Broquéis, de Cruz e Souza

Documentos relacionados
FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA


Língua Portuguesa (Olavo Bilac)

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

O começo da história

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO HOSPITAL DE REABILITAÇÃO DE ANOMALIAS CRANIOFACIAIS GIOVANA RINALDE BRANDÃO

AVALIAÇÃO CEFALOMÉTRICA COMPARATIVA DA INTERCEPTAÇÃO DA MÁ OCLUSÃO DE CLASSE II, 1 A DIVISÃO UTILIZANDO O APARELHO DE FRÄNKEL E O BIONATOR DE BALTERS

PINTURAS DE ROSAS AZUIS EM EM TECIDOS PASSO A PASSO

O PARNASIANISMO. Por Carlos Daniel Santos Vieira

25 PASSOS PARA O SUCESSO, PAZ INTERIOR E FELICIDADE. Júnior Pereira

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO USP ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS - EESC DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

Um jovem vai à igreja confessar-se: - Padre, eu toquei nos seios da minha namorada. - Você tocou por cima ou por baixo da blusa dela?

OLHE MAIS UMA VEZ! EM CADA SITUAÇÃO, NOVAS OPORTUNIDADES

DADOS DE COPYRIGHT. É expressamente proibida e totalmente repudíavel a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

POÉTICAS DO SÉCULO XIX

Das rosas vem o amor E da flor a poesia, O homem que já amou Torna-se poeta durante o dia.

NORMA SUELY DE ALMEIDA ARAUJO

IMAGINAR A INSPIRAÇÃO. Galeria 3D: Conceitos Artísticos; Científicos e Citações Literárias. por Penélope Fournier

Adenilda Santos 1

Broquéis Cruz e Sousa

Crítica de doença e alterações cerebrais estruturais na esquizofrenia

MINISTÉRIO DA CULTURA Fundação Biblioteca Nacional Departamento Nacional do Livro. BROQUÉIS Cruz e Sousa

Broquéis Cruz e Sousa

SABEDORIA POPULAR DICIONÁRIO DE FRASES PROVÉRBIOS E DITADOS POPULARES

PATRÍCIA STOCCO BETIOL. Uso da função pancreática como valor preditivo na recuperação de equinos acometidos por duodeno-jejunite proximal

JUNTO AO PROFETA JONAS

FUGINDO E VIAJANDO COM JONAS

O MARAVILHOSO NOME DE JESUS

A Consciência Divina

8ºH Universo em Desencanto UNIVERSO EM DESENCANTO

Números Fuzzy em Processamento de Imagens Digitais e Suas Aplicações na Detecção de Bordas

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO INSTITUTO DE PSICOLOGIA ANTÔNIO CARLOS DE BARROS JÚNIOR. Quem vê perfil não vê coração:

Lucinda Azevedo Reis

RAQUEL REZENDE MARTINS DE BARROS. A influência da superfície bioativa de implante na. osseointegração. Estudo comparativo em cães

CYRO ALBUQUERQUE NETO MODELO INTEGRADO DOS SISTEMAS TÉRMICO E RESPIRATÓRIO DO CORPO HUMANO

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU ROBERTA ESBERARD BROSCO

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ENFERMAGEM PATRÍCIA PONCE DE CAMARGO

PRINCIPAIS FATORES DO ESTADO CONTÍNUO E DA SUSTENTABILIDADE DE EMPRESAS ATUANTES NO BRASIL

AME E DEIXE SER AMADA. A dor da violentada da Ponte Rio-Niterói

Desempenho visual na correção de miopia com óculos e lentes de contato gelatinosas

HIDROVIA TOCANTINS-ARAGUAIA: IMPORTÂNCIA E IMPACTOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS SEGUNDO A PERCEPÇÃO DOS AGENTES ECONÔMICOS LOCAIS

Um Amor Impossivel 1

Leonardo Melo Bezerra. Estudo teórico-experimental da ligação entre pilares mistos preenchidos e vigas pré-moldadas de concreto

FICHA CATALOGRÁFICA. Ávila, Gisseli Bertozzi

AVALIAÇÃO IN VITRO DE PROPRIEDADES MECÂNICAS, QUÍMICAS E ANTIMICROBIANAS DE UM SELANTE DE FOSSAS E FISSURAS ISENTO DE BISFENOL A

Todos os Direitos Reservados Luiz Carlos Rodrigues dos Santos

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Osho. Tantra: Espiritualidade e Sexo.

JACKSON BARRETO JUNIOR

FISIONOMIA OCULTA. Mariano Soltys

2) Explique o que foi o chamado "Pré-Modernismo). (1 ponto)

Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas ARTIGOS PARECERES

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS MARIANO DA FRANCA ALENCAR NETO

Receitas de Sucos Jesus te Ama Jo.3:16 1

Coletânea de Atividades. 2ª série Volume I

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

ANTÔNIO FLÁVIO SANCHEZ DE ALMEIDA

A MULHER NA HISTÓRIA ACTAS DOS COLÓQUIOS SOBRE A TEMÁTICA DA MULHER ( ) CÂMARA MUNICIPAL DA MOITA

AFORISMO VERSÃO ILUSTRADA, POESIAS E PROSAS LUIS ALEXANDRE RIBEIRO BRANCO

Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

Megan Skinner. Astrologia do Sexo. Um jeito fácil de encontrar o amor dos seus sonhos! Tradução RITA LUPPI

POSSIBILIDADES DO USO DAS REDES SOCIAIS VIRTUAIS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS: CONCEPÇÕES DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS

2 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE RIBEIRÃO PRETO SÉRGIO ROCHA BERNARDES

SILVIA CALBO AROCA. Ensino de física solar em um espaço não

rua da padaria EUXQD EHEHU 2013

O Cadafalso Evan do Carmo

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

A Razão na História.

Adriana Coutinho da Silva

O Castelo da Paixão. Paula Cristina Simões dos Santos Trigo

DADOS DE COPYRIGHT. É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo

CONTEÚDO. Prefácio Quem E o Espírito Santo? O Espírito Santo É Deus Mistério da Trindade... 33

Transcrição:

Broquéis, de Cruz e Souza Texto proveniente de: A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro <http://www.bibvirt.futuro.usp.br> A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo Permitido o uso apenas para fins educacionais. Texto-base digitalizado por: NUPILL - Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Lingüística <http://www.cce.ufsc.br/~alckmar/literatura/literat.html> Universidade Federal de Santa Catarina Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>. Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para <parceiros@futuro.usp.br> ou <voluntario@futuro.usp.br> BROQUÉIS Cruz e Sousa Seigneur mon Dieu! accordez-moi la grâce de produire quelques beaux vers qui me prouvent à moi-même que je ne suis pas le dernier des hommes, que je ne suis pas inférieur à ceux que je méprise. Baudelaire Índice 01. ANTÍFONA 02. SIDERAÇÕES 03. LÉSBIA 04. MÚMIA 05. EM SONHOS... 06. LUBRICIDADE 07. MONJA 08. CRISTO DE BRONZE 09. CLAMANDO... 10. BRAÇOS 11. REGINA COELI 12. SONHO BRANCO 13. CANÇÃO DA FORMOSURA 14. TORRE DE OURO 15. CARNAL E MÍSTICO 16. A DOR 17. ENCARNAÇÃO 18. SONHADOR 18. NOIVA DA AGONIA 20. LUA 21. SATÃ 22. BELEZA MORTA 23. AFRA 24. PRIMEIRA COMUNHÃO 25. JUDIA 26. VELHAS TRISTEZAS 27. VISÃO DA MORTE 28. DEUSA SERENA 29. TULIPA REAL 30. APARIÇÃO 31. VESPERAL 32. DANÇA DO VENTRE 33. FOEDERIS ARCA 34. TUBERCULOSA 35. FLOR DO MAR 36. DILACERAÇÕES 37. REGENERADA 38. SENTIMENTOS CARNAIS 39. CRISTAIS 40. SINFONIAS DO OCASO 41. REBELADO 42. MUSICA MISTERIOSA... 43. POST MORTEM 44. ALDA 45. ACROBATA DA DOR 46. ANGELUS... 47. LEMBRANÇAS APAGADAS 48. SUPREMO DESEJO 49. SONATA 50. MAJESTADE CAÍDA 51. INCENSOS 52. LUZ DOLOROSA... 53. TORTURA ETERNA

ANTÍFONA Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras... Formas do Amor, constelarmente puras, De Virgens e de Santas vaporosas... Brilhos errantes, mádidas frescuras E dolências de lírios e de rosas... Indefiníveis músicas supremas, Harmonias da Cor e do Perfume... Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume... Visões, salmos e cânticos serenos, Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes... Dormências de volúpicos venenos Sutis e suaves, mórbidos, radiantes... Infinitos espíritos dispersos, Inefáveis, edênicos, aéreos, Fecundai o Mistério destes versos Com a chama ideal de todos os mistérios. Do Sonho as mais azuis diafaneidades Que fuljam, que na Estrofe se levantem E as emoções, sodas as castidades Da alma do Verso, pelos versos cantem. Que o pólen de ouro dos mais finos astros Fecunde e inflame a rime clara e ardente... Que brilhe a correção dos alabastros Sonoramente, luminosamente. Forças originais, essência, graça De carnes de mulher, delicadezas... Todo esse eflúvio que por ondas passe Do Éter nas róseas e áureas correntezas... Cristais diluídos de clarões alacres, Desejos, vibrações, ânsias, alentos, Fulvas vitórias, triunfamentos acres, Os mais estranhos estremecimentos... Flores negras do tédio e flores vagas De amores vãos, tantálicos, doentios... Fundas vermelhidões de velhas chagas Em sangue, abertas, escorrendo em rios... Tudo! vivo e nervoso e quente e forte, Nos turbilhões quiméricos do Sonho, Passe, cantando, ante o perfil medonho E o tropel cabalístico da Morte...

SIDERAÇÕES Para as Estrelas de cristais gelados As ânsias e os desejos vão subindo, Galgando azuis e siderais noivados De nuvens brancas a amplidão vestindo... Num cortejo de cânticos alados Os arcanjos, as cítaras ferindo, Passam, das vestes nos troféus prateados, As asas de ouro finamente abrindo... Dos etéreos turíbulos de neve Claro incenso aromal, límpido e leve, Ondas nevoentas de Visões levanta... E as ânsias e os desejos infinitos Vão com os arcanjos formulando ritos Da Eternidade que nos Astros canta...

LÉSBIA Cróton selvagem, tinhorão lascivo, Planta mortal, carnívora, sangrenta, Da tua carne báquica rebenta A vermelha explosão de um sangue vivo. Nesse lábio mordente e convulsivo, Ri, ri risadas de expressão violenta O Amor, trágico e triste, e passe, lenta, A morte, o espasmo gélido, aflitivo... Lésbia nervosa, fascinante e doente, Cruel e demoníaca serpente Das flamejantes atracões do gozo. Dos teus seios acídulos, amargos, Fluem capros aromas e os letargos, Os ópios de um luar tuberculoso...

MÚMIA Múmia de sangue e lama e terra e treva, Podridão feita deusa de granito, Que surges dos mistérios do Infinito Amamentada na lascívia de Eva. Tua boca voraz se farta e ceva Na carne e espalhas o terror maldito, O grito humano, o doloroso grito Que um vento estranho para és limbos leva. Báratros, criptas, dédalos atrozes Escancaram-se aos tétricos, ferozes Uivos tremendos com luxúria e cio... Ris a punhais de frígidos sarcasmos E deve dar congélidos espasmos O teu beijo de pedra horrendo e frio!...

EM SONHOS... Nos Santos óleos do luar, floria Teu corpo ideal, com o resplendor da Helade... E em toda a etérea, branda claridade Como que erravam fluidos de harmonia... As Águias imortais da Fantasia Deram-te as asas e a serenidade Para galgar, subir a Imensidade Onde o clarão de tantos sóis radia. Do espaço pelos límpidos velinos Os Astros vieram claros, cristalinos, Com chamas, vibrações, do alto, cantando... Nos santos óleos do luar envolto Teu corpo era o Astro nas esferas solto, Mais Sóis e mais Estrelas fecundando!

LUBRICIDADE Quisera ser a serpe venenosa Que dá-te medo e dá-te pesadelos Para envolverem, ó Flor maravilhosa, Nos flavos turbilhões dos teus cabelos. Quisera ser a serpe veludosa Para, enroscada em múltiplos novelos, Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa E babujá-los e depois mordê-los... Talvez que o sangue impuro e flamejante Do teu lânguido corpo de bacante, Da langue ondulação de águas do Reno Estranhamente se purificasse... Pois que um veneno de áspide vorace Deve ser morto com igual veneno...

MONJA Ó Lua, Lua triste, amargurada, Fantasma de brancuras vaporosas, A tua nívea luz ciliciada Faz murchecer e congelar as rosas. Nas flóridas searas ondulosas, Cuja folhagem brilha fosforeada, Passam sombras angélicas, nivosas, Lua, Monja da cela constelada. Filtros dormentes dão aos lagos quietos, Ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos, Que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando... Então, ó Monja branca dos espaços, Parece que abres para mim os braços, Fria, de joelhos, trêmula, rezando...

CRISTO DE BRONZE Ó Cristos de ouro, de marfim, de prata, Cristos ideais, serenos, luminosos, Ensangüentados Cristos dolorosos Cuja cabeça a Dor e a Luz retrata. Ó Cristos de altivez intemerata, Ó Cristos de metais estrepitosos Que gritam como os tigres venenosos Do desejo carnal que enerva e mata. Cristos de pedra, de madeira e barro... Ó Cristo humano, estético, bizarro, Amortalhado nas fatais injurias... Na rija cruz aspérrima pregado Canta o Cristo de bronze do Pecado, Ri o Cristo de bronze das luxúrias!...

CLAMANDO... Bárbaros vãos, dementes e terríveis Bonzos tremendos de ferrenho aspeto, Ah! deste ser todo o clarão secreto Jamais pôde inflamar-vos, Impassíveis! Tantas guerras bizarras e incoercíveis No tempo e tanto, tanto imenso afeto, São para vós menos que um verme e inseto Na corrente vital pouco sensíveis. No entanto nessas guerras mais bizarras De sol, clarins e rútilas fanfarras, Nessas radiantes e profundas guerras... As minhas carnes se dilaceraram E vão, das llusões que flamejaram, Com o próprio sangue fecundando as terras...

Gracias por visitar este Libro Electrónico Puedes leer la versión completa de este libro electrónico en diferentes formatos: HTML(Gratis / Disponible a todos los usuarios) PDF / TXT(Disponible a miembros V.I.P. Los miembros con una membresía básica pueden acceder hasta 5 libros electrónicos en formato PDF/TXT durante el mes.) Epub y Mobipocket (Exclusivos para miembros V.I.P.) Para descargar este libro completo, tan solo seleccione el formato deseado, abajo: