PERDÃO REAL Aula 09 Textos básicos: Lc 17.3-5; 1 Jo 1.1-2.2
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça ( 1 Jo 1.9). Assim como há uma diferença crucial entre a culpa e o sentimento de culpa, há uma diferença semelhante entre o perdão e o sentimento de perdão. A culpa é objetiva; o sentimento de culpa é subjetivo. O perdão é objetivo: o sentimento de perdão é subjetivo.
Se Deus declara uma pessoa perdoada, ela é perdoada de maneira objetiva, real e total. O perdão é agora uma realidade. Se os sentimentos agradáveis de paz interior fluem da realidade do perdão, isso pode ser considerado um bônus doce e maravilhoso. Mas não é a prova final.
Essa, porém, é uma espada de dois gumes. Uma pessoa pode criar sentimentos de perdão sem ter sido realmente perdoada.
Quando Deus perdoa nossos pecados ele os lança no mar do esquecimento. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei ( Jr 31.34). Ele apaga do livro dos registros. Ele me trata como se eu não tivesse pecado. Cobre meu pecado com a justiça de Cristo. Meu relacionamento com ele é restaurado de modo total e completo.
Salmo 103.10 12 Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.
O Senhor não deixa de ter a informação de nossas transgressões, mas não trará mais a transgressão perdoada de volta ao relacionamento conosco.
Um dos elementos mais aterrorizantes do Pai Nosso é a petição é a petição perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoados aos nossos devedores ( Mt 6.13). Se Deus fosse tão relutante em nos perdoar quanto nós somos para perdoar aqueles que pecam contra nós, estaríamos em sérios problemas.
Como cristãos, somos pessoas perdoadas. Somos igualmente chamados a ser pessoas perdoadores. Lucas 17.3 Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoalhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe. Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.
Somos chamados a ser tolerantes, pacientes e longânimos para com aqueles que abusam de nós. Jesus nos ordena a nos dispor a andar a segunda milha. Um espírito contencioso, a mágoa, as discussões e a agressividade não têm parte no reino de Deus.
Mateus 5.39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra. No idioma judaico, ser agredido no lado direito do rosto refere-se a um tapa de insulto com as costas da mão direita. Na Idade média, esse era um sinal de desafio para um duelo. Quando Jesus nos manda oferecer a outra face, ele está usando uma expressão judaica que envolve suportar insultos.
Podemos escolher perdoar alguém que não se arrepende, mas isso não significa dizer que devemos perdoar a pessoa impenitente. Contudo se a condição de arrependimento for satisfeita, então estamos debaixo da obrigação de conceder o perdão. A recusa em perdoar uma pessoa arrependia é um pecado que exige p perdão.
O perdão não exclui a restituição. Quando me arrependo, ainda devo pagar minha dívida. Isso significa estar disposto a aceita as consequências de minhas ações e atender às penalidades. Se eu quebrar a lei terrestre e pedir a Deus que me perdoe, posso receber o seu perdão eterno, mas ainda devo enfrentar as penalidades de minha culpa temperal.
Estudo de caso: Como se aplica o perdão nas situações em que os votos de casamento foram quebrados? Suponhamos que um homem cometa adultério e seu pecado seja descoberto. Ele confessa sua culpa, indica profunda vergonha e remorso e pede que sua esposa o perdoe. Qual é o dever moral da mulher nesta circunstância?
A pergunta tanto pode ter uma resposta simples como uma resposta bem complexa. Primeiro a resposta simples. Jesus exige que perdoemos aqueles que pecam contra nós, que se arrependem de seus pecados. Portanto, a esposa deve perdoar seu marido arrependido.
A pergunta complexa é esta: O que esse perdão requer? Uma pergunta afim é esta: Pode a mulher perdoar o marido e mesmo assim divorciar-se dele? Basicamente existem três abordagens para a questão do divórcio no caso do adultério aarrependido:
Abordagem 1 Há muitos cristãos que estão persuadidos de que o divórcio nunca é justificável em qualquer que seja a circunstância. Para esse grupo a solução é fácil. A mulher não deve se divorciar de seu marido mesmo que ele não esteja arrependido.
Abordagem 2 Esta abordagem permite o divórcio nos casos de adultério. Ela toma a posição de que se o homem não se arrepende a esposa tem o direito de divorciar-se dele. Mas se o homem se arrepende, então é dever da esposa perdoá-lo e continuar casada com ele.
Abordagem 3 Este ponto de vista também reconhece o direito de divórcio no caso do adultério. Ela não exige o divórcio no caso de adultério, mas o permite. Aqui o ponto de vista é que, mesmo se o marido se arrepende, a mulher pode exercer seu direito ao divórcio. Ela deve perdoar seu marido e deve recebê-lo como um irmão em Cristo. Mas não é obrigada a ficar casada com ele. A perda dos direitos conjugais é vista como parte das penalidades civis que podem ser invocadas no crime.
Embora essas questões sejam extremamente difíceis de resolver uma coisa é clara: O perdão não significa necessariamente que não haja nenhuma penalidade ou restituição. Por perdão se entende a manutenção de um relacionamento pessoal sem alienação. Também significa que o pecado não terá mais efeito sobre o relacionamento pessoal.
Se eu perdoo o primeiro pecado e o esqueço, ao perdoar meu irmão estou prometendo não guardá-lo mais contra ele. Se ele pecar novamente, devo dizer: Este é o primeiro!, porque o primeiro pecado não tem influência no segundo.
Perdoar a mesma ofensa duas vezes é muito difícil. Perdoar sete vezes exige nossa capacidade de demonstrar graça ao extremo. Não é de admirar que os discípulos tenham respondido ao mandamento de Jesus dizendo Aumente-nos a fé ( Lc 17.5).
Um cristão pode ser perdoado por pecados cometidos antes da conversão? A resposta óbvia é sim. Um cristão é responsável pelos pecados cometidos antes da conversão? Parece óbvio que sim. Todo o princípio da restituição se aplicaria neste caso. Aqueles que respondem não, geralmente o fazem em um contexto particular baseado em um argumento particular.
Estudo de caso: Suponha que um homem se divorcie ilegalmente de sua esposa, ou seja, sem fundamento bíblico. Cinco anos depois ele se converte a Cristo. Ele se apaixona por uma mulher cristã e quer se casar com ela. Como a igreja responde? O Homem deve buscar a reconciliação com sua ex-esposa ou pode escolher livremente um novo casamento?
Aqueles que argumentam que o homem é livre para contrair um novo casamento sem nenhuma obrigação com ex-mulher geralmente debatem essa questão tendo como base que o homem é uma nova criatura em Cristo. Sendo nascido de novo, ele não tem responsabilidade pelo que fez antes da conversão, pois já não é mais a mesma pessoa.
Imagine esta cena. Às quatro horas da tarde, u, homem rouba do seu patrão dez mil dólares. Às cinco horas da tarde, ele se converte a Cristo. Isso significa que ele pode ficar com o dinheiro? Pelo contrário. Em vez de a conversão eliminar a obrigação de uma pessoa, na verdade ela a aumenta. Um homem nascido de novo deveria ter o máximo de escrúpulo em sua disposição de pagar seus débitos e fazer total restituição sempre que for possível.
Alguns pensam que por terem divorciado sem razão bíblica antes da conversão, estão livres para casar depois da conversão, como se nada tivesse acontecido ( 2 Co 5.17).
Outros pensam que a vida zerou após Cristo. Não há o que ser feito quanto ao que passou. Realmente, pecados cometidos e resolvidos ou terminado em seus efeitos antes da conversão realmente não há o que ser feito.
Por outro lado, pecados que ainda persistem, cujos efeitos ainda permanecem, devem ser tratados com arrependimento e mudança de vida.
O que muda é nossa relação com Deus, pois somos justificados, e não nossa posição em relação ao pecado, haja vista que continuamos culpados por eles.
Conclusão: Pecado é o maior problema que temos. Nada nos afeta tanto. Perdão é a única solução que temos e que devemos dar aos que pecam contra nós.