EXPLORANDO A CONSTRUÇÃO DE MACROS NO GEOGEBRA



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Transcrição:

EXPLORANDO A CONSTRUÇÃO DE MACROS NO GEOGEBRA Valdeni Soliani Franco Universidade Estadual de Maringá vsfranco@uem.br Karla Aparecida Lovis Universidade Estadual de Maringá vsfranco@uem.br Resumo: Em geral, os softwares de geometria dinâmica podem substituir satisfatoriamente o caderno de desenho geométrico e auxiliam o professor e o aluno no aprendizado de Geometria. Uma das funções disponibilizada por esses softwares é a possibilidade de arrastar figuras ou partes de figuras na tela do computador, sem perder os vínculos estabelecidos inicialmente. Essa função enfatiza a diferença entre desenhar e construir figuras, contribuindo para a aprendizagem dos conceitos geométricos. São muitas as opções dadas por esses softwares em suas ferramentas de construção, mas existe uma infinidade de possibilidades quando utilizamos a ferramenta para construção de macros, que nos fornece a possibilidade para construir novas ferramentas que podem ser utilizados de uma maneira direta. Este minicurso tem como um de seus objetivos, fazer a construção de alguns macros, especificamente no software GeoGebra, para serem utilizados na Geometria Euclidiana e também em alguns modelos de Geometrias Não Euclidianas. Palavras-chave: Educação Matemática; GeoGebra; Educação Básica. O Ensino da Geometria As décadas de 1950 e 1960 foram marcadas pelo Movimento da Matemática Moderna MMM, inspirado em um projeto internacional que provocou mudanças educacionais em vários países: França, Estados Unidos, Alemanha, entre outros. No Brasil, a influência predominante na introdução ao MMM foi francesa, devido aos cursos ministrados por matemáticos franceses, na Universidade de São Paulo, nas décadas de 1940 e 1950. No entanto, o ensino de Geometria Euclidiana, com ênfase nas estruturas algébricas e linguagem simbólica da teoria dos conjuntos, não ocorreu na prática. Segundo Bertonha (1989), a Geometria lecionada nos cursos de licenciatura não adequava seus currículos as necessidades da disciplina para que os professores formados pudessem ministrá-la no ensino de primeiro e segundo grau. 1

A falta de preparo, dos professores da época, fez com que muitos docentes deixassem de ensinar Geometria sobre qualquer enfoque. Com a reorganização do ensino pela Lei 56.792/71 que dava autonomia para que o professor elaborasse seu programa de acordo com as necessidades dos alunos, muitos professores passaram a valorizar o ensino de Aritmética e Álgebra, e deixavam a Geometria para o final do ano e, desta forma, acabava não sendo ensinada, principalmente sob a alegação da falta de tempo. Nacarato (2000) aponta que, ainda, na década de 70 iniciou-se um movimento em favor do resgate do ensino de Geometria, que se fez presente nas propostas curriculares oficiais e em algumas pesquisas produzidas na década de 80. Apesar das iniciativas, em resgatar o ensino de geometria, elas ainda não atingiram a maioria das escolas brasileiras, principalmente as públicas e as séries iniciais do Ensino Fundamental. Algumas pesquisas (ALMOULOUD, et al., 2004; NACARATO, 2000; PAVANELLO, 1989) apontam que o ensino de Geometria ainda é um problema nas escolas brasileiras e nos cursos de formação de professores. Nacarato (2000) destaca que os professores que tiveram suas formações nos anos 80 e 90, em escolas públicas e privadas não vivenciaram o ensino de Geometria, e quando o vivenciaram, foi um ensino reducionista e simplista, limitado ao reconhecimento e identificação de formas, sem levar em consideração a complexidade do pensamento geométrico (NACARATO, 2000, p. 159). É possível perceber o abando que o ensino de Geometria tem sofrido nas últimas décadas, e que esse abandono ainda acontece nas salas de aula. A preocupação com o ensino de Geometria Euclidiana está presente nas propostas curriculares de matemática. Mas, segundo Nacarato (2000) o professor precisa valorizar os conteúdos por meio de atividades interessantes para que estes se tornem importantes para o aluno, pois o êxito de um projeto de inovação curricular depende de como os professores a colocam em prática (NACARTO, 2000, p. 256). Além da valorização dos conteúdos é preciso que o professor conheça e compreenda os saberes que elas propõem. O Geogebra 2

Os softwares de Geometria Dinâmica, diferentes de outros softwares de Geometria, possuem um recurso que Gravina (1996) chamou de régua e compasso eletrônicos que possibilitam a construção em tempo real, mantendo as relações geométricas que caracterizam a situação. As construções são realizadas de modo que: [...] desenhos de objetos e configurações geométricas são feitos a partir das propriedades que os definem. Através de deslocamentos aplicados aos elementos que compõe o desenho, este se transforma, mantendo as relações geométricas que caracterizam a situação. Assim, para um dado objeto ou propriedade, temos associada uma coleção de desenhos em movimento, e os invariantes que aí aparecem correspondem às propriedades geométricas intrínsecas ao problema (GRAVINA, 1996, p. 4). Dessa forma, ao desenvolver atividades com o auxílio de um software de Geometria Dinâmica, o aluno tem a possibilidade de construir figuras e analisar se suas propriedades de fato são verificadas, formular argumentos válidos para descrever essas propriedades, fazer conjecturas e justificar os seus raciocínios. As figuras podem ser arrastadas na tela do computador sem perder os vínculos estabelecidos na construção. Além disso, é possível realizar construções que com lápis, papel, régua e compasso seriam difíceis, ou no mínimo gerariam imprecisões. O software de geometria dinâmica que utilizaremos no minicurso é o software GeoGebra. Este software foi desenvolvido pelo austríaco Markus Hohenwarter, no ano de 2002, e é de distribuição gratuita. O GeoGebra propicia ao professor trabalhar com conteúdos de Geometria, Álgebra e Cálculo. Com ele é possível fazer construções de: pontos, retas, circunferências ou círculos, segmentos, vetores, gráficos de funções, entre muitos outros recursos, e mudá-los posteriormente. O software possui a janela de álgebra e a janela geométrica, equações e coordenadas que também podem ser inseridas diretamente no campo de entrada. As construções feitas no GeoGebra são dinâmicas e interativas, o que faz do software um excelente laboratório de aprendizagem de Geometria. O software GeoGebra possui uma ferramenta muito importante que nos dá a possibilidade de construir novas ferramentas, que podem em muitos casos facilitar a construção de novos objetos geométricos. Essa ferramenta fornece, portanto, a construção de macros. 3

O A inclusão de recursos tecnológicos na educação e as possibilidades de uso é uma ferramenta que pode auxiliar o professor no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos de matemática e ainda preparar os alunos para o mundo em que terão que viver. Santaló (2006) defende que a introdução de recursos tecnológicos deve acontecer o mais cedo possível, uma vez que é preciso educar também no pensar informático, já que não é o mesmo atuar em um mundo sem computadores se no mundo atual, cheio de botões e teclados para apertar e telas para ver, é mais do que livros, catálogos ou formulários para ler (SANTALÓ, 2006, p. 18). Valendo-se dessas considerações, nos propomos ministrar este minicurso que pretende mostrar a importância de se conhecer a geometria para poder utilizar um software de geometria dinâmica, e por outro lado, observar que o uso dessa tecnologia pode facilitar a construção de conceitos e resultados da própria geometria. A construção de macros também será abordada durante o minicurso, e para isso, será necessário conhecer alguns conceitos e resultados da geometria. Aproveitaremos o estudo da Geometria Euclidiana no GeoGebra para descrevermos a origem da Geometria Euclidiana e das Geometrias Não Euclidianas, destacando seus aspectos matemáticos e filosóficos. Referências ALMOULOUD, Saddo Ag et al. A geometria no ensino fundamental: reflexões sobre uma experiência de formação envolvendo professores e alunos. In: Revista Brasileira de Educação, n.27, 2004. BERTONHA, Regina A. O ensino de Geometria e o dia-a-dia na sala de aula. Dissertação (Mestrado em Educação) Unicamp, Campinas, 1989. 239 f. GRAVINA, Maria Alice. Geometria Dinâmica uma nova abordagem para o aprendizado da Geometria. In: VII SIMPÓSIO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, 1996, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte, 1996, p.1-13. NACARATO, Adair M. Educação Continuada sob a Perspectiva da Pesquisa-Ação: Currículo em ação de um grupo de professores ao aprender ensinando Geometria. Tese (Doutorado em Educação) Unicamp, Campinas, 2000. 223f. 4

PAVANELLO, Regina Maria. O abandono do ensino da Geometria: uma visão histórica. Dissertação (Mestrado em Educação) Unicamp, Campinas, 1989. 164f. SANTALÓ, Luis A. La Geometría en la formación de professores. Buenos Aires: Red Olimpica, 1993.. Matemática para não-matemáticos. In: PARRA, Cecilia; SAIZ, Irma (Org.). Didática da Matemática: reflexões psicopedagógicas. Tradução: Juan Acuna Llorens. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006. Software GeoGebra. Disponível em: <http://www.geogebra.org>. Acesso em: 20 mar. 2010. 5