3. ARCABOUÇO TECTÔNICO 3.1 Localização e Embasamento Tectônico A região auscultada pela linha L3 compreende o Triângulo Mineiro e a porção central do Estado de Minas Gerais. Essa linha possui direção aproximada SW-NE, e começa na porção NE da Bacia do Paraná, atravessa a Faixa de Dobramentos Brasília, e penetra as coberturas do Cráton de São Francisco, deste modo a linha de RSP atravessa a porção NE da Província Tectônicas Paraná, a porção SE da Província Tectônica Tocantins e a porção SW da Província Tectônica São Francisco. (Figura 3.1) A Província Tocantins, uma mega-entidade litotectônica, de direção aproximadamente N-S, erigida entre os Crátons Amazônico e São Francisco-Congo (Almeida et al., 1981) no ciclo orogenético Pan-Africano/Brasiliano, durante o Neoproterozóico, ocasião em que amalgamou-se o supercontinente do Gondwana (Unrug, 1992; Trompette, 1994). Este supercontinente viria a fragmentar-se de novo, a partir do Paleozóico- Mesozóico, resultando na abertura dos oceanos Atlântico e Índico atualmente conhecidos e na individualização dos atuais continentes da América do Sul, África e Antártida, no sub-continente da Austrália e na formação do bloco continental da Índia. O conhecimento geológico atual sugere fortemente que a Província Tocantins formou-se pela colisão dos crátons Amazônico e São Francisco-Congo. Por suas dimensões sub-continentais (aproximadamente 1000 km de comprimento N-S por 400 km de largura E-W) os setores Central e Sudeste da Província Tocantins exibem uma diversidade de terrenos geológicos que os caracterizam como
22 PAF AE BP ARX BU IBF BUB CAQ Figura 3.1 - Mapa geológico simplificado da região de estudo mostrando a Linha L3 de RSP, com a localização das explosões ( ). A simbologia está explicada no texto.
provavelmente o remanescente do mais completo orógeno Neoproterozóico da América do Sul, comparável em escala e em feições com cadeias de montanhas colisionais modernas como os Alpes e os Himalaias. A Província Tocantins compreende as faixas de dobramentos Brasília, Araguaia e Paraguai que são constituídas por sedimentos e tectonitos de fácies metamórfico até xisto verde-anfibolito, derivados principalmente de rochas sedimentares e vulcânicas de idades Paleo-Meso a Neoproterozóicas. A região de estudo foi afetada pelo ciclo geodinâmico Brasiliano (450-700 Ma) que provocou diversas faixas de dobramentos no território brasileiro, entre as quais a Faixa de Dobramentos Brasília, conforme se mostra no mapa da Figura 3.2. Essa faixa encontra-se entre a cobertura fanerozóica da Bacia do Paraná e as coberturas proterozóicas do Cráton de São Francisco. 3.2 Seqüência Geocronológica As formações geológicas presentes na região de estudo são mostradas de acordo com a seqüência geocronológica desde o Arqueano até a atualidade. O Arqueano, na região de estudo, está representado por granitos e granitóides (ga1) retrabalhados no Ciclo Brasiliano, distribuidos nas proximidades da linha L3, conforme mostrado na Figura 3.3. As formações geológicas, dessa região, correspondentes ao período Proterozóico Médio estão mostradas na Figura 3.4. Na parte superior dessa figura, observa-se em vermelho rochas correspondentes à Formação Paracatu (PAF) composta de quartzitos e filitos carbonosos ou não. A lado e abaixo, em porções menores (em laranja escuro), apresentam-se dolomitos, cherts, metapelitos e fosforitos, correspondentes à Formação Vazante (VAD). O restante da área colorida 23
(laranja claro) apresentam-se quartzitos e filitos correspondentes ao Grupo Canastra (CAQ). As formações correspondentes ao período Proterozóico Superior apresentamse na Figura 3.5. A área de cor laranja corresponde a micaxistos, anfibolitos, quartzitos, gnaisses e formação ferrífera do Grupo Araxá (ARX). A área de cor verde claro (IBF) corresponde aos filitos da Formação Rio Verde pertencente ao Grupo Ibiá. E a área de cor azul (BP) corresponde às rochas formadas por calcário, marga, dolomito, folhelho, argilito, siltito, arenito, arcóseo e silex restritos do Subgrupo Paraopeba (Grupo Bambuí - Supergrupo São Francisco). O período Mesozóico está representado na Figura 3.6. A oeste, a região em verde claro (BU) corresponde aos arenitos, arenitos calcíferos, conglomerados e calcários da Formação Marília (Grupo Bauru). A região em verde médio () corresponde aos basaltos toleíticos com intercalações de arenito e diabásios da Formação Serra Geral (Grupo São Bento). E a região em verde escuro (BUB), próxima à cidade de Uberaba, corresponde aos arenitos, conglomerados e pelitos vulcanoclásticos da Formação Uberaba (Grupo Bauru). A região central da figura, no sentido centro-sul mostra, respectivamente, Suíte Alcalina Salitre (LS), Suíte Alcalina Araxá (LA) e Suíte Alcalina Tapira (LT), todas na cor verde. E a leste, em verde mais claro (), os arenitos sineríticos da Formação Capacete (Grupo Mata da Corda) e em verde escuro (AE), os arenitos, conglomerados, pelitos, calcretes e cherts do Grupo Areado. Na Figura 3.7, apresentam-se as unidades geológicas correspondentes ao período Cenozóico. Na parte central da figura, em verde (), observam-se coberturas detrítico-lateríticas, detriticas e eluvionares em superfície de aplainamento. 24
O conjunto de todas as unidades geológicas conforme se apresentam na época atual é mostrado na Figura 3.8. Figura 3.2 - Regiões, sistemas e faixas de dobramentos do ciclo Brasiliano e crátons relacionados ( Schobbenhaus, 1984) 25
26 PAF CAQ VAD CAQ 48 O 47 O 46 O O 48 47 O 46 O Figura 3.3 - Arqueano Figura 3.4 - Proterozóico Médio
27 Figura 3.5 - Proterozóico Superior Figura 3.6 - Mesozóico LS LA LT AE ARX BP IBF BU BUB 48 O 47 O 46O 48 O 47 O 46 O
28 Figura 3.7 - Cenozóico Figura 3.8 - Época Atual PAF LA LT LS BP IBF CAQ AE VAD ARX BU BUB 48 O 47 O 46 O 48 O 47 O 46 O