Previdência e Fortalecimento do Mercado de Capitais: Experiência Internacional

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1 Previdência e Fortalecimento do Mercado de Capitais: Experiência Internacional São Paulo, 8 de dezembro 2003 Vinicius Carvalho Pinheiro - Especialista em Previdência Privada Divisão de Assuntos Financeiros Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE

2 SUMÁRIO 1. Introdução: A necessidade de fortalecer a previdência complentar 2. Efeitos da previdência complementar sobre o mercado de capitais 3. Regulação de investimentos 4. Investimentos socialmente responsáveis 5. Investimentos economicamente orientados

3 1.1. Gasto Público Previdenciário (% do PIB) X % da População com mais de 60 anos i POLÔNIA SUÍCA ITALIA ii GASTOS PÚBLICOS COM PREVIDÊNCIA EM % DO PIB iv BRASIL MEXICO TURQUIA CORÉIA AUSTRIA SUÉCIA GRECIA FRANÇA ALEMANHA ESPANHA HOLANDA BELGICA PORTUGAL N. ZELANDIA EUA JAPÃO CANADÁ AUSTRALIA IRLANDA iii % DA POPULAÇÃO COM IDADE SUPERIOR A 60 ANOS Fonte: OCDE e MPS

4 1.2. Ativos dos Fundos de Pensão em % do PIB Hol anda Suíça OCDE Ingl ater r a Isl ândi a Estados Unidos Austr ália Ir landa Chi l e Canada Dinamar ca Japão Bolívia Br asil Por tugal Nova Zel ândi a Fi nl ândi a Per u Colômbia Ur uguai Bélgica Hungr ia Repúbl i ca Itália Ar gentina Al emanha Cor ea Pol ôni a Suéci a México Espanha Austr ia Fonte: OCDE e MPS

5 1.3. Taxas de Contribuição para os Regimes Previdenciários Básicos de Repartição % Polônia França Eslovaquia Áustria Bélgica Grécia Alemanha Hungria Itália Turquia Suécia Brasil Holanda Espanha Portugal Finlândia Luxemburgo Suíça Japão Noruega Inglaterra Estados Unidos Mexico Corea Irlanda Canada Chile Dinamarca Fonte: OCDE e MPS

6 1.4. O fato do gasto público previdenciário no Brasil ser relativamente maior em relação ao seu perfil demográfico provoca...! Perda das vantagens comparativas dos países jovens em relação aos custos da mão de obra! Insuficiência de recursos fiscais para ser suprir carências sociais e investimentos que produzem externalidades positivas para economia (Educação, C&T, Infra-estructura, etc...)! Dificulta a implementação de reformas que diminuam a dívida implícita do setor público

7 1.5. A reversão desta situação passa, em grande parte, pelo desenvolvimento da previdência complementar, que, geralmente, é condicionado por...! Teto do regime básico e caráter complusório ou voluntário do regime complementar! Tratamento tributário! Adequado ambiente regulatório ( principalmente em relação à governança, investimentos e solvência)! Efetividade na supervisão! Credibilidade do sistema e nível de educação financeira

8 2.1. Efeitos Potenciais do Desenvolvimento da Previdência Complementar sobre o Mercado Financeiro Experiência Internacional Desenvolvimento da previdência complementar Aumento da oferta de capital de longo prazo Mercado de Capitais Aumento da demanda por serviços financeiros Mercado de títulos públicos Mercado de crédito imobiliário Gerência de Risco Gerência de Investimento Seguros Bancos

9 2.2. Efeitos Potenciais do Desenvolvimento da Previdência Complementar sobre o Mercado de Capitais e de Títulos Públicos Experiência Internacional! Liquidez! Tamanho/profundidade/escala! Transparência! Integridade! Inovação financeira! Profissionalismo! Governança! Possibilidade de alongamento do perfil da dívida

10 BOVESPA: Participaçao dos tipos de investidor no total do volume negociado em 1998 e % 90% Outros 80% 70% 37 Empresas % Inst. Financeiras 50% 40% Inv. Estrangeiros 30% 20% 11.7 Pessoas Físicas 10% Inv. Institucionais 0% (*) Fonte: BOVESPA, (*) dados até novembro 2003

11 3.1. A potencialidade dos efeitos do desenvolvimento da previdência complementar sobre o mercado de capitias depende, principalmente, da regulação dos investimentos... CARACTERÍSTICAS DO MERCADO X MODELOS DE REGULAÇÃO DE INVESTIMENTOS OCDE (excl( excl.. Austrália, Hungria, México, Polônia) América Latina (excl( excl.. Brasil) Ocupacionais e pessoais Voluntarios Planos CD, BD e híbridos Estrutura de mercado dispersa e com grande quantidade de operadores Regras de investimento principalmente prudenciales Pessoais Mandatórios Planos CD Estrutura do mercado concentrada com pequena quantidade de operadores Regras de investimento principalmente quantitativas

12 3.2. Regulações de Investimentos Prudenciais e Quantitativas para Regimes Mandatórios e Voluntários VOLUNTÁRIOS MANDATÓRIOS QUANTITATIVAS ALEMANHA AUSTRIA BRASIL PORTUGAL NORUEGA CHILE PERU MEXICO HUNGRIA POLONIA PRUDENCIAIS IRLANDA EUA(*) REINO UNIDO(*) JAPÃO (*) CANADA (**) NOVA ZELANDIA AUSTRALIA HOLANDA (*) Não permitem empréstimos aos funcionários (**) Limite de 25% de investimento em imóveis

13 3.3. Limites de Investimento nos Países da OCDE (2001) Ações Imóvies Austria Republica Tcheca Dinamarca Finlandia Alemanha Hungria Islândia Mexico Noruega Polonia Portugal Suécia Suíça

14 3.4. Estimativas de Rendimento Real dos Investimentos dos Fundos de Pensão ESTIMATIVAS DE TAXAS DE RETORNO DOS FUNDOS DE PENSÃO Regr as Quantitativas Regr as Pr udenciais EUA Rei no Uni do Suéci a Hol anda Japão Al emanha Canada % Fonte: Davis (2001)

15 3.6. Guidelines para Investimentos de Fundos de Pensão nos países da OCDE - I! Tendência à adoção de regras prudenciais e flexibilização de limites quantitativos de investimentos (Diretiva da União Européia)!Otimização das estratégias de investimento!diferenciação entre produtos e estímulo à competição! Responsabilização do gestor e estímulo à profissionalização!flexibilidade e maior capacidade para ajustes

16 3.7. Guidelines para Investimentos de Fundos de Pensão nos países da OCDE - II! Limites de Investimento podem ser necessários em regimes mandatórios, baseados em seguro e com mercado financeiro de de gerência de riscos pouco desenvolvido. Entretanto, eles devem:! ser compatíveis com a utilização de técnicas de ALM ou outras técnicas de gestão de riscos! estar baseados em limites máximos (e não mínimos)! limitar auto-investimento! ser flexíveis para acomodar desenquadramentos temporários e específicos! permitir investimentos no mercado exterior, desde que segurado contra o risco cambial! ser permanentemente avaliados e ajustados

17 4.1. Investimentos Socialmente Responsáveis (SRI) nos países da OCDE - I! Mudanças nas legislações em países da OCDE, com introdução de dispositivo de que os fundos de pensão devem considerar nos seus princípios de investimento critérios sociais, éticos e ambientais: Reino Unido (1999), atualmente 78% dos fundos britânicos são investidos conforme esta regra; Alemanha (2000); França (2001); Bélgica; Austrália (1998). Em processo de mudança: Canada, Austria, Suíça e Suécia.!Criação de mercados para SRI s e índices que medem a performance de empresas socialmente responsáveis (ex: Domini Social Index DSI 400, Down Jones Susteainability Index DJSI e o FTSE4). Entre 1990 e 2000 DSI 400 e o DJSI obteviveram melhor performance do que o S&P 500

18 4.2. Investimentos Socialmente Responsáveis (SRIs) nos países da OCDE - II!Vantagens:! estímulo de mercado para que as empresas adotem valores de responsabilidade social! compatilidade entre objetivos financeiros e sociais!riscos:! conflitos de interesse, abrangência e flexibilidade na definição de responsabilidade social! restrições para investimentos em países emergentes (nova cláusula social?)

19 5.1. Investimentos Economicamente Orientados (ETIs) nos países da OCDE - I! Teoria: Falhas de mercado fazem com que alguns tipos de investimentos que produzem externalidades positivas não tenham financiamemto adequado. Governos devem intervir criando mecanismos para canalizar recursos de longo prazo de fundos de pensão para estes investimentos (Watson (1994) Nofsinger (1998), Munnel e Sundem (1999))! Formas de operacionalização dos ETIs:! Mandatórios Governo estabelece obrigações de investimentos (Japão, Coréia do Sul e outros países asiáticos)! Induzidos Governo atua nas estruturas de governança dos fundos de pensão (fundos de servidores públicos estaduais nos EUA- Connecticut, Pennsylvania, Missouri, Nova York, Nova Jersey e Califórnia)! Incentivados Canadá

20 5.2. Investimentos Economicamente Orientados (ETIs) nos países da OCDE - 2! Evidência: Vários estudos empíricos para os que fundos economicamente direcionados tiveram performance abaixo da média. Entretanto, estes estudos não captam os benefícios sociais dos investimentos! Lições da experiência internacional em relação aos ETI s! Investimentos incentivados são mais eficientes que induzidos ou mandatórios! Viabilização dos ETIs deve passar pelo mercado de capitais, e não pelo controle direto dos fundos de pensão sobre os projetos! Liquidez: intrumentos financeiros devem trazer critérios claros de entrada e saída do investimento! Garantias de retorno compatível com a meta atuarial (?)

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