Justiça Federal da 1ª Região PJe - Processo Judicial Eletrônico Consulta Processual 30/11/2015 Número: 1005005-78.2015.4.01.3400 Classe: MANDADO DE SEGURANÇA Órgão julgador: 16ª Vara Federal da SJDF Última distribuição : 21/07/2015 Valor da causa: R$ 1000.0 Assuntos: Irredutibilidade de Vencimentos Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? SIM Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM Partes Tipo Nome ADVOGADO FISCAL DA LEI IMPETRANTE IMPETRADO IMPETRADO MAX ROBERT MELO Ministério Público Federal JACIR JORGE RACINOSKI Coord. De Gestão de Pessoas Keila Evangelista UNIÃO FEDERAL Id. 28683 8 Data da Assinatura Documento Documentos 16/11/2015 18:35 Sentença Tipo B Sentença Tipo B Tipo
Seção Judiciária do Distrito Federal 16ª Vara Federal da SJDF SENTENÇA TIPO "B" PROCESSO: 1005005-78.2015.4.01.3400 CLASSE: MANDADO DE SEGURANÇA (120) IMPETRANTE: JACIR JORGE RACINOSKI IMPETRADO: COORD. DE GESTÃO DE PESSOAS KEILA EVANGELISTA, UNIÃO FEDERAL SENTENÇA Trata-se de mandado de segurança, com pedido liminar, impetrado por JACIR JORGE RACINOSKI contra ato atribuído à COORDENADORA GERAL DE ADMINISTRAÇÃO DE PESSOAS DO MAPA, objetivando a anulação da notificação de nº 623/2015/SPOA/CGAP/SE/MAPA, que determinou a redução do salário do impetrante, mantendo o salário atual sem qualquer redução, bem como a manutenção dos níveis conseguidos pelo Impetrante desde o seu retorno, ainda que seja realizada a migração da tabela CLXX da Medida Provisória 441/2008 convertida na Lei nº 11.907/009 para a tabela anexa do Decreto de nº 6.657/2008. Em síntese, afirmou que a redução salarial determinada é decorrência exclusiva da má interpretação pelo MAPA quanto à situação do servidor, motivo pelo qual viola o art. 5º, LV, art. 7º, IV, art. 37, XV, todos da Constituição Federal de 88, e art. 53 da Lei nº 9.784/99. Com a inicial, vieram documentos. O pedido de liminar foi deferido em parte em 29/07/2015, tendo a União interposto agravo de instrumento, o qual foi autuado sob o n. 1001463-67.2015.4.01.0000 e ainda aguarda decisão. A autoridade coatora apresentou informações. O Ministério Público eximiu-se de opinar. Vieram os autos conclusos para sentença. É o relatório. DECIDO. FUNDAMENTAÇÃO Por meio da presente demanda, pleiteia o impetrante a anulação da notificação de nº 623/2015/SPOA/CGAP/SE/MAPA, que determinou a redução do salário do impetrante, mantendo o salário atual sem qualquer redução, bem como a manutenção dos níveis conseguidos pelo Impetrante desde o seu retorno, ainda que seja realizada a migração da tabela CLXX da Medida Provisória 441/2008 convertida na Lei nº 11.907/009 para a tabela anexa do Decreto de nº 6.657/2008. Num. 286838 - Pág. 1
Mantenho o mesmo entendimento adotado quando do exame do pedido liminar. Com efeito, a redução nominal de salários, remuneração, proventos ou pensão, mesmo que a título de reposição ao Erário, é inconstitucional e ilegal, segundo jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, como se depreende da ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL. ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO QUE EXCLUIU OCORRÊNCIA DE EFEITO CASCATA. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA IRREDUTIBILIDADE SALARIAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A orientação jurisprudencial do STJ, em face do art. 37, inc. XIV, da CF, já se manifestou pela impossibilidade de cumulação de benefícios e de vantagens pecuniárias para fins de concessão de acréscimos ulteriores. 2. Ademais, tanto a orientação jurisprudencial do STF quanto a do STJ são pela inexistência de direito adquirido a regime jurídico, de tal modo que os critérios de vencimentos e proventos podem ser modificados, desde que não haja diminuição no valor nominal percebido pelo servidor público. 3. A par dessas premissas jurídicas, ressalta-se que o exame dos autos revela a inexistência de redução nominal do salário percebido pelos ora impetrantes, conforme destacado pelo próprio Tribunal de origem. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no RMS 46.276/MS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/2015, DJe 02/03/2015) Ademais, nada obstante o argumento da Administração no sentido de que não se trata de redução salarial, tendo em vista que era provisório o enquadramento na tabela da Medida Provisória nº 441/2008, certo é que é o impetrante nada fez para concorrer com a situação, constatada, assim, a boa-fé do beneficiado. Nesse caso, o entendimento jurisprudencial adotado pelo colendo STJ no sentido de que aquele que recebeu de boa-fé valores decorrentes de erro da Administração Pública, não está obrigado a restituí-los, a meu sentir, pode ser aplicado, analogicamente, na hipótese em tela. Confira-se, nesse sentido, o seguinte aresto: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA E ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM AFASTADAS. EMPREGADO PÚBLICO APOSENTADO DA ECT. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVER O ATO. INEXISTÊNCIA. Num. 286838 - Pág. 2
REVISÃO DE APOSENTADORIA. EQUÍVOCOS NO PAGAMENTO. DESCONTOS. OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS. IMPOSSIBILIDADE. PRESUNÇÃO DE BOA FÉ. CARÁTER ALIMENTAR DA VERBA. (...) 6. Contudo, não obstante a comprovação de irregularidades no enquadramento do impetrante, que culminou na redução de seu benefício e na exigência de devolução dos valores percebidos a maior, geradores do complemento negativo noticiado a fls. 27, constata-se que o fato decorreu de erro da própria Administração, sem que o servidor tenha concorrido para a obtenção do resultado, militando a seu favor a presunção de boa fé relativamente à percepção das verbas remuneratórias, de natureza alimentar.por conseguinte, deve ser afastado o ônus do servidor de repor ao erário a verba recebida indevidamente. Precedentes. 7. Apelações da ECT, da União e remessa parcialmente providas, para afastar a decadência e a exigência de devolução dos valores pagos a maior ao servidor. (AMS 200138000195883, JUÍZA FEDERAL ADVERCI RATES MENDES DE ABREU, TRF1-3ª TURMA SUPLEMENTAR, e-djf1 DATA:26/10/2012 PAGINA:543, grifamos) No mesmo sentido, entendimento do Tribunal de Contas da União: Súmula n. 249: É dispensada a reposição de importâncias indevidamente percebidas, de boa-fé, por servidores ativos e inativos, e pensionista, em virtude de erro escusável de interpretação de lei por parte do órgão/entidade, ou por parte de autoridade legalmente investida em função de orientação e supervisão, à vista da presunção de legalidade do ato administrativo e do caráter alimentar das parcelas salariais. Dessa forma, a pretensão da parte impetrante merece ser acolhida. DISPOSITIVO Ante o exposto, concedo a segurança para determinar a anulação da notificação de nº 623/2015/SPOA/CGAP/SE/MAPA, que determinou a redução do salário do impetrante, mantendo o salário atual sem qualquer redução, bem como a manutenção dos níveis conseguidos pelo Impetrante desde o seu retorno, ainda que seja realizada a migração da tabela CLXX da Medida Provisória 441/2008 convertida na Lei nº 11.907/009 para a tabela anexa do Decreto de nº 6.657/2008. Sem custas. Sem honorários (Súmula 105, STJ). Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Brasília, 16 de novembro de 2015. CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH Juíza Federal em auxílio na 16ª Vara da SJ/DF Num. 286838 - Pág. 3
BRASíLIA, 16 de novembro de 2015. Num. 286838 - Pág. 4