Lei do Contrato de Seguro

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Transcrição:

Lei do Contrato de Seguro DECRETO-LEI nº. 72/2008 de 16 de Abril (Com as declarações de rectificação nºs. 32-A/2008 e 39/2008)

Revoga Articulado de seguros do Código Comercial, com excepção dos seguros para riscos de mar (se bem que os princípios gerais desta nova lei também a eles se apliquem, desde que não incompatíveis) Aspectos da legislação de Acesso e de Exercício da Actividade Seguradora e Resseguradora Aspectos da Lei da Transparência Seguradora e disposições relativas ao regime jurídico do contrato de seguro Legislação sobre o Pagamento dos Prémios de Seguro

Principais objectivos da nova lei Consolidação (e actualização), num único diploma, do regime geral do contrato de seguro. Reforço da protecção do consumidor, considerado a parte mais frágil da relação contratual.

Entrada em vigor 1 de Janeiro de 2009 Aplicando-se: A partir de 1.1.2009 aos seguros novos No vencimento das apólices aos seguros renováveis Aos seguros temporários de curta duração aplica-se o regime vigente à data da celebração do contrato

Estrutura do diploma Preâmbulo Título I Regime comum Título II Seguro de danos (inclui também seguros de responsabilidade civil, crédito, caução, protecção jurídica e assistência). Contém uma Parte Geral e uma Parte Especial. Título III Seguro de pessoas (inclui também operações de capitalização). Contém uma Parte Geral e uma Parte Especial.

QUESTÕES FUNDAMENTAIS

Preâmbulo Apresenta o diploma Define o seu objectivo Revela a sua estrutura Sintetiza as novidades Menciona a legislação que fica revogada Refere a sua entrada em vigor

Título I Regime comum

Direito subsidiário Às questões sobre contratos de seguro não reguladas no presente regime nem em diplomas especiais aplicam-se, subsidiariamente, as correspondentes disposições da lei comercial e da lei civil, sem prejuízo do disposto no regime jurídico de acesso e exercício da actividade seguradora.

Normas de aplicação imediata As disposições imperativas em matéria de contrato de seguro que tutelem interesses públicos, designadamente de consumidores ou de terceiros, regem imperativamente a situação contratual, qualquer que seja a lei aplicável, mesmo quando a sua aplicabilidade resulte de escolha das partes.

Imperatividade Existem normas de imperatividade absoluta, que não admitem convenção em sentido diverso. Apenas nos seguros de grandes riscos se admite convenção em sentido diverso relativamente às disposições constantes dos artigos 59º. e 61º. (relativas ao pagamento dos prémios). E existem normas de imperatividade relativa - não imperativas nos seguros de grandes riscos -, podendo ser estabelecido um regime mais favorável ao tomador do seguro, ao segurado ou ao beneficiário da prestação de seguro.

Seguros proibidos Entre outras situações, é proibida a celebração de seguro que cubra o risco de Morte de crianças com idade inferior a 14 anos ou daqueles que por anomalia psíquica ou outra causa se mostrem incapazes de governar a sua pessoa. Mas não é proibida a cobertura do risco de morte por acidente de crianças com idade inferior a 14 anos, desde que contratada por instituições escolares, desportivas ou de natureza análoga que dela não sejam beneficiárias.

Proibição de práticas discriminatórias Na celebração, na execução e na cessação do contrato de seguro são proibidas as práticas discriminatórias; não sendo consideradas como tais as que provadamente resultem dos princípios da técnica seguradora.

Informações Antes do tomador se vincular, o segurador deve prestar, por escrito (o ISP pode fixar regras), um vasto conjunto de informações; sem prejuízo das informações prévias a prestar pelo mediador, quando haja intervenção deste. A proposta de seguro deve conter a menção de que tais informações foram dadas. O incumprimento dos deveres de informação dá ao tomador o direito a rescindir o contrato e faz incorrer o segurador em responsabilidade civil.

Silêncio do segurador Se o tomador do seguro for uma pessoa singular e subscrever o contrato em proposta do próprio segurador, o risco tem-se por aceite; caso este último nada informe em contrário, durante 14 dias após a recepção da proposta, sendo de apenas 5 dias se existir intervenção de mediador.

Entrega da apólice A apólice, nos seguros de massa (entendendo-se como tais os seguros não considerados como grandes riscos), deve ser entregue ao tomador no prazo de 14 dias. Nos grandes riscos, as partes podem acordar prazo diferente. Em ambas as situações, quando convencionado, a apólice pode ser entregue em suporte electrónico duradouro. Se a apólice não for entregue no prazo estabelecido, o tomador pode resolver o contrato, com efeito retroactivo e direito à devolução da totalidade do prémio pago.

A propósito de grandes riscos O Decreto-Lei nº. 94-B/98 de 17 de Abril, que regula o Acesso e Exercício da Actividade Seguradora e Resseguradora, nos seus artigos 2º. e 123º. define como tais: Veículos ferroviários Aeronaves (responsabilidade civil e danos próprios) Embarcações marítimas, lacustres e fluviais (responsabilidade civil e danos próprios) Mercadorias transportadas Crédito Caução

e ainda desde que, relativamente ao tomador, sejam excedidos dois dos seguintes valores: a) Total de balanço 6,2 milhões de euros b) Montante líquido do volume de negócios 12,8 milhões de euros c) Número médio de empregados, no último exercício 250 (Estes valores aplicam-se igualmente para o caso do tomador estar integrado num conjunto de empresas, para o qual sejam elaboradas contas consolidadas.) os seguros dos seguintes riscos: Automóvel (r. civil e danos próprios) Incêndio e elementos da natureza Outros danos em coisas (ex: agrícola, pecuário, roubo) Responsabilidade civil geral Perdas pecuniárias diversas (ex: Emprego, perda de lucros, perda de rendas ou de rendimentos)

Consolidação do contrato Após a entrega da apólice, o tomador do seguro dispõe de 30 dias para invocar qualquer irregularidade entre o acordado e o conteúdo da apólice, prazo, findo o qual, o contrato se considera consolidado.

Texto da apólice A lei define o conteúdo mínimo da apólice (que no essencial corresponde ao que já anteriormente se estabelecia). Mas dispõe ainda que: Algumas cláusulas (causas de invalidade e de prorrogação, de suspensão ou de cessação do contrato, de âmbito, limitação ou exclusão de coberturas, de deveres de aviso dependentes de prazo) devem ser escritas em caracteres destacados e de maior dimensão do que os restantes. Sob pena do tomador do seguro poder resolver o contrato.

Modalidades de apólices As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. Por defeito, serão nominativas.

Pagamento dos prémios No essencial mantém o sistema vigente (incluindo a possibilidade do pagamento através do desconto em lota). As alterações mais significativas são: O aviso de pagamento passa a ser feito com 30 dias de antecedência relativamente ao vencimento do recibo. Eliminação do regime especial previsto para os contratos de prémio variável e para os contratos titulados por apólices abertas. A base do sistema do pagamento dos prémios estabelecida no diploma apenas se aplicará aos seguros de vida, colheitas, pecuário, mútuos com o produto das receitas e grandes riscos, se as partes não convencionarem sistema em contrário.

Repartição de riscos O diploma estabelece também os princípios definidores quando ao co-seguro e resseguro. Mas nada de muito importante altera nesse domínio.

Seguro de grupo Acrescem deveres de informação específicos, que se acentuam em relação aos seguros de grupo contributivos.

Participação de sinistro Deve ser feita no prazo fixado no contrato ou, na sua ausência, no prazo máximo de 8 dias, sob pena das penalizações que o contrato pode prever; nunca oponíveis aos terceiros lesados, em caso de seguro obrigatório de responsabilidade civil (situação em que funciona o direito de regresso contra o incumpridor).

Pagamento do sinistro Deve ser feito no prazo máximo de 30 dias após a definição das responsabilidades.

Resolução após sinistro Salvo disposição legal em contrário, não pode ser convencionada nos seguros de vida, saúde, de crédito e caução, nem nos seguros obrigatórios de responsabilidade civil. Tal limitação não se aplica aos seguros de grandes riscos.

Prescrição O direito do segurador ao prémio prescreve no prazo de 2 anos a contar do seu vencimento. Os restantes direitos prescrevem no prazo de 5 anos, a contar do conhecimento desses direitos, sem prejuízo da prescrição ordinária.

Título II Seguro de danos

Actualização Nos seguros de habitação, salvo estipulação em contrário, a actualização automática é obrigatória e implica a prévia informação ao tomador do seguro; sob pena de impedimento da aplicação da regra proporcional, no caso de infra-seguro.

Dolo Nos seguros de R.C. obrigatórios, caso a lei e o regulamento sejam omissos, há cobertura de actos ou omissões dolosas do segurado.

Título III Seguro de pessoas

Apólice nominativa A apólice no seguro de pessoas não pode ser emitida à ordem nem ao portador.

Seguro de Vida Acrescem mais informações - quer précontratuais, quer fazendo parte da apólice - para além das previstas para a generalidade dos ramos.