Arcadismo / Neoclassicismo

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Transcrição:

Melhores Poemas de Cláudio Manuel da Costa (UPF) Arcadismo / Neoclassicismo Minas Gerais Vila Rica Século XVIII

Contexto século XVIII Iluminismo Razão como luz da História A Liberdade guiando o povo, Delacroix Progresso científico Revolução Francesa Inconfidência Mineira Ciclo do Ouro Escravos garimpando - Debret

Características: Retomada das características clássicas razão, objetividade, equilíbrio, harmonia, mitologia, etc. Adoção do mito da Arcádia Simplicidade Bucolismo Pastoralismo Inutilia truncat (lema árcade): corte às coisas inúteis Fugere urbem: fugir da cidade. Locus amoenus: local aprazível. Carpe diem: aproveite o dia. Aurea mediocritas: mediania dourada

Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) Inaugurou o Arcadismo (poeta de transição) Forte influência da lírica camoniana Cláudio retrata sua melancolia, tristeza e sofrimento, pela rejeição da mulher amada e pelos constantes conflitos internos vivenciados. Sua poesia revela a fidelidade cultural à metrópole (civilização) e a fidelidade afetiva à terra natal (vida rústica). Entre os temas apresentados, o poeta fala da paisagem, relacionando pedras e suas variantes. Há em seus versos penhas, penedos, penhascos, rochedos, paisagem sombria e crepuscular. Isto nos faz lembrar de sua difícil luta pelos ideais de liberdade e da perda da mulher amada. A decepção amorosa domina os seus sonetos. Volta, ainda, a falar em pedra, comparando-a à rudeza feminina. Comenta sobre uma pastora e um penhasco, indicando que a frieza da mulher é superior à da rocha.

III Pastores, que levais ao monte o gado, Vêde lá como andais por essa serra; Que para dar contágio a toda a terra, Basta ver se o meu rosto magoado: Eu ando (vós me vêdes) tão pesado; E a pastora infiel, que me faz guerra, É a mesma, que em seu semblante encerra A causa de um martírio tão cansado. II Leia a posteridade, ó pátrio Rio, Em meus versos teu nome celebrado; Por que vejas uma hora despertado O sono vil do esquecimento frio: Não vês nas tuas margens o sombrio, Fresco assento de um álamo copado; Não vês ninfa cantar, pastar o gado Na tarde clara do calmoso estio. Se a quereis conhecer, vinde comigo, Vereis a formosura, que eu adoro; Mas não; tanto não sou vosso inimigo: Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro; Que se seguir quiserdes, o que eu sigo, Chorareis, ó pastores, o que eu choro.

XIII Nise? Nise? onde estás? Aonde espera Achar te uma alma, que por ti suspira, Se quanto a vista se dilata, e gira, Tanto mais de encontrar te desespera! XIV Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. IV Sou pastor; não te nego; os meus montados São esses, que aí vês; vivo contente Ao trazer entre a relva florescente A doce companhia do meu gado.

VIII Este é o rio, a montanha é esta, Estes os troncos, estes os rochedos; São estes inda os mesmos arvoredos; Esta é a mesma rústica floresta. Tudo cheio de horror se manifesta, Rio, montanha, troncos, e penedos; Que de amor nos suavíssimos enredos Foi cena alegre, e urna é já funesta. Oh quão lembrado estou de haver subido Aquele monte, e as vezes, que baixando Deixei do pranto o vale umedecido! Tudo me está a memória retratando; Que da mesma saudade o infame ruído Vem as mortas espécies despertando.

(UFRGS) XCVII Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci: oh! Quem cuidara Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza! Amor, que vence os tigres, por empresa Tomou logo render-me; ele declara Contra o meu coração guerra tão rara, Que não me foi bastante a fortaleza. Por mais que eu mesmo conhecesse o dano, A que dava ocasião minha brandura, Nunca pude fugir ao cego engano: Vós, que ostentais a condição mais dura, Temei, penhas, temei, que Amor tirano Onde há mais resistência, mais se apura. ( ) Através da imagem berço (v. 2), o poeta celebra a sua terra natal, que é representada em sintonia com os seus próprios sentimentos. ( ) O emprego das palavras alma (v. 4), peito (v. 4) e coração (v. 7) funciona como disfarce para o artificialismo e a frieza dos sentimentos do poeta árcade. ( ) Nos versos 5 a 8, o amor, que vence o poeta, é apresentado através de metáforas que simbolizam ações de guerra. ( ) No final dos versos 9, 11 e 13,o emprego das palavras rimadas dano, engano e tirano reforça o sofrimento e a incerteza inerentes à experiência do amor. ( ) Nos versos 12 a 14, o poeta humaniza a natureza e dirige-se às penhas, alertando-as em relação à força irresistível do amor.