Direito Processual. Prof. Keops Castro de Souza

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Transcrição:

Direito Processual Prof. Keops Castro de Souza

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR 1- Conceito, natureza jurídica,características e finalidade; 2-Prazos do IPM 3- Modos por que pode ser iniciado; 4- Medidas preliminares ao inquérito; 5-Escrivão do inquérito; 6- Formação do inquérito; 7- Prisão do investigado; 8- Inquirição durante o dia e Limite de tempo; 9- Prazos e prorrogações; 10- Relatório; 11- Solução; 12- Remessa; 13- Dispensabilidade do IPM.

conceito Art. 9º CPPM: o IPM é a apuração sumária de fato, que, nos termos legais, configure crime militar, e de sua autoria. Tem o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários à propositura da ação penal.

Natureza jurídica O IPM é procedimento administrativo, de característica inquisitorial, através do qual o Estado-Administração reúne os elementos probatórios necessários à propositura da ação penal militar. Não tem característica processual pelo fato de que inexiste no IPM a ampla defesa e o contraditório.

características INQUISITIVO ESCRITO SIGILOSO OBRIGATÓRIO INDISPONÍVEL

características INQUISITIVO É aquele procedimento em que as atividades persecutórias concentram-se nas mãos de uma única autoridade, podendo e devendo agir de ofício, empreendendo com discricionaridade, as atividades necessárias ao esclarecimento do crime e sua autoria. Não se aplicam os princípios do contraditório e da ampla defesa. O Acusado não é sujeito de direitos, mas objeto de investigação.

características Evidenciam a natureza inquisitiva do procedimento o art. 142, CPPM (art. 107, CPPComum), proibindo arguição de suspeição do encarregado do Inquérito, e no caso do IP o art. 14,CPP Comum, que permite a autoridade policial indeferir qualquer diligência requerida pelo ofendido ou indiciado.

características ESCRITO Tendo em vista as finalidades do IPM, não se concebe uma investigação verbal. O IPM deve ser escrito, pois deve servir de base para a denúncia. Art. 21, CPPM.

características SIGILOSO É uma qualidade fundamental à investigação tendo em vista que a publicidade de seus atos pode inviabilizar a produção da prova. Art. 16, CPPM.

características O direito de obter informações dos órgãos públicos (Art. 5º, XXXIII, CF), neste caso, sofrerá limitações por motivos ditados pela segurança da sociedade e do Estado. Porém, o sigilo está RELATIVIZADO pelo Estatuto da OAB ( Art. 7º, XIII, XIV e XV ) O sigilo não atinge o MP e a autoridade judiciária.

características O direito do indiciado, por seu advogado, tem por objeto as informações já introduzidas nos autos do inquérito, não as relativas à execução de diligências em curso (STF: HC 90232/AM. DJ 02-03- 2007)

características SÚM. VINCULANTE Nº 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

características OBRIGATÓRIO A autoridade militar deverá instaurá-lo, de ofício, assim que tenha a notícia da prática da infração militar. Art. 10, a, CPPM.

características INDISPONÍVEL - Após instaurado o IPM não poderá a autoridade militar mandar arquivar os autos, embora conclusivo da inexistência do crime. Art. 24, CPPM

FINALIDADE instrução provisória; ria; ministrar elementos à propositura da ação penal. Peça a informativa sem contraditório, rio, sem ampla defesa. X São instrutórios rios da ação a penal - os exames, perícias e avaliações realizados regularmente no curso do inquérito, por peritos idôneos e com obediência às s formalidades previstas neste Código; C

PRAZOS DO IPM Art. 20, CPPM INDICIADO PRESO INDICIADO SOLTO CONTAGEM DO PRAZO: a partir da data em que se instaurar o inquérito. PRORROGAÇÃO: Art. 20, 1º DILIGÊNCIAS NÃO CONCLUÍDAS: Art. 20, 2º

Modos por que pode ser iniciado Art. 10. É iniciado mediante portaria: a) de ofício; b) por determinação ou delegação da autoridade militar superior; c) requisição do Ministério Público; P d) por decisão do Superior Tribunal Militar; e) a requerimento - parte ofendida ou representante; f) de sindicância resulte indício de crime militar;

MEDIDAS PRELIMINARES AO IPM Uma vez que tome conhecimento da infração penal, nada obsta que o comandante ou aquele que o substitua ou esteja de serviço determine ou tome as providências do Art, 12, CPPM. (Art. 10, 2º). Conclusão: Desnecessidade de que haja encarregado para que sejam tomadas.

MEDIDAS PRELIMINARES AO IPM Art. 12. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal militar, a autoridade deverá, se possível: a) dirigir-se ao local da infração; b) apreender os instrumentos e objetos que tenham relação com o fato; c) Prender o infrator; d) Colher provas.

MEDIDAS PRELIMINARES AO IPM infrator de posto superior ou igual ao do comandante: - comunicação do fato à autoridade superior competente. Art.10, 1º, CPPM. Obs: não confundir com a situação de encontrar indícios contra oficial de posto superior ou mais antigo no curso do IPM previstas no Art. 10, 5º, CPPM. Neste caso tomará as providências para que as suas funções sejam delegadas a outro oficial. Infração de natureza não militar -Comunicará o fato à autoridade competente e apresentará o infrator. Art. 10, 3º, CPPM. Prender o infrator - Observar o Art. 244, CPPM.

ESCRIVÃO DO IPM A designação de escrivão para o inquérito caberá ao respectivo encarregado, se não tiver sido feita pela autoridade que lhe deu delegação para aquele fim. Art. 11, CPPM. Compromisso legal : - manter o sigilo do inquérito; - cumprir fielmente as determinações previstas no CPPM, no exercício da função.

Formação do inquérito Atribuição do seu encarregado Art. 13. O encarregado do inquérito deverá,, para a formação deste: a) tomar as medidas previstas no art. 12, se ainda não o tiverem sido; b) ouvir o ofendido; c) ouvir o indiciado; d) ouvir testemunhas; e) proceder a reconhecimento de pessoas e coisas, e acareações; f) determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outros exames e perícias;

Formação do inquérito g) determinar a avaliação e identificação da coisa subtraída, desviada, destruída da ou danificada, ou da qual houve indébita apropriação; h) proceder a buscas e apreensões, nos termos dos arts.. 172 a 184 e 185 a 189; i) tomar as medidas necessárias destinadas à proteção de testemunhas, peritos ou do ofendido, quando coactos ou ameaçados ados de coação que lhes tolha a liberdade de depor, ou a independência para a realização de perícias ou exames.

Formação do inquérito Reconstituição dos fatos: O encarregado do inquérito poderá proceder, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública, nem atente contra a hierarquia ou a disciplina militar.

PRISÃO DO INVESTIGADO DURANTE O IPM PRISÃO TEMPORÁRIA NÃO HÁ! PRISÃO PREVENTIVA REQUISITOS: Artigos 254 e 255 do CPPM: a) prova do fato delituoso; + b) indícios suficientes de autoria. + a) garantia da ordem pública; ou b) conveniência da instrução criminal; ou c) periculosidade do indiciado ou acusado; ou d) segurança da aplicação da lei penal militar; ou e) exigência da manutenção das normas ou princípios de hierarquia e disciplina militares, quando ficarem ameaçados ou atingidos com a liberdade do indiciado ou acusado.

Inquirição durante o dia e Limite de tempo Inquirição durante o dia As testemunhas e o indiciado, exceto caso de urgência inadiável, que constará da respectiva assentada, devem ser ouvidos durante o dia, em período que medeie entre as sete e as dezoito horas. O escrivão lavrará Assentada de início, interrupção e encerramento Limite de tempo A testemunha não será inquirida por mais de quatro horas Consecutivas; Descanso de meia hora, sempre que tiver de prestar declarações além de 4 horas. O depoimento que não ficar concluído às dezoito horas será encerrado, para prosseguir no dia seguinte, em hora determinada pelo encarregado do inquérito. Não sendo útil o dia seguinte, a inquirição poderá ser adiada para o primeiro dia que o for, salvo caso de urgência.

RELATÓRIO Reunião e ordem das peças de inquérito Art. 21. Todas as peças do inquérito serão, por ordem cronológica, reunidas num só processado e datilografadas, em espaço dois, com as folhas numeradas e rubricadas, pelo escrivão. Juntada de documento Parágrafo único. De cada documento junto, a que precederá despacho do encarregado do inquérito, o escrivão lavrará o respectivo termo,mencionando a data. Relatório Art. 22. O inquérito será encerrado com minucioso relatório. Mencionará: diligências feitas; pessoas ouvidas; resultados obtidos; indicação do dia, hora e lugar onde ocorreu o fato delituoso; Conclusão.

SOLUÇÃO Solução 1º No caso de ter sido delegada a atribuição para a abertura do inquérito, o seu encarregado enviá-loá à autoridade de que recebeu a delegação, para que lhe homologue ou não a solução, aplique penalidade, no caso de ter sido apurada infração disciplinar, ou determine novas diligências, se as julgar necessárias. Avocação 2º Discordando da solução dada ao inquérito, a autoridade que o delegou poderá avocá-lo e dar solução diferente.

REMESSA ARQUIVAMENTO ARQUIVAMENTO (IMPOSSIBILIDADE) Remessa do inquérito à Auditoria da Circunscrição Art. 23. Os autos do inquérito serão remetidos ao auditor da Circunscrição Judiciária Militar onde ocorreu a infração penal, acompanhados dos instrumentos desta, bem como dos objetos que interessem à sua prova. Arquivamento de inquérito. Proibição Art. 24. A autoridade militar não poderá mandar arquivar autos de inquérito, embora conclusivo da inexistência de crime ou de inimputabilidade do indiciado.

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR Instauração de novo inquérito Art 25. O arquivamento de inquérito não obsta a instauração de outro, se novas provas aparecerem em relação ao fato, ao indiciado ou a terceira pessoa, ressalvados o caso julgado e os casos de extinção da punibilidade. Devolução de autos de inquérito Art. 26. Os autos de inquérito não poderão ser devolvidos a autoridade policial militar, a não ser: I mediante requisição do Ministério Público, para diligências por ele consideradas imprescindíveis ao oferecimento da denúncia; II por determinação do juiz, antes da denúncia, para o preenchimento de formalidades previstas neste Código, ou para complemento de prova que julgue necessária. Parágrafo único. Em qualquer dos casos, o juiz marcará prazo, não excedente de vinte dias, para a restituição dos autos.

do IPM Prescindibilidade do IPM Suficiência do auto de flagrante delito Art. 27. Se, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, o auto de flagrante delito constituirá o inquérito, dispensando outras diligências, salvo o exame de corpo de delito no crime que deixe vestígios, a identificação da coisa e a sua avaliação, quando o seu valor influir na aplicação da pena. Dispensa de Inquérito Art. 28. O inquérito poderá ser dispensado, sem prejuízo de diligência requisitada pelo Ministério Público: a) quando o fato e sua autoria já estiverem esclarecidos por documentos ou outras provas materiais; b) nos crimes contra a honra, quando decorrerem de escrito ou publicação, cujo autor esteja identificado; c) nos crimes previstos nos arts. 341 e 349 do Código Penal Militar.