MURÇA Setembro, 2001

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Transcrição:

ASSOCIAÇÃO FLORESTAL DO VALE DO DOURO NORTE Fernando Santos fsantos@utad.pt Técnicas de controlo de matos com meios mecânicos motorizados MURÇA Setembro, 2001

O controlo mecanizado. O controlo mecanizado dos matos pode ser efectuado por: - equipamentos manuais motorizados; - equipamentos accionados por tractores, - equipamentos automotrizes (rebocados ou com tracção própria) Motorroçadoras A utilização florestal das motorroçadoras é especialmente indicada para áreas de pequena dimensão ou locais de difícil acesso. Motoserras. Corte do material lenhoso em que a utilização da motorroçadora é pouco eficiente

Equipamentos accionados por tractores Tipos de tractores (agrícola ou florestal) Características dos tractores: - distribuição de massas, - protecções (tractor e operador); - sistemas de locomoção (pneus florestais ou rastos); - tipo de transmissão (mecânica ou hidrostática); - outras. Tractor agrícola Adaptação de um tractor agrícola aos trabalhos florestais Tractor florestal Tractor florestal com um destroçador

Corta matos (eixo vertical) Os corta matos, também designados por destroçadores de eixo vertical, apresentam como elemento de corte facas ou correntes. As facas fazem um corte limpo da vegetação o que permite a sua rápida regeneração; as correntes traçam a vegetação deixando a zona de contacto rasgada o que dificulta a regeneração. Corta matos com um rotor de facas Corta matos com dois rotores

Destroçadores (eixo horizontal) Os destroçadores (trituradores) de eixo horizontal, que têm como peças activas, facas ou martelos, podem ser móveis ou estacionários. Destroçador florestal Destroçador florestal (tritura pedra) Destroçador estacionário Mesa de alimentação

Equipamentos automotrizes Equipamentos ligeiros Motogadanheiras As motogadanheiras permitem cortar os matos sem os destroçar. O material a cortar deve ter um diâmetro inferior a 2 cm e a barra de corte deve ter um comprimento inferior a 1 m; as motogadanheiras das figuras anexas têm uma barra de corte de 0.8 m e, segundo os fabricantes, um rendimento médio de 1500 m 2 /h. Motogadanheira florestal Motogadanheira florestal Motorroçadoras com rodas. As motorroçadoras com rodas são equipamentos com grande mobilidade que utilizam discos como elementos de corte. Motorroçadora florestal de rodas com facas Motorroçadora florestal de rodas com disco de corte

Destroçadores estacionários Os destroçador estacionários são utilizados para transformar em estilha troncos e ramos de árvores, arbustos, madeira, papel, cartão, plástico, etc. A estilha é aproveitada como recurso energético e matéria prima (sistemas de aquecimento, etc.), para compostagem do solo, compactação de caminhos (pistas de jogging, parques, jardins, caminhos, etc.) e reciclagem em geral. Destroçador estacionário, com 24 facas Destroçador estacionário, com 32 facas Equipamentos pesados Os equipamentos pesados, devido ao seu elevado custo, são mais utilizados por alugadores, empreiteiros florestais, etc.. Mula mecânica Destroçador accionado por uma retroescavadora

Ensaios efectuados nas serras do Marão e Alvão Material utilizado O material de corte utilizado foi uma uma motorroçadora com disco de três facas, uma motogadanheira de barra de corte e um corta matos de eixo vertical com correntes. As principais características deste material são as seguintes. Motorroçadoras As motorroçadoras utilizadas são equipamentos standard, transportados em bandoleira e em que os elementos de corte são discos com três facas; foram igualmente testados discos dentados mas os primeiro têm melhor desempenho no corte dos matos; o diâmetro destes discos é de 25 cm. Motogadanheira A motogadanheira utilizada tinha como principais características as seguintes - um desafogo, distância do carter ao solo, de 0.19 m; - uma barra de corte de pequena dimensão (0.85 m); - uma caixa de velocidades que permite uma velocidades de deslocamento < a 1 km/h. O desafogo deve ser o suficiente para que o carter não assente no solo, pois, caso contrário, fica sem tracção. Uma barra de corte de pequena dimensão é fundamental para que o volume de vegetação a cortar não impossibilite o deslocamento. A possibilidade de o equipamento se deslocar a uma velocidade baixa é fundamental pois, caso contrário, alguma vegetação, especialmente a menos lenhosa, tem tendência a tombar não sendo cortada. Corta matos O corta matos utilizado, de fabrico nacional, tem uma largura de trabalho de 1.30 m e como elementos activos três correntes que provocam, por impacto, o corte da vegetação. Inicialmente utilizámos facas mas, devido aos afloramentos rochosos existentes nos locais de ensaio, foi necessário proceder à sua substituição por correntes. A utilização destas exige uma potência 30 a 40% superior à das facas o que conduz, normalmente a uma diminuição do rendimento em trabalho; a potência aconselhada pelo construtor é de 30-40 cv.

Metodologia seguida Motorroçadora Para a motorroçadora foram marcados talhões de 3 X 5 m, com o maior comprimento segundo as curvas de nível, sendo o corte feito em duas passagens (1.5 *2). O primeiro corte é efectuado por forma a que o material seja depositado fora da área dos talhões (o mato é cortado da direita para a esquerda) e o 2º na faixa anteriormente cortada. No fim de cada faixa regressa-se ao início do talhão, fazendo-se, assim, uma pequena pausa no trabalho. Motogadanheira Para a motogadanheira não foi estabelecida nenhuma metodologia particular pois o objectivo foi determinar a velocidade de deslocamento e o tempo gasto nas cabeceiras para inverter o sentido de marcha. O corte foi efectuado segundo trajectos perpendiculares às curvas de nível pois, caso contrário, é necessário que o operador tenha de corrigir a trajectória, porque o equipamento escorrega para jusante, o que se torna muito penosa a sua condução. Corta matos Para os ensaios com o corta matos definiram-se talhões de 20 X 20 m que foram caracterizados em função do seu declive e tipo de vegetação e onde se realizaram os trajectos perpendiculares às curvas de nível; é importante que o declive transversal seja o mais baixo possível pois verifica-se uma tendência para o tractor corta matos escorregar para jusante. As determinações incluíram a velocidade de deslocamento do conjunto tractor alfaia, tempo de inversão de marcha e o tipo e número de obstáculos encontrados em cada trajecto que obrigavam a alterações de direcção.

Resultados obtidos Motorroçadora Os tempos de trabalho para cortar os talhões de ensaio variaram entre 130 e 170 s, pois as condições de trabalho, nomeadamente a quantidade de material a cortar, a presença de obstáculos (árvores, rochas, etc.) a facilidade de progressão são muito variáveis. Considerando estes valores e uma eficiência de campo de 40%, o número de horas / hectare varia entre 60-80 horas; a baixa eficiência de campo resulta da frequência dos abastecimentos e da necessidade de frequentes pausas pois este trabalho é muito desgastante. A bibliografia indica valores de ± 1000 m 2 / dia, mas este valor pode ser reduzido para metade quando é necessário encordoar o material cortado ou destruir o material que ficou por cortar Corta matos Parte dos ensaios foram efectuados utilizando a 2ª relação de transmissão (RT), a 1800 rpm do motor (540 rpm da TDF) que permite uma velocidade de 1.53 km/h, tendo os restantes sido realizados com a 3ª RT, com o mesmo regime motor, o que permite atingir uma velocidade de 2.25 km/h. Com a 2ª RT, para percorrer os 20 m do comprimento do ensaio, seriam teoricamente necessários 47 s mas, na prática, os valores variaram entre os 55 e 100 s, sendo a média 65 s; os tempos gastos nas cabeceiras, para inversão do sentido de marcha, variaram entre os 35 e 45 s, sendo a média de 40 s. Para uma eficiência de campo de 60%, o rendimento é de ± 11 h/ha. Com a 3ª RT para percorrer os 20 m, seriam teoricamente necessários 32 s mas, na prática, os valores variaram entre os 38 e 44 s, sendo a média 41 s; os tempos gastos nas cabeceiras, para inversão do sentido de marcha, variaram entre os 34 e 47 s, sendo a média de 42 s. O rendimento é de ± 9 h/ha. Motogadanheira Os tempos obtidos a percorrer trajectos de 10 m variaram entre os 38 e 50 s, o que corresponde a velocidades de 0.26 m/s (0.94 km/h) e 0.20 m/s (0.72km/h), ou seja, uma velocidade média de 0.23 m/s (0.83 km/h) sendo o tempo médio de viragem 10 s. Para velocidades de deslocamento compreendidas entre estes valores e uma eficiência de campo de 60% o rendimento, em horas / hectare, varia entre as 20 e 27 h. A utilização da motoganheira revelou-se uma solução interessante, pois a qualidade de trabalho é superior à obtida com as motorroçadoras tem, no entanto, um rendimento em trabalho bastante baixo. A bibliografia menciona rendimentos de trabalho de 2000-3000 m 2 /dia.

Conclusões Relativamente ao trabalho executado nas Serras do Marão e Alvão os resultados obtidos levam-nos a concluir que a escolha de um equipamento deve ser efectuada tendo em consideração vários factores nomeadamente a orografia, custos das operação, extensão da área a tratar, tipo de mato, afloramentos rochosos, etc.. Considerando os equipamentos testados pode-se afirmar que: -as motorroçadoras são equipamentos de difícil manejo e perigosos, pelo que só devem ser utilizadas para corte de pequenas áreas ou áreas de difícil acesso. O rendimento em trabalho é bastante baixo e a sua qualidade não é a melhor pois, em situações de maior densidade de vegetação nem sempre é fácil distinguir o material cortado do em pé; -as motoganheiras adaptadas ao corte de matos é uma solução muito interessante para pequenas áreas mas, em zonas mais acidentadas, torna-se bastante penoso trabalhar, pois não é fácil manter a trajectória desejada e a lubrificação é prejudicada; - a utilização de corta matos nas zonas onde é possível, é uma solução com um rendimento em trabalho aceitável, quando comparado com as outras soluções mecânicas, especialmente se pudermos utilizar como elementos de corte as facas. A utilização de qualquer uma das soluções apresentadas, necessária quando se pretende obter material para as camas para os animais, fabrico de estrumes, etc., para permitir um controlo aceitável da vegetação, deve ser realizada ano sim ano não o que encarece muito esta operação. A análise da resposta da vegetação às soluções mecânicas utilizadas não permitiu observar diferenças significativas.