3 - O Programa Nuclear Brasileiro

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Transcrição:

66 3 - O Programa Nuclear Brasileiro O Programa Nuclear Brasileiro nasceu na década de 1940, logo após a Segunda Guerra Mundial. Em meados de 1950, o Brasil e os Estados Unidos firmaram dois acordos de cooperação na área nuclear: o primeiro foi o Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento de Energia Atômica com Fins Pacíficos, que previa a transferência ao Brasil de urânio altamente enriquecido para ser usado como combustível em reatores de pesquisa também fornecidos pelos EUA. O segundo acordo era chamado de Programa Conjunto para o Reconhecimento e a Pesquisa de Urânio no Brasil e previa a pesquisa e avaliação das reservas de urânio em solos nacionais e a posterior exportação do minério aos EUA. Em 1953, na presidência do CNPq, o almirante Álvaro Alberto acertou secretamente com a Alemanha a construção de três ultracentrífugas de tecnologia desenvolvida pelos nazistas, que seriam enviadas para o Brasil para o desenvolvimento dessa tecnologia no país. No entanto, antes de serem remetidas ao país, um vazamento de informações alertou os EUA, que utilizaram as tropas de ocupação posicionadas na Alemanha para apreendê-las. Com a criação do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) em 1951 e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) em 1956, o governo brasileiro passa a preparar uma política nacional de Energia Nuclear. A partir daí, foram criados estoques estratégicos de minérios nucleares, como o urânio, o nióbio e o tório. Em 1971, o país adquiriu um reator nuclear da Westinghouse, movido à urânio enriquecido, depois de um acordo com os EUA, no que viria a se tornar a primeira unidade da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, conhecida como Angra I. O contrato de compra representava apenas uma simples aquisição de equipamento, sem qualquer transferência de tecnologia.

67 "O Brasil adotou como tecnologia de reatores os reatores a água leve pressurizada (PWR), que usam como combustível urânio enriquecido até 3,5%". (GONÇALVES, 2008). O acordo nuclear Brasil-Alemanha Com o crescimento da demanda energética no país, o presidente Ernesto Geisel assinou o acordo nuclear Brasil-Alemanha, em 1975. A cooperação entre os dois países previa a instalação de oito usinas nucleares no Brasil até o ano 2000, mas por conta de diversos atrasos em seus cronogramas, e por outros motivos que trataremos no próximo tópico, apenas uma - Angra II -, foi concluída no prazo. Produzindo o dobro da quantidade de energia de Angra I (1.350 MW/h), a usina fornece apenas 13,5% dos 10.000 MW/h que o projeto original previa. Para legalizar esse acordo internacional o governo brasileiro foi obrigado a assinar um termo de compromisso com a Agência Internacional de Energia Atômica, no qual seria proibida a utilização da tecnologia com fins bélicos. Tal acordo não impedia que outros materiais fossem utilizados na fabricação de armas nucleares. O Programa do Nuclear da Marinha Desde 1979 a Marinha do Brasil desenvolve seu Programa Nuclear, cujo propósito é dominar a tecnologia necessária ao projeto e construção de um submarino com propulsão nuclear, arma com poder dissuasório maior que o do submarino convencional, por sua capacidade de operar quase indefinidamente sem depender da atmosfera. Este programa é dividido em dois grandes projetos: o Projeto do Ciclo do Combustível e o Projeto do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrico (LABGENE).

68 O Projeto do Ciclo do Combustível entrou em operação no final da década de 1970, quando foram iniciados os estudos para desenvolver, no Brasil, a tecnologia de separação isotópica, principal desafio tecnológico para a fabricação de combustível nuclear. Em 1982, foi construída a primeira ultracentrífuga, e, seis anos depois, foi inaugurada a primeira cascata de ultracentrífugas para a produção contínua de urânio enriquecido. Finalmente, em 2010, o país conquistou sua completa autonomia no ciclo do combustível nuclear, composto pelas fases de extração (do minério contendo urânio), redução (a óxido de urânio, ou Yellowcake), conversão (do Yellowcake para hexafluoreto de urânio), enriquecimento (separação do U 235 do U 238), reconversão (do gás em metal), fabricação de pastilhas e, finalmente, montagem de elementos combustíveis. Paralelamente ao Ciclo do Combustível, mas com algum atraso, foram iniciados os estudos relativos ao projeto LABGENE, buscando o desenvolvimento e construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica, totalmente projetada e construída no país, inclusive o reator. O projeto conseguiu desenvolver um reator que terá potência entre 11 e 15 MW elétricos (MWe), o suficiente para iluminar uma cidade de cerca de 20.000 habitantes. Esse projeto, por sua característica dual, também é um protótipo em terra do sistema de propulsão naval que, por sua vez, permitirá a capacitação necessária para adequá-lo ao submarino nuclear, cujo reator terá estimados 50 MWe. Em 2007 o governo brasileiro liberou verbas no valor de R$ 1,3 bilhão para a continuidade dos estudos e desenvolvimento do reator do submarino nuclear, a serem realizados até 2020. Em 2008, após a aprovação da Estratégia Nacional de Defesa, a Marinha do Brasil apresentou seu plano de reequipamento e modernização, a ser realizado até 2030, onde consta a necessidade de se construir seis submarinos nucleares para a vigilância de três áreas distintas, cada uma patrulhada por duas unidades.

69 Em 2009, o Brasil assinou contratos de cooperação estratégica com a França para a construção de um estaleiro, uma nova base naval, a construção de quatro novos submarinos convencionais e o projeto e a construção de um casco de submarino nuclear, a ser desenvolvido por técnicos militares brasileiros em conjunto com os militares franceses. Estes contratos estão avaliados em 6,8 bilhões de euros. Este reator do LABGENE servirá de base tanto para projetar os reatores para os submarinos como para os três primeiros reatores civis na faixa de 600 a 800 MW e que serão construídos, pelo planejamento da Nuclebrás, após a conclusão de Angra III. O plano é que no futuro as novas plantas nucleares civis brasileiras sejam de projeto brasileiro apenas, sem mais aquisições de usinas no exterior. O Programa Nuclear Paralelo Em 1979, devido à desmoralização do Programa Nuclear Brasileiro, deu-se início ao Programa Nuclear Paralelo, patrocinado pela Marinha, pelo Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). (Kuramoto e Appoloni, 2000). Este programa teve seu nascimento em um projeto eminentemente militar: nos anos 1970, durante o chamado milagre econômico, o regime militar procurou levar adiante o projeto Brasil Potência, injetando recursos no desenvolvimento em áreas consideradas estratégicas ao país, como a indústria bélica, a indústria aeronáutica, de informática, espacial, telecomunicações e nuclear. Problemas com a tecnologia de jato-centrifugação para o enriquecimento de urânio e a fiscalização internacional contra a proliferação de armas nucleares culminaram no pouco desenvolvimento do programa nesse período. Ao mesmo tempo, a Argentina crescia rapidamente no setor nuclear. Temendo a perda da supremacia nuclear na América do Sul foi projetado um programa paralelo e totalmente clandestino, às margens da fiscalização nacional e

70 internacional, cuja finalidade era desenvolver a tecnologia de ultracentrifugação para o enriquecimento de urânio. As três forças armadas deram início a estudos visando a construção de um submarino de propulsão nuclear, usando o urânio enriquecido como combustível. Experiências nessa área eram levadas a cabo pelo CTA (Centro de Tecnologia Aeronáutica), pela Marinha e pelo IPEN. Para manter o programa em sigilo, a despeito da vitória do PMDB (opositor ao regime) para o governo do estado de São Paulo, o IPEN foi transferido para o governo federal, subordinado à CNEN. A USP (Universidade de São Paulo) firmou um convênio com o Ministério de Minas e Energia, cujo objetivo era o desenvolvimento de aplicações pacíficas para a energia nuclear. Desse modo, dois programas coexistiam: um programa nuclear militar e um civil. Em 1982 registrou-se a primeira experiência de enriquecimento de urânio em ultracentrífugas construídas inteiramente no Brasil, com índice de 1,2%, ao passo que Angra I usava material com enriquecimento mínimo de 3%. Desde então, obteve-se uma sucessão de progressos nesse setor. A Aeronáutica, pretendendo seguir seu próprio caminho nas experiências com enriquecimento a laser, construiu, a partir de 1981, na Serra do Cachimbo, PA, covas e cisternas de até 320 metros de profundidade, com um a três metros de diâmetro, para testes nucleares e depósito de desejos radioativos. Preocupado com a rival Argentina, o presidente José Sarney divulgou em rede nacional, em 1987, que cientistas brasileiros haviam dominado a tecnologia de enriquecimento de urânio por ultracentrifugação, e, através do decreto-lei 2.464, de 31 de agosto de 1988, trouxe os projetos paralelos da clandestinidade para a oficialização e conhecimento da sociedade brasileira. Com este decreto, também estava determinado o término da construção das usinas de Angra II e III, além da construção de um reator em Iperó, SP, para servir de protótipo aos reatores do submarino nuclear.

71 Em 1989, o almirante Othon Pinheiro da Silva, diretor do Centro Experimental de Aramar, em Iperó, SP, previa o início da produção de urânio enriquecido a 20%, em escala comercial, a partir de 1990. Em setembro de 1990, o presidente Fernando Collor fechou a área de testes da Serra do Cachimbo, e, uma semana depois, anunciou às Nações Unidas que o Brasil rejeitava a ideia de qualquer teste que implicasse em explosões nucleares, afastando o país, definitivamente, do círculo de nações nuclearizadas. Cronologia do Programa Nuclear Brasileiro 1950 - Programa nuclear brasileiro que remonta à década de 1950 com a criação do CNPq, liderado na época pelo Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, que empresta seu nome à Central Nuclear de Angra dos Reis. 1953 - O governo brasileiro assinou com representantes da Societé des Produits Chimiques des Terres Rares um contrato de encomenda, na França, de usinas para obtenção de urânio nuclearmente puro. 1954 - O urânio metálico passou a ser produzido no Brasil. Logo, o governo brasileiro aumentou o interesse em desenvolver um programa nuclear próprio, a fim de deixar de ser um simples fornecedor de minério para a onipotente indústria nuclear dos países europeus. 1956 - O programa nuclear brasileiro teria começado, de acordo com a Folha de São Paulo, em Outubro de 1956, altura em que o então presidente Juscelino Kubitschek criou a Comissão Nacional de Energia Nuclear. 1957 - O primeiro reator da América Latina foi instalado no Instituto de Energia Atômica (IEA) hoje Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo, sob a coordenação do professor Marcello Damy. 1958 - O IEA-R1 foi o primeiro reator nuclear da América Latina, inaugurado no Brasil no dia 25 de janeiro de 1958 pelo então presidente Juscelino Kubitschek. O reator foi construido com a ajuda do governo norte-americano, dentro do programa Atoms for Peace.

72 1962 - Criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e estabelecimento do PND II (PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO), que incrementou um programa de uso energia nuclear no Brasil, em especial, com relação às usinas nucleares; era o programa nacional de desenvolvimento da energia nuclear. 1967 - Embora fosse um dos signatários do Tratado de Tlatelolco, que proibia armas nucleares na América Latina, o governo militar brasileiro, sem embargo, achava que a opção nuclear era crucial aos planos de segurança do país em longo prazo, porque permitia a transferência de tecnologia nuclear a um programa secreto de enriquecimento de urânio, com o código de Solimões (apropriadamente designado com o nome da cabeceira do Rio Amazonas). O objetivo era dominar todas as fases da produção de energia nuclear, inclusive aquelas para possível uso militar. 1968 - Primeiro programa organizado de Iniciação Científica no país, sob coordenação do Prof. Epaminondas S. B. Ferraz, sob o título de Curso de Introdução à Energia Nuclear na Agricultura, CIENA. 1971 - O Programa Nuclear Brasileiro entrou em sua fase comercial, com a encomenda de Angra 1, de 657 MW, à companhia americana Westinghouse. Angra 1 foi desde o início fonte de problemas. 1972 - A construção da usina Angra I tem início, em plena ditadura militar. 1973 - A Crise do Petróleo atingira fortemente o Brasil, então grande importador (cerca de 80% do consumo interno), o que levou o Governo a buscar ampliar as fontes alternativas de energia, tendo sido disponibilizados prioritariamente recursos para implantar e executar o Programa Nacional do Álcool, o Programa Nacional de Carvão e o Programa Nuclear Brasileiro. Houve também a preocupação de ampliar o aproveitamento hidrelétrico com Tucuruí, Itaipu entre outros. 1974 É criada a Nuclebrás, com o monopólio no setor nuclear, sobretudo nas pesquisas nucleares e minerais, como as jazidas de urânio. 1975 - É assinado o acordo nuclear Brasil-Alemanha, que inclui a prospecção e mineração de urânio, produção de reatores, enriquecimento de urânio, produção de elementos combustíveis e reprocessamento de combustível

73 irradiado. Previa inicialmente a construção de oito usinas nucleares com geração conjunta de 10.000 MWe. 1977 - O Livro Branco do Programa Nuclear Brasileiro é elaborado, com o objetivo de promover a construção de Reatores Nucleares para a geração de energia elétrica no Brasil a médio e longo prazo. 1978 - É criado o Instituto Brasileiro da Qualidade Nuclear (IBQN), organização sem fins lucrativos, com o objetivo de trazer para o Brasil as mais modernas técnicas de Garantia da Qualidade, contribuindo para o aperfeiçoamento tecnológico e gerencial das empresas e organizações brasileiras então envolvidas no Programa Nuclear Brasileiro (PNB). 1980 - Decreto 85565, de 18 de dezembro de 1980, regulamenta o Decretolei 1809, de 07 de outubro de 1980, que estabelece o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON). 1982 - Marco zero da entrada definitiva do país na era nuclear. Iniciou-se o funcionamento da unidade I da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto mais conhecida como Angra I. 1983 - Contrato assinado com a empreiteira Andrade Gutierrez, visando concluir a construção de Angra 3, depois de um longo debate sobre a conveniência de levar adiante o programa nuclear brasileiro. 1986 O acidente de Chernobyl abala a opinião pública mundial sobre energia nuclear. No Brasil, o presidente José Sarney vem a público, em pronunciamento oficial, informar que o país dominara o ciclo de enriquecimento de urânio com tecnologia 100% nacional. 1989 - Um estudo realizado pelo Congresso norte-americano concluiu que o Brasil produziu, graças ao Programa Nuclear Paralelo, um sistema para guiar mísseis que poderia tornar a próxima geração de mísseis do país idêntica aos que as superpotências possuiam. 1990 - Tem início a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, com a construção da usina nuclear Angra 2, que viabilizou projetos da INB como a implantação das fábricas de pó e pastilhas, o início da planta de enriquecimento de urânio e a abertura de nova mina de urânio, em Caetité (BA).

74 1994 - Brasil renuncia ao desenvolvimento de armas nucleares, e o objetivo do enriquecimento de urânio a 20% no país, é a fabricação de combustíveis que alimentam os reatores de radioisótopos. 1997 O Brasil, na pessoa do presidente Fernando Henrique Cardoso, assina o Tratado de Não Proliferação Nuclear, que o obriga, dentre outros, a aceitar inspeções internacionais em suas instalações nucleares e não desenvolver tecnologia nuclear com fins bélicos. 2004 - O Brasil proíbe inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado à ONU, de ter acesso ilimitado às instalações da fábrica de enriquecimento de urânio, gerando tensão internacional. O presidente Lula determinou que o governo iniciasse a revisão do Programa Nuclear Brasileiro, com vistas à retomada ou não dos projetos de construção de usinas. 2005 - A revisão do Programa Nuclear Brasileiro conta com planos de construção de outras duas grandes usinas e quatro geradoras de pequeno porte. 2006 - O Brasil entra para o seleto grupo de sete países que produzem e dominam a tecnologia de combustível nuclear. Isso foi alcançado com a inauguração da primeira unidade de enriquecimento de urânio por ultracentrifugadoras, de tecnologia nacional, instalada nas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende, na região sul fluminense, com capacidade de abastecer as usinas de Angra I e II e, futuramente, Angra III. 2007 - O Brasil anunciou o relançamento do seu Programa Nuclear após uma interrupção de vinte anos e a construção da sua terceira central atômica. 2008 - O governo publicou, no Diário Oficial da União, decreto que cria o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, sob responsabilidade da Casa Civil. O Brasil e a França assinam um grande acordo global na área de defesa, numa parceria que envolve aquisição de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear. 2009 O Governo Federal aportou R$ 1,3 bilhão, ao longo de dez anos, a para que a Marinha complete o desenvolvimento da tecnologia de reatores a serem usados no submarino nuclear e em pequenas centrais nucleares.

75 Enquanto isso, o Brasil é pressionado a assinar o protocolo adicional ao TNP, considerado por vários setores como gravemente intrusivo. 2010 - O programa nuclear brasileiro, assim como os desenvolvidos na Argentina, África do Sul e Índia, é considerado um dos mais avançados do mundo, e o país tem capacidade de enriquecer urânio a 20% de acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em maio, Brasil e Turquia conseguem assinatura de acordo para troca de combustível nuclear com o Irã. As reservas de urânio brasileiras O Brasil, segundo dados oficiais (INB - Indústrias Nucleares do Brasil S.A.), ocupa a sexta posição no ranking mundial de reservas de urânio (por volta de 309.000 ton. de U3O8). Segundo esta empresa, apenas 25% do território nacional foi objeto de prospecção, e as duas principais jazidas são a de Caetité, Bahia (mina Lagoa Real), e Santa Quitéria (Ceará). Descoberta em 1976, a mina de Caetité é feita a céu aberto, numa das 33 ocorrências localizadas numa faixa com cerca de 80 km de comprimento por 30 a 50 km de largura. Localizada a 20 km da sede do município, o complexo instalado produz um pó do mineral, conhecido por yellow cake. Esta reserva possui um teor médio de 3.000 ppm (partes por milhão), capaz de suprir dez reatores do porte de Angra 2 durante toda sua vida útil. A INB já tem planos de retomar as pesquisa geológica em busca do urânio em território nacional, e está em negociações com a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM) para que analise levantamentos aerogeofísicos realizados ao longo dos últimos vinte anos e selecione áreas para fazer detalhamentos, mapeamentos e sondagens. Em dois anos, será possível ter uma idéia muito mais clara das reais possibilidades de ampliação das reservas nacionais. Duas reservas já se mostram promissoras. A primeira é Rio Cristalino, no sul do Pará, que ainda carece de sondagens mais precisas para se definir qual é o

76 potencial verdadeiro da jazida. Estima-se que ela tenha cerca de 150 mil toneladas de urânio. A segunda é Pitinga, localizada a 280 km de Manaus. Trata-se de uma mina de estanho com urânio associado de propriedade do Grupo Paranapanema que, pelos cálculos da possui um potencial de cerca de 150 mil toneladas de urânio. Além disso, toda a área da Amazônia Legal (bacia sedimentar) apresenta enorme potencial para novas descobertas. Instalações nucleares estratégicas brasileiras Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto é formada pelo conjunto das usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e Angra 3, de propriedade da Eletronuclear, subsidiária das Centrais Elétricas Brasileiras - Eletrobrás. São o resultado de um longo Programa nuclear brasileiro que remonta à década de 1950 com a criação do CNPq liderado na época principalmente pela figura do Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, que lhe empresta o nome. Unidade de Concentrado de Urânio em Caetité - BA A Unidade de Concentrado de Urânio em Caetité - BA é um complexo míneroindustrial onde são conduzidas atividades de pesquisa mineral, lavra e processamento metalúrgico de minério de urânio, para produção de concentrado de urânio na forma de diuranato de amônio (DUA). O empreendimento está localizado no município de Caetité, no sudoeste do estado da Bahia, distando 45 km da sede municipal. A operação industrial está prevista para um prazo de 16 anos, para processamento de minério explorado da Jazida da Cachoeira - Anomalia 13, com teor médio de 2.900 ppm de U3O8, para produção anual de DUA de 300 toneladas em equivalente a U3O8. Em março de 2000 foi concedida a Autorização para Operação Inicial (AOI) do empreendimento.

77 Unidade de Tratamento de Minérios em Caldas - MG A Unidade de Tratamento de Minérios em Caldas - MG, anteriormente com a denominação Complexo Mínero-Industrial do Planalto de Poços de Caldas - CIPC, é o primeiro empreendimento de lavra e processamento de minério de urânio a operar no Brasil, estando localizado em local denominado Campo do Cercado. Compreende uma mina a céu aberto, bota-foras, instalações de tratamento de minérios, usina de processamento metalúrgico para produção de concentrado de urânio, bacia de rejeitos, área de utilidades industriais e fábrica de ácido sulfúrico. Existem também depósitos de armazenamento de torta II e mesotório. A usina foi projetada para uma produção anual de DUA de 500 toneladas em equivalente a U3O8. A lavra de minério de urânio teve início em 1977 e a operação da usina foi encerrada em 1995 por inviabilidade econômica. Neste período foram produzidos em torno de 1.200 toneladas de U3O8. Após o encerramento das atividades com minério de urânio, a INB vem buscando viabilizar o funcionamento das instalações da UTM com outros bens minerais. Desde 1998 encontra-se em licenciamento a produção de terras raras a partir da monazita pela rota de processo sulfúrica. A INB pretende também processar minérios contendo columbita e zirconita, além de outros concentrados contendo terras raras. Sistema de Gerenciamento de Rejeitos Sólidos de Angra 2 A Unidade II da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto - CNAAA II - Angra 2 teve concedida a Licença de Construção em novembro de 1981. Em março de 2000 foi concedida a Autorização para Operação Inicial (AOI) e em julho o reator alcançou sua criticalidade nuclear, o que marcou o início operacional da central nuclear. Angra 2 de tecnologia KWU/Siemens possui uma potência líquida de 1230 MW. O Sistema de Gerenciamento de Rejeitos Sólidos de Angra 2 destina-se ao processamento de rejeitos radioativos de médio e baixo níveis e acondicionamento para armazenagem inicial na usina anteriormente a deposição final.

78 Unidade de Produção de Hexafluoreto de Urânio O Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) trabalha em pesquisa e desenvolvimento, com o propósito de promover sistemas nucleares e energéticos para propulsão naval. As atividades do CTMSP atendem à decisão da Marinha pelo projeto e construção de um submarino, necessário à preservação dos interesses marítimos do nosso País. Para atender às necessidades experimentais do programa de pesquisa e desenvolvimento do CTMSP, funciona em Iperó, no interior de São Paulo, o Centro Experimental Aramar. Este Centro abriga instalações de testes, laboratórios de validação experimental e algumas oficinas especiais. Novas centrais nucleares Em julho de 2008, o Governo Federal criou o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro. A função do Comitê é fixar diretrizes e metas para o desenvolvimento do Programa e supervisionar sua execução. Para atender ao Plano Decenal de Energia - PDE 2007/2016, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a Usina Angra 3, com capacidade de produzir 1.405 MWe, deverá entrar em operação em 2015, concluindo assim a implantação da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Já o Plano Nacional de Energia (PNE 2030) que subsidia o Governo na formulação de sua estratégia para a expansão da oferta de energia até 2030 aponta a necessidade de o sistema elétrico brasileiro ter mais 4.000 MW de origem nuclear até 2025.

79 O Comitê, então, apresentou a necessidade da construção de mais quatro usinas nucleares com capacidade de 1.000 MW cada, sendo duas no Nordeste e outras duas no Sudeste. Conforme a evolução futura da necessidade de expansão da oferta de eletricidade existe a possibilidade de construção de mais usinas. Cronograma 2008: início da seleção de local para a Central Nuclear do Nordeste 2010: seleção do local para a Central Nuclear do Nordeste 2019: início da operação da primeira usina Central Nuclear do Nordeste 2021: início da operação da segunda usina da Central Nuclear do Nordeste O futuro da energia nuclear no Brasil Os novos reatores nucleares nacionais Técnicos do governo federal estão detalhando o projeto daquele que será o maior reator nuclear de pesquisa da América Latina. Orçado inicialmente em US$ 500 milhões, o Reator Multipropósito Brasileiro tem o objetivo de tornar o país independente na produção de isótopos radioativos para medicina. O reator, de 20 megawatts (quatro vezes a potência do principal instrumento do gênero em operação no Brasil), deverá começar a ser montado em 2010. O provável local onde será construido e operado é o Centro Experimental de Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, onde a Marinha projeta seu submarino nuclear. O novo reator também deverá ser parte integrante do programa brasileiro de energia nuclear, uma vez que poderá servir de modelo para futuros reatores de fissão a serem desenvolvidos no país, incluindo o modelo a ser usado nos submarinos nucleares da Marinha.

80 Após Angra III, o governo planeja fazer mais quatro usinas. Hoje o Brasil fabrica o próprio combustível nuclear e importa uma série de materiais, mas a expansão do programa demandará investimentos em mais tecnologia nacional. Foram afastadas as preocupações com proliferação atômica. O combustível para o novo reator terá urânio enriquecido a 20%, limite aquém do qual é possível fabricar uma bomba, que é 95%. Além disso, todas as instalações nucleares do Brasil estão sob inspeção internacional da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), não havendo dúvida quanto às intenções do país. A Fusão Nuclear O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, assinou em 07/11/2006, no Instituto de Física da USP Universidade de São Paulo, a portaria que cria uma Rede Nacional de Fusão. A iniciativa pretende reunir, inicialmente, 80 pesquisadores de 16 instituições nacionais para desenvolver pesquisas na área de tecnologia de fusão nuclear. Embora a tecnologia da fusão nuclear só venha a ter aplicações práticas em 30 ou 40 anos, o Brasil precisa estar preparado para quando isso ocorrer. Adalberto Fazzio, presidente da SBF, diz que o objetivo da RNF é promover o avanço da pesquisa em fusão nuclear no Brasil, desenvolvendo capacitação científica e técnica, necessárias para a viabilização da tecnologia como fonte de energia. A fusão nuclear controlada teve sua viabilidade científica demonstrada nos anos 90, com equipamentos denominados tokamaks pequenos reatores onde ocorre a fusão de núcleos atômicos. Os primeiros experimentos foram realizados na Europa, com o JET Joint European Torus e, nos Estados Unidos, com o TFTR Tokamak Fusion Test Reactor. O próximo desafio é desenvolver reatores grandes o suficiente para gerar energia para abastecimento público. Já existe projeto de um protótipo de reator de

81 fusão nuclear chamado ITER International Thermonuclear Experimental Reactor, que será construído na França. O protótipo é resultado da colaboração internacional entre a Comunidade Européia, Rússia, Japão e Estados Unidos. Recentemente, China, Coréia do Sul e Índia juntaram-se ao grupo. A intenção do Brasil é ir gradualmente se integrando ao Iter, revelou Rezende em comunicado à imprensa. O Brasil já vem realizando pesquisas na área há cerca de 30 anos, com grupos de cientistas em várias instituições. A RNF pretende coordenar e ampliar essas atividades, estabelecer prioridades e gerenciar as colaborações internacionais. Com a RNF, o Brasil pretende desenvolver tecnologias próprias e ingressar no esforço internacional que busca viabilizar o uso da fusão nuclear em larga escala. Para o futuro, está prevista a criação de um Laboratório Nacional de Fusão.

Anexos 82

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85 Fig. 1 - Yellowcake, concentrado de Urânio (U3O8) Fig. 2 - Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro

86 Fig. 3 - Centro Experimental Aramar, em Iperó, São Paulo Fig. 4 - Maquete do Submarino Nuclear Brasileiro

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