ÉTICA, INTEGRIDADE CIENTÍFICA E PLÁGIO ACADÊMICO

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Transcrição:

ÉTICA, INTEGRIDADE CIENTÍFICA E PLÁGIO ACADÊMICO Ana Paula Meneses Alves Diretoria Técnica de Biblioteca e Documentação Faculdade de Ciências e Letras - Unesp Araraquara Programa de Pós-graduação em Educação Escolar Agosto - 2015

INTRODUÇÃO O impacto das tecnologias de informação e comunicação; A falta de conhecimentos, habilidades e atitudes sobre o uso ético e legal da informação na era digital; A conscientização dos indivíduos sobre ética no ambiente acadêmico; Aprendizado a respeito do que é o plágio, suas tipologias, o quê leva a sua ocorrência e quais as formas para evitá-lo; Papel das bibliotecas e bibliotecários; Dimensão ética da Competência Informacional.

COMPETÊNCIA INFORMACIONAL Ao tratarmos de Competência Informacional destacamos o seu papel enquanto um processo de ensino-aprendizagem, que abarca o indivíduo e o coletivo, com o objetivo de alcançar conhecimentos, habilidades e atitudes, informáticas, comunicativas e informativas, para lidar de forma adequada e eficiente com a informação (URIBE-TIRADO, 2013). Este lidar adequado e eficiente implica em realizar operações mentais complexas, capazes de equilibrar as dicotomias da prática e da teoria, da técnica e da sensibilidade, dos direitos e dos deveres, do individual e do coletivo, do cidadão e da sociedade.

DIMENSÕES DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL Fonte: Vitorino e Piantola (2011, p.109).

USO ÉTICO DA INFORMAÇÃO Espera-se que o indivíduo competente em informação seja capaz de usar toda uma gama de recursos disponíveis de forma crítica, consciente e comprometida para satisfazer suas necessidades informacionais e em diferentes contextos informacionais. Neste sentido, a dimensão ética, presumi o uso responsável, cidadão e legal da informação, com a perspectiva do bem comum e responsabilidade social.

INTEGRIDADE DA PESQUISA http://decisaoclinica.com/?p=1282

Adaptado de Sobre a integridade ética da pesquisa (texto de trabalho; FAPESP, abril de 2011) Luiz Henrique Lopes dos Santos Membro da Coordenação Adjunta da Diretoria Científica da FAPESP e Professor Livre Docente, Departamento de Filosofia, FFLCH, USP http://www.fapesp.br/6566 A expressão integridade da pesquisa (research integrity) - ética profissional do cientista, entendida como a esfera total dos deveres éticos a que o cientista está submetido ao realizar suas atividades propriamente científicas. Por um lado, o conjunto dos deveres derivados de valores éticos mais universais que os especificamente científicos. São dessa natureza aqueles que compõem o campo da chamada Bioética, derivados, por exemplo, do valor que é o respeito à integridade física, psicológica e moral dos seres humanos e de submeter animais a tratamento cruel.

Adaptado de Sobre a integridade ética da pesquisa (texto de trabalho; FAPESP, abril de 2011) Luiz Henrique Lopes dos Santos Membro da Coordenação Adjunta da Diretoria Científica da FAPESP e Professor Livre Docente, Departamento de Filosofia, FFLCH, USP http://www.fapesp.br/6566 Por outro lado, a ética profissional do cientista inclui um conjunto de deveres derivados de valores éticos científicos, isto é, valores que se impõem ao cientista em virtude de seu compromisso com a própria finalidade de sua profissão: a construção coletiva da ciência como um patrimônio coletivo. O princípio desse campo é: ao exercer suas atividades científicas, um pesquisador deve sempre visar a contribuir para a construção coletiva da ciência como um patrimônio coletivo, deve abster-se de agir, intencionalmente ou por negligência, de modo a impedir ou prejudicar o trabalho coletivo de construção da ciência e a apropriação coletiva de seus resultados. É a essa parte da ética profissional do cientista que remete a expressão integridade da pesquisa.

USO ÉTICO DA INFORMAÇÃO Noções básicas de propriedade intelectual, direito de autor e direitos conexos; Reconhecimento a respeito das questões sobre honestidade acadêmica, plágio acadêmico, citação e referências; Questões sobre acesso aberto à informação e as Licenças Creative Commons; Apontamentos sobre censura e liberdade de expressão, direitos de autor no ambiente digital, compreendendo o que pode ou não ser digitalizado, divulgado, preservando a privacidade dos dados pessoais, o direito à honra, à intimidade pessoal e familiar e à imagem pessoal. (ACRL, 2000; FRANÇOIS, 2006; REBIUN, 2014)

PLÁGIO ACADÊMICO Os problemas que envolvem a questão do plágio acadêmico estão relacionados tanto com questões jurídicas (direitos do autor) como com questões éticas (honestidade acadêmica). Estas questões foram evidenciadas pelas facilidades geradas pelas tecnologias de informação e comunicação e pela falta de conhecimentos, habilidades e atitudes sobre o uso ético e legal da informação.

O QUE É PLÁGIO É a reapresentação, como inédito e/ou próprio, de qualquer conteúdo (artístico, intelectual, comercial, etc) que tenha uma autoria anterior (KROKOSCZ, 2012). O QUE É PLÁGIO ACADÊMICO Envolve a apresentação como próprio de um conteúdo de outra autoria, mas especificamente de trabalhos acadêmicos (projeto de pesquisa, trabalho de conclusão de curso, artigo científico, ensaio e outros). Neste caso, configura plágio acadêmico a cópia literal, o texto reescrito sem a indicação da fonte original, tanto na não indicação do autor por meio de citações, como por meio da falta de menção ao documento consultado por meio das referências (PLÁGIO.NET, 2013).

Formas de plágio Com intenção, que é a apresentação direta da produção do outro como sua, ou seja, por meio de uma decisão deliberada, com má-fé e falta de ética; Sem intenção, que ocorre quando as citações, as paráfrases e as referências não são realizadas de forma correta ou o não se tem o conhecimento adequado de como fazê-las, caracterizando desconhecimento técnico das normas de documentação. (EGAÑA, 2012; KROKOSCZ, 2012)

O QUÊ CONTRIBUI PARA O PLÁGIO? Próprio desconhecimento técnico das normas; Falta de ética do indivíduo; Fatores que compreendem as facilidades geradas pelas novas tecnologias (facilidade de acesso à informação disponível em meio eletrônico, o uso de editores de texto); Deficiências e/ou dificuldades de formação (dificuldade de escrita, dificuldade de realizar pesquisas, hábitos de reprodução de textos); Exigências externas e internas (tempo escasso e muita demanda de atividades, pressão para possuir um grande número de publicações, grande número de disciplinas, ansiedade, entre outros fatores).

QUEM SÃO OS ENVOLVIDOS? O autor do texto original; O redator do trabalho (plagiário) O leitor, (que também pode ser o orientador, professor) (KROKOSCZ, 2012).

QUAL A GRANDE QUESTÃO? O leitor é prejudicado porque está lendo um trabalho entregue com plágio confiando que o conteúdo apresentado é mérito de quem escreveu o trabalho, sendo que isto não é verdade; O autor original ao não ser citado como responsável pelo texto ou conteúdo apresentado é silenciado e desta forma o trabalho por ele produzido e reconhecimento lhe é negado; O redator além de prejudicar o autor e o leitor, faz mal a si mesmo, pois deixa de desenvolver a prática de escrita e análise acadêmica, aspectos fundamentais da vida universitária. (PLÁGIO.NET, 2013).

Categorização de plágio Nos basearemos na divisão apresentada por Tripathi e Kumar (2009) e nos textos de Morató Agrafojo (2012) e Krokoscz (2012).

1 Fontes não citadas The ghost writer (o escritor fantasma): Entregar um trabalho alheio como se fosse próprio The photocopy (plágio direto- palavra por palavra) São reproduzidos fragmentos completos, sem alteração The Potluck Paper (mosaico) São utilizados vários trechos literais de fontes diferentes, organizadas com o acréscimo de algumas palavras The Poor Disguise (plágio direto - disfarçado) É a reprodução de trechos com a mudança de algumas palavras The Labor of Laziness (plágio de fontes) É a reprodução das citações usadas por outros autores The Self-Stealer (autoplágio) Reprodução de trabalhos próprios já apresentados em outras circunstâncias, mas sem esta identificação.

2 Fontes citadas (mas ainda assim plagiadas) The Forgotten Footnote (omitir fontes) O autor é citado, mas sem a informação de dados básicos que permitem localizar a fonte original Misinformed (desinformação) São fornecidas informações incorretas sobre a fonte tornando impossível sua localização The Too-Perfect Paraphrase (paráfrase quase perfeita) As fontes são citadas corretamente, mas o plagiário omite as aspas das citações fazendo o trecho reproduzido passar por seu The Resourceful Citer (perfeito citador ) Todas as referências e citações são corretas, mas o texto total não apresenta nada de original, apenas uma relação de citações perfeitas The Perfect Crime (o crime perfeito) É a mescla de citações corretas com trechos dos mesmos textos citados, usados como uma análise própria do plagiário

3 Outros tipos de plagio Copy and Paste Plagiarism (plágio de recorte e cola) É a reprodução de citações diretas sem aspas Word Switch Plagiarism (plágio de palavras chave) É a utilização de termos ou palavras-chave criados por outro autor sem a identifica-lo Metaphor Plagiarism (plágio de matáforas) É a utilização de metáforas criadas por outros autores como própria Idea Plagiarism (plágio de ideias) É usar uma ideia original de outro autor como própria Reasoning Style/Organization Plagiarism (plágio de estilo ou organização) Seguir exatamente o estilo, a organização e raciocínio de determinado artigo, mesmo sem utilizar as mesmas palavras Data Plagiarism (plágio de dados) É o plagio de dados de outras pesquisas

Entendendo um pouco mais sobre o plágio.

NOSSO CONTEXTO O plágio pode ser considerado uma erosão de diversos outros princípios éticos no meio universitário (honestidade acadêmica, descoberta científica, processo de aprendizagem, esforço pessoal); Bibliotecários e bibliotecas universitárias como agentes de mudanças para combater o problema; Fortalecimento de ações de competência informacional com foco no uso ético da informação.

Medidas de enfrentamento Medidas institucionais Medidas preventivas Medidas diagnósticas 1. Website institucional com conteúdo exclusivo sobre plágio 2. Política institucional sobre plágio 3. Disponibilização de guias, manuais e/ou documentos oficiais sobre o assunto 4. Comissão de integridade acadêmica, comitê Disciplinas, Sindicância 1.Orientação: ações de esclarecimento da comunidade educativa (definição e caracterização do plágio; documentos de professores, conferências, workshops, formulários de declaração de idoneidade do trabalho, indicação de links para aprofundamento sobre o assunto etc) 2.Capacitação:ações de instrumentalização tais como cursos, atividades, exercícios, abordagem disciplinar, elaboração de manuais de escrita acadêmica, tópico do disciplina ou orientações para a elaboração de trabalhos acadêmicos 3. Formação: apelo a princípios e valores, ações voltadas para a importância do compromisso e desenvolvimento de princípios éticos, como a preservação da reputação do aluno 1. Disponibilização de e/ou utilização de softwares de detecção do plágio 1. Descrição do plágio nos códices institucionais (Código de Honra, Código de Ética etc) Medidas corretivas 2. Penalização (advertência, suspensão, expulsão etc)

COMO EVITAR [...] a precisão do processo de normalização do texto acadêmico é a prevenção técnica da ocorrência do plágio. (KROKOSCZ, 2012, p.23) Conscientização ética; Atualização das formas de solicitação de trabalhos acadêmicos; Trabalhar com declarações de autoria; Capacitação metodológica (normalização e escrita científica); Programas de detecção de plágio; Legislação e Regras institucionais.

O que está sendo feito? LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998; Capítulo I: Das Obras Protegidas; Capítulo IV: Das Limitações aos Direitos Autorais; Capítulo II: Das Sanções Civis.

Lei de Direito Autoral e Código Penal

Lei de Direito Autoral e Código Penal Depositar trabalho que não seja de autoria própria configura apresentação de documento falso: Pena: reprovação na instituição, e sanções civis, como multa e reclusão de dois a seis anos em média; Código penal: Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: Pena detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. 1 o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Detectores de plágio São softwares que analisam por completo os documentos em busca de ocorrências de suspeita de plágio. São ferramentas que contribuem e melhoram o nível dos trabalhos acadêmicos, legitimando a autoria e o uso adequado de citações e referências nos trabalhos mediante a análise realizada pelo software.

Relatório de Originalidade Detector de plágio adotado pela Unesp

BIBLIOGRAFIA ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES [ACRL]. Framework for Information Literacy for Higher Education. Chicago: ALA, 2015. Disponível em: < http://www.ala.org/acrl/standards/ilframework>. Acesso em: 18 mar. 2014. EGAÑA, T. Uso de bibliografía y plagio académico entre los estudiantes universitarios. Revista de Universidad y Sociedad del Conocimiento, Barcelona, v. 9, n. 2, p. 18-30, 2012. Disponível em: <http://rusc.uoc.edu/ojs/index.php/rusc/article/view/v9n2-egana/v9n2-egana>. Acesso em 12 dez. 2014. FRANÇOIS, O. Information, social context, and ethical and legal issues. In: NEELY, T. Information literacy assessment: standards-based tools and assignments. Chicago: ALA, 2006. p. 114-135. KROKOSCZ, M. Autoria e plágio: um guia para estudantes, professores, pesquisadores e editores. São Paulo: Atlas, 2012. MORATÓ AGRAFOJO, Y. Una reflexión necesaria sobre el plagio en el EEES. Revista UPO INNOVA, Sevilla, v. 1, p. 361-369, 2012. Disponível em: <http://www.upo.es/revistas/index.php/upoinnova/article/view/113/108>acesso em 19 jan. 2015. PLÁGIO.NET. Aspectos relacionados ao plágio. [2013]. Disponível em: <http://www.plagio.net.br/index-1.html>. Acesso em: 22 abr. 2014. TRIPATHI, R.; KUMAR, S. Plagiarism : a plague. In: Convention on Automation of Libraries in Education and Research, 7. 2009, Pondicherry, India. Full Text Papers/Presentations Pondicherry: CALIBER, 2009. Disponível em: <http://www.inflibnet.ac.in/caliber2009/caliberpdf/64.pdf>. Acesso em 25 abr. 2015. URIBE-TIRADO, A. Lecciones aprendidas en Programas de Alfabetización Informacional en universidades de Iberoamérica: propuestas de buenas prácticas. 2013. 406 f. Tesis (Doctoral en Información y Comunicación) - Universidad de Granada, Granada, 2013. Disponible en: <http://eprints.rclis.org/22416/1/tesis%20completa.%20alejandro%20uribe%20tirado.pdf>. Acceso en: 22 jul. 2014. VITORINO, E. V.; PIANTOLA, D. Dimensões da competência informacional. Ciência da Informação, Brasília, v. 40 n. 1, p.99-110, jan./abr., 2011. Disponível em: <http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/1918>. Acesso em: 18 jul. 2014.

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