28 Amazônia: a grande fronteira

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Transcrição:

A U A UL LA Amazônia: a grande fronteira Nesta aua vamos estudar a Amazônia, a grande fronteira de recursos da economia brasieira no fina do sécuo XX. Veremos como a ação do Estado estendeu as redes técnicas, como a rede rodoviária e a de teecomunicações, e promoveu o avanço do povoamento e a ocupação de seu território. Vamos observar como os incentivos e subsídios a projetos de mineração e agropecuários constituíram vetores de expansão de empresas nacionais e mutinacionais, gerando profundos confitos peo uso do território na grande foresta amazônica. Qua a importância da Amazônia como fronteira de recursos neste fina de sécuo? Qua a origem dos interesses internacionais sobre a grande foresta? A Amazônia é um dos útimos grandes e ricos espaços pouco povoados do paneta e representa imensa disponibiidade de recursos que estão se tornando escassos: terras, águas, minérios e forestas. Essa imensa e confitiva região é, ao mesmo tempo, um potencia e um desafio para o desenvovimento brasieiro. Concentra um grande estoque de riqueza. No entanto, pode ser rapidamente destruída se não for corretamente utiizada. A Amazônia é o ugar onde devemos avaiar nossas experiências passadas de uso dos recursos naturais e o paco para que busquemos novas aternativas de desenvovimento, com maior justiça socia e quaidade ambienta. A construção de Brasíia e da rodovia Beém-Brasíia marcou a abertura da fronteira de recursos no Norte rumo ao dinâmico centro naciona do Sudeste. A criação de gado difundiu-se peo norte de Goiás, aceerando a expansão da frente pioneira. Essa frente, aém da descoberta e extração comercia de recursos minerais, como a exporação de manganês no Amapá e de cassiterita em Rondônia, criou núceos urbanos e encaves econômicos na vasta foresta, que permaneceu muito pouco ocupada.

A Amazônia assume hoje a expressão básica das fronteiras. Como não havia organizações sociais já instaadas, que poderiam oferecer resistência, o governo federa assumiu diretamente a iniciativa da ocupação e da integração da Amazônia à economia naciona. Instaou redes técnicas, como estradas de rodagem e redes de distribuição de energia e redes de teecomunicações, em tempo aceerado e numa escaa gigantesca, que transformaram parte das antigas regiões Centro-Oeste e Nordeste e toda a região Norte numa grande fronteira naciona, aberta para a ocupação. Essas iniciativas abriram verdadeiros vetores de expansão na área da foresta, que estimuaram a coonização dirigida, como ocorreu em Rondônia, e a coonização espontânea, como no caso do norte de Mato Grosso. Esses vetores de expansão também favoreceram a impantação de grandes projetos agropecuários e mineradores. A U L A O Programa de Integração Naciona (PIN), proposto peo Governo Federa no início da década de 1970, previa a construção do primeiro trecho da rodovia Transamazônica. Em 1973 foi inaugurada a rodovia Cuibá-Santarém, igando as regiões Centro-Oeste e Norte. Ao ongo das rodovias pretendia-se impantar assentamentos de trabahadores para a produção agrícoa, chamados de agrovias, cujo objetivo era atrair popuação do Nordeste e das grandes cidades. Programas e projetos promovidos peo Estado, por meio da Superintendência de Desenvovimento da Amazônia (Sudam) e peo Poonoroeste, ainda que nem sempre tenham sido impantados, provocaram um imediato aumento do vaor da terra e a intensificação dos confitos sociais, fatos incompatíveis com as reativamente baixas taxas de investimento, ocupação e produção. Em 1980, apenas 24% da área tota da região estava ocupada por unidades produtivas, representando 7% das terras cutivadas no país. Mais de seiscentos projetos agro-pastoris de grandes empresas, nacionais e estrangeiras, foram subsidiados mas só 20% dees foram de fato instaados. Os núceos urbanos estão restritos às áreas ao ongo das principais rodovias. Zonas de criação de gado e de agricutura comercia, situadas nas margens da foresta, foram criadas ao ongo da Beém-Brasíia, favorecendo o crescimento da grande metrópoe regiona, Beém, e das capitais estaduais que igam a Amazônia ao Centro-Su. Na década de 1970 foi criada a Eetronorte, com o objetivo de aproveitar o potencia da região para a produção de energia hidreétrica. A maior das usinas hidreétricas da Região Norte (e a segunda maior do Brasi) é a de Tucuruí, situada na região do Projeto Grande Carajás, com capacidade para a geração de 8 mihões de quiowatts. As hidreétricas amazônicas são responsáveis pea inundação de grandes áreas forestais, já que o reevo é pouco acidentado. A produção de energia eétrica favoreceu a impantação de grandes projetos de exporação minera, montados em verdadeiras company-towns (cidades-empresas) construídas no interior da foresta. Criados por meio de joint-ventures (associações de empresas diferentes para exporar determinado produto ou mercado) com capitais estatais e privados, nacionais e mutinacionais, os grandes projetos contribuíram para internacionaizar grandes territórios no interior da foresta. Exempos disso são o Projeto Jari, no Amapá; a Mineração Rio Norte e o Projeto Grande Carajás, estes útimos no Pará.

A U L A Por causa da recessão mundia do início dos anos 80, o investimento estrangeiro foi muito menor do que o esperado. Dos seis grandes projetos impantados na Amazônia somente um é totamente estrangeiro: o da Acoa-Biington. Essa empresa montou a Aumar, junto ao Porto de Itaqui, próximo a São Luís no Maranhão, e é o maior investimento estrangeiro já feito no Brasi. Na Região Norte, a empresa mais importante é a estata Companhia Vae do Rio Doce (CVRD). O minério de ferro permanece como o mais importante ramo de atividade da Companhia Vae do Rio Doce. As reservas conhecidas somam cerca de 38 bihões de toneadas. Cerca de 90% das jazidas são mineradas a céu aberto, e o minério não exige compexas operações de beneficiamento. As recentes descobertas de ouro e cobre confirmam as previsões de que a região de Carajás é uma das maiores províncias minerais do mundo. A CVRD opera um sistema integrado mina-ferrovia-porto, o Sistema Norte, com capacidade de produção de até 35 mihões de toneadas de minério. Esse sistema é formado peas minas de Carajás, ocaizadas no su do Estado do Pará, com reservas de 18 bihões de toneadas de minério de ferro de ato teor, pea Estrada de Ferro Carajás e peo termina marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís, no estado do Maranhão. A privatização da CVRD deve abrir novas possibiidades de investimento no Sistema Norte. A porção da Região Norte do Brasi que está diretamente reacionada aos Estados do Pará, Amapá, e Tocantins forma a Amazônia Orienta. A ocupação dessa área se deu a partir da abertura da rodovia Beém-Brasía e foi consoidada com os grandes projetos agrícoas e mineradores. Os confitos pea posse de terra entre posseiros e grandes proprietários são marcantes, fazendo dessa área a porção do país onde é maior a ocorrência de confitos fundiários. Em meio a esses confitos estão as popuações indígenas, que também sofrem com a ocupação de suas terras peos grandes projetos, como a passagem de rodovias e ferrovias ou a atividade dos garimpeiros em suas terras.

A Amazônia Ocidenta engoba os estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre. A abertura da rodovia Cuiabá-Porto Veho, em 1973, e a instaação do Poonoroeste, em 1981, evaram para a região muitos agricutores, que seguiram a rodovia aberta no noroeste de Mato Grosso. Em 1967, foi criada a Zona Franca de Manaus, uma área ivre de impostos afandegários para os produtos importados. Ai se estabeeceram diversas fábricas montadoras de produtos eetroeetrônicos, cujos componentes são, em gera, importados. E essas montadoras criaram um mercado de trabaho e são responsáveis por uma parte importante do emprego industria da Região Norte. A Zona Franca de Manaus estimuou o crescimento da capita do Estado do Amazonas, concentrando a produção naciona de produtos eetroeetrônicos em seu Distrito Industria. Isso atraiu boa parte da popuação do Estado, que passou a se agomerar na periferia de Manaus. Mas o desenvovimento da infra-estrutura urbana não acompanhou a veocidade do crescimento da cidade. Outra importante área da Amazônia Ocidenta é a região seringueira do Acre, cuja principa atividade econômica é o extrativismo vegeta. Os probemas sociais nessa região são imensos. Existem inúmeros confitos entre os grandes atifundiários e os seringueiros. Para defender a terra e os recursos forestais de uma prática econômica predatória e pouco produtiva, que é a pecuária extensiva, os seringueiros usam estratégias de combate ao avanço da especuação de terras e aos desmatamentos que reduzem sua área de trabaho. O empate é a principa estratégia: envove toda a comunidade, que se reúne na frente das áreas a serem desmatadas, enfrentando os grandes proprietários, interessados em aumentar suas áreas de pastagens. Durante a década de 1980, um grande número de agricutores chegou a Rondônia disposto a se fixar na Amazônia, aproveitando os incentivos para a coonização oferecidos peo Instituto Naciona de Coonização e Reforma Agrária (Incra). A U L A Da estratégia de ocupação regiona resutaram também intensos confitos sociais e ecoógicos. Com a expansão da pecuária, da exporação foresta e da mineração, verificou-se um desmatamento a uma taxa muito eevada. Estimativas do tota desmatado na década de 1980 são confitivas e vão de 12% (equivaentes a 598.921 km 2 ), 8,2% (equivaentes a 399.765 km 2 ) até 5,1% (equivaentes a 251.429 km 2 ). As tentativas de integração da Região Norte à economia naciona, embora tenham reveado inúmeros erros, acabaram por coocar a questão amazônica na ordem do dia. Hoje se sabe que precisamos aprender muito mais sobre a Amazônia. Assim, devem ser encontradas novas aternativas para a utiização de seus recursos forestais, de modo que evitem danos irreversíveis sobre o ambiente. A efetiva participação da Região Amazônica no cenário econômico naciona deve se basear na pesquisa científica, para que sejam criadas técnicas compatíveis com as pecuiaridades do ambiente e definidas as áreas de preservação e conservação, buscando-se formas de desenvovimento sustentáve, em que sejam mantidas as condições naturais da foresta amazônica, conforme veremos na próxima aua.

A U L A Nesta aua você aprendeu que: a construção de Brasíia e da rodovia Beém-Brasíia marcou a abertura da fronteira de recursos do Norte ao dinâmico centro naciona do Sudeste; a Amazônia assume hoje a expressão básica das fronteiras, em que o governo federa assumiu diretamente a iniciativa de sua efetiva ocupação e integração à economia naciona, impantando redes técnicas em tempo aceerado; essas iniciativas abriram verdadeiros vetores de expansão na área da foresta, que estimuaram tanto a coonização dirigida como a espontânea; os núceos urbanos estão restritos às áreas ao ongo das principais rodovias. Zonas de criação de gado e agricutura comercia situados nas margens da foresta foram criados ao ongo da Beém-Brasíia, favorecendo o crescimento de Beém; em 1967, criou-se a Zona Franca de Manaus e estabeeceram-se diversas fábricas montadoras de produtos eetroeetrônicos; da estratégia de ocupação regiona resutaram também intensos confitos sociais e ecoógicos, entre índios, garimpeiros, coonos, grandes empresas e outros; a efetiva inserção da Região Amazônica no cenário econômico naciona deve estar baseada nas propostas de desenvovimento sustentáve. Exercício 1 Durante muito tempo, a economia da Amazônia esteve pouco articuada com a economia naciona. Apresente duas ações do Estado que faciitaram a integração da produção regiona ao restante do país. Exercício 2 Qua a importância da Zona Franca de Manaus para a economia da Amazônia, e quais os seus resutados sobre a distribuição da popuação no Estado do Amazonas? Exercício 3 Em que estados se ocaiza a ferrovia que iga Carajás ao porto de Itaqui? Qua a finaidade da sua construção?