classicismo história da literatura



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Transcrição:

CONTEXTO HISTÓRICO.: O Classicismo é a expressão literária de um movimento mais amplo - o Renascimento - que envolveu as artes, a ciência e a cultura em geral. O Renascimento surgiu na Itália e se espalhou por toda a Europa durante os séculos XV e XVI. Foi um movimento de renovação cultural - marcado pela passagem da tradição feudal para o mundo capitalista burguês e o reencontro com a cultura clássica grecoromana - que inaugurou a era moderna. O contexto econômico é marcado pela Revolução Comercial e pelo crescimento da burguesia, impulsionado pelo comércio com o Oriente, que gerou o ressurgimento das cidades, a consolidação da vida urbana, a crescente circulação de moedas, a necessidade da mão-de-obra assalariada para o campo (com o aumento da produção agrícola) e o fim da servidão, acabando com a economia fechada e descentralizada do feudalismo. A expansão marítima e a descoberta da América por Colombo (1492) fazem nascer o mercantilismo e o colonialismo. Houve um incentivo à ciência naval, intercâmbio comercial e crescimento cultural. As expedições oceânicas alargaram a visão do homem europeu, colocando-o em contato com povos de culturas diferentes (Universalismo). O poder econômico da burguesia também teve reflexos no campo político, culminando com uma aliança rei-burguesia que acarretou o fortalecimento da monarquia com a centralização política e a formação dos Estados modernos. As transformações político-econômicas têm reflexos diretos no poder da Igreja, culminando na Reforma e Contra-Reforma. A Reforma Protestante iniciou-se na Alemanha (1527), com as críticas de Martinho Lutero à prática religiosa da Igreja, que se afasta do princípio da salvação pela fé para vender indulgências. A Igreja Católica de Roma reagiu com a Contra-Reforma (também chamada de Reforma Católica). 1

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS.: A Era Clássica foi o período que se estendeu até o séc. XVIII com o interesse pela cultura clássica greco-latina e a imitação de seus autores, introduzida pelo Classicismo (séc. XVI) e seguida pelo Barroco (séc. XVII) e pelo Arcadismo (séc. XVIII). De maneira geral, pode-se dizer que o Classicismo se traduz no estudo, tradução, recuperação e difusão da cultura greco-romana. Ou seja, a arte renascentista está voltada para dois horizontes: de um lado, os modelos da cultura clássica greco-latina, fonte de inspiração para humanistas e renascentistas; de outro o seu próprio tempo, na qual o espírito de aventuras trazido pelas navegações apresenta um homem que desafia os limites do mundo conhecido e se lança na conquista do globo terrestre. O Classicismo no mundo.: Grécia: berço do primeiro período clássico ocidental, cujo apogeu se dá no séc. V e IV a.c. Os gregos exaltaram a razão o e condenaram o sentimentalismo e o exagero. Tentaram ver toda a realidade por meio de um sistema unificado que lhes desse significado e direção. Os artistas gregos mostraram a beleza numa escala humana mais do que numa escala sobrenatural. As esculturas de Fídias e Praxíteles são magníficos exemplos de figuras humanas bem proporcionadas. Ésquilo, Sófocles e Eurípedes escreveram tragédias que mostram o valor da moderação e o perigo do orgulho excessivo. Roma: adotou os valores clássicos gregos. Sob a influência de Cícero (de 80 a.c. a 27 a.c.), homem de Estado e tribuno, as responsabilidades cívicas ganharam uma nova importância. Mas a literatura romana atingiu o apogeu durante o governo de Augusto (27 a.c. a 14 d.c), quando quase todos os escritores eram clássicos. Itália (séc. XV): o movimento renascentista recuperou os ideais clássicos e conciliou-os com a tradição cristã. O Renascimento literário italiano teve como seu grande precursor Petrarca, que difundiu os modelos clássicos e renovou a métrica de sua língua. Em seguida foram estudadas as teorias literárias de Horácio, resgatadas por eruditos como Gian Giorgio Trissino e Julius Caesar Scaliger, que em suas Poetice (1561; Poéticas) estabeleceu a regra das três unidades (tempo, lugar e ação), conforme o modelo aristotélico. Partindo da Itália, essa corrente classicista estendeu-se por toda Europa. França (séc. XVII): desenvolveu os valores clássicos de maneira mais expressiva do que qualquer outro, com forte ênfase à razão e à inteligência na análise das idéias e ações humanas. Entre as mais importantes personalidades da história intelectual e literária deste período estão o matemático e filósofo René Descartes, o escritor moralista duque 2

de La Rochefoucauld, o escritor de fábulas Jean de La Fontaine e os dramaturgos Pierre Corneille e Jean Racine Inglaterra: seguiu o classicismo francês. Surgiu no fim do séc. XVII e chegou ao apogeu na metade do séc. XVIII. Os ingleses chamaram seu movimento de neoclassicismo, tomando como modelo o classicismo da França, Grécia e Roma. Portugal (séc. XVI): vivia seu apogeu político e econômico, com a expansão marítima (grandes navegações), as colônias e o comércio com as Índias. Luís de Camões foi seu maior representante. Principais características.: A cultura renascentista - patrocinada pelos mecenas burgueses, como os Medici de Florença - vai mudar a imagem que o homem tinha de si mesmo, trazendo os conceitos do Classicismo, Humanismo, Antropocentrismo e do Racionalismo. Universalismo: os escritores renascentistas passam a valorizar os temas universalistas e racionais. O predomínio da razão exige a expressão de verdades universais, absolutas e eternas, desprezando o individual, o particular e o relativo: a obra deveria valer para todos e não estar voltada apenas aos problemas pessoais do autor. Somente aquilo que é lógico, sentido, palpável, é trabalhado nesse período literário. Não há lugar para abstrações, devaneios ou tudo aquilo que é subjetivo. Racionalismo: nas obras renascentistas há o primado da razão sobre emoções e sentimentos (ex.: Camões vai definir o amor). O homem renascentista acredita que tudo se explica pela razão e pela ciência. A natureza também passa a ser valorizada e encarada de forma diferente, como tema de estudo e investigação, para ser utilizada como instrumento do homem. O racionalismo e a preocupação com o homem e a natureza estimulam a pesquisa científica. Dessa maneira, foi uma época marcada pela libertação do pensamento que culminou com o nascimento da ciência moderna, com grandes avanços na Matemática, Medicina, Astronomia e Física. A Terra deixou de ser o centro do universo, como pregava a Igreja Católica, e o sol passou a figurar no centro do sistema planetário (teoria heliocêntrica). O Antropocentrismo, por sua vez, colocou o ser humano no centro do universo, como "a medida de todas as coisas". O mundo e as idéias deixaram de girar em torno de Deus (Teocentrismo) e passaram a centrar-se no homem. Há uma exaltação das faculdades e da dignidade do ser humano, com a valorização das capacidades físicas e espirituais do 3

homem, destacando-o como um ser livre, capaz de alcançar a felicidade terrena e de criar seu próprio projeto e vida, permitindo a busca pela fama e pela glória terrena. O homem renascentista já não vive tão angustiado com as questões religiosas quanto o homem medieval. Paganismo: a mitologia greco-romana passa a ser utilizada como instrumento do Antropocentrismo, visto que tal cultura pagã, anterior ao aparecimento do cristianismo, valorizava o indivíduo, seus feitos heróicos e sua capacidade de dominar e transformar o mundo. Dessa maneira, o estudo, a tradução, a difusão e a imitação dos modelos artísticos e culturais greco-romanos da Antigüidade foram as bases da renovação cultural e literária do Classicismo. A arte era vista como mimese pelos renascentistas, isto é, imitação (tanto da natureza como dos modelos greco-latinos, considerados como modelo de perfeição). Todavia, cabe ressaltar que isto não significava copiar, e sim recriar. Os autores clássicos mais seguidos no Classicismo foram Homero, Virgílio, Ovídio, dentre outros. Deuses, heróis e personagens da cultura greco-romana foram sendo "incorporados" nas artes dos autores Clássicos. Outra característica encontrada foi a personificação: atribuição de qualidades humanas a seres não-humanos. A filosofia de Platão também teve grande influência no período Clássico. O Humanismo tem por base o Neoplatonismo, que exalta os valores humanos e dá nova dimensão ao homem, cujo valor passa a estar no produto de seu próprio esforço e talento. Até o século XV, apenas uma pequena parte de sua obra era conhecida. Em 1481, o humanista italiano Ficino traduziu todos os seus textos para o latim, colocando-o ao alcance dos intelectuais. Segundo a concepção platônica, existem dois mundos: o Mundo dos Fenômenos (o mundo das sombras e da aparência, percebido através dos sentidos, e por isso mesmo ilusório e confuso, onde nada é estável ou permanente) e o Mundo das Idéias (o mundo da essência, mais elevado, espiritual e eterno, onde está a imutável essência de todas as coisas e acessível somente através da razão). Obviamente a filosofia de Platão também sofreu influências das idéias cristãs que imperavam na época. Com isso, o "Mundo das Idéias", o reino da Verdade absoluta, passou a ser associado ao Céu cristão. De qualquer forma, seu pensamento marcou bastante a vida cultural do Renascimento e sua concepção do amor platônico foi muito difundida: os autores clássicos passaram a buscar um amor elevado, idealizado, espiritualizado e racional, que se aproximava da Verdade Absoluta. Dessa maneira, o amor passou a ser visto de uma forma distante, em que muitas vezes o ser amado não tem conhecimento de sua situação e o desejo é aplacado pelo juízo. 4

Há uma busca pela clareza de idéias, de exposição, pela harmonia, pela simplicidade e pelo equilíbrio e objetividade na forma literária, ligados à razão e à idéia da imitação. Usa-se uma linguagem sóbria, simples e precisa. A influência de Platão também se reflete no culto à beleza e à perfeição, visto que o conceito estético ("belo") acaba se confundindo com o conceito ético ("bem"). Outra preocupação constante é a obediência a regras e preceitos estéticos. Os autores precisavam obedecer a regras, principalmente as enunciadas por Aristóteles e Horácio: Ars Poetica (ex.: a tragédia deveria ter uma única ação confinada ao clímax; unidade de tempo: máximo de 24 horas; mesmo cenário). Cabe lembrar que a própria obediência às regras é uma forma de controlar os sentimentos e as emoções através da razão. A obediência às regras também se traduz no Formalismo: busca da perfeição através da sujeição a normas rígidas de conteúdo e forma. Havia uma busca pelo rigor na métrica e na rima e o uso da ordem inversa, com uma enorme preocupação com a correção gramatical. Houve a substituição da "medida velha" medieval (redondilhos menor e maior - de 5 e 7 sílabas métricas) pela medida nova, proveniente da Itália: sonetos (versos decassílabos distribuídos em duas quadras e dois tercetos). Essa nova forma de fazer poesia foi chamada de "dolce stil nuovo", ou "doce novo estilo", por Dante (cabe lembrar que a "Divina Comédia" de Dante é considerada o marco da transição da Idade Média para o Renascimento). O soneto foi uma das formas poéticas mais usadas na Era Clássica e suas estrutura segue a lógica aristotélica: tese (1ª estrofe), antítese (2ª) e síntese (3ª e 4ª). Além de criarem o soneto, os humanistas italianos recuperaram outras formas de inspiração clássica: écloga: composição geralmente dialogada, em que o poeta idealiza assuntos sobre a vida no campo. Suas personagens são pastores (éclogas pastoris), pescadores (éclogas pisctórias) ou caçadores (éclogas venatórias); elegia: poema de fundo melancólico; ode: composição pequena, de caráter erudito, com elevação do pensamento, sobre vários assuntos. As odes podem ser classificadas em pendáricas (cantam heróis ou acontecimentos grandiosos), anacreônicas (cantam o amor e a beleza), e satíricas (celebram assuntos morais e / ou filosóficos); epístola: composição em que o autor expõe suas idéias e opiniões, em estilo calmo e familiar. Pode ser doutrinária, amorosa ou satírica; 5

epitalâmio: composição em honra aos recém casados, própria para ser recitada em bodas; canção: composição erudita, de longas estrofes, versos decassílabos por vezes entremeados com outros de seis sílabas (heróicos) e de caráter amoroso; epigrama: composição de 2 ou 3 versos com pensamentos engenhosos e de estilo cintilante; sextilha: composição de seis estrofes de seis versos com uma forma muito engenhosa, em que as palavras finais dos versos de todas as outras, apenas com a ordem trocada; ditirambo: canto coral constituído por um poema lírico de versos e estrofes irregulares, que exprimem entusiasmo, sensualidade e paixão. Composto inicialmente para os cultos em honra ao deus Dionísio, está na origem da tragédia grega. 6

GÊNEROS LITERÁRIOS.: A literatura da era clássica está dividida em poesia lírica, poesia pastoral, a epopéia, e no gênero dramático (tragédia e comédia). A poesia lírica, de fundo platônico, encontra sua principal expressão em Petrarca, autor do Cancioneiro - obra com cerca de 350 poemas, na maioria sonetos - que trata do amor inacessível de Laura. Terá seguidores por todo o mundo, como Camões e Sá Miranda (em Portugal), Garcilaso de la Veja e Fernando Herrera (na Espanha). A poesia pastoral se baseia nos poemas bucólicos de Virgílio e encontra sua maior expressão na Itália com Torquato Tasso (Aminta, 1752) e Sanazzaro (Arcádia, 1502). O gênero épico foi a criação mais notável da Renascença: trata-se de uma narração em versos de feitos heróicos. A epopéia é a interpretação poética de um mito. Possui versos decassílabos, épicos (medida nova), apresenta rimas ricas, heróis, seres mitológicos, um narrador em 3ª pessoa (observador), e divisão em cinco partes (proposição: tema; invocação: deuses; dedicatória; narração; epílogo). O poeta exalta e glorifica os valores nacionais, legitimando simbolicamente sua nação e profetizando seu destino glorioso. A mais importante obra épica do classicismo português é "Os Lusíadas" que narra os feitos heróicos dos portugueses (os lusos, daí o nome da obra), que, liderados por Vasco da Gama, lançaram-se ao mar numa época em que ainda se acreditava em monstros marinhos e abismos. Ultrapassando os limites marítimos conhecidos - no caso o cabo das Tormentas ao sul da África - chegariam a Calicute, na Índia. Tal façanha, que uniu o Oriente ao Ocidente pelo mar, deslumbrou o mundo e foi alvo de interesses políticos e econômicos de diversas nações européias. O teatro recupera da Antigüidade a tragédia e a comédia, agora em linguagem vulgar. Em Portugal, destaca-se Antônio Ferreira, com a tragédia Castro. A figura proeminente do período, entretanto, será William Shakespeare (1564-1618), na Inglaterra. 7

LUÍS VAZ DE CAMÕES.: Biografia.: Luís Vaz de Camões nasceu por volta de 1525. Ingressou no Exército da Coroa de Portugal e participou da guerra contra Ceuta, no Marrocos, durante a qual perde o olho direito (1549). De volta a Lisboa, teve uma vida boêmia até 1553 quando, depois de ter sido preso devido a uma rixa, parte para a Índia. Fixou-se na cidade de Goa onde escreveu grande parte da sua obra. Regressou a Portugal em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusíadas em 1572 graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Sebastião. Faleceu em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. É considerado o maior poeta português. Obras: Os Lusíadas (1572), Rimas (1595), El-Rei Seleuco (1587), Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). Após sua morte, a sua obra foi publicada no livro "Rimas" (1595) Camões lírico é um autor bifronte, ou seja, tem duas faces: a) Medieval: - medida velha (redondilhos) - cancioneiro geral e temática popular b) Renascentista : - medida nova (decassílabos) - sonetos Gênero Lírico.: Camões tem grande preocupação técnica: todos os 14 versos de todos os sonetos (2 quartetos, 2 tercetos) são decassílabos, e a maioria das rima segue a estrutura rítmica ABBA-ABBA-CDE-CDE. Cabe ressaltar que muitos de seus sonetos ainda têm a autoria contestada. Também podemos subdividir sua produção renascentista em: Renascimento: visão otimista, equilíbrio (forma e conteúdo), clareza, razão, reflexão, simplicidade, objetividade Maneirismo (transição entre Renascimento e Barraco): visão pessimista, racional, desequilíbrio, conflito entre razão e emoção, contradições, paradoxos, sinuosidade, desarmonia, antíteses 8

Quanto à temática, são dois os aspectos mais representativos da produção lírica de Camões: a lírica amorosa e a lírica filosófica. Lírica amorosa: O amor é seu principal tema, abordado em duas vertentes: a) o amor visto de modo ingênuo, simples, otimista, realizado (mais nos poemas renascentistas puros). b) o amor enquanto conflito, contradição (impregnado pela visão maneirista). Aqui há uma divisão em "amor" (com letras minúsculas) e "Amor" (com a inicial maiúscula). - amor: é individual, implica sofrimento, realidade, dor. - Amor: é a essência, a idéia, é perfeito, absoluto. A diferenciação entre "Amor" X "amor" ilustra a influência do neoplatonismo, contrapondo idéia (Amor) e sombra (amor), que leva à imitação. Estabelece-se um conflito entre o amor sensual e o amor platônico, espiritualizado. Camões trabalha mais com o conceito do amor do que propriamente com os sentimentos: ele os universalisa, tirando seu caráter individual. Lírica filosófica: Aborda reflexões sobre a vida, o homem e o mundo. O eu lírico reflete um homem angustiado e perplexo diante do seu tempo. Dentre seus principais temas podemos citar: Mutabilidade das coisas, da vida, do mundo. Desconcerto do mundo (essência é desarmonia?). Transitoriedade da vida e de tudo. O conflito presente na lírica de Camões, traduzido principalmente por antíteses e pelas inversões de linguagem, prenuncia o movimento literário seguinte, o Barroco. Por esse motivo, Camões costuma ser classificado como maneirista (denomina-se Maneirismo o período de transição dentre o Renascimento e o Barroco). 9

Gênero Épico.: Camões celebrou os feitos lusitanos na época das conquistas em sua obra-prima, "Os Lusíadas" (1572). O renascimento vai justificar a imitação das epopéias clássicas. A epopéia é épica, ou seja, caracteriza-se como uma longa narrativa, porém em versos. Seu tema nunca é a individualidade, mas sim a coletividade: idéia de nacionalidade (povo). O herói individual na epopéia representa a coletividade, sendo na realidade, um herói coletivo. Aquiles: Ilíada - Guerra de Tróia Ulisses: Odisséia - O retorno dos heróis Enéias: Eneida - Fuga de Ulisses para fundar Roma Vasco: Os Lusíadas - Saga de Vasco (cruzar o Cabo da Boa Esperança) Os deuses greco-romanos (antropomórficos) são retomados nos Lusíadas e são representados principalmente por Baco (contra os portugueses) e Vênus (à favor). A estrutura dos Lusíadas: Versos em número de 8.816, todos decassílabos heróicos. Estrofes com oito versos. Estrutura rítmica: AB AB AB CC A estrutura justifica a monumentalidade da obra. Organização: - poema dividido em dez contos - pode ser dividido em três partes: Introdução / Narração / Epílogo Introdução: Estende-se pelas dezoito estrofes do Canto I. Subdivide-se em três partes: Proposição I, 1,3 Onde o tema é proposto: viagens marítimas, conquistas: expansão comercial e imperial. A fé que abre o caminho: domínio econômico - cristianizar as terras pagãs. Lembrança dos heróis do passado. Glorificação do povo português. Invocação I, 4,5 - tradição das epopéias Invocação para as musas (Tágires: ninfas do Tejo) darem inspiração. 10

Dedicatória I, 5,18 Dedica ao rei Dom Sebastião (sem bajulação) antes da batalha de 1578 contra os mouros, em que este desaparece. Henrique de Coimbra torna-se o novo rei. Mas surge o mito do Sebastianismo: Dom Sebastião, o encoberto. Portugal mergulhado em esperanças e temores: um dia o rei voltaria para reerguer o país. Narração I, 19 - X, 144: Relata a viagem de Vasco da Gama às Índias e os feitos do povo português. Quando se inicia essa parte, os portugueses já navegavam no Oceano. I, 19: Já estão quase no fim da viagem: Costa Leste da África. Estrutura de tempo: "in medias res" (tradição). I, 20: Concílio dos Deuses (mais ou menos vinte estrofes). I, 42: Portugueses sofrem uma série de problemas. Chegando em Melinde, o Rei fica curioso com esse povo e pede a Vasco para que conte a História de Portugal e a viagem (volta ao passado). A narração é longa: fala de Luso, da história de Inês, dos iniciadores de Portugal, dos primeiros reis, Revolução de Ávis, etc. Há ligeiras mudanças no tom narrativo. A esquadra deixa Melinde e Baco tenta usar o mar contra os portugueses, mas Vênus protege-os. Chegando à Índia, Baco os prejudica: Vasco é aprisionado. Livres, partem da Índia e recebem uma recompensa de Vênus: passam pela Ilha dos Amores e voltam a Portugal. Epílogo X, 145,156: X, 144: Estrofe do retorno: chegada a Portugal. X, 145: Camões critica os portugueses. A mudança de tom vai até o fim do poema. Ele deixa claro que não pretende continuar a narração. 11