PAGINA 1 BÍBLIA PASSO A PASSO NOVO TESTAMENTO 3. COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS (Parte 3) VERSÕES DA BÍBLIA PARA NOSSOS DIAS JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA EIDA: Filho de pais católicos, João Ferreira de Almeida nasceu na localidade de Torre de Tavares, concelho de Mangualde, em Portugal. Ficou órfão ainda criança e veio a ser criado na cidade de Lisboa por um tio que era membro de uma ordem religiosa. Pouco se sabe sobre a infância e início da adolescência de Almeida, mas afirma-se que teria recebido uma excelente educação visando a sua entrada no sacerdócio. Não se sabe o que teria levado Almeida a sair de Portugal, mas isso isso aconteceu pela sua revolta ao ver pessoas sendo destruidas face à forte influência exercida pela Inquisição em Portugal. Viajou para a Holanda e, aos 14 anos, embarcou para a Ásia, passando pela Batavia (actual Jacarta), na ilha de Java, Indonésia. Naquela época, a Batávia era o centro administrativo da Companhia Holandesa das Índias Orientais, no sudeste da Ásia. Sua conversão ao protestantismo Ao velejar entre Batávia e Malaca, na Malásia, Almeida, aos 14 anos de idade, leu um folheto protestante, em espanhol, intitulado "Diferencias de la Cristandad" (Diferenças da Cristandade). Este panfleto atacava algumas das doutrinas e conceitos católicos, incluindo a utilização de línguas incompreensíveis para o povo comum, tal como o latim, durante os ofícios religiosos, e o sofrimento que a Igreja Católica impunha pela inquisição. Isto provocou um grande impacto em Almeida sendo que, ao chegar a Malaca, converteu-se à Igreja Evangelica Reformada Holandesa, em 1642, e dedicou-se imediatamente à tradução de trechos dos Evangelhos, do castelhano para o português.
PAGINA 2 Tradução da Bíblia Dois anos mais tarde, João Ferreira de Almeida lançou-se num enorme projeto: a tradução do Novo Testamento para o português, usando como base parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol da tradução de Reyna Valera, 1569. Almeida usou também, como fontes nessa tradução, as versões: Latina (de Beza), Francesa (Genebra, 1588) e Italiana (Diodati, 1641) - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. O trabalho foi concluído em menos de um ano quando Almeida tinha apenas 16 anos de idade. Apesar da sua juventude, enviou uma cópia do texto ao governador-geral holandês, em Batávia. Crê-se que a cópia teria sido enviada para Amesterdã, mas a pessoa que era responsável pela publicação do texto, faleceu, resultado do empenho da tradução da Bíblia, desaparecendo assim o trabalho de Almeida. Em 1651, ao lhe ser solicitada uma cópia da sua tradução para a Igreja Reformada na ilha de Ceilão, (actual Sri Lanka), Almeida descobriu que o original havia desaparecido. Lançando-se de novo ao trabalho, partindo de uma cópia ou rascunhos anteriores do seu trabalho, Almeida concluiu no ano seguinte uma versão revista dos Evangelhos e do livro de Atos dos Apóstolos. Em 1654, completou todo o Novo Testamento mas, uma vez mais, nada foi feito para imprimir a tradução, sendo realizadas apenas algumas poucas cópias manuscritas. Almeida entrou no ministério da Igreja Reformada Holandesa, primeiramente como capelão (visitador de doentes) e, em seguida, como "pastor suplente". Em 1656, foi submetido a exame em matérias teológicas e, tendo sido aprovado, foi ordenado para o ministério pastoral e missionário. Naquela época o ordenação de pastores dependia de grande conhecimento teológico.
PAGINA 3 Serviu primeiro em Ceilão e depois na Índia, sendo considerado um dos primeiros missionários protestantes a visitar aquele país, visto que servia, como missionário convertido, ao serviço de um país estrangeiro, e ainda devido à exposição direta do que considerava ser doutrinas falsas da Igreja Católica, bem como à denúncia de corrupção moral entre o clero, e as barbaridades feita pela inquisição. Pela tradução da Bíblia para o portuguuês, muitos entre as comunidades de língua portuguesa passaram a considerará-lo apóstata e traidor. Esses confrontos resultaram num julgamento por um tribunal da Inquisição em Goa, Índia, em 1661, sendo sentenciado à morte por heresia e devia ser queimado vivo na fogueira. O governador-geral da Holanda tomando conhecimento da sentença, chamou-o de volta à Batávia, evitando assim a consumação da sentença. Em 1676, Almeida apresentou o seu trabalho de tradução do Novo Testamento ao consistório da Igreja Reformada em Batávia, para revisão. As relações entre Almeida e os revisores da tradução ficaram tensas, especialmente devido a diferenças de opinião sobre o significado de algumas palavras em grego trazidas para o português e também sobre o estilo do português usado. Isto resultou em grande demora no trabalho de revisão, sendo que quatro anos depois ainda se discutiam os capítulos iniciais do Evangelho de Lucas. Almeida decidiu assim, sem o conhecimento dos revisores, enviar uma cópia para a Holanda visando a sua publicação. Apesar da reação negativa do consistório em Java, a versão em português do Novo Testamento foi finalmente impressa em Amesterdã, em 1681, tendo as cópias chegado à Ásia no ano seguinte. No entanto, os revisores conseguiram fazer valer a sua posição, introduzindo alterações ao trabalho de Almeida. Porém, o governo holandês concordou com a insatisfação de Almeida e mandou destruir toda a primeira impressão, que sofreu alterações dos revisores. Ainda assim, Almeida conseguiu salvar algumas
PAGINA 4 cópias sob a condição de que, até nova impressão, os erros principais fossem corrigidos à mão. Outros revisores em Batávia reuniram-se novamente para completar a verificação do Novo Testamento e avançar para o Velho Testamento à medida que Almeida o fosse completando. Em 1689, já com a saúde bastante abalada, Almeida deixou o trabalho missionário para se dedicar por completo ao trabalho de tradução. Veio a morrer em 1691 enquanto traduzia o último capítulo de Ezequiel. Coube ao seu amigo e revisor Jacobus op den Akker completar a tradução em 1694. Tradução após a morte de Almeida A segunda edição do Novo Testamento em português, revista pouco antes da morte de Almeida, veio a ser publicada em 1693. No entanto, alguns historiadores afirmam que, uma vez mais, esta segunda edição foi desfigurada pela mão dos revisores. Perdendo-se a motivação para a continuação do trabalho de tradução da Bíblia para o português na Ásia, foi a pedido dos missionários dinamarqueses em Tranquebar, no sul da Índia e então parte da Índia Dinamarquesa, que uma sociedade inglesa, a Society for Promoting Christian Knowledge, em Londres, financiou a terceira edição do Novo Testamento de Almeida, em 1711. Durante o Século XIX, a British and Foreign Bible Society e a American Bible Society distribuíram milhares de exemplares da versão de Almeida em Portugal e nas principais cidades do Brasil. Isto resultou em tornar a Tradução João Ferreira de Almeida um dos textos mais populares das Escrituras em língua portuguesa, sendo especialmente usada pelos evangélicos lusófonos, isto é, os evangélicos que falavam ou conheciam a lingua portuguesa. Atualmente é editada no Brasil, principalmente pela Sociedade Bíblica do Brasil e pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil
PAGINA 5 BÍBLIA NA NOVA VERSÃO INTERNACIONAL Características Essa tradução foi feita a partir das línguas em que os textos bíblicos foram originalmente escritos (hebraico, aramaico e grego), a NVI foi produzida com o seguintes objetivos fundamentais: Clareza - O texto foi traduzido de forma que pudesse ser lido pela população em geral sem maiores dificuldades, porém sem ser demasiadamente informal. Arcaísmos, por exemplo, foram banidos, e regionalismos evitados. Fidelidade - A tradução deve ser fiel ao significado pretendido pelo autor original. Beleza de estilo - O resultado deve permitir uma leitura agradável, e uma boa sonoridade ao ser falado em público. O projeto de tradução para a língua portuguesa começou em 1990, com a reunião da comissão da Sociedade Bíblica Internacional, sob coordenação do lingüista e hebraista, Rev. Luiz Sayão. Inicialmente foi publicada uma versão do Novo Testamento, em 1994. O projeto foi totalmente patrocinado pela International Bible Society, ainda que difundida e vendida por outras editoras. A editora Zondervan, tradicional casa publicadora de linha reformada norteamericana de origem holandesa, conhecida publicadora de Bíblias por décadas, como a King James Version, a Berkeley Version, a
PAGINA 6 Amplified Bible e a NIV, teve participação divulgação e distribuição da NVI, ainda que não em sua elaboração. A tradução definitiva e completa em português foi publicada em 2001, a partir das línguas originais, com base na mesma filosofia tradutológica da New International Version (NIV). Os membros da comissão de tradução foram, conforme o livro NVI: a Bíblia do Século 21, publicado por Sociedade Bíblica Internacional e Editora Vida: Abraão de Almeida Betty Bacon Carl J. Bosma Carlos Osvaldo Cardoso Pinto Estevan F. Kirschner Luís Alberto Teixeira Sayão (coordenador) Martin Weingaertner Odayr Olivetti Paulo Mendes Randall K. Cook Rubens C. Damião Russell Shedd Valdemar Kroker William Lane A NVI tem um perfil Protestante, e procura não favorecer nenhuma denominação em particular. É teologicamente equilibrada e procura usar a linguagem do português atual. O processo de tradução da NVI contou com a participação de renomados estudiosos protestantes como Russell Shedd, Estevan Kirschner, Luiz Sayão, Carlos Osvaldo Pinto e Randall Cook (arqueólogo em Israel).
PAGINA 7 O método de tradução da Nova Versão Internacional é semelhante ao da New International Version (tradução em língua inglesa também produzida pela Sociedade Bíblica Internacional), que é um nível de tradução intermediário entre a equivalência formal e a dinâmica: quando o texto pode ser traduzido mais literalmente, é utilizada equivalência formal. Contudo, se o texto traduzido literalmente for difícil de entender para um leitor comum, então é feita uma tradução mais funcional, procurando trazer o significado pretendido no original para um português natural e compreensível. Por esse motivo, em geral a NVI é mais "dinâmica" que as traduções de Almeida, porém mais "literal" que a Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Apesar das semelhanças entre a Nova Versão Internacional e a New International Version, a versão brasileira não é uma tradução da língua inglesa, mas sim dos idiomas originais. Notas de rodapé são freqüentes na NVI. Elas trazem explicações de todo tipo e em alguns casos apresentam traduções alternativas (inclusive qual seria a tradução literal). Pacto de Lausanne Todos os tradutores da NVI são aderentes ao Pacto de Lausanne: "Afirmo a divina inspiração, fidelidade e autoridade de todas as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento como a única Palavra escrita de Deus, sem erro em tudo o que afirma, sendo a regra infalível de fé e prática".(pacto de Lausanne foi um grande congresso mundial de evangélicos que ocorreu em 1974 em Lausana, Suíça, onde foi criado o CONCILIO MUNDIAL DE IGREJAS EVANGÉLICAS, solicite sua cópia do Pacto via E-mail que atenderei com prazer) NOVA TRADUÇÃO LINGUAGEM DE HOJE Surgimento
PAGINA 8 A versão foi desenvolvida pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil, num processo que tomou 12 anos de pesquisas, buscando manter o texto com significado mais próximo aos textos originais hebraico, aramaico e grego. A NTLH é uma revisão da Bíblia na Linguagem de Hoje, lançada em 1988. Porém, ela recebeu uma revisão tão profunda que é considerada pela própria SBB como uma nova tradução das Escrituras Sagradas. Linguagem Sua linguagem mais simples e coloquial, a NTLH é voltada às pessoas que ainda não tiveram nenhum ou pouco contato com a leitura bíblica clássica e, pelo que se propõe como ferramenta de evangelização. A nova versão, contudo, não utiliza gírias ou regionalismos, fator que, segundo a Comissão de Tradução, não permitiu que se perdesse o estilo bíblico. Os princípios seguidos nesta revisão foram os mesmos que nortearam o trabalho da tradução na Linguagem de Hoje. A tradução de João Ferreira de Almeida e, também, outras boas traduções existentes em português, seguiram os princípios da tradução de equivalência formal. A NTLH, norteou-se pelos princípios de tradução de equivalência funcional ou dinâmica. Comparação entre versões Gênesis 1.1, 2: Almeida Revista e Corrigida (ARC): No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Almeida Revista e Atualizada (ARA): No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia;
PAGINA 9 havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): No começo Deus criou os céus e a terra. A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o Espírito de Deus se movia por cima da água. Levítico 20.13: ARC: Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. ARA: Quando também um homem se deitar com {outro} homem como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue {é} sobre eles. NTLH: Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte. Salmo 16.5: ARC: O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte. ARA: O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice; tu és o arrimo da minha sorte. NTLH: Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que eu tenho. O meu futuro está nas tuas mãos; tu diriges a minha vida. 1 Coríntios 13.4, 5: ARC: A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal.
PAGINA 10 ARA: O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece. Não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal. NTLH: Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. BÍBLIAS COM COMENTÁRIOS TEOLÓGICOS, POR TEMAS. Existem outros tipos de Bíblia, algumas com comentários teológicos. Exemplos: Bíblia de Sheed, Bíblia Max Lucado, Bíblia Pentecostal, etc. Outras, comentadas por temas, como a Bíblia de Estudo da mulher, Bíblia da família, Bíblia Batalha Espiritual e Vitória Financeira, etc.