Documentos relacionados
História do Sábio Fechado na sua Biblioteca

As Sete Leis Espirituais Para o Sucesso

Bom dia. Estou tão feliz de estar aqui novamente nesta manhã no serviço do

A MAIOR BATALHA JAMAIS PELEJADA. William M. Branham 11 de março de 1962 Jeffersonville - Indiana - U.S.A

UM GUIA William M. Branham 14 de outubro de 1962 Jeffersonville - Indiana - E.U.A. Tradução - GO

Santo Agostinho ( ), bispo de Hipona (Norte de Africa) e doutor da Igreja 45º tratado sobre o Evangelho de S. João

IDE E DIZEI AOS MEUS DISCÍPULOS William M. Branham 05 de abril de 1953 Jeffersonville - Indiana - E.U.A. Tradução - EUA

Paulo Coelho. O Diário de um Mago. Foto: cortesia Istoé Gente. Edição especial de venda proibida

Paulo Coelho. O Diário de um Mago. Edição especial da página venda proibida

COISAS QUE HÃO DE SER William M. Branham 5 de dezembro de 1965 Rialto Califórnia E.U.A.

AO NASCER DO SOL - O PODER VIVIFICADOR William M. Branham 18 de abril de 1965 Jeffersonville - Indiana - E.U.A. Tradução - GO

CARTAS DE SÃO PAULO. Carta aos Coríntios

A Maneira Para Ter Companheirismo The Way To Have Fellowship

Obras do autor publicadas pela Galera Record. Nick & Norah: Uma noite de amor e música Will & Will: um nome, um destino

Descobrindo os Brancos Davi Kopenawa Yanomami Depoimento recolhido e traduzido por Bruce Albert, na maloca Watoriki, setembro/ 1998

Os quatro compromissos Os Toltecas

UM MAIOR QUE SALOMÃO ESTÁ AQUI Greater Than Solomon Is Here

Joaquim. e sua padiola

Boas e más razões para crer

POSSUINDO TODAS AS COISAS William M. Branham 06 de Maio de 1962 Jeffersonville - Indiana - E.U.A. Tradução - GO

E EIS QUE ESTÁ AQUI QUEM É MAIS DO QUE SALOMÃO William M. Branham 06 de Março de 1964 Dallas - Texas - E.U.A. Tradução - GO

JOSÉ ENCONTRANDO SEUS IRMÃOS. William M. Branham 30 de dezembro de 1956 Jeffersonville - Indiana - E.U.A.

JESUS CRISTO É O MESMO ONTEM HOJE E ETERNAMENTE Jesus Christ the Same Yesterday Today and Forever

SUAS INFALÍVEIS PALAVRAS DE PROMESSAS William M. Branham 20 de janeiro de 1964 Phoenix - Arizona - E.U.A. Tradução - GO

Nesse prédio, o único som que consigo ouvir é o ranger dos nossos sapatos contra o chão. Não ouço mais o choro de Caleb, mas ele já não estava mesmo

Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha. Gerência de Comunicação. Edição Abril/2008. Transcrição: Else Albuquerque. Copidesque: Jussara Fonseca

25 O Melhor Ainda Está Para Vir!

UBIRAJARA JOSÉ DE ALENCAR

EM SUA PRESENÇA William M. Branham 09 de setembro de 1962 Jeffersonville - Indiana - E.U.A. Tradução - EUA

Sociedade das Ciências Antigas

Transcrição:

Carta do Chefe índio Seattle ao Grande Chefe de Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta do Governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, oferecendo em contrapartida a concessão de uma reserva. Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los? Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.

A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles- Vermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados. Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela. E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos. As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai... Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho. Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.

Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera. O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros. Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe. Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos. Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver. Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra. Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são

domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos filhos que falam. Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco. Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. Que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. Que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que faz a ela fá-lo a si mesmo. Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.