UHE JIRAU ANÁLISE DE VIABILIDADE DE ÁREA REMANESCENTE PROCESSO RJ-RU-D-279 JOSÉ FORTUNATO DE LIMA

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1 UHE JIRAU ANÁLISE DE VIABILIDADE DE ÁREA REMANESCENTE PROCESSO RJ-RU-D-279 JOSÉ FORTUNATO DE LIMA ABRIL / 2013

2 1. OBJETO DE ESTUDO ANÁLISE DA CONTINUIDADE DOS NÍVEIS DE ATIVIDADE ECONÔMICA DA PROPRIEDADE Viabilidade Econômica da Área Remanescente. 2. DADOS DA PROPRIEDADE PROPRIETÁRIO NUMERO DO PROCESSO José Fortunato de Lima RJ-RU-D-279 ENDEREÇO DA PROPRIEDADE MUNICÍPIO UF BR 364, KM Abunã Porto Velho RO 3. ASPECTOS QUANTITATIVOS DAS PROPRIEDADES A propriedade RJ-RU-D-279 tem uma área de 1.115,0629 ha, de acordo com medições realizadas em campo (Anexo 1 e 2). O Sr. José adquiriu a área há aproximadamente 13 anos. No Quadro 1 são apresentadas as áreas da propriedade. Seq Nº Processo Quadro 1 Lista das Propriedades Atingidas TAMANHO DAS ÁREAS (ha) Inundada Remanso APP Remanescente Total 1 RJ-RU-D , , ,0629 TOTAL , , ,0629 Conforme apresentado no Quadro 1, remanescem 1.097,6409ha, o que representa 98,44% da área total da propriedade. 4. USO ATUAL O uso atual do solo da propriedade atingida é demonstrado no Quadro 2. Quadro 2 Uso Atual do Solo USO ATUAL DAS ÁREAS (ha) Seq Nº Processo Total Lavoura Pastagem Vegetação Outros 1 RJ-RU-D , ,3631 1, ,0629 TOTAL - 300, ,3631 1, ,0629 2

3 5. CLASSES DE CAPACIDADE DE USO DAS TERRAS Quanto as Classes de Capacidade de Uso das Terras a propriedade de 1.115,0629 ha dividese em três classes de solo, conforme apresentado no Quadro 3. Quadro 3 Classes de Capacidade de Uso das Terras CAPACIDADE DE USO DAS TERRAS (ha) Seq Nº Processo Total Classe IV Classe V Classe VI Classe VII 1 RJ-RU-D , ,3561 3, ,0629 TOTAL - 321, ,3561 3, , INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES A principal renda da propriedade é proveniente da bovinocultura de corte. Ainda, na propriedade são produzidos suínos para complementação da renda. Da área total de pastagem, 95,96% localizam-se no remanescente da propriedade. A propriedade não apresenta Plano de Manejo Florestal Sustentável, nem Cadastro Ambiental Rural ou Licenciamento Ambiental. Além desta propriedade, o Sr. José ainda possui outra propriedade rural, não atingida pelo empreendimento. 7. ASPECTOS QUANTITATIVOS DO REMANESCENTE Descontada a área atingida pela APP do Remanso, o remanescente deste imóvel passa a ser de 1.097,6409 ha, sendo caracterizado quanto ao Uso do Solo e Aptidão Agrícola conforme demonstrado nos Quadros 4 e 5, respectivamente. Quadro 4 Uso Atual do Solo na Área Remanescente USO ATUAL DAS ÁREAS DO REMANESCENTE (ha) Seq Nº Processo Total Lavoura Pastagem Vegetação Outros 1 RJ-RU-D , , ,6409 TOTAL - 288, , ,6409 Quadro 5 Classes de Capacidade de Uso das Terras na Área Remanescente CAPACIDADE DE USO DA ÁREA REMANESCENTE (ha) Seq Nº Processo Total Classe IV Classe V Classe VI Classe VII 1 RJ-RU-D , , ,6409 TOTAL - 310, , ,6409 3

4 8. ASPECTOS ECONÔMICOS A propriedade apresenta como fonte de renda a produção de bovinos de corte e suínos. Na bovinocultura de corte, o Sr. José trabalha com cria e recria de bezerros. Neste sistema, o produtor utiliza matrizes, produzidas ou adquirida, as quais tem, em média, 6 partos e depois são descartadas. Isso porque, algumas matrizes são descartadas logo após o primeiro parto, enquanto outras atingem até 10 partos. No Brasil, o intervalo médio entre partos de fêmeas é de 16 meses. O desmame ocorre no sexto mês de idade do bezerro, o qual é comercializado com média de peso de 150kg. Posteriormente, o comprador irá encaminhar o animal para engorda. Para a atividade de bovinocultura de corte, considera-se que na região de Porto Velho - RO, cada hectare de pastagem suporta Uma Unidade Animal (UA=450 kg). Neste caso, casa matriz é considerada uma UA. Conforme informações do proprietário, em visita realizada no dia 05/02/2013, na propriedade existem 400 matrizes aptas à produção de bezerros. Anualmente, são comercializados, em média 220 bezerros. Levando em consideração que o preço médio recebido por bezerro (a) é de R$ 575,00 (Pesquisa de Preço Semanal da Emater/RO 18/03 a 22/03/2013), o rendimento bruto médio da exploração atual desta propriedade é de R$ ,00/ano. Conforme levantamento de custos demonstrado no Anexo 3, na região porto Velho RO o custo da criação bovina para a cria e recria é de 56,24% da renda bruta, o que gera uma renda liquida de R$ ,40/ano, ou R$ 4.613,03/mês. Com a formação do reservatório apenas 4,04% da capacidade de exploração bovina será reduzida, ou seja, a renda líquida desta atividade passará a ser de R$ ,19/ano ou R$ 4.426,85/mês. Para a suinocultura, na propriedade são comercializados, segundo pesquisa citada acima, 30 animais por ano, com peso médio de 60kg. Segundo Pesquisa Semanal de Preços (Emater/RO 18/03 a 22/03/2013), o preço é R$ 4,53/kg. Logo, a renda bruta desta atividade é de R$ 8.154,00/ano. Embora a atividade não utilize alta tecnologia, estima-se que o custo de produção seja de 60% da renda bruta, haja vista a utilização de milho e demais subprodutos para alimentação dos suínos. Com isso, a renda líquida desta atividade é de R$ 3.261,60/ano ou R$ 271,80/mês. Como a benfeitoria destinada a esta atividade localiza-se no remanescente, nada da renda oriunda desta atividade será cessada. Considerando as atividades citadas acima, a renda líquida desta propriedade é de R$ ,00/ano. Com o advento da usina, esta renda sofrerá redução de apenas 3,81%, ou seja, passará a ser de R$ ,79/ano ou, R$ 4.598, ASPECTOS AMBIENTAIS A propriedade original apresenta-se com 72,94% de vegetação primária e secundária em estágio médio de regeneração. Reduzindo a área afetada pela formação do reservatório, o remanescente contará com 73,74% destas ocupações. O Código Florestal Brasileiro (Lei 4

5 de 22/05/2012, Cap. IV, Art. 12) determina que, na região amazônica 80% da área ocupada com vegetação primária devem ser destinadas a Reserva Legal. Logo, pode-se verificar que tanto a propriedade original quanto o remanescente não enquadram-se a legislação vigente. Tendo a necessidade de enquadrar o remanescente a legislação ambiental vigente, o proprietário poderá manter toda pastagem presente na propriedade e optar pela recomposição da ARL através da desoneração (por meio de aquisição de áreas em Unidades de Conservação, parques públicos, por exemplo) e/ou compensação (áreas adquiridas no mesmo bioma e bacia hidrográfica). 10. ASPECTOS DA INFRAESTRUTURA O acesso a propriedade (BR 364) não será afetado pela formação do reservatório da UHE Jirau. As benfeitorias principais, como casas e curral, localizam-se na área remanescente da propriedade, não sendo necessário relocá-las. 11. CONCLUSÃO Com base nos diversos pontos apurados acima, conclui-se que não há necessidade da Energia Sustentável do Brasil adquirir o remanescente desta propriedade, pois nela é possível prosseguir com as atividades econômicas desenvolvidas atualmente. O acesso à propriedade não será afetado pelo empreendimento. Todas as benfeitorias não reprodutivas localizam-se no remanescente. Tanto a propriedade original quanto o remanescente mantém as características de não enquadramento a legislação ambiental vigente. Da área de pastagem original, apenas 4,04% é atingida. Assim, considerando conjuntamente a atividade suinícola, apenas 3,81% da renda líquida será reduzida com a formação do reservatório. Além disso, esta área atende as Instruções Especiais/INCRA nº 20/80; 23/82; 27/83; 51/97 (www.incra.gov.br), que discrimina a área de 60 ha como sendo a mínima para prosseguir com as atividades necessárias ao desenvolvimento da propriedade, caracterizando um módulo fiscal local. 12. PARECER TÉCNICO Tendo em vista ser possível prosseguir no remanescente com as atividades econômicas desenvolvidas no todo maior, recomendamos a Aquisição Parcial desta propriedade. 5

6 13. RELATÓRIO FOTOGRÁFICO A seguir são apresentadas algumas imagens da propriedade atingida. 14. ANEXOS Anexo 1 Uso Atual. Anexo 2 Classes de Capacidade de Uso das Terras. 6

7 Anexo 3 Custo de produção de bovinos de corte Cria e Recria. 15. RESPONSÁVEIS TÉCNICOS Análise e Parecer Técnico: Aprovação: Visto da ESBR Ronaldo Antônio Pasini Eng.: Agrônomo CREA-SC Ademir Valberto Pinto Eng. Agrônomo CREA-SC Moacir Mário De Marco Eng.: Agrônomo CREA-SC Porto Velho - RO, 08 de abril de

8

9

10 Anexo 3 Levantamento de custo de produção para bovinos de corte Cria e Recria Custo da Produção de Bovinos de Corte - Fase Cria e Recria - Para fêmeas % em Descrição Quantidade R$ Unitário Valor Total % relação a RB Matrizes* , ,00 67,74 38,10 Vaqueiro (2/12meses) , ,00 3,67 2,07 Pastagem (manutenção) , ,00 0,85 0,48 Energia Elétrica (Curral) , ,00 0,52 0,29 Diesel - Distribuição de alimentos , ,00 1,63 0,91 Sal (consumo 100g/dia) 62962,5 1, ,75 19,05 10,71 Vacinas e medicamentos , ,00 6,54 3,68 Total ,75 100,00 56,24 Renda Bruta (RB)** , ,00 Renda Liquida (RL) ,25 * Considerando que cada matriz é adquirida pelo preço de R$ 1.200,00 e são descartadas após o 6 parto. ** Considerado intervalo entre partos de 16 meses. FONTES: PERROTTO, Daniel; ABRAHÃO, José Jorge dos Santos; KROETZ; Inácio Afonso. Intervalo de partos de fêmeas bovinas Nelore, Guzerá x Nelore, Red Angus x Nelore, Marchigiana x Nelore e Simental x Nelore. Revista Brasileira de Zootecnica, v. 35, n. 3. p GOMES, Juniamar Garcia. Custo de Produção do gado de corte na área da engorda extensiva: um estudo de caso na Fazenda Rio Doce. Juína, MT: monografia, Disponível em: <http://www.biblioteca.ajes.edu.br/arquivos/monografia _ pdf>. Acesso em: 06 mar EMPAER - Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural S/A. Cotação Agrícola: Cotação Atualizada em 01 de março de Disposível em: <http://www.empaer.mt.gov.br/arquivos/arquivos.asp?cod=2>. Acesso em: 06 mar Dados de Pesquisa de Campo. 23 fev

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