GEOGRAFIA DO ORIENTE ANTIGO



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Lição 2 GEOGRAFIA DO ORIENTE ANTIGO Introdução A Geografia (do grego, geo = terra; ghraphia = descrição) é a ciência que se propõe a estudar a organização do espaço terrestre, o que inclui as porções físicas e as relações humanas estabelecidas sobre o globo. Já a Geografia Bíblica é parte da Introdução dos Estudos Bíblicos que procura identificar e entender as porções terrestres e a organização dos povos no período compreendido pelos relatos da Bíblia. Portanto, como a revelação de Deus ocorreu no decorrer do tempo e em diferentes porções do espaço terrestre, para a melhor compreensão da mensagem bíblica, tais locais e situações merecem maior detalhamento. Quando conhecemos a geografia bíblica, os relatos das Escrituras tornam-se mais vivos e garantem maior autenticidade. Um exemplo em que a geografia bíblica atua para garantir maior veracidade aos relatos bíblicos refere-se à data do Natal de Jesus Cristo, comemorado em 25 de dezembro, mas ocorrido, de fato, em outro período do ano, já que as condições do tempo descritas na Bíblia, para a região da Palestina, não indicam o inverno do hemisfério norte. Regiões como a Mesopotâmia (Iraque), Arábia, Pérsia (Irã), Síria, Egito e Palestina (Israel e parte ocidental da Jordânia), fazem parte dos relatos bíblicos da época e merecem a atenção dos estudos sobre o Antigo Testamento (ver Ilustração 1). Vale mencionar que as cadeias montanhosas que se estendem do Oceano Atlântico até o sudeste asiático foram determinantes para que as grandes concentrações humanas ocorressem na faixa que se estende desde o mundo mediterrâneo, mesopotâmico, persa, até o vale do rio Indus. Extensão do Mundo Antigo O Antigo Testamento apresenta algumas regiões, dentre elas: a. A Mesopotâmia, literalmente entre rios, é a extensa região do oeste asiático, margeada pelos rios Tigre e Eufrates, que se estende desde os montes da Armênia, ao norte, até o Golfo Pérsico, ao sul. Essa região é subdividida em Assíria, com nome derivado de Assur, filho de Sem (Gn 10. 11), ao norte, e Babilônia, também conhecida como Caldéia, Sumer, Acade, Sinear ou terra de Sine, ao sul. Os assírios, povo primitivo dessa região, foi formado da mescla entre os acádios e os semitas, vindos da Síria. Já os babilônios, vieram da mescla entre os acádios e os sumérios, vindos dos planaltos persas.

Dentre as cidades de maior destaque nos relatos bíblicos, encontram-se, na Assíria, Assur e Nínive, e, na Babilônia, Ur (terra de onde saiu a família de Abraão) e Babilônia (edificada por Nimrode, bisneto de Noé). b. A Arábia, chamada pelos hebreus de Partes do Oriente (Gn 25. 6), é outra importante região do mundo antigo relatada nos escritos bíblicos, caracterizada pelos grandes desertos, situada desde a foz do rio Nilo até o Golfo Pérsico, no sentido oeste-leste, e desde a Síria até o Golfo Arábico, no sentido norte-sul. Foi na parte ocidental dessa região, conhecida como Arábia Pétrea, que o povo hebreu peregrinou por 40 anos e onde Deus deu a Lei por meio de Moisés. Dentre as cidades dessa região, destacam-se Selá ou Petra e a terra de Ofir, destacada na Bíblia pelo seu ouro. Seus habitantes primitivos foram os amalequitas, os idumeus (edomitas), os ismaelitas, os midianitas, os amonitas e os cenitas. c. A Pérsia é a porção mais oriental relatada nas Escrituras, situa-se na porção nordeste do Golfo Pérsico e a sudeste da Babilônia. Atualmente é a região pertencente ao Irã e foi território base do império medo-persa, que dominou o império babilônico e decretou, por meio de Ciro, o repatriamento dos hebreus exilados pelos babilônicos (Ed 1. 1-11). Os relatos de Ester e Neemias também ocorreram sob esse império. d. A Síria ou Arã, localiza-se ao sudoeste da Armênia, ao leste da Ásia Menor (mencionada no Novo Testamento), e do Mediterrâneo, ao norte da Palestina e a oeste da Assíria e partes da Arábia. A região é cortada no sentido norte-sul pela cordilheira do Líbano, paralela à costa mediterrânea, apresentando duas divisões: Líbano, a mais ocidental e Ante-Líbano, a mais oriental, em cujo extremo sul fica o monte Hermon. Dentre as cidades de destaque encontram-se Harã, centro comercial e militar (que antes pertenciam a Mesopotâmia), onde Abraão habitou com o seu pai antes de ir para Canaã; e Damasco, capital da região, até hoje, e conhecida como a mais antiga cidadeviva da terra. e. O Egito é notoriamente, depois da Palestina, a terra mais destacada nos relatos bíblicos, especialmente no AT. Sua posição geográfica é no nordeste africano, tendo o Mar Mediterrâneo, ao norte; a Palestina e o Mar Vermelho; ao leste; a Etiópia (atualmente Sudão), ao sul; e ao leste, a Líbia. Seu antigo nome é Mirsraim ou Misr, derivado do filho de Cam, filho de Noé. Seu nome poético é Rahabe, usado em Salmos, Jó e Isaías. Foi uma das maiores potências do mundo antigo, destacado pelas ciências, letras e artes. Das cidades de destaque, encontram-se Cairo e Alexandria, f. A Palestina, também conhecida como a terra de Canaã, Filístia, ou Síria Filistéia é a região do mundo antigo de maior destaque, já que se caracteriza como a porção territorial prometida por Deus à Abraão. Essa porção territorial está em

grande parte dos relatos do AT e marca expressiva participação, inclusive, nos relatos neotestamentários. A seguir veremos mais detalhes sobre a Palestina. Referências Geográficas do AT Alguns pontos de referência geográficas são destacadas no AT, como montes, mares, rios, entre outros. Sendo assim, a seguir, serão apresentados os principais: a. Rios Eufrates e Tigre rios mencionados desde o Jardim do Éden (Gn 2. 14), apesar da mudança drástica da geografia mundial após o dilúvio, que atualmente correm do noroeste para o sudeste da cidade de Babilônia, desembocando no Golfo Pérsico. b. Montes de Ararate ou Arará local em que a Arca parou após o dilúvio e Noé, juntamente com a sua família e os representantes animais desceram para dar sequência a uma nova geração na terra (cf Gn 8. 4). Os montes encontram-se no território que atualmente pertence à Turquia, perto da fronteira com o Irã e a Armênia, entre os rios Aras e Murat. c. Rio Nilo ou rio do Egito de grande importância para o mundo antigo, faz parte dos limites geográficos da terra prometida por Deus a Abraão (Gn 15. 18) e é mencionado em várias passagens do AT. d. Monte Seir ou montanha de Seir frequentemente mencionado no AT, destacadamente relacionado ao local em que Esaú, filho de Isaque, também conhecido como Edom, habitou após a perda da primogenitura (Gn 36. 8-9). É uma cordilheira que se estende desde o sul do Mar Morto até o braço oriental do Mar Vermelho, atualmente pertencente à Jordânia, abrigando a cidade de Petra, uma das sete maravilhas do mundo moderno. e. Rio Jordão - Nasce na encosta do monte Hermon e segue ao Mar da Galiléia, para desaguar no Mar Morto. Divide a Palestina em porção ocidental e oriental e é considerado um importante marco territorial nos relatos bíblicos, evidenciando, em episódios marcantes, a intervenção divina (Js 3-4). f. Monte Hermon, também conhecido como Sirion, Sion, Senir, Baal-hermon ou Jebel-esh-Sheik, como é conhecido atualmente. Localiza-se no extremo sul da Síria e extremo norte da Palestina, constantemente mencionado no AT como ponto de referência (Dt 3. 8). g. Mar Salgado ou Sidim (Gn 14. 3) ou Mar de Arabá (Dt 3. 17) ou Mar Oriental (Jl 2. 20) é conhecido atualmente como Mar Morto, onde o rio Jordão deságua. Situa-se ao sul do Mar da Galiléia, banhando a porção leste de Israel e oeste da Jordânia, sendo considerado a maior depressão do mundo, cerca de 417 m abaixo do nível médio do Mar Mediterrâneo. Recebe esse nome, na atualidade, pois sua concentração de sal é a maior de todo o mundo, não permitindo a vida aquática.

h. Mar Vermelho na geografia moderna é o mar que divide o nordeste africano da Arábia e banha tanto a porção oriental bem como a ocidental da Península do Sinai. Nos relatos do AT, o mar de juncos designa a região dos lagos amargos, no delta egípcio, e possivelmente o próprio Mar Vermelho, que fica além. Portanto, a travessia do Mar Vermelho provavelmente tenha sido na porção do mar de juncos, que dava passagem para o deserto de Sur (Êx 15. 22; Nm 33. 8). i. Mar Mediterrâneo antes conhecido como Mar dos Filisteus (Êx 23. 31), foi assim denominado, pois na costa litorânea da Palestina viviam os filisteus, os povos do mar. j. Monte Sinai ou Horebe local em que Deus entregou a Lei que pactuou a aliança entre Deus e o povo de Israel. Situa-se no extremo sudoeste da Ásia, na Península do Sinai, pertencente ao Egito, banhada por dois braços do Mar Vermelho, a oeste, o Golfo do Suez e ao leste, o Golfo de Ácaba. Os Povos do AT Gênesis 10 nos relata as primeiras nações da terra, segundo a descendência dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé. A começar pela descendência de Jafé, conhecemos as nações que estenderam-se desde a Espanha, passando pelos Mares Negro e Cáspio, até a Eurásia, no sentido oeste-leste. Os filhos de Cam ocuparam a África, espalhando-se, posteriormente a oeste, ao longo do mediterrâneo, ocupando predominantemente a terra de Canaã, que seria ocupada pelos descendentes de Sem, futuramente. São os povos que se originaram dos cananeus: jebuseus (Js 10. 23-24; 2Sm 5. 6-9; 24. 18-25), amorreus (Nm 13. 30; Js 10. 4, 5, 12-24), girgaseus (Js 24. 11), heveus (Gn 34; Js 9; 11. 3; Jz 3. 3), arqueus (Js 16. 12; 1Cr 1. 15), sineus (1Cr 1. 15), arvadeus (1Cr 1. 16), zemareus (1Cr 1. 16) e hamateus (1Cr 1. 16). Os heteus ou hititas, descendentes de Hete, filho de Canaã eram numerosos e ocupavam a Ásia Menor, norte a Palestina, Síria, até o rio Eufrates, também sendo encontrados em Hebrom (Gn 23), em Berseba, sudoeste da Palestina (Gn 26. 34-35), no sul da Palestina (Nm 13. 29), ao leste de Jerusalém (Js 9. 1, 2). Além dos povos mencionados acima, a Palestina também era ocupada pelos perizeus (mencionados em Gênesis 13. 7; 34. 30; Jz 1. 1-5; Js 17. 15); os refains, também conhecidos como anaquins e emins (Js 11. 21), pertencentes a uma raça aborígine de gigantes (Dt 2. 10). Já os filhos de Sem, donde vem o termo semitas, ocuparam a região ao norte do Golfo Pérsico. Os vizinhos da Palestina, também merecem destaque, afinal foram grandes adversários em sua maioria. Dentre estes, encontram-se: Os Amalequitas, provavelmente descentente de Esaú, cujo neto era Amaleque (Gn 36. 12, 16), localizavamse entre o Mar Vermelho, ao sul, Deserto do Neguebe, a oeste, e Edom, ao leste (1Sm 15. 7). Esse povo travou

várias batalhas com os israelitas (Êx 17. 8-16; Dt 25. 17-19; Jz 3. 12, 13; 6. 3-5) e foram exterminados (1Cr 4. 41-43); Os Edomitas, Edomeus ou Idumeus, que eram descentes de Esaú, também foram opositores de Israel (Nm 20. 18-21; 2Rs 8. 22), e habitavam na região da montanha se Seir, entre o sul de Moabe e Mar Morto e o Golfo de Ácaba. Os Moabitas, descendentes de Moabe, filho de Ló e sobrinho de Abraão (Gn 19. 37), apesar de origem semita, constituíram-se inimigos declarados dos hebreus em quase todo o tempo. Ocupavam o território ao leste do Mar Morto e do rio Jordão e foram atores do episódio de Balaão (Nm 22-24). Suas mulheres conseguiram seduzir os israelitas às práticas idólatras, levandoos a morte (Nm 25). Rute, era uma moabita, que deu descendência a Davi. Os Midianitas, também eram semitas, descendentes de Midiã, filho de Abraão com Quetura (Gn 25. 1-6) e, assim como os moabitas, se mostraram hostis aos israelitas (Jz 7-8). Localizavam-se ao centro-sul da Arábia, expandindo-se para o norte e oeste. Os Amonitas eram um povo nômade, de origem semita, descendentes de Ló (Gn 19. 38), viviam na Transjordânia entre o Jordão e o deserto arábico. Eram cruéis contra os israelitas e, por causa disso, foram destruídos (Jr 49. 1-5; Ez 25. 1-7). Os Sírios, também chamados de arameus, estavam localizados ao nordeste e norte da Palestina, às vezes eram hostis e outras vezes eram fraternais. No período de Davi, foram conquistados, mas criaram resistências no período de Salomão. Os Fenícios, de origem camita, habitavam uma estreita faixa ao norte da Palestina, entre o Monte Líbano e o Mar Mediterrâneo. Destacavam-se pela navegação e comércio, além dos cultos a Baal e Astarote, que se infiltraram no meio de Israel, tendo como principal representante, a princesa Jezabel. Em grande parte, as relações com Israel eram pacíficas. Os Filisteus, de origem pouco conhecida, não eram semitas (Jz 14. 3) ocupavam terras no extremo sul da costa palestínica e eram considerados preparados para a guerra. Durante a conquista de Josué, coube as tribos de Judá e de Dã ocupá-los, sendo uma constante os conflitos entre hebreus e filisteus. Os egípcios, os assírios, babilônios e medo-persas foram outros povos que tiveram intensa relação com o povo de Israel. A Terra Prometida A Palestina será melhor explorada nesta seção, pontuando alguns aspectos físicos e humanos. Geografia Física Outro aspecto da geografia física da Palestina refere-se ao clima, que ao contrário do que a maioria pensa, é bem diversificado. Por situar-se entre 30º e 33º de Latitude Norte, a tendência do clima é

ser subtropical ou temperado brando, contudo, alguns fatores alteram essa condição básica, como a topografia acidentada, a proximidade do Mar Mediterrâneo e dos desertos, além dos diferentes tipos de ventos vindos das regiões vizinhas. Às vezes, no inverno, encontram-se temperaturas muito baixas nas cadeias montanhosas, enquanto no vale do Jordão, a média é de 25º. Uma referência especial merece o orvalho no clima palestínico, especialmente o orvalho de Hermon (Sl 133. 3), que nos períodos de seca, amenizam a situação da vegetação da região. As cidades da Palestina de destaque nos tempos do AT são: Jericó, a mais antiga das cidades palestínicas, situa-se na Cisjordânia, na parte inferior do vale do Jordão, a 8 km na direção oeste, a 12 km ao norte do Mar Morto, a 24 km de Jerusalém, ao leste. Hebrom, também entre as cidades mais antigas do mundo, está situada ao sul das montanhas de Judá, a oeste do Mar Morto, a 32 km de Jerusalém, ao sul. Seu nome primitivo era Kiriath-Arba (Js 1. 10). Belém, situada a 10 km ao sul de Jerusalém, no caminho para Hebrom. Seu nome bíblico é Bethlehem-Efrata ou Belém de Judá (Gn 35. 16-20; Rt4. 21-22). Siquém, situada na região da Samaria, no centro geográfico da Palestina, foi palco de vários episódios do AT, a começar pela chegada de Abraão a Canaã (Gn 12. 6-7). Samaria, fundada 921 a.c., tornou-se capital do reino do norte durante duzentos anos. Situa-se a 8k a noroeste de Siquém. Jerusalém, também conhecida como Salém (Gn 14. 18), Sião, Cidade de Davi (1Rs 8. 1; 2Rs 14. 20), Cidade de Deus (Sl 46. 4), Cidade de Judá (2Cr 25. 28). É o centro da historia bíblica, por sua posição na revelação divina, situa-se em Judá, na parte sul das montanhas de Judá, a 21 km a oeste do Mar Morto e a 51 km a leste do Mar Mediterrâneo. Além do clima, vale mencionar que a região encontra-se dividida em blocos longitudinais e latitudinais. No sentido nortesul, destaca-se, ao norte, a Galiléia, e ao sul, Samaria e Judá (conhecida no NT por Judéia). No sentido oeste-leste, temos a Cisjordânia, a oeste do rio Jordão (que inclui Galiléia, Samaria e Judá), e a Transjordânia, ao leste do rio (que inclui Basã, Gileade, Amom, Moabe e Edom). Ainda sobre aspectos físicos da Palestina, vale mencionar um pouco sobre o relevo, a hidrografia e vegetação típica. a. No relevo, destacam-se 4 seções longitudinais, a saber: as Planícies da Costa Mediterrânea, as Elevações Centrais; o Vale do Jordão e o Planalto Oriental. Dentre os pontos mais notáveis desse relevo, merece atenção o Monte Carmelo, uma pequena cordilheira, da Galiléia, que pende do Mediterrâneo para o sudeste palestínico, e presenciou o episódio de Elias e os profetas de Baal (1Rs 18. 32). Outro

monte é o Gerizim, situado na região de Samaria, que sediou o outro templo de adoração, frente ao de Jerusalém, erguido pelos samaritanos, sob o governo de Sambalate, após o exílio babilônico (ver Neemias). Além destes montes, também destaca-se o Monte Sião, na parte de Judá, sendo o mais alto dos montes da cidade de Jerusalém, com 800m de altitude, e um monte sagrado para os judeus, já que Davi havia levado a arca da aliança para Sião. b. Na hidrografia, encontram-se mares, lagos e rios. Além dos já mencionados, que merece destaque, está o Mar da Galiléia, também conhecido como Mar de Quinerete, Mar de Tiberiades ou Lago de Genezaré, situado ao norte do Mar Morto, sendo alimentado pelas águas do Jordão. Além deste, também merece menção, o rio Jaboque, um dos afluentes do Jordão, que foi palco do encontro de Jacó com o Anjo do Senhor (Gn 32. 22-32). c. A vegetação da Palestina é tipicamente mediterrânea, sendo marcada pelos cedros, pinheiros, carvalhos, acácias, faias, palmeiras, murtas, lírios do campo e rosa de Saron. Geografia Humana No que refere-se aos aspectos humanos da Palestina, merecem atenção as principais atividades econômicas, destacando as plantações de trigo, olivas e uvas, além da cevada, lentilha, feijão, pepino, cebola, alho, mostarda, figo, melão, tâmara e romã. A pecuária palestínica caracteriza-se especialmente pela presença das ovelhas e cabras, além das vacas, jumentos, cavalos e camelos. E no que tange aos valores minerais, sobressai-se a prata, cobre, estanho, chumbo, enxofre, betume e o ouro, sendo nos períodos bíblicos, pouco explorados, a não ser o betume. O comércio da Palestina era principalmente com a região da Fenícia, além da Síria, Arábia e Egito (Ez 27). Dos principais costumes da época, a família, para os hebreus, era uma instituição divina, de grande importância para a vida pessoal, social e nacional. Apesar disso, a concubinagem (estado de um homem e uma mulher que coabitam como cônjuges, sem serem casados, sendo a mulher como uma esposa secundária) era tolerada nos casos de esterilidade da mulher legítima ou entre os ricos e nobres (Gn 16. 2; 30. 3, 4, 9), apesar da Bíblia ser clara a respeito dos males da poligamia. Os casamentos mistos, isto é, com pessoas de outra descendência, eram proibidos (Dt 7. 1-4), e o levirato (Lei entre os antigos hebreus que obrigava o irmão de um homem casado, falecido sem deixar filhos homens, a casar com a cunhada viúva, com o fim de assegurar a continuidade da família) era uma prática comum (Dt 25. 5). O casamento, geralmente era intermediado por terceiros (geralmente pais) e os pais da noiva recebiam dotes, que eram uma recompensa material da perda da filha. A mulher, apesar de ocupar importante papel na família hebraica, sendo a grande responsável pela rotina doméstica, na vida social, era vista como inferior ao homem, ainda que Deus nunca houvesse feito tal

acepção valorativa. Apesar disso, a mulher tinha vários direitos não encontrados em outras nações, como honra semelhante ao pai, no núcleo familiar (Êx 21. 12; Pv 1. 8); e direito de requerer justiça (Nm 27. 1; 1Rs 3. 16-18). As festas ocupavam posição de destaque entre os hebreus, já que o próprio Deus havia instituído-as, a fim de que o povo sempre se lembrasse das dádivas de Deus em seu favor. Para melhor entendêlas, é necessária a compreensão de como o calendário hebreu se dividia no AT. O dia era contado de um pôr do sol até o outro pôr do sol (Gn 1. 5); sendo dividido em manhã (das 6h às 10h ou pouco mais), calor do dia (das 10h às 15h, aproximadamente), Fresco do dia (das 15h às 18h) e a noite (subdividida em Primeira Vigília, Segunda Vigília e Terceira Vigília, encerrando-se às 6h da manhã). A semana era baseada nas luas e continham sete dias, enquanto os meses, determinados pelo ciclo lunar, culminavam em uma ano com 12 meses de aproximadamente 29 a 30 dias, alternadamente. O primeiro mês (fim de Março e início de Abril) chamava-se Abibe (antes do exílio) ou Nisã (pós-exílio); os demais meses eram Zife ou Iyyar; Sivã; Tamuz; Abe; Elul; Etanim ou Tisri; Bul ou Marquesvã; Quisleu; Tebete; Sebate e Adar. Todavia, como o ano lunar retrocedia em número de dias, desencontrando das estações agrícolas determinadas pelo sol, criou-se um mês intermediário a cada três anos, que chamava-se de Ve-Adar ou Segundo Adar. É importante destacar que no calendário hebreu existiam o ano religioso e o ano civil, sendo o primeiro, iniciado com a Páscoa, em Abibe ou Nisã (Março-Abril), e o segundo, iniciado com a Festa das Trombetas, no dia 2 de Etanim ou Tisri (Setembro-Outubro). Além disso, a cada sete anos, existia o ano sabático, em que o solo descansava da lavoura e a lavoura espontânea era destinada aos pobres e peregrinos, além do cancelamento das dívidas. A cada 50 anos, praticava-se o ano do jubileu, em que os escravos eram libertados hebreus eram libertados e as terras vendidas, restituídas aos proprietários iniciais ou seus descendentes diretos. Entendido o calendário, fica mais fácil situar as principais festas dos hebreus, sendo cinco da era mosaica e outras duas de período posterior. As principais delas eram: a. A Páscoa, também chamada de Festa dos Pães Asmos ou Dia dos Asmos, era celebrada entre o 14º e 21º dias de Nisã, em lembrança ao livramento do povo de Deus no Egito antes da sua saída (Êx 12. 1-20; Lv 23. 5-8). Também se comemorava, no 16º dia, a Festa das Primícias ou dos Primeiros Frutos (Lv 23. 9-14). b. Festa das Semanas ou Festa da Colheita ou da Sega ou Pentecostes, era celebrada no 6º dia de Sivã (50 dias após a colheita da cevada no final da Páscoa), comemorava-se, em gratidão, o encerramento da colheita do trigo e de todos os cereais de que era feito o pão e fazia menção a necessidade do perdão de pecados, já que o fermento representava o pecado do povo e o

sacrifício dos animais, o perdão (Lv 23. 15-21). c. Festa dos Tabernáculos ou das Tendas era realizada entre os dias 15 e 21 do mês de Tsri, em que o povo se reunia em cabanas, tendo como objetivo fazer o povo se lembrar do tempo em que morou em tendas, durante a peregrinação pelo deserto, e da provisão de Deus, após havê-lo tirado da escravidão no Egito (Lv 23:33-43). Nessa festa, também, se comemorava a colheita de outono (dos frutos dos pomares e das vinhas), dando graças pela produtividade de Canaã. Outras duas festas do mês de Tisri, que era o marco do ano civil hebreu, eram a Festa das Trombetas, no 1º dia, que indicavam o começo da nova estação, e o fim do ano agrícola (Lv 23. 23-25), e o Dia da Expiação (atualmente conhecida como Yom Kippur), no 10º dia, em que o sumosarcedote entrava no santíssimo lugar para fazer expiação de pecados pelo povo, anunciando a obra de Cristo na cruz. Neste dia, o povo se abstinha do trabalho e realizava jejum coletivo (Êx 30. 10; Lv 23. 26-32). Além das festas, outra característica humana marcante da Palestina, eram a alimentação e as vestimentas. A base alimentar do povo hebreu era de pão, leite, mel, legumes, frutas, farinha, azeite e vinho, sendo a carne apenas em ocasiões festivas. Aos que habitavam na região litorânea, acrescentava-se o peixe. Já o vestuário, era marcado por algodão, seda, linho ou lã. Os homens usavam túnicas (tipo de camisola até os joelhos), manto ou capa, que se usava sobre a túnica, cintos bem compridos, sandálias, além dos turbantes (fitas longas enroladas sobre a cabeça). As mulheres usavam as mesmas peças, entretanto, mais longas e ornamentadas, exceto o turbante. Elas usavam lenço sobre o rosto em aparições públicas. Exercícios Propostos 1. Por que o estudo da Geografia bíblica é importante? 2. Defina o Mundo Bíblico e procure situá-lo na geografia atual. 3. Como era o calendário hebreu e em que a sua compreensão nos ajuda a compreender os relatos bíblicos? Textos Bíblicos para Devocional Domingo Gênesis 1. 26-31 Segunda Gênesis 2. 4-8 Terça Salmo 24 Quarta Gênesis 11. 1-9 Quinta Gênesis 12. 1-5 Sexta Êxodo 12. 1-14 Sábado Êxodo 13. 17-22

Ilustração 1 - Oriente Antigo

Ilustração 2 - Palestina / Terra Prometida

FONTES DE CONSULTA Bíblia de estudo MacArthur. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2010. Bíblia de estudo NVI. São Paulo: Editora Vida, 2003. DOUGLAS, J. D. O novo dicionário da Bíblia. 3. ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006. LAWRENCE, P. Atlas histórico e geográfico da Bíblia. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008. RONIS, Osvaldo. Geografia Bíblica. 5 ed. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1982. RYRIE, C. C. A Bíblia anotada: edição expandida. ed. rev. e expandida. São Paulo: Mundo Cristão; Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007. SHEDD, Russell P. (coord.) Bíblia Shedd. 2 ed. rev. e atual. São Paulo: Vida Nova; Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997. SILVA, A. G. da. A Bíblia através dos séculos: uma introdução. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1986.