ASTRAMA ASSOCIAÇÃO DE TRABALHOS MANUIAS SÃO JOSÉ: ARTES EM MADEIRA E TECIDO

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1 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( x ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA ASTRAMA ASSOCIAÇÃO DE TRABALHOS MANUIAS SÃO JOSÉ: ARTES EM MADEIRA E TECIDO ALBACH, R. Claudia 1 BUENO, F. Daniela 2 ROCHA FILHO, Alnary Nunes 3 LUIZ, C. Danuta 4 SILVA, Edson Armando 5 RESUMO Este artigo apresenta a sistematização de uma experiência de projeto de extensão vinculado ao Programa Universidade Sem Fronteiras no período de vigência de janeiro de 2009 a dezembro de O projeto objetivava a assessoria à ASTRAMA- Associação de Trabalhos Manuais São José: Artes em Madeira que possui associados de ambos os sexos os quais se encontram em vulnerabilidade social e econômica, vinculados ao trabalho das pastorais da Paróquia São José. O trabalho da ASTRAMA é voltado aos princípios da economia solidária, com o objetivo de geração de renda e trabalho com base na cooperação e autogestão. No texto são destacados alguns elementos que caracterizam o trabalho desenvolvido pela equipe de profissionais e acadêmicos, durante o período de vigência do projeto. PALAVRAS CHAVE Economia Solidária; Associação; Consolidação;

2 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 2 Introdução O projeto ASTRAMA Associação de Trabalhos Manuais São José: Artes em Madeira e Tecido teve inicio em janeiro de 2009 e tem como objetivo integrar a economia solidária com o desenvolvimento do associativismo e cooperativismo junto a segmentos vulnerabilizados. Tendo com isso dois focos principais que são mulheres de diversos bairros e vilas com IDH baixo que se integram a Paróquia São José e egressos do sistema penitenciário. Os primeiros contatos, no entanto, aconteceram em meados de 2008, quando iniciaram-se os primeiros diagnósticos pela IESOL. A assessoria prestada pela IESOL Incubadora de Empreendimentos Solidários para a ASTRAMA, antes da efetivação do Projeto USF, era prestada por um técnico em Economia Solidária, que ministrou 4 oficinas, cujo conteúdo tratava da Introdução à Economia Solidária. No segundo semestre de 2008, o Projeto ASTRAMA vinculado ao convênio entre a IESOL-UEPG e a Fundação Araucária, foi contemplado, e partir de 2009 começaram as ações, com a contratação de uma Profissional Economista, uma Assistente Social e quatro estudantes bolsistas, dos quais dois de serviço social, um de história e um de ciências contábeis, que trabalham juntamente com os representantes da paróquia São José. Sendo que o financiamento do Programa Universidade Sem Fronteiras para a participação do grupo na ASTRAMA teve seu término em Dezembro de 2010, ficando portanto, apenas o trabalho voluntário de alguns integrantes da equipe. A idéia inicial do projeto surgiu da demanda que um membro da Cáritas Diocesana de Ponta Grossa levou a IESOL, devido a necessidade de transformar o trabalho da pastoral social e da marcenaria, que funcionava na Igreja da Paróquia São José em Ponta Grossa, em uma associação para geração de trabalho e renda. Inicialmente eram 48 pessoas, passados mas de dois anos esse número caiu para 7 mulheres na costura, 3 homens egressos do sistema penitenciário que trabalham na fabricação de tijolos ecológicos e 1 mulher e outro egresso dao sistema penitenciário que trabalha na marcenaria. Essa redução no número de associados foi naturalmente acontecendo, pois quem permanece são os que realmente tem interesse e possibilidade de continuar o trabalho, e pelas dificuldades enfrentadas na consolidação de uma renda maior, algumas pessoas decidiram procurar outros caminhos. As mulheres associadas trabalham em um espaço cedido pela Paróquia São José. Estas executam atividades de confecção de bolsas, acessórios para pet shop, e enxovais de cozinha e banheiro, também enxoval de bebê que são comercializadas na feira de economia solidária que acontece em frente á Paróquia São José todas as quartas - feiras. Já para os egressos do sistema penitenciário o trabalho se realiza no espaço cedido em comodato pela Sociedade São Vicente de Paulo, na Casa da Acolhida, localizado no Bairro da Vila Vicentina, em Ponta Grossa-Pr., no qual está estruturada a Marcenaria que produz móveis sob medida, e também é desenvolvida a atividade na fábrica de tijolos ecológicos que tem sua produção destinada a construção civil. Com isso o objetivo maior para os associados é a geração de trabalho e renda e a reinserção econômica e social, além de contribuir para a formação, capacitação, potencialização, constituição e consolidação do empreendimento solidário da ASTRAMA, baseados nos princípios do associativismo e do cooperativismo ligados à economia solidária com vistas a inserção econômica e social das costureiras associadas e a recuperação social e econômica de egressos do sistema penitenciário associados, fazendo com que esses trabalhadores e trabalhadoras produzam em um sistema horizontal e sem hierarquia, chamdo de autogestão e dêem continuidade ao trabalho, com base nos conteúdos mutuamente construídos. Objetivos O objetivo inicial do projeto USF é o de Contribuir para a formação, constituição e consolidação do empreendimento solidário, da ASTRAMA Associação de Trabalhos Manuais São José, capacitando-o para a implementação de trabalho em cooperação solidária, com a finalidade de geração de trabalho e renda baseados nos princípios do associativismo e do cooperativismo ligados à economia solidária com vistas a inserção economia e social das costureiras associadas e a recuperação social e econômica de egressos do sistema penitenciário associados. Este objetivo tem como objetivos específicos Acompanhar e assessorar a ASTRAMA em seu empreendimento solidário; Promover a prática de autogestão no grupo objetivando sua emancipação e autosubsistência; Criar em conjunto com a ASTRAMA e demais parceiros, a viabilidade econômica dos produtos; Através dos professores, técnicos e estagiários da IESOL, proceder a formação

3 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 3 educacional em associativismo e cooperativismo na perspectiva da economia solidária e prestar assessorias técnica, administrativa e jurídica. Metodologia A equipe utilizou-se de estratégias de trabalho como a assessoria técnica e operacional em economia solidária, que se deu através de curso de formação em economia solidária. Orientação e providências na oficialização do empreendimento enquanto associação de produtores, tais como CNPJ, estatuto, regimento interno; Acompanhamento em assembléias gerais, em reuniões de planejamento das ações e nos dias de produção e acompanhamento e providencias que se fizerem necessárias para o desenvolvimento das atividades da associação. Também, a equipe, através do profissional e acadêmicos de Serviço Social realizaram atendimentos sociais a situações individuais e grupais dos associados, O curso de formação foi ministrado, no período de um ano, através de temas como economia solidária, autogestão, estrutura de uma associação/cooperativa, saúde e segurança no ambiente de trabalho, entre outros temas pertinentes a realidade da associação. Após a finalização do curso de formação ainda foram realizadas atividades com o objetivo de potencializar os associados relembrando e fomentando os princípios de economia solidária, através de cartazes demonstrativos e oralmente, a fim de que a formação seja permanentemente discutida e interiorizada pelos participantes. Resultados obtidos até o presente momento Com o decorrer da execução do projeto obtemos alguns resultados, quais foram: O desenvolvimento cursos de economia solidária para os associados onde se pode trabalhar noções de como se deve proceder a formação de uma associação e como administrá-la. Também noções de custos para que possam decidir como comprar matéria-prima e como cobrar pelos produtos que serão vendidos; A consolidação da associação com a formação dos conselhos e o registro do estatuto para a formalização do EES e obtenção do CNPJ; As mulheres costureiras juntamente com a assessoria prestada pela equipe decidiram os produtos que deveriam ser produzidos, e, com a chegada das máquinas (subsidiadas pelo Programa Universidade Sem Fronteiras e com uma doação da Cáritas Diocesana foi possível comprar a parte da matéria prima para a construção de um mostruário de produtos a serem expostos num site proposto pelo projeto. Também conquistaram um espaço para montar uma banca para expor seus produtos à venda na feira que acontece todas as quartas-feiras em frente á paróquia; Na área do serviço social foi formulado um cadastro sócio-econômico para melhor traçar o perfil e necessidades dos integrantes da associação. Também fez-se um levantamento dos programas sociais e serviços públicos, necessário para que se possa encaminhar alguns casos identificados no levantamento sócio-econômico. Foram formulados e executados projetos de intervenção do Serviço Social intitulados Saúde no ambiente de trabalho que tinha por objetivo ressaltar as orientações quanto a segurança e saúde para os associados e Valorização da mulher que trabalhou as relações interpessoais e a auto-estima das associadas, ambos executados através de oficinas demonstrativas e práticas. Foram realizados passeios de lazer para Curitiba e Vila Velha, onde em Curitiba foram conhecer outras experiências de economia solidaria e associativismo visitando outras cooperativas de produção (uma marcenaria e uma fábrica de botões). Também foi realizados reuniões de confraternização do grupo de associados. Em relação a marcenaria, foi conquistado um espaço próprio para suas atividades em que já se conseguiu uma autonomia para a produção e comercialização dos produtos.

4 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 4 A Fábrica de tijolos ecológicos tem ganhado espaço o mercado e sua produção tem sido constante, sendo que nela três homens trabalham e já desde julho de 2010 tem uma renda fixa mensal. Foi aprovado um projeto elaborado para a Justiça Federal pelo SISCOPEN Sistema de Controle de Penas, pelo qual a ASTRAMA foi beneficiado com ,00 reais para construção de um barracão para a fabrica de tijolos e compra de maquinário, além de uma doação no valor aproximado de 8.000,00 reais em MDF e materiais para acabamentos. Consolidou-se novas parcerias com empresas de Ponta Grossa, a qual trouxe benefícios aos dois parceiros: a ASTRAMA em receber doações de madeiras que são utilizadas para fabricar móveis e como palets para apoiar os tijolos, bem como beneficia a empresa doadora porque ela não tinha utilidade para essas madeiras, e como é preocupada com a responsabilidade ambiental ela tinha que dar um fim apropriado à madeira. comunicação O trabalho tem se tornado divulgado e reconhecido em empresas e em meios de Ações planejadas para as próximas etapas do projeto: Assessoria técnica da produção e comercialização para a associação; Potencializarão dos grupos de associados no âmbito de economia solidária e no ambiente de trabalho; Desenvolvimento de novos produtos para diversificação da linha de produção; Fortalecimento do relacionamento do grupo e da produção e comercialização dos produtos. Efetivar os associados como micro empreendedores individuais. Aumentar a produção e consequentemente o número de associados. Desenvolvimento do site que ainda está em construção e em fase de transição da hospedagem. Conclusões É necessário ressaltar que a ASTRAMA é um grupo de trabalhadores e trabalhadoras organizados numa Associação de Produção, tipificado como Empreendimento Econômico Solidário EES, incubado pela IESOL Incubadora de Empreendimentos Solidários, que independentemente do término do Projeto USF, permanecerá incubado até reunir as condições necessárias para a sua total independência, tanto da Incubadora como da Paróquia São José e da Sociedade São Vicente de Paulo, sendo esses os objetivos maiores. O EES ASTRAMA, conta desde o início de suas atividades com a parceria da Cáritas Diocesana de Ponta Grossa, em conjunto com a Paróquia São José, e desde 2010 com a Sociedade São Vicente de Paulo, e tem como entidade de apoio a IESOL. A ASTRAMA ainda está em fase de consolidação, mas já está tendo grandes resultados. A associação já tem sua Pessoa Jurídica formalizada, com CNPJ e demais credenciais necessárias ao pleno funcionamento, produzindo e vendendo seus produtos, está alcançando a sustentabilidade dos trabalhadores e trabalhadoras. Porém, ainda enfrenta algumas dificuldades naturais de instabilidade e de gestão, que com as assessorias continuas da IESOL, com ênfase na autogestão e na prática dos princípios da economia solidária podem ser minimizadas, na busca de seu objetivo maior, que é a reinserção social dos beneficiários. Referencias FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 25ª Edição São Paulo: Paz e Terra, 1996.

5 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 5 GADOTTI, Moacir e GUTIÉREZ, Francisco (orgs.) Educação Comunitária e Economia Popular. São Paulo, Cortez, SINGER, Paul. A Economia Solidária no Brasil. 1ª Edição. São Paulo: Contexto, SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. 1ª Edição. Fundação Perseu Abramo, 2002.

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