Acesse:

Documentos relacionados
APOSTILA DE AJUSTAGEM

Acesse:

Solução? Uma lima na mão!

Acesse:

Acesse:

DESENHO TÉCNICO MECÂNICO I. Aula 02 Projeção, vistas, diedros. Desenho Técnico Mecânico I

Neste livro, você vai estudar as diversas operações de fresagem que podem ser executadas com a máquina fresadora.

Acesse:

Tipos de Linhas, Legenda e Construção Geométricas Simples. Prof. Marciano dos Santos Dionizio

Correção dos exercícios. Serras

Traçagem. Traçagem Acessórios: desempenos Cantoneiras e cubos de traçagem Morsas. Prof. Fernando

FEPI , Page 1 Tecnologia Mecânica II

44 Fresando ranhuras retas - I

Acesse:

43 Fresando superfícies planas

Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico

PERSPECTIVA ISOMÉTRICA ELEMENTOS PARALELOS

Quando uma peça é muito pequena, fica difícil visualizar seu perfil e verificar suas medidas com os aparelhos e instrumentos já vistos.

SEM DESENHO TÉCNICO MECÂNICO I

Recuperação de guias ou vias deslizantes II

METROLOGIA PAQUÍMETRO: TIPOS E USOS. Prof. Marcos Andrade 1

TECNOLÓGICO EM AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL. Tecnologia Mecânica Aula 04 Prof. Dr. João Alves Pacheco

Conjuntos mecânicos IV

Desenho Técnico. Desenho. Desenho Artístico. Representação de coisas, seres, e objetos através de linhas e pontos. Expressão gráfica da forma.

Relação de materiais. Relação de materiais. Instrumentos. Jogo de esquadros 45º e 30º/60º, sem graduação. Papel formato A4 margeado

Desenho Técnico. Desenho. Desenho Artístico. Representação de coisas, seres, e objetos através de linhas e pontos. Expressão gráfica da forma.

Introdução. Aplainamento

Profa. Janaina Fracaro Engenharia Mecânica ABRIL/2014

Paquímetro: tipos e usos

INSTRUMENTAL DE DESENHO TÉCNICO

Projeção ortográfica de modelos com elementos paralelos e oblíquos

Acesse:

Aula 3 : Desenho Arquitetônico

Régua e mesa de seno

Elaborado pelos professores Marco Albano e Sheyla Serra Disciplina Expressão Gráfica para Engenharia (EGE) - EA, fev./2008.

Aula 11 Projetos 04 Considerações sobre projetos de fundição

Aula 5: Fundição Conceitos de Forjamento Conceitos de Estampagem

Desenho Técnico. Cortes, seções, encurtamento e omissão de corte. Caderno de Exercícios Desenho Técnico 1

O supervisor treinou o pessoal para medição indireta com calibradores. Falta treiná-lo no uso de verificadores.

Planificação anual 5.º ano ATIVIDADES (UNIDADES TEMÁTICAS) RECURSOS AVALIAÇÃO. Diagnóstico

EIXOS ISOMÉTRICOS. Docentes: Bruna Rocha João Victor Fazzan

O DESENHO COMO FORMA DE EXPRESSÃO

Representação de rugosidade

Projeção ortográfica de modelos com elementos paralelos e oblíquos

DESENHO TÉCNICO MECÂNICO I. Aula 06 Cotas, Símbolos. Desenho Técnico Mecânico I

Curso Superior de Tecnologia em Refrigeração, Ventilação e Ar Condicionado Disciplina: Desenho Técnico Tema: Projeções, Perspectivas, Vistas e

APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO 09/02/17

Projeção ortográfica de sólidos geométricos

CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGO EFETIVO PROFESSOR DE ENSINO BÁSICO, TÉCNICO E TECNOLÓGICO Edital 24/2015 Campus Santos Dumont FOLHA DE PROVA

Expressão Gráfica. Projeção Ortográfica. Professor: Dr. João Paulo Bestete de Oliveira

PRIS - PLANO E REGISTRO DE INSPEÇÃO DE SERVIÇOS

Pantógrafo. Nesta aula você vai conhecer, de maneira. Nossa aula. Cópias perfeitas

Perspectiva isométrica Identificar os elementos da perspectiva.

Desenho Técnico Engenharia de Controle e Automação Disciplina: Desenho Técnico

Prof. Breno Duarte Site:

Curso Técnico em Eletromecânica

Estado de superfície

52-SM - Parafusos Imperdíveis

Conjuntos mecânicos V

Tipos de movimento da mesa: discordante: sentido de rotação oposto ao movimento de avanço concordante: mesmo sentido de rotação e avanço

INTRODUÇÃO AO DESENHO TÉCNICO. Prof. Esp. Kevin Reiny Rocha Mota

O objetivo desta aula é apresentar os principais p tipos de perspectivas utilizados no desenho técnico e no desenho arquitetônico, destacando suas

PEDREIRO PASSO A PASSO

Definições e Instrumentos

SENAI, SUA CONQUISTA PROFISSIONAL

CONTROLE DIMENSIONAL - CALDERARIA NÓS DE ESTRUTURAS TUBULARES APÓS SOLDAGEM

Ensaio Visual e Dimensional Duração: 180 minutos. 1ª PARTE Inspeção Visual e Dimensional de Juntas. Preparadas Para Soldagem

Lista de corte e acessórios E-book 01 LISTA DE CORTE POR PROJETOS

Disciplina: Projeto de Ferramentais I

Guia Prático de Instalação Revestimentos Nexacustic. Revisão: 1

SENAI, SUA CONQUISTA PROFISSIONAL

APOSTILA I DAC CRIADO POR DÉBORA M. BUENO FRANCO PROFESSORA DE DESENHO ASSISTIDO POR COMPUTADOR FACULDADE EDUCACIONAL DE ARAUCÁRIA - FACEAR

DESENHO TÉCNICO MECÂNICO I. Aula 06 Cotas, Símbolos. Desenho Técnico Mecânico I

Guia Prático de Instalação Completo Forros Nexacustic. Revisão: 2

Acesse:

Toda informação inscrita num desenho, sejam algarismos ou outros caracteres, deve ser apresentada em escrita mormalizada.

SEM 0343 Processos de Usinagem. Professor: Renato Goulart Jasinevicius

PRENSA PARA ESTÊNCIL A TINTA

E-QP-ECD-073 REV. B 01/Abr/ PROCEDIMENTO DE CONTROLE DIMENSIONAL - NÓS DE ESTRUTURAS TUBULARES APÓS SOLDAGEM

Profa. Janaina Fracaro Engenharia Mecânica ABRIL/2014

Unidade. Educação Artística 161. I- Limpeza e organização com os materiais são requisitos básicos nesta disciplina.

AULA 4 DESENHANDO ESCADAS

DESENHO TÉCNICO 1. Professor: Gleison Renan Inácio

Guia Prático de Instalação Completo Forros Nexacustic. Revisão: 4

Rua do Manifesto, Ipiranga - São Paulo Fone: +55 (11)

INSTRUMENTOS REPRESENTAÇÃO MANUAL AULA 1 RMT 1

Desenho Auxiliado por Computador

Brochamento. Nesta aula você terá uma visão geral de uma. Nossa aula. O que é brochamento. Brocha

Brochamento. Nesta aula você terá uma visão geral de uma. Nossa aula. O que é brochamento. Brocha

Profa. Janaina Fracaro Engenharia Mecânica MAIO/2014

NOTAS DE AULAS (Práticas de Oficina)

Sistemas de cotagem. Observe a vista frontal de uma peça cilíndrica formada por várias partes com diâmetros diferentes.

PROGRAMA DA DISCIPLINA

Conceito Indica a proporção de grandeza entre o tamanho do desenho (definido layout) e o tamanho do objeto real representado.

Transcrição:

Antes prevenir do que remediar Todo mundo já teve na vida um aparelho eletrônico que deixou de funcionar depois de muito uso. Quando isso acontece, e o aparelho vai parar na oficina eletrônica do bairro, o técnico muitas vezes pede o esquema com a disposição dos componentes do circuito que ele deve consertar. Isso facilita muito o trabalho dele. Assim como o técnico precisa do desenho do circuito eletrônico para trabalhar, outros profissionais também usam algum tipo de esquema para o mesmo fim. Por exemplo, o engenheiro se vale das plantas para supervisionar a construção de um edifício. O eletricista faz um esquema prévio da instalação que vai realizar. Na área de mecânica acontece o mesmo: se o trabalho é na manutenção, os esquemas mecânicos, hidráulicos e elétricos da máquina a ser recuperada são sempre bem-vindos. Se o trabalho é na produção, o mecânico precisa do desenho técnico para saber o que ele vai usinar, quanto vai tirar de sobremetal, que acabamento será dado à superfície etc. Só que existem circunstâncias da produção mecânica em que é necessária uma etapa entre o desenho e a realização do trabalho. É o caso das peças em bruto produzidas por forjamento ou fundição ou peças pré-usinadas e que ainda terão de ser trabalhadas mecanicamente para a retirada do excesso de material que apresentam. Antes que a usinagem final seja iniciada, é necessário fazer uma operação que indique o local e a quantidade de material a suprimir. Essa operação é o assunto desta nossa aula. E para saber qual é, só estudando tudo com muita atenção. Desenhando no material 43

Muitas vezes, dentro do processo de fabricação mecânica, é necessário prever se a peça em bruto ou pré-usinada resultará realmente na peça acabada que se deseja, isto é, se as dimensões da peça em bruto são suficientes para permitir a usinagem final. Isso geralmente acontece na produção de peças únicas, na fabricação de pequenas séries ou na produção de primeiros lotes de peças de uma grande série. Para fazer isso, executa-se um conjunto de operações chamado de traçagem. Por meio da traçagem são marcadas na peça préusinada as linhas e os pontos que delimitam o formato final da peça após a usinagem. Com o auxílio da traçagem, são transportados para a peça os desenhos dos planos e outros pontos ou linhas importantes para a usinagem e o acabamento. Como a traçagem consiste basicamente em desenhar no material a correta localização dos furos, rebaixos, canais, rasgos e outros detalhes, ela permite visualizar as formas finais da peça. Isso ajuda a prevenir falhas ou erros de interpretação de desenho na usinagem, o que resultaria na perda do trabalho e da peça. O trabalho de traçagem pode ser classificado em dois tipos: Traçagem plana, que se realiza em superfícies planas de chapas ou peças de pequena espessura. Traçagem no espaço, que se realiza em peças forjadas e fundidas e que não são planas. Nesse caso, a traçagem se caracteriza por delimitar volumes e marcar centros. 44

Na traçagem é preciso considerar duas referências: a superfície de referência, ou seja, o local no qual a peça se apoia; o plano de referência, ou seja, a linha a partir da qual toda a traçagem da peça é orientada. Dependendo do formato da peça, a linha que indica o plano de referência pode corresponder à linha de centro. Da mesma forma, o plano de referência pode coincidir com a superfície de referência. 45

Os conceitos que você conheceu nesta primeira parte da aula são importantes. Dê uma parada para estudá-los. Pare! Estude! Responda! Exercícios 1 Responda às seguintes perguntas. a) Para que é utilizada a traçagem? b) Como é possível prevenir erros na usinagem e saber se o material em bruto possui dimensões suficientes? 2. Complete com as expressões traçagem plana ou traçagem no espaço. a) A... é realizada em peças forjadas ou fundidas sem superfície de apoio a fim de delimitar volumes e marcar centros. b) A... é realizada em superfícies de chapas ou peças de pequena espessura. 3 Diga com suas palavras o que é: a) Plano de referência. b) Superfície de referência. Instrumentos e materiais para traçagem 46

Para realizar a traçagem é necessário ter alguns instrumentos e materiais. Os instrumentos são muitos e variados: mesa de traçagem ou desempeno, escala, graminho, riscador, régua de traçar, suta, compasso, esquadro de centrar, cruz de centrar, punção e martelo, calços em V, macacos de altura variável, cantoneiras, cubo de traçagem. Para cada etapa da traçagem um desses instrumentos ou grupo de instrumentos é usado. Assim, para apoiar a peça, usa-se a mesa de traçagem ou desempeno. Dependendo do formato da peça e da maneira como precisa ser apoiada, é necessário também usar calços, macacos, cantoneiras e/ou o cubo de traçagem. Para medir usam-se: escala, goniômetro ou calibrador traçador. Para traçar, usa-se o riscador, o compasso e o graminho ou calibrador traçador. 47

Para auxiliar na traçagem usa-se régua, esquadros de base, o esquadro de centrar, a suta, tampões, gabaritos. Para marcar usamse um punção e um martelo. Para que o traçado seja mais nítido, as superfícies das peças devem ser pintadas com soluções corantes. O tipo de solução de- 48

pende da superfície do material e do controle do traçado. O quadro a seguir resume as informações sobre essas soluções. Substância Composição Superfícies Traçado Verniz Goma-laca, álcool, anilina Lisas ou polidas Rigoroso Solução de alvaiade Alvaiade, água ou álcool. Em bruto Sem rigor Gesso diluído Gesso, água, cola comum de madeira, óleo de linhaça, secante. Em bruto Sem rigor Gesso seco Gesso comum (giz) Em bruto Pouco rigoroso Tinta Já preparada no comércio. Lisas Rigoroso Tinta negra especial Já preparada no comércio De metais claros Qualquer Quando há necessidade de realizar a traçagem em peças fundidas ou forjadas muito grandes, é possível fazê-lo em máquinas de traçagem. Agora que você já conheceu quais os materiais e instrumentos necessários à traçagem, vamos estudar um pouco antes de a- prender como essas operações são executadas. Pare! Estude! Responda! 49

Exercícios 4. Relaciona a coluna A (o que fazer) com a coluna B (instrumentos). Coluna A Coluna B a) ( ) Para medir 1. régua, esquadro de base e de centrar, b) ( ) Para traçar suta, tampões, gabaritos. c) ( ) Para auxiliar 2. riscador, compasso, graminho. d) ( ) Para marcar 3. escala, graminho. 4. soluções corantes. 5. punção e martelo. 6. mesa de traçagem. 5. Responda às seguintes perguntas. a) O que se usa para apoiar a peça durante a traçagem? b) O que é usado para auxiliar no apoio de peças de formato irregular? c) Quais são os fatores que influenciam na escolha das soluções corantes? Etapas da traçagem Como em qualquer outro tipo de operação, a traçagem é realizada em várias etapas. Elas são: 1. Limpeza das superfícies que estarão em contato, ou seja, a peça e a mesa de traçagem. Ambas devem estar livres de qualquer tipo de sujeira, tais como pó, graxa, óleo. Além disso, a peça deve ter sido previamente rebarbada. 2. Preparação da superfície com o material adequado, ou seja, aplicação de uma pintura especial que permita visualizar os traços do riscador. 50

3. Posicionamento a peça sobre a superfície de referência. Se a peça não tiver uma superfície u- sinada que se possa tomar como plano de referência, ela deve ser posicionada com o auxílio de calços, macacos e/ou cunhas. 4. Preparação do graminho na medida correta. 5. Traçagem, fazendo um traço fino, nítido, em um único sentido, ou seja, de uma vez só. Se os traços forem paralelos à superfície de referência, basta usar o graminho ou calibrador traçador. 6. Para traçar linhas perpendiculares, usa-se o esquadro adequado. 51

7. Para a traçagem de linhas oblíquas, usa-se a suta, que serve para transportar ou verificar o ângulo da linha oblíqua. 8. No caso de furos ou arcos de circunferência, marcar com punção e martelo. Esta operação é realizada colocando-se a ponta do punção exatamente na interseção de duas linhas anteriormente traçadas. 9. Em seguida, golpeia-se a cabeça do punção com o martelo. Como indicação prática, deve-se dar a primeira martelada com pouca força, verificar o resultado e dar um segundo golpe para completar a marcação. 10. Para a traçagem de arcos de circunferência, usa-se o punção para marcar o centro da circunferência e o compasso para realizar a traçagem. Como você viu, traçagem é o desenho no próprio material que ajuda a visualizar o formato que a peça terá depois de usinada. 52

Ela ajuda a prevenir erros do operador. E como diz o velho ditado, é melhor prevenir do que remediar. Pare! Estude! Responda! Exercícios 6. Ordene a seqüência de etapas da traçagem, numerando os parênteses de 1 a 5. a) ( ) Preparação do graminho na medida correta. b) ( ) Traçagem. c) ( ) Limpeza das superfícies que estarão em contato. d) ( ) Posicionamento da peça sobre a superfície de referência. e) ( ) Pintura da superfície com soluções corantes. 7. Associe a coluna A (tipos de traços) com a coluna B (instrumentos). Coluna A Coluna B a) ( ) Traçagem de linhas paralelas 1. Compasso b) ( ) Traçagem de arcos. 2. Esquadro c) ( ) Traçagem de linhas oblíquas. 3. Graminho d) ( ) Traçagem de linhas perpendiculares 4. Suta 5. Punção 8. Responda às seguintes perguntas. a) Como deve ser o traçado? b) Para que serve o puncionado? 53

Gabarito 1. a) A traçagem serve para desenhar no material a correta localização dos furos, rebaixos, canais, rasgos e visualizar as formas finais da peça. b) Através da traçagem. 2. a) Traçagem no espaço. b) Traçagem plana. 3. a) Resposta pessoal. b) Resposta pessoal. 4. a) 3; b) 2; c) 1; d) 5. 5. a) Mesa de traçagem ou desempeno. b) Calços, macacos, cantoneiras, cubo de traçagem. c) Os fatores são: superfície do material e exatidão do traçado. 6. a) 4; b) 5; c) 1; d) 3; e) 2. 7. a) 3; b) 1; c) 4; d) 2. 8. a) Ele deve ser fino, nítido, em um único sentido e feito de uma só vez. b) O puncionado serve para marcar furos ou centros de arcos de circunferência. 54