HISTOLOGIA VEGETAL EPIDERME



Documentos relacionados
FACULDADES UNICEN - Primavera do Leste Curso de Agronomia 2 o Semestre Disciplina de Anatomia Vegetal

TECIDOS FUNDAMENTAIS PARÊNQUIMA

XILEMA PRIMÁRIO. Duas partes: Protoxilema e Metaxilema. Protoxilema: diferenciação ocorre cedo lacunas do protoxilema

HISTOLOGIA VEGETAL. Santo Inácio. Educação para toda a vida. Colégio. Jesuítas

É a parte da Botânica que estuda os tecidos

Parte subterrânea da planta, funções:

HISTOLOGIA VEGETAL. Profº. Amaral

TECIDOS VEGETAIS BOTÂNICA

MORFOLOGIA VEGETAL. Morfologia externa e interna da raiz e do caule PROFª SANDRA BIANCHI

TECIDOS FUNDAMENTAIS

Botânica Morfologia Tipos de células e tecidos vegetais

DESENVOLVIMENTO & HISTOLOGIA VEGETAL (TECIDOS)

MERISTEMA APICAL Meristema fundamental Tecidos fundamentais (parênquima, colênquima e esclerênquima) Xilema e floema primários (sistema vascular)

Biologia Fascículo 06 Lara Regina Parra de Lazzari

Profa. Dra. Wânia Vianna

TECIDO: é o conjunto de células morfologicamente idênticas que desempenham a mesma função.

Ultraestrutura da Parede Celular. Prof. Umberto Klock

Figura - Meristemas apicais. FOSKET, D.E. (1994). Plant Growth and Development.

Anatomia Vegetal UNIDADE 1 INTRODUÇÃO À ANATOMIA VEGETAL

Tecidos Vegetais. Professor: Vitor Leite

HISTOLOGIA VEGETAL. Tecidos vegetais

Classificação das Angiospermas. Professor: Vitor Leite

HISTOLOGIA VEGETAL EMBRIÃO

Sistema Vascular. Gregório Ceccantini. BIB 140 Forma e Função em plantas vasculares. USP Universidade de São Paulo

Sistema Vascular. Gregório C eccantini. BIB 140 Forma e Função em plantas vasculares. USP Universidade de São Paulo

CÉLULAS E TECIDOS VEGETAIS. Profa. Ana Paula Biologia III

FOLHA FOLHA. Base foliar Limbo. Pecíolo. Principais funções: fotossíntese e transpiração

Anatomia das plantas com sementes

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS Licenciatura em Ciências Exatas. Introdução à Biologia Vegetal

HISTOLOGIA VEGETAL. Tecidos Meristemáticos (embrionários)

Aula Multimídia. Prof. David Silveira

Escola da Apel Técnicas Laboratoriais de Biologia. Trabalho elaborado por:

CAULE ANATOMIA INTERNA

HISTOLOGIA VEGETAL 24/05/2017. Prof. Leonardo F. Stahnke

Tecidos e Órgão Vegetais

Sementes. Cotilédone. Endosperma. Coleóptilo. Folhas embrionárias Radícula Caulículo. Caulículo. Tegumento. Folhas embrionárias.

MERISTEMAS. Após o desenvolvimento do embrião. formação de novas células, tecidos e órgãos restritas. aos MERISTEMAS

Quais são os tecidos encontrados no corpo de uma planta?

Célula Robert Hooke (século XVII) Mathias Schleiden (1838) Theodor Swann Rudolf Virchow (1858)

ORIENTAÇÕES EXERCÍCIOS RESOLVIDOS RESUMO TEÓRICO. BIOLOGIA 3 Prof.: Vinícius (Minguado) LISTA 6.a HISTOLOGIA VEGETAL

Fisiologia Vegetal. Curso de Zootecnia Prof. Etiane Skrebsky Quadros

HISTOLOGIA VEGETAL BIOLOGIA. Histologia. Córtex Vestibulares - 7. Classificação dos tecidos vegetais:

Morfologia Vegetal de Angiospermas

Estrutura Anatômica de Órgãos Vegetativos (Raiz e Caule) Profª. M.Sc. Josiane Araújo

Tecidos Meristemáticos ou Embrionários

Os Tecidos das Plantas

GOIÂNIA, / / 2015 PROFESSOR: DISCIPLINA: SÉRIE: 2º. ALUNO(a):

Tecidos Vasculares. TECIDOS CONDUTORES - Introdução. Xilema primário. Procambio. Floema primário. Tecidos vasculares. Xilema.

EXERCÄCIOS DE HISTOLOGIA. 1- (PUC-2006) Associe o tipo de tecido animal Å sua correlaçéo:

Campus Dom Pedrito Curso de Enologia

Biologia Professor Leandro Gurgel de Medeiros

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2D

C O NJUNTIVO D I C E T

PROGRAMA DE DISCIPLINA

ÍNDICE. Apostila: Anatomia Vegetal Arruda 2011 A CONQUISTA DO AMBIENTE TERRESTRE: ORIGEM E DIVERSIFICAÇÃO DAS EMBRYOPHYTA 3

Mateco UCP - Civil. Comparação entre Propriedades mecânicas

AULA 6 CAPÍTULO 6 FLOEMA

TECIDOS. 1º ano Pró Madá

INTRODUÇÃO CITOLOGIA IA VEGETAL

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

TECIDO CONJUNTIVO. derme tendão

ANGIOSPERMAS II. 2. (Unesp 2016) Considere o seguinte experimento:

QUÍMICA CELULAR NUTRIÇÃO TIPOS DE NUTRIENTES NUTRIENTES ENERGÉTICOS 4/3/2011 FUNDAMENTOS QUÍMICOS DA VIDA

Histologia animal. Equipe de Biologia

Diversas funções no organismo: revestimento, absorção, secreção. Tecido epitelial e tecido conjuntivo. Prof. Mauro. Quanto ao formato da célula:

Educadora: Daiana Araújo C. Curricular:Ciências Naturais Data: / /2013 Estudante: 8º Ano

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS COMANDO DE ENSINO POLICIAL MILITAR

Profª. M.Sc.: Josiane Silva Araújo

11. Adaptações das plantas ao factor água HIDRÓFITAS XERÓFITAS MESÓFITAS HIDRÓFITAS HELÓFITAS XERÓFITAS MESÓFITAS Observações:

BOTÂNICA HISTOLOGIA VEGETAL PROFESSOR CÉSAR

Células-guarda: decisão do dilema fome x sede

AGENDA 2015 ATIVIDADE ESCLARECIMENTO

ANATOMIA HUMANA. Faculdade Anísio Teixeira Curso de Férias Prof. João Ronaldo Tavares de Vasconcellos Neto

Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Ossos

29/05/2016. Parede celular Celulose (polissacarídeo) = rigidez e sustentação; Reforço de lignina ou ceras;

Tecidos de revestimentos: Epiderme e periderme

Periciclo, xilema e floema primários

Células vivas, achatadas e justapostas. Apresentam cutícula. Possuem grandes vacúolos. Não possuem cloroplastos. Epiderme de cebola

Exercícios de Aprofundamento Bio Tecidos de sustentação e condução

TECIDO CONJUNTIVO HISTOLOGIA

ANATOMIA E FISIOLOGIA VEGETAL

substância intercelular sólida, dura e resistente.

Níveis de organização do corpo humano - TECIDOS. HISTOLOGIA = estudo dos tecidos

Biologia 2 Capítulos 5 e 6 Professor João ANGIOSPERMAS & HISTOLOGIA VEGETAL

TECIDO MUSCULAR CARACTERÍSTICAS

MADEIRAS MCC1001 AULA 12

27/11/2015. Parede celular Celulose (polissacarídeo) = rigidez e sustentação; Reforço de lignina ou ceras;

25/08/2011. Tipos de Meristemas: b) Parênquima (tecido vivo) c) Colênquima(tecido vivo) 2) Tecidos vegetais

Quais são as partes constituintes dos embriões? folha (s) embrionária (s) 2 em eudicotiledôneas

Plano de Aulas. Biologia. Módulo 13 Morfologia das plantas angiospermas

TRANSLOCAÇÃO DE SOLUTOS ORGÂNICOS

Células procarióticas

Biologia. Tecidos Vegetais. Professor Enrico Blota.

COLÉGIO JARDINS. Aluno: Data: / / SÉRIE: 1º A( ) B( ) Profº Marcos Andrade

Função orgânica nossa de cada dia. Profa. Kátia Aquino

Bio. Rubens Oda. Monitor: Sara Elis

O CITOPLASMA E SUAS ORGANELAS

Actividade Laboratorial Biologia 10º Ano. OBSERVAÇÃO DE CÉLULAS EUCARIÓTICAS VEGETAIS (Parte I Guião)

Bio. Bio. Rubens Oda. Monitor: Rebeca Khouri

COMO SURGEM OS TECIDOS

Transcrição:

HISTOLOGIA VEGETAL SISTEMA DE REVESTIMENTO O sistema de revestimento compreende a epiderme e a periderme. A primeira reveste a superfície do vegetal em crescimento primário, podendo ser substituída pela periderme nos órgãos que apresentam crescimento secundário. EPIDERME A epiderme geralmente é uniestratificada e se origina da protoderme. Quando ocorrem camadas subepidérmicas, pode-se tratar de epiderme pluriestratificada ou de hipoderme, sendo que a primeira deriva ontogeneticamente da protoderme e a segunda tem origem diversa, provindo do meristema fundamental. Velame é um exemplo de epiderme múltipla, que ocorre em raízes aéreas de orquídeas. Esse sistema de revestimento é constituído por células que formam uma camada compacta, desprovida de espaços intercelulares, entre as quais se encontram os anexos epidérmicos, representados geralmente pelos estômatos e tricomas. De um modo geral, as células epidérmicas são vivas, aclorofiladas, altamente vacuoladas e possuem forma, tamanho e arranjo variáveis. Comumente possuem paredes celulares primárias delgadas, com campos de pontoação primários e plasmodesmos nas paredes anticlinais e periclinal interna, de modo a favorecer a passagem de água entre células adjacentes; raramente se observa lignina. Apresentam cutina, polímero de ácidos graxos insaturados, que é impregnada entre os espaços das fibrilas de celulose (processo de cutinização) e depositada sobre a parede periclinal externa (processo de cuticularização), na forma de uma película semipermeável à água, denominada de cutícula. Esta pode ser lisa ou ornamentada e desempenhar diversas funções: proteção contra perda de água e penetração de microrganismos e parasitas; reflexão, difusão ou concentração dos raios solares. Cera epicuticular pode ocorrer principalmente na superfície de folhas e frutos; compõe-se de longas

24 cadeias de hidrocarbonetos, ésteres alquilas, álcoois primários livres e ácidos graxos. Estômatos Estômatos são aberturas na epiderme delimitadas por células especializadas, denominadas de células-guarda, que por sua vez podem ser ladeadas ou não por células subsidiárias (Fig. 10). Estas são assim designadas quando diferem morfologicamente das demais células epidérmicas. O estômato e as células subsidiárias compõem o aparelho estomático. Abaixo do estômato localiza-se a câmara subestomática, que se conecta com os espaços do clorênquima. Em Dicotyledoneae, as células-guarda geralmente têm o formato reniforme, enquanto que em Monocotyledoneae (Poaceae e Cyperaceae), a forma lembra um haltere. Raramente presentes nas raízes, os estômatos são encontrados nas partes aéreas do vegetal, principalmente nas folhas. Possuem núcleo proeminente e cloroplastos que realizam fotossíntese; a parede celular é desigualmente espessada, sendo mais delgada junto às células subsidiárias, o que possibilita movimentos de abertura e fechamento, em decorrência do turgor celular. Com relação à posição na epiderme, os estômatos podem-se localizar acima, abaixo ou no mesmo nível das células epidérmicas. Com referência à localização diferencial nas folhas, órgão aéreo onde são relevantes, os estômatos podem ocorrer na face abaxial e/ou adaxial da epiderme, levando à classificação de folha hipoestomática, epiestomática ou anfiestomática. Quanto ao tipo de estômato segundo as células subsidiárias em Dicotyledoneae (Fig. 11), classificam-nos em anomocítico ou ranunculáceo (ausência de células subsidiárias), diacítico ou cariofiláceo (presença de 2 células subsidiárias perpendiculares às células-guarda), paracítico ou rubiáceo (presença de 2 células subsidiárias paralelas às células-guarda) e anisocítico ou crucífero (presença de 3 ou mais células subsidiárias, sendo uma delas menor que as demais). Com base na disposição dos estômatos nas folhas, distribuem-se ao acaso quando a nervação é reticulada, comum em Dicotyledoneae, e em arranjos lineares quando a nervação é paralela, caso de Monocotyledoneae.

25 Figura 10 Estômatos: 1 vista frontal; 2 secção transversal mediana. Figura 11 Tipos de estômatos mais frequentes em Dicotyledoneae: 1 paracítico; 2 anomocítico; 3 diacítico; 4 anisocítico. Tricomas Tricomas são anexos de origem epidérmica, que podem assumir várias funções, destacando-se o fato de dificultarem o movimento das correntes de ar na superfície vegetal, diminuindo a perda de água; desempenharem papel de defesa, oferecendo barreira mecânica e química, por meio de repelentes olfativos e gustatórios, à ovoposição, à nutrição de larvas e insetos, e à predação por herbívoros; ou produzirem elementos atrativos a agentes polinizadores e dispersores de sementes. Podem ser uni ou multicelulares, classificados em diferentes tipos morfológicos, por ex.: tectores ou de cobertura, glandulares ou secretores, papilas e escamas (Fig. 12).

26 Figura 12 Tricomas: 1 e 7 tectores; 4 e 5 glandulares; 6 urticante; Escamas: 2 vista frontal; 3 vista lateral. PERIDERME A periderme constitui um sistema de revestimento que substitui a epiderme em raízes e caules com crescimento em espessura, decorrente da atividade cambial. Adicionalmente, pode-se formar em superfícies após abscisão ou injúria tecidual. A periderme compreende o meristema lateral denominado felogênio e os tecidos que este gera: externamente, súber, e internamente, feloderme (Fig. 13 1). Sucessivas peridermes podem ser formadas em regiões cada vez mais profundas, o que ocasiona isolamento dos tecidos mais externos. Ao conjunto desses tecidos mortos, como floema externo, córtex e peridermes periféricas, denomina-se ritidoma. Poliderme é um tipo especial de periderme, constituída de camadas alternadas de células suberizadas e não suberizadas. Quando da formação da periderme e consequente descarte da epiderme e seus anexos, a aeração dos tecidos internos é mantida pela lenticela

27 (Fig. 13 2), localizada geralmente em posição correspondente aos estômatos e constituída pelo tecido complementar, composto por células frouxamente arranjadas, que permitem a difusão de gases. Figura 13 1 - periderme; 2 - lenticela. PARÊNQUIMA As células parenquimáticas ocorrem em todos os órgãos vegetais e geralmente possuem paredes primárias relativamente delgadas, comunicando-se com células adjacentes através dos campos de pontoação primários e plasmodesmos. Ocasionalmente desenvolvem paredes secundárias lignificadas e são capazes de se desdiferenciar, retomando a atividade meristemática. São altamente vacuoladas e podem conter cloroplastos, amiloplastos, substâncias fenólicas e cristais, entre outros. Apresentam diferentes formas e tamanhos, determinando espaços intercelulares denominados de meatos, lacunas ou câmaras, e constituindo diferentes tipos de parênquima. O clorênquima ou parênquima clorofiliano contém cloroplastos e está associado à fotossíntese, sendo encontrado em órgãos verdes. Pode-se subdividir em paliçádico, lacunoso ou esponjoso, braciforme, plicado e regular. No parênquima de preenchimento ou fundamental, as células são aproximadamente isodiamétricas, formando meatos e localizam-se, por ex., no córtex, na medula e na nervura mediana.

28 O parênquima de reserva ou armazenador acumula geralmente água (parênquima aquífero), amido (em amiloplastos), proteínas (em proteinoplastos) e lipídios (em elaioplastos). O aerênquima é formado pela disposição característica das células, que permite a interconexão de grandes espaços ao redor delas. É representado frequentemente pelo parênquima braciforme e ocorre em plantas aquáticas, onde facilita a difusão gasosa e a flutuação. SISTEMA DE SUSTENTAÇÃO O sistema de sustentação compreende o colênquima e o esclerênquima, onde o primeiro apresenta grande plasticidade (capacidade de alongar-se, acompanhando o crescimento vegetal) e o segundo caracteriza-se pela elasticidade (capacidade de deformar-se por tensão, retornando à forma inicial). COLÊNQUIMA O colênquima compõe-se de células com protoplasto vivo e parede primária muito espessada, cuja composição revela grande proporção de substâncias pécticas e água, além de celulose. Pode conter cloroplastos e realizar fotossíntese, ocorrendo usualmente na periferia de órgãos aéreos jovens, como um cilindro contínuo ou cordões individuais. Dependendo dos padrões de espessamento da parede celular, ocorrem diferentes tipos de colênquima: angular - paredes com maior espessamento nos ângulos; lamelar - espessamento nas paredes tangenciais interna e externa; lacunar - espessamento nas proximidades de espaços intercelulares; e anelar - espessamento regular (Fig. 14).

29 Figura 14 Colênquima: 1 angular; 2 lacunar; 3 lamelar; 4 anelar. ESCLERÊNQUIMA As células que compõem o esclerênquima geralmente não apresentam protoplasto vivo na maturidade. Formam parede secundária lignificada, cuja composição é de celulose, hemicelulose, substâncias pécticas e lignina. Esta é uma substância amorfa (não birrefringente), polimérica, composta por unidades fenilpropanoides, principalmente pelos álcoois p-cumarílico, coniferílico e sinaptílico. O processo de lignificação inicia-se pela síntese no protoplasto de fenilpropanoides, que migram para a lamela média e polimerizam-se como uma rede que envolve as microfibrilas de celulose, progressivamente para as parede primária e secundária. O esclerênquima pode ocorrer como células isoladas, cordões individuais e faixas, em diferentes órgãos vegetais. Desempenha função de proteção, na medida que oferece resistência mecânica e dificulta a predação por animais e insetos, já que a lignina não é digerida. O esclerênquima consiste de esclereídes e fibras (Fig. 15). Estas últimas são longas, com extremidades afiladas, lume reduzido e paredes secundárias espessas. As esclereídes são comparativamente mais curtas, com paredes secundárias também espessas, apresentando pontoações simples e ramificadas e assumindo diferentes formas: braquiesclereídes ou células pétreas, quando isodiamétricas; macroesclereídes, de formato colunar; astroesclereídes, caracterizadas por projeções braciformes; osteoesclereídes, com forma óssea; e tricoesclereídes, semelhantes a tricomas.

30 Figura 15 Esclerênquima: 1 e 2 fibras; 3 a 6 esclereides (astroesclereide, células pétreas, osteoesclereíde). SISTEMA DE CONDUÇÃO A distribuição de água e nutrientes na planta é realizada pelo sistema vascular, que compreende o floema e o xilema. FLOEMA O floema é responsável pela condução da seiva elaborada, que consiste basicamente de carboidratos, acompanhados em quantidades menores de aminoácidos, álcoois, fosfatos, reguladores de crescimento, ácidos nucleicos, vitaminas e substâncias inorgânicas. Esse sistema de condução ocorre nos órgãos vegetais, ocupando uma posição geralmente periférica na raiz e no caule, e dorsal (inferior ou abaxial) nas folhas e órgãos correlatos (sépalas, pétalas etc.). Eventualmente, pode ocorrer também internamente ao xilema, em faixas ou calotas (floema interno), ou esparsamente em meio ao sistema xilemático (floema incluso). Compõe-se de elementos crivados (células crivadas e elementos de tubo crivado), células parenquimáticas especializadas (células albuminosas e companheiras), células parenquimáticas, esclerênquima e idioblastos (Fig. 16).

31 Elementos crivados Os elementos crivados são as células condutoras da seiva elaborada, compreendendo as células crivadas e os elementos de tubo crivado. Estes últimos, quando em série longitudinal constituem o tubo crivado. De um modo geral, são anucleados e apresentam paredes celulares primárias, relativamente espessadas, ricas em celulose e compostos pécticos, cujo arranjo determina um brilho aperolado, surgindo daí a denominação de paredes nacaradas. Nestas, ocorrem áreas crivadas, que são regiões com poros através dos quais se interconectam os protoplastos de células contíguas. Cada poro é revestido por um cilindro de calose, polímero de β-1,3-glicose, que tem por função obliterar o poro quando o floema deixa de ser funcional, impedindo o extravasamento da solução de nutrientes. Usualmente em Gymnospermae, encontram-se células crivadas, que são alongadas e apresentam apenas áreas crivadas. Em Angiospermae, estão presentes os elementos de tubo crivado, que são curtos e possuem áreas crivadas nas paredes laterais, com poros relativamente pequenos, e placas crivadas frequentemente nas paredes terminais, com poros maiores. Células albuminosas e companheiras As células albuminosas estão intimamente associadas às células crivadas em Gymnospermae e geralmente não possuem a mesma origem ontogenética. Por sua vez, os elementos de tubo crivado, comuns em Angiospermae, estão relacionados às células companheiras e podem ou não ter uma precursora comum. Acredita-se que essas células parenquimáticas especializadas, devido à sua próxima associação com os elementos condutores que são anucleados, interfiram no metabolismo celular destes e favoreçam o transporte de nutrientes. Esclerênquima Esse sistema de sustentação pode compor o floema por meio de fibras e esclereídes. As primeiras podem ser septadas ou não, viáveis ou não na

32 maturidade, e apresentar valor econômico como o rami, o cânhamo e o linho. As segundas são comuns no floema secundário. Células parenquimáticas e idioblastos As células parenquimáticas não especializadas usualmente compõem o floema e podem conter grãos de amido, óleos, cristais, substâncias fenólicas etc., muitas vezes constituindo idioblastos. Figura 16 Elementos crivados: 1 célula crivada; 2 a 6 elementos de tubo crivado; 3 a 6 - Células companheiras associadas. XILEMA O sistema xilemático consiste estruturalmente de elementos traqueais (traqueídes e elementos de vaso), células parenquimáticas, esclerênquima e idioblastos (Fig. 17). Os elementos traqueais transportam a seiva bruta, composta de água, solutos inorgânicos e orgânicos, e caracterizam-se pela ausência de protoplasto. O fluxo se faz principalmente no sentido longitudinal,

33 podendo ocorrer transporte lateral entre células contíguas. Como muitas células xilemáticas possuem paredes lignificadas, esse sistema condutor pode combinar à função de transporte a de sustentação. Elementos traqueais As traqueídes são células imperfuradas, relativamente alongadas, que apresentam parede secundária, cuja deposição pode ser anelada, helicoidal, escalariforme, reticulada ou pontoada. Esta última frequentemente segue o padrão areolado. A água é transportada entre traqueídes através da parede primária. Os elementos de vaso são perfurados, ou seja, apresentam regiões desprovidas de paredes primária e secundária, o que se constitui na placa perfurada ou de perfuração. Esta pode ser simples, com uma única perfuração, ou ser múltipla, contendo várias perfurações (escalariformes, reticuladas ou foraminadas). A parede secundária pode ser depositada no elemento de vaso de forma anelada, helicoidal, escalariforme, reticulada ou pontoada (areolada). Uma série longitudinal de elementos de vaso é denominada de vaso ou traqueia, sendo que os elementos terminais apresentam uma das extremidades imperfuradas, de forma a impedir extravasamento do conteúdo. Esclerênquima Usualmente, o esclerênquima é representado pelas fibras no sistema xilemático. Simplificadamente, são alongadas, afiladas e lignificadas; quando apresentam pontoações simples, denominam-se fibras libriformes, e quando possuem pontoações areoladas, fibrotraqueídes. Podem ser septadas, viáveis e apresentar camadas gelatinosas na parede secundária - fibras gelatinosas, que se formam em resposta a condições de estresse (restrição hídrica ou luminosa, reação à tensão ou à compressão etc.).

34 Figura 17 Elementos traqueais: 1 traqueia; 2 a 5 elementos de vaso (espessamento: 2 - anelado, 2 e 3 - helicoidal, 4 - reticulado, 5 - escalariforme e 5 - pontoado) ONTOGÊNESE O procâmbio origina o sistema condutor primário : floema primário (proto e metafloema) e xilema primário (proto e metaxilema). O crescimento em espessura do vegetal é determinado pela instalação do câmbio vascular, que dá origem aos floema e xilema secundários. Neste último, a deposição da parede secundária segue o padrão pontoado areolado. No protoxilema, os elementos traqueais apresentam espessamento anelado, helicoidal e escalariforme. No metaxilema encontram-se espessamento escalariforme-reticulado e pontoações areoladas. CONSIDERAÇÕES GERAIS A delimitação entre os xilemas primário e secundário se faz pelos raios parenquimáticos, uma vez que se formam a partir das células iniciais radiais do câmbio vascular.

35 O xilema ou lenho secundário de espécies arbóreas é denominado de madeira e, em regiões temperadas, é dividido em camadas ou anéis de crescimento evidentes. Estes podem ser do tipo tardio ou estival, quando predominam células com paredes mais espessas e de lume menor, constituindo faixas mais escuras; e do tipo inicial ou primaveril, quando as células apresentam paredes mais delgadas e lume maior, estabelecendo camadas mais claras. A parte central do lenho que deixa de ser funcional, desenvolvendo tilose (projeção de células parenquimáticas para o interior dos elementos traqueais, através das pontoações, bloqueando-os) e tornando-se infiltrada de óleos, resinas, taninos, gomas e materiais corantes, é denominada de cerne. A região periférica do lenho que continua em atividade é designada de alburno.