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O PROCESSO DO JULGAMENTO DE JESUS Por ALFREDO TADEU PIRES DE OLIVEIRA A literatura a respeito da vida de Jesus Cristo é vasta. Muitos escritores, historiadores, teólogos e etc., buscam há muito, de forma incansável, apresentar uma versão da Vida e Obra do Mestre Senhor Jesus Cristo. Homens do mundo todo, tentam e buscam desvendar o mistério que cerca a Vida do Senhor Jesus Cristo; quer com a finalidade de afirma-lo, quer para contradizê-lo e lançar dúvidas de sua existência e passagem por este planeta. Como advogado e assíduo leitor das Sagradas Escrituras (Bíblia Sagrada), chamou-me a atenção os processos do julgamento a que o Senhor Jesus foi submetido. Digo, os processos, pois, na verdade, o mesmo foi julgado por duas vezes e por duas leis diferentes e em ambos os julgamentos ele foi condenado à pena de morte. É óbvio que se poderá chamar ou denominar que tenha de fato e direito ocorrido os julgamentos! Entendemos que o que na verdade ocorreu foi um homicídio legalizado. Os julgamentos ocorreram de uma celeridade impressionante, cremos tenha sido o mais rápido da história, que a humanidade têm conhecimento, pois do tempo decorrido da prisão até a execução da sentença de morte, não chegou a transcorrer um período de vinte e quatro horas. O primeiro julgamento do Nosso Senhor Jesus Cristo, aparentemente, seguiu o procedimento legal, observando-se a processualística da época. Ele foi preso e acusado de blasfêmia, após a sua prisão seguiu-se as audiências, onde Ele foi interrogado e, onde foram apresentadas as testemunhas (falsas, evidentemente) e por final, o veredicto final; uma sentença final e irrecorrível, cuja sentença, condenou-o à morte. A lei que vigorava na época era gravada nas Escrituras Sagradas, que atribuía a DEUS, o qualificador de Grande Legislador e Fonte da Lei. As infrações cometidas pelo povo judeu eram julgadas por seus iguais, na cidade de Jerusalém, tendo como palco de fundo o Sinédrio. Este era composto por vinte e três sacerdotes, vinte e três escribas, vinte e três anciões e dois presidentes, denominados de sumos sacerdotes. O Sinédrio era o Supremo Tribunal Judaico e, no caso em tela, o tribunal de maior alçada denominava-se O Grande Sinédrio, que exercia um grande poder sobre o povo judeu. Foi neste palco que ocorreu o primeiro julgamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. A prisão aconteceu sob o véu escuro da noite, pelos guardas do templo, acompanhados pelos principais dos sacerdotes. Ele, sofreu três interrogatórios. No primeiro processo, Ele foi inquirido pelo sumo sacerdote Anás (um dos acusadores e também juiz); em seguida foi Ele inquirido pelo sumo sacerdote Caifás (outro acusado e também juiz) e, logo após, Ele, foi levado ao Sinédrio, agora para haver a primeira audiência "legal", onde novamente foi inquirido pelos sumos sacerdotes, só que desta vez, na presença do conselho de sentença. Nesta ocasião foram ouvidas muitas testemunhas (falsas, diga-se de passagem), entretanto, como a legislação judaica prévia que apenas duas testemunhas eram necessárias e suficientes para a formação da culpa e, assim, encontram duas que testificaram, alegando que haviam ouvido palavras do acusado, onde Ele blasfemava contra a Lei de Deus, e, para tanto afirmaram terem ouvido dizer que: "Eu posso derribar o templo de Deus e reedifica-lo em três dias." (Mt.26:60-61). Após esses testemunhos, rapidamente aceitos pelo Sinédrio, estava formalizada a culpa do Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo que a sentença veio logo a seguir, sendo Ele, considerado culpado pelo acometimento do crime de blasfêmia e para tal crime a sentença capital - a morte por apedrejamento (Lv. 24:14-23). Sabemos que a execução do Senhor Jesus, não se consumou conforme dispunha a legislação mosaica.
Ora aqui existe uma lacuna na história! Uma exceção encontramos nas palavras do evangelista João, onde os sumos sacerdotes haviam dito a Pôncio Pilatos (então Procurador da Judéia), que não lhes era lícito matar nenhuma pessoa (Jo 18:31). Conjeturarmos, observando a história em si, que pelo fato do povo judeu estar sob o jugo do Governo Romano, o Sinédrio teria perdido parcialmente o seu poder, principalmente no tocante a execução de penas de morte; esta a nosso entender dependia da autorização do governador romano ou seu Procurador. Em nossas pesquisas, não encontramos outras explicações plausíveis, apenas hipóteses teóricas. Assim optamos pela presente, pois assim, nos possibilita entender o que levou os sumos sacerdotes conduzirem o Senhor Jesus à presença de Pôncio Pilatos. Ensejando assim um novo e rápido julgamento. Acreditamos e parte da história nós leva a assim crer, que este segundo julgamento teria ocorrido em face da recusa de Pôncio Pilatos autorizar a execução da sentença exarada pelo Sinédrio e também à ansiedade e pressa demonstradas pelos principais dos sacerdotes em executar a sentença de morte, visto que as comemorações da Festa de Páscoa já estavam em andamento. Neste sentido a Lei Mosaica apresentava várias proibições para essa ocasião festiva, entre essas proibições estavam presentes as execuções de sentença de pena de morte. Desta forma a sentença deveria ser cumprida com a maior brevidade possível. A história nos traz ao conhecimento de que Pôncio Pilatos, desde que assumiu o cargo de governador da Judéia, até a sua saída do cargo, não teve uma convivência pacífica com os judeus, tratando-os com total desprezo e considerando-os um povo atrasado, que recusava qualquer seguimento do progresso. Por sua vez os judeus também não nutriam nenhum afeto pelo governador romano, que pela força, queria lhes impor suas leis e seus costumes. A que parece existia um mútuo acordo entre Roma e o Sinédrio, do tipo: "deixe-nos conduzir nosso povo segundo as Leis de Deus e nós nos submetemos silentes ao jugo do governo de Roma." Essa teoria está alicerçada por acontecimentos históricos; pois, por algumas vezes o povo judeu, através do Sinédrio teria recorrido a Roma, contra atos praticados pelo Procurador Pôncio Pilatos e, este, por ordem do Imperador se viu obrigado a recuar. Nos conta a história, por exemplo, que Pôncio Pilatos mandará colocar dois escudos de ouro no portal de entrada de sua residência, com a inscrição de seu nome e do Imperador Tibério. Dada a proximidade da casa do procurador ao prédio do Sinédrio, os judeus manifestaram seu descontentamento, representando junto ao Imperador, que ordenou ao procurador Pôncio Pilatos que efetuasse a retirada das peças. Esse é apenas um exemplo da irascibilidade existente entre Pilatos e o povo judeu, ficando evidente o motivo que teria levado Pilatos a negar autorização para que os judeus efetuassem a aplicação da execução da pena de morte imposta ao Senhor Jesus. Estava clara a situação existente entre Pilatos e o povo judeu, então porque ele, iria favorecê-los gratuitamente? Este fator é de suma importância, para uma compreensão da existência do segundo julgamento. Diante da negativa de Pilatos em autorizar a execução da sentença prolatada pelo Sinédrio e, também, do exíguo tempo de que dispunham para executá-la, os principais dos sacerdotes e os sumos sacerdotes, tramaram, com a velocidade de um raio, uma nova acusação contra o Senhor Jesus. Desta vez, acusaram-no de que o mesmo havia cometido o crime de sedição; delito este previsto na legislação romana, onde a pena, caso o acusado fosse considerado culpado era também a pena de morte e a execução desta pena era a mais humilhante e mais terrível e temível que existia - a morte por crucificação, e não por apredejamento, conforme dispunha a Lei Mosaica. A aplicação da legislação romana, em seu ápice estava reservada para os criminosos da pior espécie, como ladrões, homicidas e outros. Para dar a caracterização e tipificação do delito de sedição, os principais dos sacerdotes, afirmaram ao Procurador Pôncio Pilatos, que o Senhor Jesus, havia-se proclamado publicamente
como sendo "Rei dos Judeus" e que ainda o mesmo havia divulgado e disseminado entre o povo judeu que Ele era contrário ao pagamento de tributo a César (ver Lc. 23:1-2). Mais mentiras por parte daqueles que desejavam a morte do Senhor Jesus. Em razão dessa grave denúncia, estando presente o acusado e seus acusadores, Pilatos ainda demonstrou certa resistência, tanto que inquiriu o Senhor Jesus e, após breve interrogatório, dirigiu-se aos sumo sacerdotes e disse não haver encontrado culpa naquele homem que justificasse a sua morte (Lc 23:3; Mt 27:13-14 e Jo 18:33-37) Porém, sob a pressão dos sumo sacerdotes e de seus seguidores, Pilatos, tomando conhecimento de que o acusado provinha da Galileia e estando naquele tempo, Herodes, o responsável por aquela jurisdição, em passagem por Jerusalém, contando que entre ambos existia uma grande inimizade, Pilatos determinou que se levasse o acusado para a presença de Herodes, que face à inimizade de ambos, efetuou rapidamente a devolução do prisioneiro para Pilatos (Lc. 23 6-12). Esse episódio caracterizou a segunda tentativa de Pilatos livrar-se daquela incomoda situação, pois, talvez até por não gostar dos judeus, disse, explanando a sua própria opinião, de que não encontrará crime algum naquele homem. Porém, a persistência e a determinação dos sumos sacerdotes e de seus fieis seguidores, fizeram Pilatos recuar na sua própria avaliação, pois este se sentiu ameaçado de que se assim não agisse, os judeus iriam denunciá-lo de agir contra o Império Romano - contra César, caso resolvesse ignorar as denúncias apresentadas pelos judeus. Desta forma, não querendo correr o risco de indispor-se novamente com César e até mesmo de perder seu posto de Procurador, optou pela salvaguarda de seus interesses pessoais. O segundo julgamento foi rápido, Ele foi interrogado por Herodes e novamente por Pilatos, ocasião em que se manteve silente. Pilatos tentou ainda uma última válvula de escape, pois, foi lembrado pelos seus auxiliares que por ocasião das festividades de Páscoa, tinha-se o costume de libertar a pedido do povo judeu, um preso e condenado à morte. Assim, Pilatos apresentou Jesus e Barrabás, sendo este último um assassino e sedicida declarado e julgado culpado. O povo presente na audiência pública, insuflado pelos seguidores dos sumos sacerdotes, começaram a clamar pela libertação de Barrabás e a gritar pela crucificação de Jesus. Diante da decisão do povo, Pilatos foi compelido a dar seqüência ao processo, condenando Jesus, pelo crime de sedição, cuja pena capital era a morte através da crucificação. Para que a crucificação não se prolongasse mais do que o necessário, o sentenciado era encaminhado para um ritual denominado de ritual do flagelo, onde Ele, foi açoitado, manietado e obrigado a carregar a trave na qual seria crucificado. (ver Mt. 27:25-56, Mc 15:15-41, Lc 23:25-48 e Jo 19:16-37). Estava dessa forma gravado um marco indelével na história da humanidade e praticando-se um homicídio público, dentro da legalidade, tanto da Lei Mosaica, como da Lei Romana. Um Justo sendo assassinado publicamente. Seus acusadores, juízes e executores não tinham consciência e muito menos poderiam prever que aquele ato, aquele fato, aquele assassinato legalizado, iria influir e mudar a história da humanidade para sempre. Segundo a Lei Mosaica, a mesma que criminosamente foi aplicada pelo Sinédrio para condenar Jesus, visualizamos os diversos delitos que os mesmos praticaram em sua sórdida empreitada criminosa. No livro de Êxodo 20:16, verificamos que, de forma vil, os crimes praticados pelos acusadores, testemunhas e juizes que protagonizaram a tragédia da crucificação de Jesus, podemos destacar os seguintes : a) Permitir a soltura do homicida Barrabás, infringindo o preceituado em Num. 35:31-34 e Deut. 19:11-13; b) Agir como gentalha ou acompanhar a multidão, insuflando-a a fazer o mal, em contraposição no disposto em Êxo. 23:2-3; c) Clamar pela crucificação, violando a lei que lhes proibia seguir estatutos diversos dos seus, bem como violando a lei que previa a dispensa de tortura antes da execução da sentença, conforme se lê em Lev. 18:3-5 e Deut 21:22-27; d) Aceitar um rei que não
fazia parte de sua nação (César) - (Deut. 17:14-15) e por final foram culpados de assassínio, conforme diz em Êxo. 20:13) Em sendo está apenas uma síntese dos processos que culminaram com a crucificação de Jesus, é evidente que para muitos o assunto possa não ser um fato novo, ou até mesmo irrelevante. Mas não pode ser desprezado pelos que militam no campo jurídico, considerando que, vez por outra, podemos estar julgando nossos semelhantes e conseqüentemente, estamos sendo julgados na mesma proporção. Portanto, em nosso caos cotidiano, em nossas labutas diárias pelos corredores forenses, enfrentando todas as espécies de revezes e até mesmo de clientes e os pseudoamigos, deixamos para reflexão a pergunta feita pelo próprio Pilatos -: "O que é a verdade?".