NOTA INFORMATIVA Nº 3 - MCSP /2008 Competências do Coordenador de Unidade de Saúde Familiar (USF) (Decreto-Lei nº 298/2007, de 22 de Agosto) Tendo surgido actos de dirigentes de diversas ARS, com os mais variados argumentos, negando e revogando os actos praticados pelos coordenadores das USF, no uso da competência que lhes atribui o artigo 12º do Decreto-Lei nº 298/2007, de 22 de Agosto, e tendo-se levantando um mar de dúvidas em todas as USF em presença desta actuação, entende-se pertinente divulgar esta Nota no sentido de uma correcta e uniforme interpretação dos dispositivos legais criando, assim, um clima de estabilidade na reforma dos CSP. DECRETO-LEI Nº 298/2007, 22 de Agosto Artigo 12.º Coordenador da equipa 1 - O coordenador da equipa é o médico identificado na candidatura e designado pelo despacho que aprova a constituição da USF. 2 - Não é permitida a acumulação das funções de coordenador da equipa e de director de centro de saúde. 3 - O coordenador da equipa exerce as suas competências nos termos previstos no regulamento interno da USF. 4 - Compete, em especial, ao coordenador da equipa: a) Coordenar as actividades da equipa multiprofissional, de modo a garantir o cumprimento do plano de acção e os princípios orientadores da actividade da USF; b) Gerir os processos e determinar os actos necessários ao seu desenvolvimento; c) Presidir ao conselho geral da USF; d) Assegurar a representação externa da USF; e) Assegurar a realização de reuniões com a população abrangida pela USF ou com os seus representantes, no sentido de dar previamente a conhecer o plano de acção e o relatório de actividades; f) Autorizar comissões gratuitas de serviço no País. 1
5 - O coordenador da equipa detém as competências para, no âmbito da USF, confirmar e validar os documentos que sejam exigidos por força de lei ou regulamento. 6 - O coordenador da equipa exerce, também, as competências legalmente atribuídas aos titulares do cargo de direcção intermédia do 1.º grau e outras que lhe forem delegadas ou subdelegadas, com faculdade de subdelegação. 7 - Com excepção das previstas nas alíneas a) e c) do n.º 4 do presente artigo, o coordenador da equipa pode delegar, com faculdade de subdelegação, as suas competências noutro ou noutros elementos da equipa. NOTAS Notas ao nº1 Esta norma dá a indicação clara que a substituição do coordenador, a qualquer momento, terá de seguir o mesmo procedimento da primeira designação, isto é, a deliberação do conselho geral que aprove a substituição do coordenador deve ser comunicada ao CD da ARS para homologação do mesmo modo que a da constituição da equipa. Notas ao nº4 I - De acordo com o artigo 29º do Código do Procedimento Administrativo (CPA) a competência é definida por lei e é irrenunciável e inalienável, sem prejuízo do disposto quanto à delegação de poderes e à substituição. Assim, a norma incluída neste número expressa a legalidade da fixação de competência, vertente do princípio geral da legalidade, princípio elementar de actuação de Administração Pública. II - Deste nº 4 resulta que a competência do coordenador é própria. É um poder que lhe foi atribuído directamente pela lei para a prática de determinados actos. Contudo há que considerar que esse poder próprio para decidir cinge-se às matérias ali enunciadas e devem ser observadas as directivas e orientações gerais dos órgãos ou entidades superiores. III - No caso concreto da autorização das comissões gratuitas de serviço no país, prevista na alínea f), o coordenador deve decidir com acatamento das orientações gerais superiormente fixadas. Salienta-se, a propósito, a vigência do Despacho do Ministro da Saúde nº 867/2002, publicado no DR, 2ª série de 14 de Janeiro de 2002, que define 2
regras para a concessão da comissão gratuita de serviço, as quais devem ser consideradas na decisão do coordenador. No caso de também existirem normas da ARS o coordenador da USF deve munir-se desses instrumentos e decidir com observância dos mesmos. IV - Por força do artigo 42º do DL 298/2007, o funcionamento das USF depende em primeira linha da ARS e a decisão do coordenador da USF, sobre comissões gratuitas de serviço, deve ser-lhe remetida acompanhada dos fundamentos atinentes, e não um processo para autorização. Aliás, como se determina no nº 12 do despacho acima citado, devem ser remetidas à ARS todas as decisões tomadas durante o mês. No âmbito dos procedimentos não se mostra necessário, portanto, qualquer intervenção do director do Centro de Saúde, nem sequer emissão de parecer, dado que a decisão está legalmente tomada a montante. Todavia, numa actuação de estreita cooperação e manifesta cortesia entende-se que lhe deve ser dado conhecimento da decisão tomada. A matéria em causa também não se insere na esfera do Manual de Articulação com o Centro de Saúde. V - Há que não confundir os conceitos de competência, poder para decidir, e de dependência hierárquica, relação de subordinação. O coordenador da USF, embora possa decidir autonomamente neste segmento, está obrigado a ter em consideração, na sua decisão, as orientações gerais traçadas pela entidade hierarquicamente superior. É de salientar que, de acordo com o preceituado no CPA e na medida em que a competência para autorizar as comissões gratuitas de serviço não é exclusiva do coordenador da USF, mas também do CD da ARS, pode este, na qualidade de superior hierárquico, revogar ou modificar a decisão do coordenador invocando inconveniência ou inoportunidade, se inobservadas as directrizes e orientações gerais vigentes. Por economia processual, e a finalidade deste documento, entende-se por desnecessário maior desenvolvimento desta matéria. Notas ao nº5 Inserem-se neste número as competências relativas à prescrição e prestação de cuidados de saúde, nomeadamente: 3
- confirmação de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT); - requisição de transporte de doentes. Notas ao nº6 I - Cabe aqui, e agora, mencionar quais são as competências previstas na Lei 2/2004, de 15 Janeiro, com a redacção dada pela Lei nº51/2005, de 30 Agosto: Artigo 8º Competências dos titulares dos cargos de direcção intermédia 1 Compete aos titulares de cargos de direcção intermédia do 1º grau: a). b).... c).... d). e) Praticar os actos previstos no Anexo II, que é parte integrante da presente lei. 2 - ANEXO II - Autorizar o exercício de funções a tempo parcial. - Justificar ou injustificar faltas. - Conceder licenças e autorizar o regresso à actividade, com excepção da licença sem vencimento por um ano por motivo de interesse público e da licença de longa duração. - Autorizar o gozo e acumulação de férias e aprovar o respectivo plano anual. - Autorizar o abono do vencimento de exercício perdido por motivo de doença. - Autorizar a inscrição e participação do pessoal em congressos, reuniões, seminários, colóquios, cursos de formação em regime de autoformação ou outras iniciativas semelhantes que decorram em território nacional quando não importem custos para o serviço. - Autorizar o pessoal a comparecer em juízo quando requisitado nos termos da lei de processo. II - Embora lhe sejam cometidas as competências de titular de cargo de direcção intermédia, usualmente director de serviços, não é aplicável ao coordenador de USF o estatuto de dirigente. O diploma das USF ao atribuir-lhes autonomia técnica, funcional e organizativa veio, de igual modo no artigo 12º, conferir ao coordenador as competências de gestão equiparadas às de director de serviços para agilizar os procedimentos gestionários e adaptar a resposta da equipa às solicitações dos seus utentes através da intersubstituição. III - Verifica-se que a competência para autorizar comissões gratuitas de serviço também se encontra incluída no anexo II, mas tal facto não acrescenta mais legitimidade ao coordenador da USF. 4
IV - As competências atribuídas ao coordenador por força da 1ª parte deste nº6 também são consideradas como próprias. V - São aplicáveis neste sector as notas feitas ao nº 4. Notas ao nº7 I - Resulta da norma inserida neste número que todas as competências atribuídas ao coordenador podem ser delegadas ou subdelegadas à excepção das alíneas a) e c) do nº 4, ou seja, coordenar as actividades da equipa multiprofissional e presidir ao conselho geral. II - Dada a dimensão da equipa, e no sentido de preservar a sua unidade e coesão, é avisado, no entanto, que outras competências, para além das mencionadas anteriormente, deveriam ser reservadas ao coordenador, ou seja não delegadas, particularmente as que se relacionam com a gestão da equipa. Recomenda-se, assim, que sejam delegadas competências apenas nas situações em que tal delegação resulte na agilização de procedimentos em benefício do utente, e quando daí não advenha risco de prejuízo para a gestão das actividades da equipa. Em 25 de Fevereiro 2008 O Coordenador da MCSP Luís Pisco 5