DECISÃO Agência Nacional de Aviação Civil - Brasil RELATÓRIO Trata-se de recurso interposto pela OCEANAIR LINHAS AÉREAS LTDA. face à decisão proferida em primeira instância desta Agência, nos autos do processo administrativo nº 625.284.102 em que a recorrente sofreu penalidade consistente na aplicação de multa no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), por infração ao disposto no art. 302, inciso III, alínea u do Código Brasileiro de Aeronáutica, c/c o disposto no artigo 22 da Portaria nº 676/GC5, de 13 de novembro de 2000, que dispõe sobre as Condições Gerais de Transporte. A infração imputada à recorrente foi capitulada no Auto de Infração nº 1660/SAC-BR/2007, lavrado em 19 de novembro de 2007, nos seguintes termos: Aos dezenove dias do mês de novembro do ano de 2007, às 16:00h local, no aeroporto/aeródromo Juscelino Kubitschek na cidade de Brasília-DF, comprovei a(s) seguinte(s) infração(s): A empresa aérea OCEAN AIR descumpriu o contrato de transporte aéreo para com o(a) Sr.(Srª) Sandra Regina Silva Couto, portador(a) do bilhete de passagem nº (localizador) 106171567, ao não tê-lo(a) embarcado(a) no vôo 1030, conforme horário previsto, na data de 03/09/07, em virtude de atraso de vôo. Devidamente cientificada, a interessada apresentou defesa de fls. 09, que, no entanto, não foi acolhida pelo órgão julgador. Em 10/02/2010, o órgão de primeira instância, por meio de parecer devidamente motivado, aplicou à recorrente penalidade pecuniária, no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), conforme anteriormente consignado. No prosseguimento do processo administrativo, a interessada foi comunicada acerca da decisão exarada nos autos do presente processo, conforme AR de fls.18 dos autos. Foi exercido o direito de vistas do processo, conforme certidão de fls. 13 dos autos. Inconformada com a penalidade pecuniária que lhe fora imposta, a interessada apresenta o presente recurso postulando a reforma da decisão. É o breve Relatório. VOTO DO RELATOR 1
Ante a regularidade e tempestividade, o presente recurso deve ser conhecido. Insurge-se a recorrente contra a penalidade pecuniária que lhe fora imposta, ao argumento de que inexiste, nos autos do processo, qualquer documento que comprove o vínculo contratual entre a reclamante e a empresa aérea autuada. Afirma que, por ocasião de sua defesa, havia explicitado que eventual responsabilidade pelo fato descrito no Auto de Infração deveria ter sido imputada à empresa aérea BRA, e não à recorrente, eis que a existência de acordo operacional entre ambas teria o condão de transferir a responsabilidade à empresa que efetivamente transportou a passageira. Reputa, assim, indevida a aplicação do disposto no artigo 259 do CBA. Com efeito, insiste a recorrente em afirmar que a penalidade administrativa deveria ter sido imposta à BRA, face ao cancelamento ou atraso do voo 1030. Conforme se depreende da leitura dos autos do processo, o fato gerador da lavratura do Auto de Infração consistiu no atraso do voo 1030, de Brasília para Cuiabá, do dia 03/09/2007. A análise das razões recursais deve ser antecedida de uma breve consideração acerca da decisão exarada nos autos do presente processo. Com efeito, no documento de fls. 11 dos autos, consta a decisão proferida, a qual se resumiu em um único verbo: multar. De acordo com o disposto no artigo 50 da Lei nº 9.784/99, que dispõe sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Publica Federal, as decisões que imponham sanções carecem de motivação. Referida motivação há que atender os preceitos legais, in verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV- dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V - decidam recursos administrativos; VI - decorram de reexame de ofício; VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. 1 o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Verifica-se, assim, que a decisão proferida pelo órgão de primeira instância não observou o princípio da motivação. Há, assim, vício de forma, que necessita ser sanado. Cumpre esclarecer que o parecer do analista está em consonância com o referido princípio, logo, poderia ter havido a simples ratificação do parecer anterior. De todo o modo, no presente caso, a decisão proferida está destituída de motivação, não podendo subsistir. Assim, com amparo no princípio da autotutela administrativa, determino o retorno dos autos à primeira instância a fim de seja proferida nova decisão que atenda ao dever de motivação, imposto pela lei supramencionada. Solicito, ainda, urgência no trâmite do presente processo, evitando-se, desta forma, a consumação da prescrição. 2
CONCLUSÃO Ante o exposto, determino o retorno dos autos à primeira instância. É como voto. Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2010. Susan Kennea de Melo Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC 3
CERTIDÃO DE JULGAMENTO Agência Nacional de Aviação Civil - Brasil AUTUAÇÃO PRESIDENTE DA SESSÃO: Dra. Ângela Onzi Rizzi Mat. nº. 1.585.088 ASSUNTO: Atraso de Voo Art.302, inciso III, alínea u do CBA, combinado com o artigo 22 das Condições Gerais de Transporte. CERTIDÃO Certifico que a Junta Recursal da AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL ANAC, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Junta, por unanimidade, determinou o retorno dos autos à primeira instância, nos termos do voto da Relatora. O Membro Julgador, Sr. Carlo André Leite, e a Presidente da Junta Recursal, Sra. Ângela Onzi Rizzi, votaram com a Relatora. Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2010 ÂNGELA ONZI RIZZI PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL 4
DESPACHO Agência Nacional de Aviação Civil - Brasil Encaminhe-se à Secretaria da Junta Recursal para que seja providenciado o retorno dos autos à primeira instância. Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2010. ÂNGELA ONZI RIZZI PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL 5