1 CAPÍTULO 7 CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS 7.1 Conclusão Ao término deste trabalho foi possível concluir que os objetivos iniciais propostos foram alcançados. Foram identificados vários fatores que influenciam nas propriedades físicas, mecânicas e na microestrutura do concreto. Analisando os resultados na sua totalidade pode-se tirar algumas conclusões. A utilização do pó de pedra no concreto convencional é perfeitamente viável em substituição parcial. Nas porcentagens utilizadas na pesquisa não apresentou diferença significativa nos resultados de resistência à compressão obtidos em relação ao uso da areia 100% natural. As misturas de 15 % de pó de pedra com 85% de areia natural e 30 % de pó de pedra com 70% de areia natural apresentam curvas granulométricas próximas da zona ótima. Curvas granulométricas situadas na zona ótima são curvas contínuas ou bem graduadas,ou seja, as frações menores existem em quantidade suficiente para preencher os vazios entre as partículas maiores, propiciando o menor volume de vazios possível. A forma da curva granulométrica do pó de pedra não é ótima e apresenta uma grande quantidade de material menor que 0,3 mm o que dificulta seu uso em substituição total a areia natural. Um dos maiores problemas para a utilização do pó de pedra como agregado miúdo em 100% é a quantidade de materiais pulverulentos (material passante na peneira 75 µm) que fica em torno de 11%. Não houve diferença significativa na massa específica do concreto com a utilização do pó de pedra nas porcentagens de 0 %, 15 % e 30 %. Os valores encontrados estão em conformidade com os valores previstos na NBR 6118 (2003) para concretos estruturais convencionais. O fator água/cimento influenciou a resistência à compressão, sendo que os valores mais baixos foram obtidos para o fator água/cimento mais alto (0,56). Estes valores com média de resistência à compressão em torno de 26 MPa possibilita seu uso como concreto estrutural. A porcentagem de pó de pedra utilizado (0 %, 15 % e 30 %) e a interação do fator água/cimento e a porcentagem de pó de pedra utilizada não tiveram influência sobre a propriedade mecânica resistência à compressão.
2 A variação do fator água/cimento (0,52, 0,54 e 0,56) foi pequena apesar da trabalhabilidade ter variado bastante, indicando consistência seca até fluida para o concreto. Esta variação de consistência aconteceu devido ao uso do aditivo plastificante. De forma geral a resistência à compressão com sete dias comportou-se de forma semelhante à resistência à compressão com vinte oito dias em relação a influência dos fatores pó de pedra e fator água/cimento. A validade do modelo estatístico fatorial com dois fatores utilizado para a análise da propriedade resistência à compressão foi comprovado pelo estudo da probabilidade normal de resíduos. Pela análise da microestrutura foi comprovada a má aderência entre o agregado graúdo e a argamassa, fato comum nos concretos convencionais. 7.2 Trabalhos futuros Para um melhor esclarecimento de alguns assuntos não abordados ou tratados de forma superficial nesta pesquisa, são sugeridos alguns temas para trabalhos futuros: utilizar misturas de pó de pedra com areia natural em porcentagens diferentes das utilizadas neste trabalho com o objetivo de comprovar sua influência na resistência à compressão; realizar um planejamento fatorial com mais níveis ou com mais fatores, uma sugestão seria adotar como fator o traço do concreto. Poderiam ser utilizados um traço mais pobre, o normal e um mais rico em consumo de cimento; substituir o pó de pedra pela areia de brita, material com menor quantidade de material pulverulento e que poderia ser utilizado em substituição total a areia natural no concreto convencional; realizar um estudo econômico da utilização das frações finas de britagem em concretos convencionais na região de Joinville-SC.
3 REFERÊNCIAS ALMEIDA, I. R.; Concretos dosados em central com areia 100% artificial. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. ALMEIDA, S. L. M.; SILVA V.S. Areia artificial: Uma alternativa econômica e ambiental para o mercado nacional de agregados. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. ALVES, J. D.; SOUZA, R. A. A. Concretos de alto desempenho com adição de finos de micaxisto. In: 49 CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO. Bento Gonçalves RS. 2007. BALLIM, Y.; GRAHAM, P.C. Early-age heat evolution of clinker cements in relation to microstruture and composition: implications for temperature developmente in large concrete elements. Cement and Concrete Research, v.26, n.5, p. 417-426, 2004. BASTOS, S. R. B. Uso da areia artificial basáltica em substituição parcial a areia fina para a produção de concretos convencionais. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. BASTOS, P. K. X.; NETO, F. A.; CARVALHO JR., C. H.; BARROS C. E. P. Argamassas de revestimento compostas com areia de brita A experiência de Juiz de Fora / MG. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. BAUER, L.A. Materiais de construção. Rio de Janeiro: LTC, 1995. BOSILJKOV, V. B. SCC mixes with poorly graded aggregate and high volume of limestone filler. Cement and Concrete Research, v.33, p.1279-1286, 2003.
4 BOUSO, J. L. Aproveitamento das areias finas produzidas em plantas de tratamento de pedras e areias e sua importância no impacto ambiental. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. BRUM FILHO, G. P.; BERTOCINI, S. R. O uso de areia de britagem da pedreira Financial em concretos convencionais Campo Grande MS. In: 48 CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO. Rio de Janeiro - RJ. 2006. COSTAS, D. W. DA; CARANJO D.; BASTOS, S. R. B.; SOUZA, W. A. Influência da granulometria do agregado miúdo na produção de concretos convencionais. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. CUCHIERATO, G. Caracterização tecnológica dos resíduos de mineração de agregados da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), visando seu aproveitamento econômico. 2000. 201 f. Dissertação (Mestrado em Geociências) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000. CUCHIERATO, G. A sustentabilidade na indústria da pedra britada através da otimização de resíduos. In: VI SEMINÁRIO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A RECICLAGEM NA CONSTRUÇÃO CIVIL. Tema 4: Resíduos Sólidos e Meio Ambiente: Indústria, Mineração e Construção Civil. 2003. D`AGOSTINO, L. Z.; SOARES, L. Preparo de argamassas com emprego de finos de pedreira. In: SEMINÁRIO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A RECICLAGEM NA CONSTRUÇÃO CIVIL, PRÁTICAS RECOMENDADAS, IV. IBRACON. Comitê Técnico 206. Meio Ambiente. 2001. D`AGOSTINO, L. Z.; SOARES, L. Diferentes tipos de areia no preparo de argamassa: Principais características. In: 10 CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA DE ENGENHARIA E AMBIENTAL. Ouro Preto - MG. 2002. DONZA, H.; CABRERA, O.; IRASSAR E. F. High-strength concrete with different fine aggregate. Cement and Concrete Research, v.32, p.1755-1761, 2002.
5 ELSHARIEF, A.; COHEN, M. D.; OLEK, J. Influence of aggregate size, water cement ratio and age on the microstructure of the interfacial transition zone. Cement and Concrete Research, v. 33, p.1837-1849, 2003. EQUIPE DE FURNAS. Concreto: massa, estrutural, projetado e compactado com rolo: Ensaios e propriedades. São Paulo: Pini, 1997. FRIGULHA, T.; SOARES, L. Características tecnológicas de areias produzidas a partir de britagem de rocha. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. GONÇALVES, J. P.; TOLEDO FILHO, R.D.; FAIRBAIRN, E. M. R.; TAVARES L. M. M.; CUNHA E. R. Argamassas produzidas com finos de britagem e areia industrial. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. GONÇALVES, J. P.; TOLEDO FILHO, R.D.; FAIRBAIRN, E. M. R.; TAVARES L. M. M.; CUNHA E. R. Concretos produzidos com areia industrial. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. HELENE, P.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. São Paulo: Pini, 1993. 348 p. HO, B. W. S.; SHEINN, A. M. M.; NG, C. C.; TAM, C. T. The use of quarry dust for SCC applications. Cement and Concrete Research, v.32. p. 505-511, 2002. IBRACON. Materiais de Construção Civil e Princípios de Ciência e Engenharia de Materiais. São Paulo: G. C. Isaia, 2007. 2v. LEMOS, P. E.; TRIGO, A. P. M.; AKASAKI, J. L., MELGES, J. L. P.; GIROTTO, L. S.; MENOSSI, R. T. Estudo de dosagens de concretos com pó de pedra basáltica e
6 resíduos de borracha de pneus. In: 49 CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO. Bento Gonçalves - RS. 2007. LOPES, L. S. Caracterização de Areia Basáltica Proveniente de Resíduos da Britagem do Basalto para Uso em Concretos. 2002. 92 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) Universidade Luterana do Brasil, 2002. METHA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. São Paulo: Pini, 1994. 573 p. MONTGOMERY, D. C. Design and analysis of experiments. USA: John Wiley and Sons, 1997. 701 p. MONTGOMERY, D. C.; RUNGER, G. C. Estatística aplicada e probabilidade para engenheiros. Rio de Janeiro: LTC, 2003. 463 p. NBR NM 46: Determinação do material fino que passa através da peneira 75 µm, por lavagem. Rio de Janeiro: ABNT, 2001. NBR NM 49: Agregado miúdo Determinação de impurezas orgânicas. Rio de Janeiro: ABNT, 2001. NBR NM 51: Agregado graúdo Ensaio de abrasão Los Ángeles. Rio de Janeiro: ABNT, 2000. NBR NM 52: Agregado miúdo Determinação da massa específica e massa específica aparente. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. NBR NM 53: Agregado graúdo Determinação de massa específica, massa específica aparente e absorção de água. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. NBR NM 67: Concreto Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone. Rio de Janeiro: ABNT, 1998.
7 NBR NM 79: Preparação de concreto em laboratório. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. NBR NM 101: Concreto Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. de Janeiro: ABNT, 1996. Rio NBR NM 248: Determinação da composição granulométrica. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. NBR 5738: Concreto Procedimento para moldagem e cura de corpos-de-prova. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. NBR 7218: Agregados Determinação do teor de argila em torrões e materiais friáveis. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. NBR 7251: Agregado em estado solto Determinação da massa unitária. Rio de Janeiro: ABNT, 1982. NBR 7809: Agregado graúdo Determinação do índice de forma pelo método do paquímetro Método de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 2006. NBR 9778: Argamassa e concreto endurecidos Determinação da absorção de água, índice de vazios e massa específica. Rio de Janeiro: ABNT, NEUFELD, J. L. Estatística aplicada à administração usando excel. São Paulo: Prentice Hall: 2003. 434 p. NEVILLE, A. M. Propriedades de concreto. São Paulo: Pini, 1997. 738 p.
8 NOGUEIRA, M. C. D.; TOLEDO FILHO, R. D.; FAIRBAIRN, E. M. R.; TAVARES L. M. M.; CUNHA, E. R. Comparando argamassas produzidas com areias fluviais e com finos de pedreiras. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. QUITETE E. B.; FRAZÃO E. B. Formato e rugosidade das partículas de britagem. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. REIS, R. J. P.; Influência do beneficiamento, por peneiramento, de areias de rio e artificiais, nas características mecânicas do concreto de cimento Portland. In: II SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. SÁ, J. A. G. Análise de Valor e Avaliação do Ciclo de Vida: Bases para um Modelo de Apoio à Decisão para Aproveitar Rejeitos de Pedreiras. 2004. 146f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2004. SALAS, F. R. P.; BERTOCINI, S. R. O uso de areia artificial britada em concretos de alto desempenho. In: 48 CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO. Rio de Janeiro - RJ. 2006. SANTOS, A. F. T. Estudo de Dosagem de Concreto Estrutural com a Utilização de Areia Industrial Basáltica na Região de Passo Fundo-RS. 2003, 110 f. Dissertação ( Mestrado em Engenharia Civil) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003. SHREVE, R. N.; BRINK JR., J. A. Indústria de processos químicos. Rio de Janeiro:Guanabara, 1997. 717 p. SILVA, M. R. Materiais de Construção. São Paulo: Pini, 1991. SILVA, N. G. da; BUEST, G.; CAMPINELLI, V.C. A influência do filler de areia britada de rocha calcária nas propriedades de argamassa de revestimento. In: II
9 SUFFIB- SEMINÁRIO: O USO DA FRAÇÃO FINA DA BRITAGEM. São Paulo. TERRA, L. E. M. Finos de pedreira para confecção de concreto estrutural práticas recomendadas. In: SEMINÁRIO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A RECICLAGEM NA CONSTRUÇÃO CIVIL: PRÁTICAS RECOMENDADAS. São Paulo. 2000. TOPÇU, I. B.; UGURLU, A. Effect of the use of mineral filler on the properties of concrete. Cement and Concrete Research, v.33, p.1071-1075, 2003.