Em busca da felicidade Contribuição de Pr. Sergio Mascarenhas 28 de outubro de 2010 Em busca da felicidade (MT 5:1-12) (1) A felicidade segundo o consenso do mundo, é insana e fantasiosa; já segundo o evangelho de Jesus, é possível e real. No consenso do mundo Para jesus (evangelho) Preciso buscar minha felicidade a despeito de quantos serão infelicitados nessa busca (vale tudo). Posso ser feliz, sem precisar infelicitar ninguém, ao contrário, sou feliz à medida que abençoo meu próximo. A felicidade está sempre focada no futuro (serei feliz quando...) A felicidade é presente porque se trata de um contentamento em Deus. A felicidade depende das circunstâncias externas. É de fora para dentro. Depende de conquistas externas. A felicidade depende dos conteúdos do caráter (interno). Flui de dentro para fora. É uma construção interna. A felicidade é fruto de experiências pontuais, quando se sai da tristeza para a alegria de forma abrupta. É um lugar onde se pode chegar. É algo que se busca. A felicidade é fruto de uma caminhada, em que o que se planta se colhe. É sair de uma estrada que conduz a tristeza, para uma que conduz à alegria. É um jeito de viajar, um jeito de andar. É um caminho por onde se anda. É feliz quem não sofre, quem realiza todos os desejos e potencial, conquistando tudo o que pode. É possível ser feliz em meio ao sofrimento; nem todos os desejos são legítimos, se é feliz pelo que se é e não pelo que se tem.
1. Feliz é o humilde de Espírito (3) Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. (1) Lúcifer e 1/3 dos anjos caíram e foram infelicitados para sempre, por conta da soberba que sempre precede a queda (PV 16:18). (2) O primeiro pacote de felicidade fantasiosa foi oferecido aos nossos pais no Édem, quando Satanás sugeriu que eles poderiam saber como Deus a fim de serem como Deus (independentes, autossuficientes). (3) Jesus diz que feliz é o humilde que se dispõe a depender e a aprender com Deus, porque com a humildade de uma criança acolhem o reino de Deus no coração. 2. Feliz é o que chora. (4) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. (1) Enquanto o mundo sabe apenas chorar o choro da autopiedade, da autocomiseração com raízes no egoísmo, Jesus nos convoca a chorar os choros de Deus. (2) Chorando o choro do arrependimento pelo próprio pecado que nos infelicita; o choro pelo pecado que graça no mundo; e o choro amigo, sincero, solidário pelos que sofrem à nossa volta. (3) Feliz é o que não teme chorar porque andarão com a alma em estado de consolação. 3. Feliz é o manso (5) Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. (1) Enquanto no conceito do mundo ser feliz é buscar estar satisfeito com tudo o tempo todo, Jesus diz que feliz é aquele que exerce autocontrole, inclusive sobre instintos, paixões, impulsos ilegítimos. (2) Feliz é aquele que abre mão de reivindicar direitos egoisticamente, em prol de uma causa maior a exemplo de Abraão, Moisés, Davi, e Jesus. 4. Feliz é o que tem fome e sede de justiça
(6) Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. (1) Enquanto o mundo trabalha a partir da autojustiça ou da justiça para si e não para os outros, Jesus diz que feliz é aquele que pratica a justiça que está ao alcance de suas mãos e possibilidades. (2) Feliz é aquele que antes de agir pergunta: é certo? É digno? Está direito? É justo? Quem assim procede não desenvolve caráter e conduta viciados em coisas injustas, por isso é feliz. (3) Ele será farto da justiça da qual tem fome e sede para os outros. 5. Feliz é o misericordioso (7) Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (1) Enquanto no conceito do mundo é feliz que corre atrás dos sonhos, sem se sacrificar por ninguém; Jesus diz que feliz é o que traz o miserável no coração (mísero-cardia). (2) Feliz aquele que vive de misericórdia e para a misericórdia; que presta favor àquele que não pode retribuir; e tem uma atitude empática com os fracassados, derrotados e caídos. (3) Ele é feliz porque no dia em que precisar de misericórdia e compreensão por causa da sua miserabilidade achará. Quem age com graça se torna alvo da graça. 6. Feliz é o limpo de coração (8) Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. (1) Enquanto para o conceito do mundo vale a esperteza humana, o politicamente correto, a dissimulação para se alcançar o que supostamente pode trazer felicidade, para Jesus só é feliz o íntegro, o coerente, o honesto. (2) Feliz é aquele em cujo coração não há sombras, dubiedades, hipocrisia, mas retidão de pensamento, sentimento e verdade de propósitos (motivação).
(3) Feliz é quem vive uma vida íntegra e honesta, porque terá comunhão e intimidade com Deus (ver a Deus). 7. Feliz é o pacificador (9) Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. (1) Enquanto o mundo não estranha o prazer mórbido na contenda, nos litígios, na dissensão, na discórdia, Jesus diz que feliz é aquele em cuja presença a inimizade não prospera. (2) Feliz é o que trabalha pela paz construindo pontes entre pessoas, adoçando as amarguras, reconciliando os que se odeiam. (3) Ele será feliz porque além de gerar ao seu redor um ambiente de paz, respeito, comunhão e amor, também será identificado como tendo a natureza de Deus. Dele dirão tal pai, tal filho. Ele é a cara do pai. 8. Feliz é o perseguido por causa da justiça e de Jesus (10) Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus. (11) Bemaventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. (12) Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (1) Enquanto no conceito do mundo felicidade exclui totalmente qualquer tipo de sofrimento, Jesus diz que o sofrimento em razão da justiça que se pratica e do bem que se faz, nos torna bem-aventurados. (2) Quem sofre pela justiça e pelo bem do evangelho, e é rejeitado não por si mesmo, mas por ter Jesus em si, trilha o mesmo caminho dos profetas, e acumulam um grande galardão nos céus (II CO 4:7-11; 16-18). (3) O perseguido será feliz porque o Reino de Deus como realidade no íntimo, presente e vindoura é dele. Conclusão (1) A felicidade no consenso do mundo corrompe a integridade do caráter; a felicidade segundo Jesus se conquista encarnando os princípios ensinados por Ele no evangelho.
(2) Neste sentido, não existe uma felicidade automática, mágica. A felicidade vem na esteira de atitudes diárias e da consistência de um caráter construído a partir do ensino e exemplo de Jesus. (3) É uma bênção ter conforto para a família, conquistar uma estabilidade financeira, viver com qualidade de vida, mas não é por causa dessas coisas que somos felizes. A nossa felicidade tem a ver com um contentamento em Deus, com um status espiritual conquistado por Jesus em nosso favor, e com a prática dos ensinos Dele. (4) Assim, concluí-se que a felicidade está dentro de nós, se nós a quisermos. A possibilidade da felicidade humana num mundo caído depende de um caminho íntimo, de uma decisão cotidiana e de um compromisso com Deus e seus princípios. (5) A verdadeira felicidade é um patrimônio dos filhos de Deus.