ESTATUTO DO FUNDO ECONÓMICO PAROQUIAL

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Transcrição:

ESTATUTO DO FUNDO ECONÓMICO PAROQUIAL ARTIGO 1. Natureza do Fundo Económico Paroquial 1. O Fundo Económico Paroquial, consagrado no cn. 531 do Código de Direito Canónico e agora instituído na Diocese de Aveiro, consiste na gestão unificada dos bens patrimoniais de uma paróquia ou quase-paróquia, de tal modo que para o Fundo reverte e dele sai a totalidade das receitas e despesas das mesmas. 2. O Fundo Económico Paroquial substitui, assim, o anterior sistema de administração, em separado, da Fábrica da Igreja e do Benefício Paroquial. ARTIGO 2. Importância do Fundo Económico Paroquial A instituição do Fundo Económico Paroquial é, numa Diocese, da maior importância, porque marca, de modo muito claro, a finalidade pastoral dos bens eclesiásticos e a correlação da condigna sustentação do clero com as exigências da partilha fraterna e da solidariedade eclesial. ARTIGO 3.º Âmbito do Fundo Económico Paroquial 1. No Fundo Económico Paroquial estão compreendidas, numa só administração, as receitas e as despesas de todas as igrejas pertencentes à paróquia ou quase-paróquia. 2. Relativamente às igrejas que não forem sede de paróquia e onde existirem comissões encarregadas da administração dos respectivos bens, procure-se que elas entrem no regime geral, considerado no n 1 deste artigo. Tenha-se para isso em conta as Normas Regulamentares do Conselho Económico Paroquial (Conselho da Fábrica da Igreja Paroquial), Capítulo VII, nomeadamente no que diz respeito à prestação de contas, comparticipação para a paróquia e depósitos bancários. ARTIGO 4. Instituição do Fundo Económico Paroquial

1. O Fundo Económico Paroquial é obrigatório, um ano após a publicação deste Decreto: a) nas paróquias ou quase-paróquias em que vêm já recebendo uma remuneração mensal os párocos, quase-párocos e demais sacerdotes que aí servem com nomeação e deforma estável; b) nas novas paróquias ou quase-paróquias, que vierem a ser criadas. 2. Nas outras paróquias e ao longo de um período de três anos a partir igualmente da publicação deste Decreto, o Fundo instituir-se-á por iniciativa das mesmas paróquias, com o consentimento do Bispo da Diocese. Para tal deverá apresentar-se a contabilidade da paróquia, a fim de que seja apreciada a viabilidade da constituição do Fundo Económico. 3. Terminado o prazo de três anos, a instituição do Fundo Económico Paroquial tornase obrigatória em todas as paróquias e quase-paróquias. Qualquer excepção será apreciada pessoalmente pelo Bispo da Diocese, que agirá em conformidade. ARTIGO 5. Regime de remuneração do clero paroquial Uma vez instituído o Fundo Económico Paroquial, os sacer-dotes que servem nas paróquias e quase-paróquias, com nomeação e de modo estável, passam a ser retribuídos com uma remuneração fixa mensal, que será estabelecida por determinação diocesana adequada, tendo em conta as situações diversificadas. ARTIGO 6. Receitas e despesas 1. Constituem receitas do Fundo Económico Paroquial as dádivas dos fiéis, feitas dos diversos modos e segundo os costumes locais, em favor da paróquia ou quaseparóquia ou do clero que nela exerce o ministério; os rendimentos dos bens móveis e imóveis; as compensações ou taxas pela prestação de serviços segundo as tabelas diocesanas e, genericamente, quaisquer formas de aquisição de bens, admitidas em direito. 2. Constituem despesas do Fundo Económico Paroquial todas as necessárias para o desempenho da missão e actividade da paróquia ou quase-paróquia, designadamente as que respeitam ao culto divino, à evangelização e catequese, às obras de apostolado,

ao exercício da caridade, especialmente em favor dos mais necessitados, à remuneração do pároco, quase-pároco e demais clero e outros servidores, à manutenção da igreja ou igrejas e outros imóveis e ao funcionamento do cartório. 3. As obras de maior vulto devem ter fundo e contas separadas das do Fundo Económico Paroquial. ARTIGO 7. Ofertas recebidas no desempenho do múnus paroquial 1. Em conformidade com o artigo anterior, as ofertas que o pároco ou quase-pároco, ou quem os substitua, recebe dos fiéis pelo desempenho do múnus paroquial, designadamente as ofertas por ocasião da celebração dos sacramentos e sacramentais, revertem integralmente para o Fundo Económico Paroquial, a não ser que conste da vontade contrária dos oferentes, mas tão só no tocante às ofertas voluntárias (cf. cn.1279, 1). 2. O mesmo se diz de todas as outras ofertas, inclusivamente as que são feitas por intermédio de qualquer dos sacerdotes que prestam serviço na paróquia ou quaseparóquia, excepto as expressamente oferecidas a título pessoal (cn.1267, 1). ARTIGO 8. Receitas e despesas excluídas do Fundo Económico Paroquial 1. Excluem-se do Fundo Económico Paroquial as receitas e as despesas extraordinárias, devidamente autorizadas, com destino à construção ou grande reparação de igrejas ou outros imóveis. Estas receitas e despesas devem constar de conta própria, sujeita anualmente à aprovação do Ordinário Diocesano. 2. Os ofertórios, determinados pela Santa Sé, pela Conferência Episcopal ou pelo Bispo Diocesano para os fins gerais da Igreja, não se inscrevem na receita do Fundo Económico Paroquial. Promovidos nos dias e para os fins expressamente declarados, consideram-se receitas consignadas e devem entregar-se, dentro de um mês, na Cúria Diocesana, com vista ao seu ulterior destino. 3. Também não se inscrevem na receita do Fundo Económico Paroquial: a) Quaisquer outras receitas consignadas, das quais, no entanto, se deve dar justificação e conhecimento ao Ordinário Diocesano;

b) Os estipêndios pela celebração da Eucaristia, nos termos admitidos pelo direito, e as ofertas feitas ao sacerdote, expressa e claramente a título pessoal. ARTIGO 9. Contribuição regular dos fiéis 1. Como receita do Fundo Económico Paroquial considere-se de especial importância a contribuição regular dos fiéis ou o contributo paroquial a que, em certas regiões, se chama côngrua ou oblata. 2. O contributo paroquial deve ser diligentemente estipulado e organizado, de modo a dar aos fiéis uma clara consciência da obrigação que lhes incumbe de concorrerem para a sustentação da Igreja e cumprimento dos seus fins próprios (cns. 1260 e 1262). ARTIGO 10. Colectas destinadas ao Fundo Económico Paroquial Se para concorrer aos encargos for insuficiente a receita prevista do Fundo Económico Paroquial, o pároco ou quase-pároco, ouvido o Conselho Económico Paroquial, poderá promover, em cada ano, uma ou no máximo duas vezes, formas extraordinárias de participação pecuniária, destinadas a esse fim. ARTIGO 11. Administração do Fundo Económico Paroquial 1. O pároco ou quase-pároco é o administrador dos bens patrimoniais (cn.1279 1). Como tal, cumpre--lhe, em exclusivo, responder perante o Bispo da Diocese pela boa e adequada administração do Fundo Económico Paroquial. 2. No exercício destas funções, deve ser coadjuvado pelo Conselho Económico Paroquial (cns. 537 e 1280). No caso da paróquia ou quase-paróquia possuírem igrejas de cuja administração se ocupem comissões próprias, é aconselhável que alguns representantes das referidas comissões façam parte deste Conselho. ARTIGO 12. Exercício diligente da administração

1. O pároco ou quase-pároco deve desempenhar-se da administração dos bens patrimoniais paroquiais com a necessária diligência (cn. 1284). Cuide, por isso, que não faltem ao Fundo Económico Paroquial os recursos indispensáveis ao cabal desempenho da missão e actividades da paróquia ou quase-paróquia. 2. Como se determina no Art. 7, uma vez instituído o Fundo Económico Paroquial, as ofertas recebidas dos fiéis por serviços prestados, revertem integralmente para o Fundo, excepto quando feitas a título pessoal. Deste modo, o pároco ou quase-pároco, ou quem os substitua, não podem renunciar, de modo regular, ao que estiver determinado nas tabelas diocesanas, mas apenas quando particulares vantagens pastorais o aconselharem. A renúncia regular, neste caso, deve ser expressamente apreciada pelo Ordinário Diocesano e terá a sua expressa autorização, se for o caso. 3. Relativamente aos pobres ou àqueles que não possam ocasionalmente satisfazer as taxas ou ofertas estabelecidas, preste-se-lhes, como aos demais paroquianos, a devida assistência pastoral, sem se lhes pedir, mesmo pelo serviço de cartório, qualquer contributo de ordem económica (cn. 848). ARTIGO 13. Deveres do administrador em particular 1. Além das obrigações já referidas, o pároco ou quase-pároco deve ainda: a) ter em boa ordem os livros da receita e despesa do Fundo Económico Paroquial (cn. 1264, 2,7); b) elaborar no fim de cada ano, para superior conhecimento, o relatório da administração (cn.1284, 2,8); c) sujeitar as contas à aprovação do Ordinário Diocesano (cn.1287, 1), durante os primeiros três meses do ano seguinte àquele a que respeitam; d) dar anualmente conhecimento à comunidade, do estado e aplicação dos bens oferecidos pêlos fiéis (cn. 1284, 2). 2. Recomenda-se que, no fim de cada ano, se faça para o ano seguinte o orçamento das receitas e das despesas da paróquia ou quase-paróquia, a apresentar ao Ordinário Diocesano e à comunidade. ARTIGO 14. Determinação final

Continuam em vigor as Normas Regulamentares do Conselho Económico Paroquial (Outubro de 1985), excepto no que é revogado pelo presente Decreto.