MPLA Discurso do Camarada João Lourenço, Candidato Do MPLA a Presidente da República, na Abertura do Encontro com as Instituições Religiosas Reconhecidas. Data: 24.02.17 Local: Luanda Distintos Membros da Mesa, Distintos Membros do Executivo, Excelência Senhor Governador da Província de Luanda, Distintos Deputados da Assembleia Nacional, Distintos Líderes Religiosos, Estimados Convidados, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Gostaria de aproveitar esta ocasião para agradecer em nome da Direcção do MPLA e do seu Presidente, o Engenheiro José Eduardo dos Santos, o facto de tão respeitadas personalidades da nossa sociedade terem aceite o nosso convite para este encontro com as instituições religiosas reconhecidas. Um encontro deveras importante, com vista a promover as políticas do Partido, no que diz respeito ao desenvolvimento de uma sociedade civil participativa e responsável e reforçar o diálogo entre o MPLA e a comunidade religiosa sobre o papel e responsabilidade da Igreja na sociedade angolana.
Consideramos que na fase atual do desenvolvimento de Angola, uma maior inserção do MPLA na sociedade deve passar pelo aprofundamento dos níveis de inclusão das instituições políticas, económicas e sociais do país. As igrejas são parte integrante da sociedade civil com soluções para os problemas que afligem o povo, merecendo, por isso, o respeito e o reconhecimento do MPLA pelo papel relevante que desempenham na formação do homem enquanto ser humano, na sua educação e formação sobre a resolução dos problemas sociais das comunidades. Primamos sempre pelo estabelecimento e manutenção de boas relações com as igrejas, enquanto importantes veículos de promoção de valores morais, éticos e espirituais na educação e formação de bons cidadãos, para juntos construirmos uma sociedade melhor. Uma sociedade que luta pelos valores nobres, pela paz e justiça social. Neste sentido, o reforço das relações harmoniosas com esse segmento da sociedade merece uma atenção especial e constitui um dos grandes desafios do MPLA, enquanto força dirigente do Estado angolano. O MPLA reconhece o papel crucial que a comunidade religiosa angolana tem vindo a desempenhar nos vários domínios da vida social, com realce para o resgate dos valores sociais morais e cívicos, na moralização da sociedade civil e na defesa dos interesses mais nobres do Estado angolano. A Constituição da República de Angola nos seus artigos 10º e 41º, preconiza um estado laico, que reconhece e garante a liberdade de consciência, de crença e de culto dos cidadãos. Nesta base, e com interesse na melhoria da nossa sociedade com o propósito de a tornar mais justa, fraterna e humanizada, as instituições religiosas juridicamente reconhecidas, são chamadas a dar o seu contributo para a consolidação da paz, a pacificação dos espíritos e a moralização da nossa sociedade.
Contamos com a igreja como parceiro social do estado, na luta contra o tráfico e o consumo de droga, na luta contra a prostituição, discriminação, abuso sexual e violação da mulher. A religião não é o ópio dos povos, mas sim o seu alimento espiritual, e como qualquer alimento, para cumprir seu papel de nutrir, de trazer mais vigor e energia, deve ser um bom alimento rico em ingredientes que fazem bem ao ser humano. Assim também o alimento espiritual deve estar em boas condições de consumo para que mesmo sendo pecadores por natureza, ao recebermos a palavra de Deus passemos a ser mulheres e homens de paz e de concórdia, trabalhadores dedicados, cidadãos que respeitam a vida, que respeitam o próximo, verdadeiros patriotas que respeitam o estado e a lei, verdadeiramente comprometidos com o bem. O MPLA condena e desencoraja o surgimento de seitas religiosas e de algumas igrejas cujas actividades exploram a ignorância de muitas pessoas, aproveitando-se da inocência e fragilidade das nossas populações, desvirtuando o nosso esforço na construção de uma sociedade desenvolvida ao incentivarem determinadas práticas e rituais obscurantistas que atentam contra os mais elementares direitos dos cidadãos. Muitas vezes, agindo inclusivamente contra a Constituição e a lei. Contamos, por isso, com a própria Igreja para desmascarar e combater aqueles que, a coberto da religião, sujam o bom nome da igreja, organizando redes criminosas de tráfico de diamantes, de introdução ilegal de emigrantes, de tráfico de seres humanos, de evasão de divisas para o exterior, entre outros crimes contra a segurança e a economia nacional. O bem vence sempre, sobretudo se trabalharmos todos juntos, como verdadeiros irmãos. Assim conseguiremos alcançar um objetivo comum, nomeadamente a construção de uma Angola de paz, harmonia, concórdia e prosperidade a favor de todo o nosso povo.
Parafraseando sua Excelência, o Presidente da República José Eduardo dos Santos: No fundo, concorremos todos para a realização do mesmo ideal, que é o de consolidar a nação, espiritualmente harmoniosa e tolerante, capaz de assumir as suas responsabilidades em defesa da honra e da dignidade humana, da Justiça, da solidariedade, da liberdade e da paz universal. Queremos cooperar com a Igreja, na construção de um mundo melhor, mais seguro e pacífico, ancorado na justiça e no entendimento. Minhas senhoras e meus senhores, decorre em todo país, o processo de actualização do registo eleitoral. Tendo em conta a realização das eleições, que terão lugar em 2017, este é um desafio que diz respeito a todos nós, assente na educação para uma cidadania activa. Esperamos que todas as instituições religiosas mobilizem os fiéis a comparecer em massa nos postos de actualização e registo existentes em vários pontos das nossas cidades, distritos, comunas e bairros de todo país. Para actualizarem o registo basta levarem o cartão de eleitor e o bilhete de identidade ou só o bilhete identidade para aqueles que se registam pela primeira vez. Acreditamos verdadeiramente na força e capacidades da igreja, bem como na sua importância na vida das populações, trilhando caminhos aparentemente diferentes, mas convergindo na necessidade de trabalharmos todos para o mesmo fim, ou seja, para a felicidade e o bem-estar angolano. Termino, apelando à igreja para que continue a trabalhar na preservação do bem mais precioso que Deus nos deu: A paz alcançada em 2002. Paz essa mantida graças ao perdão que a Igreja pregou, à reconciliação entre os angolanos e graças à sabedoria, pragmatismo e humanismo do Presidente de todos nós, o Engenheiro José Eduardo dos Santos.
Com as vossas preces e orações temos fé que a paz em Angola é irreversível, é definitiva. Muito obrigado! Declaro aberto este encontro com as igrejas. Muito obrigado! Fim de discurso.