2. Normas para avaliação e para a indicação de fungicidas CAPÍTULO I DOS ENSAIOS PRELIMINARES Art. 1 - Os ensaios preliminares têm por objetivo a seleção de fungicidas visando sua inclusão em Ensaios Cooperativos em rede. Art. 2 - Os ensaios preliminares devem ser realizados por empresas privadas ou oficiais, segundo normas estabelecidas pela Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo (CBPTT), descritas no Art. 3. Art. 3 - Da Organização dos Ensaios Preliminares 1 - Desenho Experimental - Blocos casualizados com 4 (quatro) repetições. Caso ocorra a perda de uma parcela, esta deve ser calculada utilizando-se os critérios estatísticos apropriados. 2 - Dimensão das Parcelas - As parcelas devem apresentar uma área mínima de 12 m 2. 3 - Localização dos Experimentos - A campo com infecção natural, em área de abrangência da CBPTT. 4 - Duração dos Ensaios - 2 (dois) anos em 1 (um) local ou 1 (um) ano e, no mínimo, em 2 (dois) locais. 5 - Manejo da Cultura - De acordo com a recomendação da CBPTT. 6 - Cultivar - A mesma utilizada nos ensaios cooperativos em rede, a ser determinada por ocasião da reunião da CBPTT e tendo a característica de ser suscetível às doenças a serem avaliadas. 7 - Aplicação dos defensivos - Pulverizador de precisão com pressão constante, barras com bicos cone tipo D2 13 ou similares, espaçados de 25 cm, e volume de calda de aproximadamente 200 L/ha. 8 - Avaliações: a) Intensidade de doenças - as avaliações devem ser realizadas antes de cada aplicação e a intervalos de 7 (sete) a 10 (dez) dias, para possibilitar a observação do período de persistência dos produtos. b) Rendimento de grãos - Corrigido em função do peso do hectolitro. Os dados deverão sempre ser acompanhados da precipitação pluviométrica ocorrida no decorrer do experimento. 9 - Tratamento Padrão - A eficácia dos fungicidas deve ser determinada através da comparação com um tratamento-padrão indicado, devendo produtos de ação sistêmica serem comparados com o padrão sistêmico e os de ação residual com o padrão
preventivo. O tratamento padrão deve ser um produto (ou mistura) que atualmente seja indicado pela pela CBPTT. CAPÍTULO II DOS CRITÉRIOS PARA PROMOÇÃO Art. 4 - Os produtos ou misturas, para serem promovidos aos ensaios em rede, devem apresentar, em presença de alta incidência da(s) doença(s), um controle no mínimo equivalente aos tratamentos considerados padrões e rendimentos estatisticamente superior à testemunha sem fungicida, utilizando-se para análise o teste de Duncan a 5 %. Não devem ser considerados os resultados de experimentos com coeficiente de variação (CV) superior a 25 % para rendimentos de grãos ou quando comprovadamente prejudicados. Art. 5 - Para inclusão de fungicidas nos ensaios em rede a serem realizados sob orientação da CBPTT, através da Subcomissão de Fitopatologia, deve ser encaminhada solicitação por escrito às Instituições de Pesquisa e à Coordenação da CBPTT até 10 (dez) dias antes da reunião dessa Comissão. Único - O encaminhamento da solicitação para teste do(s) fungicida(s) pela empresa interessada deve ser acompanhada, no mínimo, das seguintes informações: dados toxicológicos que permitam segurança com relação ao manuseio do produto, tais como, DL50 (oral e dermal) e precauções a serem tomadas; grupo químico a que pertence; dose(s) a ser(em) testada(s); doenças que controla; concentração e tipo de formulação; resultados de experimentação do produto para o trigo, em condições brasileiras, no mínimo relativos a 1(um) ano; identificação do produto. CAPÍTULO III DOS ENSAIOS EM REDE Art. 6 - Os produtos ou misturas que compõem os ensaios cooperativos são determinados anualmente na reunião da CBPTT. Art. 7 - A metodologia utilizada nos ensaios em rede é a mesma dos ensaios preliminares, descrita no Art. 3. porém para maior segurança na obtenção dos resultados, poderá ser adotada a prática da inoculação artificial a campo. Art. 8 - Os produtos ou misturas devem permanecer em teste por um período mínimo de 2 (dois) anos ou, no mínimo, 3 locais em um ano para cada patógeno a ser avaliado. CAPÍTULO IV
DOS CRITÉRIOS PARA A INDICAÇÃO DE FUNGICIDAS Art. 9 - A proposta de indicação de produtos ou misturas deve conter resultados abrangendo 2 (dois) anos e 2 (dois) locais, ter dados de, no mínimo, 3 (três) experimentos cooperativos em rede realizados nesse período na área de abrangência das antigas Comissões de Pesquisa e, estar registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para a cultura do trigo. Art. 10 - Para recomendação, os tratamentos com produtos ou misturas devem apresentar rendimentos de grãos estatisticamente superiores à testemunha apropriada e, no mínimo, equivalente ao tratamento padrão, observando-se o disposto nos parágrafos 1 e 2 deste artigo. 1 - No caso de serem apresentados resultados de apenas 3 (três) experimentos, os produtos ou misturas só podem ser indicados se a superioridade à testemunha e a equivalência ao tratamento padrão for observada na totalidade dos experimentos. 2 - No caso de serem apresentados resultados de mais experimentos, os produtos ou misturas só podem ser recomendados se a superioridade à testemunha e a equivalência ao tratamento padrão for observada em, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos experimentos. Art. 11 - Para ser indicado o produto ou mistura deve apresentar eficácia de controle igual ou superior, em números absolutos, ao tratamento considerado padrão. Único - A CBPTT se reserva o direito de não recomendar um determinado fungicida, apesar da eficácia, quando constatados problemas graves de toxicologia ou efeitos altamente nocivos sobre o meio ambiente. Art. 12 - Alterações das doses de ingrediente ativo por hectare recomendadas, devem também obedecer o disposto nos Art. 9, 10 e 11. Art. 13 - Nas recomendações dos fungicidas devem constar no mínimo: nome técnico; modo de ação; dose de i.a./ha; persistência (dias); doenças que controla; índice de segurança; carência; classe toxicológica. registro no Ministéro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com extensão de uso para a cultura do trigo. CAPÍTULO V DOS CRITÉRIOS PARA A RETIRADA DE RECOMENDAÇÃO
Art. 14 - Os produtos ou misturas indicadas podem ser avaliados, utilizando-se a mesma metodologia dos ensaios em rede. Poderão ser retirados de recomendação os produtos ou misturas que não apresentarem produção estatisticamente superior à testemunha. Art. 15 - Ensaio de Laboratório CAPÍTULO VI DO TRATAMENTO DE SEMENTES 1 - A fungitoxicidade dos produtos deve ser avaliada em experimentos conduzidos em laboratório, individualmente, para cada um dos principais patógenos veiculados a sementes de trigo, a saber: Bipolaris sorokiniana, Stagonospora nodorum, Drechslera tritici-repentis e Fusarium graminearum. 2 - Devem ser usadas no mínimo 4 (quatro) repetições com 100 (cem) sementes. Desaconselha-se o uso de mais de 10 (dez) sementes por placa de petri. 3 - Lotes com menos de 20% de sementes infectadas por Bipolaris sorokiniana, não devem ser considerados para teste. 3 - Recomenda-se que os testes sejam realizados com sementes com diferentes níveis de incidências, objetivando avaliar a amplitude do controle. 4 - A técnica padronizada mais prática é o teste do papel de filtro. Em lotes com alta infestação com fungos contaminantes, aconselhando-se que as sementes sofram uma desinfestação com hipoclorito de sódio (solução contendo 2,75%) por 1 (um) minuto. Lavar a semente com água esterilizada, deixando secar no ar ou em câmara de fluxo laminar. A incubação deve ser efetuada a 20-25 C, fotoperíodo de 1 2 horas com luz fluorescente. 5 - A eficácia de um tratamento deve ser avaliada através da contagem do número de colônias desenvolvidas, estabelecendo-se a percentagem de controle em relação à testemunha sem fungicida. Art. 16 - Ensaios em casa-de-vegetação Os ensaios para verificar o controle da transmissão deverão ser conduzidos em substrato de areia. Art. 17 - Ensaio de Campo 1 - Usar sementes do mesmo lote utilizado nos testes de laboratório. 2 - O ensaio deve ser realizado em área com, no mínimo, 3 (três) invernos sem cereais de inverno. 3 - A área útil da parcela deve ser de, no mínimo, 3 m 2. 4 - Avaliações a serem efetuadas: data de emergência; densidade de plantas aos 10 dias e aos 20 dias após a emergência; fitotoxicidade, conforme a seguinte escala: 1 = sem danos visíveis 2 = danos leves
3 = danos moderados, com leve redução de stand 4 = danos severos, com sensível redução de stand 5 = danos muito severos, com forte redução de stand número de plântulas manifestando sintomas em coleóptilos ou primeiras folhas. rendimento de grãos (sem controle de doenças da parte aérea). 5 - Devem ser usados como tratamentos testemunhas padrões, nas doses recomendadas, os fungicidas Thiran + Iprodione e triadimenol para controle de Bipolaris sorokiniana e Stagonospora nodorum. Art. 18 - Das Indicações 1 - O produto deve estar registrado para tratamento de semente no Ministério Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para a cultura do trigo. 2 - O produto ou mistura deve apresentar eficácia de controle de Bipolaris sorokiniana, Stagonospora nodorum e Drechslera tritici-repentis mínima de 90 % em ensaios de laboratório. 3 - Não reduzir o rendimento de grãos, a campo, em mais de 5 % em relação à ao tratamento padrão, considerando-se os resultados de, no mínimo, 2 (dois) ensaios no mesmo ano em locais diferentes, ou 2 (dois) anos no mesmo local. 4 - Os produtos ou misturas não deverão reduzir estatisticamente a emergência quando comparada com os produtos padrões utilizados no ensaio. 4 - As indicações devem ser baseadas em ensaios conduzidos em laboratório e a campo. CAPÍTULO VII DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 19 - Os casos omissos serão resolvidos pela CBPTT.