PROPRIEDADE INTELECTUAL Renato Dolabella Melo Mestre em Direito Econômico pela UFMG. Mestre em Propriedade Intelectual e Inovação pelo INPI. Pós-graduado em Direito de Empresa pelo CAD/Universidade Gama Filho RJ. Professor de Propriedade Intelectual, Direito Econômico e da Concorrência, Direito do Consumidor e Economia no curso de graduação em Direito da Unifenas. Professor de Direito da Propriedade Industrial no curso de graduação em Direito da FEAD. Ex-professor de Propriedade Intelectual, Direito do Consumidor e Direito Econômico no curso de graduação em Direito da UFMG. Professor de Propriedade Intelectual em cursos de pós-graduação do Cedin/Faculdades Milton Campos e do programa Global Talent do BI International. Membro fundador e diretor do Centro Mineiro de Estudos em Propriedade Intelectual e Inovação - CEMEPI. Professor de Direito do Terceiro Setor em cursos de extensão e capacitação da FEAD e do Instituto de Governança Social IGS. Membro da Comissão de Terceiro Setor da OAB/MG. Membro da Comissão de Concorrência e Regulação Econômica da OAB/MG. Palestrante, autor de livros e artigos publicados nas áreas de Propriedade Intelectual, Terceiro Setor e Direito Econômico. Bacharel pela Faculdade de Direito da UFMG. Advogado.
Inovação: conceito Alguns tipos de inovação são protegidas pelo Direito brasileiro. Propriedade Intelectual: ramo do Direito destinado a tutelar as criações do intelecto humano. Espécies: Direitos de Autor, Propriedade Industrial (Patentes, Desenhos Industriais, Marcas e Indicações Geográficas), Programas de Computador (Softwares), Cultivares, Topografias de Circuitos Integrados.
Direitos Autorais Lei 9.610/98 Proteção a criações artísticas e científicas. Não protege os aspectos funcionais da criação (patentes). Sistema declaratório. Registro facultativo (BN, EBA/UFRJ, etc.) Art. 8 : hipóteses excluídas de proteção.
Direitos Autorais Art. 8º Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata esta Lei: I - as idéias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais; II - os esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou negócios; III - os formulários em branco para serem preenchidos por qualquer tipo de informação, científica ou não, e suas instruções; IV - os textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos, decisões judiciais e demais atos oficiais; V - as informações de uso comum tais como calendários, agendas, cadastros ou legendas; VI - os nomes e títulos isolados; VII - o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras.
Direitos Autorais Autoria (art. 11): autor é a pessoa natural criadora da obra (não será necessariamente o titular dos direitos patrimoniais). Direitos de autor: morais e patrimoniais.
Direitos Autorais Direitos morais: são irrenunciáveis e inalienáveis. Art. 24. São direitos morais do autor: I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra; II - o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; III - o de conservar a obra inédita; IV - o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra; V - o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada; VI - o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem; VII - o de ter acesso a exemplar único e raro da obra, quando se encontre legitimamente em poder de outrem, para o fim de, por meio de processo fotográfico ou assemelhado, ou audiovisual, preservar sua memória, de forma que cause o menor inconveniente possível a seu detentor, que, em todo caso, será indenizado de qualquer dano ou prejuízo que lhe seja causado.
Direitos Autorais Direitos Patrimoniais Arts. 28 e 29: exploração da obra (reprodução, tradução, alteração, execução pública, etc.). Prazo de duração dos direitos patrimoniais de autor (arts. 41 a 44): 70 anos contados de 1 de janeiro do ano subseqüente a morte do autor (regra geral art. 41), primeira publicação (obras anônimas ou pseudônimas art. 43) ou divulgação (obras fotográficas ou audiovisuais art. 44).
Direitos Autorais Cessão de direitos: transferência. Licenciamento: autorização. A cessão só pode ser feita por escrito. A cessão vale apenas para o país onde se firmou o contrato, salvo estipulação em contrário. A Lei de Direitos Autorais não estabelece que os direitos sobre a obra pertencerão automaticamente ao contratante do serviço (exceção: direito de reprodução de representação de imagem feita por encomenda). Assim, é muito importante celebrar contrato por escrito com os contratados estabelecendo claramente a forma de exploração dos direitos.
Programa de Computador Lei 9.609/98 Aplicação do regime de direitos autorais (art. 2 ) Não se aplicam os direitos morais de autor, exceto reconhecimento de paternidade e integridade (oposição a alterações não autorizadas que impliquem em prejuízo à honra/reputação). Registro facultativo perante o INPI, sem análise de mérito.
Programa de Computador Prazo: 50 anos, contados de 1 de janeiro do ano subsequente da publicação ou criação. Direitos sobre o software: pertencem ao empregador se o programa foi desenvolvido durante a vigência de contrato destinado a pesquisa ou atividade cuja natureza envolva o desenvolvimento de programas pelo contratado. Pertencem ao empregado se o software for desenvolvido sem relação com o contrato e sem o uso de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais e de negócios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador.
Marcas Lei 9.279/96. Artigo 122 da Lei 9.279/66: marcas são sinais distintivos visualmente perceptíveis. Sistema constitutivo de proteção: via de regra, o registro junto ao INPI é obrigatório. Art. 123 espécies de marcas: produto/serviço, de certificação, coletivas. Quanto ao aspecto visual: nominativa, figurativa, mista, tridimensional. Prazo de proteção: decênios renováveis sem limitação por iguais períodos.
Marcas Princípio da especialidade: classificação de Nice Princípio da territorialidade. Art. 124 proibições inciso VI: caráter descritivo inciso XIX: marca alheia registrada
Marcas Cessão (art. 134) e licenciamento (art. 139). Anotação/averbação e publicação pelo INPI para operar efeitos contra terceiros (arts. 137 e 140). Perda de direitos (art. 142): caducidade por falta de uso (inciso III).
Patentes Lei 9.279/96. Sistema constitutivo de proteção: o depósito junto ao INPI é obrigatório. Espécies: Invenção (produto ou processo 20 anos) Modelo de Utilidade (produto 15 anos)
Patentes Requisitos Novidade Atividade Inventiva (invenções) / ato inventivo (MU) Aplicação Industrial Devem ainda ser observadas as formalidades exigidas pela lei, especialmente a suficiência descritiva.
Patentes A invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao contratante quando decorrerem de contrato que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte esta da natureza dos serviços contratados (art. 88). Pertencerá ao contratado quando a criação foi feita desvinculada do contrato de trabalho e não decorrente da utilização de recursos, meios, dados, materiais, instalações ou equipamentos do contratante (art. 90). Propriedade em partes iguais quando resultar da contribuição pessoal do empregado e de recursos, dados, meios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador, ressalvada expressa disposição contratual em contrário.
Desenhos Industriais Lei 9.279/96. Proteção ao aspecto estético de um produto industrial. Sistema constitutivo (registro obrigatório). Prazo: 10 anos, prorrogável por três períodos de 5 anos cada. Titularidade dos direitos (contratante/contratado): mesmos critérios das patentes.
Indicações Geográficas Lei 9.279/96. Sinal distintivo para uso de produtores de uma determinada região geográfica. Indica a origem de um produto ou serviço. O registro pode ser feito por associações e pessoas jurídicas representativas da coletividade legitimada ao uso exclusivo do nome geográfico e estabelecidas no respectivo território.
Cultivares Lei 9.456/97. Melhoramentos vegetais. Sistema constitutivo (registro obrigatório). Prazo: 15 anos, exceto para as videiras, as árvores frutíferas, as árvores florestais e as árvores ornamentais, que terão 18 anos de proteção. Titularidade dos direitos (contratante/contratado): mesmos critérios das patentes.
Topografias de Circuitos Integrados Lei 11.484/07 (art. 23 a 61) Configuração tridimensional das camadas que compõem um circuito integrado. Sistema constitutivo (registro obrigatório). Prazo: 10 anos. Titularidade dos direitos (contratante/contratado): pertencem ao contratante se houver utilização de recursos deste ou se a criação for feita em função do contrato. Pertencem ao contratado se a inovação não tiver relação com o contrato e sem o uso de recursos do contratante.
Obrigado! Renato Dolabella dolabella@dolabella.com.br