II Congresso Brasileiro de Plantas Oleagisas, Óleos, Gorduras e Biodiesel PROBABILIDADE DA PRECIPITAÇÃO SUPRIR A EVAPOTRANSPIRAÇÃO DA CULTURA DA SOJA PARA SIMULAÇÕES DE SEMEADURAS EM DECÊNDIOS NA REGIÃO DE IHA SOLTEIRA-SP. Fernando Miqueletti 1 Sueli Rodrigues 2 Edson Lazarini 3 Ricardo Antonio Ferreira Rodrigues 4 RESUMO O trabalho teve por objetivo estimar a probabilidade da precipitação suprir a demanda hídrica da cultura da soja para diferentes épocas de semeadura, considerando 15 decêndios de semeadura entre os meses de setembro e janeiro. Foram utilizados os valores diários de precipitação, entre 1978 a 2003, obtidos da estação meteorológica de Ilha Solteira-S.P (20 o 21 S, 51 o 22 W e altitude 326 m). A probabilidade de atendimento hídrico foi determinada usando-se função com distribuição gama reduzida. As probabilidades de atendimentos hídricos dos 15 decêndios de semeadura, para precipitação provável de 75 % apresentaram durante o valores máximos de 26,83 mm, mínimo de 11,42 mm e médio de 20,24 mm. O desvio padrão foi de 4,68 mm. As melhores épocas de semeadura identificadas para semeadura foram o mês de vembro e o início do mês de dezembro. Palavras-chave: evapotranspiração, soja, precipitação, distribuição gama 1. INTRODUÇÃO A cultura da soja [Glycine max (L.) Merril] teve um grande desenvolvimento nas ultimas três décadas Brasil, sendo atualmente, a principal fonte de exportação agrícola e responsável pelo superávit da balança comercial do país. O agronegócio da soja é estratégico para o desenvolvimento nacional, por gerar cerca de 10% das receitas de exportação e pelo abastecimento inter de alimentos básicos (óleo de soja, além de carnes, ovos e leite produzidos com farelo de soja). 2. OBJETIVOS 1 Acadêmico do Curso de Agromia, UNESP-Ilha Solteira-SP. fernandomiqueletti@bol.com.br 2 Acadêmica do Curso de Agromia, UNESP-Ilha Solteira-SP. srodrigues@alu.feis.unesp.br 3 Eng. Agrômo, Professor Adjunto, Curso de Agromia- UNESP-Ilha Solteira 4 Eng. Agrícola, Professor Adjunto, Agromia-UNESP- Ilha Solteira. ricardo@agr.feis.unesp.br 287
II Congresso Brasileiro de Plantas Oleagisas, Óleos, Gorduras e Biodiesel 2 O trabalho teve por finalidade, estimar a probabilidade da precipitação atender a necessidade de água da cultura da soja s estádios de desenvolvimento para diferentes datas de semeadura durante a época recomendada para o Estado de São Paulo, na região de Ilha Solteira. 3. METODOLOGIA 3.1. Estimativa da probabilidade de distribuição de precipitação Foram utilizados os valores diários da precipitação da estação meteorológica, pertencente à Companhia Energética do Estado de São Paulo-CESP, localizada município de Ilha Solteira-SP, período de 1978 a 2003. Para o estudo proposto os valores diários de precipitação foram agrupados em decêndios. Os meses considerados foram setembro, outubro, vembro, dezembro e janeiro. De acordo com ASSIS et al. (1996), a distribuição gama de probabilidade é a distribuição mais utilizada para o ajuste de totais de altura de precipitação de períodos mensais ou meres. Sua função densidade de probabilidade tem a seguinte forma: 1 γ 1 f ( X) = γ X Γ( γ ) β e X / β Com β, γ > 0 e 0 < X >, onde Γ (γ) é a função gama do parâmetro γ. Os parâmetros γ e β foram estimados através do método da máxima verossimilhança, obtida pela equação: β = X / γ (2) γ = {1+ [1+(4*A/3)] 1/2 }/4*A (3) A=ln(X )-1/n Σ ln(xk ) (4) Onde X é o valor médio da precipitação período; Xk é a precipitação acumulada período. As equações (2), (3), (4) e a função gama do parâmetro γ {Γ (γ)} foram calculadas para os dados diários de precipitação agrupados em decêndios para os meses de setembro, outubro, vembro, dezembro e janeiro. A função cumulativa de probabilidade da distribuição é dada pela equação: 1 X γ 1 X / β F(X) = X Γ( γ ) β e dx (5) γ 0 A equação (5) não apresenta solução imediata, sendo necessário utilizar expansão em série. A série utilizada (ASSIS et al, 1996) foi: (1) 288
II Congresso Brasileiro de Plantas Oleagisas, Óleos, Gorduras e Biodiesel 3 F(t)= (t γ / γ*γ(γ)*e γ )*{1+ [t 1 /(γ+1)]+[t 2 /(γ+1)* (γ+2)]+ [t 3 (γ+1)*(γ+2)*(γ+3)]+...} (6) Onde t = X / β. A equação (6) é a probabilidade de ocorrer um valor X <= t é F(t). Para a resolução da equação (6) o número de termos adotado foi 13. 3.2. Estimativa da evapotranspiração da cultura Foram utilizados os valores diários de evaporação do tanque Classe A da estação meteorológica, pertencente à Companhia Energética do Estado de São Paulo-CESP, localizada município de Ilha Solteira-SP, período de 1978 a 2003. Para o estudo proposto os valores diários de evaporação de água do Tanque Classe A foram agrupados em decêndios. Os meses considerados foram setembro, outubro, vembro, dezembro e janeiro. A evapotranspiração de referência (ETo), foi calculada pela seguinte expressão: ETo = kp * ECA. Sendo kp o coeficiente do tanque e ECA a evaporação do Tanque Classe A. A evapotranspiração da cultura foi calculada pela seguinte expressão: ETc = kc * ETo. Onde ETc é a evapotranspiração da cultura; kc é o coeficiente de cultura e ETo é a evapotranspiração de referência. O uso apenas do total de chuvas de cada período não é suficiente na caracterização do mesmo, por esse motivo, foram utilizados os cálculos para probabilidades de atendimento da demanda hídrica da cultura. O coeficiente do tanque (kp) foi o apresentado por DOORENBOS & PRUITT (1977). O kc é função da cultura e do estádio de desenvolvimento e o kp é função do tamanho e natureza da área tampão, velocidade do vento e umidade relativa do ar. 3.3. Probabilidade da precipitação suprir a necessidade hídrica da cultura da soja A probabilidade da precipitação suprir a necessidade hídrica da cultura da soja foi a adotada por CAMARGO et al. (1988) com distribuição gama-reduzida, sendo baseado na possibilidade da precipitação atender a evapotranspiração da cultura. A função de densidade é: f(x) = X y e / y (7) 289
II Congresso Brasileiro de Plantas Oleagisas, Óleos, Gorduras e Biodiesel 4 Onde X é a demanda hídrica ideal; y é a precipitação do período (mm). A função de distribuição acumulada é: F(x)= -(e -x/y -1) (8) A probabilidade de atendimento hídrico p(x) para a demanda por período é: p(x)= 1- F(x) (9) Utilizando as equações (8) e (9), foram obtidas as probabilidades da precipitação suprir a necessidade de água da cultura da soja, para todas as simulações de épocas de semeadura. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. Precipitações Prováveis com probabilidade de 75 % de ocorrência Nos agrupamentos decêndiais, com probabilidade de ocorrência de 75%, a precipitação provável média é de 16,60 mm; a mínima de 5,98 mm e a máxima de 31 mm. 4.2. Demanda hídrica da cultura da soja As evapotranspirações da cultura (ETc) dos 15 decêndios de semeadura apresentaram para a fase de hídrica cujo kc é igual a 1,2 e ocorre campo por volta do 8º ao 9º decêndio e em alguns casos do 8º ao 10º decêndio, os seguintes valores máximos, mínimos e médios nas diferentes datas de semeadura: - Máximo: 65,31 mm; Mínimo: 40,16 mm e Médio: 53,41 mm. O desvio padrão foi de 6,69 mm. 4.3. Probabilidade de atendimento hídrico () da cultura da soja. As probabilidades de atendimentos hídricos dos 15 decêndios de semeadura, para precipitação provável de 75% durante o da cultura (QUADRO 2) apresentaram os seguintes valores: -Máximo: 26,83 mm; Mínimo: 11,42 mm e Médio: 20,24 mm. O desvio padrão foi de 4,68 mm. Quadro 2. Probabilidade de Atendimento Hídrico () para a cultura da soja durante seu completo campo e durante a fase de da cultura, para semeadura em decêndios s meses de setembro a janeiro, para precipitação provável 75%. 290
II Congresso Brasileiro de Plantas Oleagisas, Óleos, Gorduras e Biodiesel 5 Meses Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Datas de semeadura 01-10 11,42 1,00 15,75 8,50 21,25 12,50 24,38 14,00 23,58 6,50 11-20 13,42 2,50 17,67 13,00 24,58 16,00 24,23 16,67 23,08 2,00 21-30 14,67 5,50 18,75 12,50 26,83 9,50 22,85 10,00 21,08 1,67 5. CONCLUSÕES As simulações com precipitação provável de 75 % apresentaram baixas probabilidades de atendimento hídrico, para diferentes épocas de semeadura. Considerando as baixas probabilidades de atendimento hídrico recomenda-se para a cultura da soja, irrigação suplementar para todas as fases de desenvolvimento e épocas de semeadura. Para essa recomendação é necessário verificar a viabilidade econômica. Para semeadura sem uso de irrigação suplementar as melhores épocas de semeadura identificadas foram o mês de vembro e o início de dezembro. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS, F.N.; de, ARRUDA, H.V.; de, PEREIRA, A.R.. Aplicações de estatística à climatologia: teoria e prática. Pelotas: Ed. Universitária/UFPel, 1996. 161p. CAMARGO, M.B.P.; ARRUDA, H.V.; PEDRO JÚNIOR, M.J.; BRUNINI, O.; ALFONSI, R. Probabilidades de atendimento da demanda hídrica da cultura do trigo pela precipitação pluvial Estado de São Paulo. Campinas, Instituto Agronômico, 1988. 26p. (boletim técnico, 120). DOORENBOS, J.; PRUITT, W.O. Guidelines for predicting crop water. 2.ed. Rome: FAO Irrigation and Drainage Paper 24, 1977. 194p. PEREIRA, A.R.; NOVA, N.A.V.; SEDIYAMA, G.C. Evapo(transpi)ração. Piracicaba: FEALQ, 1997. 183p.: il. 291