Capítulo IV Variedades Sebastião de Oliveira e Silva Janay Almeida dos Santos-Serejo Zilton José Maciel Cordeiro 4.1. Variedades Tradicionais As variedades mais difundidas no Brasil são a Prata, Pacovan, Prata Anã, Maçã, Mysore, Terra e D Angola, do grupo AAB, utilizadas unicamente para o mercado interno, e Nanica, Nanicão e Grande Naine, do grupo AAA, usadas principalmente para exportação (Tabela 4.1). Em menor escala, são plantadas Ouro (AA), Figo Cinza e Figo Vermelho (ABB), Caru Verde e Caru Roxa (AAA). As variedades Prata, Prata Anã e Pacovan são responsáveis por aproximadamente 60% da área cultivada com banana no Brasil. As bananas Pacovan, Prata, Terra e Mysore apresentam porte alto. A banana Maçã é altamente suscetível ao mal-do-panamá, as variedades Nanica, Nanicão, Grande Naine, Terra e D Angola apresentam alta suscetibilidade aos nematóides e a Mysore está infectada com BSV. Todas essas variedades são suscetíveis ao moko e, à exceção da Mysore, são também suscetíveis à Sigatokanegra. Excetuando a Maçã, Mysore, Terra e D Angola, as citadas variedades são também altamente suscetíveis à Sigatoka-amarela (Tabela 4.1). 45
Tabela 4.1. Características das principais variedades de bananeira do Brasil. Cruz das Almas-BA, 2004. CARACTERES Prata Pacovan Prata Anã VARIEDADES Maçã Ouro Nanica Nanicão Grande Naine Terra D Angola Grupo genômico AAB AAB AAB AAB AA AAA AAA AAA AAB AAB Tipo Prata Prata Prata Maçã Ouro Cavendish Cavendish Cavendish Terra Terra Porte Alto Alto Médio Médio-alto Médio-alto Baixo Médio-baixo Médio-baixo Alto Médio Densidade (plantas/ha) 1.111 1.111 1.666 1.666 1.666 2.500 1.600 2000 1.111 1.666 Perfilhamento Bom Bom Bom Ótimo Ótimo Médio Médio Médio Fraco Fraco Ciclo vegetativo (dias) 400 350 280 300 536 290 290 290 600 400 Peso do cacho (kg) 14 16 14 15 8 25 30 30 25 12 Número de frutos /cacho 82 85 100 86 100 200 220 200 160 40 Número de pencas/cacho 7,5 7,5 7,6 6,5 9 10 11 10 10 7 Comprimento do fruto (cm) 13 14 13 13 8 17 23 20 25 25 Peso do fruto (g) 101 122 110 115 45 140 150 150 200 350 Rendimento sem irrigação (t/ha) 13 15 15 10 10 25 25 25 20 12 Rendimento com irrigação (t/ha) 25 40 35 NA NA NA 75 45 NA NA Sigatoka-amarela S S S MS S S S S R R Sigatoka-negra S S S S R S S S S S Mal-do-Panamá S S S AS R R R R R R Moko S S S S S S S S S S Nematóides R R R R NA S S S S S Broca-do-rizoma MR MR MR MR NA S S S S S AS: altamente suscetível; S: suscetível; MS: medianamente suscetível; R: resistente; NA: não avaliado. 46
A banana Prata foi introduzida no Brasil pelos portugueses e, por esta razão, os brasileiros, especialmente os nordestinos e nortistas, manifestam uma clara e constante preferência pelo seu sabor; apresenta frutos pequenos, de sabor doce a suavemente ácido. A Pacovan destaca-se por sua rusticidade e produtividade; apresenta frutos 40% maiores que aqueles do tipo Prata, e um pouco mais ácidos e com quinas que permanecem mesmo depois da maturação. A Prata Anã, também conhecida como Enxerto ou Prata de Santa Catarina, apresenta as pencas mais juntas que as da Prata, com frutos do mesmo sabor e com pontas em formato de gargalo. A Maçã, a mais nobre para os brasileiros, apresenta frutos com casca fina e polpa suave, que lembra a maçã. As variedades Cavendish (Nanica, Nanicão e Grande Naine), também conhecidas como banana d água, apresentam frutos delgados, longos, encurvados, de cor amarelo-esverdeada ao amadurecer, com polpa muito doce e que são usados nas exportações. A Terra e a D Angola apresentam frutos grandes, com quinas proeminentes, que são consumidos cozidos ou fritos. A Mysore apresenta frutos com casca fina, de cor amarelo-pálida e polpa ligeiramente ácida, que apresentam grande adstringência quando consumidos antes do completo amadurecimento. 4.2. Novas Variedades Nos últimos anos, o Programa de Melhoramento Genético da Bananeira da Embrapa Mandioca e Fruticultura PMG Bananeira tem recomendado, em parceria com outras instituições ou não, uma série de novas variedades, as quais são descritas a seguir (Tabela 4.2). 47
Tabela 4.2. Características das principais variedades recomendadas pelo Programa de Melhoramento Genético da bananeira da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Cruz das Almas-BA, 2004. VARIEDADES CARACTERES Caipira Thap Maeo Pacovan Prata FHIA-18 Prata Baby Ken Graúda Tropical Preciosa Maravilha Grupo genômico AAA AAB AAAB AAAB AAA AAAB AAAB AAAB AAAB Tipo Caipira Mysore Prata Prata Caipira Prata Maçã Prata Prata Porte Médio-alto Médio-alto Alto Médio Médio-alto Médio Médio-alto Alto Médio Densidade (plantas/ha) 1.666 1.666 1.111 1.666 1.666 1.666 1.333 1.111 1.666 Perfilhamento Ótimo Ótimo Bom Bom Bom Médio Bom Bom Bom Ciclo vegetativo (dias) 344 394 385 383 466 360 400 381 384 Peso do cacho (kg) 15 14 23 17 15 25 19 22 20 Número de frutos/cacho 140 166 105 130 107 128 106 115 125 Número de pencas/cacho 7 11 7 9 7 9 7 7 8 Comprimento do fruto (cm) 12,8 11,5 19 16 15 19 15 18 17 Peso do fruto (g) 91 78 215 113 113 200 121 210 160 Rendimento sem irrigação (t/ha) 20 25 20 20 20 25 15 20 20 Rendimento com irrigação (t/ha) 25 35 50 50 NA 50 30 50 50 Sigatoka-amarela R R R MS R MS R R MS Sigatoka-negra R R R R S S S R R Mal-do-Panamá R R R S R R T R R Moko S S S S S S S S S Nematóides MR MR MR MR NA S MR NA MR Broca-do-rizoma R MR MS MS NA NA NA NA NA S: suscetível; MS: medianamente suscetível; R: resistente; T: tolerante; NA: não avaliado. 48
4.2.1. Caipira Internacionalmente conhecida como Yangambi km 5, é uma variedade de banana de mesa, pertencente ao grupo AAA, de porte médio a alto, frutos pequenos e muito doces. Foi selecionada a partir de avaliações realizadas em vários locais, destacando-se pelo seu vigor vegetativo, resistência à Sigatoka-negra, à Sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá, além de resistência à broca-do-rizoma, evidenciada por baixos índices de infestação pela praga (Fig. 4.1). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.1. Cacho da variedade Caipira. 49
4.2.2. Thap Maeo Introduzida da Tailândia e selecionada pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, é uma variedade pertencente ao grupo AAB, muito semelhante à Mysore, diferenciando-se desta por não apresentar altas infestações de viroses (BSV). Apresenta porte médio a alto, frutos pequenos, resistência às sigatokas amarela e negra e ao mal-do-panamá, baixa incidência de brocado-rizoma e de nematóides. Um aspecto importante dessa variedade é a rusticidade demonstrada em solos de baixa fertilidade, onde a produtividade média é de aproximadamente 25 t/ha/ano. Sob condições de solo de boa fertilidade, apresenta produtividade média de até 35 t/ha/ano (Fig. 4.2). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.2. Variedade Thap Maeo, semelhante à Mysore. 50
4.2.3. FHIA-18 É um híbrido da Prata Anã, de porte médio, com frutos externamente semelhantes aos desta variedade, embora com sabor mais doce. Foi introduzida de Honduras, avaliada em vários locais e selecionada. É um tetraplóide pertencente ao grupo AAAB, tendo como característica mais importante a resistência à Sigatoka-negra, principal doença da bananeira (Fig. 4.3). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.3. Variedade FHIA 18, do tipo Prata. 51
4.2.4. Prata Baby Também conhecida como Nam, é uma variedade triplóide do grupo AAA, introduzida da Tailândia, de porte médio a alto, resistente à Sigatoka-amarela e ao mal-do- Panamá. Apresenta frutos pequenos, com polpa rósea e sabor doce. Depois de avaliada em diversos locais, foi recomendada no Estado de Santa Catarina. Atualmente, encontra-se em plantios comerciais e, no mercado, atinge preço superior ao da Prata Anã (Fig. 4.4). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.4. Variedade Prata Baby. 52
4.2.5. Pacovan Ken É um híbrido tetraplóide do grupo AAAB, de porte alto, resultante de cruzamento da variedade Pacovan com o híbrido diplóide (AA) M53, gerado pelo PMG Bananeira, em Cruz das Almas, BA. A Pacovan Ken apresenta número e tamanho de frutos e produtividade superiores aos da Pacovan. Os frutos da nova variedade são mais doces e apresentam resistência ao despencamento semelhante aos da Pacovan. A Pacovan Ken, além de resistente à Sigatokanegra, apresenta também resistência à Sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá (Fig. 4.5). Foto: Ana Lúcia Borges Fig. 4.5. Variedade Pacovan Ken, do tipo Prata. 53
4.2.6. Prata-Graúda É um híbrido tetraplóide do grupo AAAB, de porte médio, gerada em Honduras a partir de cruzamento da Prata Anã com o híbrido diplóide SH 3393. Possui frutos e produção maiores que os da Prata Anã, com sabor um pouco mais ácido, sendo plantada comercialmente. Todavia, não apresenta resistência às sigatokas amarela e negra, sendo, porém, resistente ao mal-do-panamá (Fig. 4.6). Foto: Sebastião de Oliveira e Silva Fig. 4.6. Variedade Prata Graúda, do tipo Prata. 54
4.2.7. Preciosa É um híbrido tetraplóide do grupo AAAB, de porte alto, resultante de cruzamento da variedade Pacovan com o híbrido diplóide (AA) M53, gerado pelo PMG Bananeira (PV42-85), em Cruz das Almas, BA. A nova variedade é rústica, tem porte alto e frutos grandes, que são mais doces e apresentam resistência ao despencamento semelhante aos da Pacovan. A Preciosa, além de resistente à Sigatoka-negra, apresenta também resistência à Sigatoka-amarela e ao mal-do-panamá, sendo recomendada inicialmente para o Estado do Acre, onde a Sigatoka-negra é o grande problema (Fig. 4.7). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.7. Variedade Preciosa, do tipo Prata. 55
4.2.8. Maravilha É um híbrido tetraplóide (AAAB), resultante de cruzamento entre Prata Anã (AAB) x SH 3142 (AA), de porte médio, introduzido de Honduras com o nome de FHIA-01, e que foi avaliado em vários locais e selecionado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura para a Região de Rio Branco, AC. Os frutos e a produção são maiores e a polpa mais ácida que os da Prata Anã. Apresenta resistência à Sigatoka-negra e ao mal-do-panamá (Fig. 4.8). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.8. Variedade Maravilha, do tipo Prata. 56
4.2.9. Tropical É um híbrido tetraplóide do grupo AAAB, resultante de cruzamento da variedade Yangambi n o 2 com o híbrido diplóide (AA) M53, de porte médio a alto, criado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura (YB42-21), em Cruz das Almas, BA. Os frutos são maiores, mais grossos e com sabor semelhante aos da variedade Maçã. A Tropical, além de resistente à Sigatokaamarela, é também tolerante ao mal-do-panamá. Todavia, não é resistente à Sigatoka-negra. Seu plantio será direcionado principalmente para regiões produtoras de banana Maçã (Fig. 4.9). Foto: Janay Almeida dos Santos-Serejo Fig. 4.9. Variedade Tropical, do tipo Maçã. 57
4.3. Escolha da Variedade A escolha da variedade de bananeira depende da preferência do mercado consumidor e do destino da produção (indústria ou consumo in natura). Existem quatro padrões ou tipos principais de variedades de bananeira: Prata, Maçã, Cavendish (Banana D água ou Caturra) e Terra. Dentro de cada tipo há uma ou mais variedades. Assim, as variedades Prata, Prata Anã, Pacovan, FHIA-18, Pacovan Ken, Preciosa e Maravilha são do tipo Prata; no tipo Maçã, tem-se a Maçã verdadeira e a Tropical ; no tipo Cavendish destacam-se as variedades Nanica, Nanicão e Grande Naine; e no tipo Terra, as variedades mais importantes são Terra e D Angola. As variedades Ouro e Caipira não se enquadram em nenhum tipo mencionado, enquanto a Thap Maeo é uma variação muito próxima da Mysore. Ainda há, contudo, um outro fator que deve ser considerado na escolha da variedade, que é a sua resistência às doenças. Se houver possibilidade, deve-se optar, dentro do tipo escolhido, por uma variedade que seja resistente às principais doenças que atacam a cultura. O emprego de uma variedade inadequada inviabiliza todos os outros investimentos na cultura da bananeira. Quando se diz que uma nova variedade é de um determinado tipo, deve-se entender que ela originou-se de uma variedade do referido tipo, mas não é exatamente igual à genitora, uma vez que, durante o processo para a introdução da resistência a uma doença, por exemplo, pode ocorrer a perda de caracteres existentes na variedade original. Acrescenta-se, ainda, que, a depender do local de avaliação, a qualidade (cor, sabor e despencamento) dos frutos de uma variedade pode ser alterada. 58