Sist. Nac. de Informações Culturais SNIC FICHA DE REGISTRO DE SÍTIO ARQUEOLÓGICO Depto.de Identificação e Documentação-DID Nome do Sítio: LAGOA DA NORUEGA Outras designações ou siglas: Município: SEROPÉDICA Localidade: BAIRRO FONTE LIMPA Outras designações da localidade: FAZENDA NORUEGA Descrição sumária: CNSA : (campo reservado) UF RJ Sítio localizado quando da visita da Coordenação do Programa para fiscalizar o andamento do monitoramento em área de remoção de terra e, paralelamente de aterro em área embrejada e com vegetação de taboa (Typha). O operador da máquina que removia a vegetação do brejo para colocação do entulho por caminhões, por ter participado das atividades prévias de Educação Patrimonial, chamou a atenção dos pesquisadores para a ocorrência de tijolos maciços que removia juntamente com as plantas. Ficou constatado, então, que assomavam entre a vegetação algumas estruturas que se encontravam em nível mais baixo do que a estrada, em seu lado esquerdo. A pesquisa de superfície resultou no encontro de material arqueológico histórico.. Localização do sítio Sítio que se integra no contexto geográfico característico do município que o abriga: extensa baixada dominada pelos depósitos da Bacia do Rio Guandu, compreendendo, ainda, o entorno periférico colinoso e o contorno limítrofe da serra do Mar. Caracterização - Possui uma geografia variada, medindo cerca de centro e quinze metros de comprimento por cinqüenta de largura. Sua superfície é constituída por áreas alagadiças, de platôs e declives suaves. Divide-se em três áreas de escavação, denominadas como Edificações 1, 2 e 3, implantadas nas áreas planas e separadas por pequenos declives. As edificações 1 e 2 se localizam em platôs na região mais alta da base da montanha, enquanto a Edificação 3 está situada na parte baixa, alagadiça, estando no mesmo nível das pequenas lagoas que margeiam parte da área sul do sítio. Esta situação foi responsável por algumas dificuldades de abordagem. As constantes infiltrações de água exigiram, durante as escavações, um constante trabalho de escoamento realizado através de bombas d água. Abordagem extensiva: - Limpeza de Superfície Realizada segundo o padrão IAB se iniciaram pela limpeza do terreno e sua avaliação de superfície. Em resultado, tendo sido identificadas as áreas de maior concentração de material e a existência de estruturas diversas, a escavação ficou orientada no sentido de abordar três áreas principais, relacionadas às construções citadas. A Edificação I foi a primeira a ser abordada devido à existência de concentração de telhas, localizada em patamar, a cerca de 10 metros de uma das lagoas que margeiam o sítio. A Edificação II em superfície de tijolos alinhados localiza-se na cota mais alta do sítio, também em um patamar, enquanto que a Edificação III evidenciou uma estrutura em tijolos com argamassa em cimento, na cota mais baixa do sítio. Setorização e Sondagens - O Marco Zero foi estabelecido na extremidade norte do sítio e ficou definida uma linha de sondagens no sentido norte-sul. Abordagem Intensiva: Os setores escavados tiveram como objetivo verificar a ocorrência de material em superfície e nas sondagens realizadas. Todos os setores citados localizam-se em áreas de declive suave. A primeira camada, areno-argilosa castanho escuro, apresentou a maioria dos vestígios arqueológicos recuperados. Estruturas Escavadas - Edificação I - Esta edificação possui 20 metros de comprimento, por 15 metros de largura. Foi caracterizada pela existência de vestígios de uma possível parede de tijolos maciços que mede 7,5 metros de comprimento, por 0,20 cm de largura. Esta parede é circundada por três esteios localizados em suas extremidades e em seu centro. Destaca-se o fato de que na sua construção foram utilizados, em sua maioria, tijolos fragmentados, não sendo encontrados vestígios de argamassa. Além desses três esteios foram localizados outros sete, completando um total de dez. Este conjunto formaria uma área coberta de 136 m² (16 x 8,5 metros), inseridos na área maior de 300 m2 da estrutura. Foram recuperados materiais de uso cotidiano, como garrafas ou fragmentos de stoneware, vidro e cerâmica que, pelas dimensões, e forma sugerem utensílios para acondicionamento de líquidos. Também foi recolhido um possível vira-mundo de metal muito enferrujado, assim como outros artefatos da mesma classe (em sua maioria cravos e aros de roda), além de muita louça decorada (padrão Borrão Azul). Nessa área, entre o material construtivo encontrado em maior número está a telha e fragmentos de tijolos. Aparentemente se tratava de um amplo espaço aberto, coberto com telhas ou palha, com uma parede em uma de
suas extremidades. Seria uma construção do tipo ilustrado pelos cronistas coloniais que percorreram o Brasil após sua emancipação de Portugal. Estrutura II - Ocupava também uma área de cerca de 300m², caracterizada pela presença de seis grandes sapatas construídas em pedra e argamassa feita com conchas, além de dois esteios. Suas medidas, bem como suas profundidades sugerem uma área construída em mais de um pavimento, utilizando como cobertura também telhas canal. No mesmo nível da Estrutura I e em nível superior ao da Estrutura III. O material arqueológico recuperado consistiu em: louças com decorações características do século XIX; vidro (fragmentos de garrafa, entre outros); metal (outro possível vira-mundo, cravos, argolas etc.). Setores Escavados: Foram escavados onze setores com medidas variando de 4m2 a 10m2, revelando sedimento areno-argiloso castanho escuro, de compactação média e homogênea. No nível inferior a tonalidade tende se tornar mais escura e foram escavados níveis mais profundos, até os 50 centímetros. Coletado metal, telha, pouca louça, tijolos maciços e um fragmento de stoneware. Foram abertas duas trincheiras de 10 X 1 metro e 6 X 1 metro com sedimentos de composição, compactação e cores semelhantes aos anteriores. Material cultural restrito aos fragmentos de telha. Estrutura III - Uma das principais características da Edificação III é a sua implantação em área sujeita a acúmulo de água advinda de minas, comuns na região. Para resolver esta questão, parecem ter sido utilizadas duas estratégias: a construção de canaletas na parte norte da área, próximo ao declive que separa as Edificações II da III para deságue, assim como a utilização de telhas fragmentadas no entorno da parede sul da edificação prevenindo contra a ação da umidade. Está cerca de 2 metros mais baixa do que as demais edificações. Esta construção possui características distintas das anteriores, sendo formada por uma ampla área construída (cerca de 20 x 7 metros ou 140 m2), tendo seus alicerces (um em pedra na parede sul e outro em tijolos maciços, na parede norte, recobertos com cimento). Possuía, ademais, uma área parcialmente recoberta com piso em lajota; uma canaleta, cujo escoamento segue em direção à parede sul e uma construção, cujo alicerce construído em pedra e cal era sobreposto por espessas paredes de tijolos maciços, ligados por cimento. Nela foi evidenciado um cano em chumbo, cujas extremidades estão no alto da construção e, próximo à sua base, em direção sul; um forno; além de dez esteios, dispostos tanto no entorno da edificação, quanto em seu interior. O material arqueológico recuperado foi variado, principalmente nos objetos em metal (bigorna ainda inteira, volantes de comporta, válvulas de registro, chaves e cravos). Foram também recuperados vidros e, em menor escala: louça (decoradas e simples), assim como alguma cerâmica colonial de torno. A análise das características dessas instalações permite supor que se destinava tanto a armazenar quanto a descartar o líquido utilizado. Supõe-se que a Edificação III estivesse relacionada a um espaço de importância na vida da antiga Fazenda, destinado à preparação e conserto de ferramentas, bem como a demais atividades ligadas ao trabalho com o metal. A hipótese baseia-se na existência de itens tipicamente utilizados pelo ferreiro/serralheiro (bigorna, forno e água). Mais do que espaços destinados a ferrar cavalos, as casas de ferreiros eram o centro do processamento de metal, trabalho controlado na época colonial. Mas que no caso, teria se iniciado já no período nacional do país a partir do século XIX. D Conclusão - O sítio Lagoa da Noruega apresenta um conjunto arquitetônico formado por três unidades com características distintas. Reconhecendo-se a diversidade existente entre unidades produtivas e funcionais, em um contexto mais amplo (unidades de pequeno, médio e grande porte), o contexto histórico-arqueológico do sítio Lagoa da Noruega sugere tratar-se de um conjunto ligado às atividades relacionadas à esfera funcional de uma fazenda. De acordo com entrevista realizada com o Sr. Roberto Goulart, um dos atuais proprietários da Fazenda Noruega, este espaço destinava-se, desde o final do século XIX, à pecuária. A pesquisa arqueológica indica o enquadramento em uma esfera funcional, possivelmente ativa no século XIX, ligada possivelmente à sede da Fazenda. Um fator que chama a atenção reside na variação de tipos de materiais construtivos recuperados na área. A diversidade de tijolos e argamassa pode indicar um período de ocupação um pouco mais recuado, hipótese, no entanto não confirmada pela pesquisa. Sítios relacionados: Sítio Morro da Noruega, Fazenda Seropédica III Proximidade física. Sítios Morro da Noruega, da Pedra, Anabal, Rafael Bispo, Roberto Goulart, São Sebastião II e III Filiação Cultural Nome do proprietário do terreno: Sr. Roberto Goulart Cunha Endereço: Rua da Assembléia de Deus, 100 Bairro Fonte Limpa Cidade: Seropédica UF RJ CEP: E-mail 23.890-000 Ocupante atual: Fone/Fax Eixo da rodovia BR 493 trecho C do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
Acesso ao sítio: Da BR 495 (antiga Rio SP) seguia-se pela Rua Washington Luis (Centro-Seropédica) até o bairro Fonte Limpa. O sitio ficava no Eixo Centra da rodovia do Arco Metropolitano estaca 2750 a 2770. Medidas do sítio: Comprimento: 120m Largura: 50m Altura máxima: 5m (a partir do nível do solo) Área: 6000m2 Medição: Estima Passo Mapa Instrumento Nome e sigla do documento cartográfico: Imagem de Satélite Google 2007 Ano de edição: Órgão: Escala: 2007 IBGE DSG OUTRO Delimitação da área/coordenadas UTM: dados atualizados na escavação Zona: 23 K E: 0629950 N: 7482460 Perímetro: Zona: 23 K 0629950 E: N: 7482460 DATUM: SAD 69 Zona: 23 K E: 0630043 N: 7482555 GPS Em mapa Margem de erro Zona: Zona: 23 K 23 K E: E: 0629934 0630062 N: 7482509 N: 7482508 Unidade geomorfológica: (vide tabela) Compartimento topográfico: (vide tabela) Planície Altitude: (com relação ao nivel do mar) 35 m Outras referência de localização: Agua mais próxima: Nascente no local Planície de deposito sedimentar Distância: Rio: 780 m Valão dos Bois Bacia: Guandu/Baia de Sepetiba Vegetação atual: Floresta ombrófita Campinarana Savana-estépica (caatinga Capoeira Floresta estacional Savana (cerrado) Estepe Outra: Gramínea / taboa Uso atual do terreno: Atividade urbana Estrutura da fazenda Plantio Via pública Pasto Área não utilizada Outro: Propriedade da terra: Área pública Área privada Área militar Área indígena Outra: Proteção legal Unidade de conservação ambiental Categoria: Municipal Estadual Federal Patrimônio da humanidade/unesco Exposição: Contexto de deposição: Uniconponencial Multicomponencial Pré-colonial De contato Histórico Céu aberto Gruta Abrigo sob rocha Submerso Outra: Em superfície Em profundidade Tipo de sítio: Forma: (vide tabela) Tipo de solo
Residência Colonial/ Ferraria do Sec. XVIII Indefinido Estratigrafia: (indicar o número, espessura e profundidade das camadas arqueológicas) Areno argiloso Abordagem Extensiva - a cada 5 metros foi demarcada uma linha, atingindo o total de vinte e três e se procedeu a setorização do sítio, atingindo um total de 36 setores escavados. Cada setor possuindo 5x5 metros, sendo escavada uma área de 628,6m 2.. Nas áreas onde não foram identificados vestígios de edificação foram realizadas 114 sondagens das quais 11 apresentaram registros de material arqueológico, sendo a maioria constituída por material construtivo (telha e tijolo). Estruturas Área de refugo Vestígios de mineração Buracos de estacas De Lascamento Fossas Alinhamento de pedras De Combustão (fogueira, forno, fogão) Manchas pretas Muros de Pedra Funerárias Canais tipo trincheira, valetas Palafitas Vestígios de edificação Círculo de pedra Paliçadas Concentrações cerâmicas Quantidades Outras: todas as classes de material histórico Artefatos: Lítico lascado Lítico político Cerâmico Sobre concha Sobre material orgânico Outros vestígios líticos: Material histórico: Tijolos, lajotas, telhas louças, metais, estruturas de pedras e tijolos. Outros vestígios orgânicos: Outros vestígios inorgânicos: Acervo:Instituições: (em que se encontra o material coletado) Números de catálogo: Vide Lista Inventario INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA (IAB) Arte rupestre: Pintura Gravura Ausente Artefatos líticos - Filiação cultural: Tradições: Fases: Complementos: Artefatos cerâmicos - Filiação cultural: Tradições: Outras atribuições: Fases: Complementos: Outras atribuições: Arte rupestre - Filiação cultural: Tradições: Fases: Complementos: Outras atribuições: Datações absolutas: Datações relativas:
Grau de integridade: Fatores de destruição: mais de 75% entre 25 e 75% Sim menos de 25% Erosão eólica Erosão pluvial Construção de estradas Vandalismo Erosão Fluvial Atividades agrícolas Construções de moradias Outros fatores naturais: Outros fatores antrópicos: Construção de estradas Possibilidades de destruição: Total - Sob o eixo central da estrada BR493. Medidas para preservação: Resgate dos Vestígios Culturais Relevância do sítio: Alta Média Baixa Atividades desenvolvidas no local: Registro Coleta de Superfície Sondagem ou Corte estratigráfico Escavação de grande superfície Levantamento de gráficos rupestres Responsável pelo registro: Encontrado durante atividades de Monitoramento Arqueológico na faixa de domínio da obra Por Jandira Neto Arqueóloga do IAB Registros no Iphan - Ondemar Ferreira Dias Junior e Josefa Jandira Neto Ferreira Dias Cidade: Estrada do Sarapuí, 3199 Vila Santa Tereza Belford Roxo CEP: E-mail: Fone/Fax: 26.193-575 Jandira@arqueologia-iab.com.br 21 3135-8117 Nome do projeto: UF RJ Projeto de Monitoramento, Salvamento Arqueológico e Valorização do Patrimônio Cultural nas Obras da Estrada RJ 493/ RJ-109 Trecho C do Arco Metropolitano. Nome da instituição: INSTITUTO DE ARQUEOLOGIA BRASILEIRA (IAB) Endereço: Estrada da Cruz Vermelha, 45 Vila Santa Tereza Belford Roxo RJ Cidade: Belford Roxo UF RJ CEP 26.193.415 E-mail iab@arqueologia-iab.com.br Fone/Fax: (21) 3135-8117 Documentação produzida: (quantidade) Mapa com sítio plotado: Planta baixa dos locais afetados: Perfil topográfico: Foto preto e branco: Cópia total de arte rupestre: Caderneta de campo: Croqui: Planta baixa de estrutura: Foto aérea: Reprografia de imagem: Cópia parcial de arte rupestre: Video/filme: Planta baixa do sítio: Perfil estratigráfico: Foto colorida: Imagem de satélite: Ilustração de imagem: Outra: Quantidade de imagens anexadas à Ficha de registro para inclusão no Banco de imagens: 10 fotos
Bibliografia: Vide Relatório Final do Programa no IPHAN Observações: 1. Todos os processos de atividades de Educação Patrimonial e Estudos de Patrimônio Cultural Imaterial desenvolvidos ao longo de cinco anos se encontram no Relatório Final. Atenção! Esta Ficha de Registro foi refeita ao final da pesquisa e deverá substituir a anterior no CNSA. Belford Roxo, 01/10/2014 Assinatura: Mapas, croquis e fotos, abaixo: Mapas
Croquis
Fotos Panorâmica Sítio Lagoa da Noruega Setorização Sítio Lagoa da Noruega