Setenta Vezes Sete (Mateus 18:21 35)

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Conheça o Mestre Setenta Vezes Sete (Mateus 18:21 35) No ano de 1818, Tamatoe, rei de Huahine, uma das Ilhas dos Mares do Sul, tornou-se cristão. Logo depois, ele descobriu uma trama perversa de seus compatriotas para prende-lo e a outros convertidos ao cristianismo e queimá-los até a morte. Tamatoe organizou um bando de soldados e preparou uma emboscada para os conspiradores, pegando-os desprevenidos e sem violência. Então, deu-lhes uma grande festa em suas mesas de banquete. Era um gesto de perdão e uma demonstração do perdão de Cristo. Esta bondade inesperada de Tamatoe surpreendeu os nativos selvagens, que queimaram seus ídolos e se tornaram cristãos também. O poder do perdão é inacreditável. 1 O perdão é poderoso. Ter um coração que perdoa é um item importante na agenda de Jesus para Seu povo. Isto é claramente visto na parábola do credor incompassivo, registrada somente em Mateus 18. O PERDÃO ENSINADO (MATEUS 18:21, 22) Numa ocasião, Pedro veio a Jesus e perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? (v. 21). Não sabemos ao certo por que Pedro usou o número sete. Os rabinos ensinavam que os homens deviam perdoar até três vezes. 2 Possivelmente, Pedro estava aumentando essa marca. Talvez Pedro tenha usado o número sete por que era usado com freqüência para indicar totalidade. Talvez Pedro tenha se lembrado de que Jesus uma vez usou o número sete ao ensinar sobre perdão: Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe (Lucas 17:4). Jesus respondeu a Pedro: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete (v. 22) em outras palavras, até 490 vezes! 3 Jesus usou um número excessivo para ensinar duas lições importantes sobre perdão: Primeiro, precisamos desenvolver o hábito de perdoar. Quando perdoarmos alguém 490 vezes, deveremos fazêlo com grande facilidade! Segundo, a idéia de guardar mágoas de quem nos ofendeu e de quantas vezes perdoamos é absurda. Que ridículo seria anotar num caderninho cada vez que perdoamos alguém, dizendo: Esta é a décima-quinta vez que eu o perdôo. Agora são só mais 475 vezes e eu não vou ter que perdoá-lo nunca mais! O amor não guarda mágoas (1 Coríntios 13:5; Versão Fácil de Ler). O que Jesus ensinou a Pedro não era um ensinamento isolado. O perdão é uma parte vital do plano de Jesus para Sua igreja. Ele assim instruiu Seus seguidores: Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas (Mateus 6:14, 15). Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados (Lucas 6:37). O PERDÃO ILUSTRADO (MATEUS 18:23 35) Depois de dizer a Pedro para perdoar setenta vezes sete, Jesus enfatizou seu ensinamento 1

contando uma parábola: a parábola do credor incompassivo. Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos (Mateus 18:23, 24). Imagine a cena em sua mente: provavelmente o rei voltara de uma longa viagem e convocou seus servos e escravos. Um a um, colocaram-se diante dele para um acerto de contas administrativo. Finalmente, colocou-se diante dele um escravo que, aparentemente, gozava de completa confiança do rei, pois o rei confiara a ele uma grande soma de dinheiro. Inicialmente, o administrador ficou sorrindo, mas depois sua aparente confiança se converteu em desespero, à medida que os livros contábeis revelaram que ele tinha desviado dez mil talentos do rei! Não podemos ser dogmáticos quanto ao valor exato de dez mil talentos. Um talento não era uma quantia de dinheiro, mas um certo peso de metais preciosos. Uma vez que o peso variava de região para região (bem como o valor do metal), as autoridades divergem muito ao estimar o valor de dez mil talentos. 4 Bastará dizer que era um montante astronômico. Para nosso propósito, vamos usar o número $ 10.000.000 que provavelmente é menos do que o equivalente no mercado de hoje. 5 Não se atenha a detalhes (do tipo: como um escravo poderia acumular tal débito); a questão para Jesus era que o homem possuía uma dívida impossível de ser saldada. O versículo 25 diz que o homem não tinha com que pagar os dez mil talentos. Talvez ele tivesse perdido o dinheiro em jogo ou num investimento ruim. De qualquer forma, já era, e não havia como ele poderia pagar seu mestre. Quando o rei viu a situação, ordenou que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga (v. 25b). Essa era uma prática comum. Uma vez que o pagamento não pudesse ser feito, a sentença para o homem e toda a sua família perduraria a vida inteira. Quando a sentença foi proclamada, o servo prostrou-se diante do senhor e começou a rogar: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei (v. 26). Era uma afirmação ridícula, pois não havia como ele ser capaz de pagar seu senhor, mas o homem estava desesperado! Jesus, então, deu este belo exemplo de perdão: E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida (v. 27). Mas Jesus ainda não tinha terminado de contar a estória. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários (v. 28a). O servo que acabara de ser perdoado de uma dívida de $10.000.000 provavelmente estava comemorando! Como não tinha dinheiro algum, decidiu ir atrás de um colega que lhe devia a quantia de cem denários. Diz-se que um denário era o pagamento de um dia de trabalho para um trabalhador comum naqueles dias. Novamente, não podemos ser dogmáticos em estimar o que seria equivalente a uma dívida de cem denários. Os trabalhadores daquele tempo trabalhavam por salários de fome; não havia a lei do salário mínimo para proteger a classe. Para nosso propósito aqui, usaremos a quantia de $18 como equivalente. O total exato não é importante. A questão é que era uma soma insignificante comparada com a quantia da qual o primeiro tinha sido perdoado. O perdão faz mais por quem perdoa do que por quem é perdoado. O servo cuja dívida de $10.000.000 foi perdoada finalmente localizou o colega escravo. Então, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves (v. 28b). Posso até ouvi-lo gritar: Me dá aí os meus $18!, enquanto punha as mãos em volta do pescoço do homem. Imediatamente, o conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei (v. 29). Foram exatamente as mesmas palavras que o servo usou quando implorou por clemência ao rei. Elas deveriam refrescar sua memória e despertar-lhe a consciência não foi assim. O homem recebeu o perdão de uma dívida de $10.000.000, mas não perdoava uma dívida de $18! Ficou furioso por não pôr as mãos naqueles $18. Não teria com o que comemorar! Num acesso de cólera, ele o lançou na prisão, 2

até que saldasse a dívida (v. 30). 6 Já que o homem não podia ganhar dinheiro enquanto estivesse preso, o servo incapaz de perdoar deralhe a sentença de passar o resto da vida na prisão por tão pouco dinheiro! A atitude do homem foi observada pelos demais servos. Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo o que acontecera (v. 31). O rei ficou enraivecido. Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos [torturadores], até que lhe pagasse toda a dívida (vv. 32 34). Sem dúvida o homem mais uma vez implorou ao seu senhor, mas desta vez em vão. Ele mostrou que queria justiça, então o rei lhe fez justiça! Os devedores eram às vezes entregues a torturadores 7 que praticavam torturas indescritíveis para forçá-los a confessarem qualquer fonte de dinheiro desconhecida qualquer valor que tivessem escondido. Uma vez que o homem não tinha nenhuma fonte de dinheiro, a conseqüência era ser torturado para sempre provavelmente uma referência ao castigo eterno. Jesus concluiu com estas palavras sensatas: Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão (v. 35). Nossa opção é perdoar ou perder o direito ao perdão que Deus deseja nos outorgar! Em Tiago 2:13 o meio-irmão de Jesus escreveu estas palavras aterradoras: Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia! Muitas lições grandiosas podem ser extraídas desta parábola. Uma é a falta de esperança do pecador sem a graça de Deus. O homem que devia $10.000.000 representa cada um de nós. Espiritualmente, nós temos uma dívida que jamais poderemos saldar. Todos nós somos pecadores (Romanos 3:23), e o salário do pecado ainda é a morte espiritual (Romanos 6:23). Infelizmente, alguns de nós somos representados pelo homem também quando ele implorou ao rei: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei (v. 26). Alguns acreditam que, espiritualmente, podem pagar ao Senhor a dívida dos seus pecados, tendo uma vida boa ou fazendo boas obras: Só me dê mais um tempinho, Senhor, e vou acertar tudo. Esta parábola declara que não é possível fazer isto nunca, nunca, nunca nem em um milhão de anos. Precisamos entender isto, para valorizarmos o que Deus fez por nós! Entretanto, a lição central desta parábola é a necessidade da pessoa perdoada praticar também o perdão. Se existe um ensinamento bem claro nas páginas do Novo Testamento é este: que, uma vez que fomos perdoados, devemos estar sempre prontos a perdoar os outros. Paulo escreveu estas palavras aos irmãos de Éfeso e Colossos: Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou (Efésios 4:31, 32). Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós (Colossenses 3:13). O PERDÃO EXPLICADO O Que Significa Perdoar O que significa perdoar? Às vezes somos admoestados a perdoar e esquecer. Entretanto, quem já fez um estudo da mente humana diz que é impossível perdoar e esquecer literalmente. Tudo o que já vimos, ouvimos ou experimentamos é armazenado em algum lugar do nosso cérebro. Isto não é necessariamente mau. Nem mesmo Deus perdoa e esquece literalmente. 8 De outra forma, não teríamos hoje o Livro de Gênesis, que registra pecados cometidos antes de o livro ser escrito. Moisés não saberia os detalhes de pecados cometidos milhares de anos antes, se Deus não os desse a ele por inspiração. Conseqüentemente, Deus lembrou-se desses pecados, embora alguns tivessem sido perdoados muitos anos antes. Quando a Bíblia diz que Deus perdoa nossos pecados e não mais se lembra deles (Jeremias 31:34; Hebreus 8:12), o que quer dizer? Daquele ponto em diante Deus nos trata como se não tivéssemos cometido aqueles pecados. Certo escritor observou: Esquecer na Bíblia significa não ser mais influenciado ou afetado por. Quando Deus promete: Também de nenhum modo me 3

lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades, para sempre (Hebreus 10:17), Ele não está sugerindo que sua memória seja ruim quando Lhe convém! Isto é impossível. O que Deus está dizendo é: Não tomarei por mal esses pecados contra eles. Seus pecados já não podem afetar sua condição perante Mim nem influenciar Minha atitude para com eles. 9 Nosso desafio é aprender a fazer o mesmo. Através dos anos, à medida que tento ajudar pessoas a lidar com a amargura, muitas acharam útil reconhecer que no coração humano, o perdão ocorre em duas etapas: Num sentido o perdão pode ser imediato. O texto da lição enfatiza este aspecto do perdão. Romanos 12:18 21 descreve algumas das atitudes e ações que o perdão a curto prazo envolve: Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Aqui estão algumas conclusões que podem ser tiradas desta passagem de Romanos 12: 1) Quando perdoamos os outros, tentamos fazê-lo como Deus faz tratando-os como se certos incidentes não tivessem ocorrido. Encontramos algumas exceções práticas e até algumas exceções bíblicas 10 a este princípio mas no máximo possível, tentamos não deixar que o passado afete nossos relacionamentos. Não procuramos evitar esses indivíduos. Não nos recusamos a falar com eles. Ao nos relacionarmos, determinamos não ressuscitar o passado. Quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. 2) Quando perdoamos os que nos ofendem, resolvemos não nos vingarmos. Isto inclui a maneira como falamos dessas pessoas a outras. Não procuramos pagar com a mesma moeda quem nos ofende. Deixamos esta questão nas mãos de Deus. Não vos vingueis a vós mesmos... porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. 3) Quando perdoamos os outros, buscamos o melhor para eles; buscamos o seu bem-estar. Esta é uma parte essencial do amor agape, que deve ser estendido a todos os homens. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. 4) Quando perdoamos os outros, tentamos arrancar do nosso coração toda amargura e animosidade para com eles. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Esta última sugestão nos leva à consideração do perdão a longo prazo. Mesmo quando perdoamos imediatamente, possivelmente continuamos lutando contra sentimentos negativos em relação aos que nos magoaram. Podemos ainda nos sentir desconfortáveis perto deles. O perdão a longo prazo pode ser um processo demorado e trabalhoso. Pode levar anos, talvez uma vida inteira. Há duas chaves para o perdão demorado. A primeira é decidir nunca parar de trabalhar a questão. Precisamos continuar a tentar tratar a pessoa perdoada como se nada tivesse acontecido. Devemos trabalhar com nossos sentimentos internos. Pode ser um clichê, mas o tempo realmente cura nossas feridas. A segunda chave é passar muito tempo em oração. Precisamos orar constantemente para que Deus nos ajude. Precisamos lembrar que para Deus tudo é possível (Mateus 19:26). Precisamos orar constantemente em prol da pessoa que nos magoou assim como Jesus orou na cruz: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34). É difícil orar constantemente por uma pessoa e ainda guardar um ressentimento contra ela. Saberemos que o perdão a longo prazo está se desenvolvendo em nossos corações, quando fatos angustiantes param de dominar o nosso pensamento, quando começam a desvanecer de nossa memória. Saberemos, então, que o processo de perdão está completo, quando podemos nos lembrar do incidente sem dor. Podemos atingir ou não este ponto. Se isto acontecer, será uma ótima sensação. Podemos agradecer a Deus por ter-nos ajudado a atingir uma nova maturidade em nossa caminhada cristã! O Que o Perdão Faz em Nós Quando adquirimos o hábito de perdoar, descobrimos que o perdão faz mais por quem perdoa, do que por quem é perdoado. Se não perdoamos, a amargura aumenta em nossos corações. Hebreus 12:15 adverte contra esta negligência: atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de 4

Deus; nem haja raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados. Novamente, o perdão nos liberta. Se deixarmos a animosidade nos corroer a alma, nos encher o pensamento durante o dia e nos tirar o sono à noite, estaremos permitindo que o objeto dessa animosidade controle nossas vidas. Guardar mágoa não machuca os outros; machuca a nós mesmos. Perdoar os que nos têm ofendido lança fora o fardo do ódio, nos desprende de ressentimentos e nos alivia para continuarmos a levar a vida! 11 Não é de surpreender que Jesus ordenou que perdoemos assim como temos sido perdoados! O perdão ajuda espiritual, emocional e fisicamente. Certo escritor observou: Deus ordenou que perdoássemos uns aos outros, não unicamente como um estatuto legal ou uma regra para manter a paz; mas para nosso próprio bem. Guardar mágoa e ódio já provou ser uma atitude que prejudica a saúde física e emocional. Impede sua habilidade de ter e manter relacionamentos importantes, de criar apropriadamente os filhos, ou de permanecer no emprego. Destrói tanto a saúde quanto a felicidade, pois a saúde e a felicidade não podem coexistir com o ódio e o ressentimento. O verdadeiro perdão, por outro lado, é acompanhado da promessa eterna de Deus de grande júbilo e contentamento. É uma fonte gratuita que jorra paz e alegria e unidade. 12 CONCLUSÃO Vamos tentar tornar esta lição tão prática quanto possível. A quem Deus quer que você perdoe? Alguém magoou você no passado? Você ainda guarda sentimentos negativos em relação a essa pessoa? Você lhe perdoou de coração? Se você já perdoou, está empenhando todo esforço para não deixar a ofensa passada afetar seu relacionamento? Você continua trabalhando sua atitude? Ora diariamente pela pessoa que o magoou? Se você acha amargura em seu coração, em vez de perdão, oro para que você ache um meio de perdoar seu ofensor. Lembre-se das duas lições chaves deste estudo. 1) fomos perdoados por uma dívida de pecados equivalente a $10.000.000; deveríamos então estar prontos para perdoar as faltas dos outros para conosco, equivalentes a $18. 2) Se não perdoamos, não podemos ser perdoados. Deus, ajuda-nos a aprender a perdoar! NOTAS A PREGADORES E PROFESSORES Ao usar esta lição numa sala de aula, você pode querer relacionar o ensinamento de Jesus sobre perdão com o resto do capítulo 18. Os versículos 21 a 35 não significam que não devemos tentar resgatar o cristão errante e até discipliná-lo, se necessário (vv. 15 21). Ao contrário, ensinam que 1) a disciplina da igreja nunca deve ser uma vendeta pessoal; 2) não devemos guardar animosidade no coração em relação ao disciplinado; e 3) uma atmosfera de amor e perdão deve prevalecer na igreja. Nesta lição, deliberadamente, não me permiti desviar para a discutível questão: Podemos realmente perdoar uma pessoa, se ela não diz que está arrependida (e, por implicação, não quer nosso perdão)? Este debate baseia-se nas palavras de Jesus em Lucas 17:4. A questão é que, desde que Deus não perdoa ninguém até que a pessoa se arrependa, Ele não espera que nós perdoemos alguém antes que essa pessoa se arrependa. O problema que vejo em toda essa discussão é que eu não sou Deus. Quando alguém diz: Eu me arrependo, não sei se arrependeuse mesmo ou não. Quando alguém pede o meu perdão, não tenho como saber se está sendo sincero ou não. De fato, se alguém me ofender sete vezes num dia (Lucas 17:4) e a cada incidente vier até mim dizendo: Eu me arrependo, suponho que, por volta da terceira vez, vou começar a duvidar da sua sinceridade! Em outras palavras, não penso que Jesus estivesse enfatizando o fato de o homem se arrepender tanto quanto Ele estava enfatizando que não temos o direito de vetar o perdão a alguém. A razão por que evitei tal discussão é que não estou tão preocupado com a formalidade de uma cerimônia de perdão ( Desculpe; por favor, me perdoe... Você está perdoado.) quanto com o estado dos nossos corações. Jesus concluiu a parábola do credor incompassivo dizendo: Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão (grifo meu). Quando Jesus orou: Pai, perdoalhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34), Suas palavras não indicavam que o pecado de O crucificarem estava instantaneamente perdoado; Pedro culpou os judeus por isso cinqüenta dias depois (Atos 2:23). Em vez disso, as palavras de Jesus indicavam que Seu próprio coração não estava cheio de amargura! 5

Sempre que leio uma discussão sobre perdoar alguém sem que esta pessoa se arrependa, verifico se o escritor salienta que indiferentemente de perdoarmos alguém, não podemos guardar mágoas no coração; não podemos reter o rancor. Se o autor enfatiza este ponto, então não discordo dele. NOTAS 11 Eldred Echols, Discovering the Pearl of Great Price ( Descobrindo o Grande Valor da Pérola ). Fort Worth, Texas: Sweet Publishing Co., 1992, p. 43. 12 Baseiam seus ensinos em Amós 1 e 2. Seu raciocínio é que Deus perdoou várias nações por três transgressões e então derramou Sua ira na quarta transgressão. (Amós 1:3, etc.) e Deus não esperaria mais dos homens. 13 Alguns manuscritos antigos trazem setenta mais sete (veja nota na NVI). Gênesis 4:24 usa um termo similar. O número exato não é importante. Jesus usou um número exagerado ou 77 ou 490 para ensinar que não deve haver limite para o perdão. 14 Um problema é que algumas autoridades ainda usam cifras de centenas de anos atrás, quando tudo era mais barato. 15 O imposto anual para todos os palestinos era apenas oitocentos talentos. O trabalhador médio tinha que trabalhar vinte anos para ganhar um talento. Davi e seus príncipes empenharam apenas um pouco mais que o dobro disso para a construção do templo (1 Crônicas 29:4 7). Algumas autoridades no assunto pensam que dez mil talentos seria muito mais do que um bilhão de dólares hoje! 16 O homem tinha o direito legal de fazer isto, mas não um direito moral especialmente se tivessem usado de misericórdia para com ele. 17 A NVI apresenta este termo. 18 Deus é onisciente, Ele sabe tudo, o que inclui os detalhes dos pecados que foram perdoados. 19 Warren W. Wiersbe, The Bible Expository Commentary ( Comentário Expositivo da Bíblia ), vol. 2. Wheaton, Illinois: Victor Books, 1989, p. 89. 10 Mesmo que você perdoe um homem que lhe tenha roubado, o senso comum diz que você não deve colocá-lo imediatamente responsável pelas suas finanças. Se você perdoa uma mulher por espancar seu filho, você não a contrata imediatamente como babá. Quanto a exceções bíblicas, um exemplo basta: se um cônjuge é infiel e volta pedindo perdão, você precisa perdoá-lo. Isto não significa que você é obrigado a viver com essa pessoa como marido ou mulher como se nada tivesse acontecido (Mateus 19:3 9). Tais casos são exceções à regra. Minha experiência é que na maioria dos casos, o que foi ferido foram os nossos sentimentos, casos esses em que não se aplicam as exceções. 11 Esta é uma grande lição a ser aprendida por quem recentemente foi abandonado pelo cônjuge. Eu poderia mencionar também que este princípio é verdadeiro mesmo que a pessoa tenha morrido. Muitos que sofreram abusos na infância guardam ódio das pessoas geralmente mortas hoje que cometeram esse pecado. Antes que encontrem paz, precisam achar um meio de perdoar os ofensores. Uma técnica que geralmente funciona para aquele que está sofrendo é escrever cartas à pessoa falecida, expressando a dor, bem como a determinação de perdoá-la. 12 Echols, p. 49. Autor: David Roper Série: Conheça o Mestre Copyright 2001, 2003 by A Verdade para Hoje TODOS OS DIREITOS RESERVADOS 6