Era Vargas 1930-1945 Prof. Lincoln Marques
A dissidência oligárquica e a Aliança Liberal Aliança Liberal: Washington Luís rompe com esquema café-com-leite e lança candidato paulista (Júlio Prestes). Oligarquia mineira deixa a aliança e se junta a outras oligarquias dissidentes, RS e PB. Programa: voto secreto, incentivo à indústria, proteção do trabalhador, valorização do conjunto da produção agrícola (não só do café) e anistia para os tenentes envolvidos em rebeliões nos anos 1920. Tenentes se dividem: Uma parte apoia a Aliança Liberal. Luís Carlos Prestes, agora comunista, nega publicamente seu apoio. Eleição de 1930: Júlio Prestes (paulista) vence, mas degola na Comissão de Verificação de Poderes e assassinato de João Pessoa, vice na chapa da Aliança Liberal, geram radicalização armada. Revolução de 1930: Golpe militar entrega poder aos civis da Aliança Liberal. Façamos a Revolução antes que o povo a faça (Antonio Carlos).
A Revolução de 1930 Quem fez a Revolução de 1930? Tenentes + Oligarquias dissidentes centralização x federalismo Voto secreto governo forte industrialização fim da hegemonia paulista proteção ao conjunto da produção agrícola
Gaúchos no obelisco da Avenida Rio Branco. Rio de Janeiro, 1930.
O Governo Provisório (1930-1934) O Estado de compromisso e a intocabilidade sagrada das relações sociais no campo. O Ministério da Revolução Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio questão social deixa de ser caso de polícia Lei de sindicalização (1931) controle sobre os sindicatos. Ministério da Educação e Saúde projeto de um Brasil educado, integrado e com higiene. Católicos x pioneiros da educação nova. Respostas à crise de 1929: substituição de importações: incentivo ao aumento da produção interna com a redução das atividades de importação; bens de consumo. Criação de Conselhos Nacionais (do Café, do Açúcar e do Álcool, etc.) para reestruturar produção agrícola nacional. enfraquecimento do poder oligárquico. Compra e queima do café excedente para aumento do preço no mercado internacional.
O Governo Provisório (1930-1934) Instituição dos decretos-lei autonomização do Executivo. Nomeação de interventores nos Estados fortalecimento dos tenentes e enfraquecimento das oligarquias (inclusive as que tinham apoiado a Aliança Liberal). Reação: a Revolução Constitucionalista de 1932 elites paulistas mobilizadas em Frente Única pelo retorno à ordem legal, pela constitucionalização do país e contra a centralização. São Paulo é derrotado em três meses, com apoio das oligarquias de MG e RS pela promessa de eleições gerais. Reivindicação por Constituinte é vitoriosa. Código Eleitoral de 1933 voto feminino e secreto. Eleição da Assembleia Nacional Constituinte em maio de 1933.
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O Governo Provisório (1930-1934) Constituição de 1934 Pré-projeto elaborado por comissão de notáveis devido à pressa pela legalidade institucional ; República federativa; Presidencialismo sem reeleição; Eleição direta para Presidente, exceto o seguinte (devido à necessidade de institucionalização do regime ); Tripartição dos poderes e democracia representativa com voto secreto, eleições diretas, voto feminino e representação classista; Justiça Eleitoral; Nacionalização de setores estratégicos da economia (energia, mineração e siderurgia). Tribunal do Trabalho e legislação trabalhista: jornada de 8 horas, sindicatos plurais e regulamentação do trabalho feminino e infantil; Moldes liberais inspirada na Constituição da República Alemã de Weimar (governo da social democracia pós 1ª guerra mundial).
O Governo Constitucional (1934-1937) Surgimento de partidos nacionais e declínio do tenentismo. Ação Integralista Brasileira (AIB / 1932) fascismo verde-e-amarelo (camisas verdes). anticomunismo e nacionalismo extremado. Prega governo central forte e unipartidarismo. liderança de Plínio Salgado. influência do salazarismo português. lema Deus, Pátria e Família e saudação Anauê. Opunha-se ao socialismo, ao liberalismo e ao capitalismo financeiro. Composição: oficiais das Forças Armadas, grandes proprietários, empresários e profissionais urbanos de classe média. Mobiliza população em palestras e manifestações de rua.
O Governo Constitucional (1934-1937) Aliança Nacional Libertadora (ANL / 1935) inspiração das frentes populares antifascistas na Europa. liderança do ex-capitão Luís Carlos Prestes (presidente de honra). defesa de governo popular, reforma agrária, cancelamento da dívida externa, nacionalização de empresas estrangeiras, antiimperialismo e pluripartidarismo. Composição: membros das Forças Armadas, socialistas, comunistas, liberais democratas, operários e membros das classes médias. Intentona Comunista (1935) quartelada sem apoio popular. fracasso de Prestes prisão de Olga e de todos os revoltosos. aprovação da Lei de Segurança Nacional. Criação do Tribunal de Segurança Nacional. cassação da ANL. fortalecimento de Vargas como mantenedor da ordem.
Primeira página do jornal carioca de esquerda A Manhã do dia 27.11.1935, anunciando a insurreição armada da Aliança Nacional Libertadora no Rio de Janeiro
O Estado Novo (1937-1945) Discurso de Getúlio Vargas em 1940 Passou a época dos liberalismos imprevidentes, das democracias estéreis, dos personalismos inúteis e semeadores da desordem. À democracia política substitui a democracia econômica, em que o poder, emanado diretamente do povo e instituído para defesa do seu interesse, organiza o trabalho, fonte do engrandecimento nacional e não meio de fortunas privadas. Não há mais lugar para regimes fundados em privilégios e distinções; subsistem, somente, os que incorporam toda a Nação nos mesmos deveres e oferecem, equitativamente, justiça social e oportunidades na luta pela vida. (Discurso de Getúlio Vargas, proferido a 11 de junho de 1940, citado em Getúlio Vargas, As Diretrizes da Nova Política do Brasil, Rio de Janeiro, José Olímpio, s/d)
O Estado Novo (1937-1945) Proposta de refundação da República com projeto nacionalista e modernizador que incorporasse os trabalhadores e instaurasse uma democracia social verdadeira, em oposição à democracia liberal. A Constituição de 1937 ( polaca ) Redigida por Francisco Campos e outorgada à Nação. Defesa do Estado: Estado de Emergência. Colcha de retalhos a partir de Cartas totalitárias de vários países (Polônia, Itália, Alemanha, Portugal etc.). Centralização e nomeação de interventores nos estados. Dissolução das Câmaras existentes. Suspensão do direito de greve. Plebiscito para aprovação da nova Carta (previsto para 1943). Decretos-Lei e fechamento das instâncias legislativas até o plebiscito. Suspensão dos partidos, inclusive AIB, convertidos em clubes culturais. Pena de morte para crimes políticos. A suposta inspiração na Constituição Polonesa de 1935. Decretos complementares e LSN.
O Estado Novo (1937-1945) O golpe integralista de 1938 Os descontentes à direita. Aliança de integralistas e outros setores contrários a Vargas em tentativa frustrada de assalto ao Palácio do Catete. resulta na prisão dos envolvidos e exílio para Plínio Salgado. evidencia fragilidade da segurança pessoal de Vargas, para a qual convoca Gregório Fortunato. A reforma do Estado Criação do DASP (Departamento administrativo do serviço público) reformulação do serviço público com planos de carreira, concursos públicos, modernização da burocracia. representação do emprego público como via de ascensão social para classes médias. O aparelho repressivo DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social). Polícia Especial (Filinto Müller): as perseguições à esquerda e o caso de Olga. A reforma educacional Normalização do ensino secundário e universitário e proibição do ensino em língua estrangeira nas escolas. Prosseguimento do projeto de formação de uma elite capaz de comandar a nação, levado a cabo por Capanema desde 1934.
A industrialização A derrota da oligarquia cafeeira (ou saída da burguesia paulista do poder) conduziu à reorientação da economia pelo Estado para o desenvolvimento da indústria pesada e a diversificação agrícola, de modo a superar a dependência do país das exportações do café. A burguesia industrial não participa do processo revolucionário, mas depois alinha-se às forças vitoriosas. Industrialização através de substituição de importações, a partir de 1933, é progressivamente substituída por um modelo econômico nacionalista de intervenção do Estado na economia, em especial nos setores de infraestrutura e indústria de base (ferro, aço, energia elétrica e petróleo). Fatores do crescimento industrial: Utilização plena do parque industrial instalado nos anos 1920. Conquista de espaços de pressão e decisão, no Congresso e no governo, por parte de líderes empresariais beneficiados pela criação de comissões e conselhos técnicos corporativistas. Políticas governamentais de proteção à indústria (a partir do BB). Estatais criadas durante o primeiro governo Vargas: Vale do Rio Doce e CSN (Siderúrgica Nacional). CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco).
Mudanças no modelo econômico brasileiro
A propaganda DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda - 1940) Serve menos para censurar ou promover a Hora do Brasil do que para forjar imagem do Estado Novo, e do presidente como sua encarnação, produzindo, ao mesmo tempo, um público para o discurso estatal, identificado com a classe trabalhadora. Culto à personalidade era solução avançada para incorporar as massas. Rádio era o meio de comunicação moderno: divulgava medidas de nacionalização e integração de um novo Brasil com população organizada e com espírito patriótico. Hora do Brasil é de 1939. Rádio Nacional é estatizada em 1940. Surgimento de uma cultura de massa (disputas de marchinhas e sambas, radionovelas, etc.). Comemorações oficiais formam um calendário festivo que promove imagem do presidente e criam expectativas de maiores concessões de direitos sociais (a ideia do trabalhismo).
Aspecto da concentração trabalhista de 1º de maio, no Estádio Municipal do Pacaembú, 1944. São Paulo (SP).
O Brasil na 2ª Guerra Mundial (1942) Ataques de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros. Ruptura dos laços comerciais e militares com a Alemanha nazista. Pressão diplomática dos Estados Unidos. Acordo pela utilização de bases militares no Nordeste brasileiro (Rio Grande do Norte) em troca de recursos para construção da CSN. Declaração de guerra ao Eixo em 1942 e envio das tropas em 1944. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália: a cobra fumou (1944-1945).
Primeiras páginas do jornal O Globo em 26/03/1941 e 20/02/1942.
A invenção do trabalhismo A partir de 1942, Getúlio encarna e intensifica o mito do pai dos pobres, no contexto da derrota do Eixo. Salário mínimo, lei de férias, Justiça do Trabalho e outras reivindicações dos trabalhadores são reunidas na CLT e articuladas na ideologia da outorga. Construção de um novo tipo de cidadania baseada nos direitos sociais, e não nos direitos civis ou políticos. Sindicalismo pelego, controle do proletariado e benefícios materiais. Historiografia: Manipulação x persuasão e reconhecimento de interesses. Benefícios materiais x pacto trabalhista. Corporativismo proposta de organização das sociedades modernas em voga no mundo da época, não só na Itália de Mussolini (de cujo modelo o Estado Novo se distancia) Estado como árbitro dos conflitos entre capital e trabalho.
Corporativismo A) Doutrina que nega a luta de classes, colocando o interesse geral da nação acima dos interesses de classe. Prega a reunião das classes produtoras em corporações sob a fiscalização do Estado. Propõe a organização da sociedade com base em associações representativas dos interesses e das atividades profissionais, ou corporações. B) No Brasil, o corporativismo resultou no estabelecimento de uma rede de organizações representativas de interesses privados, reguladas e controladas pelo poder público, que tomaram a forma de comissões e conselhos técnicos.
A redemocratização Contradição entre apoio às democracias liberais contra o Eixo na 2ª G.M. (42) e Estado autoritário internamente. A sociedade organizada se mobiliza contra a ditadura: Manifesto dos Mineiros (1943: prazo do plebiscito que aprovaria Constituição de 1937). Intelectuais. OAB. Ato Adicional de reabertura do regime (fevereiro de 1945): UDN (inicialmente reúne todos os opositores de Vargas). PSD ( partido de Vargas para os ricos interventores). PTB ( partido de Vargas para os pobres burocracia sindical). PCB (revolução democrático-burguesa). Plano externo: fim da II Guerra Mundial, bipolarização e criação de instituições internacionais (ONU, FMI e Banco Mundial). O golpe militar de 29/10/1945.
De volta ao Brasil, soldado da FEB bebe uma Coca-Cola, 1945.
O queremismo Mobilização espontânea a favor da permanência de Vargas... Nós queremos Getúlio passa a Constituinte com Getúlio. Identificação de Getúlio com garantia de direitos sociais. Base social do movimento é incorporada ao PTB. Eleições presidenciais de 1945: 13,4% da população votam. Eurico Gaspar Dutra (PSD) vence com 55% dos votos; o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) alcança 35% e Yedo Fiúza (PCB) 10%. O País jamais não viu Uma eleição Verdadeira Com 6 milhões de eleitores Foi esta mesmo a primeira Todo globo mundial Gostou desse eleitoral Da nossa Pátria fogueira Rodolfo Coelho Cavalcante, A vitória do General Eurico Gaspar Dutra. Salvador, Dezembro de 1945.
Comício queremista no Largo da Carioca, 1945. Rio de Janeiro.
Esquema-resumo: Era Vargas (1930-1945) Tentaram retornar ao poder (1932) Getúlio Vargas cafeicultores setores urbanos oligarquias dissidentes Exército compra e queima café burguesia classes médias proletariado anticomunismo CLT Participação na 2ª Guerra Mundial Processo de industrialização CSN Intervenção do Estado na economia estatais planejamento