A informação contida neste manual de apoio não dispensa a consulta da legislação aplicável: Decreto-Lei n.º 187/2007, de 10 de maio Lei nº 90/2009, de 31 de agosto MANUAL DE APOIO PROTEÇÃO NA INVALIDEZ DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL JUNHO 2012
COMO É GARANTIDA A PROTEÇÃO SOCIAL NA INVALIDEZ? QUEM DETERMINA O TIPO DE INCAPACIDADE? A proteção social na situação de Invalidez destina-se a proteger os beneficiários em situações de incapacidade permanente para o trabalho e é garantida através de um apoio em dinheiro (Pensão de Invalidez), pago mensalmente. Para verificar se existe incapacidade permanente avalia-se: O funcionamento físico, sensorial e mental; O estado geral; A idade; As aptidões profissionais; A capacidade de trabalho que ainda possui. Dependendo do grau de incapacidade do beneficiário, a invalidez pode ser relativa ou absoluta. Invalidez relativa: Quando, devido à incapacidade, o beneficiário não pode ganhar na sua atual profissão mais de um terço do ordenado que normalmente ganharia. Não se prevê que recupere, no prazo de três anos, a capacidade de ganhar mais de 50% do que normalmente ganharia. Invalidez absoluta: Quando o beneficiário se encontre numa situação de incapacidade permanente e definitiva para toda e qualquer profissão ou trabalho e não se prevê que recupere essa capacidade até aos 65 anos de idade. Quem determina se a incapacidade é absoluta ou relativa e respetivo grau é o Serviço de Verificação de Incapacidade Permanente (SVIP). O SVIP traduz-se numa peritagem médica de avaliação de incapacidade permanente para o trabalho, deficiência ou dependência, e o impacto dessa incapacidade a nível social e profissional. QUEM TEM DIREITO À PENSÃO DE INVALIDEZ RELATIVA? Trabalhadores por conta de outrem; Trabalhadores independentes ( recibo verdes ); Membros de órgãos estatutários (MOE s), isto é, administradores, diretores e gerentes de pessoas coletivas (empresas). QUEM TEM DIREITO À PENSÃO DE INVALIDEZ ABSOLUTA? Trabalhadores por conta de outrem; Trabalhadores independentes ( recibo verdes ); Membros de órgãos estatutários (MOE s), isto é, administradores, diretores e gerentes de pessoas coletivas (empresas). QUAIS AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA ACEDER À PENSÃO DE INVALIDEZ? O direito à pensão de invalidez é reconhecido ao beneficiário que tenha:
Incapacidade permanente para o trabalho, de causa não profissional, reconhecida pelo Sistema de Verificação de Incapacidades (SVIP); Cumprido o prazo de garantia. QUAL O PRAZO DE GARANTIA EXIGIDO? 5 Anos civis - invalidez relativa 3 Anos civis - invalidez absoluta NOTA: Não é exigido prazo de garantia, para atribuição da pensão de invalidez, aos beneficiários que tenham esgotado 1095 dias subsidiados por doença, desde que a situação de incapacidade para o trabalho tenha sido reconhecida pela Comissão de Verificação das Incapacidades Permanentes (CVIP). É POSSÍVEL ACUMULAR A PENSÃO DE INVALIDEZ COM OUTROS RENDIMENTOS? Não pode acumular a Pensão de Invalidez Relativa com: Pensão do Seguro Social Voluntário; Subsídio por doença; Subsídio de desemprego; Pode acumular a Pensão de Invalidez Relativa com: Complemento de pensão por cônjuge a cargo; Complemento por dependência; Outras Pensões (de outros regimes obrigatórios nacionais e estrangeiros bem como com pensões de regimes facultativos); Acréscimo Vitalício de Pensão ou Suplemento Especial de Pensão; Com rendimentos de trabalho: A PARTIR DE QUANDO SE TEM DIREITO A RECEBER A PENSÃO DE INVALIDEZ? A pensão de invalidez é devida a partir da data da decisão da comissão de verificação ou de recurso ou da data indicada pela comissão desde que depois do pedido. DURANTE QUANTO TEMPO SE RECEBE? Enquanto durar a incapacidade. Até a pensão ser substituída pela pensão por velhice, aos 65 anos de idade. A acumulação de Pensão de Invalidez Relativa com rendimentos de trabalho está sujeita a determinados limites, consoante a profissão de que resultem esses mesmos rendimentos. Se os rendimentos resultarem da mesma profissão, o valor acumulado pode ir até 100% da remuneração de referência que serviu de base ao cálculo. Por exemplo: Um beneficiário a quem tenha sido atribuída uma pensão de invalidez de 200, mas continua a desempenhar a mesma profissão, e tem como remuneração de referência 500, pode receber a totalidade, isto é, 700.
Se resultarem de uma profissão diferente, o limite do valor acumulado é uma percentagem da remuneração de referência que varia de acordo com anos de acumulação. Anos de acumulação Limite do valor acumulado 1.º 2 x remuneração de referência 2.º 1,75 x remuneração de referência 3.º 1,5 x remuneração de referência 4.º e seguintes 1,33 x remuneração de referência Por exemplo: Um beneficiário a quem tenha sido atribuída uma pensão de invalidez de 200, mas passa a desempenhar outra profissão, e tem como remuneração de referência 500: No primeiro ano pode receber a totalidade, isto é, 700, porque (2*500=1000 corresponde ao limite que pode receber); A partir do quarto ano de trabalho já só pode acumular até 665, porque: (1.33*500=665 - corresponde ao limite que pode receber). Não pode acumular a Pensão de Invalidez Absoluta com: Rendimentos do trabalho; Pensão do Seguro Social Voluntário; Subsídio por doença; Subsídio de desemprego; Complemento de pensão por cônjuge a cargo; Complemento por dependência; Outras Pensões (de outros regimes obrigatórios nacionais e estrangeiros bem como com pensões de regimes facultativos); Acréscimo Vitalício de Pensão ou Suplemento Especial de Pensão. COMO POSSO SABER O VALOR DA PENSÃO A QUE TEREI DIREITO? Para simular o cálculo da pensão de invalidez (relativa ou absoluta) pode: Utilizar o simulador de cálculo de pensões disponibilizado no website (www.seg-social.pt) em simuladores ; Utilizar o serviço on-line Segurança Social Direta com acesso no topo do site da Segurança Social; Pedir um cálculo do montante provável da pensão, através do formulário CNP-06-V01-2011, o qual depois de preenchido deverá ser entregue nos serviços de atendimento da segurança social da sua área de residência. COMO SE CALCULA O VALOR DA PENSÃO DE INVALIDEZ? A pensão é calculada com base na carreira contributiva do beneficiário. Se se inscreveu na Segurança Social até 31 de dezembro de 2001: O valor da pensão é constituído por duas partes, uma calculada com base nos 10 melhores anos dos últimos 15 anos de descontos e outra com base em todos os anos de descontos da sua carreira contributiva, até ao limite de 40 anos. Pode acumular a Pensão de Invalidez Absoluta com: Se se inscreveu na Segurança Social a partir de 1 de janeiro de 2002:
A pensão é calculada com base em todos os anos de descontos da sua carreira contributiva, até ao limite de 40 anos (se tiver mais que 40 anos de descontos, contam os 40 melhores anos). QUAIS OS MONTATES MÍNIMOS DA PENSÃO DE INVALIDEZ? Invalidez Relativa: Se não comunicar ao Centro Nacional de Pensões que está a trabalhar e a receber ordenado; Se não comunicar ao Centro Nacional de Pensões o valor de outra pensão que receba; Se faltar (sem justificação) ao exame médico de revisão de incapacidade para que tenha sido convocado; Se não entregar os comprovativos médicos pedidos. CARREIRA CONTRIBUTIVA VALOR MÍNIMO DA PENSÃO Menos de 15 anos 254 De 15 a 20 anos 274.79 De 21 a 30 anos 303.23 Igual ou superior a 30 anos 379.04 Invalidez Absoluta: O montante mínimo é igual ao valor mínimo de pensão de invalidez relativa correspondente a uma carreira contributiva de 40 anos. Assim, no ano de 2012, o valor mínimo de pensão de invalidez absoluta é de 379,04. A pensão de invalidez termina definitivamente: Se a Comissão de Verificação de Incapacidades Permanentes considerar, em exame médico de revisão, que o beneficiário já não tem uma incapacidade permanente; Se continuar a desempenhar uma profissão para a qual foi declarado incapaz (beneficiários com pensão iniciada até 31 de Dezembro de 1993 e inicio de trabalho até 31 de Maio de 2007); Quando é substituída pela pensão de velhice; Quando o pensionista falecer. QUAIS AS OBRIGAÇÕES DO BENEFICIÁRIO? POR QUE RAZÕES PODE TERMINAR O PAGAMENTO DA PENSÃO? O pagamento da pensão de invalidez é interrompido: Se não houver prova de que o beneficiário está vivo, sempre que for pedida; Enquanto estiver a receber pensão de invalidez absoluta e a receber rendimentos de trabalho; Apresentar-se nos exames clínicos convocados pela Comissão de Verificação de Incapacidades Permanentes (CVIP); Comunicar todas as situações que possam afetar o seu direito à pensão; Manter a morada completa atualizada.
EXISTE ALGUM REGIME ESPECIAL DE PROTEÇÃO NA INVALIDEZ? Têm direito a Proteção especial de Invalidez todos os beneficiários em situação de incapacidade permanente para o trabalho, devidamente comprovada pelo SVIP, causada por: Paramiloidose familiar; Doença do Machado Joseph; Sida VIH; Esclerose múltipla; Esclerose lateral amiotrófica; Doença do foro oncológico; Doença do Parkinson; Doença do Alzheimer. QUE OUTRAS CONDIÇÕES TENHO QUE REUNIR PARA TER PROTEÇÃO ESPECIAL NA INVALIDEZ? Cumprir o prazo de garantia, isto é, ter descontado durante 3 anos civis seguidos ou não. Nota 1: para estes 3 anos contam os períodos em que esteve a trabalhar e declarou remunerações à Segurança Social e em que não pode trabalhar e esteve a receber subsídios (por exemplo, subsídio de doença). NUNCA EFETUEI DESCONTOS PARA A SEGURANÇA SOCIAL E DIAGNOSTICARAM-ME UMA DAS DOENÇAS ABRANGIDAS PELO REGIME ESPECIAL, TENHO DIREITO À PROTEÇÃO ESPECIAL NA INVALIDEZ? Se não tiver os 3 anos civis de descontos e se não possuir rendimentos mensais ilíquidos superiores a 40% do valor do IAS, ou 60 % deste valor, tratando-se de casal, tem direito à Pensão Social de Invalidez. O valor mínimo da Pensão Social de Invalidez em 2012 é de 254. JÁ SOU REFORMADO POR INVALIDEZ, MAS APARECEU-ME UMA DOENÇA ONCOLÓGICA, POSSO PEDIR REVISÃO À PENSÃO DE INVALIDEZ A FIM DE ME SER RECONHECIDA INVALIDEZ ESPECIAL? Apenas poderá haver revisão da pensão de invalidez do regime geral para atribuição da pensão de invalidez especial se a doença do foro oncológico se reportar à data de início da pensão e for reconhecida pela CVIP como causa da incapacidade permanente para o trabalho, ou seja, se a doença do foro oncológico já estava diagnosticada e era incapacitante na data de início da pensão. Nota 2: No âmbito deste regime especial, a fórmula de cálculo da pensão é diferente, de acordo com o que está estabelecido na Lei nº 90/2009, de 31 de agosto.