RELATOR : MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA AGRAVANTE : EMANOEL FERREIRA E OUTRO ADVOGADO : SÉRGIO RICARDO SOUSA BEZERRA AGRAVADO : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL ADVOGADOS : BIANCO SOUZA MORELLI PAULO MELO DE ALMEIDA BARROS E OUTRO(S) EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE USUCAPIÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ART. 535 DO CPC. REQUISITOS. REEXAME DE PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. A reforma do julgado demandaria o reexame do contexto fático-probatório, procedimento vedado na estreita via do recurso especial, a teor da Súmula nº 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a Terceira Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro, João Otávio de Noronha (Presidente) e Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 1º de março de 2016(Data do Julgamento) Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva Relator Documento: 1490446 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/03/2016 Página 1 de 5
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por EMANOEL FERREIRA E OUTRO contra a decisão (e-stj fls. 451-453) que negou seguimento ao recurso especial. Naquela oportunidade, concluiu-se pela impossibilidade de acolhida das pretensões dos recorrentes ante (i) a inviabilidade da alteração das conclusões do acórdão recorrido, tendo em vista a incidência da Súmula nº 7/STJ, e (ii) a ausência de negativa de prestação jurisdicional. Nas razões do regimental (e-stj fls. 456-473), os agravantes, em síntese, reforçam a alegação de afronta ao art. 535 do Código de Processo Civil e sustentam que seria desnecessária a análise de fatos e provas para a solução da matéria em debate. É o relatório. Documento: 1490446 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/03/2016 Página 2 de 5
VOTO O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (Relator): A irresignação não merece prosperar. Com efeito, como consignado na decisão agravada, verifica-se que o tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional apenas pelo fato de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Quanto ao tema de fundo, o tribunal local, à luz da prova dos autos, concluiu não estarem preenchidos os requisitos do usucapião especial urbano, como demonstra o excerto a seguir transcrito: "(...) O cerne da questão cinge-se em analisar a configuração de usucapião urbano, em imóvel da CEF, conforme suscita o particular apelante. O usucapião especial urbano está previsto tanto no art. 183 da CEF, como no Código Civil no seu art. 1.240 e, ainda, no art. 9º da Lei nº 10.257/01 (Estatuto da Cidade), inclusive, com a mesma redação, in verbis: '(...) Portanto, são requisitos específicos para a modalidade urbana de usucapião: a) animus domini; b) utilização do imóvel para moradia do possuidor ou de membro de sua família; limitação de área; d) lapso temporal de 5 anos; e) que o possuidor não seja proprietário de outro imóvel rural ou urbano. O animus domini, suficiente para ensejar o usucapião sobre um imóvel caracteriza-se pela posse exercida com ânimo de dono, ou seja, de ter a coisa para si, como se dono fosse, excluindo desta forma os locatários, arrendatários e comandatários que tem a posse do bem imóvel, somente com o consentimento do proprietário. In casu, verifica-se que não houve o atendimento desse requisito constitucional, visto que a parte autora possuía o bem sabendo que esse era de propriedade de outrem, haja vista, o descumprimento pelo ex-mutuário do contrato firmado com a CEF, teno sido o imóvel objeto de adjudicação em 2001, mediante execução extrajudicial, através da qual a recorrente retomou o imóvel da Sra. Maria da Glória Torres Nunes. Desse modo, não há que se falar em caracterização da usucapião do imóvel em questão, haja vista a posse precária da parte demandante" (fls. 349-350 e-stj). Assim, rever tais conclusões demandaria o reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável em recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do Superior Tribunal de Justiça: "A Documento: 1490446 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/03/2016 Página 3 de 5
pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial ". A propósito: "RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO HABITACIONAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. POSSE DECORRENTE DE CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. CONTRATO DE GAVETA. ANIMUS DOMINI NÃO CONFIGURADO. POSSE MANSA E PACÍFICA. DEBATE. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Pretensão dos recorrentes de usucapir imóvel adquirido por meio de cessão de direitos e obrigações decorrentes de contrato de mútuo de imóvel originariamente financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação com incidência de hipoteca sobre o bem. 2. Para a configuração da usucapião extraordinária é necessária a comprovação simultânea de todos os elementos caracterizadores do instituto, constantes no art. 1.238 do Código Civil, especialmente o animus domini, condição subjetiva e abstrata que se refere à intenção de ter a coisa como sua. 3. A posse decorrente de contrato de promessa de compra e venda de imóvel por ser incompatível com o animus domini, em regra, não ampara a pretensão à aquisição por usucapião. 4. A análise da existência de posse mansa e pacífica demandaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do STJ. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido " (REsp nº 1.501.272/SC, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/5/2015, DJe 15/5/2015 - grifou-se). Desse modo, considerando-se que os agravantes não trouxeram nenhum argumento capaz de modificar a conclusão do julgado, a decisão deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto. Documento: 1490446 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/03/2016 Página 4 de 5
CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA Número Registro: 2013/0019052-6 AgRg no REsp 1.364.576 / SE Números Origem: 200885000029390 20088500002939001 29390720084058500 504304 EM MESA JULGADO: 01/03/2016 Relator Exmo. Sr. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS ALPINO BIGONHA Secretária Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA RECORRENTE ADVOGADO RECORRIDO ADVOGADOS AUTUAÇÃO : EMANOEL FERREIRA E OUTRO : SÉRGIO RICARDO SOUSA BEZERRA : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL : PAULO MELO DE ALMEIDA BARROS E OUTRO(S) BIANCO SOUZA MORELLI ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Coisas - Propriedade - Aquisição - Usucapião Especial (Constitucional) AGRAVANTE ADVOGADO AGRAVADO ADVOGADOS AGRAVO REGIMENTAL : EMANOEL FERREIRA E OUTRO : SÉRGIO RICARDO SOUSA BEZERRA : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL : PAULO MELO DE ALMEIDA BARROS E OUTRO(S) BIANCO SOUZA MORELLI CERTIDÃO Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro, João Otávio de Noronha (Presidente) e Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr. Ministro Relator. Documento: 1490446 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 07/03/2016 Página 5 de 5