Neurodinâmica do Mercado de Ações Armando Freitas da Rocha Eina Estudos em Inteligência Natural e Artificial Rua Tenente Ary Aps, 172 13207-110 Jundiaí Fone: (11) 4535-1414 Direitos Reservados: Eina The english version of this paper will be available in the near future
A flutuação dos preços das ações contrasta com a maior estabilidade dos certificados bancários e títulos governamentais, e não só afeta a decisão do investidor individual como também a economia em larga escala. De tempos em tempos, o nível de ruído no mercado financeiro aumenta significativamente, e os investidores provocam desvios significativos dos preços nesse mercado. Um otimismo exagerado induz um crescimento injustificado dos índices nas bolsas, enquanto que o pessimismo dirige o raciocínio durante os períodos de crise. A figura 1A mostra a variação de preços no pregão Bovespa no desde 2007 até a presente data, que pode ser utilizada para ilustrar essas oscilações do mercado financeiro. Figura 1 Evolução do índice Bovespa entre 3 de janeiro de 2007 e 18 de junho de 2010. Fechamento: valor real do índice. Simulado: valor obtido pelo modelo neuroeconômico Esse comportamento do mercado financeiro entra em choque com os modelos acadêmicos, tais como a Teoria da Eficiência do Mercado, Teoria Moderna de Portifólio, etc., que não conseguem modelar adequadamente as oscilações importantes de preço das ações que se verificam com certa freqüência. 2
A neuroeconomia surgiu com a combinação de esforços das neurociências e ciências econômicas com o intuito de melhor conhecer a dinâmica da tomada de decisão em situações normais e de crise, procurando enteder os mecanismos neurais envolvidos nas análises de benefício e risco. É uma área franca evolução e que tem gerado contribuições importantes para a compreensão do comportamento econômico do homem modelado como resultado de uma interação complementar entre razão e emoção. Nas últimas décadas a Neuroeconomia tem coletado uma série de evidências de que os investidores desrespeitam muitos dos preceitos da Hipótese de Mercados. Investidores nem sempre são racionais nas suas decisões financeiras, isto é, nem sempre maximizam a utilidade da aplicação financeira. A influência da emoção na tomada de decisão tem sido utilizada para explicar esse desvio da otimização. Rocha et al (2010) desenvolveu um modelo neuroeconômico modelar o pregão, que tem sido capaz de descrever adequadamente a variação dos índices em cerca de 20 bolsas estudadas. A figura 1 mostra os resultados dessa simulação para o índice Bovespa. No último mês de maio, o mercado financeiro mundial viveu dias de pânico com a volatididade dos negócios, que se exacerbou com o episódio da bolsa de Nova York: O que parecia ser um dia ruim nos mercados mundiais ontem, acabou se tornando péssimo. Por volta das 15h00 de ontem (horário de Brasília) o índice Dow Jones fez um movimento atípico de queda. Em quinze minutos o índice caiu quase 7%, além do movimento de queda que vinha apresentando no dia. Nos próximos quinze minutos seguintes o índice Dow Jones praticamente recuperou toda a queda, deixando os investidores sem entender o que estava acontecendo.. A provável causa segundo Larry Leibowitz, diretor de operações da Bolsa de Valores de Nova York, foi um erro no sistema de negociação de alguma grande firma de investimento, ocasionando 19 trades serem registrados a um centavo cada, em um intervalo de sete segundos. É a chamada teoria dos dedos gordos, pois aparentemente um operador desastrado, com "dedos gordos", digitou bilhões em vez de milhões e, com isso, acarretou "a grande quebra das 14h42". que rápidamente se propagou para outras bolsas, incluindo a BMFBovespa. A figura 2 mostra o evento. 3
Figura 2 O episódio dos dedos gordos em 06/05 nas bolsas de Nova York e São Paulo. Fechamento: valores reais dos índice. Simulados: valores calculados pelo modêlo neuroeconômico. Embora o episódio tenha tido, aparentemente uma origem em um erro de programação, a comparação dos dados reais e simulados na figura 2, mostra que já havia uma tendência, nas duas bolsas, de queda acentuada dos índices cerca de 180 minutos antes do evento. Nesse período, os valores reais estavam em queda em Nova York e estáveis em São Paulo, mas os valores simulados começaram a se distanciar dos valores reais, convergindo para os valores reais ocorridos após 15 minutos, nos quais as bolsas se reajustaram ao erro cometido. 4
A partir desses resultados, pode-se hipotetizar que mercado estava bastante instável no dia 6 de maio e que iria sofre forte queda, que foi acelerada pelo episódio dos dedos gordos. A simulação aqui realizada é a de eventos sequencias, e não leva em consideração os tempos reais entre os momentos de oferta de venda e compra e aquele de fechamento. Para a simulação aqui realizada, não importa a duração em segundos ou minutos entre eventos de fechamento de negócios, mas sim seu sequenciamento. Seria muito importante, entretanto, para o compreensão da dinâmica do pregão, que se realizasse um estudo levando em consideração os valores reais de tempo entre os evento de oferta de compra e venda e aquele de fechamento da transação. Para isso seria necessário o acesso em tempo real aos dados primários do pregão da BMFBovespa. 5