Unidades Climáticas Brasileiras.



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Revisão de Geografia. 1ª prova do 4º Bimestre PROFESSOR DANILO. d) Polar e marítima CONTEÚDO AS MASSAS DE AR. a) Conceito. c) Massas de ar no Brasil

Transcrição:

Unidades Climáticas Brasileiras. Considerando a extensão do território brasileiro que se estende desde aproximados 32 o de latitude Sul até 5 o de latitude norte é natural encontrarmos uma diversidade de tipos climáticos que variam desde climas quentes e secos/úmidos a climas frios e úmidos. Também se faz necessário considerar a variação altimétrica que varia de próximo de 0 metro em grande extensão da planície litorânea a 3014 metros no pico da neblina (AM). Não bastasse a variação latitudinal (norte a sul) e altimétrica alia-se a esta diversidade de fatores que influenciam os climas do Brasil o efeito da maritimidade/continentalidade pela presença de extensa massa de águas a leste do continente (Oceano Atlântico). A exemplo a amplitude térmica média no mês de julho em Salvador (BA) é de 4,8 o C e em Cuiabá (MT) é de 15,2 o C (INMET, 1992). Vale lembrar que ambas as localidades estão em latitudes próximas. Aliado a esses fatores encontra-se uma dinâmica de circulação atmosférica onde as massas de ar transportam as características das regiões de origem para outras regiões, a exemplo da massa polar atlântica (mpa) que, predominante, nos meses do inverno avançam pelo centro-sul do Brasil promovendo reduções significativas da temperatura do ar. As classificações climáticas podem ser efetuadas por meio de índices climáticos ou baseandose na paisagem natural. O segundo critério baseia-se no fato de a vegetação ser um integrador dos estímulos do meio ambiente e serviu de base para as primeiras classificações quando ainda não se tinham registros dos elementos do clima em grande parte do território nacional, principalmente as regiões geográficas do centro-oeste, norte e parte ocidental do nordeste. Qual seria a classificação que melhor integre todos esses fatores e elementos do clima? Para resolver esse embate optou-se pelo uso da classificação das unidades climáticas brasileiras proposta pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não afirmando que esta seja a melhor proposta encontrada na literatura (consulte figura abaixo).

Saiba mais consulte os sítios abaixo: http://www.iac.sp.gov.br/ciiagro/ Clicar em mapas climáticos Climatologia I Prof. Emerson Galvani Departamento de Geografia - USP Material publicado pelo professor no almanaque Sócio Ambiental. A localização de cerca de 92% do território brasileiro na zona intertropical e as baixas altitudes do relevo explicam a predominância de climas quentes, com médias de temperatura superiores a 20º C. Os tipos de clima presentes no Brasil são: equatorial, tropical, tropical de altitude, tropical atlântico, semi-árido e subtropical. O clima equatorial domina a região amazônica e se caracteriza por temperaturas médias entre 24º C e 26º C e amplitude térmica anual (diferença entre a máxima e a mínima registrada durante um ano) de até 3º C. As chuvas são abundantes (mais de 2.500 mm/ano) e regulares, causadas pela ação da massa equatorial continental. No inverno, a região pode receber frentes frias originárias da massa polar atlântica. Elas são as responsáveis pelo fenômeno da friagem, a queda brusca na temperatura, que pode chegar a 10º C. Extensas áreas do planalto central e das regiões Nordeste e Sudeste são dominadas pelo clima tropical. Nelas, o verão é quente e úmido e o inverno, frio e seco. As temperaturas médias excedem os 20º C, com amplitude térmica anual de até 7º C. As chuvas variam de 1.000 a 1.500 mm/ano. O tropical de altitude predomina nas partes altas do Planalto Atlântico do Sudeste, estendendo-se pelo norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Apresenta temperaturas médias entre 18º C e 22º C e amplitude térmica anual entre 7º C e 9º C. O comportamento pluviométrico é igual ao do clima tropical. As chuvas de verão são mais intensas devido à ação da massa tropical atlântica. No inverno, as frentes frias originárias da massa polar atlântica podem provocar geadas. A faixa litorânea que vai do Rio Grande do Norte ao Paraná sofre atuação do clima tropical atlântico. As temperaturas variam entre 18º C e 26º C, com amplitudes térmicas crescentes conforme se avança para o sul. Chove cerca de 1.500 mm/ano. No litoral do Nordeste, as chuvas intensificam-se no outono e no inverno. Mais ao sul, são mais fortes no verão. O clima semi-árido predomina nas depressões entre planaltos do sertão nordestino e no trecho baiano do vale do Rio São Francisco. Suas características são temperaturas médias elevadas, em torno de 27º C, e amplitude térmica em torno de 5º C. As chuvas, além de irregulares, não excedem os 800 mm/ano, o que leva às secas do Nordeste, os longos períodos de estiagem. O clima subtropical predomina ao sul do Trópico de Capricórnio, compreendendo parte de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul e os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por temperaturas médias inferiores a 18º C, com amplitude térmica entre 9º C e 13º C. Nas áreas mais elevadas, o verão é suave e o inverno frio, com nevascas ocasionais. Chove entre 1.500 mm e 2.000 mm/ano, de forma bem distribuída ao longo das estações. (Fonte: http://www.guianet.com.br/brasil/mapaclima.htm)

O mapa abaixo apresenta uma síntese da classificação climática de Koppen. Significado dos símbolos da classificação de Köppen: 1ª letra maiúscula, representa a característica geral do clima de uma região: A clima quente e úmido B clima árido ou semi-árido C clima mesotérmico ( subtropical e temperado) 2ª letra minúscula, representa as particularidades do regime de chuva: f sempre úmido m monçônico e predominantemente úmido s chuvas de inverno s - chuvas do outono e inverno w chuvas de verão w - chuvas de verão e outono 3ª letra - minúscula, representa a temperatura característica de uma região: h quente a verões quentes b verões brandos Ex: Clima tipo Cfa: Clima mesotérmico, sempre úmido e verões quentes. Podemos encontrar nos livros didáticos em uma linguagem mais adequada ao nível de escolaridade outras mapas climáticos mais simplificados, como veremos a seguir:

Os Domínios Climáticos Brasileiros. Climas Controlados por Massas de Ar Equatoriais e Tropicais Equatorial Úmido (Convergência dos Alísios) Tropical (Inverno seco e verão úmido) Tropical Semi-Árido (Tendendo a seco pela irregularidade da ação das massas de ar) Litorâneo Úmido (Influenciado pela Massa Tropical Marítima) Climas Controlados por Massas de Ar Tropicais e Polares Subtropical Úmido (Costas orientais e subtropicais, com predomínio da Massa Tropical Marítima) Fonte: Atlas Geográfico Escolar - Maria Elena Simielli/Mário De Biasi

CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA DE ARTHUR STRALER As massas de ar que interferem mais diretamente na distribuição do clima brasileiro são a equatorial continental (mec), equatorial atlântica (mea), a tropical continental (mtc), tropical atlântica (mta) e a polar atlântica (mpa). De acordo com a classificação climática de Arthur Strahler, predominam no Brasil cinco grandes climas, a saber:? clima equatorial úmido da convergência dos alísios, que engloba a Amazônia;? clima tropical alternadamente úmido e seco, englobando grande parte da área central do país e litoral do meio-norte;? clima tropical tendendo a ser seco pela irregularidade da ação das massas de ar, englobando o sertão nordestino e vale médio do rio São Francisco; e? clima litorâneo úmido exposto às massas tropicais marítimas, englobando estreita faixa do litoral leste e nordeste;? clima subtropical úmido das costas orientais e subtropicais, dominado largamente por massa tropical marítima, englobando a Região Sul do Brasil.

Em especial, as massas de ar que interferem mais diretamente no Brasil, segundo o Anuário Estatístico do Brasil, do IBGE, são a Equatorial, tanto Continental como Atlântica; a Tropical, também Continental e Atlântica; e a Polar Atlântica, proporcionando as diferenciações climáticas. Nessa direção, são verificados no país desde climas superúmidos quentes, provenientes das massas Equatoriais, como é o caso de grande parte da região Amazônica, até climas semiáridos muito fortes, próprios do sertão nordestino.o clima de uma dada região é condicionado por diversos fatores, dentre eles pode-se citar temperatura, chuvas, umidade do ar, ventos e pressão atmosférica, os quais, por sua vez, são condicionados por fatores como altitude, latitude, condições de relevo, vegetação e continentalidade. Quanto aos aspectos térmicos também ocorrem grandes variações. Como pode ser observado no mapa das médias anuais de temperatura a seguir, a Região Norte e parte do interior da Região Nordeste apresentam temperaturas médias anuais superiores a 25 o C, enquanto na Região Sul do país e parte da Sudeste as temperaturas médias anuais ficam abaixo de 20 o C. Acima de 25ºC Entre 20ºC e 25ºC Abaixo de 20ºC Mapa Médias Anuais de Temperatura Fonte: Atlas Escolar Melhoramentos De acordo com dados da FIBGE, temperaturas máximas absolutas, acima de 40 o C, são observadas em terras baixas interioranas da Região Nordeste; nas depressões, vales e baixadas do Sudeste; no Pantanal e áreas rebaixadas do Centro-Oeste; e nas depressões centrais e no vale do rio Uruguai, na Região Sul. Já as temperaturas mínimas absolutas, com freqüentes valores negativos, são observadas nos cumes serranos do sudeste e em grande parte da Região Sul, onde são acompanhadas de geadas e neve. Seque abaixo o mapa médio das massas de ar que atuam sobre o Brasil nos meses de junho e julho.

MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL POSIÇÃO MÉDIA NO VERÃO

MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL POSIÇÃO MÉDIA NO INVERNO A classificação geral das massas de ar pode ser: Tropicais - marítimas Tropicais - mt - continentais Tropicais - ct Equatoriais - marítimas Equatoriais - me - continentais Equatoriais - ce Polar - marítima Polar mp ou Pa - continental Polar - cp