012, de 24 de agosto estabelece várias alterações ao Código do IVA e legislação complementar, nomeadamente a eliminação da expressão documentos equivalentes. Parece que a partir de 01 de janeiro de 2013, com a entrada em vigor dessas alterações, deve passar-se a emitir exclusivamente faturas, faturas-recibo ou faturas simplificadas. 229
230 Foi eliminada a possibilidade de se emitir documentos de faturação, designados pela prática comercial, como vendas a dinheiro ou outros similares. 20. Os recibos verdes eletrónicos podem ser considerados como faturas nos termos do CIVA, face a estas alterações? Sim. O recibo verde eletrónico emitido no Portal das Finanças passou a designar-se como fatura- -recibo (Portaria nº 426-B/2012), cumprindo todos os requisitos para ser considerado como uma fatura emitida nos termos do artigo 36º do CIVA. 21. É possível emitir notas de débito e notas de crédito? Sim. Continua a poder ser emitido documento retificativo de fatura (nota de débito/nota de crédito), quando a operação inicial (que deu origem a fatura) tenha sido alterada por qualquer motivo, incluindo a sua anulação, ou tenha existido a devolução de bens. Não é possível a emissão de notas de débito para o débito de despesas efetuadas em nome próprio e por conta de terceiros. Para essas operações há que emitir uma fatura. 22. Nas faturas ou faturas simplificadas processadas por programa informático é possível a inclusão de algum elemento manualmente (p.e. o NIF do adquirente)? Passa a estar previsto no CIVA, de forma clara, que na emissão de faturas através de sistemas informáticos, todas os elementos obrigatórios (p.e. identificação, morada, NIF, do adquirente, menções de não aplicação de IVA), devem ser inseridas através do programa ou equipamento informático, não podendo ser acrescentadas à posteriori manualmente ou através de outros processos. 23. Os sujeitos passivo que exerçam exclusivamente operações isentas de IVA sem direito à dedução (artigo 9º e 53º do CIVA) são obrigados a emitir faturas? E à comunicação às AT dos elementos das faturas emitidas? Nos termos do nº 3 do artigo 29º do Código do IVA, os sujeitos passivos que pratiquem exclusivamente operações isentas sem direito à dedução, nomeadamente operações previstas no artigo 9º do mesmo Código, estão dispensados de emitir faturas nos termos do CIVA. Neste momento, não existe uma regra clara que obrigue os sujeitos passivos de IRC a emitirem faturas, tal como previsto para os sujeitos passivos da categoria B de IRS, pelo que os sujeitos passivos de IRC (p.e. sociedades) que exercem exclusivamente a atividade de prestação de serviços médicos ou o arrendamento de imóveis (operações isentas nos termos do artigo 9º do CIVA) podem, em princípio, emitir apenas um recibo para dar quitação dos montantes recebidos dos adquirentes, nos termos da legislação civil e comercial. 230
231 Todavia, podem existir outras obrigações legais ou fiscais que determinem a necessidade da emissão de uma fatura, incluindo para sujeitos passivos que pratiquem exclusivamente operações isentas sem direito à dedução previstas no artigo 9º do mesmo Código. Por exemplo, no caso de prestações de serviços médicos, que podem ser despesas de saúde dedutíveis à coleta de IRS dos adquirentes desses serviços, essa dedução no IRS apenas é possível desde que seja efetuada a identificação, em fatura emitida nos termos legais, do sujeito passivo ou do membro do agregado a que se reportem, nos casos em que envolvam despesa, conforme previsto na alínea b) do nº 6 do artigo 78º do Código do IRS. Por outro lado, quando o adquirente desses serviços médicos sejam pessoas coletivas, nomeadamente seguradoras ou outras entidades de gestão de apoios sociais ou de saúde, podem exigir a emissão de fatura para efeitos de comparticipação aos doentes das respetivas despesas. Outro caso pode ser se esse sujeito passivo for um empresário em nome individual enquadrado na categoria B de IRS, este fica obrigado a emitir uma fatura por cada transmissão de bens, prestações de serviços ou outras operações efetuadas nos termos do CIVA, conforme previsto no artigo 115º do CIRS. Assim, se o sujeito passivo, que pratique exclusivamente operações isentas sem direito à dedução previstas no artigo 9º do mesmo Código, estiver obrigado a emitir faturas devido à obrigação fiscal do CIRS ou de qualquer outra legislação, ou optar por emitir faturas, deve fazê-lo nos termos do artigo 36º do CIVA, indicando a menção da isenção do artigo 9º do CIVA aplicável. Se o sujeito passivo exercer simultaneamente operações isentas de IVA sem direito à dedução e operação tributáveis com direito à dedução é obrigado a emitir uma fatura para cada operação sujeita a IVA, isto é para cada transmissão de bens, prestação de serviços ou adiamento por conta dessas operações, conforme previsto na alínea b) do nº 1 do artigo 29º do CIVA, incluindo para as operações isentas de IVA. A partir de 1 de janeiro de 2013, todos os sujeitos passivos passam a ser obrigados a comunicar à AT, até ao dia 25 de cada mês, os elementos de todas as faturas (faturas-recibo) ou faturas simplificadas emitidas no mês anterior, conforme artigo 3º do Decreto-Lei nº 198/2012, incluídos faturas com isenção de IVA. Assim, os sujeitos passivos que exerçam exclusivamente operações isentas de IVA sem direito à dedução, dispensado de emitir faturas nos termos do nº 3 do artigo 29º do CIVA, mas que procedam à emissão de faturas por opção ou obrigação fiscal ou legal, devem efetuar a comunicação à AT dos elementos dessas faturas nos termos do artigo 3º do DL 198/ E as IPSS e outras entidades do setor não lucrativo são obrigadas a emitir faturas? E à comunicação às AT dos elementos das faturas emitidas? Resposta idêntica à anterior. A concessão de donativos em dinheiro não sendo operações sujeitas a IVA para a IPSS não tem que ser objeto de qualquer fatura. Os donativos em espécie, considerados como transmissões de bens 231
232 nos termos do artigo 3º do CIVA, devem ser objeto de fatura pelo mecenas (e não pela entidade beneficiária). A IPSS deve proceder à emissão de um recibo de quitação desses donativos, nos termos da legislação civil e comercial, ou eventualmente, nos termos da alínea a) do nº 1 do artigo 66º do Estatuto dos Benefícios fiscais, se for um donativo relevante em termos de impostos sobre o rendimento para o mecenas. Os subsídios ou subvenções do Estado podem ser consideradas como operações que integram, ou não, o valor tributável das operações sujeitas a IVA. Nos termos da alínea c) do nº 5 do artigo 16º do CIVA, apenas os subsídios ou subvenções diretamente conexas com o preço de cada operação, considerando como tais as que são estabelecidas em função do número de unidades transmitidas ou do volume dos serviços prestados e sejam fixadas anteriormente à realização das operações, são considerados como operações incluídas no valor tributável das transmissões de bens e das prestações de serviços subsidiadas. No entanto, esta inclusão no valor tributável das operações subsidiadas não determina a obrigação de emissão de faturas no momento da obtenção do subsídio pelo sujeito passivo beneficiário. Este procedimento determina que quando forem efetuadas as operações subsidiadas, haverá que incluir no valor tributável dessas operações, para além do valor da contraprestação obtida ou a obter, o respetivo valor do subsídio. Os subsídios ou subvenções não relacionados diretamente com o estabelecimento de preços (p.e. subsídios ao investimento) são operações não sujeitas a IVA, pelo que também não há a emissão de qualquer fatura nos termos do Código desse imposto. A IPSS fica apenas obrigada à emissão de um recibo de quitação nos termos da legislação civil e comercial, no momento da obtenção dos subsídios. 25. Os sujeitos passivos que emitam faturas-recibo através do Portal das Finanças (anteriores recibos verdes eletrónicos) são obrigados a comunicar à AT os elementos dessas faturas? Não. Os sujeitos passivos que emitam faturas-recibo através do Portal das Finanças (anteriores recibos verdes eletrónicos) não são obrigados a comunicar à AT os elementos dessas faturas. No entanto, as faturas-recibo (anteriores recibos verdes eletrónicos) emitidas em papel nos modelos adquiridos nos serviços de finanças devem ser comunicados à AT. 26. Nas prestações de serviços localizadas fora do território nacional pela aplicação da regra geral de tributação de prestações de serviços entre sujeitos passivos (alínea a) do nº 6 do artigo 6º do CIVA, a contrario), qual a menção a colocar nas faturas emitidas pelo prestador sujeito passivo português? Menção: IVA autoliquidação (ofício-circulado nº 30136/2012 da DSIVA). 232
233 27. Nas prestações de serviços localizadas fora do território nacional pela aplicação das regras de exceção às regras gerais de tributação de prestações de serviços (alínea nº 7, 9, 11 e 13 do artigo 6º do CIVA), qual a menção a colocar nas faturas emitidas pelo prestador sujeito passivo português? Não existe uma menção obrigatória tipificada, podendo ser colocada uma menção: Não tributável ao abrigo da alínea [ ] do nº [ ] do artigo 6º do CIVA. 28. Quais os documentos que devem ser comunicados à AT nos termos do artigo 3º do DL 198/2012. As faturas, faturas simplificadas, notas de débito e notas de crédito (nº 2 do artigo 1º e artigo 3º do DL 198/2012). Os bilhetes de transporte, ingresso ou outro documento ao portador comprovativo do pagamento, e os registos de máquinas de distribuição automática, previstos no nº 5 do artigo 40º, não devem ser comunicados à AT. 29. Em que circunstâncias se pode utilizar a Declaração para comunicação dos elementos das faturas prevista na Portaria nº 426-A/2012 para efetuar a comunicação dos elementos das faturas emitidas? Esta declaração apenas pode ser utilizada pelos sujeitos passivos que não sejam obrigados a possuir o ficheiro SAFT da faturação, não utilizem programa informático de faturação certificado e não utilizem os meios de comunicação pelo sistema webservice, envio do ficheiro SAFT da faturação e inserção direta no Portal E-Fatura (artigo 2º da Portaria nº 426-A/2012). 30. Quais os dados a comunicar na Declaração para comunicação dos elementos das faturas prevista na Portaria nº 426-A/2012? Como regra, os sujeitos passivos devem preencher, no modelo disponibilizado, o seu NIF, o mês e o ano de faturação a que respeita a declaração. No quadro referente à Informação Global, relativamente a todas as faturas emitidas durante o período a que respeita a declaração, deve indicar o valor global das faturas e o valor total do IVA. No quadro referente à Informação Parcial, deve identificar os elementos respeitantes às faturas emitidas nesse período a que respeita a declaração, nomeadamente o número da fatura, tipo de documento de faturação, data de emissão, NIF do adquirente, valor total da fatura e valor de IVA incluído nesse valor total. Durante o período transitório (ano de 2013), os sujeitos passivos estão apenas obrigados ao preenchimento, no campo referente à Informação Parcial, dos elementos respeitantes à primeira e última fatura, de cada série, emitidas no período a que se refere a declaração, bem como dos ele- 233
234 mentos das faturas que contenham o NIF do adquirente. 31. Como deve ser comunicada à AT a Declaração para comunicação dos elementos das faturas prevista na Portaria nº 426-A/2012? Como regra, essa declaração deve ser submetida através do Portal das Finanças, em modelo disponibilizado (E-fatura). Durante o período transitório (ano de 2013), os sujeitos passivos que pratiquem operações isentas ao abrigo do artigo 9º do CIVA, os sujeitos passivos enquadrados no regime especial de isenção, previsto no artigo 53º do CIVA, bem como os sujeitos passivos enquadrados no regime dos pequenos retalhistas, previsto no artigo 60.º do CIVA, que não tenham emitido mais de 10 faturas, com o NIF do adquirente, no mês a que respeita a declaração, podem entregar, presencialmente ou através de remessa por correio registado, o modelo oficial da declaração em papel, devidamente preenchido, em qualquer Serviço de Finanças ou outra entidade com quem a AT celebre protocolo para o efeito, não lhes sendo aplicável a parte final do n.º 2 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto. 32. Pode ser alterado o meio de comunicação dos elementos das faturas à AT, no decurso do ano civil? O meio de comunicação não pode ser alterado no decurso do ano civil, para a mesma série de faturas ou para séries diferentes quando façam parte do mesmo programa de faturação. Contudo para séries de faturas diferentes (desde que não emitidas num mesmo programa) o meio pode ser alterado, tais como por exemplo agente económico que emita faturas em livro impresso por tipografia autorizada e opte, a partir de certo momento, por programa de faturação. Nesse caso pode comunicar as primeiras por inserção direta no Portal das Finanças e, a partir do momento em que passa a usar o programa, através do envio do ficheiro SAFT (FAQ nº 27 agentes económicos do Portal E-Fatura). 234
235 9. ANEXOS 9.1. Minutas para acompanhar os bens excluídos das obrigações de documento de transporte nos termos do art. 3.º Estas minutas foram elaboradas pela CAP (Confederação dos Agricultores Portugueses e pela OTOC durante o ciclo de sessões de esclarecimento sobre Alterações ao IVA e IRS na agricultura e gentilmente cedidas para também integrarem este manual. 235
236 Documento comprovativo do transporte de bens pertencentes ao ativo imobilizado 236
237 Documento comprovativo do transporte de bens pertencentes a um particular 237
238 Documento comprovativo do transporte de bens provenientes dos produtores agrícolas, apícolas silvícolas ou de pecuária, transportados pelo próprio 238
239 Documento comprovativo do transporte de bens provenientes dos produtores agrícolas, apícolas silvícolas ou de pecuária, transportados por conta do produtor 239
240 9.2. Minutas de um documento de entregas efetiva 240
241 9.3. Minutas de um documento de folha de obras ou de consumos 241
242 9.4. Portaria N.º 162/2013 de 23 de Abril 242
243 243
244 244
245 9.5. Ofício-Circulado N.º ,SIVA, DE
246 246
247 10. BIBLIOGRAFIA Decreto-Lei nº 147/2003 RBC Decreto-Lei nº 198/2012 Alterações ao RBC Doutrina da Autoridade Tributária e Aduaneira Lei de Orçamento de Estado para 2013 Manual da APECA Novo Regime dos Bens em Circulação António Jacob; julho de 2006 Manual de formação a OTOC e CAP Alterações ao IVA e IRS na agricultura - Paula Franco e Cristina Pena Silva Manual de integração de software - Comunicação dos Documentos de Transporte à AT Portaria nº 363/2010, com redação da Portaria nº 22-A/2012 Questões colocadas às Autoridades Fiscais - PWC Regime dos bens em circulação - Vislis Editores, João Catarino e Nuno Victorino SITOC Sistema de Informação dos TOC 247
248
249 Notas 249
250
251
252
253 Questionário 253
254
255
256
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