Redes de Telecomunicações Redes de Acesso João Pires Redes de Telecomunicações 307
Rede de acesso convencioanal A rede de acesso convencional das redes telefónicas públicas era constituída por uma infraestrutura de pares de fios de cobre entrelaçados (pares simétricos) que ligavam a central de comutação local ao telefone do assinante. Do repartidor principal da central saíam um certo número de cabos de pares simétricos (cabos de alimentação) com centenas de pares simétricos (100 a 600). Este cabos terminavam num armário na rua (ponto de sub-repartição) de onde saíam os cabos de distribuição com dezenas de pares simétricos (20,50, ou 100), que por sua vez terminavam nas caixas de distribuição (ponto de distribuição) de assinante. Os telefones eram ligados directamente à caixa de distribuição. Quadras de pares simétricos Cabo de alimentacão Cabo de distribuição Comutador RP Central Local RP: Repartidor principal ASR: Armário de sub-repartição CD: Caixa de distribuição Sub-rede de alimentação ou transporte CD ASR ASR ASR CD Sub-rede de distribuição CD CD CD CD João Pires Redes de Telecomunicações 308
Rede de acesso com concentração Na solução convencional cada assinante está ligado permanentemente à central local por um par simétrico. Para além desta solução implicar a utilização de pares simétricos de grandes comprimentos (o que reduz a qualidade do sinal transmitido), também não é eficiente porque os pares simétricos na maior parte do tempo não são utilizados. Uma solução mais eficiente substitui os armários de sub-repartição por unidades remotas com capacidade para realizar concentração, sendo a ligação entre a central local e a unidade remota realizada usando muliplexagem. Os cabos de alimentação podem ser substituídos por fibras ópticas ou por ligações via rádio (fixed wireless access). MUX: multiplexador TDM UR: Unidade remota CD: Caixa de distribuição Fibra óptica Comutador MUX Central Local Sub-rede de alimentação ou transporte Par simétrico Cabo de distribuição (pares simétricos) CD UR CD CD UR CD UR CD CD Sub-rede de distribuição João Pires Redes de Telecomunicações 309
Interfaces V5 A utilização de concentração implica que se use um tipo de sinalização entre a unidade remota e a central local, já que agora não é possível à central local (somente a partir do porto de origem) identificar o assinante que pretende realizar uma chamada. Essa sinalização é definida nas especificações da ETSI para as interfaces V5.1 e V5.2, sendo a última interface usado nos casos em que se usa concentração. Ambas as interfaces suportam tráfego telefónico convencional (TC), ou tráfego RDIS. A interface V5.1 suporta uma ligação a 2.048 Mb/s, enquanto a interface V5.2 suporta entre 1 a 16 ligações a 2.048 Mbit/s. As tramas para ambas as interfaces são formatadas de modo algo similar ao E1, com 32 intervalos de tempo. O IT 0 é usado para o enquadramento de trama e o IT 16 usado para sinais de sinalização e controlo. Em caso de necessidade (RDIS) o IT 15 e 31 também podem ser usados para essas funções. Os outros IT são usados para canais de serviço. A atibuição dos IT pelos canais de serviço é estática no caso da V5.1 e dinâmica no caso da V5.2. A interface V5.2 devido à atribuição dinâmica permite suportar um número de utilizadores muito superior ao número de IT de serviço disponíveis na interface, permitindo concentração. Esta é baseada no facto de só uma fracção dos utilizadores totais estarem activos num dado instante. Para um factor de concentração de 8, uma interface V5.2 suporta até 3840 utilizadores TC e 1920 utilizadores RDIS. João Pires Redes de Telecomunicações 310
Sub-rede de transporte com SDH A rede de acesso divide-se em sub-rede de transporte (entre a central local e a unidade remota) e sub-rede de distribuição (entre a unidade remota e o assinante). Na sub-rede de transporte a informação transmitida é multiplexada e transmitida em formato digital sobre fibras ópticas, ou via rádio. Como alternativa à topogia física em estrela da sub-rede de transporte pode-se usar uma topologia em anel fazendo uso da SDH. Rede de transporte Rede de distribuição Central local ADM ADM ADM ADM Fibra óptica de protecção ADM ADM Unidade remota UR Unidade óptica de rede ONU Unidade de terminação de rede NT Assinante ADM ADM Fibra óptica de serviço Fibra óptica ONU Par simétrico NT Par de fibras de fibras de serviço UR Outra alteração de relevo consiste em introduzir também ligções em fibra óptica (ou via rádio) em partes da rede de distribuição. Como soluções em fibra têm-se :FTTCab, FTTC/FTTB, FTTH, dependendo da distância entre a ONU e o assinante (NT). João Pires Redes de Telecomunicações 311
Arquitecturas em fibra Na arquitectura FTTH (fibre to the home) a fibra óptica vai até às intalações do assinante, e deste modo a ONU realiza as funções da NT( Network Termination). Na arquitectura FTTC (fibre to the curb) ou FTTB (fibre to the building) cada ONU serve entre 8 a 64 casas, ou edifício ( <300 m do assinante). Neste caso há uma rede de distribuição adicional entre a ONU e a NT, em cobre (par simétrico, ou par coaxial) ou via rádio. Notar que o sinal entre a unidade remota e a ONU é um sinal multiplexer TDM (por exemplo um sinal E1). A solução FTTCab (fibre to the cabinet) a ONU está mais afastada do assinante (<1.5 km), requerendo também uma rede de distribuição adicional. Outra arquitectura alternativa, designada rede óptica passiva ou PON (passive optical network), substitui a unidade remota por um componente passivo (acoplador em estrela, encaminhador de comprimentos de onda óptico), de modo que toda a rede entre a central local e a unidade remota é passiva. Têm como vantagem a fiabilidade elevada e fácil manutenção. João Pires Redes de Telecomunicações 312
ATM PON (APON) Na rede APON ( ATM PON) o tráfego proveniente do OLT (Optical Line Termination) situada no nó de acesso é constituído por um fluxo contínuo de células ATM. A essas células é adicionado um preâmbulo de três octetos, que permite entre outras funções identificar a ONU destinatária. Preâmbulo Cabeçalho Campo de informação Estrutura de célula para transmissão APON O tráfego descente (fluxo de células ATM) proveniente da OLT é difundido para todos os ONUs, num único comprimento de onda, usando um derivador óptico. Cada ONU acede ao fluxo de células e extrai a célula correspondente. A ligação ascendente opera num outro comprimento de onda e usa um protocolo da acesso múltiplo TDMA. A informação de cada ONU é inserida num intervalo de tempo pre-determinado de uma trama TDM. No nó de acesso o fluxo de células proveniente dos diferentes ONUs é agregado usando um multiplexador ATM. De modo a que a informação dos diferentes ONUs cheguem à central no time-slot apropriado é necessário sincronizar os relógios de todos os ONUs pelo relógio da central. Para tal a central mede o atraso de propagação de cada ONU relativamente à central e envia um comando apropriado para cada ONU, para que esta ajusta o seu relógio de acordo com esse atraso. João Pires Redes de Telecomunicações 313
Arquitectura APON A ligação descendente (nó de acesso-onu) é feita no comprimento de onda de 1.55 μm e a descendente (ONU-nó de acesso) no comprimento de onda de 1.3 μm. 155/622 Mb/s Receptor ONU 1 Central Local/ Nó de Acesso Unidade Remota 1310/1550 nm mux Laser MUX ATM Laser OLT 1.55 μm 1.3 μm Derivador/ combinador Receptor Laser ONU k Derivação:1/32-64 155 Mb/s Receptor Laser ONU N Cada ONU deve operar ao débito binário agregado de todos os ONUs. As normas das APON especificam um débito descendente de 622 Mbit/s e um débito ascendente de 155 Mbit/s. Usando um derivador de 1/32 o débito descendente permite proporcionar a cada ONU cerca de 20 Mb/s. João Pires Redes de Telecomunicações 314
Sincronização de ONUs em redes APON A sincronização entre as ONUs e a OLT (optical line termination) na central local é feita em três fases: ajuste esparso (AE), ajuste fino estático (AFE) e ajuste fino dinâmico (AFD). O ajuste esparso é realizado através da medida rigorosa na OLT da fase de um sinal sinusoidal (tom) de baixo nível transmitido pela ONU em processo de sincronização. Medida da fase e cálculo do atraso a introduzir pela ONU OLT Comando para activação do AE Envio do sinal sinusoidal Célula ATM para activação do AFE com informação do atraso. ONU Corrente de injecção Tom Laser da ONU Dados Potência óptica Espectro Tom Dados f Os ajustes finos estático e dinâmico são baseados na medida do tempo médio de chegada das células ATM. Depois de activado o processo AFE a ONU envia uma célula AFE, e depois de recebida pela OLT a sua posição temporal é comparada com um referência, o que vai permitir obter o valor do atraso a introduzir pela ONU. Os mecanismos AFD são baseados na posição de um preâmbulo enviado no início de células especiais. Os processos AE e AFE têm lugar no início do funcionamento do sistema, ou sempre que uma nova ONU é introduzida. O processo AFD ocorre continuamente. João Pires Redes de Telecomunicações 315
Acesso sobre os pares simétricos As soluções que usam o par simétrico para suportar acesso digital são derivacões da tecnologia de lacete digital de assinate ou DSL (Digital Subcriber Loop). IDSL HDSL ADSL VDSL DSL para aplicações em redes ISDN DSL de alta velocidade (High-Speed DSL) DSL assimétrico (Asymmetric DSL) DSL de muito alta velociadade (Very-high-speed DSL) O IDSL ou lacete digital de assinante RDIS suporta o acesso básico, a que correspondem 2B+D canais (2x64 kbit/s + 16 kbit/s), que com a adição de 16 kbit/s (funções de sincronização de trama e manutenção) conduz a 160 kbit/s. O acesso primário corresponde a 30B+D canais e a um débito de 2.048 Mbit/s. A tecnologia HDSL permite transmitir sinais E1 sobre pares simétricos, sem a utilização de regeneradores até distâncias de 4 km. Necessita para isso de usar três pares simétricos. Cada par simétrico suporta um débito de 784 kb/s com uma codificação 2B1Q. João Pires Redes de Telecomunicações 316
ADSL O ADSL é uma tecnologia que permite uma transmissão bidireccional assimétrica. A bidireccionalidade pode ser garantida usando técnicas FDM (FDM-ADSL), ou técnicas baseadas no cancelador de ecos (EC-ADSL). As principais aplicações são acesso Internet de alta velocidade. No FDM-ADSL tem-se débitos máximos de 6 Mb/s no sentido descendente (central-assinante) e 640 kbit/s no sentido ascendente (assinante central). A distância máxima suportada é de cerca de 5.4 km (para o débito máximo 3.6 km). Um sistema ADSL consiste em modems ADSL colocados em ambas as extremidades do par simétrico, que modulam/desmodulam os canais de informação a transmitir. A técnica de modulação mais usada é a modulação multi-tom discreto ou DMT (discrete multitone). Densidade Espectral de Potência Voz (telefonia Transmissão ascendente FDM-ADSL Transmissão descendente 0 4 25 138 150 1104 f(khz ) Na modulação DMT a banda entre os 0 e 1.1 MHz é dividida em 256 sub-canais. Os primeiros 6 são reservados para a telefónia analógica. A transmissão ascendente ocupa 24 sub-canais. A transmissão descendente ocupa até 222 subcanais no sistema FDM-ADSL. No meio de cada sub-canal têm-se uma frequência distinta (sub-portadora). Para permitir a transferência de informação cada uma destas portadoras é modulada usando QAM. O número de bits por sub-portadora pode ser ajustado. Em presença de interferências graves numa sub-banda esse número de bits é reduzido. João Pires Redes de Telecomunicações 317
EC-ADSL O EC-ADSL permite a transmissão em ambos os sentidos usando a mesma banda de frequência. A separação entre o sentido ascendente e descendente é feita usando um híbrido, o que implica usar também um dispositivo para cancela os ecos (cancelador de ecos) devido à não idealidade do híbrido. y(t) A base do cancelador de eco é um filtro adaptativo cujo objectivo é simular a função de transferência do eco de modo a originar uma replica do mesmo rˆ ( t), a qual vai ser subtraída ao sinal recebido x(t)+r(t). No caso ideal em que a réplica é perfeita tem-se um cancelamento total do eco. No EC-ADSL tem-se débitos máximos de 8 Mb/s no sentido descendente (central-assinante) e 800 kbit/s no sentido ascendente (assinante central). A banda ascendente vai de 25 khz a 130 khz e a banda descendente vai de 25 khz a 1104 kz. Densidade Espectral de Potência Voz (telefonia Transmissão ascendente Transmissão descendente 0 4 25 130 1104 f(khz ) Filtro Adaptativo - + r(t) x(t) João Pires Redes de Telecomunicações 318 ε(t) rˆ ( t) Híbrido A transmissão ascendente usa 24 sub-canais e a descendente até 248 sub-canais. Sinal transmitido Eco A principal limitação dos sistemas EC-ADSL é a diafonia entre os diferentes pares simétricos de um cabo Sinal recebido
DMT A ideia base da DMT consiste em dividir a largura de banda operacional do ADSL em sub-canais de reduzida dimensão e em usar no centro de cada sub-canal uma portadora (tom) diferente. Como a banda atribuída a cada sub-canal é reduzida, o atraso de grupo e a atenuação são aproximadamente constantes nessa banda. Assim a distorção e a interferência intersimbólica são reduzidas, tornando desnecessário o uso de igualador. Amplitude f 0 f 1 f 2 f 3 f N frequência Estas portadoras vão ser moduladas independentemente por diferentes sequências binária usando modulação QAM (quadratura amplitude modulation). Constelação do 4-QAM 10 11 b(t) 00 01 a(t) Um sinal QAM pode-se representar em termos de uma componente em fase e de uma componente em quadratura. Para a pordadora de frequência ω i tem-se jωit s( t) = Re{ c ( t) e } = a ( t)cosω t b ( t)sinω t onde c ( t) = a ( t) jb ( t) l l + l Eficiência espectral do M-QAM = log 2 M A constelação escolhida em cada sub-canal depende do valor da relação sinal-ruído em cada sub-canal. Quanto maior é S/N maior é a dimensão da constelação considerada. l l l l i l l i ε = D B b FI Relação sinal-ruído #1 #2 #3 #4 #5 #6 #7 Número de bits por sub-canal 16-QAM 32-QAM 32-QAM 16-QAM 4-QAM frequência frequência João Pires Redes de Telecomunicações 319
Estrutura do modulador DMT(1) A estrutura simplificada de um modulador um transmissor DMT está representada na figura abaixo. A sequência binária de entrada é dividida em blocos de M bits os quais são armazenados numa memória. Os bits são então divididos entre N sub-canais usando um conversor série/paralelo, sendo o número de bits alocados a cada sub-canal dependente da relação sinalruído desse canal. Os bits alocados a cada sub-canal vão em seguida modular uma portadora usando a modulação QAM (quadrature amplitude modulation). M 1 M 2 QAM Filtro D b Conversor S/P & memória M 3 f 1 QAM f 2 Filtro Amplitude f 1 f 2 f 3 f 3 frequência QAM Filtro f 3 No exemplo apresentado na figura anterior formam-se 3 blocos (B1, B2 e B3) correspondentes a 3 sub-canais. Esses blocos têm respectivamente M1, M2 e M3 bits, tal que M=M1+M2+M3, onde M1=1, M2=4 e M3=3. Tem-se assim uma trama constituída por 8 bits. B3 T 0 =500 μs B2 B1 Tempo João Pires Redes de Telecomunicações 320
Estrutura do modulador DMT(2) Na prática os modulores DMT são implementados usando a tranformada de fourier discreta inversa (IDFT). A estrutura do modulador pode-se assim representar por 0 c 0 D b Conversor S/P & memória 1 N-1 c 1 IDFT Conversor P/S D/A c N-1 Cálculo dos coeficientes complexos do QAM jmωot Considere-se o símbolo l do tom m, o qual pode ser descrito por sm, l ( t) = cm, le, onde ω 0 = 2π / T0, pois o período do símbolo é T 0. 2N 1 n2π j kts A transformada de Fourrier discreta desse sinal é dada por T c = 0 m, l m n Sm, l ( n) = DFT[ sm, l ( kts )] = sm, l ( kts ) e = k = 0 c2 N m m = 2N 1 S m,l (n) 0 N-1 2N-1 0 fs/2 fs frequência Coeficientes dos tons organizados pelos índices n IDTF IDFT(S m,l (n)) f s =1/T s : frequência de amostragem tempo João Pires Redes de Telecomunicações 321
ADSL e VDSL Para separar os sinais telefónicos dos sinais ADSL é necessário um filtro tanto nas instalações de assinante como na central local. Um multiplexador de acesso ADSL ou DSLAM (digital subscriber line access multiplexer) pode suportar entre 500-1000 linhas ADSL. Central local Rede telefónica Acesso à rede IP, em ATM ou Ethernet Capacidade em função da distãncia Débito (Mb/s) Comutador telefónico MUX Multiplexador de Acesso ADSL 8 6 4 2 Derivador+ filtro Par simétrico Derivador+ filtro A variante do ADSL designada por G.lite (ITU-T G.992.2) não usa o filtro na instalação do utilizador Classe Capacidade descendente Capacidade ascendente Modem ADSL PC Classes ADSL europeias 2M1 6.144 Mb/s 640 kb/s 2M2 4.096 Mb/s 608 kb/s Instalação de assinante 2M3 2.048 Mb/s 176 kb/s 1 2 3 4 5 6 Controlo 64 kb/s 64 kb/s 16 kb/s Distância ( km) João Pires Redes de Telecomunicações 322
Modelo de referência do ADSL Para separar os sinais ADSL dos sinais telefónicos ou RDIS usam-se filtros, tanto do lado do utilizador como do lado da rede. As funções da ADSL são implementadas pelos blocos ATU-C (ADSL Transmission Unit) do lado da central e ATU-R do lado do utilizador. Esses blocos impementam a função de codificação e modulação. Rede IP ou ATM V-C ATU-C Rede de Acesso NT1 ATU-R T-R NT2 T-S Rede doméstica TV Comutador ATM ou router IP U-C2 U-R2 PC Rede Telefónica ou RDIS U-C U-R Terminal Central telefónica ou RDIS Telefone analógico ou terminal RDIS A interfece V-C especifica a interligação da ATU-C com diferente equipamento, incluindo comutadores ATM, routers IP e comutadores frame-relay. As interfaces U-C2 e U-R2 separam os filtros passa-banda dos ATUs. No caso da solução ADSL-lite, o filtro passa-banda do receptor está integrado em ATU-R e o filtro passa-banda do lado da rede está integrado em ATU-C No caso em que a redes doméstica é implementada usando Ethernet ( 10-base T) o NT2 consiste num hub Ethernet. Nas soluções mais caras pode-se usar ATM e neste caso o NT2 é um comutador ATM. João Pires Redes de Telecomunicações 323
Modem ADSL /Carta de linha DSLAM João Pires Redes de Telecomunicações 324
VDSL O VDSL divide-se em VDSL de longo alcance ( 1.5 km) e VDSL de curto alcance ( 0.3 km). O VDSL de longo alcance suporta um débito descendente máximo de 14.5 Mbit/s e um débito ascendente de cerca de 2 Mbit/s. Os débitos máximos para o VDSL de curto alcance são 58 Mbit/s e 6 Mbit/s. O VDSL de longo alcance aparece associado às soluções em fibra FTTCab, enquanto o VDSL de curto alcance aparece associado às soluções FTTC/FTTB. Nó de Acesso Assinante VDSL de longo alcance OLT ONU NT Fibra óptica Distância <1.5 km FTTCab OLT ONU VDSL de curto alcance NT Fibra óptica d < 0.3 km FTTC/FTTB João Pires Redes de Telecomunicações 325
Rede híbrida fibra coaxial A rede híbrida fibra coaxial usa fibra óptica na rede de transporte e cabo coaxial na rede de distribuição (com amplificação eléctrica) e na rede de cliente (passiva). Na parte de transporte o uso de derivadores ópticos associados a amplificadores ópticos permite reduzir a extensão de fibra. Derivador coaxial Cabeça de rede Fibra óptica Amplificador óptico Derivador óptico Receptor óptico Cabo coaxial Amplificador de repartição Rede de transporte Amplificador de linha Rede de distribuição Rede de cliente João Pires Redes de Telecomunicações 326
A necesssida dos modems de cabo Como o meio de comunicação entre o assinante e a cabeça de rede é partilhado é necessário implementar nas comunicações bidireccionais (exemplo Internet) um protocolo de acesso múltiplo, baseado no TDMA (time division multiple access) ou no FDMA (frequency division multiple access). TDMA Tempo de guarda FDMA Frequência Utilizador 1 Utilizador 2 Utilizador 3 Utilizador 4 Utilizador 1 Utilizador 2 Utilizador 3 Utilizador 4 Frequência Utilizador 4 Utilizador 3 Utilizador 2 Utilizador 1 Tempo Como a comunicação é feita em radiofrequência é também necessário realizar uma modulação digital usando M-PSK ou M-QAM. Tempo Essa funções são implementadas usando um modem de cabo. Derivador RF Cabo coaxial Modem de cabo Cabo 10 base T Televisor Adaptador Etherntet PC Instalação de cliente residencial João Pires Redes de Telecomunicações 327
Arquitecturas de rede HFC bidireccional Para garantir uma comunicação bidireccional na rede de transporte terá de haver uma fibra óptica entre cada emissor óptico de cada célula e a cabeça da rede, ou em alternativa entre cada emissor e um nó de acesso. Equipamento de TV analógica Banco de modems Modems de cabo Combinador de RF Laser DFB Receptor Óptico ATM, ou IP ethernet switch/hub Modems de cabo Modems de cabo Combinador de RF Combinador de RF Laser DFB Receptor Óptico Laser DFB Receptor Óptico Fibra óptica Laser FP ou DFB Cabeça de rede ou nó de acesso Receptor Óptico Laser Filtro duplexor Célula Cabo coaxial Cada receptor óptico da cabeça da rede recebe a informação de retorno de todos os clientes de uma dada célula. Por isso essa informação é dirigida para um banco de modems (um por cliente). O switch/hub ethernet está ligado a um router IP se a rede usada for IP, ou a um switch ATM se a rede for ATM. João Pires Redes de Telecomunicações 328
Ethernet PON (EPON) Ethernt PON é uma rede baseada numa PON que transporta tráfego encapsulado em tramas Ethernet (norma IEEE 802.3). Usa um código de linha 8B/10B e opera com os débitos típicos da Ethernet (10/100/1000/10000 Mbit/s). No sentido descendente as tramas Ethernet transmitidas pelo OLT passam através de um derivador 1:N e chegam a cada ONU. Cada ONU extrai as tramas que lhe são destinadas com base no endereço MAC (media-access control). 3 2 1 2 ONU 1 1 Laser 3 2 1 2 3 2 1 2 OLT ONU 2 Trama Ethernet 2 2 Cada ONU extrai a trama que lhe é destinada usando o endereço MAC Derivador 3 2 1 2 ONU 3 3 João Pires Redes de Telecomunicações 329
Ethernet PON (EPON) (2) No sentido ascendente há o problema da contenção. Duas tramas que cheguem simultaneamente ao OLT colidem. Neste caso não de pode aplicar um mecanismo similar ao CSMA/CD (carrier sense multiple access with colision detection) usado nas LANs, já que cada ONU não vê as outras ONUs. Para sincronizar as diferentes ONUs usa-se um esquema TDMA semelhante ao usado na APON. Assim, a cada ONU é alocado um time-slot, com capacidade para transportar várias tramas Ethernet. Laser Os esquemas de alocação de time-slots podem ser estáticos ou dinâmicos. Neste último caso a dimensão do time-slot é ajustada em função da fila de espera na ONU. 1 2 2 3 3 3 2 2 OLT ONU 2 Time-slot 1 ONU 1 Trama Ethernet Combinador 3 3 3 3 3 3 ONU 3 2 1 2 Cada ONU armazena em memória as tramas recebidas dos utilizadores até que o seu time-slot chegue. Nesta altura envia todas as tramas armazenadas em rajada, à velocidada máxima do canal. Se não houver tramas em número suficiente para encher um time-slot são enviados caracteres de 10 bit sem informação. João Pires Redes de Telecomunicações 330
Alocação dinâmica em EPONs A alocação dinâmica consiste em alocar time-slots com duração variável (janela de transmissão) a cada utilizador. Para evitar que uma única ONU monopolize todo o canal ascendente, deve haver uma janela de transmissão máxima atribuída a cada ONU, designada por W MAX (i) e expressa em octetos. Um parâmetro importante é o tempo de ciclo T, cujo significado é explicitado na figura seguinte, considerando um sistema com N ONUs. 1 2 i N 1 2 Tempo de ciclo T O tempo de ciclo máximo é dado por Time-slot 1 Intervalo de guarda T MAX = N i= 1 G + 8 WMAX ( i) G: tempo de guarda (segundos) D D: débito binário de linha (bit/s) O valor mínimo da banda garantida ao ONU i é Todos os ONUs usam W max B MIN ( i) 8 W T MAX = Exemplo: T max =2 ms, W max =15 000 octeto MAX ( i) B MIN = 60 Mb/s João Pires Redes de Telecomunicações 331