VI Reunião Anual da REVISTA PORTUGUESA DE FARMACOTERAPIA Controvérsias com Medicamentos Degradação do Preço do Medicamento: Ameaça à Saúde Pública? Heitor Costa APIFARMA 31 de Maio de 2017
Regulação dos Preços dos Medicamentos Os preços de venda ao público (PVP) dos medicamentos não genéricos em Portugal, vendidos no ambulatório, e quando classificados como MSRM, quer sejam reembolsados, quer não, são estabelecidos com base nas regras de formação de preços definidas pelo artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 97/2015, conjugado com os artigos 6.º e 9.º da Portaria n.º 195-C/2015, de 30 de Junho. Para o caso dos medicamentos hospitalares é definido um preço máximo com base no processo de avaliação prévia e realização de contracto de aquisição com o INFARMED. Para além da definição do PVP máximo inicial dos medicamentos a introduzir pela primeira vez no mercado nacional, a lei também prevê que estes preços máximos fixados sejam revistos anualmente, tal como definido pelo artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 97/2015, conjugado com os artigos 6.º e 9.º da Portaria n.º 195-C/2015, de 30 de Junho, alterada pelo artigo 2.º da Portaria nº 290-A/2016, de 15 de Novembro e no artigo 2 da Portaria n.º 231-A/2014, de 12 de Novembro. 4
Regulação dos Preços dos Medicamentos O estabelecimento do preço inicial, bem como as revisões anuais do preço máximo dos medicamentos não genéricos assentam na referenciação internacional de preços (IPR - International Price Referencing). Este procedimento é utilizado pela maioria dos países europeus para a definição do preço dos medicamentos através da comparação com o preço de outros países e procedem também à sua revisão com alguma regularidade. Apenas 2 países, a Suécia e o Reino Unido, não recorrem à IRP, empregando um conceito de valor, sendo que a Dinamarca o faz apenas para um segmento restrito: novos medicamentos hospitalares. 4
Regulação dos Preços dos Medicamentos Utilização do IPR Fonte: EFPIA 4
Regulação dos Preços dos Medicamentos Fonte: EFPIA (PT a nível da revisão anual) 4
Regulação dos Preços dos Medicamentos Ano Países de referência Dec-Lei Data de aplicação 2012 Espanha, Itália e Eslovénia Decreto-lei nº 112/2011 1 de Abril de 2012 2013 Espanha, França e Eslováquia Portaria nº 91/2013 1 de Abril de 2013 2014 Espanha, França e Eslovénia Portaria nº 335/2013 1 de Janeiro de 2014 2015 Espanha, França e Eslovénia Portaria 231-A/2014 1 de Janeiro de 2015 2016 Espanha, França e Eslováquia Despacho 12682-A/2015 1 de Janeiro de 2016 2017 Espanha, França e Itália Portaria n.º 290-B/2016 1 de Janeiro de 2017
Impacto das medidas restritivas na cadeia do medicamento Foi implementado um conjunto alargado de medidas com o objectivo de reduzir o défice público e de reduzir a despesa do sector da Saúde, centrando-se sobretudo na afectação da cadeia de valor do medicamento. -629M DESPESA COM MEDICAMENTOS ÁREA DA SAÚDE 2011 a 2014 Dados APIFARMA 4
Contribuição da IF para a sustentabilidade do SNS Contribuição Acordos Governo-APIFARMA (M ) 171,6 180,2 108,4 97,5 120 700M SUSTENTABILIDADE SNS ACORDOS GOVERNO-APIFARMA 2012 2013 2014 2015 2016 P Fonte: APIFARMA 6
Regulação dos Preços dos Medicamentos Fonte: INFARMED Fonte: Análise APIFARMA, a partir da base de dados IMS dataview
Regulação dos Preços dos Medicamentos Fonte: Análise APIFARMA com base na informação do INFARMED
Redução administrativa do preço do medicamento As revisões anuais de preços entre 2012 e 2016 permitiram uma poupança ao Estado, de acordo com dados do INFARMED, de 300 milhões de euros somando as poupanças no ambulatório e hospitalar. Em consequência destas medidas, foram manifestos os problemas de abastecimento do mercado, com 46% dos utentes a reportar falhas no acesso ao medicamento. 16,77 Evolução do preço médio dos medicamentos dispensados no M. Ambulatório do SNS (PVP, ) 15,19 13,25 12,41 12,24 12,21 12,07 30% PVP MÉDIO DOS MEDICAMENTOS 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Fonte: INFARMED, I.P. 5
Acesso à inovação Portugal é um dos países da UE com menor despesa com medicamentos, abaixo da média da UE, e o país que registou a maior contração da despesa nos últimos anos; De acordo com os dados da EFPIA, Portugal é dos países que, no contexto Europeu, tem os tempos de acesso à inovação mais elevados, com uma mediana de demora de 620 dias. Irlanda França Espanha Itália Média EU Portugal Despesa com medicamentos per capita - 2014 (USD PPP) 398, 6 546, 9 544, 2 499, 2 703, 4 655, 9-21,8% Fonte: OCDE, Data Julho 2016, UE média de 22 países Despesa com medicamentos per capita - Var. (%) 2010-2015 França Irlanda Espanha Média EU -6,6% Itália Portugal -0,9% 3,9% 3,5% 2,8% Alemanha Dinamarca Áustria Finlândia Noruega França Bélgica Itália Espanha Grécia Estónia Demora Média (mediana em dias) 42 44 63 68 131 134 221 267 270 312 363 377 383 422 449 457 467 573 590 620 Fonte: EFPIA spatientsw.a.i.t. Indicator2015 734 895
Preços mais baixos No conjunto dos países europeus, Portugal tem o segundo menor nível de preço médio nas moléculas protegidas. O preço médio das moléculas desprotegidas está em linha com a média da EU18.
Objectivos economicistas do SiNATS Não é consentâneo com os objectivos da avaliação de tecnologias de saúde, a imposição de uma redução de preço em 10% versus o comparador nas situações de análise de minimização de custos para os medicamentos considerados equivalentes na avaliação clínica, o que tem vindo a impossibilitar algumas empresas de tornar acessíveis esses medicamentos no nosso País, designadamente pelo impacto a nível da referenciação internacional de preços. Coincidindo com a implementação do SiNATS veio a restringiu-se o reconhecimento de Valor Terapêutico Acrescentado, confinando-se progressivamente à inovação disruptiva, o que não é, per se, um objectivo da avaliação de tecnologias de saúde. Fonte: INFARMED, I.P. 5
Objectivos economicistas do SiNATS Coincidindo com a implementação do SiNATS encetou-se um processo de reavaliação de medicamentos (avaliação ex-post) que a prática veio a demonstrar como centrado num protocolo de reavaliação não informado a priori e como uma duplicação de uma avaliação ex-ante. Só o conhecimento prévio do Protocolo poderia garantir transparência, rigor e consistência na reavaliação, sobretudo se tivesse tido a colaboração participada, crítica e construtiva das empresas farmacêuticas no seu delineamento e adopção. Fonte: INFARMED, I.P. 5
O valor dos medicamentos 5
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O valor dos medicamentos
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O valor dos medicamentos
O valor dos medicamentos
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O valor dos medicamentos
O valor dos medicamentos
O valor dos medicamentos
Preços e financiamento: mudar o paradigma Mudar o paradigma de financiamento dos medicamentos: discutir e financiar o valor dos resultados Valorizar e pagar os resultados em saúde e os benefícios para doentes, prestadores de cuidados, familiares e sociedade, em detrimento do número de actos e procedimentos. Consensualizar indicadores e metodologias relevantes relativos à prestação de cuidados e aos resultados em Saúde Os indicadores devem ser padronizados, transparentes e de livre acesso a todos os stakeholders Planear e avaliar a entrada de novos medicamentos e criar relações sinérgicas entre sistemas de saúde e indústria farmacêutica Conhecer e entender previamente os pipelines em desenvolvimento e suas implicações, evitando a pressão de curto prazo sobre os orçamentos da saúde através do planeamento atempado da entrada de novos medicamentos. Criar uma Lei de Programação para a Saúde estime o investimento realmente necessário e permita planear a médio e longo prazo
Obrigado P&R heitor.costa@apifarma.pt