M. DIAS BRANCO S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS COMPANHIA ABERTA CVM nº 20338 CNPJ 07.206.816/0001-15 NIRE 2330000812-0 COMUNICADO AO MERCADO M. DIAS BRANCO S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS, companhia aberta com sede na Cidade de Eusébio, Estado do Ceará, na Rodovia BR 116 - Km 18, CEP 61760 000, inscrita no CNPJ sob o nº 07.206.816/000-15 comunica ao mercado ter recebido da Comissão de Valores Mobiliários CVM o Ofício transcrito abaixo: Ofício nº 180/2015/CVM/SEP/GEA-2 Rio de Janeiro, 19 de maio de 2015. Ao Senhor GERALDO LUCIANO MATTOS JÚNIOR Diretor de Relações com Investidores da M DIAS BRANCO SA IND E COM DE ALIMENTOS ROD. BR 116 - KM 18 JABUTI EUSÉBIO CE CEP: 61760-000 Tel.: (85) 4005-5667 Fax: (85) 4005-5598 E-mail: geraldo@mdiasbranco.com.br C/C: gre@bvmf.com.br Assunto: Solicitação de esclarecimentos Senhor Diretor, 1. Reportamo-nos à notícia veiculada no jornal Valor Econômico, Caderno: Política no dia 19/05/2015, sob o título Diretores de moinhos terão de explicar pagamentos a Luiz Argôlo, em especial sobre os trechos transcritos abaixo: Diretores de moinhos terão de explicar pagamentos a Luiz Argôlo Por André Guilherme Vieira e Fábio Pupo De Curitiba
A Polícia Federal (PF) convocará diretores do Moinho M. Dias Branco (...) para depor em inquérito que apura suspeita de pagamento de propina de R$ 1,3 milhão ao ex-deputado federal Luiz Argôlo (SD- BA), preso e acusado de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro pela Operação Lava-Jato. Os diretores dos moinhos investigados serão ouvidos pela PF em seus Estados, por meio de carta precatória, apurou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor. Foram três notas fiscais emitidas pela Arbor Contábil (...) Para o M. Dias Branco foram R$ 646.737,18 em duas notas fiscais. Youssef disse ainda que "o montante entregue no apartamento funcional de Luiz Argôlo era de cerca de 60% do total das notas emitidas contra o M.Dias Branco, em torno de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões." 2. A respeito, requeremos a manifestação de V.S.a sobre a veracidade das afirmações veiculadas na notícia, e se confirmada, explicar os motivos pelos quais entendeu não se tratar de Fato Relevante, nos termos da Instrução CVM n.º358/2002. 3. Tal manifestação deverá incluir cópia deste Ofício e deverá ser encaminhada ao módulo IPE do sistema Empresas.net, categoria Comunicado ao Mercado, tipo Esclarecimentos sobre consultas CVM/BOVESPA. 4. Ressaltamos que, nos termos do art. 3º da Instrução CVM nº 358/02, cumpre ao Diretor de Relações com Investidores divulgar e comunicar à CVM e, se for o caso, à bolsa de valores e entidade do mercado de balcão organizado em que os valores mobiliários de emissão da companhia sejam admitidos à negociação, qualquer ato ou fato relevante ocorrido ou relacionado aos seus negócios, bem como zelar por sua ampla e imediata disseminação, simultaneamente em todos os mercados em que tais valores mobiliários sejam admitidos à negociação. Lembramos ainda da obrigação disposta no parágrafo único do art. 4º da Instrução CVM nº 358/02, de inquirir os administradores e acionistas controladores da Companhia, com o objetivo de averiguar se estes teriam conhecimento de informações que deveriam ser divulgadas ao mercado. 5. Cientificamos para os devidos fins que caberá à Superintendência de Relações com Empresas, no uso de suas atribuições legais e com fundamento no inciso II, do artigo 9º, da Lei nº 6.385/1976, e no artigo 7º c/c o artigo 9º da Instrução CVM nº 452/2007, determinar a aplicação de multa cominatória, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), sem prejuízo de outras sanções administrativas, pelo não atendimento ao presente ofício, ora também enviado via fax e e-mail, no prazo de 1 (um) dia útil. Atenciosamente, GUILHERME ROCHA LOPES Gerente de Acompanhamento de Empresas 2 em exercício FERNANDO SOARES VIEIRA Superintendente de Relações com Empresas
A Companhia, em resposta ao encetado Ofício, por seu Diretor de Relações com Investidores, informa o que segue: (i) A Companhia já se manifestou publicamente acerca do tema aludido na notícia veiculada no jornal Valor Econômico, Caderno: Política no dia 19 de maio de 2015, sob o título Diretores de moinhos terão de explicar pagamentos a Luiz Argôlo ; (ii) A questão foi tratada, por meio de um Comunicado ao Mercado ( 1º Comunicado ao Mercado ), que a Companhia divulgou no dia 27 de agosto de 2014, em vista das menções feitas à Companhia, na matéria de fls. 54 a 61, divulgada na edição 2386 ano 47, n.º 33, de 13 de agosto de 2014, da revista Veja; (iii) O referido 1º Comunicado ao Mercado explicou que: (1) a Companhia contribuiu à criação de uma Frente Parlamentar pela Moagem e consumo de Trigo ( Frente Parlamentar do Trigo ), registrada, em atendimento ao requerimento n.º 9.639/2014, por determinação do despacho da mesa diretora da Câmara dos Deputados, de 11 de março de 2014, com o fim de mediar a interlocução entre o setor de beneficiamento de trigo e o Parlamento brasileiro, para defender legítimos interesses econômicos do País; e (2) a Companhia disponibilizou recursos financeiros e humanos à organização da Frente Parlamentar do Trigo, sempre em observância à regulamentação que se impõe à disciplina das frentes parlamentares e, no particular, ao que sobre elas determina o Ato 69, de 10 de novembro de 2005, da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados ( Ato 69/05 ); e (3) a Companhia se comprometia a apurar internamente todos os fatos relacionados ao tema; (iv) As frentes parlamentares não são um fenômeno exclusivo da política brasileira. São, como as define o art. 1º do Ato 69/05, associações suprapartidárias, compostas por ao menos um terço dos membros do Poder Legislativo Federal, destinadas a promover o aprimoramento da legislação federal sobre determinado setor da sociedade. São formas legítimas de organização do diálogo institucional entre o Parlamento, seus membros e grupos de pressão que exsurgem no seio da sociedade civil, em defesa de interesses econômicos, sociais e políticos; (v) A 55ª Legislatura da Câmara dos Deputados, que é a atual, registrou até hoje aproximadamente 100 (cem) frentes parlamentares, sem prejuízo das muitas outras que, registradas em outras legislaturas, encontram-se em atuação; (vi) A Frente Parlamentar do Trigo, reitere-se, registrada em março de 2014, portanto, na 54ª Legislatura, foi requerida e coordenada pelo então-deputado Luiz Argôlo, recebendo o apoio de mais de 200 (duzentos) parlamentares dos mais diversos partidos, representantes de inúmeros Estados da Federação; (vii) A Frente Parlamentar do Trigo observou, em todos os aspectos, em especial no que se refere à justificação, o registro e o financiamento, as determinações expressas do Ato 69/05; (viii) O referido Ato 69/05 permite que as frentes parlamentares utilizem o espaço físico da Câmara dos Deputados, para a realização de reuniões, à critério de sua
Mesa Diretora, mas impede a contratação de pessoal ou o fornecimento de passagens aéreas com recursos do Parlamento; (ix) A justificação do Ato 69/05 é clara ao vedar o registro de frentes parlamentares que importem gastos ao erário, para limitar ao máximo a utilização de recursos públicos; (x) O regular funcionamento de frentes parlamentares pressupõe, contudo, a realização de viagens, eventos, reuniões e estudos das mais diversas naturezas; (xi) Por essa razão, portanto, e sob a orientação do coordenador da Frente Parlamentar do Trigo, a Companhia contribuiu para o seu financiamento, efetuando pagamentos, devidamente contabilizados e documentados, em valores absolutamente compatíveis com o objeto da frente parlamentar em questão, em favor de pessoas jurídicas indicadas pelo seu coordenador; (xii) Essas pessoas jurídicas, como informou à Companhia o coordenador da Frente Parlamentar do Trigo, fariam a gestão desses recursos, justamente para promover, por si ou por terceirizados, encontros, debates, e para levantar dados e elaborar estudos necessários à consecução dos fins próprios da referida frente parlamentar; (xiii) A Companhia não realizou quaisquer pagamentos discrepantes das finalidades modelares da Frente Parlamentar do Trigo ou quaisquer outros, no mesmo sentido, para além daqueles mencionados no articulado (xi); (xiv) A Companhia tem investigado internamente os fatos aqui descritos, na forma do compromisso assumido no 1º Comunicado ao Mercado do dia 27 de agosto de 2014, e não apurou, no âmbito de suas condutas e de seus administradores, qualquer fato desabonador, contrário à lei ou que possa afetar o curso regular de suas atividades e o preço de mercado de seus valores mobiliários; (xv) Em vista de todo o exposto e, sobretudo, do resultado corrente de suas apurações internas, a Companhia entendeu que (1) os únicos fatos a noticiar são os já expressos no 1º Comunicado ao Mercado do dia 27 de agosto de 2014; e (2) inexiste Fato Relevante, na forma da Instrução CVM n.º 358/02 a divulgar; (xvi) A Companhia está à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários e para colaborar sempre e a qualquer tempo com a elucidação da verdade. (xvii) A Companhia coloca à disposição das autoridades, do mercado e dos investidores toda a documentação que provê respaldo cabal às informações ora prestadas. Eusébio/CE, 21 de maio de 2015. Geraldo Luciano Mattos Júnior
Vice-Presidente de Investimentos e Controladoria Diretor de Relações com Investidores