DO PROCEDIMENTO NOÇÕES GERAIS

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Transcrição:

11 DO PROCEDIMENTO 11.1. NOÇÕES GERAIS Por força do princípio da adequação, analisado no capítulo sobre os princípios processuais, o legislador deve criar procedimentos adequados, pautando-se em parâmetros objetivos, subjetivos ou teleológicos, criando um procedimento hábil para uma melhor tutela jurisdicional, pois um procedimento inadequado ao direito material pode torná-lo inócuo, negando a legítima expectativa de um acesso à justiça. Destarte, adotando-se um modelo constitucional de processo (art. 1º do CPC/2015), todos os procedimentos (ou ritos) devem ser interpretados de acordo com a Constituição. No sentido da adequação do procedimento, o legislador estabelece, por exemplo, hipóteses de intervenção do Ministério Público, como fiscal da ordem jurídica em virtude da natureza da lide ou da qualidade da parte, de igual modo, há normas de competência, procedimento ou de prazos separados em razão da qualidade das partes (arts. 53, II, do CPC/2015; 109, I, da CR/1988; 8 da Lei 9.099/1995; e 180, 183, 186 e 3º do CPC/2015). O legislador de 2015 caminhou por essa trilha, criando um procedimento padrão, dele extraindo procedimentos especiais (art. 318 e seu parágrafo único). Na atividade de conhecimento, o procedimento padrão é o comum (art. 318 do CPC/2015), já na execução, o procedimento padrão é o da execução extrajudicial (art. 513 c/c o art. 771 do CPC/2015). Nesse ponto, importantíssima uma compreensão hermenêutica. Como a atividade de conhecimento é, sem dúvidas, a mais importante o procedimento padrão (art. 318 do CPC/2015) é subsidiário a todos os demais procedimentos, inclusive à execução extrajudicial (art. 771, parágrafo único, do CPC/2015), que por sua vez é subsidiária ao cumprimento de sentença (art. 513 do CPC/2015), aos procedimentos especiais de execução, bem como a qualquer atividade executiva (art. 771 do CPC/2015). A importância de uma boa compreensão do rito comum de conhecimento (art. 318 do CPC/2015) é essencial, pois o mesmo é subsidiário, como se pode perceber em toda atividade judicial, seja de conhecimento (art. 318, parágrafo único), seja de execução (art. 771, parágrafo único) e até mesmo na tutela provisória (art. 307, parágrafo único).

232 PROCESSO CIVIL SISTEMATIZADO Haroldo Lourenço ATIVIDADE CONHECIMENTO Procedimento padrão: Comum (318 CPC/15) Aplicação Subsidiária Procedimentos Especiais: Art. 318, Parágrafo único do CPC/2015 de Conhecimento Execução Extrajudicial: Art. 771, parágrafo único do CPC/2015 Tutelas Provisórias: Art. 307, parágrafo único do CPC/2015 ATIVIDADE EXECUTIVA Procedimento padrão: Execução Extrajudicial (Art. 513 c/c Art. 771 CPC/2015) Aplicação Subsidiária Cumprimento Sentença: Art. 771 c/c 513 CPC/2015 Procedimentos Especiais de Execução: Art. 771 do CPC/2015 Atividade Executiva em Geral: Art. 771 do CPC/2015 Observe-se que o legislador, ratificando tal regra, às vezes é expresso em afirmar que o rito comum de conhecimento é aplicável subsidiariamente aos procedimentos especiais de conhecimento, como se observa, por exemplo, do art. 566 (manutenção e reintegração de posse), do art. 578 (demarcação), do art. 603, 2º (dissolução parcial de sociedade 1 ), do art. 679 (embargos de terceiro), do art. 697 (ações de família), dos arts. 700, 5º e 7º, e 702, 1º (ação monitória), do art. 705 (homologação de penhora legal), do art. 714, 2º (restauração de autos), do art. 745, 4º (bens dos ausentes), do art. 761, parágrafo único (tutela e curatela), do art. 970 (ação rescisória), do art. 1.046, 3º (procedimentos do CPC/1939), do art. 1.049 (todos os procedimentos previstos em leis especiais, sem especificação), do art. 1.049, parágrafo único (todas as hipóteses que leis especiais se referirem ao rito sumário, que foi revogado pelo CPC/2015), do art. 1.071 do CPC/2015, que inclui o art. 216-A na Lei 6.015/1973 (usucapião extrajudicial). Diante de tal conclusão, o legislador não se preocupa em regulamentar à exaustão, ou em riqueza de detalhes dos procedimentos especiais, regulamentando somente as variantes em relação ao rito comum, em nítida hipótese de adequação do direito material discutido. Os procedimentos diferentes do comum, portanto especiais, são regulados somente no que desse se diferenciarem, ou seja, os procedimentos 1 Temos reservas quanto ao nome adotado pelo legislador para tal demanda, tratando-se de resolução da sociedade em relação a um sócio, nos termos do art. 1.028 do CC/2002.

Cap. 11 DO PROCEDIMENTO 233 especiais são variações do procedimento comum. Assim, por exemplo, não existe previsão de prazo de resposta na ação de consignação em pagamento (arts. 539 a 549 do CPC/2015), devendo ser aplicadas as regras do rito comum (art. 335, na forma do art. 318, parágrafo único). 2 Cumpre registrar que havendo omissão no procedimento comum de conhecimento, deve ser aplicada a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito (art. 140 do CPC/2015 c/c o art. 4º da LINDB Lei de Introdução do Direito Brasileiro), sempre sob a ótica do modelo constitucional de processo (art. 1º do CPC/2015). Cumpre registrar que tais distinções em nada interferem a partir das instâncias recursais, pois não há nenhuma particularidade, devendo ser adotado o procedimento previsto a partir do art. 929 a todos os procedimentos, indistintamente. VISÃO GERAL DOS PROCEDIMENTOS Interpretação sempre de acordo com a CF/1988 (art. 1º CPC/2015) Modelo constitucional de processo Cumprimento de sentença (art. 513, do CPC/2015) Procedimentos especiais de execução Atividade executiva em geral Execução Extrajudicial (art. 771, do CPC/2015) Procedimentos especiais de conhecimento (art. 318, par. único, CPC/2015) Tutelas Provisórias: (art. 307, par. único, CPC/2015) Procedimento comum de conhecimento (art. 318, do CPC/2015) Analogia Costumes Princípios gerais Art. 140 CPC/2015 c/c Art. 4º LINDB 2 CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de direito processual civil. 17. ed. inteiramente revista. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008. v. 1, p. 304.

234 PROCESSO CIVIL SISTEMATIZADO Haroldo Lourenço 11.2. EXTINÇÃO DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO (ART. 275 DO CPC/1973) Não se poderia deixar de comentar a extinção do rito sumário, que era previsto nos arts. 275 a 281 do CPC/1973, principalmente no que se refere à eficácia da norma processual nos processos pendentes. O CPC/2015 se mostrou cuidadoso com postura de extinção de tal rito, contudo, as disposições transitórias, certamente, não serão suficientes. O primeiro grande problema é a vigência do CPC/2015 (art. 1.045 do CPC/2015), eis que o tema não é unânime na doutrina, prevalecendo a interpretação que a partir de 16.03.2016 terá plena eficácia, quando se dará o início dos principais problemas. O art. 1.046, 1º, do CPC/2015 afirma que com a entrada em vigor do CPC/2015, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei 5.869 (CPC/1973), contudo as disposições relativas ao procedimento sumário e aos procedimentos especiais que forem revogadas aplicar-se-ão às ações propostas e não sentenciadas até o início da vigência deste Código, em nítida hipótese de ultratividade do CPC/1973. De igual modo, sempre que a lei remeter ao procedimento sumário, será observado o procedimento comum previsto neste Código, com as modificações previstas na própria lei especial, se houver (art. 1.049, parágrafo único, do CPC/2015). Eis os principais casos: (i) revisional de aluguel (art. 68 da Lei 8.245/1991); (ii) acidente de trabalho (art. 129, II e parágrafo único, da Lei 8.213/1991); (iii) ações discriminatórias (art. 20 da Lei 6.383/1976); (iv) adjudicação compulsória (art. 16 do DL 58/1937); (v) usucapião especial (art. 5º da Lei 6.969/1981, para imóveis rurais; art. 14 da Lei 10.257/2001, para imóveis urbanos); (vi) ação entre representante comercial autônomo e representado (art. 39 da Lei 4.886/1965); (vii) ação de retificação de registro civil (art. 110, 3º, da Lei 6.015/1973). Assim, proposta qualquer uma dessas ações a partir do dia 16.03.2016, inclusive, tramitarão pelo rito comum (art. 318 do CPC/2015), sempre se observando as peculiaridades das respectivas leis especiais. Esse, inclusive, foi o posicionamento adotado no Enunciado 570 do FPPC. De igual modo, invalidado um ato processual praticado à luz do CPC de 1973, a sua repetição observará o regramento do CPC/2015, salvo nos casos de incidência do art. 1.047 do CPC/2015 e no que refere às disposições revogadas relativas ao procedimento sumário, aos procedimentos especiais e às cautelares (Enunciado 567 do FPPC). Por fim, mas não de menor importância, cumpre registrar que as ações do rito sumário em razão da matéria (art. 275, II, do CPC/1973) continuam sendo admissíveis de serem manejadas no rito sumaríssimo (art. 3º, II, da Lei 9.099/1995), até edição de lei específica, como se observa do art. 1.063 do CPC/2015.

Cap. 11 DO PROCEDIMENTO 235 11.3. ESPÉCIES DE PROCEDIMENTO O procedimento, como visto em outra passagem, é o aspecto extrínseco do processo, formado por uma sequência ordenada de atos processuais. As normas de determinação dos procedimentos são cogentes, não sendo lícito às partes optarem por procedimento diverso do prescrito em lei. Nesse sentido, a investigação do procedimento a ser adotado deve iniciar-se pelos procedimentos especiais, em sua ausência, será adotado o procedimento comum. Lembrando que o rito sumaríssimo previsto na Lei 9.099/1995 possui competência concorrente e relativa. Nesse sentido, nas hipóteses em que a ação do rito comum do art. 318 do CPC/2015 se mostre compatível com a Lei 9.099/1995 será possível a opção. PROCEDIMENTOS RITOS Conhecimento Regra: Rito Comum (Art. 318 CPC/2015) Sumaríssimo L. 9.099/95 (Competência Concorrente Rito Comum) L. 10.259/01 Competência L. 12.153/09 Absoluta Especial Jurisdição Contenciosa Procedimentos Especiais Art. 539-718 CPC/2015 Jurisdição Voluntária Comum Especial Art. 719-725 CPC/2015 Art. 726-770 CPC/2015

12 PROCEDIMENTO COMUM DE CONHECIMENTO 12.1. FASES DO PROCEDIMENTO Por ser o procedimento comum um modelo, com a melhor delimitação das etapas que o compõem e a mais ampla possibilidade de apresentação de alegações e provas, pode se visualizar nele quatro fases: postulatória, saneamento, instrutória e decisória. A primeira vai da propositura da ação até o momento da réplica (arts. 350 e 351 do CPC/2015), a segunda fase ocorre ao longo de todo o processo, mas o seu ápice se dá no momento de saneamento e organização do processo (art. 357). A terceira fase também se estende ao longo de todo o processo, mas o seu principal momento é na audiência de instrução e julgamento (art. 358) e, por fim, com a prolação da sentença, há a fase decisória. Frise-se que tais fases não são estanques, pois há saneamento desde o recebimento da petição inicial (art. 321), nas providências preliminares (art. 352), bem como com a inicial (art. 319, VI), na contestação (art. 336) e nas providências preliminares há produção probatória (art. 348).

238 PROCESSO CIVIL SISTEMATIZADO Haroldo Lourenço 12.2. QUADRO SINÓTICO PRIMEIRO PASSO: Justiça gratuita: art. 98 Tutela provisória: art. 294 Emenda: art. 321 Improcedência da liminar: art. 332 Cite-se: art. 334 Petição inicial Art. 319 Juízo competente e-mail união estável opção pela audiência não precisa de pedido de citação Citação: art. 246 mínimo 20 d. mínimo 30 d. Réu não interessa em ter audiência 10 d. Audiência art. 334 Regra Art. 3º, 2º e 3º (salvo art. 334, 4º) SEGUNDO PASSO: Art. 336 a 342 Preliminar: art. 337 (art. 282, 2º art. 488) Reconvenção: art. 348 Desmembramento do litisconsórcio: art. 113, 2º Intervenção de terceiro Falsidade de documento: art. 430 Contestação Art. 335 15 d. Reconhecimento do pedido: art. 487, III, alínea a (art. 90, 4º) Revelia: art. 344 Providências preliminares (art. 347) Provas art. 348: revelia sem efeito material Réplica: arts. 350/351 Início do saneamento: art. 352/139, inciso IX